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domingo, 25 de agosto de 2013

O Alimento e o Invisível

Porque um esquimó, que vive no círculo ártico e se alimenta basicamente de carne de foca , não precisa tomar vitamina C como recomendam os médicos, e vive melhor do que nós urbanos viciados em vitaminas, aditivos e remédios?
Porque na história da Humanidade há tantas pessoas no mundo que não comeram nenhum alimento comum (homens de conhecimento, santos, respiratorianos e solarianos) e viveram muito bem, obrigado, sem doenças ?
Porque  na literatura médica ocidental e na mídia, a maioria dos representantes da Medicina Ocidental em geral se contradizem tanto quando o assunto é a alimentação? Essa divergência não existe na Medicina Ayurvédica, na Taoista, Budista e outras.
Tem algo mal explicado e mal entendido que “as autoridades da Medicina Ocidental” jogam para baixo do tapete porque são muito incômodas e exigem um esforço e despojamento que elas não possuem para esclarecer o comum dos mortais.  Essas e muitas outras perguntas existem porque há segredos na fisiologia dos organismos vivos na Natureza que ainda não foram compreendidos pelas pessoas e entidades que se arrogam ao direito de cuidar da saúde dos seus semelhantes.
Nós esbarramos em um deles quando falamos das experiências do cientista Kervran na postagem Transmutação Biológica, Alquimia, Louis Kervran. Vale a pena reler. Diferentemente de George Ohsawa, fundador da Macrobiótica, que afirmava a mesma coisa que Kervran mas só intuitivamente, baseado no Yin Yang taoista, Kervran provou no século passado num experimento científico que os animais, e portanto o ser humano, transmutam os elementos químicos dentro de seus organismos num processo chamado de Transmutação em Baixa Energia.
Baseados na experiência irrefutável de Kervran podemos afirmar que a orientação da medicina moderna sobre alimentação está equivocada. Não faz sentido em termos conceituais essa massa de informações despejadas pela mídia médica, do tipo “Você precisa ingerir diariamente X gramas de vitamina C, ou B12, ou ômega 3, ou o que for”, porque a exemplo do esquimó, o seu organismo, se for equilibrado e saudável, vai poder fabricar essas substâncias naturalmente a partir de qualquer outro alimento que você comer e se auto-compensar de qualquer desequilíbrio. Basta que transmute os elementos internamente de acordo com as suas necessidades, coisa que o stablishment científico médico não aceita que seja possível, e nem faz a pesquisa científica necessária mesmo que seja somente para refutar a tese.
É até compreensível a resistência à aceitação de que o organismo animal e humano possa agir alquimicamente e fabricar pelo processo de transmutação em baixa energia os elementos das substâncias necessárias para uma vida saudável, porque esse organismo para fazer isso teria que ser um organismo saudável e não só transmutar um elemento em outro, como reorganizar os novos elementos formando novas substâncias químicas a partir de uma inteligência orgânica da natureza. E o fato é que a maioria das pessoas não possui um organismo saudável e inteligente como o de qualquer ser que vive harmonicamente com o meio ambiente, porque a natureza no planeta está já irremediavelmente doente e sem mais a eficiência dos mecanismos de auto-recuperação que sempre existiram. Infelizmente há muitas razões, a maioria delas causadas por um sistema econômico estranho senão inimigo dos desígnios da Natureza e consistentemente aplicado em atingir seus próprios objetivos de lucratividade a despeito de qualquer coisa. A comprovação disso é o crescimento insustentável e contínuo dos 3 fantasmas que assolam a saúde atual da população do planeta: câncer, doenças cardíacas e doenças mentais entre outras. Somado à ganância propiciada por esse sistema econômico há um claro viés suicida de pessoas, entidades e estados nacionais que não conseguem ver as evidências de um caminho desastroso que está sendo trilhado em termos de meio ambiente. As provas estão nos níveis de mercúrio nos mares e rios, CO2 e metais pesados no ar e no mar, lixo tóxico e radioativo, e por aí afora, basta ler as notícias. Isso sem contar a super população. Não tem mais volta.
Num cenário destes não há saúde nem mecanismo de auto-recuperação que funcione porque os organismos e mentes das pessoas, animais e plantas já estão doentes. Então não é estranho que ocorram fatos como o nível de violência que estamos vendo na TV em todo o mundo, filhos matando pais e vice-versa...
Mas voltando ao tema, não há mais possibilidades de soluções globais ou coletivas, mas apenas individuais ou no máximo familiares se as pessoas colocarem seus focos no assunto e iniciar imediatamente as mudanças em todas as formas de alimentação do ser humano. Isso não significa só formas diferentes de se alimentar, como as que existem sob muitos nomes, vegetarianismo, macrobiótica, veganismo, etc., cada qual com suas razões, mas sim formas diferentes de ingerir com o auxílio da Presença, e portanto saudavelmente os tipos de alimentos que chegam ao ser humano, como ar, água, comida, emoções, prana, luz e impressões (vide as tradições autênticas como hinduísmo, taoísmo, budismo, etc). 
Se o conjunto das circunstâncias da vida de uma pessoa estiver equilibrado não importa muito o que se come, dentro de certos limites óbvios, é claro.
O budismo tibetano dá uma contribuição interessante a esse ponto da alimentação através da prática do tsog (reunião) aplicada ao tema. O pano de fundo é a lucidez e o desapego. Come-se de tudo para poder experimentar todos os sabores e não só os que gostamos. É o desapego do sabor. O organismo, se sadio, então dá a destinação adequada ao alimento conforme as necessidades. Como evita-se qualquer sofrimento aos seres vivos, os budistas em geral são vegetarianos, mas há os que são carnívoros, ou pelo menos os que não recusam caso lhes seja oferecido. O importante não é só a natureza do alimento em si, vegetal ou animal, mas as circunstâncias do estado integral no momento em que  a pessoa se alimenta. Não é só “o que”, mas "quem" e “o como”.
A resposta às 3 perguntas iniciais está no fato de que a nossa concepção do funcionamento humano, saúde, alimentação, doença, etc., está no fato de que vemos esses temas apenas pela aparência externa, pelo valor de face, sem considerar que há algo além da mera aparência concreta das coisas. A Medicina funciona no Invisível e em todas as tradições autênticas sempre esteve ligada ao Espírito. Mercúrio o deus que rege a medicina é o mesmo que rege a Astrologia Esotérica. No Xamanismo o médico é sempre o dirigente espiritual e não um mero profissional prestador de serviços pagos (isso sem falar em centenas ou milhares de pessoas no mundo que viveram e vivem sem comer nada).
Esses são os valores que precisamos senão resgatar, pelo menos conhecer a fundo para entender o funcionamento da Medicina, alimentação e saúde. A realidade da saúde é um pouco mais complexa do que vitaminas, remédios e dogmas.


domingo, 11 de dezembro de 2011

Damanhur, o mistério...

O Invisível engendra mistérios insuspeitáveis para nós mortais que vivemos essa existência corriqueira e simplória feita de trabalho, preocupações, busca interminável de prazer e fuga da dor. Damanhur é um desses mistérios.
Localizado discretamente (quase em segredo) na região do Pemonte, nos Alpes italianos, o templo é um conjunto subterrâneo de edificações artísticas  de tirar o fôlego construída por uma comunidade de anônimos e dirigida por um personagem sob o nome de Falco (falcão em italiano).
A existência deste templo tornou-se conhecida em 1992 com uma ocorrência policial de rotina. Já no ano anterior a polícia tinha se deslocado ao local, situado no sopé do vale Valchiusella, a 50 km a Norte de Turim, sob a suspeita de crime de evasão fiscal de uma comunidade que aí vivia. Porém, desta vez forçaram a entrada de uma porta "secreta". Havia razões de sobra para tanto segredo. Uma vez aberta, aos polícias incrédulos revelou-se uma sala subterrânea de 8 metros de diâmetro suportada por colunas esculpidas e revestidas com folhas de ouro.

