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domingo, 1 de abril de 2012

24 X 7

O assunto é Presença. 
Presença no modo 24X7. E você pergunta: "Então o que faz esse morango aí ao lado?
Vou explicar:
Acho que resolvi  o mistério de “Porque há certas lembranças aparentemente corriqueiras que a gente nunca mais esquece, mesmo que se passem cem anos? E, por outro lado, há outras com jeito de “muito importantes” que a gente não lembra mais daí a cinco minutos, apesar de todo o esforço.”
Tenho sentido e observado muito na Contemplação, e ficou claro para mim que as lembranças que perduram são aquelas que tocaram, mesmo que de leve, uma inteligência e memória  que estão por trás do nosso Estar Presente no Agora e fazem parte dele. Algo assim: se eu estou com um nível mínimo de presença dentro de mim, e algo de qualidade, uma cena, um ensinamento, uma lembrança surge na tela dos sentidos, uma alquimia secreta faz a ligação entre as duas coisas de qualidade e pronto, a lembrança fica permanente, guardada no HD da memória, para consultas posteriores ou mesmo aparecendo espontaneamente na tela como um pequeno flash dizendo  “olhe eu aqui!”
Estou escrevendo isso por duas razões; primeiro porque não tenho mais nada que fazer nesse dia ensolarado, olhando o verde do mato aqui na minha janela na granja, e já que estou na frente do teclado... 
Segundo porque me veio à memória, mais uma vez, a lembrança persistente de uma cena que ouvi há uns 30 ou 40 anos num grupo de “busca interior”. Ficou gravada em cores (principalmente o morango), como um filme. Era uma história Zen contada pelo instrutor da época. Vamos lá:
“Um homem andava pela floresta quando sentiu que um lobo o seguia. Apressou o passo, e o lobo atrás, só na espreita... Começou a correr e viu que eram vários lobos, muitos lobos. E “pernas para quem te quero”, como dizia a Dona Josefina.
A certa altura, já exausto, viu que a trilha terminava e estava de frente para um barranco, ou melhor, estava mais para precipício que um simples barranco,  e não dava para saltar para baixo de tão alto que era. E os lobos uivando ferozes nos calcanhares.
Então ele, sem pensar, resolveu saltar e agarrar uma raiz mais abaixo para não se estatelar lá no chão. Os lobos ficaram acima uivando, um inferno.
Bem - pensou - agora preciso achar um jeito de ir descendo, e ao olhar para baixo, vejam vocês, viu um tigre esperando. Brincadeira. Apavorado, suando de esforço e pavor, ficou olhando em volta para achar uma saída. Decididamente não era um bom dia.
Nisso, à distância de um braço viu sabe o quê? Um morango, redondinho, pontudo, vermelhinho e perfumado entre as folhas verdes, com aqueles furinhos em volta. Uma cena.
Esticou o braço, pegou o morango e fechando os olhos, levando-o à boca sentiu o azedinho suave, a textura macia, o prazer de estar vivo, dentro de si mesmo, mastigando calmamente, sentindo um gosto inesquecível de morango, segurando uma raiz com a outra mão já doendo, e ouvindo uivos de lobos”.
Acabou. 

É... Acabou o conto. Mas não o assunto.
Volta e meia esse conto Zen me volta à lembrança. E eu acho que sei porque. Tenho percebido que não há outra saída para quem quer evoluir de verdade, a não ser a firme, sutil e dedicada intenção de estar presente dentro de si mesmo todo o tempo, a todo instante, 24 horas por dia, 7 dias da semana, sem desculpas esfarrapadas. Presente como o homem ao saborear o morango, apesar da pessão. Não é preciso mais nada, nem livros, nem seminários, conferências, workshops, nada disso. Aliás tenho sempre dito aos meus amigos de busca que a maioria de nós já leu mais do que precisava para o seu despertar. Buda não deve ter lido nada, ou muito pouco, já que a tradição era oral. O que precisamos sim é de agir no Agora, com um bom mestre, um bom ensinamento, energia e Intento. Eu ainda leio porque um bom livro funciona para mim como uma dose extra de motivação para a busca. Puro tesão.
Quando digo 24 horas por dia, você que é uma pessoa sintonizada pergunta: “24 horas por dia? Mas e à noite no sono?”. Os mestres dizem que à noite temos que aprender a estar despertos no sono como faziam e fazem budistas, toltecas e outros, e trabalhá-lo como um mundo de atuação normal, com seres, situações, decisões, projetos, enfim, atuação. O meu prezado Lama Samten disse um dia que organiza o seu dia seguinte ou a semana seguinte no sonho á noite. E confirmando isso, assisti no passado um workshop empresarial de um conhecido palestrante, antropólogo que na sua tese de doutorado esteve na Austrália e disse que “os aborígenes australianos também”sonham a caçada” num ritual na véspera, e no dia seguinte vão apenas “buscar a presa” que já foi caçada antes, no sonho”. Os índios brasileiros também. Todos em modo 24X7.
Eu fico encantado com isso: programar o futuro enquanto dorme, desperto e descansando! Belezura, cumadre.
 Nas publicações anteriores O Sonho, Portal da Consciência, O sonho – Visáo Budista, O Sonho – Visáo tolteca e O Sonho e o Rupigwara, falamos muito do assunto. O mestre do Bön Budismo Tenzin Wangyal Rinpoche em seu livro “Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono” diz que o Sonho é uma área de atividade exatamente como é a vigília acordado. Imagine como se fosse um país estrangeiro. Basta aprender o jeito de viajar para lá, a língua, os costumes, e boa viagem. E como bônus, viver dois mundos num só.
Tenho me proposto esse intento de trabalhar 24X7, inclusive no Sonho, seguindo instruções do mestre Tenzin Wangyal Rinpoche, e tenho notado sutilezas interessantes tanto no sonho como no dia a dia, como se os dois mundos começassem a se relacionar. Talvez por isso tenho me lembrado com frequência do conto Zen do morango. Quem sabe?...
Em breve vamos falar das descobertas e dificuldades de intentar viver a Presença 24X7. Aguardem

domingo, 4 de março de 2012

O Outro

Eu tinha uma amiga que dizia: “eu gosto do povo, adoro. Só não gosto do cheiro do povo no ônibus”. Pois é, o outro é assim, um desafio, sempre. Mesmo quando “gostamos” dele.
Não é à toa que na divisão das 12 casas astrológicas que perfazem a nossa vida, a Casa 1, que é “o meu eu”, é oposta à Casa 7, “o outro”, do outro lado, a 180º de distância, nos encarando... Não tem escapatória. Esse outro é tanto o inimigo declarado, o parceiro (a) de vida, o sócio, o concorrente. Para o médico é o paciente, para o vendedor é o comprador, e por aí afora... E a nossa vida está entrelaçada com a do outro como essas crianças na imagem aí em cima.

