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domingo, 20 de julho de 2014

O ciclo de sete anos

Em postagens passadas falamos muito do número 7 e da sua influência no mundo em que vivemos. Mesmo que não tivéssemos falado, qualquer pessoa atenta já teria percebido a sua influência nas vibrações, cores do espectro, notas musicais, medicina oriental, teosofia, alquimia, e por aí afora.
No tempo da nossa existência esses ciclos também existem.

"A vida tem círculos de sete anos, ela se move em círculos de sete anos exatamente como a terra faz uma rotação em seu eixo em vinte e quatro horas. Ninguém sabe porque não são nem vinte e cinco nem vinte e três horas. Não há nenhum jeito de se responder isso. É simplesmente um fato. Assim, não me pergunte porque a vida se move em círculos de sete anos. Eu não sei. O máximo que eu sei é que ela se move em círculos de sete anos. E se você compreender esses círculos de sete anos, você compreenderá uma grande coisa sobre o crescimento humano.
Os primeiros sete anos são os mais importantes porque os alicerces da vida estão sendo assentados. É por isso que todas as religiões estão muito preocupadas em agarrar as crianças o mais rápido possível. Os judeus circuncidam as crianças. Que bobagem! Mas eles estão carimbando a criança como uma judia. Essa é uma maneira primitiva de carimbar. Ainda se faz isso com o gado aqui nas redondezas.  
Aqueles primeiros sete anos são os anos em que você é condicionado, é preenchido com todos os tipos de idéias que irão atormentá-lo ao longo de toda a sua vida, que irão distraí-lo de sua potencialidade, que irão corrompê-lo, que nunca irão lhe permitir ver claramente. Elas sempre virão como nuvens diante de seus olhos e irão fazer com que tudo fique confuso. As coisas são claras, muito claras. A existência é absolutamente clara. Mas os seus olhos têm camadas e mais camadas de poeira. 
E toda essa poeira foi arranjada nos primeiros sete anos de sua vida, quando você era tão inocente, tão confiante, que qualquer coisa que lhe fosse dita você aceitava como sendo verdadeira. E mais tarde, será muito difícil você descobrir tudo aquilo que entrou em seus alicerces. Terá se tornado quase parte de seu sangue, ossos, de sua própria medula. Você perguntará mil outras questões, mas você nunca perguntará a respeito dos alicerces básicos de suas crenças. 
A primeira expressão de amor para com a criança é deixá-la absolutamente inocente em seus primeiros sete anos, sem condicionamento, deixá-la por sete anos completamente selvagem, uma pagã. Ela não deveria ser convertida ao hinduismo, ao islamismo, ao cristianismo. Qualquer um que esteja tentando converter a criança, não tem compaixão, é cruel, está contaminando a própria alma de um viçoso recém-chegado. Antes mesmo que a criança tenha formulado perguntas, ela já terá recebido respostas com filosofias , dogmas e ideologias pré-fabricadas. Essa é uma situação muito estranha. A criança não perguntou a respeito de Deus e você já está lhe ensinando.  Por que tanta impaciência? Espere!
 Se algum dia a criança demonstrar interesse por Deus e começar a perguntar a respeito, então tente dizer a ela não apenas a sua idéia sobre Deus, porque ninguém tem qualquer monopólio. Coloque diante dela todas as idéias de Deus que estiveram presentes em diferentes povos, em épocas diferentes, por religiões, culturas e civilizações diferentes. E lhe diga: 'Você pode escolher dentre essas aquela que mais lhe atrai. Ou você pode inventar a sua própria, se nenhuma estiver adequada. Se todas lhe parecerem defeituosas, e você achar que pode ter uma idéia melhor, então invente a sua própria. Ou se você achar que não há jeito de inventar uma idéia sem falhas, então abandone toda essa história, ela não é necessária. Um homem pode viver sem Deus.' 
Não há qualquer necessidade de que o filho tenha que concordar com o pai. Na verdade parece muito melhor que ele não tenha que concordar. É assim que a evolução acontece. Se toda criança concordar com o pai, então não haverá qualquer evolução, porque o pai terá concordado com seu próprio pai, e todo mundo estará no ponto em que Deus deixou Adão e Eva: nus e expulsos do jardim do Éden. Todo mundo estará lá. O homem tem evoluído porque os filhos têm discordado de seus pais, dos pais de seus pais e de todas as tradições. Toda essa evolução é uma tremenda divergência com o passado. Quanto mais inteligente você for, mais você irá discordar. Mas os pais valorizam as crianças que concordam e condenam as que discordam.
Até os sete anos, se a criança puder ser deixada inocente, não corrompida pelas idéias dos outros, assim tornar-se-á impossível distraí-la de seu crescimento potencial.Os primeiros sete anos da criança são os mais vulneráveis. E elas estão nas mãos dos pais, dos professores, dos padres....
Como defender as crianças dos pais, dos padres e dos professores é uma questão de tamanha proporção que parece quase impossível de se fazer. Não é uma questão de ajudar a criança. A questão é proteger a criança. Se você tiver uma criança, proteja-a de si mesmo. Proteja a criança dos outros que possam influenciá-la, pelo menos até os sete anos, proteja-a. A criança é como uma pequena plantinha, fraca e suave. Um simples vento forte pode destruí-la, qualquer animal pode comê-la. Você põe um fio protetor ao redor dela, mas não a aprisiona, você está simplesmente protegendo-a.Quando a planta estiver maior, o fio será removido.
Proteja a criança de todo tipo de influência de modo que ela possa permanecer ela mesma. E isso é só uma questão de sete anos, porque então o primeiro círculo estará completo. Aos sete anos ele estará bem enraizado, centrado, forte o suficiente. Você não sabe o quanto uma criança de sete anos pode ser forte porque você só tem visto crianças corrompidas. Elas carregam os medos e a covardia de seus pais, mães e familiares. Elas não são elas mesmas.
Se uma criança permanecer sem ser corrompida por sete anos... Você ficará surpreso ao encontrar tal criança. Ela será tão afiada como uma espada. Seus olhos serão claros, seus insights serão claros. E você verá nela uma tremenda força que você não poderá encontrar nem mesmo num adulto de setenta anos.
Se você é um pai (ou mãe), você precisará muito dessa coragem para não interferir. Abra portas para direções desconhecidas de modo que a criança possa explorá-las. Ela não conhece o que ela tem dentro dela, ninguém sabe. Ela terá que tatear no escuro. Não faça com que ela tenha medo do escuro, não faça com que ela tenha medo do fracasso, não faça com que ela tenha medo do desconhecido. Dê a ela suporte. Quando ela estiver indo para uma jornada desconhecida, ofereça a ela todo o seu suporte, com todo o seu amor, com todas as suas bênçãos. 
Não deixe que ela seja afetada pelos seus medos. Você pode ter medos, mas mantenha-os consigo mesmo. Não descarregue esses medos em cima da criança, porque isso será interferência.
Depois dos sete anos, no próximo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, algo novo é acrescentado à vida: os primeiros alvoroços da energia sexual da criança. Mas elas são apenas uma espécie de ensaio.
Ser pai é uma tarefa difícil. Assim, a não ser que você esteja pronto para assumir tal tarefa difícil, não se torne um pai. As pessoas simplesmente seguem se tornando pais e mães sem saber o que estão fazendo. Você está trazendo uma vida à existência e todo o cuidado do mundo será necessário.
Agora, quando a criança começa a brincar com seus ensaios sexuais, é o tempo em que os pais mais interferem, porque foi assim que fizeram com eles. Tudo o que eles sabem é o que foi feito com eles, assim eles seguem fazendo o mesmo com as suas crianças. As sociedades não permitem ensaio sexual, pelo menos não permitiram até o século XX, exceto nas duas e três últimas décadas em alguns países muito avançados. Agora já existem escolas mistas para as crianças, mas em um país como a Índia, mesmo agora, a educação mista começa a surgir apenas no nível universitário.
O menino de sete anos e a menina de sete anos não podem estar no mesmo internato. E este é o momento para eles, sem qualquer risco, sem perigo de gravidez, sem que quaisquer problemas surjam para suas famílias; este é o momento em que lhes deveriam ser permitidas todas as brincadeiras. 
Sim, isso terá uma conotação sexual, mas será só um ensaio, não se trata de um drama teatral verdadeiro. E se você não permitir a eles nem mesmo esse ensaio, de repente então, um dia a cortina se abrirá e o verdadeiro drama começará... E eles não saberão o que está acontecendo e não haverá nem mesmo aquela pessoa escondida no palco para lhes soprar o que devem fazer. Você terá bagunçado a vida deles completamente.
Esses sete anos, o segundo círculo da vida, são significantes como um ensaio. Eles se encontrarão, se misturarão, brincarão e se conhecerão. E isso ajudará à humanidade a se livrar de quase noventa por cento das perversões. Se às crianças dos sete aos quatorze for permitido estarem juntas, nadarem juntas, estarem nuas juntas, noventa por cento das perversões e noventa por cento das pornografias irão simplesmente desaparecer. Quem irá dar atenção a essas coisas?
Quando um garoto conheceu tantas garotas nuas, que interesse uma revista tipo Playboy poderá ter para ele? Quando uma garota tiver visto tantos garotos nus, eu não vejo qualquer possibilidade de existir curiosidade a respeito do outro. Isso simplesmente desaparecerá. Eles irão crescer juntos naturalmente, não como duas espécies diferentes de animais. É assim que eles crescem agora, como duas espécies diferentes de animais. Eles não pertencem à mesma espécie humana, eles são mantidos separados. Mil e uma barreiras são criadas entre eles, e não lhes permitem qualquer ensaio de sua vida sexual que está chegando...
Se você tiver feito o dever de casa direitinho, se você tiver brincado com sua energia sexual exatamente com o espírito de um desportista (e naquela idade este é o único espírito que você poderia ter), você não se tornará um pervertido, um homossexual.  Todo tipo de coisas estranhas não virão à sua cabeça, porque você está se movendo naturalmente com o outro sexo e o outro sexo está se movendo com você. Não haverá qualquer bloqueio e você não estará fazendo nada errado com quem quer que seja. Sua consciência estará clara porque ninguém pôs nela idéias do que é certo e do que é errado. Você simplesmente está sendo o que você é. 

