Mostrando postagens com marcador vidente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vidente. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Centro para Decisões - Visão Tolteca



O Livro Passes Mágicos, do xamanismo tolteca de Castaneda é uma compilação de práticas corporais para equilibrar as energias do praticante. Ele pressupõe a existências de seis principais, entre milhares de vórtices de energia no corpo, que podem ser manipulados e estimulados. Um deles é o centro para decisões.

"O tópico mais importante para os xamãs que viveram no México em tempos antigos e para todos os xamãs da linhagem de Dom Juan era o centro para decisões. Através dos resultados práticos dos seus esforços, os xamãs estão convencidos de que existe um ponto no corpo humano responsável pela tomada de decisão, o ponto V - a área na crista do esterno na base do pescoço onde as clavículas se encontram para formar a letra V. É um centro no qual a energia é refinada a ponto de ficar tremendamente sutil e que armazena um tipo específico de energia que os xamãs são incapazes de definir. Entretanto eles têm absoluta certeza de que podem sentir a presença dessa energia e os seus efeitos. Os xamãs acreditam que essa energia especial é sempre expulsa daquele centro bem no início da vida dos seres humanos e que ela nunca retorna para lá, privando os seres humanos de algo talvez mais importante do que toda a energia combinada dos outros centros: a capacidade de tomar decisões.
Em relação ao tema de tomar decisões, Dom Juan expressava a severa opinião dos feiticeiros da sua linhagem. Através dos séculos, suas observações os tinham levado a concluir que os seres humanos são incapazes de tomar decisões e que, por essa razão, criaram a ordem social: instituições gigantescas que assumem a responsabilidade pela tomada de decisões. Deixam essas instituições gigantescas decidirem por eles e simplesmente cumprem as decisões já tomadas em seu benefício.
Para os xamãs, o ponto V na base do pescoço era um local de tal importância que eles raramente o tocavam com as mãos. Se fosse tocado, o toque era ritualístico e sempre realizado por uma outra pessoa com a ajuda de um objeto. Eles usavam peças altamente polidas de madeira resistente ou ossos polidos de animais e utilizavam a parte arredondada do -osso para ter um objeto de contorno perfeito, do tamanho do ponto côncavo no pescoço. Pressionariam com aqueles ossos ou peças de madeira para criar pressão nas bordas daquele ponto côncavo. Embora raramente, esses objetos também eram usados para auto massagem ou para o que, nos dias de hoje, conhecemos como acupressura.
- Como eles vieram a descobrir que aquele ponto côncavo é o centro para decisões? - perguntei um dia a Dom Juan.
- Cada centro de energia no corpo - respondeu ele - mostra uma concentração de energia; uma espécie de vórtice de energia, como um funil, que, da perspectiva do vidente, parece realmente girar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. A força de um determinado centro depende do vigor do movimento. Se ele mal se move, o centro fica exaurido, esvaziado de energia.
"Quando os feiticeiros dos tempos antigos estavam examinando minuciosamente o corpo com os seus olhos de videntes, notaram a presença desses vórtices. Ficaram muito curiosos a esse respeito e fizeram um mapa deles.”
- Existem muitos de tais centros no corpo, Dom Juan? - perguntei.
- Existem centenas deles - respondeu ele - se não milhares! Pode-se dizer que um ser humano não é mais que um conglomerado de milhares de vórtices giratórios, alguns deles tão minúsculos que são, vamos dizer, como furinhos de alfinete, mas furinhos muito importantes. A maioria dos vórtices são vórtices de energia. A energia flui livremente através deles ou fica presa neles. No entanto existem seis tão enormes que merecem tratamento especial. São centros de vida e vitalidade. Neles a energia nunca fica presa, mas às vezes o suprimento de energia é tão escasso que o centro mal gira.
Dom Juan explicava que esses enormes centros de vitalidade estavam localizados em seis áreas do corpo. Ele os enumerava segundo a importância que os xamãs lhes concederam. O primeiro, na área do fígado e da vesícula biliar; o segundo, na área do pâncreas e do baço; o terceiro, na área dos rins e das glândulas supra-renais; e o quarto, no ponto côncavo na base do pescoço na parte frontal do corpo. O quinto, ao redor do útero, e o sexto, no topo da cabeça.
De acordo com o que Dom Juan dizia, o quinto centro, pertinente apenas às mulheres, tinha um tipo especial de energia que dava aos feiticeiros a impressão de liquidez. Era uma característica que somente algumas mulheres tinham. Parecia servir como um filtro natural que peneirava as influências supérfluas.
Dom Juan descrevia o sexto centro, localizado no topo da cabeça, como algo mais do que uma anormalidade e abstinha-se totalmente de ter alguma coisa a ver com isso. Retratava-o como possuindo não um vórtice circular de energia, como os outros, mas um movimento de um lado para o outro, como um pêndulo, que, de certo modo, lembra a pulsação de um coração.
- Por que a energia desse centro é tão diferente, Dom Juan? perguntei.
- Esse sexto centro de energia - disse ele - não pertence inteiramente ao homem. Entenda, nós seres humanos estamos, por assim dizer, sob estado de sítio. Esse centro foi assumido por um invasor, um predador invisível. E a única maneira de dominar esse predador é fortificando todos os outros centros.
- Não é um tanto paranóico achar que estamos sob estado de sítio, Dom Juan? - perguntei.
- Bem, talvez para você, mas certamente não para mim - respondeu ele. - Eu vejo a energia e vejo que a energia sobre o centro no topo da cabeça não flutua como a energia dos outros centros. Ela tem um movimento de um lado para o outro muito desagradável e muito estranho. Também vejo que, em um feiticeiro que foi capaz de dominar a mente, que os feiticeiros chamam de uma instalação alienígena, a flutuação desse centro torna-se exatamente como a flutuação de todos os outros.
Durante os anos do meu aprendizado Dom Juan recusou-se sistematicamente a conversar sobre o sexto centro. Na ocasião em que estava me falando sobre os centros de vitalidade, desprezou rudemente minhas frenéticas indagações e começou a falar sobre o quarto centro, o centro para decisões.
- O quarto centro - disse ele - tem um tipo especial de energia que aparece ao olho do vidente como possuindo uma extraordinária transparência, algo que poderia ser descrito como semelhante à água: energia tão fluida que parece líquida. A aparência líquida dessa energia especial é a marca de uma qualidade do próprio centro para decisões parecida com um filtro que peneira qualquer energia que chega até ele e extrai dela apenas o seu aspecto que é parecido com líquido. Essa qualidade de liquidez é uma característica uniforme e consistente desse centro. Os feiticeiros também o chamam de o centro aquoso.
A rotação da energia no centro para decisões é a mais fraca de todas elas. É por essa razão que o homem raramente decide alguma coisa. Os feiticeiros vêem que, após praticarem determinados passes mágicos, esse centro torna-se ativo e eles podem, com certeza, tomar decisões que satisfaçam os seus corações, enquanto que, antes, não conseguiam sequer dar um primeiro passo.
Dom Juan era bastante enfático sobre o fato de que os xamãs do antigo México tinham uma aversão, que beirava a fobia, com relação a tocarem em seus próprios pontos côncavos na base do pescoço. A única maneira pela qual eles aceitavam qualquer interferência que fosse naquele ponto era através do uso dos seus passes mágicos que reforçam aquele centro trazendo para ele a energia dispersa e, desse modo, impedindo, na tomada de decisão, qualquer hesitação nascida da dispersão natural de energia ocasionada pelo desgaste da vida cotidiana.
- Um ser humano - dizia Dom Juan -, percebido como um conglomerado de campos de energia, é uma unidade completa e lacrada na qual nenhuma energia pode ser injetada e da qual nenhuma energia pode escapar. A sensação de perder energia, que todos nós experimentamos de vez em quando, é o resultado da energia sendo afugentada, dispersada dos cinco enormes centros naturais de vida e vitalidade. Qualquer sensação de obtenção de energia é devida à redistribuição da energia previamente dispersada daqueles centros, isto é, a energia é recolocada naqueles cinco centros de vida e vitalidade."