As paredes estavam cobertas por pinturas de cores exuberantes; vitrais e uma imensa clarabóia central derramavam luz multicolorida por todo o lado. Encontravam-se na Sala da Terra, apenas a primeira de um complexo arquitetônico de nove espaços que compõem Damanhur. Comenta-se que teria sido feito por inspiração da Idade do Ouro da Atlântida, da qual a civilização egípcia seria uma colônia, assim como os maias e outros.

O templo é imenso e magnífico. São 300000 m3 de salas e galerias de uma arquitetura grandiosa, interligadas em cinco níveis situados 30 metros abaixo da superfície e profusamente decoradas com esculturas, pinturas, mosaicos e vitrais narrando a história da humanidade.
Não admira, por isso, o espanto das autoridades ao entrar pela primeira vez no local. Como foi possível fazer tal obra surgir do nada?
  Na verdade, desde 1978 um grupo de voluntários - originalmente 24 - trabalhou às escondidas para moldar o subsolo dos Alpes italianos de acordo os desenhos visionários de um homem, Oberto Airaudi, ou Falco, como prefere ser chamado.
No ano 2000 o número de pessoas tinha chegado a 800 e continua a crescer, formando já uma comunidade auto suficiente com uma estrutura social e política, uma constituição, atividades econômicas, escolas, uma moeda própria (o Crédito) e, inclusive, um jornal diário.
 A comunidade é dificilmente definível. É algo como uma escola mística que recusa os limites e constrangimentos que nós, humanos, por tradição e convenção impomos a nós mesmos.
 Cada membro deve então escolher um caminho onde desenvolverá o seu crescimento espiritual de acordo com as suas aspirações, preferências ou capacidades
A base filosófica eclética da comunidade, típica da Era de Aquário,  mescla crenças neo-pagãs e da Nova Era e retira o seu nome e inspiração da antiga cidade egípcia de Damanhur, onde se situava um famoso templo de culto ao deus Hórus, significando literalmente "Cidade da Luz".

Quando da sua descoberta, e passado o choque da surpresa, a reação das autoridades italianas foi a de mandar destruir o local, uma vez que, carecendo de qualquer projeto aprovado ou licença, se tratava de uma construção clandestina.
A ordem foi posteriormente revogada quando a Administração italiana percebeu que poderia tirar proveito do templo para dinamizar turisticamente a região. Entretanto a construção e ampliação do templo continua e continuará. Permanece um mistério o que levou e leva essas pessoas a trabalhar nessa grande obra de arte debaixo de terra durante tantos anos sem dar mostras de abrandar o ritmo, como formigas obreiras, sob a orientação do indivíduo autodenominado Falco. Porque?
Permanece também outro mistério: Onde foram arranjar dinheiro e meios para pagar tudo aquilo?
Uma amiga que visitou a comunidade, contou experiências interiores tocantes ligadas a energias sutis do ser humano, conduzidas pelos integrantes da comunidade. Enfim, um mistério.
Um mistério como tantos outros que estão sendo veiculados pelos meios de comunicação. É como se parte da humanidade estivesse já cansada de jogar para baixo do tapete as coisas que não se adequam ao gosto da maioria padronizada e preconceituosa que não acredita no Invisível.
Charles Hoy Fort, o baixinho bigodudo, revolucionário e fora de esquadro ia gostar muito de ver isso...

domingo, 14 de agosto de 2011

Impasse?

Conforme a gente disse na postagem A Impermanência, "a vida não é outra coisa senão administrar mudanças, escolhas, alternativas. No Universo há apenas uma lei que não muda: É a lei que diz tudo muda, nada é permanente. Daí a nossa preocupação com o futuro, com o que está por vir."
Então, todo o tempo temos que tomar decisões, quer a gente goste ou não, quer sejamos librianos ou arianos...
Temos ajudado algumas pessoas nesta tarefa, principalmente quando são buscadores e se deparam com dilemas e decisões ligadas ao choque aparente entre a Vida e o Caminho. Digo ‘aparente’ porque é só aparente mesmo. A vida comum, como ela se apresenta para nós, é o Caminho que escolhemos. Deve ser o Caminho. Tem que ser o Caminho...

Esses dias fui procurado por um simpático casal de jovens leitores do blog, de uma pequena cidade em algum lugar do Brasil, que estão enfrentando um impasse: jovens,  empresários, buscadores sérios e dedicados, negócio em ascensão e absorvente, bebê novo, pressão da vida, gostam do negócio e da busca interior, mas as duas atividades estão aparentemente ficando incompatíveis... o que fazer? Pé no freio ou no acelerador? Em qual das duas?  
Ganhar dinheiro ou evoluir? Parece um impasse...
A dificuldade é clássica. Muita gente se defronta com ela, e tem dificuldade em resolver o problema, mas isso deve ser encarado como um presente, uma graça. Aliás Gurdjieff dizia que “quando tudo vai bem, é porque tudo vai mal”. Quando tudo está sem desafios  na vida, a gente não faz nada no Caminho Interior.
Vejo pessoas (só no cinema e TV, viu?) que sempre sonharam como seria bom se aposentar com um bom rendimento para se dedicarem com calma ao Espírito. Conseguiram. Mas só a primeira parte, não a segunda. Sabe como é, né? “Tem muita coisa que atrapalha: família, preocupações, o futuro, o custo de vida, o trânsito, a violência, a saúde, os compromissos familiares, a novela, o encanador, os netinhos, ah os netinhos, uma gracinha, mas tãão absorventes...
Então, voltando ao dilema do jovem casal: antes de pensar em parar a busca ou o negócio, ou diminuir o ritmo, ou terceirizar, ou vender o empreendimento e ir para Pasárgada, ou Katmandu, ou Paris, a gente tem que acertar a coisas dentro da gente. A nossa atitude é que não está correta. Se você mudar de atividade ou de lugar, não adianta nada porque o seu ego vai junto carregando a tralha toda. O Invisível, que administra o seu destino e o conhece muito bem, vai esperá-lo na curva, lá em Paris, mesmo.
Tenho assistido na TV um programa chamado ‘O Encantador de Cães’. É muito bom. Todos os donos de cães procuram o profissional porque acham que ‘o cão tem um problema’. E o guru canino, um mestre mesmo, começa corrigindo o dono do cão, que é invariavelmente o culpado. Ele é o problema (rsrs).
A nossa relação com o mundo é a mesma. O mundo não tem problemas, apesar de parecer caótico, incompreensível e frequentemente injusto. A “inteligência’ do mundo é um software esperto que se resume somente em ter respostas programados sob medida para as ações do ego de cada um, para nos estimular a resolver, e então quando isso acontece, subimos mais um degrau no aprendizado da nossa evolução individual. E nós achamos que é uma rixa pessoal do mundo contra nós... O mundo não dá a mínima para você individualmente. Só faz o trabalho dele.
O cão, como o mundo, não quer brigar conosco, pelo contrário ele quer que a gente assuma o controle. De nós e dele. E fica enviando sinais todo o tempo para nós.
Então vamos lá:

 
•    Primeiro ponto:
 Assumir 100% da responsabilidade. Eu tenho que mudar a minha atitude com o mundo e as pessoas. Se algum fato ou pessoa entrou no círculo da minha percepção, fui eu quem criou a coisa, ou permitiu, seja ela o que for. Então nem o mundo nem ninguém tem culpa nenhuma, não tenho o que, nem de quem, reclamar, não há injustiça, tenho que encarar numa boa e administrar. A coisa é comigo mesmo, e é dirigida para mim, sob medida.
    Na postagem Ho’ oponopono o Dr. Lew Len diz que ‘a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser, por esta razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é nossa criação!’.  O problema, se apareceu, tem a ver comigo e foi só por isso que apareceu “justo para mim”, e está aí, parado, olhando para mim, para ser resolvido. Não é um acidente ou uma fatalidade, ou injustiça, ou o que for que eu pense, para me justificar ou tentar escapar... tenho que arregaçar as mangas e assumir.
•    Segundo Ponto:
Não existe ”eu” e o “problema”, ou “eu” e “o outro”, ou então “dentro de mim” e “fora de mim”. Isso é um produto da mente dual que separa as coisas. Essa coisa de ‘eu não tenho nada a ver com isso aí’ não existe. Se a coisa apareceu no meu raio de percepção, tem a ver comigo mesmo. Então não devo recusar nada. Só encarar e tentar resolver. Com aplicação e o melhor dos espíritos. O problema sou eu, não está fora de mim a ponto de poder ser recusado, e aquilo que se apresenta foi feito sob medida por uma inteligência que sabe de que eu preciso, e isso é um presente para mim neste momento. Tem muito pouca coisa puramente acidental nessa vida.
•    Terceiro Ponto:
Definir uma estratégia e tática inteligentes, possíveis e compatíveis dentro do quadro que se apresenta. É preciso isso para administrar o aparente conflito de tempo e energia disponíveis para fazer o trabalho corriqueiro e o Trabalho Interior. Isso significa aplicar o mental na questão, no que o mental tem de melhor, que é o raciocínio lógico, e conjugar isso com o conhecimento intuitivo adquirido no Trabalho Interior. Significa conhecer o negócio, a operação, o mercado, os clientes, fornecedores, recursos, pontos fortes e fracos, concorrência, ameaças e oportunidades, planejar o futuro detalhadamente, revisar uma, duas, cem vezes, ou seja, fazer a sua parte com dedicação e atenção nos detalhes, e depois...relaxar. Esfrie a cabeça e mude de canal, vá ao cinema, viajar, namorar... você já fez a sua parte. Agora aguarde, enquanto toca a operação dentro dos parâmetros mais adequados que descobriu. Sem se deixar arranhar pelo apego ao que é imprevisível e imponderável. Não há garantias de que vai dar certo, mas você foi impecável. É isso que importa.
Nada de pré-ocupação, só se ocupe, como disse uma vez o Dalai Lama no Brasil. E fique atento à sua intuição.
•    Quarto ponto:
Não separar o tempo da prática da calma ou meditação, e o tempo do trabalho comum na vida. Que tal a idéia de procurar fazer as duas atividades ao mesmo tempo? Ou seja, fazer uma prática de recolhimento enquanto executa a ação, estar presente na ação, no instante em que está no computador, telefone, ou discutindo com o fornecedor, cliente, subordinado, ou com o fiscal corrupto. É difícil? Talvez. Mas se não começarmos nunca iremos saber se é ou não. E aliás, parafraseando Rilke, só o que é difícil realmente interessa...o resto deixe para os outros.
•    Quinto ponto:
Colocar-se no Agora. Esse é crucial. É o requisito indispensável para se tentar fazer as duas práticas ao mesmo tempo, como dissemos no ponto anterior; O que significa isso?  Significa colocar você, seu corpo, a Consciência, na ação, no instante em que as coisas estão acontecendo. É buscar ficar em um lugar dentro de você em que ao mesmo tempo que sente o corpo, as sensações, pensamentos, emoções, ou seja, a ‘Lembrança de Si’ ancorada por um mental silencioso, ao mesmo tempo, ver e atuar na situação corriqueira que pede pela decisão, pela ação, objetivamente. Essa é a chamada Meditação na Ação. Você “faz enquanto medita”. Esse é o objetivo dessa prática milenar chamada Meditação ou Contemplação. É levar a Consciência com lucidez para a Vida no instante em que ela está acontecendo, o Agora: para a vida comum em todos os seus aspectos, trabalho, dinheiro, amigos, carreira, família, pais e filhos, sogro, sogra, doença, mudanças, enfim às 12 casas astrológicas que são o nosso mundo pessoal. Não é meditar na caverna ou na montanha, sozinho, e se transformar num doutor em meditação. A nossa vocação é a ação, sem a identificação, o apego com o ‘fazer’, ou com ‘o produto da ação’. O sonho também é nossa outra vocação (mas isso fica para outra vez...).
E tem um lembrete importante: o Agora não é a mesma coisa que o presente, que é a junção do passado com o futuro. O Agora não está no tempo. Você vai perceber isso na primeira vez que "cair" nele. Ele não tem Passado nem Futuro. Ele é eterno e você só pode tentar vivê-lo a cada instante em que abdicar do passado e do futuro. O Agora é a “porta estreita” que a gente tem que entrar, como dizem as escrituras sagradas de várias tradições. E o Budismo Zen, mais radical, diz que “você tem que atravessar uma porta onde não existe uma porta”. Vixe...
•    Sexto ponto: 

A todo instante em que você perceber que "dormiu” no processo de meditação na ação e só conseguiu ficar em um dos lados dele, você volta e recomeça. Como diz a música, você  “levanta, sacode a poeira e dá volta por cima”. Começa tudo de novo. Calmamente, sem culpa, sem pressa.
O que a gente poderia chamar de “sucesso” nessa Meditação na Ação, não é “quanto tempo, ou quantas vezes, eu consigo ficar na ação sem me identificar com ela, perdendo o fio da Consciência”, mas é “quantas vezes eu percebo que “dormi” e levanto de novo para continuar”. É um outro tipo de avaliação, que leva em conta a natureza falível do ser humano.
•    Sétimo ponto:
Abra mão. Acha difícil relaxar conforme o negócio está crescendo, porque não confia no trabalho dos outros? Verifique se a razão é que você tem ‘apego pelo fazer’ ou um orgulho perfeccionista velado, uma auto importância de achar que “ninguém faz certinho como você”. Seus colaboradores podem estar ansiosos para contribuir... Abra mão. Treine. Forme mão de obra. E delegue a autoridade conforme perceba que o pessoal está treinado. É mais fácil, cômodo e barato controlar do que fazer sozinho. Só exige outras habilidades. Mas a gente aprende fácil.
Mas não é só isso. Quando você age assim, contribui para fazer as pessoas à sua volta enfrentarem novos desafios e evoluírem. Os budistas chamam isso de um 'bom karma'. Somado a isso, a mania de fazer sozinho cria um 'gargalo' que não deixa o negócio crescer e dar novas oportunidades tanto para si como para os outros. Talvez o gargalo seja você (rsrs)
 
Ganhar dinheiro ou evoluir? Parece um impasse... Que tal Ganhar dinheiro e evoluir?
Pensando bem, acabei de descobrir que a “receita dos sete pontos” se aplica não só para esse caso, mas para outras decisões, relacionamentos (de qualquer tipo), problemas emocionais, julgamentos, projetos, qualquer coisa...Isso é que é um 'Agora produtivo', hein? Quem souber como ganhar royalties de direitos autorais com isso, me avise por favor, porque eu não faço a menor idéia de como fazer isso (rsrs)