Dos quatorze aos vinte e um o seu sexo amadurece. E isso é significante para se entender: se o ensaio tiver sido bom no período dos sete aos quatorze quando o sexo amadurece, acontece uma coisa muito estranha que você nem mesmo deve ter pensado a respeito, porque não lhe foi dada a oportunidade. Eu disse a você que o segundo círculo de sete anos, dos sete aos quatorze, deu a você um vislumbre de antes da peça teatral. O terceiro círculo de sete anos da a você um vislumbre do que vem depois.Você está ainda com garotas ou garotos, mas agora uma nova fase começa em seu ser: você começa a se apaixonar.
Não é ainda um interesse biológico. Você não está interessado em procriar, você não está interessado em se tornar marido ou esposa. Esses são os anos dos jogos românticos. Você está mais interessado na beleza, no amor, na poesia, na escultura, que são fases diferentes de romantismo. 

Dos vinte e um aos vinte e oito é um tempo em que eles podem se acertar. Eles podem escolher um companheiro. E eles são capazes de escolher agora, através de toda a experiência dos dois círculos passados eles podem escolher o companheiro certo. Não há mais ninguém que possa fazer isso por você. Isso é algo como um pressentimento.  Nenhuma aritmética, nenhuma astrologia, nenhuma quiromancia, nenhum I-Ching poderão fazer isso. 
Isso é um pressentimento: entrando em contato com muitas, muitas pessoas, de repente alguma coisa dá um clique que nunca deu com qualquer outra pessoa. E isso clica com tanta certeza e tão absolutamente, que você não pode nem mesmo duvidar. Mesmo se você tentar duvidar, você não conseguirá. A certeza é tão tremenda. Com esse clique vocês se acertam. 
Entre os vinte e um e os vinte e oito, em algum lugar, se tudo correr bem do jeito que eu estou dizendo, sem interferência de outros, então vocês se acertam. E o período mais agradável da vida vem dos vinte e oito aos trinta e cinco: o mais alegre, o mais pacífico e harmonioso, porque duas pessoas começam a se derreter e a se fundir uma com a outra. 

Dos trinta e cinco aos quarenta e dois, um novo passo, uma nova porta se abre. Se até os trinta e cinco você sentiu profunda harmonia, uma sensação orgástica e tiver descoberto a meditação através disso, então, dos trinta e cinco aos quarenta e dois vocês ajudarão um ao outro a ir mais e mais fundo na meditação sem sexo, porque o sexo neste ponto começa a parecer infantil, juvenil. Quarenta e dois anos é o tempo certo quando a pessoa deveria ser capaz de saber exatamente quem ela é.

Dos quarenta e dois aos quarenta e nove ela vai mais fundo e mais fundo na meditação, mais e mais para dentro de si mesmo, e ajuda o companheiro no mesmo caminho. Eles se tornam amigos. Não mais existe marido e não mais existe esposa. Esse tempo já passou. Isso já deu a sua riqueza para a sua vida. Agora existe alguma coisa mais alta, mais alta que o amor. Isso é amizade, um relacionamento de compaixão para ajudar o outro a ir mais fundo dentro de si mesmo, a se tornar mais independente, a se tornar mais só, como duas árvores altas, separadas mas ainda próximas uma da outra, ou dois pilares num templo suportando o mesmo teto, estando tão próximos e tão separados, tão independentes e tão sós. 

Dos quarenta e nove aos cinqüenta e seis essa solitude se torna o foco de seu ser. Tudo no mundo perde o significado. A única coisa significante que permanece é essa solitude.
Dos cinqüenta e seis aos sessenta e três você se torna totalmente o que você está para ser: o florescimento potencial. 
Dos sessenta e três aos setenta você começa a ficar pronto para deixar o corpo. Agora você sabe que não é o corpo, você sabe que também não é a mente. O corpo era conhecido como separado de você em algum lugar quando você tinha trinta e cinco anos. Que a mente está separada de você foi conhecido em algum lugar quando você tinha quarenta e nove anos. Agora, tudo mais foi deixado de lado exceto a auto observação. Só a pura consciência, a chama da consciência permanece com você, e isso é a preparação para a morte.
Setenta é a duração de vida natural para o homem. E se as coisas se moverem em seu curso natural, então ele morre com tremenda alegria, em grande êxtase, sentindo-se imensamente abençoado porque a sua vida não foi sem significado e que, pelo menos, ele encontrou o seu lar. E por causa dessa riqueza, dessa realização, ele é capaz de abençoar toda a existência. 
 Só por estar perto de tal pessoa, quando ela está morrendo, é uma grande oportunidade. Você sentirá, na medida em que ele deixa o corpo, algumas flores invisíveis caindo sobre você. Embora você não possa vê-las, você poderá senti-las."
Após os 70 anos, deve começar tudo de novo...

Osho - From Darkness to Light - tradução: Sw.Bodhi Champak

domingo, 26 de maio de 2013

Biografias "Malditas" - Paracelso

Este artigo tem  como objetivo, em primeiro lugar, apresentar o perfil psicológico de Paracelso; em segundo lugar, sua contribuição, como médico, para um tipo de medicina à qual ele deu o nome de Medicina Espagírica. O significado pode ser uma medicina que tinha sua fundamentação na Alquimia, pois Espagírica significa um processo de separação: do grego "espao" e de reunir ou integração, do grego, "ageiros", que está relacionado com o termo latino de "coagula et solve". Eles têm o mesmo significado como processo alquímico.
A separação e a integração são processos que se sucedem tanto para ocasionar o isolamento do que Paracelso chamou de essência, que seria o elemento ativo do remédio e assim, conseguir esse elemento ativo na sua maior pureza possível para que também desse modo pudesse ter o maior efeito com o medicamento.
No que se refere à contribuição que Paracelso fez para a Medicina Psicossomática, é evidente que não se trata de uma Medicina Psicossomática tal como a entendemos hoje, na qual o homem é visto como um ser que tem várias dimensões e que essas dimensões não podem ser separadas umas das outras, pois constituem uma estrutura psico-bio-social sempre como uma estrutura integral, total ou, como se costuma chamar mais recentemente, como um processo holístico; como um sistema no qual todas as partes se relacionam e formam uma totalidade que, por sua vez, tem um efeito sobre essas partes.