Do livro Passes Mágicos - Carlos Castaneda

domingo, 22 de maio de 2011

Qual é a sua Missão Astrológica?

O que você veio fazer aqui neste planeta?  
Você pensa assim: "Eu não pedi para nascer (eu acho)... e nasci. Tudo bem, mas agora, não quero morrer... e vou morrer. Afinal, o que é que eu vim fazer aqui? Como dizia o Millor "- Eu compreendo, eu compreendo... eu também sou um incompreendido..."
Esta pequena estória chamada ‘Alegoria’, que muitos conhecem, é uma contribuição tocante ao espírito, feita por Martin Schulman, grande e mundialmente respeitado astrólogo kármico, para uma verdadeira compreensão da nossa missão, pelas pessoas que estão na busca interior do Si Mesmo, e apreciam a astrologia como forma de entender esse mundo que nos cerca.
Aliás não é preciso ser nenhum vidente para se ter em conta, como dizia Gurdjieff no  “Relatos de Belzebu a seu neto”, que a Astrologia é apenas uma entre as 7 influências que moldam o destino do ser humano desde a  sua gestação, na hora do seu nascimento, e até a sua morte. Falaremos disso em breve.
Tive meu primeiro contato com a Alegoria em outubro de 83 quando comprei o livro ‘Lunar Nodes and Reincarnation’ (Os Nós Lunares e a Reencarnação) na velha e boa livraria Samuel Weiser em Nova York. Um achado numa época em que se falava muito menos de Astrologia. Os Nós Lunares, também conhecidos como ‘Cabeça e Cauda do Dragão’ são, na Astrologia Kármica, pontos do mapa astrológico que indicam nossas vidas passadas e a nossa missão na vida atual.
Quando a gente se pergunta: "- O que é que eu estou fazendo aqui?" a Alegoria é uma das respostas. 
A pequena estória coloca de uma forma poética os traços que formam no invisível a natureza e a missão de cada um dos 12 tipos, formados por sua vez pelos 4 elementos da tradição hermética: fogo, terra, ar e água. A partir da leitura, cada buscador, então, passa a ter a  bússola pela qual vai ser orientado nessa  viagem pelo planeta, nesse mar turbulento do Kali Yuga (que aliás não está muito pra peixe, ultimamente...)
Vamos lá:
A Missão dos 12 signos do Zodíaco

"Era manhã quando Deus parou diante de suas 12 crianças e em cada uma delas plantou a semente da vida Humana.
Uma por uma, elas se dirigiram a Ele para receber seu dom e conhecer a sua missão".


Áries - 21 de Março a 20 de Abril


"A ti, Áries, dou a missão de plantar a Minha primeira semente. Para cada semente que plantares, outras milhares de sementes se multiplicarão. Entretanto, não terás tempo de vê-las crescer, pois tua vida é ação e a ti compete tornar os homens cientes de Minha Criação. Por isso, serás o primeiro a penetrar no solo da mente humana com Minha Idéia. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação do orgulho para dominares, e, como bênção, concedo-te o dom da iniciativa."


Touro - 21 de Abril a 20 de Maio


"A ti, Touro, concedo o poder de transformar a semente em substância. Trabalharás com afinco e paciência para que as sementes não se percam ao vento. Não questionarás ou mudarás de idéia até que termines tudo que já foi iniciado, pois a ti compete o processo de concretização da Minha Idéia. E para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação do apego para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da força."

Gêmeos -21 de Maio a 20 de Junho


"A ti, Gêmeos, atribuo a tarefa de comunicar ao mundo Minha Idéia. Por isso te dou perguntas sem respostas. Em tua busca pelo conhecimento, inquietarás os que estão ao teu redor, para que compreendam o que vêem e o que ouvem. Tu serás um, mas pensarás e falarás por dois. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da superficialidade para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da inteligência”

Câncer - 21 de Junho a 21 de Julho


"A ti, Câncer, dou a missão de implantar no coração do homem a emoção. Minha Idéia se fará sentir por meio de risos e lágrimas, para que todo o conhecimento adquirido atinja plenitude interior. Tu multiplicarás os sentimentos com teu instinto de preservação, de modo que os homens se reunam em famílias. Para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação da fragilidade para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da fertilidade."

Leão - 22 de Julho a 22 de Agosto


"A ti, Leão, atribuo a tarefa de mostrar ao mundo o esplendor de Minha Criação. Tu iluminarás os corações humanos com Minha Luz, acendendo em cada um o entusiasmo de assumir a própria existência. Mas peço-te que não confundas as coisas e lembra-te que é Minha a Idéia, e não tua. Para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da vaidade para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da honra."

Virgem - 23 de Agosto a 22 de Setembro


"A ti, Virgem, dou a missão de examinar em detalhes o que os homens têm feito com Minha Criação. Tu analisarás seus passos e revelarás seus erros para que, por intermédio de ti, Minha Idéia mantenha-se pura e possa ser aperfeiçoada. Para realizares um bom trabalho, dou-te a provação da ceticismo para dominares e, como bênção, concedo-te o dom do discernimento."

Libra - 23 de Setembro a 22 de Outubro


"A ti, Libra, dou a missão de unir os homens em torno da Minha Idéia. Tu despertarás o desejo da cooperação, por meio da capacidade de se colocar no lugar do outro e então sentir o que o outro sente. Estarás onde houver desavença, para que possas mostrar o valor do acordo e da justiça. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da indolência para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da paz."

Escorpião - 23 de Outubro a 21 de Novembro

"A ti, Escorpião, peço que não te afastes de mim quando doer em teu coração as maldades que presenciares. Terás a capacidade de penetrar na mente dos homens e, conhecendo-a, perceberás que não sou Eu, mas a perversão da Minha Idéia que está causando tua dor. Chegarás a conhecer o homem em seu instinto animal e lutarás contra o próprio dentro de ti.
Para que faças um bom trabalho, dou-te a provação do extremismo para dominares e, como bênção, concedo-te o dom do renascimento."

Sagitário - 22 de Novembro a 21 de Dezembro


"A ti, Sagitário, atribuo a missão de ensinar o riso e esperança, para que no meio das incompreensões da Minha Criação o homem não se torne amargo. Através da esperança, implantarás no coração humano a fé e através da fé voltarás teus olhos para Mim. Expandirás assim Minha Idéia por todos os cantos e os mais longínquos lugares. ( N.R. – Essa é comigo mesmo...)E para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação da intolerância para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da generosidade."

Capricórnio - 22 de Dezembro a 20 de Janeiro


"A ti, Capricórnio, dou a tarefa de mostrar com o suor de teu rosto o valor do trabalho. Fincarás com disciplina os alicerces de Minha Criação, para que nada destrua suas bases. E tua alegria pelo dever cumprido ensinará que a responsabilidade não é um fardo e sim uma condição natural. E para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da culpa para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da autoridade."

Aquário - 21 de Janeiro a 19 de Fevereiro


"A ti, Aquário, dou a missão de abrir os olhos dos homens para novas possibilidades. Por isso terás o conceito do futuro e do amor fraternal. Sentirás a solidão dos que vivem à frente do seu tempo, pois não lhe permito personalizar Meu Amor. Viverás livre para que possas servir à humanidade renovando a Minha Criação. Para que faças um bom trabalho, dou-te a provação da rebeldia para dominares e, como bênção, concedo-te o dom do progresso."