domingo, 5 de junho de 2011

Os 9 bilhões de nomes de Deus

Hoje é dia de descanso (pero no mucho). Não tem informações, nem práticas, nem ensinamentos das tradições antigas. Mas, como na busca interior não tem descanso, hoje só tem ensinamento disfarçado, se considerarmos a desconstrução mental como um ensinamento. E ela é. Esse conto de 1953, como diria Don Juan, é uma “cambalhota do pensamento”, é uma jóia do Realismo Fantástico, tão caro ao grande escritor que foi Arthur Clarke. O conto resgata o livro maravilhoso onde está publicado: “O Despertar dos Mágicos”, que qualquer iniciante de buscador deveria ter na cabeceira. É um instrumento de desprogramação racional, somado com mistério, ideal para quem deseja escapar da prisão padronizada dos “hábitos e rotinas” mentais, emocionais e físicas, como faziam os toltecas que queriam o verdadeiro “namoro com o Conhecimento”. Após a desprogramação e o contato com o insólito quando somos jovens, já dá para intuitivamente procurar no Invisível, com a mente vazia, um caminho autêntico de busca interior.  Eu li o livro aos 18 anos, como disse antes neste blog na página inicial “Quem escreve? Por que?”. Só para situar, esse conto tem um traço surpreendente de "anti-mesmice" e imprevisibilidade, um perfume raro encontrado em gente fora de esquadro, "desconstrutores" como James Hoy Fort, Flamarion, Gurdjieff, Dali, Jodorowski, Julio Verne, Tarkowski e alguns mestres Zen. Desconstruir-se é uma forma de renascer. E como dissemos em "O mistério de Cristo eo Sol", temos que "renascer do espírito para ver o Reino". 
Vamos ao conto:
“O doutor Wagner conseguiu se conter. Era conveniente. Depois disse:
- O seu pedido é um pouco desconcertante. Que eu saiba, é a primeira vez que um mosteiro tibetano faz a encomenda de um computador. Não quero ser curioso, mas estava longe de pensar que semelhante instituição pudesse necessitar dessa máquina. Posso perguntar-lhe em que deseja utilizá-la?
O Lama ajeitou as dobras da sua túnica de seda e pousou sobre a mesa a régua de calcular com a qual acabava de efetuar conversões libra-dólar.
- Naturalmente. O seu computador versão .5 pode fazer, segundo diz o catálogo, todas as operações matemáticas até 10 decimais. No entanto, o que me interessa são letras, não números. Pedir-lhe-ei, portanto que modifique o circuito de saída de forma que imprima letras em vez de colunas de números.
- Não compreendo muito bem...
- Desde que nosso mosteiro foi fundado, há mais de três séculos, que nos consagramos a um determinado trabalho. É um trabalho que pode parecer-lhe estranho e peço que me escute com a maior largueza de espírito.
- De acordo.
- É simples. Tentamos organizar a lista de todos os nomes possíveis de DEUS.
- Perdão?
O lama continuou imperturbavelmente:
-Temos excelentes motivos para crer que todos esses nomes de DEUS incluem quando muito nove letras do nosso alfabeto.
- E ocuparam-se disso durante três séculos?
- Sim. Tínhamos calculado que precisaríamos de quinze mil anos para terminar o trabalho.
O doutor deu um assobio de vencido e disse um pouco atordoado:
- OK, agora compreendo porque deseja alugar uma das nossas máquinas. Mas qual é o objetivo da operação?
Durante uma fração de segundo o lama hesitou e Wagner receou ter ofendido aquele estranho cliente que acabava de fazer a viagem Lhassa-Nova Iorque com uma régua de calcular e o catálogo da empresa no bolso de sua túnica cor de açafrão.
- Chame a isto um ritual, se quiser – disse o lama – mas é umas das bases fundamentais da nossa religião. Os nomes de Ser Supremo, Deus, Júpiter, Jeová, Alá, etc., não passam de etiquetas feitas pelos homens. Certas considerações filosóficas, demasiado complexas para que as possa expor agora, deram-nos a certeza de que, entre todas as perguntas e possíveis combinações das letras, se encontram os verdadeiros nomes de DEUS. Ora, o nosso objetivo é descobri-los e escrevê-los todos.
- Já compreendo: Começaram por a.a.a.a.a.a.a.a.a., e acabarão por chegar a z.z.z.z.z.z.z.z.z.
- Simplesmente utilizamos o nosso alfabeto. Evidentemente que lhe há de ser fácil modificar a impressora elétrica de forma que ela utilize o nosso alfabeto. Mas o problema mais importante será o de preparar os circuitos especiais de forma que eliminem antecipadamente as combinações inúteis. Por exemplo, nenhuma das letras deve aparecer mais de três vezes sucessivamente.
- Três? Quer dizer duas...
- Não. Três. Mas a explicação completa exigiria muito tempo, mesmo que o senhor compreendesse a nossa língua.
Wagner disse precipitadamente:
- Claro, claro. Continue por favor.
- Ser-lhe-á fácil adaptar o computador em função desse objetivo. Com um plano bem elaborado, uma máquina desse gênero pode trocar as letras uma após outra e imprimir um resultado. Desta forma, concluiu calmamente o lama, aquilo que nos levaria ainda quinze milênios estará terminado em cem dias.
O doutor Wagner sentia que ia perdendo o sentido da realidade. Através das janelas do edifício, os ruídos e as luzes de Nova Iorque perdiam a intensidade. Sentia-se transportado a um mundo diferente. Lá longe, no seu longínquo asilo montanhoso, geração após geração, os monges tibetanos, há trezentos anos, elaboravam a sua lista de nomes desprovidos de sentido... Não havia, então, limite para a loucura dos homens? Mas o doutor Wagner não devia deixar transparecer os seus pensamentos. O cliente tem sempre razão...
E respondeu:
- Não duvido que possamos modificar a máquina versão .5 de forma a imprimir listas desse gênero. A instalação e a conservação é que mais me inquietam. Aliás, não será fácil enviá-la para o Tibete.
- Nós trataremos disso. As peças separadas têm dimensões suficientemente pequenas para serem transportadas por avião. De resto, foi esse o motivo por que escolhemos a máquina. Envie as peças para a Índia, nós nos encarregaremos do resto.
- Deseja contratar dois dos nossos engenheiros?
- Sim, para montarem e vigiarem a máquina durante cem dias.
- Vou mandar instruções à direção de pessoal – disse Wagner enquanto escrevia na agenda. – Mas restam duas questões a resolver...
Antes que tivesse podido terminar a frase, o lama tirou do bolso uma delgada folha de papel:
- Esta é a situação da minha conta no Banco Asiático.
- Muito obrigado. Está muito bem... Mas, se permite, a segunda questão é de tal maneira elementar que hesito em mencioná-la. Acontece muitas vezes esquecermos qualquer coisa evidente... Têm uma fonte de energia elétrica?
- Temos um gerador Diesel elétrico de 50 kw de potência, 110 volts. Foi instalado há cinco anos e funciona bem. Facilita-nos a vida no convento. Compramo-lo sobretudo para acionar os “moinhos de orações”.
- Ah! Sim, evidentemente, eu devia ter pensado nisso...