Paracelso, o homem
Paracelso, cujo nome de batismo foi Theófhilo Bombastus Von Hoheinheim, nasceu em 1493 numa pequena cidade da Suíça, perto de Zurik. Colombo tinha chegado à América em 1492, por isso a infância, a adolescência e a idade adulta de Paracelso estiveram marcadas pelas conseqüências do descobrimento da América que permitiu comprovar na prática a teoria de que a Terra é uma esfera.
Ao mesmo tempo em que se comprovava essa teoria, também se começava a duvidar de conceitos teóricos também antigos que principalmente, dentro da medicina, tinham levado a área médica ao descrédito. Paracelso, que seguia a vertente hipocrática em que se afirma que o semelhante cura o semelhante, se dedica à arte médica espagírica em que, através de processos químicos, ele vai isolando e conseguindo que os princípios ativos de remédios fiquem praticamente puros para que, assim, possam exercer toda a sua ação curativa.
Paracelso viveu relativamente pouco. Aos 27 anos já foi nomeado professor na Faculdade de Medicina de Basiléia. Paracelso, como pessoa, é um iconoclasta, rebelde e criativo. A sua posição contra a medicina de Galeno de Abcena suscitou contra ele uma grande animosidade que determinou sua expulsão de Basiléia.
Isto o levou praticamente a viver como fugitivo durante alguns anos. Paracelso era um homem sumamente orgulhoso, altivo e de uma grande auto-suficiência. Tinha consciência do seu profundo saber em relação à medicina e também do seu profundo conhecimento da alquimia; por isso assumia atitudes que, para essa época, eram totalmente novas, inovadoras e, por isso, perturbava as expectativas das pessoas que o conheciam e, principalmente, dos seus alunos da Universidade.
Nunca foi dar aulas com a vestimenta característica dos doutores da universidade. Ia com roupas comuns muitas vezes manchadas pelas substâncias que utilizava nas suas experiências químicas. Não usava o latim para dar aulas; dava as aulas em alemão, misturado, muitas vezes, com expressões latinas. Seus discípulos na Universidade consideravam isso totalmente fora do padrão que esperavam de um doutor de Medicina. Essa atitude inconformista de Paracelso o levou ao radicalismo de queimar numa fogueira de S. João, de forma simbólica, os livros de Galeno de Abcena. Isto na presença de alunos da Medicina, que estavam em volta da fogueira comemorando a data.
Esta atitude naturalmente aumentou a apreensão e o receio que os alunos de Medicina tinham do Prof. Paracelso.
Diríamos que Paracelso, como pessoa, era um bom representante, um chamado tipo "uraniano", ou seja, uma pessoa excêntrica com relâmpagos de intuição e genialidade que desafia as convenções pelo excessivo sentimento de auto-suficiência.

Paracelso e a Medicina Espagírica
Paracelso fundamentou sua medicina sob 4 bases: a Filosofia, a Astrologia, a Alquimia, à qual ele deu o nome de Espagírica, e a virtude. Paracelso aprendeu a Medicina com seu pai que também era médico; estudou profundamente a cabala hebraica e aprofundou seus conhecimentos de química, trabalhando alguns anos numa mina. Como cirurgião militar, participou das guerras na Itália e nos países baixos.
Na sua atividade médica foi logo ficando famoso por realizar curas extraordinárias, como por exemplo, salvou a perna de Frobenius da amputação pelos médicos que tratavam dele e que já tinham decidido a retirada do órgão.
Pelo fato de Paracelso viver apenas 48 anos, a maior parte de seus livros foram publicados após sua morte. A divulgação dos livros determinou o aparecimento de muitos seguidores de sua arte médica, que se autodenominaram Paracelsianos e, assim, deram continuidade à Medicina Espagírica.
Como bom alquimista, Paracelso escrevia seus livros com o propósito de confundir aqueles que não estavam já iniciados com a terminologia de sua arte médica. Isto chegou a tal ponto que houve necessidade de publicar dois dicionários para esclarecer os significados dos termos usados por Paracelso.
Paracelso considerava que o homem é um pequeno mundo e tem seu céu, sua água, seu ar e sua terra, e é o equilíbrio entre esses elementos que formam o homem que determina a saúde e, por conseguinte, o desequilíbrio leva à doença. Esse mundo humano microcósmico está em relação com o macrocosmos, e essa relação entre o micro e o macrocosmos é sustentada por uma ënergia à qual ele dá o nome enigmático de "m". Essa letra "m", em hebraico "mem", deve ter sido utilizada por Paracelso por ser a letra inicial de Mercúrio e Magnéticos.
Esse mercúrio, princípio energia universal, se aprisionado pelo alquimista lhe permitiria ser o dono da transmutação. Esse "mem" encerra um grande segredo. Segundo Paracelso: "sabeis que existe ainda uma grande coisa que sustenta o corpo e o conserva em vida. Por "mem" vive o firmamento. Sem ele o firmamento pereceria. Chamamos "m" porque nada no universo foi constituído acima desta coisa. Nada é mais digno da compreensão humana que esse princípio "mem". Este "m" conserva todas as criaturas. Na Terra, todos os seres vivem nessa coisa e dela."

A etiologia das doenças segundo Paracelso
De acordo com Paracelso, são cinco entidades mórbidas das quais, pelo menos uma, é causa das doenças: causa astral, causa venenosa, natural, causa espiritual e causa divina.
Cada uma delas pode produzir qualquer doença. Por exemplo, as cinco icterícias serão tratadas com cinco modos diferentes de tratamento.
A causa astral, segundo Paracelso, é diferente da crença mantida na Idade Média, quando se considerava que os sete astros da Antigüidade constituíam diferentes causas mórbidas. Segundo Paracelso, a ação dos astros sobre o corpo humano não é direta; é uma ação indireta, pois no corpo humano temos sete órgãos que correspondem aos sete planetas. A ação maléfica do planeta vai primeiro num órgão correspondente para depois aparecer como doença.
O princípio "m" estaria entre as astros e os órgãos correspondentes.
A segunda causa, a venenosa, provém da alimentação: todo alimento, mesmo sendo benéfico, contém veneno para quem o utiliza.
Paracelso postula "um alquimista interior" que começaria sua ação no estômago para "solver e coagular" os alimentos, separando os venenos dos nutrientes.
Paracelso afirma: "Nosso corpo foi nos dado livre de venenos; uma coisa que não é veneno torna-se veneno para nós. Temos no corpo um alquimista interior colocado por Deus. Assim, separamos o veneno do alimento salutar, para que não soframos. Em todas as coisas, sejam elas quais forem sempre existe simultaneamente a essência e o veneno. A essência é o que sustenta o homem. O veneno, pelo contrário, o que derruba pelas doenças. Se o alquimista interior é fraco ou está debilitado, não consegue fazer a separação entre o veneno e o alimento salutar, aparece, então a putrefação, que é sinal da doença.
A terceira entidade mórbida causadora das doenças é a causa natural que é tudo que afeta ou desarranja o curso natural dos astros corporais. A correspondência entre os sete planetas e os sete órgãos do corpo é: a Lua corresponde ao cérebro, o Sol ao coração; Mercúrio aos pulmões; Marte, estômago; Júpiter, fígado; Vênus, rins; Saturno, baço.
Os astros no microcosmos se conduzem em relação uns com os outros, tal qual o macrocosmos. Da mesma forma que a lua reflete a luz do Sol, o cérebro, centro intelectual, reflete a luz do coração, centro emotivo.
Nesta afirmação de Paracelso, pode-se perceber o embrião de uma abordagem sistêmica, ou seja, de uma "rede de relações".
Os órgãos correspondentes aos planetas interagem entre si assim como fazem também os próprios planetas.
Enquadra-se a que Paracelso dentro da Medicina Psicossomática quando coloca a inter-relação entre o físico e o emocional, entre o intelectual e o emocional.
Cada órgão tem seu destino bem estabelecido, a sua evolução própria. Se um órgão se extravia e penetra na função de outro, determina o aparecimento de doenças. Inversamente, o Sol é o coração do macrocosmos, a Lua seu cérebro e existe na Terra minerais correspondentes aos sete órgãos planetários. Ouro, Sol, coração; prata, Lua, cérebro; Mercúrio, pulmões, mercúrio; Júpiter, estanho, fígado; Vênus, rins, cobre; Marte, estômago, ferro; Saturno, baço, chumbo. O que provém do coração do macrocosmos reconforta o coração do homem tal como acontece com o ouro.

A causa espiritual
A causa espiritual é uma potência vinda do espírito que atinge todo o físico. Quando o espírito sofre, o corpo sofre também. Este conceito de Paracelso está em conformidade com o princípio da Medicina Psicossomática atual.
O espírito, para Paracelso, não é nem a alma nem a inteligência, mas o homem invisível que encerra a aparência humana visível.
Diríamos hoje: é um corpo eletromagnético que age sobre o corpo físico.
Os espíritos comunicam-se entre si através dos próprios corpos e podem infligir-se mutuamente grandes danos capazes de torná-los doentes. Os enfeitiçamentos mostram essa possibilidade de ação sobre o espírito.
Paracelso explica a possibilidade da feitiçaria pela comunicação entre corpos eletromagnéticos. No caso da feitiçaria, estaria se recebendo ou lançando sobre outros corpos eletromagnéticos vibrações extremamente negativas.