Peixes - 20 de Fevereiro a 20 de Março


"A ti, Peixes, dou a missão de incorporar todas as tristezas do homem e voltá-las para Mim. Com compaixão, tu mostrarás que as lágrimas são efeito da incompreensão do homem sobre a Minha Idéia. Tua devoção constitui a mais difícil das missões, mas terás a maior das dádivas. Tu serás a única das Minhas doze crianças a me compreender. Para que realizes um bom trabalho, dou-te a provação da ilusão para dominares e, como bênção, concedo-te o dom da fé."
Para quem quiser ter uma visão geral das missões dos 12 tipos, e conhecer melhor o seu tipo, dos amigos, parceiros, pais, irmãos...segue o resumo:
“Criança”
Missão na vida
Provação para dominar
Dom
Áries
plantar a Minha primeira semente
 apego
iniciativa
Touro
transformar a semente em substância
orgulho
força
Gêmeos
comunicar ao mundo Minha Idéia
superficialidade
inteligência
Câncer
implantar no coração do homem a emoção
fragilidade
fertilidade
Leão
mostrar ao mundo o esplendor de Minha Criação
 vaidade
honra
Virgem
Examinar em detalhes o que os homens têm feito com Minha Criação
ceticismo
discernimento
Libra
unir os homens em torno da Minha Idéia
indolência
paz
Escorpião
penetrar na mente dos homens
extremismo
renascimento
Sagitário
ensinar o riso e esperança
intolerância
generosidade
Capricórnio
mostrar com o suor de teu rosto o valor do trabalho
culpa
autoridade
Aquário
abrir os olhos dos homens para novas possibilidades
rebeldia
progresso
Peixes
incorporar todas as tristezas do homem e voltá-las para Mim
ilusão
fé

domingo, 24 de abril de 2011

A Cura pelo Perdão

Todas as religiões e tradições de busca interior e meditação, em todas as épocas, colocam o perdão como prática essencial para a evolução do espírito do ser humano.  Sempre me impressionou a doçura e compaixão da frase de Cristo sendo crucificado: “Perdoai-os Meu Pai, eles não sabem o que fazem”, em contraposição ao “Olho por olho, dente por dente” do Código Hamurabi da Babilônia, que é a matriz da Justiça atual no planeta, bem ao gosto dos fundamentalistas e do período turbulento do Kali Yuga. A prática da confissão, presente em muitas tradições, reafirma o perdão como instrumento de purificação interior de quem está à procura do Si Mesmo. Vimos o mesmo gesto nobre no perdão do Papa João Paulo II ao misterioso atirador turco Ali Agca que tentou assassiná-lo, e vemos agora florecer  o mesmo movimento em tradições como Oneness Deeksha, ou o Ho’oponopono  do xamanismo hawaiano, em que a marca registrada é “me perdoe, eu amo você, obrigado”. Mesmo um nagual e xamã tolteca curtido e duro como Don Juan e o próprio Castaneda agradeciam aos “pequenos tiranos” por ter uma oportunidade de através deles trabalhar o seu próprio ego e evoluir. As dicas estão aí...
A famosa vidente, psicoterapeuta, curadora e escritora (Mãos de Luz, e Luz Emergente), Barbara Ann Brennan, que tem passe livre no território das energias interiores, invisíveis ao comum dos mortais, apresenta um texto encantador sobre o perdão, de seu mestre e mentor Heyoan. Mãos de Luz é uma leitura obrigatória para quem quer se dedicar à cura e saúde (alô médicos), e uma inspiração para quem quer comprender a essência da natureza humana (alô buscadores).

Barbara diz:
“Gostaria de apresentar uma das meditações de cura mais poderosa de quantas recebi de Heyoan. É a "meditação de cura através do perdão." Ela irá induzir uma contemplação profunda que pode curar as feridas internas de relacionamentos passados. 
O fator mais importante na cicatrização de feridas antigas no relacionamento entre as pessoas é o perdão.
Em geral, estamos mais conscientes de não sermos capazes de perdoar uma outra pessoa, do que não poder perdoar a nós mesmos. Todos nós já vimos o efeito produzido pelo fato de nós perdoamos alguém que nos ofendeu. Na maioria das vezes, lembramos de situações dolorosas em que alguém nos feriu e culpamos o outro.
Nossa crítica é superficial, mas no fundo, muitas vezes há um sentimento de culpa doloroso que não admitimos.
Muitas vezes, a outra pessoa não experimentou a situação como nós, e não pode sequer saber que nos magoou. Em certas circunstâncias, porém, o outro acredita que devemos nos desculpar para que ele possa nos perdoar. Em todas essas situações, estamos presos na dualidade. O perdão nos permite superar esta dualidade e ter acesso ao amor.
Nesta meditação, Heyoan nos dá uma perspectiva mais ampla.
O perdão nos ajuda a superar as críticas de "ele (a) fez isso comigo", com sua aguda e profunda culpa, e nós leva a uma compreensão única de o porque funciona o perdão.
Antes de começar, sugiro que você faça uma lista de pessoas presentes em sua vida que às quais você tem sido incapaz de perdoar. Então faça a seguinte meditação sobre o perdão. Vale a pena ler ou ter alguém que leia as instruções de Heyoan, ou então tente  conseguir  a fita deste material canalizado de Barbara Brennan. Ou então leia em voz alta durante a gravação de sua voz. A fita gravada, é muito mais pessoal, e pode-se mais facilmente assimilar descansando confortavelmente na cama com os olhos fechados.
Heyoan diz:
"A cura através do perdão.
Sinta uma coluna de luz dentro de você. Sinta uma estrela de  luz em seu coração, um pouco acima do umbigo. Não é por acaso que você está aqui. Você trouxe esse momento especial em sua vida para seus próprios objetivos, decorrente do seu desejo profundo e sagrado que você carrega no seu coração.
Quanto mais satisfizer esse desejo, mais se encontrará diretamente no caminho de uma vida feliz, satisfatória e criativa.
Gostaria hoje que você escolhesse uma pessoa com quem você tem dificuldades em sua vida e começasse a trabalhar e rezar para se alinhar com o perdão e a cura. Isso requer o seu perdão e o dessa pessoa. Como você sabe, a cura engloba toda a vida - de fato, todas as vidas que tiveram - e que estão além desta vida. Você  existe em um domínio muito maior do que o físico que é definido pelo tempo e espaço. Para você, o tempo e o espaço não são nada mais que limitações introduzidas nessa escola que você criou para o aprendizado dentro dela. Você criou as suas lições, a escola, você criou seus professores nessa escola, e apesar disso você é o mestre de toda essa criação. Você veio a este mundo para cumprir os seus objetivos próprios, que estão contidos no seu desejo sagrado. Agora eu pergunto: em relação à pessoa que você escolheu, como você traiu seu desejo sagrado e, portanto, causou uma situação que requer o perdão para você mesmo? Pode não ser uma resposta fácil e imediata. Mas se você se concentrar sobre ela, meditar e se conectar com ela e seu trabalho de cura, começará a compreender. Através de sua experiência de vida, fluirá uma compreensão mais profunda do que é dito aqui, a partir da fonte da vida que está dentro de você.
Sim, é verdade que você cria a sua experiência de vida. Você a desenha a partir da suprema sabedoria que há em você. Se houver dor, mostre a você o que ela diz, porque a dor vem de esquecer quem você é. A dor provém da crença de que a realidade obscura é a verdadeira realidade. Realidade obscura é o resultado de esquecer quem você é, com base na crença de que está isolado ou separado de tudo o que o cerca.
Eu digo  queridos, que qualquer doença, qualquer que seja sua forma ou manifestação, é o resultado esquecimento. Você vem para cá, o plano da Terra, para lembrar. Não deixe se angustiar sobre o assunto. Oriente sua força de vida no sentido da recordação de Si Mesmo, e sua iluminação despertará as partes da sua psique que estão mergulhadas na escuridão e dor.
Quando iluminá-las com a luz do divino, que existe em cada célula do seu corpo, em cada célula do se ser, a luz brilha sobre a  escuridão e ele começa a se lembrar. Lembrar-se é equivalente a reintegrar suas partes. Através da iluminação, você reintegrará partes de você e de seu corpo que se dissociaram e, portanto, tornaram-se doentes. É um novo começo, sim, você vai experimentar um pouco de dor, mas é uma dor que cura. As lágrimas deixarão a sua alma clara e limpa como chuva recém caída. Seu choro irá liberá-lo. Foi contido por séculos, esperando a chance de escapar. Todos os bloqueios de que se falou se dissolverão e se encherão de vida renovada. Vai vê-los  preenchidos com muito mais energia. Vai ver que sua vida está se movendo em direção à criatividade e alegria. Você se preencherá de uma dança com todos os que estão ao seu redor, e com o Universo.
Mas isso requer o perdão: o perdão em primeiro lugar a si mesmo. O que você precisa perdoar? Se você dedicar cinco minutos - e eu vou lhe pedir para fazer isso depois do meu pequeno discurso, - para elaborar uma lista das coisas que você deve perdoar, seria extensa. Mas não é difícil. Se você considerar todos os aspectos e meditar sobre eles por alguns minutos várias vezes por dia, vai aliviar seu coração do peso suportado. O perdão vem da divindade que você tem no interior. Meditando, rezando, e vivendo o seu perdão, você se  conecta com o divino que você carrega dentro. (Nota do redator: Isso é pura Recapitulação, do xamanismo tolteca. Coisa para lavar a alma...)
As próximas perguntas são: Como se manifesta cada aspecto que você perdoa, em sua psique e seu corpo físico? Como se expressa em seu campo de energia? Siga-os através dos sete níveis de experiência em seu campo de energia.
Onde está a dor em seu corpo que está associada com a atitude implacável que você tomou para você, e por isso manteve uma relação negativa com um determinado indivíduo a quem você acha difícil perdoar? A cura começa sempre por si mesmo.
Em seu interior, a uns 4 ou 5 cm acima do umbigo, há uma bela estrela. A Estrela do Seu  Centro. É a essência da sua individualidade. Esta essência é a sua individualidade divina. É o centro de sua condição de Ser. É o centro de quem você é, em absoluta paz antes, durante e depois de todas as vidas que você tem experimentado em sua Mãe Terra. Sinta esse lugar dentro de você. Você já existia antes desta vida. Existia antes do caos, dor e conflito que existe neste mundo, e vai continuar existindo...
Este centro da sua condição de ser é o centro de sua divindade. A partir dele você é o centro de todo o universo. É a partir desse lugar que você pode curar. 
Lembre-se de quem você é, e você vai ajudar os outros a lembrar-se de quem eles são. Porque é do centro do seu ser que emanam de todas as suas ações. Assim como suas ações se desligaram do centro de seu ser, você vai deixar de se alinhar com o seu objetivo divino. A ação desvinculada do objetivo divino é a causa da dor e da doença. Então, concentrem-se em seu centro. É a partir desse centro que vem o perdão.
Gostaria de agora mostrar o primeiro aspecto que deve ser perdoado em seu núcleo.
Tudo o que você acredita que precisa de perdão, se originou de algo que foi desligado do seu centro. Quando você fez isso, se desconectou do centro do seu ser, e suas ações se desalinharam da Fonte e passaram pela escuridão e esquecimento. Assim, se você pega o que deve ser perdoado, e você traz para o núcleo da estrela e mantém lá, rodeado e impregnado de amor, você pode voltar à luz através desse amor. Escontrará o  seu objetivo original, que surgiu a partir do seu centro. Quando você encontrá-lo, você pode retomar a criação original. Porque ao encontrá-lo, envolvê-lo e permeá-lo de amor, você vai encontrar o perdão em seu interior. Agora eu vou lhe dar alguns breves momentos para induzir perdoar a si mesmo desta maneira.
Quando esse perdão fluir em  todo o seu ser, você vai encontrar-se automaticamente perdoando as outras pessoas que podem estar envolvidos nesta situação particular que reclama o perdão".