Eu pergunto, aqui entre nós: - “você não acha sintomático que o cônjuge e o inimigo declarado sejam personagens  da mesma casa 7?” Abra o olho cumpadre (e cumadre). Aí tem coisa. E não contaram para nós. Vamos ter que descobrir sozinhos...
 E por falar em sozinho, é curioso: a gente nasce sozinho e vai morrer sozinho, prestando conta para si mesmo e mais ninguém, mas no entremeio vai conviver, bem ou mal, todo o tempo com o outro. E a gente ama e odeia isso. Às vezes ao mesmo tempo. É estranho... Por que é assim? Não sei. Não sabemos. Precisamos ser sinceros quanto à nossa incompetência.
Eu tenho um pressentimento, sei lá se é verdadeiro ou falso, mas vou dizer (se não funcionar, a gente continua na busca). Como já falamos na postagem
Meditar? Orar? Para que? vamos então nos atrever a propor uma “teoria da geração de tudo”, uma Cosmogenia que, entre outras, explica essa coisa da existência do outro: parafraseando Don Juan e o hinduismo, existe no Universo uma força de Criação da Consciência (Brahma) e outra de Destruição (Shiva) atuando a todo instante sem parar. Vishnu, o terceiro fica só na Manutenção, equilibrando os estragos dos dois (rsrs). Então, se a Criação e a Destruição são simultâneas, o Universo precisa de Consciência sendo gerada a todo o instante, on line, em tempo real, como diz a garotada antenada. E portanto precisa de Ex-pe-ri-ên-cia. Precisa de nós, seres vivos, desde o mais simples vírus até os humanos. Todos ganhamos Vida e devolvemos Consciência, como diziam os homens de conhecimento toltecas. Daí a expressão “crescei e multiplicai-vos” dita por outro homem de conhecimento que sabia das coisas, expressão que aliás no nosso planeta está meio em baixa por causa da superpopulação.
Por isso estamos aqui: nos demos a nós mesmos um equipamento físico, emocional, mental e espiritual tingido por umas coisas como apego, raiva, ignorância e no final, a cereja do bolo: o outro. Nós mesmos nos demos o outro, não podia ser diferente. Igual e oposto a nós, ao mesmo tempo. E a paisagem que nos demos em volta qual é?: Recursos inflexíveis, sabiamente dosados, e apetites insaciáveis, É mole?
Esse embate com o outro é o grande gerador de experiências e portanto de Consciência de que o Universo precisa: atrito. É o atrito entre opostos como possibilidade criativa de experiências.
Se você discorda, pode fazer uma experiência decisiva: imagine-se (não vai ser fácil) vivendo num mundo sem o outro, sem o seu semelhante, ou melhor, o seu diferente. Mas imagine mesmo, senão não dá para aceitar ou refutar a teoria. Nesse tal mundo, se não há o outro, não há como haver nenhuma das 7 virtudes (temperança, caridade, simplicidade, paciência, generosidade, diligência, humildade) ou os 7 pecados capitais (orgulho, preguiça, inveja, luxúria, raiva, gula, avareza). Essas coisas só aparecem a dois ou mais: sem o outro, vai ser uma paradeira federal. Bota tristeza nisso. Não há Consciência que brote aí. Sem o outro a aridez é total. Já pensou num mundo sem Luxúria? Vixe! (rsrs)
Então você, muito gentil, diz: ‘ok, vou aceitar em princípio a sua teoria “sub judice”, ou seja, até prova em contrário. Mas tenho uma pergunta: “como eu faço para me relacionar com o outro de uma forma justa, equânime, tanto exterior como interiormente?”
Essa sim é A pergunta.
A resposta eu na sei, mas estamos trabalhando nisso. Todo o tempo. A pergunta é sempre mais interessante que a resposta, porque deixa o tema sempre no modo aberto. Começo a achar que talvez a resposta não seja a resposta em si, mas sim o trabalhar nisso, sem descanso. Vamos lá:
O “se relacionar com o outro” exige uma pá de coisas:
A primeira coisa, e principal, é você “estar presente” (rsrs). Você deve ter pensado: esse cara é doido. Como posso me relacionar com o outro se não estou presente? Por telepatia? Mas é de outra presença que estamos falando, é claro. É a presença interior, no instante, no Agora,  de que as tradições sem exceção falam. Eckhart Tolle tem textos e vídeos encantadores sobre isso. Presença é “ocupar” todo o seu corpo físico, estar sentindo-o sem pensar nele, atento e aberto para o outro. Na cena só existe a sua Atenção e o outro . A rigor mesmo só existe a sua Atenção. É claro que quando a gente faz a lição de casa direitinho, a gente está presente “de carona” também no emocional e mental e sentindo  no conjunto dos três, cada vibração e impressão que chega, ao mesmo tempo em que está se relacionando com o outro. Parece difícil no início, principalmente nos picos emocionais, absorventes, na hora do racha, mas aos poucos a gente acerta. É um largar atento, um deixar fluir. Se a gente se perder, volta e retoma...
A outra coisa é agir exteriormente com o outro com a maior consideração possível (seja ele quem for, seja na situação que for), exatamente como agimos com uma pessoa querida, que queremos agradar. Difícil? Bota difícil nisso. Não podemos esquecer que estamos lidando com dois egos insuportáveis, o nosso e o dele. Para funcionar, o agente da nossa ação deve estar previamente ciente de que o ponto não é “ganhar a discussão” mas, sem perder o objetivo, estar presente contemplando-se na ação, identificando as energias e observando, tão imparcialmente quanto possível, a resistência ridícula e mesquinha do ego. Aliás dos dois egos. Isso não significa “ser bonzinho” mas um segredo é não “bater de frente”. Gurdjieff chamava esse processo de “consideração exterior”, ou seja, independentemente de o seu ego achar que o outro ego seja um (a) pulha, você o trata exteriormente com consideração. Não confunda isso com essa coisa viscosa chamada de “politicamente correto”. São coisas parecidas só por fora, mas a nossa nos põe diante de uma dificuldade quase insuperável, a de conscientemente tratar alguém  exteriormente com consideração, quando o seu próprio ego está revoltado interiormente, querendo pular no pescoço do outro e esganá-lo. Lembrei-me de um rabino que disse; "É muito melhor interiormente para nós, ser gentil do que ter razão".
Uma terceira coisa é uma constatação absolutamente insuportável para o nosso ego que vive na dualidade “eu e o outro”. O grande filósofo popular, Vicente Mateus, ex-presidente do Corinthians dizia, reafirmando essa dualidade: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. (rsrs).
Pois bem, o que eu vou dizer é uma coisa tão insuportável para o nosso ego, que eu vou falar rapidinho e sair de fininho, como criança que “fez reinação”. A constatação é a seguinte: 

 O outro é a sua sombra.
O outro é tudo o que é sombrio demais para você aceitar como seu. Aqui entre nós, apesar de o seu ego espernear – chegue um pouco mais que eu vou contar um segredo no pé do seu ouvido (essa vai ser "braba"):
“O outro é você”.
E durma com um barulho desses.
Domingo que vem, tem mais.

domingo, 14 de agosto de 2011

Impasse?