Causa divina
A quinta causa das doenças vem de Deus. Tem o caráter de castigo. Nessa categoria, "toda doença é um purgatório", o que foi retomado por homeopatas no século XIX, que afirmam que a doença vem do pecado original. Quando a causa da doença vem de Deus, a doença só é curada quando a prova prescrita por Deus fica terminada.
Para denominar os três modos diferentes de ação na natureza, o modo cardinal é chamado enxofre; o modo fixo, sal e o modo mutável, mercúrio, que é um metal líquido que altera com muita facilidade a sua forma. O sal, para Paracelso, é o princípio mantenedor das formas no Universo. O enxofre é o princípio veiculador do movimento, do calor e a base do movimento.
O mercúrio é o princípio aumentativo, modificador, ligado, portanto, ao mutável. Paracelso afirma "é necessário administrar mercúrio às doenças que provém de mercúrio; sal às doenças que provém do sal e enxofre às doenças provenientes do enxofre, quer dizer a cada doença o tratamento adequado como convém. É necessário saber qual tipo de enxofre, sal ou mercúrio para tratar determinada doença."
A etiologia das doenças não é única. Pode uma doença provir do sal e do enxofre como também do sal, enxofre e mercúrio. A postulação de Paracelso que o igual cura o igual antecipa o princípio homeopático de Hannemann: "o semelhante cura o semelhante". O postulado de Paracelso deixa claro que além de ter criado a Medicina Espagírica, lançou também os fundamentos da Medicina Homeopática.
Além das cinco causas das doenças e das três modalidades de ação, Paracelso afirma que existe uma medicina masculina e outra medicina feminina, que o funcionamento do corpo masculino é muito diferente do feminino.
"As doenças das mulheres lhes são próprias. Todas as doenças da mulher são formadas e dadas pela matriz. Enquanto o homem é o microcosmos médio, a mulher é um microcosmos menor encerrado na matriz, refletindo esse microcosmos feminino, o microcosmos médio do homem, que por sua vez, reflete o macrocosmos. A matriz é o ser da mulher e há um cérebro feminino, um coração feminino nada idêntido ao do homem. No entanto, há doenças femininas que provêm do homem, que deverão ser tratadas de forma igual a que são tratadas nos homens. As jovens são herdeiras das doenças do pai."
Paracelso atribui também como causas de doenças a imaginação e a fé, só que rompe com o conceito popular que atribui aos santos o poder de cura.
Ele diz que se uma doença é curada pela fé é porque ela é ocasionada pelo mau uso da fé.
Em relação à cirurgia e ao conhecimento da anatomia humana, Paracelso tem uma conceituação que é extremamente atual. Ele achava que os anatomistas que pretendiam saber a anatomia trabalhando com cadáveres estavam perdendo seu tempo. Eles estavam fazendo uma anatomia da morte e não uma anatomia da vida.
Os cirurgiões que dissecam cadáveres não podem saber como os órgãos funcionam, como também não poderão saber como é o homem vivo. Deve-se observar o homem vivo e conhecer as suas reações, pois a base da ciência médica é a anatomia da vida. Observando-se o corpo humano desta maneira percebe-se que ele contém um bálsamo essencial: a múmia.
O princípio curador do ser humano está na carne, nos ossos, no sangue, ou seja, em todo o organismo. A múmia dos ossos cura os ossos partidos, a múmia da carne cura as chagas. Assim sendo, cada parte do corpo humano contém o princípio de cura. Esse princípio de cura seria um médico natural que existe em todo ser humano, que resolve os transtornos que acontecem no corpo. Por isso, o cirurgião deve se lembrar que não é ele que cura as chagas, é o princípio essencial que realiza a cura.
A múmia é o princípio onipresente da cicatrização e corresponde ao que os antigos chamavam de espírito do sangue.
Pode-se fazer um paralelo entre a múmia de Paracelso com o princípio de vida de Hipócrates e o princípio vital de Hannemann.
De sua experiência como cirurgião e movido também pela necessidade de diminuir o sofrimento dos feridos e baseando-se em seus conhecimentos da alquimia e química, Paracelso chegou a produzir em laboratório o éter sulfúrico e a partir dele foi usado como anestésico.
Também produziu em laboratório o cloreto de etilo com a mesma finalidade anestésica. Na farmacopéia de Paracelso, encontramos ao lado de grandes remédios, como os anestésicos acima mencionados e de remédios para hemorragias, usando compostos de ferro, também meios de cura que hoje em dia seriam considerados mera superstição. Colocava sapos vivos em cima de doenças da pele. Usava também a medicina simpática que consistia em tratar à distância os ferimentos usando um pano que tinha sangue do doente e mergulhava esse pano em uma solução com remédio.
Também preconizou o uso do musgo que crescia em crânios humanos para combater infecções. Com bastante benevolência, podemos entender isso como uma premonição do uso da penicilina. Possuía Paracelso uma farmacopéia secreta dando a esses remédios o nome de "arcana maiora" que, segundo ele, conseguiriam uma cura definitiva de certas doenças. Ao lado desses remédios de grande poder curativo, tinha também remédios que só conseguia deter a evolução das doenças.
Na elaboração dos remédios, Paracelso usava o processo químico de separar e reunir e, através de operações sucessivas, ele chegava a separar o princípio medicamentoso do vegetal.
Conhecia também Paracelso a Teoria das Assinaturas, que permite saber quais são os vegetais que estão em ressonância com determinados planetas do macrocosmos e, assim, poder usar esses vegetais na composição de medicamentos. As assinaturas, portanto, são formas adquiridas por vegetais e animais pela ressonância vibratória com as vibrações planetárias. No que se refere aos minerais, existem correspondências desde a Antigüidade com sete metais, como foi colocado antes. A correspondência planetas-metais foi usada no séc. XX por Rudolf Steiner na sua medicina antroposófica.
Embora Paracelso tivesse características pessoais que dificultavam o seu relacionamento com outras pessoas por causa de sua excentricidade e sarcasmos, conseguiu ter um grande grupo de seguidores na sua vida e, mesmo depois de sua morte, grandes médicos continuaram sua Medicina Espagírica. Podemos citar, entre eles, José Duchen, Robert Fludd e João Batista van Helmotz que nascido em Bruxelas, foi médico, físico, adquirindo um saber enciclopédico.

Bibliografia:
"PARACELSO. Oeuvres médico-chimiques ou paradoxes". Liber Paramirum I-II. Italie. Sebastiani. 1975
Postagem extraida de "Paracelso e sua contribução para a psicossomática" de  Nestor Efraim Rojas Boccalandro, Psicólogo, Psicoterapeuta. Especialista e Doutor em Psicologia Clínica. Doutor Associado da PUC/SP.