Do parapeito a vista era vertiginosa, mas habituamo-nos a tudo.
Já haviam decorrido três meses e Jorge Hanley já não se impressionava com os seiscentos metros em vertical que separavam o mosteiro do quadriculado dos campos na planície. Apoiado sobre pedras que o vento arredondara, o engenheiro contemplava, com olhar triste, as montanhas longínquas de que ignorava o nome. “A operação nome de DEUS”, como a batizara um humorista da companhia, era sem dúvida a pior tarefa que jamais tivera.
Semana após semana, a máquina versão .5, modificada, cobrira milhares de folhetos de uma incrível algaravia. Paciente e inexorável, o computador reunira as letras do alfabeto tibetano em todas as combinações possíveis, esgotando série após série. Os monges recortavam certas palavras à saída da impressora e colavam-nas com devoção em enormes registros. Dentro de uma semana acabariam.
Hanley ignorava quais os cálculos obscuros que os levavam à conclusão de que não deviam estudar conjuntos de dez, vinte, cem mil letras e nem pretendia sabê-lo. Nos seus pesadelos sonhava, às vezes, que o grande Lama decidira bruscamente complicar um pouco mais a operação e que o trabalho continuaria até o ano 2060. Aliás, aquele estranho homenzinho parecia perfeitamente capaz de o fazer.
A pesada porta de madeira estalou. Chuck vinha ter com ele no terraço. Fumava, como de costume, um charuto: tornara-se popular entre os lamas distribuindo-lhes havanas. Aqueles tipos poderiam ser completamente amalucados – pensou Hanley – mas não eram puritanos. As freqüentes expedições à aldeia não tinham sido desprovidas de interesse...
- Ouve, Jorge – disse Chuck – vamos ter aborrecimentos.
- A máquina escangalhou-se?
- Não.
Chuck sentou-se sobre o parapeito. Era espantoso, pois habitualmente receava ter vertigens:
- Acabo de descobrir o objetivo da operação.
- Mas já o sabíamos!
- Sabíamos o que os monges queriam fazer, mas não sabíamos o porquê.
- Bah! São uns loucos...
- Escuta, Jorge, o velho acaba de explicar-me. Eles crêem que assim que tenham escrito todos aqueles nomes, e segundo pensam são cerca de nove bilhões, o objetivo divino será atingido. A raça humana terá realizado a tarefa para que foi criada.
- E então? Esperam que nos suicidemos?
- Não. Quando a lista estiver terminada, DEUS intervirá e será o fim.
- Quando terminarmos será, então, o fim do mundo?
Chuck teve um risinho nervoso:
- Foi o que eu disse ao velho. Ele olhou-me de uma forma estranha, como um professor olha para um aluno particularmente estúpido, e disse-me: “Oh, não será assim tão insignificante!”
Jorge refletiu um instante.
- É um tipo que visivelmente tem idéias largas mas, mesmo assim, que importância tem isso? Nós já sabíamos que eram loucos.
- Sim. Mas você não vê o que pode acontecer? Se a lista ficar pronta e se as trombetas do Anjo Gabriel, versão tibetana, não soarem, eles podem decidir que é por nossa culpa. Afinal de contas, era a nossa máquina que eles utilizavam. Não gosto disso...
- Percebo... – disse lentamente Jorge – mas eu já vi tanta coisa! – Quando era garoto na Luisiana apareceu um pregador que anunciou o fim do mundo para o domingo seguinte. Houve centenas de tipos que acreditaram nele. Alguns mesmo chegaram a vender suas casas. Mas ninguém se enfureceu no domingo seguinte. As pessoas pensaram que ele apenas errara um pouco os cálculos e muitas delas ainda acreditam.
- Caso você não percebeu, não estamos na Luisiana. Estamos ambos sozinhos, no meio de centenas de monges. Adoro-os, mas preferia estar longe quando o velho lama aperceber-se de que a operação falhou.
- Há uma solução. Uma pequenina sabotagem inofensiva. O avião chega dentro de quatro dias à razão de 24 horas por dia. Basta-nos começar a reparar qualquer coisa durante dois dias ou três dias. Se calcularmos bem, poderemos estar lá em baixo, no aeroporto, quando o último nome sair da máquina.
Sete dias mais tarde, enquanto os pequenos pôneis das montanhas desciam o caminho em espiral, Hanley disse:
- Sinto um pouco de remorsos. Não fujo por medo, mas porque tenho pena. Não gostaria de ver a cara daqueles pobres homens quando a máquina parar.
- Na minha opinião – disse Chuck – eles desconfiaram que fugimos e não se incomodaram. Agora já sabem até que ponto a máquina é automática e que não precisa de vigilância. E supõem que não haverá nenhuma depois.
Jorge voltou-se para trás e olhou.
Os edifícios do mosteiro apareciam em silhueta escura sobre o poente. De vez em quando brilhavam pequeninas luzes sob a massa sombria das muralhas, como as vigias de um navio singrando no mar. Lâmpadas elétricas colocadas sobre o circuito da máquina .5.
"Que aconteceria ao computador?", pensou Jorge. "Na sua fúria e desapontamento iriam os monges destruí-lo? Ou então recomeçariam tudo?"
Como se ainda lá estivesse, via o que naquele momento se passava na montanha atrás das muralhas. O grande lama e os seus assistentes examinavam as folhas, enquanto alguns noviços recortavam os nomes barrocos e os colavam no enorme caderno. E tudo aquilo era feito em religioso silêncio. Só se ouvia a impressora batendo no papel como se fossem chuva miúda. O próprio computador, que combinava milhares de letras por segundo, estava completamente silencioso...
A voz de Chuck interrompeu o seu devaneio:
- Lá está ele! Que grande alegria que dá!
Semelhante a uma minúscula cruz prateada, o velho avião de transportes DC3 acabava de pousar lá embaixo no pequeno aeródromo improvisado. Aquela visão dava vontade de beber um grande copo de uísque gelado. Chuck começou a cantar, mas depressa se calou. As montanhas não o encorajavam.
Jorge consultou o relógio.
- Estaremos lá dentro de uma hora – disse. E acrescentou: - Você acha que o cálculo já terminou?
Chuck não respondeu e Jorge levantou a cabeça. Viu o rosto de Chuck muito branco, voltado para o céu.
- Olha! – murmurou Chuck.
Jorge, por sua vez, levantou os olhos.
Pela última vez, por cima deles, na paz das alturas, uma a uma as estrelas começaram a se apagar...”


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domingo, 22 de maio de 2011

Qual é a sua Missão Astrológica?

O que você veio fazer aqui neste planeta?  
Você pensa assim: "Eu não pedi para nascer (eu acho)... e nasci. Tudo bem, mas agora, não quero morrer... e vou morrer. Afinal, o que é que eu vim fazer aqui? Como dizia o Millor "- Eu compreendo, eu compreendo... eu também sou um incompreendido..."
Esta pequena estória chamada ‘Alegoria’, que muitos conhecem, é uma contribuição tocante ao espírito, feita por Martin Schulman, grande e mundialmente respeitado astrólogo kármico, para uma verdadeira compreensão da nossa missão, pelas pessoas que estão na busca interior do Si Mesmo, e apreciam a astrologia como forma de entender esse mundo que nos cerca.
Aliás não é preciso ser nenhum vidente para se ter em conta, como dizia Gurdjieff no  “Relatos de Belzebu a seu neto”, que a Astrologia é apenas uma entre as 7 influências que moldam o destino do ser humano desde a  sua gestação, na hora do seu nascimento, e até a sua morte. Falaremos disso em breve.
Tive meu primeiro contato com a Alegoria em outubro de 83 quando comprei o livro ‘Lunar Nodes and Reincarnation’ (Os Nós Lunares e a Reencarnação) na velha e boa livraria Samuel Weiser em Nova York. Um achado numa época em que se falava muito menos de Astrologia. Os Nós Lunares, também conhecidos como ‘Cabeça e Cauda do Dragão’ são, na Astrologia Kármica, pontos do mapa astrológico que indicam nossas vidas passadas e a nossa missão na vida atual.
Quando a gente se pergunta: "- O que é que eu estou fazendo aqui?" a Alegoria é uma das respostas. 
A pequena estória coloca de uma forma poética os traços que formam no invisível a natureza e a missão de cada um dos 12 tipos, formados por sua vez pelos 4 elementos da tradição hermética: fogo, terra, ar e água. A partir da leitura, cada buscador, então, passa a ter a  bússola pela qual vai ser orientado nessa  viagem pelo planeta, nesse mar turbulento do Kali Yuga (que aliás não está muito pra peixe, ultimamente...)
Vamos lá:
A Missão dos 12 signos do Zodíaco

"Era manhã quando Deus parou diante de suas 12 crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida Humana.
Uma por uma, elas se dirigiram a Ele para receber seu dom e conhecer a sua missão".


Áries - 21 de Março a 20 de Abril


"A ti, Áries, dou a missão de plantar a Minha primeira semente. Para cada semente que plantares, outras milhares de sementes se multiplicarão. Entretanto, não terás tempo de vê-las crescer, pois tua vida é ação e a ti compete tornar os homens cientes de Minha Criação. Por isso, serás o primeiro a penetrar no solo da mente humana com Minha Idéia. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação do orgulho para dominares, e, como bênção, concedo-te o dom da iniciativa."


Touro - 21 de Abril a 20 de Maio


"A ti, Touro, concedo o poder de transformar a semente em substância. Trabalharás com afinco e paciência para que as sementes não se percam ao vento. Não questionarás ou mudarás de idéia até que termines tudo que já foi iniciado, pois a ti compete o processo de concretização da Minha Idéia. E para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação do apego para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da força."