domingo, 10 de abril de 2011

Dois hemisférios, duas mentes...

Esse artigo também poderia se chamar Derrame e Iluminação. É um relato, feito na primeira pessoa, da tocante e expressiva experiência de um derrame, ou AVC (acidente vascular cerebral) sofrido pela Drª Jill Bolte Taylor, neuro-anatomista americana em 96. Ela relata passo a passo a sua própria experiência como médica e paciente ao mesmo tempo, como especialista da área, que é. Sujeito e objeto. Ela consegue então tocar um dos segredos do Invisível que é: “como somos e funcionamos interiormente nas duas mentes que estão anatomicamente relacionadas com os lados direito e esquerdo do cérebro". Se quiser uma mostra disso, veja a conhecida imagem da bailarina girando para um lado ou outro, conforme o lado do cérebro que a está focalizando. Se quiser ver clique aqui.
Nestes tempos confusos de Kali Yuga em que estamos procurando a Verdade, o Centro, a Consciência, a Alquimia da nossa natureza e do mundo, o relato da Drª Jill é um achado para qualquer buscador, vidente ou nagual empenhado com impecabilidade na busca interior do "Si Mesmo", seja um xamã como Castaneda, um estudioso do xamanismo ou meditação, ou qualquer um de nós mortais.
Ela é um desses raros profissionais atuais empenhados em juntar a tecnologia de ponta da Medicina com o Espírito. Ela diz:
"Comecei a estudar o cérebro porque  tenho um irmão diagnosticado com uma disfunção cerebral, a doença chamada esquizofrenia. E como irmã e cientista,  queria entender como  faço para  os meus sonhos se conectarem com a realidade e se tornarem verdade – o que é  que acontece com o cérebro de meu irmão e sua esquizofrenia, que ele não consegue conectar sua imaginação com o mundo real, e então ele se torna um doente.
Eu dediquei minha carreira às pesquisas sobre doenças mentais graves. Mudei-me de minha casa em Indiana para Boston, onde trabalhava no laboratório do Dr. Francine Benes, no departamento de Psiquiatria de Harvard. E, no laboratório, nós nos perguntávamos uma questão: Quais são as diferenças biológicas entre os cérebros de indivíduos diagnosticados como normais em comparação com os que são diagnosticados com esquizofrenia, ou transtorno bipolar?
Estávamos mapeando os micro-circuitos do cérebro, quais células estão se comunicando com quais células, através de quais elementos químicos e em que quantidade. Então havia muito sentido nesse meu tipo de vida, porque estava fazendo esse tipo de pesquisa durante meu trabalho. Durante a noite e nos finais de semana eu viajava pela NAMI (National Alliance on Mental Illness)
Na manhã de dia 10 de Dezembro de 1996  acordei e descobri que  tinha um distúrbio no cérebro: um vaso sanguíneo explodiu no lado esquerdo do meu cérebro. E durante quatro horas observei meu cérebro se deteriorar completamente em suas habilidades em processar qualquer informação. Na manhã da hemorragia eu não conseguia andar, falar, ler, escrever ou me lembrar da minha vida. Eu me tornei um recém-nascido no corpo de uma mulher adulta.
Se você já viu um cérebro humano, fica óbvio que os dois hemisférios são completamente separados um do outro”. Ela mostra um cérebro humano e diz: “aqui é a frente do cérebro, a parte de trás com o cordão espinhal pendurado e assim é como está posicionado dentro da minha cabeça. "E quando você observa o cérebro, é óbvio que os dois hemisférios são completamente separados um do outro. Para quem entende de computadores, nosso lado direito funciona como um processo paralelo. Já o nosso lado esquerdo funciona como um processador serial. Os dois hemisférios se comunicam através do corpus callosum, que é constituído de 300 milhões de fibras. Mas sem contar isso, eles são completamente separados. Como eles processam informação de forma diferente, cada lado do cérebro pensa em coisas diferentes, se importa com coisas diferentes – e posso dizer que têm "personalidades" diferentes.
Nosso hemisfério direito é todo focado neste momento presente, sobre aqui e agora. Ele pensa em imagens e aprende cinestesicamente (consciência corporal) através dos movimentos do corpo. Informação em forma de energia corre simultaneamente por todo nosso sistema sensorial. E então explode nessa enorme imagem (colagem) sobre o que significa o momento presente. Quais os cheiros desse momento, os gostos, como é sentido e como é escutado. Eu sou um ser de energia conectado com toda a energia a minha volta por essa consciência do agora do lado direito do meu cérebro. Nós somos seres de energia conectados uns aos outros através da consciência do hemisfério direito como uma única família humana. E nesse momento, agora mesmo, todos somos irmãos e irmãs nesse planeta e estamos aqui para fazer o mundo melhor. E esse momento é perfeito. Nós estamos unidos. E somos maravilhosos.
Já o meu lado esquerdo é um lugar bem diferente. Nosso lado esquerdo pensa de forma linear e metódica. Ele pensa sobretudo em nosso passado, e também no futuro. O hemisfério esquerdo é desenhado para pegar essa enorme imagem desse exato momento e capturar mais detalhes e mais detalhes e ainda mais detalhes sobre os detalhes. Então ele classifica e organiza todas essas informações. Associa isso com tudo que aprendeu no passado e projeta todas as possibilidades disso para o futuro. E nosso lado esquerdo pensa na linguagem. É esse fluxo constante de informação do cérebro que conecta meu mundo interno com meu mundo externo. É aquela voz dentro da gente que me diz: "Você precisa se lembrar de comprar algumas bananas quando voltar para casa, e comê-las pela manhã". É essa inteligência calculista que me lembra que tenho de lavar minhas roupas. Mas, o mais importante, é que essa voz me diz: "Eu sou fulano (a). Eu sou fulano." E, no momento em que meu hemisfério esquerdo me diz "Eu sou eu" eu me torno separado do mundo. Eu me torno um indivíduo separado do fluxo de energia à minha volta e me separo de você.
E essa foi a parte do meu cérebro que eu perdi na manhã do meu derrame.
Nessa manhã, acordei com uma dor pulsante no meu olho esquerdo. E era uma dor do tipo causado por aquelas mordidas em sorvete. E a dor vinha e desaparecia, vinha e desaparecia e era muito estranho para mim, sentir qualquer tipo de dor e então eu pensei: OK. Vou simplesmente seguir com minha rotina normalmente. Então eu fui até meu aparelho de ginástica, que é uma máquina que exercita todo o meu corpo. E eu estava me exercitando nele quando me dei conta de que minhas mãos pareciam com garras primitivas segurando na barra do aparelho. Pensei: "Isso é muito incomum" e então olhei para  meu corpo todo e pensei "Nossa, eu sou um ser esquisito". Isso foi como se minha consciência tivesse mudado da minha percepção normal da realidade, em que sou uma pessoa em um equipamento tendo uma experiência, para algo esotérico, onde eu era um espectador de mim mesmo tendo essa experiência.
Isso tudo foi muito incomum e minha dor de cabeça estava piorando, então saí do equipamento de ginástica e fui andando pela minha sala e percebi que tudo dentro do meu corpo estava lento, cada passo era muito firme e deliberado. O meu passo não fluía normalmente e tinha esse aperto na área de minhas percepções e eu estava focada nos meus sistemas internos. Então estou dentro do meu banheiro começando a tomar banho e eu podia ouvir o diálogo dentro do meu corpo, eu ouvi aquela voz dizendo "Músculos, agora é hora de contrair, músculos, esse é o momento de relaxar"