domingo, 21 de abril de 2013

Dissolver o sofrimento

Enquanto não somos capazes de acessar o poder do Agora, vamos acumulando resíduos de sofrimento emocional. Esses resíduos se misturam ao sofrimento do passado e se alojam em nossa mente e em nosso corpo. Isso inclui o sofrimento vivido em nossa infância, causado pela falta de compreensão do mundo em que nascemos.
Todo esse sofrimento cria um campo de energia negativa que ocupa a mente e o corpo. Se olharmos para ele como uma entidade invisível com características próprias, estaremos chegando bem perto da verdade. É o sofrimento emocional do corpo. 
Apresenta-se sob duas modalidades: inativo e ativo. O sofrimento pode ficar inativo 90% do tempo, ou 100% ativado em alguém profundamente infeliz. Algumas pessoas atravessam a vida quase que inteiramente tomadas pelo sofrimento, enquanto outras passam por ele em algumas situações que envolvem relações familiares e amorosas, lesões 
físicas ou emocionais, perdas do passado, abandono, etc. Qualquer coisa pode ativá-lo, especialmente se encontrar ressonância em um padrão de sofrimento do passado. Quando o sofrimento está pronto para despertar do estágio inativo, até mesmo uma observação inocente feita por um amigo ou um pensamento é capaz de ativá-lo.
Alguns sofrimentos são irritantes, mas inofensivos, como é o caso de uma criança que não pára de chorar. Outros são monstros destrutivos e mórbidos, verdadeiros demônios. 
Alguns são fisicamente violentos; outros, emocionalmente violentos. Eles podem atacar tanto as pessoas à nossa volta quanto a nós mesmos, seus “hospedeiros”. Os pensamentos e sentimentos relativos à nossa vida tornam-se, então, profundamente negativos e autodestrutivos. Doenças e acidentes freqüentemente acontecem desse modo. Alguns sofrimentos podem até levar uma pessoa ao suicídio.
Às vezes levamos um choque ao descobrir uma faceta detestável em alguém que pensávamos conhecer bem. Entretanto, é mais importante observar essa situação em nós mesmos do que nos outros. Preste atenção a qualquer sinal de infelicidade em você, 
qualquer que seja a forma, pois talvez seja o despertar do sofrimento. Ele pode se manifestar como uma irritação, um sinal de impaciência, um ar sombrio, um desejo de ferir, sentimentos de raiva, ira, depressão ou uma necessidade de criar algum tipo de problema em seus relacionamentos. Agarre o sinal no momento em que ele despertar de seu estado 
inativo.
O sofrimento deseja sobreviver, mas, para isso, precisa conseguir que nos identifiquemos inconscientemente com ele. Portanto, quando o sofrimento toma conta de nós, cria uma situação em nossas vidas que reflete a própria freqüência de energia da qual ele se alimenta. Sofrimento só se alimenta de sofrimento. Não se consegue alimentar de 
alegria. Acha-a indigesta.
Quando o sofrimento nos domina, faz com que desejemos ter mais sofrimento. Passamos a ser vítimas ou perpetradores. Queremos infligir sofrimento, ou senti-lo, ou ambos. Na verdade, não há muita diferença entre os dois. É claro que não temos consciência disso e afirmamos que não queremos sofrer. Mas, preste bem atenção e verá 
que o seu pensamento e o seu comportamento estão programados para continuar com o sofrimento, tanto para você quanto para os outros. Se você estivesse consciente disso, o padrão iria se desfazer, porque desejar mais sofrimento é uma insanidade, e ninguém é insano conscientemente.
O sofrimento, a sombra escura projetada pelo ego, tem medo da luz da nossa consciência. Teme ser descoberto. Sobrevive graças à nossa identificação inconsciente com ele, assim como do medo inconsciente de enfrentarmos o sofrimento que vive dentro de nós. Mas se não o enfrentarmos, se não direcionarmos a luz da nossa consciência sobre o 
sofrimento, seremos forçados a revivê-lo. O sofrimento pode nos parecer um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma frágil. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença.
Alguns ensinamentos espirituais dizem que todo sofrimento é, em última análise, uma ilusão, e isso é verdade. A questão é se isso é uma verdade para você. Acreditar simplesmente não transforma nada em verdade. Você quer sofrer para o resto da vida e 
permanecer dizendo que é uma ilusão? Será que essa atitude livra você do sofrimento? O que nos interessa aqui é o que podemos fazer para vivenciar essa verdade, ou seja, torná-la real em nossas vidas.
Portanto, o sofrimento não quer que nós o observemos diretamente e vejamos o que ele realmente é. No momento em que o observamos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo a isso Presença. Passamos a ser testemunhas ou observadores do sofrimento. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior. 
Então, não temos mais como realimentá-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior. Acabamos de acessar o poder do Agora.
O que acontece ao sofrimento quando nos tornamos conscientes o bastante para romper a nossa 
identificação com ele? 
A inconsciência cria o sofrimento. A consciência transforma o sofrimento nela mesma. São Paulo expressa esse princípio universal de uma forma linda ao dizer: “Tudo é revelado ao ser exposto à luz e o que for exposto à própria luz se torna luz”. Assim como não se pode lutar contra a escuridão, não se pode lutar contra o sofrimento. Tentar fazer isso poderia gerar um conflito interior e um sofrimento adicional. Observar o sofrimento já é o bastante. Observá-lo implica aceitá-lo como parte do que existe naquele momento. 
O sofrimento consiste na energia vital aprisionada que se desprendeu do campo energético total e se fez temporariamente autônoma, através de um processo artificial de identificação com a mente. Ela se volta para dentro de si mesma e se torna algo contrário à 
vida, como um animal tentando comer o próprio rabo. Por que você acha que a nossa civilização se tornou tão autodestrutiva? Acontece que as forças destrutivas da vida, ainda são energia vital.
Mesmo quando começamos a deixar de nos identificar e nos tornamos observadores, o sofrimento ainda continua a agir por um tempo e vai tentar fazer com que voltemos a nos identificar com ele. Embora não esteja mais recebendo a energia originada da nossa 
identificação com ele, o sofrimento ainda tem sua força, como uma roda-gigante que continua a girar, mesmo quando deixa de receber o impulso. Nesse estágio, o sofrimento pode até ocasionar dores em diversas partes do corpo, mas elas não vão durar. Esteja presente, fique consciente. Vigie o seu espaço interior. Você vai precisar estar presente e alerta para ser capaz de observar o sofrimento de um modo direto e sentir a energia que emana dele. Agindo assim, o sofrimento não terá força para controlar o seu pensamento. 
No momento em que o seu pensamento se alinha com o campo energético do sofrimento, você está se identificando com ele e, de novo, alimentando-o com os seus pensamentos.
Por exemplo, se a raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento e você alimenta esse sentimento, insistindo em pensar no que alguém fez para prejudicá-lo ou no que você vai fazer em relação a essa pessoa, é porque você já não está mais consciente, e o sofrimento se tornou “você”. Onde existe raiva, existe sempre um sofrimento oculto. 
Quando você começa a entrar em um padrão mental negativo e a pensar como a sua vida é horrorosa, isso quer dizer que o pensamento se alinhou com o sofrimento e que você passou a estar inconsciente e vulnerável a um ataque do sofrimento. Utilizo a palavra “inconsciência” no presente contexto para significar uma identificação com um padrão 
mental ou emocional. Isso implica uma ausência completa do observador.
Manter-se em um estado de alerta consciente destrói a ligação entre o sofrimento e o mecanismo do pensamento, e aciona o processo de transformação. É como se o sofrimento se tornasse o combustível para a chamada da consciência, resultando em um brilho de mais intensidade. Esse é o significado esotérico da antiga arte da alquimia: a transformação do metal não-precioso em ouro, do sofrimento em consciência. A separação interior cicatriza, e você se torna inteiro outra vez. Cabe a você, então, não criar um sofrimento adicional.
Resumindo o processo: concentre a atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é o sofrimento. Aceite que ele esteja ali. Não pense a respeito. Não permita que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise. Não se 
identifique com o sentimento. Esteja presente e observe o que está acontecendo dentro de você. Perceba não só o sofrimento emocional, mas também a presença “de alguém que observa”, o observador silencioso. Esse é o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente. 
Veja, então, o que acontece.

Extraído de O Poder do Agora - Eckhart Tolle

domingo, 17 de junho de 2012

O Alquimista - O Que Ele Faz?

O texto abaixo foi escrito há mais de 40 anos em um livro que foi pouco lido se considerarmos a sua vocação de abrir as mentes racionais para os segredos fascinantes do Invisível.
Hoje, pela pressão da descoberta de "um novo pensar" pelos cientistas mais afeitos ao chamado Realismo Fantástico, ele passa a ser curiosamente atual. A ciência está descobrindo o Invisível, e já fala hoje em "matéria escura", “dobras do tempo”, “dimensões paralelas”, com uma naturalidade impensável naquela época onde a vanguarda do conhecimento só tomava paulada, a exemplo da Inquisição, ou o que é pior, modernamente, recebendo sorrisos superiores de escárnio dos sabichões classistas e “guardas da ciência”. Felizmente cada vez mais o cientista está, independente disso, tornando-se um profissional eclético, multifacetado e pontífice entre o conhecimento da matéria e do interior do humano, e sem muito equipamento sofisticado, só mente aberta e contemplativa como fizeram Platão, Einstein e outros. Já estava na hora...
Como salientamos na postagem O Diálogo Interno a medicina taoista chinesa "acessou" o mapa energético da Acupuntura no corpo físico dos seres humanos, animais e plantas sem conhecer nenhum equipamento eletrônico, por menos sofisticado que fosse. Como isso foi possível? Uma dica: contemplação e silêncio do mental. Ou talvez, como dizem os adeptos dos Alienígenas do Passado, “deuses” de outros ciclos planetários. Quem sabe? Temos aí um assunto relevante de pesquisa. Quem se habilita?
Mas vamos lá aos alquimistas:

“O alquimista moderno é um homem que lê os tratados de física nuclear. Está convencido de que se podem obter transmutações e fenômenos ainda mais extraordinários por meio de manipulações e com um material relativamente simples. É nos alquimistas contemporâneos que se torna a encontrar o espírito do investigador isolado. A conservação de um tal espírito é preciosa para a nossa época. De fato, acabamos por acreditar que o progresso dos conhecimentos já não é possível sem equipes numerosas, sem uma enorme aparelhagem, sem um financiamento considerável. Ora “as descobertas fundamentais, como, por exemplo, a radioatividade ou a mecânica ondulatória, foram realizadas por homens isolados”. (Nota da redação: a Teoria da Relatividade de Einstein também, e sem equipamentos a não ser a sua massa cinzenta). A América, que é o país das grandes equipes e dos grandes processos, espalha atualmente agentes pelo Mundo inteiro em busca de espíritos originais. O diretor da investigação científica americana, o doutor James Killian, declarou em 1958 que era prejudicial confiar-se apenas no trabalho coletivo e que achava necessário que se fizesse apelo aos homens solitários, portadores de idéias originais. Rutheford efetuou os seus trabalhos mais importantes sobre a estrutura da matéria com latas de conserva e pedaços de barbante. Jean Perrin e Madame Curie, antes da guerra, enviavam os seus colaboradores ao Mercado das Pulgas aos domingos em busca de um pouco de material. Evidentemente, os laboratórios com aparelhagem poderosa são necessários, mas seria importante organizar uma cooperação entre esses laboratórios, essas equipes, e os originais solitários. No entanto, os alquimistas furtam-se ao convite. A sua lei é o segredo. A sua ambição é a ordem espiritual. "Está fora de dúvida, escreve René Alleau, que as manipulações alquímicas servem de suporte a uma ascese interior. Se a alquimia contém uma ciência, essa ciência é apenas um meio de atingir a consciência”. Importa, portanto, que não saia para o exterior, onde se transformaria num fim.