Gêmeos -21 de Maio a 20 de Junho


"A ti, Gêmeos, atribuo a tarefa de comunicar ao mundo Minha Idéia. Por isso te dou perguntas sem respostas. Em tua busca pelo conhecimento, inquietarás os que estão ao teu redor, para que compreendam o que vêem e o que ouvem. Tu serás um, mas pensarás e falarás por dois. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da superficialidade para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da inteligência”

Câncer - 21 de Junho a 21 de Julho


"A ti, Câncer, dou a missão de implantar no coração do homem a emoção. Minha Idéia se fará sentir por meio de risos e lágrimas, para que todo o conhecimento adquirido atinja plenitude interior. Tu multiplicarás os sentimentos com teu instinto de preservação, de modo que os homens se reunam em famílias. Para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação da fragilidade para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da fertilidade."

Leão - 22 de Julho a 22 de Agosto


"A ti, Leão, atribuo a tarefa de mostrar ao mundo o esplendor de Minha Criação. Tu iluminarás os corações humanos com Minha Luz, acendendo em cada um o entusiasmo de assumir a própria existência. Mas peço-te que não confundas as coisas e lembra-te que é Minha a Idéia, e não tua. Para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da vaidade para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da honra."

Virgem - 23 de Agosto a 22 de Setembro


"A ti, Virgem, dou a missão de examinar em detalhes o que os homens têm feito com Minha Criação. Tu analisarás seus passos e revelarás seus erros para que, por intermédio de ti, Minha Idéia mantenha-se pura e possa ser aperfeiçoada. Para realizares um bom trabalho, dou-te a provação da ceticismo para dominares e, como bênção, concedo-te o dom do discernimento."

Libra - 23 de Setembro a 22 de Outubro


"A ti, Libra, dou a missão de unir os homens em torno da Minha Idéia. Tu despertarás o desejo da cooperação, por meio da capacidade de se colocar no lugar do outro e então sentir o que o outro sente. Estarás onde houver desavença, para que possas mostrar o valor do acordo e da justiça. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da indolência para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da paz."

Escorpião - 23 de Outubro a 21 de Novembro

"A ti, Escorpião, peço que não te afastes de mim quando doer em teu coração as maldades que presenciares. Terás a capacidade de penetrar na mente dos homens e, conhecendo-a, perceberás que não sou Eu, mas a perversão da Minha Idéia que está causando tua dor. Chegarás a conhecer o homem em seu instinto animal e lutarás contra o próprio dentro de ti.
Para que faças um bom trabalho, dou-te a provação do extremismo para dominares e, como bênção, concedo-te o dom do renascimento."

Sagitário - 22 de Novembro a 21 de Dezembro


"A ti, Sagitário, atribuo a missão de ensinar o riso e esperança, para que no meio das incompreensões da Minha Criação o homem não se torne amargo. Através da esperança, implantarás no coração humano a fé e através da fé voltarás teus olhos para Mim. Expandirás assim Minha Idéia por todos os cantos e os mais longínquos lugares. ( N.R. – Essa é comigo mesmo...)E para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação da intolerância para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da generosidade."

Capricórnio - 22 de Dezembro a 20 de Janeiro


"A ti, Capricórnio, dou a tarefa de mostrar com o suor de teu rosto o valor do trabalho. Fincarás com disciplina os alicerces de Minha Criação, para que nada destrua suas bases. E tua alegria pelo dever cumprido ensinará que a responsabilidade não é um fardo e sim uma condição natural. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da culpa para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da autoridade."

Aquário - 21 de Janeiro a 19 de Fevereiro


"A ti, Aquário, dou a missão de abrir os olhos dos homens para novas possibilidades. Por isso terás o conceito do futuro e do amor fraternal. Sentirás a solidão dos que vivem à frente do seu tempo, pois não lhe permito personalizar Meu Amor. Viverás livre para que possas servir à humanidade renovando a Minha Criação. Para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da rebeldia para dominares e, como bênção, concedo-te o dom do progresso."

Peixes - 20 de Fevereiro a 20 de Março


"A ti, Peixes, dou a missão de incorporar todas as tristezas do homem e voltá-las para Mim. Com compaixão, tu mostrarás que as lágrimas são efeito da incompreensão do homem sobre a Minha Idéia. Tua devoção constitui a mais difícil das missões, mas terás a maior das dádivas. Tu serás a única das Minhas doze crianças a me compreender. Para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação da ilusão para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da fé."
Para quem quiser ter uma visão geral das missões dos 12 tipos, e conhecer melhor o seu tipo, dos amigos, parceiros, pais, irmãos...segue o resumo:
“Criança”
Missão na vida
Provação para dominar
Dom
Áries
plantar a Minha primeira semente
 apego
iniciativa
Touro
transformar a semente em substância
orgulho
força
Gêmeos
comunicar ao mundo Minha Idéia
superficialidade
inteligência
Câncer
implantar no coração do homem a emoção
fragilidade
fertilidade
Leão
mostrar ao mundo o esplendor de Minha Criação
 vaidade
honra
Virgem
Examinar em detalhes o que os homens têm feito com Minha Criação
ceticismo
discernimento
Libra
unir os homens em torno da Minha Idéia
indolência
paz
Escorpião
penetrar na mente dos homens
extremismo
renascimento
Sagitário
ensinar o riso e esperança
intolerância
generosidade
Capricórnio
mostrar com o suor de teu rosto o valor do trabalho
culpa
autoridade
Aquário
abrir os olhos dos homens para novas possibilidades
rebeldia
progresso
Peixes
incorporar todas as tristezas do homem e voltá-las para Mim
ilusão