Perdi meu equilíbrio e me apoiei na parede. Olhei para baixo na direção do meu braço e percebi que não conseguia mais definir os limites do meu corpo, onde eu começava e onde eu terminava; porque os átomos e moléculas do meu braço estavam misturados com os átomos e moléculas da parede e tudo o que eu conseguia perceber e notar era a energia. Energia. E me perguntei: "O que está acontecendo comigo?" e nesse momento toda a "conversa" (no sentido de informação) do meu cérebro, do hemisfério esquerdo do meu cérebro, entrou em profundo silêncio, como alguém que pega um controle remoto e aperta o botão mudo – silêncio interior total.
No primeiro momento me senti chocada ao me sentir com a mente em total silêncio. Mas imediatamente me senti atraída pela magnífica energia à minha volta. E porque eu não conseguia identificar as fronteiras do meu corpo me senti gigante e expansiva, me senti como toda a energia é – e era muito bonito aquilo.
De repente o meu hemisfério esquerdo acordou e me disse: "Ei, nós temos um problema, e precisamos buscar ajuda" e era como, OK, OK, eu tenho um problema, mas eu voltava a essa consciência que eu carinhosamente dei o nome de La La Land (a terra do lá lá lá), e era lindo lá. Imagine estar completamente desconectado das informações no seu cérebro que o conectam com o mundo exterior. Então aqui estou nesse espaço e não existe nenhuma preocupação comigo, com o meu trabalho, tudo sumiu e eu me senti mais leve no meu corpo e imagine todos as suas relações com o mundo exterior e as várias preocupações relacionadas com elas, tudo tinha desaparecido. Senti uma sensação de paz e imagine o que seria sentir perder 37 anos de bagagem emocional! Senti euforia. Euforia é maravilhoso – e então meu hemisfério esquerdo voltou e disse: "Ei, você precisa prestar atenção, precisamos encontrar ajuda" e pensei "Vou conseguir ajuda, vou focar nisso" Saí do chuveiro, me vesti e andando pelo meu apartamento estava pensando "Eu preciso ir trabalhar, preciso ir trabalhar. Eu consigo dirigir? Eu consigo dirigir?"
Foi nesse momento que meu braço direito ficou paralisado e pensei "Ó meu Deus! Estou tendo um derrame! Estou tendo um derrame!" e a próxima coisa que meu cérebro me disse foi "Nossa! Isso é legal, isso é legal. Quantos neurocientistas têm a oportunidade de estudar seu próprio cérebro do lado de dentro?"
Mas veio algo em minha mente: "Sou uma mulher ocupada. Não tenho tempo para um derrame!" e era como se eu me dissesse: "OK, eu não posso parar o derrame, então vou fazer isso por uma semana ou duas e voltar a minha rotina"
Eu tinha que chamar ajuda, precisava ligar para o meu trabalho. Não conseguia me lembrar do número do telefone, me lembrei que em meu escritório em casa tinha um cartão com o número. Fui ao meu escritório e encontrei vários cartões juntos e estava olhando para o primeiro cartão e,embora eu conseguisse ver em minha mente como meu cartão era, eu não conseguia dizer se aquele era meu cartão ou não, porque tudo que eu conseguia ver eram pontos (pixels). E os pontos das letras se misturavam com os pontos do fundo e dos símbolos e eu não entendia. Teria que esperar um momento de clareza e então eu poderia saber qual era o cartão. Demorou 45 minutos para isso acontecer.
Nesses 45 minutos a hemorragia foi crescendo no meu cérebro, eu não entendia números, não entendia o telefone, mas esse era o único plano que eu tinha. Peguei o teclado do telefone e coloquei  o cartão ali, coloquei ali e  estava tentando combinar as formas no cartão com as formas no telefone. Só que em breve eu voltaria para a La La Land e não me lembraria qual número eu tinha discado ou não.
Tive que usar meu braço paralisado para cobrir os números à medida que os apertava, dessa forma eu saberia qual número tinha discado ou não. Consegui em certo momento discar todos os números e estava escutando o telefone e um colega meu atendeu e me disse: "Whoo, woo, wooo woo woo" Então pensei comigo "Meu Deus, ele parece um cachorro!" Então eu pensei claramente na minha mente "Aqui é a Jill! Eu preciso de ajuda!" E o que saiu da minha voz foi "Whoo woo wooo woo woo" Pensei "Oh Meu Deus, eu que pareço um cachorro" Assim eu não podia saber se eu não conseguia falar ou entender a linguagem humana.
Então ele percebeu que eu precisava de ajuda e me ajudou. Pouco tempo depois eu estava em uma ambulância indo de um hospital para outro, então eu me senti em uma pequena bola fetal e como um balão com somente um resto de ar dentro, senti minha energia me abandonar e senti meu espírito se rendendo. E nesse momento eu percebi que não era mais o coreógrafo da minha vida e nem os médicos que me resgataram e me deram uma segunda chance ou esse era talvez um momento de transição.
Quando eu acordei no final da tarde, fiquei chocada em descobrir que ainda estava viva. Quando senti meu espírito se rendendo, disse adeus à minha vida, e a minha mente estava agora suspensa entre dois planos opostos da realidade. Os estímulos que me chegavam me causavam dor. A luz queimava o meu cérebro como fogo e os sons eram tão altos e caóticos que eu não conseguia separar uma voz do som de fundo e só queria sair dali. Porque eu não conseguia identificar a posição do meu corpo no espaço, me sentia enorme e expansiva, como um gênio que acabou de ser libertado de sua lâmpada. E meu espírito parecia livre como uma baleia, navegando pelo oceano do silêncio eufórico. Harmonioso. Me lembro de pensar que não haveria como eu espremer novamente esse meu Eu enorme dentro daquele pequeno corpo.
E percebi: "Eu ainda estou viva! Ainda estou viva e encontrei o Nirvana. Encontrei o Nirvana e ainda estou viva, então todos que estão vivos podem encontrar o Nirvana". Imaginei um mundo cheio de beleza, paz, compaixão e pessoas que sabem que podem ir para aquele espaço na hora que quiserem e que  podem escolher de forma proposital sair (mudar) do lado direito do cérebro para o esquerdo e encontrar a paz. E então percebi que tremendo presente essa experiência poderia ser, que um derrame poderia mudar o modo como vivemos nossas vidas e isso me motivou a me recuperar.
Duas semanas e meia após minha hemorragia, os cirurgiões removeram um coágulo do tamanho de uma bola de golf que estava pressionando o meu centro de linguagens no cérebro. Aqui estou eu com minha mãe, que é um verdadeiro anjo na minha vida. Demorou oito anos para eu me recuperar.
Então, quem somos nós? Nós somos a força de vida poderosa do Universo, com habilidades manuais e duas mentes. E nós temos o poder de escolher, a cada momento, quem e como nós queremos ser no mundo. Aqui e agora, nós podemos entrar no nosso lado direito do cérebro – Eu sou – a força de vida poderosa do Universo, e a força poderosa de 50 trilhões de belas moléculas que me dão forma. Como um em tudo que é. Ou eu posso escolher pular para o lado esquerdo do meu cérebro, onde eu me torno um único indivíduo, sólido, separado de todo o fluxo, separado de você. Eu sou a Drª Jill Bolte Taylor, intelectual, neuro-anatomista. Esses são o "nós" dentro de mim.
O que você vai escolher? E quando? Acredito que quanto mais tempo escolhermos entrar nos profundos e pacíficos circuitos do nosso lado direito do cérebro, mais paz nós vamos projetar para o mundo e mais pacífico nosso planeta será. E eu acho que é essa idéia que deveria ser espalhada."