Qual é o material do alquimista? O mesmo do investigador de química mineral de altas temperaturas: fornos, crisóis, balanças, instrumentos de medição, aos quais se vieram juntar os aparelhos modernos acessíveis de controle das radiações nucleares: contador Geiger, cintilômetro, etc.
Esse material pode parecer irrisório. Um físico ortodoxo nãopoderia admitir que é possível fazer um cálculo emitindo nêutrons por processos simples e econômicos. Se as informações que temos são autênticas, os alquimistas conseguem-no. Na altura em que o elétron era considerado o quarto estado da matéria, inventaram-se dispositivos extremamente onerosos e complicados para produzir correntes eletrônicas. Após o que, em 1910, Eister e Gaitel demonstraram que bastava aquecer cal ao rubro no vácuo.
 Não sabemos tudo a respeito das leis da matéria. Se a alquimia é uma ciência em avanço sobre a nossa, usa processos mais simples do que os nossos.
Conhecemos vários alquimistas na França e dois nos Estados Unidos. Eles existem na Inglaterra, na Alemanha e Itália. E.J. Holmyard diz ter encontrado um em Marrocos. De Praga escreveram-nos três. A imprensa científica soviética, atualmente, parece ter grande interesse na alquimia e realiza investigações históricas.

“E agora vamos tentar, pela primeira vez, segundo cremos,descrever com precisão o que faz um alquimista no seu laboratório.”
Não pretendemos revelar a totalidade do método alquímico,mas julgamos ter, a respeito desse método, alguns conhecimentos de certo interesse. Não esquecemos que “a última finalidade da alquimia é a transmutação do próprio alquimista, e que as manipulações não passam de um lento caminhar em direção à "libertação do espírito". É sobre essas manipulações que tentamos apresentar novos esclarecimentos.
Em primeiro lugar, durante vários anos, o alquimista decifrou velhos textos onde "o leitor se deve embrenhar desprovido do fio de Ariadne mergulhado num labirinto no qual tudo foi preparado consciente e sistematicamente a fim de lançar o profano numa inextricável confusão mental". Paciência, humildade e fé elevaram-no a um certo nível de compreensão desses textos. Nesse nível vai poder iniciar realmente a experiência alquímica. Vamos descrever essa experiência, mas falta-nos um elemento. Sabemos o que se passa no laboratório do alquimista. Mas ignoramos o que se passa no próprio alquimista, na sua alma. Pode dar-se o caso de que tudo esteja ligado. Pode ser que a energia espiritual represente um papel nas manipulações físicas e químicas da alquimia. Pode ser que uma certa forma de adquirir,concentrar e orientar a energia espiritual seja indispensável ao êxito do "trabalho" alquímico. Não é certo, mas, em questão tão delicada, não podemos deixar de reservar um lugar para a frase de Dante: "Vejo que acreditas nestas coisas porque sou eu a dizer-te, mas não sabes o porquê, de forma que por serem acreditadas nem por isso estão menos escondidas".
O nosso alquimista começa por misturar muito bem, num almofariz de ágata, três constituintes. O primeiro, numa percentagem de 95 %, é um minério: uma pirita arseniosa, por exemplo, um minério de ferro que contém especialmente, como impurezas, arsênico e antimônio. O segundo é um metal: ferro, chumbo, prata ou mercúrio. O terceiro é um ácido de origem orgânica: ácido tartárico ou cítrico. Vai moê-los e triturá-los com as mãos, depois conserva a mistura durante cinco ou seis meses. Em seguida aquece tudo num crisol. Aumenta progressivamente a temperatura e faz com que a operação dure cerca de dez dias. Deverá tomar certas precauções. Há gases tóxicos que se evolam: o vapor de mercúrio e sobretudo o hidrogênio arsenioso, que matou mais de um alquimista, logo no início dos trabalhos.
Finalmente dissolve o conteúdo do crisol com um ácido. Foi procurando um dissolvente que os alquimistas de outrora descobriram o ácido acético o ácido nítrico e o ácido sulfúrico. Essa dissolução deve efetuar-se sob uma luz polarizada: quer uma réstia de luz solar, refletida num espelho, quer a luz da Lua. Sabe-se hoje que a luz polarizada vibra numa única direção, ao passo que a luz normal vibra em todas as direções em redor de um eixo.
Em seguida evapora o líquido e recalcina o sólido. Recomeça essa operação milhares de vezes, durante vários anos. Porquê? Ignoramo-lo. Talvez na expectativa do momento em que as melhores condições estejam reunidas: raios cósmicos, magnetismo terrestre, etc. Talvez a fim de obter uma "fadiga" da matéria em estruturas profundas que nós ainda ignoramos. O alquimista fala de paciência sagrada, de lenta condensação do espírito universal. Há certamente qualquer outra coisa atrás desta linguagem para-religiosa.
Esta forma de operar repetindo indefinidamente a mesma manipulação pode parecer demencial a um químico moderno. Ensinaram-lhe que há um único método experimental válido: o de Claude Bernard. É um método que age por meio de variações concomitantes. Repete-se milhares de vezes a mesma experiência, mas fazendo variar, um dos fatores de cada vez: proporções de um dos constituintes, temperatura, pressão, catalisador, etc. Anotam-se os resultados obtidos e deduzem-se algumas das leis que regem o fenômeno. É um método que deu as suas provas, mas não é o único. O alquimista repete a sua manipulação sem a menor alteração, até que qualquer coisa de extraordinário se produza. No fundo, acredita numa lei natural bastante comparável ao princípio de exclusão formulado pelo físico Pauli, amigo de Jung. Para Pauli, num dado sistema (o átomo e as suas moléculas), não podem existir duas partículas (elétrons, prótons, mésons) no mesmo estado. Tudo é único na natureza: "a vossa alma não tem outra semelhante..." É por isso que se passa bruscamente, sem intermediário, do hidrogênio ao hélio, do hélio ao lítio e assim indefinidamente, como o indica, para o físico nuclear, a Tabela Periódica dos Elementos. Quando se junta uma partícula a um sistema, essa partícula não pode tomar nenhum dos estados existentes no interior desse sistema. Toma um novo estado e a combinação com as partículas já existentes cria um sistema novo e único.
Para o alquimista, da mesma forma que não existem duas almas semelhantes, dois seres semelhantes, duas plantas semelhantes (Pauli diria: dois elétrons semelhantes), não há duas experiências semelhantes. Se se repetir milhares de vezes uma experiência, qualquer coisa de extraordinário acabará por se produzir. Não somos bastante competentes para lhe dar ou não razão. Contentamo-nos em observar que uma ciência moderna, a ciência dos raios cósmicos, adotou um método comparável ao do alquimista. Essa ciência estuda os fenômenos causados pelo aparecimento, num aparelho de detecção ou sobre uma chapa, de partículas com energia formidável, vindas de estrelas. Estes fenômenos não podem ser obtidos segundo a nossa vontade. É preciso esperar. Por vezes registra-se um fenômeno extraordinário. Foi assim que no Verão de 1957, no decorrer das investigações feitas nos Estados Unidos pelo professor Bruno Rossi, uma partícula animada de uma energia formidável, jamais registrada até ali, e vinda talvez de outra galáxia sem ser a nossa Via Láctea, impressionou 1500 calculadores ao mesmo tempo num raio de oito quilômetros quadrados, provocando, à sua passagem, um feixe enorme de destroços atômicos. Não é possível imaginar qualquer máquina capaz de produzir tal energia. Nenhum sábio tinha conhecimento de que jamais se tivesse produzido semelhante acontecimento e ignora-se se voltará a repetir-se. É também um acontecimento excepcional, de origem terrestre ou cósmica, e capaz de influenciar o seu crisol, que parece aguardar o nosso alquimista. Talvez ele pudesse abreviar a sua expectativa utilizando processos mais ativos do que o fogo, aquecendo por exemplo, o crisol num forno de indução pelo método de “levitação”(' Este método consiste em suspender a mistura a derreter no vácuo, fora de todo o contacto com uma superfície material, por meio de um campo magnético). Ou ainda juntando isótopos radioativos à sua mistura. Ele poderia então fazer e refazer a sua manipulação, não várias vezes por semana, mas milhares de vezes por segundo multiplicando desta forma as probabilidades de captar "o acontecimento" necessário ao bom êxito da experiência. Mas o alquimista atual, como o de ontem, trabalha em segredo, pobremente, e considera a expectativa uma virtude.
Prossigamos a nossa descrição: ao fim de vários anos de um trabalho sempre igual, de dia e de noite, o nosso alquimista acaba por deduzir que a primeira fase terminou. Junta então um oxidante à sua mistura: o nitrato de potássio, por exemplo. Há enxofre no crisol, proveniente da pirita, e carvão proveniente do ácido orgânico. Enxofre, carvão e nitrato: foi durante essa manipulação que os antigos alquimistas descobriram a pólvora.
Ele vai recomeçar a dissolver, depois a calcinar, sem descanso, durante meses e anos, na expectativa de um sinal. Sobre a natureza desse sinal, as obras alquímicas diferem, mas é talvez porque há vários fenômenos possíveis. Esse fenômeno produz-se no momento de uma dissolução.
Para certos alquimistas, trata-se da formação de cristais em forma de estrelas à superfície do banho. Para outros, uma camada de óxido surge à superfície desse banho, depois abre-se, deixando a descoberto o metal luminoso no qual parecem refletir-se, em imagem reduzida, ora a Via Láctea, ora as constelações. ( Funde-se então por meio de uma corrente de alta frequência. O semanário americano Life, em Janeiro de 1958, publicou lindíssimas fotografias de um forno deste gênero em ação. Jacques Bergier declara ter assistido a esse fenômeno).
Depois de receber este sinal, o alquimista retira a sua mistura do crisol e "deixa-a amadurecer", ao abrigo do ar e da umidade, até ao primeiro dia da próxima primavera. Quando retomar as operações, estas visarão aquilo a que se chama, nos velhos textos, "a preparação das trevas". Recentes investigações sobre a história da química demonstraram que o monge alemão Berthold Le Noir (Berthold Schwarz), a quem vulgarmente se atribui a invenção da pólvora no Ocidente, nunca existiu. É uma figura simbólica desta "preparação das trevas".
A mistura é colocada num recipiente transparente, em cristal de rocha, fechado de forma especial. Há poucas indicações a respeito dessa fechadura, chamada fechadura de Hermes, ou hermética. Dali em diante o trabalho consiste em aquecer o recipiente dosando, com uma infinita delicadeza, as temperaturas. No recipiente fechado, a mistura contém sempre enxofre, carvão e nitrato. Trata-se de elevar essa mistura a um certo grau de incandescência, evitando no entanto a explosão. São numerosos os casos de alquimistas gravemente queimados ou mortos. As explosões que se produzem são de particular violência e exalam temperaturas para as quais não estávamos logicamente preparados.
O fim em vista é a obtenção, no recipiente, de uma "essência", de um "fluido", a que os alquimistas por vezes chamam "a asa de corvo".