domingo, 8 de maio de 2011

Ciência, Preconceito e Lobby



Yasmuheen
Prahlad Jani
Dra. Barbara Moore
Desde pequeno, sempre me interessei pelos fatos que a Ciência não conseguia explicar, os quais os cientistas e intelectuais sisudos disfarçadamente varriam para baixo do tapete e os escondiam. Neste blog, na publicação “Quem escreve. Porque?”,  e na “Acreditar no Invisível” eu falo um pouco disso. Um dos meus heróis da adolescência era Charles Hoy Fort, um americano pequeno e bigodudo, citado no livro 'O Despertar dos Mágicos', colecionador de fatos insólitos e anômalos. Tudo o que queriam esconder , ele jogava para cima. Uma figura rara, na esteira do Realismo Fantástico em voga no século passado. Seu livro 'O Livro dos Danados' é o surrealismo do pensar, uma encantadora revolução...
Aos 16, eu, como ele, colecionava as raras notícias da imprensa local e mundial sobre discos voadores (não havia ainda o nome Ovni ou Ufo – esse era "flying saucer"), e eu já tinha lido o livro 'Os Discos Voadores' (1959) do corajoso comandante  Auriphebo Berrance Simões.  Ele, além de piloto da extinta empresa aérea brasileira Cruzeiro do Sul, era aerologista formado nos EUA e correspondente da Time no Brasil e testemunha de aparições de ovnis em seus vôos. Era um outro Hoy Fort.
Aos 25 li 'Eram os Deuses Astronautas' do suíço Erich Von Daniken, desacreditado por muitos na época, e hoje seguido por um batalhão de escritores, admiradores, programas e canais de TV, bloggers e internautas. Na época, sem internet, era difícil encontrar com quem conversar sobre esses assuntos.
Então, para não perder o costume, vamos ver hoje outros casos que a Ciência oficial sempre teimou em esconder e ridicularizar. Um deles é o caso dos “breatharians”, pessoas que se alimentam de Prana (palavra sânscrita que significa a “energia sutil presente no ar”). 
Nos Himalaias é possível se ver monges budistas seminus em cavernas ou mesmo sentados na neve respirando e metabolizando o Prana como se estivessem tomando sol na praia, sem ao menos ficarem resfriados. Ou também na Índia, muitos hindús se alimentando diretamente de energia da luz do sol, presente nos fótons. 
Ao mesmo tempo em que a maioria dos cientistas negam, (alguns visivelmente incomodados e outros irados) atrás das cenas, outros deles, na NASA e outros centros de pesquisa, estudaram avidamente casos como o de Hira Ratan Manek, engenheiro indiano aposentado, que hoje roda o mundo sem cobrar nada, divulgando o seu conhecimento. Ele comprovou em longos testes monitorados por equipes médicas e imprensa, na Índia e nos EUA, conseguir metabolizar  diretamente a energia da luz como uma fotossíntese.
Foram 3 testes: O primeiro durou 211 dias, em 1995/96 supervisionado pelo Colégio Médico de Kerala, Índia.  O segundo foi de 411 dias em Ahmedabad, Índia em 2000/2001 monitorado por uma equipe internacional de 21 médicos. O terceiro foi de 130 dias na Nasa nos Estados Unidos em junho de 2002.Nos três, ele se alimentou só de água e luz solar, e no final perguntou aos cientistas se iam divulgar os resultados na imprensa. A resposta foi  "Não é posível fazer isso. Há interesses contrários ".
 O objetivo das pesquisas científicas da agència espacial americana não é espiritual, mas sim resolver o problema crucial da alimentação nas longas viagens espaciais e nos campos de batalha das guerras americanas. Imaginem o lobby e o segredo por trás...
Aliás o grande e respeitado buscador e guru indiano Yogananda já comprovava o mesmo fenômeno em seu livro 'Biografia de um Yogue Contemporâneo' no capítulo 'A mulher que nunca se alimenta'..
A história registra um sem número de casos de pessoas comuns, santos, yoguins, e outros.
É só procurar no Google. Vamos falar de um deles.
É o caso de uma médica, cuja estória é uma cortesia do Dr. Juergen Buche , Doutor em Medicina e Física, e conhecido Conselheiro de Saúde Natural.
A fascinante história da doutora Barbara Moore, Doutora em Medicina, inglesa de Londres, uma prânica moderna ("Breatharian" - ou "respiratoriana", em portugês), é um bom exemplo de uma pessoa que se convenceu de que viver diretamente de energia prânica do ar era um fato e não uma ficção.
Podemos perceber hoje dois tipos de alimentos antes insuspeitados, e que já possuem seguidores no mundo inteiro. Prana e luz solar. O que é isso? Um degrau da evolução humana? Não sabemos. Só sabemos que essas pessoas existem e finalmente a chamada “ciência oficial” está a contragosto testando o fato e o conceito, e começando a pesquisar, verificar e aceitar que elas existem de fato no nosso mundo habitual.
Sem mais, aqui está sua história, como é contada pelo escritor, advogado e nutricionista alternativo Viktoras Kulvinskas no livro escrito em 1975 'Survival into the 21st Century'.
"Em uma notícia publicada no London Sunday Chronicle datada de 17 Junho de 1951. lê-se:
Uma mulher de 50 anos que parece ter somente 30, declarou ontem que ela dispensa a comida, e ela espera viver pelo menos 150 anos. Ela garante que isso será possível por que ela abdicou completamente da comida. Vinte anos atrás ela comia as suas normais 3 refeições diárias. Vagarosamente, durante 12 anos ela começou a diminuir cada vez mais a alimentação até que ela chegou a apenas uma pequena refeição por dia, depois um ocasional copo de suco. Ha cinco anos atrás ela restringiu do suco e atualmente ela vive apenas de água com algumas gotas de limão. 
Ela diz, "Existe muito mais na luz do sol e no ar do que pode ser visto a olho nu ou com os instrumentos dos cientistas. O segredo está em encontrar o caminho de absorver esse extra, essa radiação cósmica transformando-a em alimento".
Todos os anos ela vai para Suiça em busca de um ar melhor e escala as montanhas sem alimentação, levando apelas um pouco de água.
"Você vê", ela explica, "as células de meu corpo e meu organismo já mudaram consideravelmente de composição. Estou liberta da sensação da fome e da dependência alimentar." E continua ela:
"Inverno ou verão, mesmo na Suiça, eu visto apenas uma calça joking e uma camisa. Nos dias frios as pessoas ficam admiradas comigo. O que mais os impressiona é que minha temperatura continua quente. Sou mais forte que os homens e necessito de apenas 3 horas de repouso para um relaxamento mental. Como meu corpo está livre das toxinas, eu nunca fico doente.Eu tive que avançar aos poucos, primeiro sendo vegetariana, então frutas e depois apenas o liquido. Agora estou trabalhando para ter apenas o alimento Cósmico (ar). Já passei pelo estágio da comida até não poder mais me alimentar por ter mudado completamente meu sistema alimentar. Meu organismo agora é tão pequeno que não consegue mais sustentar nenhuma fibra. Ao invés de ficar pensando como todo mundo que minha vida pode acabar em 10 anos, eu busco o rejuvenescimento. 

Qualquer um pode realizar isso se quiser. A tragédia é que a comida é um dos grandes prazeres da vida. Mas parar de comer é experimentar um desconforto somente enquanto seu corpo se ajusta para um novo rumo. Eu agora já acho o cheiro da comida desagradável."
Em 1961, Dr. Morris Krok de Durban, África do Sul, publicou 'A cura das doenças,' onde ele reproduz uma palestra da Dra. Barbara Moore, que foi escrita em: 'Vida Natural', India. Nov. 1960". Essa é uma parte:
"Após experimentar em mim mesma, eu descobri que a verdadeira energia que aquece o nosso corpo, não vem da comida. Isso é fato, paradoxalmente. É verdade, que eu passei 3 meses nas montanhas da Suiça e Itália comendo nada, mas bebendo apenas água da neve. Eu subia as montanhas todos os dias.  Estava jejuando, mas não pense que apenas estava lendo meus livros e subindo ao céu. Não, eu corria do meu hotel para as montanhas por 15 milhas subindo 4 kms., e  então descia e voltava outras 15 milhas andando de volta para o hotel. Durante meu jejum,escalei as montanhas diariamente, e eu não pude contar o número de vezes que peguei um mau tempo. Isso está comprovado para mim. Anos após anos eu tenho feito a mesma coisa para ver até onde isso é verdade ou não. Pode ser que funcionasse por um ano, mas depois poderia não funcionar mais... Então, eu fiz ano após ano descobrindo que nenhuma energia que abastece o corpo vem da comida física. Quando eu descobri isso, eu dei um passo além; eu queria ver até quando poderia viver sem comida nenhuma! Não somente por dois ou três meses, mas por períodos mais longos. Eu descobri que isso também era possível, mas não num nível ordinário de vida. Posso fazer isso facilmente nas montanhas, mas é mais difícil quando descemos para o nível do mar. Descobri que o ar é de fato diferente. 

Espero com o tempo poder viver integralmente do ar... Sou uma pessoa muito ocupada e tenho pouco tempo para dormir, por isso não durmo. Nunca estou cansada ou com fome."
Kulvinskas ficou curioso e se perguntou, depois de ler a história dela, o que teria acontecido com esse ser. Até que o Dr. Buche recebeu uma carta de um leitor...
“Prezado Dr. Buche,
De acordo com meu pai (que leu num jornal ha muito tempo atrás), a Dra. Barbara Moore morreu (foi atropelada por um carro) quando andava de costa a costa os Estados Unidos.
Atenciosamente,
Rui Fragassi Souza"

(N.R. – Rui Fragassi é um Mestre e Doutor em Engenharia Elétrica, Professor da Unicamp no Brasil, e conhecido por suas idéias além do nosso tempo);

A foto no início do artigo, é da Dra. Barbara Moore, caminhadora de longa distância, atravessando a pé a costa americana antes de seu trágico acidente...foi tirada em Penrith, a meio caminho de John O'Groats onde terminaria a “maratona” em 1960. Ela fez essa caminhada em 07/06/1960. Eram 3.207 milhas desde Los Angeles cruzando por Nova York em 86 dias.
Curiosamente nunca se soube quem a atropelou e matou, mas há muitas teorias sobre a quem interessaria a sua morte...
Outros dois casos mais conhecidos, estes de metabolização direta de luz, são os de Ellen Greve uma escritora australiana conhecida por Yasmuheen,  que vive nos EUA e divulga a técnica em seus livros. Foi entrevistado uma vez pelo ex-humorista e apresentador brasileiro Jô Soares que a banalizou grande parte do tempo no programa. 