Atenção: Embreve vanos publicar o vídeo da Drª Jill. Tocante e bem humorado. Aguardem

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Os voadores

O tema dos Voadores, ou Sombras de Barro na obra de Castaneda e discípulos, é um dos mais obscuros e intrigantes das tradições do xamanismo tolteca, interessados na busca interior dos seres humanos. Ele fala de uma limitação misteriosa imposta ao desenvolvimento da percepção, consciência e potencialidades dos humanos neste planeta, em algum momento da sua evolução.
A literatura antropológica mundial não registra  informações sobre o tema. Já a chamada literatura esotérica tradicional apresenta, mas de forma não estruturada, alguns conceitos mais familiares ao tema.
É o que vemos principalmente na tradição xamânica, pelo fato de não ser racional mas sim pragmática, de ação. Ela aborda a natureza e o universo de uma forma empírica e prática, e não tem receios de parecer ilógica quando age sem mesmo entender mentalmente a natureza das energias com as quais está entrando em contato ou manipulando. Este mundo é um mistério, dizia Don Juan a Castaneda batendo com o pé no chão.
Quem já teve contato com algumas dessas tradições e rituais, seja na Amazônia, Sibéria, África, Oceania, América ou outros lugares, já ouviu falar de entidades não físicas (não orgânicas) indesejáveis que atormentam os seres humanos e se aproveitam de forma predadora da sua energia e consciência. É o caso também do espiritismo kardecista e de outras linhas de trabalho animistas que afirmam a mesma coisa. Os voadores são uma dessas entidades.
Gurdjieff, em sua obra, fala do kundabuffer, uma junção das palavras Kundalini e buffer (amortecedor, em inglês) algo que foi introduzido temporariamente, para um fim específico, na mente humana em algum período na humanidade e por alguma razão não conhecida ficou permanente. O aparato então cria um amortecedor entre o ser humano e a realidade. A sua percepção da realidade fica filtrada e não mais direta. Os toltecas chamavam o mecanismo de desnate, uma distorção da realidade ensinada a nós pelos adultos desde que somos bebês. O hinduísmo chama o resultado final obtido de véu de Maya. Por isso somos vulneráveis e portanto parasitados e predados. 
Temos que desconstruir o aparato se quisermos atingir a liberdade e ver a realidade como ela é, sem interpretações do filtro que nos foi imposto. No livros de Carlos Castaneda, principalmente Passes Mágicos essa passagem é explicada, inclusive com práticas para tentar neutralizá-la.
O Xamanismo em todas as tradições do planeta coloca isso como o resultado de o universo em que vivemos ser um ambiente altamente predatório, com seres mais fortes se alimentando dos mais fracos ou inexperientes. Nós seres humanos estamos em estado de sítio, dizia Don Juan na obra tolteca. Há um complô em andamento e nós ficamos dormindo como sei-lá-o-quê. Temos que aprender a escapar disso.
O corpo de dor, de Eckhart Tolle no livro Despertar de Uma Nova Consciência é uma entidade que lembra muito os voadores se alimentando e se fortalecendo com as nossas emoções negativas.
Os xamãs, ou videntes do Antigo México, com grande persistência e, quando em estados de consciência intensificada, estudaram esses seres predadores a ponto de estabelecer uma classificação, como está explicado extensamente nas obras a respeito.
O relato é aterrador e a maioria dos leitores fica entre o ceticismo e a crença de que há um certo exagero nas afirmações. O próprio Castaneda, apesar do contato com o fato, e da magistral condução de Don Juan, demorou muito para tomar consciência da situação deplorável a que estamos submetidos. Todos. Sem exceção.
Para o buscador sério fica clara a urgência do fato de que nós não temos tempo. Temos que iniciar o trabalho agora, neste mesmo instante em que estamos lendo esse texto.
Sobre essa falta de tempo, Don Juan, em A Porta para o Infinito dizia:
- Um ser imortal tem todo o tempo do mundo para dúvidas e confusão e medos. Um guerreiro, por outro lado, não pode se agarrar aos significados obtidos sob a ordem do tonal que é contaminado com essa interpretação da realidade, pois ele sabe que a totalidade dele só tem pouco tempo nesta Terra.
- Você tem de se esforçar ao máximo, o tempo todo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Energia Sexual e os videntes toltecas