Conforme a gente disse na postagem A Impermanência, "a vida não é outra coisa senão administrar mudanças, escolhas, alternativas. No Universo há apenas uma lei que não muda: É a lei que diz tudo muda, nada é permanente. Daí a nossa preocupação com o futuro, com o que está por vir."
Então, todo o tempo temos que tomar decisões, quer a gente goste ou não, quer sejamos librianos ou arianos...
Temos ajudado algumas pessoas nesta tarefa, principalmente quando são buscadores e se deparam com dilemas e decisões ligadas ao choque aparente entre a Vida e o Caminho. Digo ‘aparente’ porque é só aparente mesmo. A vida comum, como ela se apresenta para nós, é o Caminho que escolhemos. Deve ser o Caminho. Tem que ser o Caminho...

Esses dias fui procurado por um simpático casal de jovens leitores do blog, de uma pequena cidade em algum lugar do Brasil, que estão enfrentando um impasse: jovens,  empresários, buscadores sérios e dedicados, negócio em ascensão e absorvente, bebê novo, pressão da vida, gostam do negócio e da busca interior, mas as duas atividades estão aparentemente ficando incompatíveis... o que fazer? Pé no freio ou no acelerador? Em qual das duas?  
Ganhar dinheiro ou evoluir? Parece um impasse...
A dificuldade é clássica. Muita gente se defronta com ela, e tem dificuldade em resolver o problema, mas isso deve ser encarado como um presente, uma graça. Aliás Gurdjieff dizia que “quando tudo vai bem, é porque tudo vai mal”. Quando tudo está sem desafios  na vida, a gente não faz nada no Caminho Interior.
Vejo pessoas (só no cinema e TV, viu?) que sempre sonharam como seria bom se aposentar com um bom rendimento para se dedicarem com calma ao Espírito. Conseguiram. Mas só a primeira parte, não a segunda. Sabe como é, né? “Tem muita coisa que atrapalha: família, preocupações, o futuro, o custo de vida, o trânsito, a violência, a saúde, os compromissos familiares, a novela, o encanador, os netinhos, ah os netinhos, uma gracinha, mas tãão absorventes...
Então, voltando ao dilema do jovem casal: antes de pensar em parar a busca ou o negócio, ou diminuir o ritmo, ou terceirizar, ou vender o empreendimento e ir para Pasárgada, ou Katmandu, ou Paris, a gente tem que acertar a coisas dentro da gente. A nossa atitude é que não está correta. Se você mudar de atividade ou de lugar, não adianta nada porque o seu ego vai junto carregando a tralha toda. O Invisível, que administra o seu destino e o conhece muito bem, vai esperá-lo na curva, lá em Paris, mesmo.
Tenho assistido na TV um programa chamado ‘O Encantador de Cães’. É muito bom. Todos os donos de cães procuram o profissional porque acham que ‘o cão tem um problema’. E o guru canino, um mestre mesmo, começa corrigindo o dono do cão, que é invariavelmente o culpado. Ele é o problema (rsrs).
A nossa relação com o mundo é a mesma. O mundo não tem problemas, apesar de parecer caótico, incompreensível e frequentemente injusto. A “inteligência’ do mundo é um software esperto que se resume somente em ter respostas programados sob medida para as ações do ego de cada um, para nos estimular a resolver, e então quando isso acontece, subimos mais um degrau no aprendizado da nossa evolução individual. E nós achamos que é uma rixa pessoal do mundo contra nós... O mundo não dá a mínima para você individualmente. Só faz o trabalho dele.
O cão, como o mundo, não quer brigar conosco, pelo contrário ele quer que a gente assuma o controle. De nós e dele. E fica enviando sinais todo o tempo para nós.
Então vamos lá:

 
•    Primeiro ponto:
 Assumir 100% da responsabilidade. Eu tenho que mudar a minha atitude com o mundo e as pessoas. Se algum fato ou pessoa entrou no círculo da minha percepção, fui eu quem criou a coisa, ou permitiu, seja ela o que for. Então nem o mundo nem ninguém tem culpa nenhuma, não tenho o que, nem de quem, reclamar, não há injustiça, tenho que encarar numa boa e administrar. A coisa é comigo mesmo, e é dirigida para mim, sob medida.
    Na postagem Ho’ oponopono o Dr. Lew Len diz que ‘a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser, por esta razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é nossa criação!’.  O problema, se apareceu, tem a ver comigo e foi só por isso que apareceu “justo para mim”, e está aí, parado, olhando para mim, para ser resolvido. Não é um acidente ou uma fatalidade, ou injustiça, ou o que for que eu pense, para me justificar ou tentar escapar... tenho que arregaçar as mangas e assumir.
•    Segundo Ponto:
Não existe ”eu” e o “problema”, ou “eu” e “o outro”, ou então “dentro de mim” e “fora de mim”. Isso é um produto da mente dual que separa as coisas. Essa coisa de ‘eu não tenho nada a ver com isso aí’ não existe. Se a coisa apareceu no meu raio de percepção, tem a ver comigo mesmo. Então não devo recusar nada. Só encarar e tentar resolver. Com aplicação e o melhor dos espíritos. O problema sou eu, não está fora de mim a ponto de poder ser recusado, e aquilo que se apresenta foi feito sob medida por uma inteligência que sabe de que eu preciso, e isso é um presente para mim neste momento. Tem muito pouca coisa puramente acidental nessa vida.
•    Terceiro Ponto:
Definir uma estratégia e tática inteligentes, possíveis e compatíveis dentro do quadro que se apresenta. É preciso isso para administrar o aparente conflito de tempo e energia disponíveis para fazer o trabalho corriqueiro e o Trabalho Interior. Isso significa aplicar o mental na questão, no que o mental tem de melhor, que é o raciocínio lógico, e conjugar isso com o conhecimento intuitivo adquirido no Trabalho Interior. Significa conhecer o negócio, a operação, o mercado, os clientes, fornecedores, recursos, pontos fortes e fracos, concorrência, ameaças e oportunidades, planejar o futuro detalhadamente, revisar uma, duas, cem vezes, ou seja, fazer a sua parte com dedicação e atenção nos detalhes, e depois...relaxar. Esfrie a cabeça e mude de canal, vá ao cinema, viajar, namorar... você já fez a sua parte. Agora aguarde, enquanto toca a operação dentro dos parâmetros mais adequados que descobriu. Sem se deixar arranhar pelo apego ao que é imprevisível e imponderável. Não há garantias de que vai dar certo, mas você foi impecável. É isso que importa.
Nada de pré-ocupação, só se ocupe, como disse uma vez o Dalai Lama no Brasil. E fique atento à sua intuição.
•    Quarto ponto:
Não separar o tempo da prática da calma ou meditação, e o tempo do trabalho comum na vida. Que tal a idéia de procurar fazer as duas atividades ao mesmo tempo? Ou seja, fazer uma prática de recolhimento enquanto executa a ação, estar presente na ação, no instante em que está no computador, telefone, ou discutindo com o fornecedor, cliente, subordinado, ou com o fiscal corrupto. É difícil? Talvez. Mas se não começarmos nunca iremos saber se é ou não. E aliás, parafraseando Rilke, só o que é difícil realmente interessa...o resto deixe para os outros.
•    Quinto ponto:
Colocar-se no Agora. Esse é crucial. É o requisito indispensável para se tentar fazer as duas práticas ao mesmo tempo, como dissemos no ponto anterior; O que significa isso?  Significa colocar você, seu corpo, a Consciência, na ação, no instante em que as coisas estão acontecendo. É buscar ficar em um lugar dentro de você em que ao mesmo tempo que sente o corpo, as sensações, pensamentos, emoções, ou seja, a ‘Lembrança de Si’ ancorada por um mental silencioso, ao mesmo tempo, ver e atuar na situação corriqueira que pede pela decisão, pela ação, objetivamente. Essa é a chamada Meditação na Ação. Você “faz enquanto medita”. Esse é o objetivo dessa prática milenar chamada Meditação ou Contemplação. É levar a Consciência com lucidez para a Vida no instante em que ela está acontecendo, o Agora: para a vida comum em todos os seus aspectos, trabalho, dinheiro, amigos, carreira, família, pais e filhos, sogro, sogra, doença, mudanças, enfim às 12 casas astrológicas que são o nosso mundo pessoal. Não é meditar na caverna ou na montanha, sozinho, e se transformar num doutor em meditação. A nossa vocação é a ação, sem a identificação, o apego com o ‘fazer’, ou com ‘o produto da ação’. O sonho também é nossa outra vocação (mas isso fica para outra vez...).
E tem um lembrete importante: o Agora não é a mesma coisa que o presente, que é a junção do passado com o futuro. O Agora não está no tempo. Você vai perceber isso na primeira vez que "cair" nele. Ele não tem Passado nem Futuro. Ele é eterno e você só pode tentar vivê-lo a cada instante em que abdicar do passado e do futuro. O Agora é a “porta estreita” que a gente tem que entrar, como dizem as escrituras sagradas de várias tradições. E o Budismo Zen, mais radical, diz que “você tem que atravessar uma porta onde não existe uma porta”. Vixe...
•    Sexto ponto: 

A todo instante em que você perceber que "dormiu” no processo de meditação na ação e só conseguiu ficar em um dos lados dele, você volta e recomeça. Como diz a música, você  “levanta, sacode a poeira e dá volta por cima”. Começa tudo de novo. Calmamente, sem culpa, sem pressa.
O que a gente poderia chamar de “sucesso” nessa Meditação na Ação, não é “quanto tempo, ou quantas vezes, eu consigo ficar na ação sem me identificar com ela, perdendo o fio da Consciência”, mas é “quantas vezes eu percebo que “dormi” e levanto de novo para continuar”. É um outro tipo de avaliação, que leva em conta a natureza falível do ser humano.
•    Sétimo ponto:
Abra mão. Acha difícil relaxar conforme o negócio está crescendo, porque não confia no trabalho dos outros? Verifique se a razão é que você tem ‘apego pelo fazer’ ou um orgulho perfeccionista velado, uma auto importância de achar que “ninguém faz certinho como você”. Seus colaboradores podem estar ansiosos para contribuir... Abra mão. Treine. Forme mão de obra. E delegue a autoridade conforme perceba que o pessoal está treinado. É mais fácil, cômodo e barato controlar do que fazer sozinho. Só exige outras habilidades. Mas a gente aprende fácil.
Mas não é só isso. Quando você age assim, contribui para fazer as pessoas à sua volta enfrentarem novos desafios e evoluírem. Os budistas chamam isso de um 'bom karma'. Somado a isso, a mania de fazer sozinho cria um 'gargalo' que não deixa o negócio crescer e dar novas oportunidades tanto para si como para os outros. Talvez o gargalo seja você (rsrs)
 
Ganhar dinheiro ou evoluir? Parece um impasse... Que tal Ganhar dinheiro e evoluir?
Pensando bem, acabei de descobrir que a “receita dos sete pontos” se aplica não só para esse caso, mas para outras decisões, relacionamentos (de qualquer tipo), problemas emocionais, julgamentos, projetos, qualquer coisa...Isso é que é um 'Agora produtivo', hein? Quem souber como ganhar royalties de direitos autorais com isso, me avise por favor, porque eu não faço a menor idéia de como fazer isso (rsrs)

domingo, 26 de junho de 2011

Contemplar - 2 (o "não fazer")

Hoje pela manhã o buscador aqui, começou a meditar da maneira habitual, mas com uma intenção nova, que tem tentado ultimamente com assiduidade. Aliás, aqui entre nós, meditação (mediar, estar no meio, fazer a conexão) apesar de ser uma palavra forte e apropriada, não parece ser a melhor palavra. Contemplar soa melhor, porque ela toca algo inefável na Consciência, uma qualidade do Ser que é encantadora, sem a qual o caminho fica mais lento e difícil: uma “imobilidade ativa", um “não-fazer lúcido”, atento. É simplesmente “não fazer” o que se faz normalmente, só contemplar... os toltecas o consideram uma disciplina clara, precisa e mágica para aingir o que chamam de Segunda Atenção. Hoje eu percebo que contemplar sem agir, é a porta secreta para o Invisível, que é a casa da busca interior do Ser.
E lá estava eu... apoiado interiormente na intenção do tripé imprescindível para abrir a porta do Ser:

  • atenção no vai-e-vem da respiração,
  • “ocupar” o espaço do meu corpo sentindo as sensações, e...bingo!
  • esvaziar o mental: o silêncio interior.
Quando você raramente consegue a façanha desse instante fugidio, dessa geometria interior, pensa assim: “ganhei a batalha”. - Nã... nã... nã... aí é que começa a verdadeira batalha: manter a coisa...
Na verdade é um campo de batalha diário, e contraditoriamente silencioso, mas não menos real que uma batalha nas trincheiras. Lembra-me uma frase de Fernando Pessoa; “O esforço que fez Napoleão para conquistar a Europa, eu faço todo dia para levantar da cama”.
Eu sempre inicio pelo primeiro, "a atenção á respiração". Por que? Aí tem uma malandragem. Porque é o mais fácil, porque é apoiado num “fazer”, e o fazer é só o que sabemos fazer (rsrs) com facilidade, não depende de outra coisa senão dar a ordem e tentar manter a intenção, não perder o fio do novelo. Mas mesmo sendo o mais fácil, exige atenção e disciplina. Não desista. Se perdeu o fio, volte. Com paciência, interesse, intenção. O sucesso aqui é contado não por quanto tempo eu consigo ficar ligado no vai-e-vem da respiração sem interrupção, mas em quantas vezes eu me perco e, pacientemente, volto. Na boa.
Mas tem mais coisa, aliás muito mais coisas... Eu tenho que, mesmo sem fazer nada, coordenar nas entrelinhas o “controle” das três ações dessa “trindade”, mantendo um distanciamento interno que atua, sem se envolver nelas, sem me atirar afoito em nenhuma. Não me pergunte como se faz isso. È um fazer sem fazer. Sutil como o equilíbrio na corda bamba. É um mistério. A gente só consegue fazer, fazendo. Lembra um pouco aquele personagem do circo que mantém um número enorme de pratinhos girando em cima das varetas, sem deixar cair nenhuma... um espanto: “ôÔpa... vai cair aquela ali... consegui... e tem a outra... chíí, tem mais duas... acertei... vixe, caiu tudo!”. Só dá certo na hora em que ele consegue se livrar do apego, abrindo mão do resultado. É quando o buscador só está ali pela diversão do corpo, mente e espírito, e mais, o compromisso sério da proposta. Resumindo: abrir mão do resultado, e ao mesmo tempo buscá-lo com afinco... pensamento, emoção e corpo. Fácil, não é?...
Posto isso, enquanto eu percebo que uma parte da minha Atenção, essa coisa misteriosa, está “manobrando” a respiração sem atuar, só na intenção, outra parte está ligada em um “fazer”, sintonizado à sensação do corpo, que na verdade é um não-fazer. Eu explico: a atitude correta é a Atenção tentar ser uma antena que registra uma vasta gama de todo e qualquer sinal vindo do corpo (sensação, emoção, pensamento), mas a atitude justa é não tentar procurar ou “agarrar” nada, só receber. Por isso é um não-fazer. Uma antena que se preze não faz nada. Só recebe, sem o esforço de ir buscar. A Atenção foi feita para isso, mas o problema é que ela convive misturada com o ego, lá dentro de nós, e o ego se julga dono de tudo, só quer agarrar, e com isso obscurece ou mesmo cega a Atenção. Nós é que temos que separar o joio do trigo e, delicada e mansamente, tentar isolar a ação do ego, tirando o ar dele numa boa, sem briga. Cada dia a gente aprende uma sutileza para lidar com esse sujeitinho.
Muito bem, ainda falta um pé do tripé. Deixamos para o final porque é o mais sutil, manhoso, esperto e difícil de trabalhar: o Silêncio Interior do mental, o vazio: nada de pensamento. Não tem passado e não tem futuro. È o mais difícil de trabalhar. Por que? Porque mais que a sensação do corpo, o silêncio do mental é um profundo não-fazer. É o “não-fazer do falar”. Para conseguir atingi-lo você tem que cancelar a força absurda do diálogo interno implantado não-sei-por-quem em nossa mente como uma sutileza diabólica do nosso funcionamento: ele leva a vantagem de ser um piloto-automático. É como a gravidade, simplesmente está lá todo o tempo. Não faz nenhum esforço e portanto não descansa. Vacilou, ele vence, introduzindo-se de mansinho como uma sombra. A âncora de que eu preciso é a atenção na respiração. Ela permite um distanciamento não para se contrapor ao pensamento que surge com aparência inocente, mas sim para contemplá-lo nascendo, passando
disfarçado, e não embarcar na carona deliciosa e envolvente que ele é. - Mas, e se eu embarcar sem perceber? 
Ao notar que embarquei, sem culpa eu retorno ao eixo, como Ulysses ao ouvir o canto das sereias...
Don Juan falava a Castaneda textualmente (sobre o diálogo interno, que é o inimigo do silêncio do mental) no livro “Porta para o Infinito” e até ensinava como antídoto a ele “uma maneira correta de andar”:

  • "- Já lhe disse que o diálogo interno é o que nos prende à terra.  O mundo é isso e aquilo somente porque falamos conosco dizendo que ele é isso e aquilo. A passagem para o mundo dos homens de conhecimento se abre depois que o guerreiro aprende a parar o diálogo interno. Modificar nossa concepção do mundo é o ponto nevrálgico do conhecimento - disse ele. - E parar o diálogo interno é o único meio de conseguir isso”. Pag. 20
  • “A vidência só ocorre quando o guerreiro consegue parar o diálogo interno. Hoje, você parou sua conversa à sua vontade, lá no mato. E você “viu”. Pag. 30
  • “- Como você sabe, o ponto nevrálgico do conhecimento é o diálogo interno; esta é a chave de tudo. Quando um guerreiro aprende a pará-lo, tudo se torna possível; os planos mais rebuscados se tornam exeqüíveis. O caminho para todas as experiências fantásticas e sobrenaturais que você teve recentemente foi o fato de você conseguir parar de falar consigo mesmo”. Pag. 86
 Já que você está na sintonia, veja um vídeo do Heckhart Tolle sobre  Meditar, ou Contemplar. Copie e cole na sua barra de endereços do Google:
https://www.youtube.com/watch?v=X5vrPIR2pMM  






domingo, 24 de abril de 2011

A Cura pelo Perdão

Todas as religiões e tradições de busca interior e meditação, em todas as épocas, colocam o perdão como prática essencial para a evolução do espírito do ser humano.  Sempre me impressionou a doçura e compaixão da frase de Cristo sendo crucificado: “Perdoai-os Meu Pai, eles não sabem o que fazem”, em contraposição ao “Olho por olho, dente por dente” do Código Hamurabi da Babilônia, que é a matriz da Justiça atual no planeta, bem ao gosto dos fundamentalistas e do período turbulento do Kali Yuga. A prática da confissão, presente em muitas tradições, reafirma o perdão como instrumento de purificação interior de quem está à procura do Si Mesmo. Vimos o mesmo gesto nobre no perdão do Papa João Paulo II ao misterioso atirador turco Ali Agca que tentou assassiná-lo, e vemos agora florecer  o mesmo movimento em tradições como Oneness Deeksha, ou o Ho’oponopono  do xamanismo hawaiano, em que a marca registrada é “me perdoe, eu amo você, obrigado”. Mesmo um nagual e xamã tolteca curtido e duro como Don Juan e o próprio Castaneda agradeciam aos “pequenos tiranos” por ter uma oportunidade de através deles trabalhar o seu próprio ego e evoluir. As dicas estão aí...
A famosa vidente, psicoterapeuta, curadora e escritora (Mãos de Luz, e Luz Emergente), Barbara Ann Brennan, que tem passe livre no território das energias interiores, invisíveis ao comum dos mortais, apresenta um texto encantador sobre o perdão, de seu mestre e mentor Heyoan. Mãos de Luz é uma leitura obrigatória para quem quer se dedicar à cura e saúde (alô médicos), e uma inspiração para quem quer comprender a essência da natureza humana (alô buscadores).