O outro é de Prahlad Jani, indiano de 80 e poucos anos que desde os 13 se alimenta de luz do sol e foi observado e filmado 24 horas por dia durante um longo período sem comer nem beber nada. Extremamente lúcido, dorme muito pouco e com seu olhar agudo e atento, não perde um detalhe à sua volta. O jornal A Folha de São Paulo (Brasil) fez recentemente uma reportagem sobre ele.
O fato desperta reações iradas em alguns jornalistas, médicos, blogueiros e pessoas comuns, que nunca praticaram nenhuma das duas técnicas mas tem fortes e sólidas opiniões formadas sobre os dois assuntos, provavelmente baseados na ciência oficial, no “ouvir falar”, ou nas "notícias contra" achadas no Google Search. Exatamente como a Inquisição fazia na Idade Média (o importante é o dogma, não a realidade). Só há uma forma de sabermos se é verdade ou farsa. Estudar com isenção, coletar experiências e orientação nas tradições que praticam, aprender,  praticar direitinho em si mesmo, conforme os protocolos das tradições e só então concluir. Assim faz quem está na busca interior, e essa é a verdadeira ciência, que aceita o contraditório para chegar à conclusão final.O resto é conversa mole. Eu estou fazendo isso há dois anos e meio, sem pressa, e já estou vendo os benefícios. Se não comprovarmos por nós mesmos, vamos continuar a dizer sempre que a terra é plana, sem sequer ter saído de casa...


Eu, sem me preocupar com a crítica, pergunto: será que esses são os 2 novos alimentos da humanidade em sua evolução?

(N.R. - Há no Brasil, há uma comunidade chamada Aham Prema/Mato Dentro, no sul de Minas Gerais, onde convivem pessoas que se dedicam a ensinar essa prática de se alimentar de Prana  e vivem dessa forma. Seu aparente organizador é Oberon, Professor de Yoga e palestrante do Portal Parvati.

domingo, 17 de abril de 2011

O Contador de Histórias

As histórias, contos e lendas tradicionais tem a magia e o poder de transformação interior. A arte de contar histórias é uma arte antiga importante das culturas centradas na busca interior do Si Mesmo,  Elas formam o pano de fundo do inconsciente coletivo, necessário para que uma cultura forme naturalmente seres humanos que acreditem no Espírito, no Sagrado, no Invisível, no Mágico... desde crianças. Eu fiz assim com meus filhos, contando As Mil e Uma Noites antes de eles dormirem. Foi assim no Egito, Mesopotâmia, Índia, Pérsia, China, Japão, Américas, Austrália...Mas não é só para crianças, não. Nós que nascemos no Ocidente afastados disso podemos aproveitar porque a boa história não tem idade nem lugar, e toca algo insuspeitado, lá no fundo da gente, que aos poucos cria frutos, apesar de nós mesmos.
Consegui uma bem humorada, resgatada no fundo do baú da Patrícia. É das nossas lembranças, nos velhos tempos de um grupo “esotérico” que ficou no passado. E vamos contar para vocês, com sotaque caboclo e tudo.
(atenção Portugal: caboclo ou caipira é o brasileiro filho do cruzamento de português com índio... ocidente com xamanismo indígena). A singela história abaixo é algo digno das Mil e Uma Noites, mas é uma história cabocla, parida dos meandros mágicos da mente do meu amigo Junqueirinha.
Para ter a sorte de ter acesso a essa coisas, é preciso estar na hora certa, no lugar certo. E conhecer gente de qualidade interior como ele, médico e buscador, a Patrícia, bruxa taoista e buscadora séria, e Yolanda, da mesma escola. Ela foi lida numa festividade num grupo Gurdjeff e depois publicada por volta de 2003 na revista Meditação. A revista não mais existe, mas a história foi resgatada. Criação de Junqueirinha. Pura filosofia esotérica cabocla.
Vamos lá. É o Junqueirinha contando, com pompa e circunstância de caboclo, bem no jeitão do grande Guimarães Rosa :
“ - Um dos personagens mais incríveis que já conheci é o Mathias, um caboclo do sul de Minas Gerais. Um dia destes, refletindo sobre os caminhos e a vida, lembrei-me de uma conversa que ouvi dele com sua mulher, Yolanda, na varanda de seu sítio. Aqui está a lembrança dessa conversa simples e singela, que continha todo um ensinamento"

"- João Mathias, tem alguma coisa nos homens que preste"? - a mulher pergunta.
- Ôô...Tem sim, Yolanda. Tem nos homens um “tar” de brilho. E esse brilho é uma coisa tão rara que, por causa dele, muito deus já perdeu a pose.
- E os homens, Mathias, eles sabem que têm esse brilho?
- De quando em vez eles desconfiam! E quando isso acontece, a deusarada fica tiririca e não perdoa! E sabe por quê?
É porque os deuses usam esse mesmo brilho dos homens pra criar eles cercados neste pastão enorme que nóis chama de "mundo"!
- Os homens cercados num pasto? E onde tá a cerca, que eu nunca vi ela?
- Ocê nunca viu ela porque é uma cerca muito esperta, uai! É uma cerca feita de espelho!
- Cerca de espelho?
- Um montão deles! Os espelhos da cerca manda o brilho dos homens de volta pra eles. Só que tem um problema: o brilho volta falsificado! Os espelho? são bem diferente um do outro. Tem espelho que devolve o brilho dos homens de volta pra eles na forma de raiva; tem espelho que devolve esse brilho na forma de inveja. Tem até espelho que devolve alegria, mas é aquela alegria besta, de perceber que tem alguém por aí que tá ainda pior que nóis!
E os deus, que não são nada bobo, vão manejando os espelhos e jogando um contra os outros pra poder conduzir os homens de acordo com suas próprias necessidades!
E com o passar do tempo, os homens acabam pensando que o que eles vê nos espelhos da cerca é o que tá acontecendo de verdade!
Esquecem que o brilho tá é dentro  deles mesmo e que eles têm um direito sagrado de brilhar na escuridão!
- Tá dizendo que os deuses estão contra os homens, Mathias?
- Nem tanto, Yolanda. Se ocê pensar melhor, dá até pra entender um pouco da cabeça desses deus! Os caboclos que eles enganam com o truque dos espelhos, eles "traça", e tá acabado! Os que começa a perceber o golpe, eles "malha" bem, quase “inté matá”, que é pra vê se o caboclo forma opinião!
Então, se algum desses consegue “vará” a cerca, aí eles convida pra brincá de deus com eles!
E como toda cerca tem dois lado, o lado de fora dela é bem diferente do lado de dentro: em vez dos espelho de enganá gente, tem um sistema de uns estilingue bem grande “dipindurado” na cerca. Os deus, depois de dançá quadrilha com os caboclo que “varô” a cerca, põe eles no bojo dos estilingue e dá uma baita estilingada cum eles. Aí eles vão pará num lugar tão alto e tão cheio de sossego, que por lá nem o Tempo passa!
É aí nesse lugar que o brilho dos homens vai aumentando, vai aumentando, inté explodir numa boniteza que num termina nunca mais!
- Ô Mathias, e o que eu faço pra podê atravessá a cerca?
- Agora ocê fez a pergunta certa!
Primeiro: carece de percebê que ocê tá no pasto! Pode num parecê, mas essa é a parte mais difícil do caminho!
Depois: ocê tem de procurá as trilha deixada pelos furador de cerca! E olha que tem trilha pra tudo que é gosto! Tem trilha de andá descarço pisando em ponta de prego! Tem trilha de entrá fardado e onde só se pode andá de bando! Tem inté trilha, que pra entrá nela carece falá inglêis! Agora, vou contá pra ocê...tem uma que é mesmo bem ladina: ocê chega na ponta dela e “infinca” os pé firme no chão! Aí é só ficá quieto, bem quietinho mesmo, sem cismá cum nada... e a trilha anda sozinha!..”