A energia sexual é um tema de natureza oculta e portanto sempre resistiu a ser submetida aos processos de análise e entendimento das diversas culturas. Ela sempre provoca uma discordância, senão um conflito entre os aprendizes e mesmo “mestres” das “escolas” de trabalho interior.
É considerada pelas tradições genuínas como a própria energia da criação do Universo, e portanto tingida pelo mesmo mistério primordial do nascimento, existência e finalidade do cosmos.
Os círculos mais esotéricos das tradições, que apropriadamente a compreendem  como uma energia neutra e portanto sem conotações de bem ou mal, obviamente não tem meios de passar esse conceito de entendimento para os níveis exotéricos (exteriores) do grupo social . Isso fica então, infelizmente, a cargo das religiões, culturas, escolas, famílias e demais grupos de “socialização”, que passam a mensagem sempre acompanhada das noções de moral, controle social, culpa, julgamento e penas pelo que consideram o seu “mau uso”. Sem falar no poder disfarçado desejado e exercido por esses grupos através do “ensinamento”.
Os toltecas, ou os Videntes do Antigo México, uma tradição comparável às mais antigas do planeta, e da qual Castaneda é o expoente mais conhecido atualmente, tem uma visão muito particular e precisa sobre a energia sexual. Ela é exposta nos 12 livros que compõem a obra, e mais 3 dos aprendizes diretos (Florinda Donner-Grau, Taisha Abelar e o índio Armando Torres).
De acordo com essa visão, há dois conceitos importantes que irão definir o que fazer para usar de forma adequada a energia sexual, com vistas ao desenvolvimento interior:
  • Primeiro: não há uma “questão sexual” genérica, mas casos particulares individuais conforme se a pessoa foi ou não gerada por uma relação sexual energética (amorosa) ou aborrecida (habitual) de seus pais. Nesta última hipótese a pessoa terá pouca energia para usar no seu desenvolvimento interior e deverá então economizar a pouca energia que tem, de preferência praticando o celibato. Na outra hipótese, não.
  • Segundo: há também uma diferença de tipo, se você for, por natureza, ou um sonhador (ou contemplativo) ou um espreitador (ou ativo). No primeiro caso o aprendiz deve economizar a energia, no segundo não é necessário. Aqui se compreende a inutilidade das teorias modernas dos "sexólogos" divorciada da tradição de trabalho interior.
Don Genaro dizia jocosamente a Castaneda (O Fogo Interior, pag. 65) que ele era um caso de celibato:
"- O nagual Julian costumava afirmar que fazer sexo é uma questão de energia - começou Genaro. - Por exemplo, ele nunca tinha quaisquer problemas em fazer sexo, porque possuía enormes quantidades de energia. Mas olhou para mim e determinou imediatamente que "o meu pinto era apenas para mijar". Disse-me que meus pais estavam muito aborrecidos e muito cansados quando me fizeram; disse que eu era o resultado de uma relação muito aborrecida, uma "cojida aburrida".
O que compete a cada um parece ser "como estrategicamente descobrir qual é o seu tipo individual", e agir da forma mais impecável conforme o caso, economizando (ou não) a energia, e canalizando-a para o seu desenvolvimento interior.

sábado, 30 de outubro de 2010

A Morte como conselheira

A morte é a única coisa que modera os nossos espíritos.
Por mais que fujamos do assunto, a morte é um tema central das tradições autênticas do trabalho interior, como a dos videntes toltecas do Antigo México a exemplo das outras tradições antigas genuínas como o budismo, cristianismo, islamismo, hinduismo, o judaísmo, o taoísmo, a egípcia, etc..
Aparentemente diferentes na forma exterior e ritos, para o observador atento, todas essas tradições revelam porém um eixo comum de pressupostos, conceitos e portanto da própria essência de que ele é formado. A idéia da morte sempre está presente no eixo do conceito das tradições de busca interior.
Qual será a razão? Porque uma idéia tão negativa, desconfortante e desafiadora para nós, é acatada por todas as tradições como tão importante? Mesmo a tradição cristã tinha um ritual chamado A Boa Morte, simulando concretamente o bardo da passagem de um estado para outro, como faz a Maçonaria e outras tradições, mas logo se apressaram a excluí-lo das práticas cristãs nas igrejas. É muito mais confortável violão na Missa. Muito mais maneiro, mais políticamente correto. Morte está fora de moda...
Uma perda, meus caros. Uma perda...
A visão tolteca da morte apresentada por Don Juan na obra de Castaneda, porém, dá indícios dessa importância e acrescenta pontos inesperados de compreensão a partir da nossa mente habitual.
Como aprendizes desta tradição, somos desafiados a não só encará-la de frente sem medos nem escapes mas, o que é mais desconcertante, devemos nos aproximar da Morte como uma amiga e conselheira!
Para um ocidental, que desconhece a impermanência das coisas, criado numa paisagem que valoriza o sucesso, a propriedade, o ter ao invés de ser, a idéia é inaceitável. É a antítese da vida. O avesso do avesso como diz o Caetano.  O ocidental, porém, não percebe que esses valores comuns e corriqueiros reforçam a idéia de que eu sou imortal, de que a morte é sempre a dos outros e não a minha. No máximo ela me incomoda mais de perto quando leva um amigo, um parente próximo, mas em seguida estamos refeitos. Basta umas boas férias. E como "imortais que somos", nunca estamos preparados para o espetáculo da nossa morte individual, específica, pessoal como no Bardo Thodol, o livro da morte tibetano. Porque "imortal não tem que se preparar para nada, ora"...  Nem aprendemos o que fazer nessa hora da passagem. Muito menos durante e depois.
Para o aprendiz tolteca, rompida essa barreira pela aproximação voluntária com a morte, somos instigados depois a usá-la consistente e disciplinadamente como instrumento crucial de despojamento rotineiro do ego e de desapego dos valores socialmente aprendidos. Só então poderemos abrir uma brecha na nossa estrutura cristalizada de hábitos, história pessoal e auto-importância de seres comuns. Isso é essencial para o aprendizado da liberdade.
É um desafio monumental.
Os 12 livros que compõem a obra de Castaneda, mais os três outros dos seus seguidores definem os contornos do conceito da morte na visão tolteca e fornecem visões sugestivas, contam fatos e feitos dos guerreiros, e nos jogam no meio de uma fogueira de idéias inesperadas e instigantes.
Castaneda disse uma vez a através de Armando Torres, índio descendente dos toltecas, bruxo e escritor, que a árvore da qual será construído o nosso caixão, provavelmente já foi cortada...já pensou nisso?
Don Juan dizia a Castaneda que não há poder que garanta que você vai viver mais um minuto. E que a sua morte individual está do seu lado esquerdo à distância de um braço. Aprenda a conversar com ela. Peça conselhos nas horas difíceis.
Na melhor das hipóteses, temos pouco tempo...então o que fazemos?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Mestria da Consciência

No esquema de ensino dos toltecas do Antigo México, o qual foi desenvolvido por homens de conhecimento, ou feiticeiros, em tempos antigos, havia duas categorias de instrução. Uma era chamada "ensinamentos para o lado direito", desenvolvida no estado normal de consciência. A outra era chamada "ensinamentos para o lado esquerdo" , posta em prática apenas em estados de consciência intensificada obtidos a partir de instruções disciplinadas e severas..
Essas duas categorias permitiam que os instrutores ensinassem a seus aprendizes em três áreas de habilidades: a mestria da consciência, a arte da espreita e a mestria do intento.
    Essas três áreas de habilidade, são os três enigmas que os feiticeiros encontram em sua busca ao conhecimento.
•    A mestria da consciência é o enigma da mente a perplexidade que os feiticeiros experimentam quando reconhecem o espantoso mistério e propósito da consciência e da percepção.
•    A arte da espreita é o enigma do coração o desconcerto que os feiticeiros sentem ao se tornarem conscientes de duas coisas: primeiro, que o mundo parece para nós inalteravelmente objetivo e factual, por causa das peculiaridades de nossa consciência e percepção, e segundo, que se diferentes peculiaridades de percepção entram em jogo, as próprias coisas do mundo que parecem tão inalteravelmente objetivas e factuais mudam.
•    A mestria do intento é o enigma do espírito, ou o paradoxo do abstrato - os pensamentos e ações dos feiticeiros projetados além de nossa condição humana.