Barbara diz:
“Gostaria de apresentar uma das meditações de cura mais poderosa de quantas recebi de Heyoan. É a "meditação de cura através do perdão." Ela irá induzir uma contemplação profunda que pode curar as feridas internas de relacionamentos passados. 
O fator mais importante na cicatrização de feridas antigas no relacionamento entre as pessoas é o perdão.
Em geral, estamos mais conscientes de não sermos capazes de perdoar uma outra pessoa, do que não poder perdoar a nós mesmos. Todos nós já vimos o efeito produzido pelo fato de nós perdoamos alguém que nos ofendeu. Na maioria das vezes, lembramos de situações dolorosas em que alguém nos feriu e culpamos o outro.
Nossa crítica é superficial, mas no fundo, muitas vezes há um sentimento de culpa doloroso que não admitimos.
Muitas vezes, a outra pessoa não experimentou a situação como nós, e não pode sequer saber que nos magoou. Em certas circunstâncias, porém, o outro acredita que devemos nos desculpar para que ele possa nos perdoar. Em todas essas situações, estamos presos na dualidade. O perdão nos permite superar esta dualidade e ter acesso ao amor.
Nesta meditação, Heyoan nos dá uma perspectiva mais ampla.
O perdão nos ajuda a superar as críticas de "ele (a) fez isso comigo", com sua aguda e profunda culpa, e nós leva a uma compreensão única de o porque funciona o perdão.
Antes de começar, sugiro que você faça uma lista de pessoas presentes em sua vida que às quais você tem sido incapaz de perdoar. Então faça a seguinte meditação sobre o perdão. Vale a pena ler ou ter alguém que leia as instruções de Heyoan, ou então tente  conseguir  a fita deste material canalizado de Barbara Brennan. Ou então leia em voz alta durante a gravação de sua voz. A fita gravada, é muito mais pessoal, e pode-se mais facilmente assimilar descansando confortavelmente na cama com os olhos fechados.
Heyoan diz:
"A cura através do perdão.
Sinta uma coluna de luz dentro de você. Sinta uma estrela de  luz em seu coração, um pouco acima do umbigo. Não é por acaso que você está aqui. Você trouxe esse momento especial em sua vida para seus próprios objetivos, decorrente do seu desejo profundo e sagrado que você carrega no seu coração.
Quanto mais satisfizer esse desejo, mais se encontrará diretamente no caminho de uma vida feliz, satisfatória e criativa.
Gostaria hoje que você escolhesse uma pessoa com quem você tem dificuldades em sua vida e começasse a trabalhar e rezar para se alinhar com o perdão e a cura. Isso requer o seu perdão e o dessa pessoa. Como você sabe, a cura engloba toda a vida - de fato, todas as vidas que tiveram - e que estão além desta vida. Você  existe em um domínio muito maior do que o físico que é definido pelo tempo e espaço. Para você, o tempo e o espaço não são nada mais que limitações introduzidas nessa escola que você criou para o aprendizado dentro dela. Você criou as suas lições, a escola, você criou seus professores nessa escola, e apesar disso você é o mestre de toda essa criação. Você veio a este mundo para cumprir os seus objetivos próprios, que estão contidos no seu desejo sagrado. Agora eu pergunto: em relação à pessoa que você escolheu, como você traiu seu desejo sagrado e, portanto, causou uma situação que requer o perdão para você mesmo? Pode não ser uma resposta fácil e imediata. Mas se você se concentrar sobre ela, meditar e se conectar com ela e seu trabalho de cura, começará a compreender. Através de sua experiência de vida, fluirá uma compreensão mais profunda do que é dito aqui, a partir da fonte da vida que está dentro de você.
Sim, é verdade que você cria a sua experiência de vida. Você a desenha a partir da suprema sabedoria que há em você. Se houver dor, mostre a você o que ela diz, porque a dor vem de esquecer quem você é. A dor provém da crença de que a realidade obscura é a verdadeira realidade. Realidade obscura é o resultado de esquecer quem você é, com base na crença de que está isolado ou separado de tudo o que o cerca.
Eu digo  queridos, que qualquer doença, qualquer que seja sua forma ou manifestação, é o resultado esquecimento. Você vem para cá, o plano da Terra, para lembrar. Não deixe se angustiar sobre o assunto. Oriente sua força de vida no sentido da recordação de Si Mesmo, e sua iluminação despertará as partes da sua psique que estão mergulhadas na escuridão e dor.
Quando iluminá-las com a luz do divino, que existe em cada célula do seu corpo, em cada célula do se ser, a luz brilha sobre a  escuridão e ele começa a se lembrar. Lembrar-se é equivalente a reintegrar suas partes. Através da iluminação, você reintegrará partes de você e de seu corpo que se dissociaram e, portanto, tornaram-se doentes. É um novo começo, sim, você vai experimentar um pouco de dor, mas é uma dor que cura. As lágrimas deixarão a sua alma clara e limpa como chuva recém caída. Seu choro irá liberá-lo. Foi contido por séculos, esperando a chance de escapar. Todos os bloqueios de que se falou se dissolverão e se encherão de vida renovada. Vai vê-los  preenchidos com muito mais energia. Vai ver que sua vida está se movendo em direção à criatividade e alegria. Você se preencherá de uma dança com todos os que estão ao seu redor, e com o Universo.
Mas isso requer o perdão: o perdão em primeiro lugar a si mesmo. O que você precisa perdoar? Se você dedicar cinco minutos - e eu vou lhe pedir para fazer isso depois do meu pequeno discurso, - para elaborar uma lista das coisas que você deve perdoar, seria extensa. Mas não é difícil. Se você considerar todos os aspectos e meditar sobre eles por alguns minutos várias vezes por dia, vai aliviar seu coração do peso suportado. O perdão vem da divindade que você tem no interior. Meditando, rezando, e vivendo o seu perdão, você se  conecta com o divino que você carrega dentro. (Nota do redator: Isso é pura Recapitulação, do xamanismo tolteca. Coisa para lavar a alma...)
As próximas perguntas são: Como se manifesta cada aspecto que você perdoa, em sua psique e seu corpo físico? Como se expressa em seu campo de energia? Siga-os através dos sete níveis de experiência em seu campo de energia.
Onde está a dor em seu corpo que está associada com a atitude implacável que você tomou para você, e por isso manteve uma relação negativa com um determinado indivíduo a quem você acha difícil perdoar? A cura começa sempre por si mesmo.
Em seu interior, a uns 4 ou 5 cm acima do umbigo, há uma bela estrela. A Estrela do Seu  Centro. É a essência da sua individualidade. Esta essência é a sua individualidade divina. É o centro de sua condição de Ser. É o centro de quem você é, em absoluta paz antes, durante e depois de todas as vidas que você tem experimentado em sua Mãe Terra. Sinta esse lugar dentro de você. Você já existia antes desta vida. Existia antes do caos, dor e conflito que existe neste mundo, e vai continuar existindo...
Este centro da sua condição de ser é o centro de sua divindade. A partir dele você é o centro de todo o universo. É a partir desse lugar que você pode curar
Lembre-se de quem você é, e você vai ajudar os outros a lembrar-se de quem eles são. Porque é do centro do seu ser que emanam de todas as suas ações. Assim como suas ações se desligaram do centro de seu ser, você vai deixar de se alinhar com o seu objetivo divino. A ação desvinculada do objetivo divino é a causa da dor e da doença. Então, concentrem-se em seu centro. É a partir desse centro que vem o perdão.
Gostaria de agora mostrar o primeiro aspecto que deve ser perdoado em seu núcleo.
Tudo o que você acredita que precisa de perdão, se originou de algo que foi desligado do seu centro. Quando você fez isso, se desconectou do centro do seu ser, e suas ações se desalinharam da Fonte e passaram pela escuridão e esquecimento. Assim, se você pega o que deve ser perdoado, e você traz para o núcleo da estrela e mantém lá, rodeado e impregnado de amor, você pode voltar à luz através desse amor. Escontrará o  seu objetivo original, que surgiu a partir do seu centro. Quando você encontrá-lo, você pode retomar a criação original. Porque ao encontrá-lo, envolvê-lo e permeá-lo de amor, você vai encontrar o perdão em seu interior. Agora eu vou lhe dar alguns breves momentos para induzir perdoar a si mesmo desta maneira.
Quando esse perdão fluir em  todo o seu ser, você vai encontrar-se automaticamente perdoando as outras pessoas que podem estar envolvidos nesta situação particular que reclama o perdão".