Sejamos mais claros. Esta operação não tem equivalente na física e química modernas. No entanto, não deixa de ter analogias. Quando se dissolve no gás amoníaco líquido um metal como o cobre, obtém-se uma coloração azul-escuro que passa ao negro nas grandes concentrações. Produz-se o mesmo fenômeno se se dissolver no gás amoníaco liquidificado hidrogênio sob pressão ou amidas orgânicas, de forma a obter o composto instável NH4, que tem todas as propriedades de um metal alcalino e que, por esse motivo, foi chamado "amônio". Há razões para crer que essa coloração azul-negro, que faz pensar na "asa de corvo" do fluido obtido pelos alquimistas, é justamente a cor do gás eletrônico. O que é o "gás eletrônico"? É para os sábios modernos, o conjunto de elétrons livres que constituem um metal e lhe asseguram as propriedades mecânicas, elétricas e térmicas. Ele corresponde, na terminologia atual, ao que o alquimista chama a alma ou ainda a essência dos metais. É essa alma ou essa "essência" que se liberta no recipiente hermeticamente fechado e pacientemente aquecido do alquimista.
Ele aquece, deixa arrefecer, aquece de novo, e isto durante meses ou anos, observando através do cristal de rocha a formação daquilo a que também se chama "o ovo alquímico": a mistura transformada em fluido azul-negro. Abre finalmente o seu recipiente na obscuridade, apenas sob a claridade dessa espécie de líquido fluorescente. Em contacto com o ar, esse líquido fluorescente solidifica-se e separa-se.
Obteria desta forma substâncias completamente novas, desconhecidas na natureza e com todas as propriedades dos elementos químicos puros, quer dizer, inseparáveis pelos processos da química.
Os alquimistas modernos pretendem ter obtido desta forma elementos químicos novos, e isto em quantidades consideráveis. Fulcanelli (considerado o último alquimista, e autor do livro O Mistério das Catedrais) teria extraído de um quilo de ferro vinte gramas de um corpo completamente novo, cujas propriedades químicas e físicas não correspondem a qualquer elemento químico conhecido. Seria aplicável a mesma operação a todos os elementos, cuja maior parte daria dois elementos novos por cada elemento tratado.
Tal afirmação é de molde a chocar o homem de laboratório. Atualmente, a teoria não permite prever outras separações além das seguintes:
 - A molécula de um elemento pode alcançar vários estados: Orto-hidrogênio e para-hidrogênio, por exemplo.
 - O núcleo de um elemento pode tomar um certo número de estados isotópicos (semelhantes) caracterizados por um número de neutrons diferentes. No lítio 6 o núcleo contém três neutrons e no lítio 7 contém quatro.
Os nossos técnicos, para separar os diversos estados alotrópicos da molécula e os diversos estados isotópicos do núcleo, exigem para isso um enorme material.
Os processos do alquimista são, em comparação, irrisórios, e ele alcançaria, não uma mudança de estado da matéria, mas a criação de uma matéria nova, ou pelo menos uma decomposição e recomposição diferente da matéria. Todo o nosso conhecimento do átomo e do núcleo se baseia no modelo saturniano de Nagasoka e Rutheford: o núcleo e o seu anel de eletrons. Não é impossível que, no futuro, outra teoria nos leve a realizar mudanças de estados e separações de elementos químicos por enquanto inconcebíveis.
Portanto, o nosso alquimista abriu o seu recipiente de cristal de rocha e obteve, por meio do arrefecimento do líquido fluorescente em contacto com o ar, um ou vários elementos novos. Restam as escórias. Essas escórias, vai ele lavá-las durante meses em água tri destilada. Depois manterá essa água ao abrigo da luz e das variações de temperatura.
Essa água teria propriedades químicas e medicinais extraordinárias. É o dissolvente universal e o elixir de longa vida tradicional, o elixir de Fausto (personagem de Goethe que vendeu a alma em troca da imortalidade).
Nota: O professor Ralph Milne Farley, senador dos Estados Unidos e professor de física moderna na Escola Militar de West Point, chamou a atenção para o fato de certos biologistas pensarem que o envelhecimento é devido à acumulação de água pesada no organismo. O elixir de longa vida dos alquimistas seria uma substância eliminando seletivamente a água pesada. Tais substâncias existem no vapor de água. Porque não existirão na água líquida tratada de certa maneira? Mas poderia uma descoberta desta natureza ser divulgada sem perigo? O professor Farley imagina uma sociedade secreta de imortais, ou quase-imortais, existindo desde há séculos e reproduzindo-se por cooptação. Uma sociedade destas, que não se meteria em política e não se imiscuiria de forma alguma nas questões dos homens, teria todas as probabilidades de passar despercebida. . .
Aqui, a tradição alquímica parece de acordo com a ciência de vanguarda. De fato, para a ciência ultramoderna, a água é uma mistura extremamente complexa e reagente. Os investigadores debruçados sobre a questão dos oligoelementos, especialmente o doutor Jacques Ménétrier, constataram que, praticamente, todos os metais eram solúveis na água em presença de certos catalisadores, como a glucose, e sob determinadas variações de temperatura. Além disso, a água formaria verdadeiros compostos químicos, hidratos, com gases inertes tais como o hélio e o argônio. Se se soubesse qual o constituinte da água responsável pela formação dos hidratos em contacto com um gás inerte, seria possível estimular o poder solvente da água e portanto obter um verdadeiro dissolvente universal. A revista russa Saber e Força, incontestavelmente séria escrevia no seu número 11, de 1957, que talvez um dia se obtivesse esse resultado bombardeando a água com radiações nucleares e que o dissolvente universal dos alquimistas seria uma realidade antes do final do século. E essa revista previa um certo número de aplicações, imaginava a abertura de túneis por meio de um jacto de água ativada.
O nosso alquimista, portanto, encontra-se agora de posse de um certo número de corpos simples desconhecidos na natureza e de alguns frascos de uma água alquímica susceptível de lhe prolongar consideravelmente a vida, através do rejuvenescimento dos tecidos.
Agora vai tentar combinar novamente os elementos simples que obteve. Mistura-os no seu almofariz e derrete-os a baixas temperaturas, na presença de catalisadores a respeito dos quais os textos são muito vagos. Quanto mais se avança no estudo das manipulações alquímicas, mais os textos são difíceis de compreender. Aquele trabalho irá ocupá-lo ainda durante alguns anos.
Afirmam que, desta forma, ele obteria substâncias absolutamente semelhantes aos metais conhecidos, e em especial aos metais bons condutores do calor e da eletricidade. Seriam estes o cobre alquímico, a prata alquímica, o ouro alquímico. Os testes clássicos e a espectroscopia não permitiriam verificar a novidade dessas substâncias, e no entanto elas possuiriam propriedades novas, diferentes das dos metais conhecidos, e muito surpreendentes.
Se as informações que temos são exatas, o cobre alquímico, aparentemente semelhante ao cobre conhecido e no entanto muito diferente, teria uma resistência elétrica infinitamente fraca, comparável à dos supercondutores que o físico obtém nas proximidades do zero absoluto. Este cobre, se pudesse ser utilizado, revolucionaria a eletroquímica.
Outras substâncias, resultantes da manipulação alquímica, seriam mais surpreendentes ainda. Uma delas seria solúvel no vidro, a baixa temperatura e antes do momento da fusão deste. Essa substância, ao tocar o vidro ligeiramente amolecido, dispersar-se-ia no interior, dando-lhe um colorido vermelho-rubi, com fluorescência lilás na escuridão. É ao pó obtido pela trituração desse vidro, modificado no almofariz de ágata, que os textos alquímicos chamam o pó de projeção ou pedra filosofal. "Com isso, escreve Bernard, conde da Marche Trévisane, no seu tratado filosófico, se termina a elaboração dessa Pedra superior a todas as pedras preciosas, a qual é um tesouro infinito à glória de Deus que vive e reina eternamente".
São conhecidas as maravilhosas lendas ligadas a essa pedra pó de projeção que seria susceptível de assegurar transmutações de metais em quantidades consideráveis. Transformaria, inclusivamente, certos metais vis em ouro, prata ou platina, mas tratar-se-ia então de um dos aspectos do seu poder. Seria uma espécie de reservatório de energia nuclear em suspensão, facilmente manejável.
Voltaremos em breve aos problemas que as manipulações do alquimista põem ao homem moderno esclarecido, mas detenhamo-nos exatamente onde se detêm os textos alquímicos. Eis a grande obra realizada. Produz-se no próprio alquimista uma transformação que esses textos evocam, mas que nós somos incapazes de descrever por não possuirmos a esse respeito mais do que umas poucas noções analógicas. Essa transformação seria como que a promessa, através de um ser privilegiado, daquilo que espera a humanidade inteira no termo do seu contacto inteligente com a Terra e os seus elementos: a sua fusão em Espírito, a sua concentração num ponto espiritual fixo e a sua união com outros centros de consciência através dos espaços cósmicos. Progressivamente, ou num súbito clarão, o alquimista, segundo a tradição, descobre o significado do seu longo trabalho. Os segredos da energia e da matéria lhe são desvendados, e ao mesmo tempo tornam-se visíveis as infinitas perspectivas da vida. Ele possui a chave da mecânica do Universo. Ele próprio estabelece novas relações entre o seu espírito, dali em diante animado, e o espírito universal em eterno progresso de concentração. Serão certas radiações do pó de projeção responsáveis por uma transmutação do ser físico?
A manipulação do fogo e de certas substâncias permite, portanto, não só transmutar os elementos, como ainda transformar o próprio investigador. Este, sob a influência das forças emitidas pelo crisol (quer dizer, das radiações emitidas por núcleos a sofrerem modificações de estrutura), entra noutro estado. Nele se operam mutações. A sua vida prolonga-se, a sua inteligência e as suas percepções atingem um nível superior. A existência de tais seres, biológica e psiquicamente novos, é um dos alicerces da tradição Rosa-Cruz. O alquimista passa a outro estado do ser. É elevado a outro grau da consciência. Tem a sensação de que só ele se encontra desperto e que todos os outros homens ainda dormem. Escapa ao vulgar humano e desaparece, como Mallory sobre o Everest, depois de ter tido o seu minuto de verdade.”
A Pedra filosofal representa desta forma o primeiro degrau susceptível de auxiliar o homem a elevar-se em direção ao Absoluto. Para além começa o mistério. Aquém não há mistério, nem esoterismo, nem outras sombras exceto as que projetam os nossos desejos e sobretudo o nosso orgulho. Mas, como é mais fácil satisfazermo-nos de idéias e de palavras do que fazer qualquer coisa com as próprias mãos, com a nossa dor e a nossa fadiga, no silêncio e na solidão, é mais cômodo procurar um refúgio no pensamento chamado "puro", do que batermo-nos corpo a corpo contra o peso e as trevas da matéria. A alquimia proíbe qualquer evasão deste gênero aos seus discípulos. Deixa-os frente a frente com o grande enigma. . . Apenas nos assegura que “se lutarmos até ao fim para nos libertarmos da ignorância, a própria verdade lutará por nós e vencerá finalmente todas as coisas. 
Talvez comece então a VERDADEIRA METAFÍSICA."