A instrução de Don Juan, nagual tolteca, quanto à arte da espreita e à mestria do intento dependia de sua instrução sobre a Mestria da Consciência, que era a pedra fundamental de seus ensinamentos, que consistem das seguintes premissas básicas:
1.    O universo é uma aglomeração infinita de campos de energia, semelhantes a filamentos de luz
2.    Esses campos de energia, chamados de "emanações da Águia" , radiam de uma fonte de proporções inconcebíveis, denominada Águia, ou O Mar Escuro da Consciência. É uma metáfora para exprimir o mistério do Ser, da Vida, da Consciência.
3.    Os seres humanos também são compostos de um número incalculável dos mesmos campos de energia filamentosos. Essas emanações da Águia formam uma aglomeração encapsulada que se manifesta como uma bola de luz do tamanho do corpo da pessoa com os braços estendidos lateralmente, como um ovo luminoso gigante
4.    Apenas um grupo muito pequeno de campos de energia no interior dessa bola luminosa são acesos por um ponto de intenso brilho localizado na superfície da bola
5.    A percepção como a conhecemos, ocorre quando os campos de energia desse pequeno grupo imediatamente ao redor do ponto de brilho estendem sua luz para iluminar campos de energia idênticos no exterior da bola. Uma vez que os únicos campos de energia perceptíveis são aqueles iluminados pelo ponto brilhante, esse ponto é chamado "o ponto onde a percepção é aglutinada" , ou simplesmente "o ponto de aglutinação" (em espanhol foi melhor traduzida por punto de encaje - ponto de encaixe)
6.    O ponto de aglutinação pode ser movido de sua posição usual sobre a superfície da bola luminosa para outra posição na superfície ou no interior. Uma vez que o brilho do ponto de aglutinação pode iluminar qualquer campo de energia com o qual entrar em contato, quando se move para uma nova posição ilumina de imediato novos campos de energia, tornando-os perceptíveis. Esta percepção é conhecida como “ver”, que é a visão dos videntes, ou seja, “aqueles que vêem a energia diretamente como ela flui no universo”, sem o aparato da “percepção já interpretada” ensinado pelo consenso social dos adultos, a nós quando crianças.desde o berço.
7. Quando o ponto de aglutinação se desloca, torna possível a percepção de um mundo inteiramente diferente – tão objetivo e factual como aquele que normalmente percebemos. Os homens de conhecimento entram nesse outro mundo para obter energia, poder, soluções para problemas gerais e particulares, ou para encarar o inimaginável
8.    O Intento, outra energia consciente formidável do Universo, (mal traduzido por intenção), é a força que nos faz perceber. Não nos tornamos conscientes porque percebemos, antes, percebemos como resultado da pressão e intrusão do intento
9. O objetivo dos homens de conhecimento é atingir um estado de consciência total de modo a experimentar todas as possibilidades de percepção disponíveis ao homem. Esse estado de consciência implica mesmo uma maneira alternativa de morrer, diferente dessa comum que conhecemos. Isso foi assim não só com os Toltecas, mas com os Egípcios, os Maias e muitas outras tradições.

Adaptado de O Poder do Silêncio, Carlos Castaneda

sábado, 23 de outubro de 2010

O Diálogo Interno

Os temas O Diálogo Interno e o Silêncio Interior estão estreitamente relacionados: um é a antítese do outro, como qualquer praticante sério e dedicado já deve ter experimentado.
Todas as tradições autênticas admitem os dois temas como centrais no seu ensinamento, pois a supressão deste diálogo automático que se passa na mente humana para, então, se obter o silêncio interior, é a condição sine qua non para o Ser Humano atingir a libertação do seu estado de mecanicidade (sono).

O Quarto Caminho de Gurdjieff  é um dos que trabalha o tema exaustivamente nas práticas na calma, ou também chamada de meditação, ou contemplação. Outro é o caminho dos videntes toltecas. Videntes porque eles aprendiam a “ver” diretamente a energia fluindo no universo, sem a barreira da interpretação.
Obtido o Silêncio Interior, o próximo passo é o Conhecimento Silencioso, estado em que o conhecimento acumulado disponível no mundo desde sempre (akasha), pode ser acessado diretamente sem passar pelo mental. Cogita-se que foi assim que conhecimentos complexos e metafísicos como o mapa dos meridianos de Acupuntura, os chakras, sua localização e cores, o mapa do corpo energético, visões do futuro e passado da humanidade foram sendo conhecidos. E é assim que um verdadeiro xamã acessa os conhecimentos de medicina e cura. Não há possibilidade estatística de esse conhecimento ter sido adquirido aleatoriamente, por tentativa e erro como a ciência ocidental insiste em afirmar. Afirmar nisso é como  acreditar que  se amarrarmos um chimpanzé num piano e deixá-lo brincar com as teclas até que aleatoriamente ele consigue compor a Quinta Sinfonia de Beethoven. Never. A probabilidade é zero, mesmo em bilhões de anos!

Castaneda disse no seu incrível livro ‘Porta para o Infinito’ :

“- No princípio de nossa ligação, Don Juan esboçara outra técnica para parar o diálogo interno: é caminhar longos trechos sem focalizar os olhos em coisa alguma.
Ele recomendara que eu não olhasse para nada diretamente, mas que, envesgando ligeiramente, eu tivesse uma visão periférica de tudo o que se apresentasse à vista. Ele insistira em dizer, embora na ocasião eu não o entendesse, que, se a pessoa conservasse os olhos não focalizados num ponto logo acima do horizonte, seria possível observar, de uma só vez, tudo no campo de visão de quase 180 graus diante de seus olhos.
Ele me assegurara que esse exercício era o único meio de impedir o diálogo interno. Ele costumava indagar a respeito de meu progresso e depois parou de falar nisso.
Eu disse a Don Juan que praticara a técnica durante anos, sem observar qualquer modificação, mas também não esperava modificação alguma. Um dia, porém, verifiquei, aturdido, que acabava de andar durante 10 minutos, sem ter dito uma palavra a mim mesmo.
Contei a Don Juan que naquela ocasião eu também tive a noção de que parar o diálogo interno implicava algo mais do que simplesmente cancelar as palavras que eu me dizia. Todo o meu processo de pensar havia parado e eu me sentira praticamente suspenso, flutuando. Essa noção me provocara uma sensação de pânico e tive de recomeçar meu diálogo interno, como antídoto.
"- Já lhe disse que o diálogo interno é o que nos prende à Terra - disse Don Juan. - O mundo é isso e aquilo somente porque falamos conosco dizendo que ele é isso e aquilo.
Don Juan explicou que a passagem para o mundo dos feiticeiros se abre depois que o guerreiro aprende a parar o diálogo interno.
- Modificar nossa concepção do mundo é o ponto nevrálgico da feitiçaria - disse ele. - E parar o diálogo interno é o único meio de conseguir isso. O resto é só enchimento. Agora você está em condições de saber que nada do que você viu ou fez, com a exceção de ter parado o diálogo interno, poderia só por si ter modificado alguma coisa em você, ou em sua concepção do mundo.”