sábado, 23 de outubro de 2010

O Diálogo Interno

Os temas O Diálogo Interno e o Silêncio Interior estão estreitamente relacionados: um é a antítese do outro, como qualquer praticante sério e dedicado já deve ter experimentado.
Todas as tradições autênticas admitem os dois temas como centrais no seu ensinamento, pois a supressão deste diálogo automático que se passa na mente humana para, então, se obter o silêncio interior, é a condição sine qua non para o Ser Humano atingir a libertação do seu estado de mecanicidade (sono).

O Quarto Caminho de Gurdjieff  é um dos que trabalha o tema exaustivamente nas práticas na calma, ou também chamada de meditação, ou contemplação. Outro é o caminho dos videntes toltecas. Videntes porque eles aprendiam a “ver” diretamente a energia fluindo no universo, sem a barreira da interpretação.
Obtido o Silêncio Interior, o próximo passo é o Conhecimento Silencioso, estado em que o conhecimento acumulado disponível no mundo desde sempre (akasha), pode ser acessado diretamente sem passar pelo mental. Cogita-se que foi assim que conhecimentos complexos e metafísicos como o mapa dos meridianos de Acupuntura, os chakras, sua localização e cores, o mapa do corpo energético, visões do futuro e passado da humanidade foram sendo conhecidos. E é assim que um verdadeiro xamã acessa os conhecimentos de medicina e cura. Não há possibilidade estatística de esse conhecimento ter sido adquirido aleatoriamente, por tentativa e erro como a ciência ocidental insiste em afirmar. Afirmar nisso é como  acreditar que  se amarrarmos um chimpanzé num piano e deixá-lo brincar com as teclas até que aleatoriamente ele consigue compor a Quinta Sinfonia de Beethoven. Never. A probabilidade é zero, mesmo em bilhões de anos!

Castaneda disse no seu incrível livro ‘Porta para o Infinito’ :

“- No princípio de nossa ligação, Don Juan esboçara outra técnica para parar o diálogo interno: é caminhar longos trechos sem focalizar os olhos em coisa alguma.
Ele recomendara que eu não olhasse para nada diretamente, mas que, envesgando ligeiramente, eu tivesse uma visão periférica de tudo o que se apresentasse à vista. Ele insistira em dizer, embora na ocasião eu não o entendesse, que, se a pessoa conservasse os olhos não focalizados num ponto logo acima do horizonte, seria possível observar, de uma só vez, tudo no campo de visão de quase 180 graus diante de seus olhos.
Ele me assegurara que esse exercício era o único meio de impedir o diálogo interno. Ele costumava indagar a respeito de meu progresso e depois parou de falar nisso.
Eu disse a Don Juan que praticara a técnica durante anos, sem observar qualquer modificação, mas também não esperava modificação alguma. Um dia, porém, verifiquei, aturdido, que acabava de andar durante 10 minutos, sem ter dito uma palavra a mim mesmo.
Contei a Don Juan que naquela ocasião eu também tive a noção de que parar o diálogo interno implicava algo mais do que simplesmente cancelar as palavras que eu me dizia. Todo o meu processo de pensar havia parado e eu me sentira praticamente suspenso, flutuando. Essa noção me provocara uma sensação de pânico e tive de recomeçar meu diálogo interno, como antídoto.
"- Já lhe disse que o diálogo interno é o que nos prende à Terra - disse Don Juan. - O mundo é isso e aquilo somente porque falamos conosco dizendo que ele é isso e aquilo.
Don Juan explicou que a passagem para o mundo dos feiticeiros se abre depois que o guerreiro aprende a parar o diálogo interno.
- Modificar nossa concepção do mundo é o ponto nevrálgico da feitiçaria - disse ele. - E parar o diálogo interno é o único meio de conseguir isso. O resto é só enchimento. Agora você está em condições de saber que nada do que você viu ou fez, com a exceção de ter parado o diálogo interno, poderia só por si ter modificado alguma coisa em você, ou em sua concepção do mundo.”

domingo, 17 de outubro de 2010

A Pressa

  - Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!
- Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
Os poetas tocam o espírito. A letra de Sinal Fechado, do Paulinho da Viola é um aperto no peito. Uma angústia do fundo da alma. Por que eu sou assim? Eu só ando a cem. E cada vez piora mais...
Mas eu não sou assim. Eu estou assim, nessa espiral infernal do Kali Yuga.
O Bob Herbert do New York Times diz: Temos celulares, Blackberrys, Kindles, iPads e mandamos emails, batendo papo e twitando, tudo ao mesmo tempo. Às vezes com o laptop no console do carro para ver vídeo dirigindo. Por que é considerado um talento essa droga de ser multifuncional e hiperativo? Culpa da tecnologia, certo? Errado. Culpa do piloto automático em que estamos aprisionados, e aceitamos. É um estado de vulnerabilidade inato que herdamos.
Para mudar, eu tenho primeiro que ver a coisa. Mas como eu constato a cena?
Eu paro. Olho para dentro. Consulto o meu corpo, a sensação. Não importa o porquê da pressa. Só importa que ela está aí. Não tenho hora marcada, e mesmo que tivesse...tá desproporcional essa coisa. Onde é que o bicho pega?
Onde é?
É no plexo e na garganta...e vou indo, mais fundo. Não vejo nenhum motivo aparente: ora, sou saudável, executivo bem sucedido, apê de cobertura, tô até namorando uma gatinha, e...essa pressa infernal... pô!

O que eu faço?
Tenho que sair dessa vida. Preciso de um mínimo de recolhimento. O problema é meu. 
A receita é meditar. Sento em lótus, ou sentado na posição egípcia, ou seizá, ajoelhado na posição japonesa e vou para dentro de mim. Se não sou, preciso de pelo menos alguns segundo para escanear o mapa da angústia: é mesmo no plexo. Mas não sei de onde vem, nem porque. Nem interessa pesquisar com o mental. Não dá certo. É só sentir... não pensar. Sentir e contemplar. Até baixar o santo. É curioso...Ninguém mais sabe atualmente o que é contemplação...
O segredo? Eu foco a atenção na sensação, constato a dor e formulo a intenção: soltar o apego. E vou soltando...o dia inteiro, a vida inteira. Eu não quero fazer nada. Só olhar a pressa. Só ser.
A pressa é uma mentira. Eu posso fazer as mesmas coisas, até mais rápido, mas com um recuo que sente o corpo, um personagem que vê a situação e como um diretor de cena age um pouquinho atrás da cena que se desenrola. Sem angústia. Tente agora. Depois de uns dias de treino você vê a mentira. Claramente.
A pressa é a forma de o ego mostrar serviço para mim mesmo. Eu me vejo esperto, responsável, ativo...um espanto. E ela conta com a ajuda dessa disfunção do tempo atual do Kali Yuga. Quem já leu sobre a Ressonância Schumann sabe de que se trata...
Na Surya yoga, ou Sun Gazing, você olha para o sol e aprende a agir como ele: não age. Sómente É. Sem pressa.E ilumina tudo no em torno dele. Dá vida a tudo o que toca.
Deus deve ser exatamente assim. - Eu sou aquele que É , disse um dos filhos dele... Lembrou?
Eu sabia que você ia lembrar...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu e Deus

♫ Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós,
Tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz,
Tenho que encontrar a paz, tenho que folgar os nós,
Dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios,
Tenho que esquecer a data, tenho que perder a conta,
Tenho que ter mãos vazias, ter a alma e o corpo nus.

 Dizem que não se encontra Deus com a razão. Só com a alma e o corpo nus. Sem apego. Sem fazer.  Sem pensar. Só contemplar...
Se você não acreditar em Deus, não importa o nome, pode ser a Força, o Mais Alto, o Espírito, o Conhecimento, o Que For. Ele nem liga...
Tem muitas formas de encontrá-Lo, mas em todas, como diz o Gil na música, nada, nada, do que eu pensava encontrar. O Budismo Zen conta a história da xícara de chá que, como a mente, tem que ficar vazia senão não entra nada, não desce a Graça como diriam os cristãos. O Cristianismo esotérico monástico, não esse da missa das 10, fala na Nuvem do Não Saber, uma jóia rara escondida atrás da linguagem devocional da época. Os toltecas, via Don Juan e Castaneda, falam do Não Fazer, uma cambalhota inesperada no nosso mental. As escrituras falam de renascer da água e do espírito. Ou de atravessar o deserto para poder receber o Maná. E vai por aí afora em todas as tradições. Não tem nenhuma que mande você estudar, ler livros, se concentrar, doutorado, MBA, essas coisas...
Como você vê, além do Gil, que é poeta e por isso toca o Invisível, o Espírito, todos os caminhos de busca do Ser falam disso. Então aí tem coisa. Pode crer.
Mas como eu faço isso? De fato, no meu dia a dia?
Como parece que você está com pressa, o Tao diz: não há necessidade de  pressa porque a eternidade está disponível para você. Plante no tempo certo e quando a primavera vier, e ela sempre vem, as flores aparecerão. Se você aceita esperar, a Iluminação pode acontecer instantaneamente Se pedir pode ser que nunca aconteça.
Posto isso, eu devo firmar um propósito de esvaziar o mental e fazer tudo, até dormir, junto com isso. Acordo, almoço e janto com isso. Até namoro com isso. Esvazio a xícara! A toda hora. Sistematicamente.
Depois desestruturo tudo o que é velho. Desestruturar, sim. Você está contente do jeito que é? Quebre as rotinas. É um grande barato. O corpo adora.
Nesse ponto a ciência neurobiológica redescobriu o que a tradição esotérica sempre soube e recomendou: experimente o novo, e obtenha a cumplicidade de todos os sentidos. Varie. Experimente coisas novas:
Coma comidas diferentes. Ou faça um jejum. Tome banho de olhos fechados. Aprenda um novo idioma. Use a outra mão para escovar os dentes, comer, pentear-se, escrever. Vá aos lugares costumeiros por um caminho diferente. Tente aprender símbolos em Braille. Ou fazer contas com um ábaco chinês. Procure conversar com pessoas completamente diferentes de seu meio. 
Uma das técnicas preferidas da tradição indígena mexicana era fazer algo sem buscar recompensa. Só por fazer. É um bom começo.
Os toltecas, homens de conhecimento do Antigo México, via Carlos Castaneda, ensinavam o jeito certo de andar, para entrar num outro estado de atenção: desfocando os olhos, e com a atenção abarcando 180 graus, sentindo o corpo e o mundo, os dedos das mãos trançados, e a mente imaginando e fixando um ponto em algum lugar num arco imaginário que sai da frente dos seus pés e cai na linha do horizonte...

 Demora um pouco, mas o santo baixa...