domingo, 10 de junho de 2012

O Templo Dentro do Homem

Luxor - Reconstituição Histórica e Artística
  As tradições autênticas na sua maioria consideravam e apresentavam o templo como uma representação da configuração interior do Ser Humano. As catedrais góticas são um exemplo disso, o Templo de Salomão é outro, cultuado na Tradição Hebraica, Cristã, e na Maçonaria, e os templos egípcios, particularmente o de Luxor no Egito, estão na mesma direção.
Atualmente ao ligarmos a TV a cabo temos uma incrível profusão de documentários sobre o Egito. Já que estamos na era do lixo cibernético do Kali Yuga, existem desde uns poucos filmes de pesquisadores de formação séria e de mentalidade científica aberta até uma maioria  de documentários de "cientistas" histriônicos ou caricatos falando muita abobrinha. O ministro de Estado de Antiguidades do Egito, Zahi Hawas é um deles, que além de prestar um desserviço à real história do Egito e à humanidade por não aceitar que a cronologia da história arqueológica oficial das pirâmides e da esfinge estão erradas, agora virou um Indiana Jones de documentários, exibindo na tela a sua prepotência científica e histórica equivocadas. Um tôsco. Nada de novo nessa área, principalmente tendo sido ministro vitalício de um ditador assassino, condenado à prisão perpétua. Só é novo o fato de o assunto estar vendendo bem na mídia devido à demanda de conhecimento real pelas pessoas.
Nessa paisagem faz falta René Adolphe Schwaller de Lubicz (1887 – 1961), que juntamente com sua esposa Isha empreendeu in loco no Egito, morando num hotelzinho espartano, um aprofundado estudo da antiga tradição egípcia de onde veio a publicar livros que se consagraram, como The Temple in Man - Sacred Architecture and the Perfect Man (1977), seu estudo sobre o Templo egípcio “dentro do Homem”.
O stablishment egiptológico da época, como sempre, pelo tradicional espírito de classe, chiou ao ver um não credenciado falando sobre o tema sem ter o canudo de doutor no assunto. Tinham muito o que aprender os arrogantes.
A forma apaixonada, incansável, inteligente e espiritualizada de tratar o tema produziu obras de valor inestimável. Ele inaugurou na época uma forma de estudar um assunto histórico abordando-o interiormente dentro de si e voltando ao espírito do tempo (Zeitgeist) da civilização da época, no caso o Egito.
Vamos transcrever a introdução de seu livro feita por Robert Lawlor, mitógrafo e simbologista que foi aluno de Sri Aurobindo em seu ashram em Pondicherry na Índia. 

Lubicz apresenta o que deve ser uma Egiptologia de qualidade que conduzirá os leitores não só à cultura da época, mas ao verdadeiro papel esotérico da cultura no desenvolvimento interior. Vamos lá:
“No exame escrupuloso  de Schwaller de Lubicz da arte e arquitetura do Templo de Luxor, pelo menos, dois níveis simultâneos são desenvolvidos em qualquer dado ponto. Um deles é o estudo do Egipto como uma civilização que existiu em um lugar factual geográfico e temporal (incluindo o seu povo, a mitologia, os formatos sociais, seu desdobramento cronológico, os seus monumentos e artefatos), mas este nível é apenas um pano de fundo, ou de apoio, para outro Egito, que pode ser definido como uma "qualidade de inteligência." Este é o Egito como uma evocação de uma utilização e expressão determinadas de um poder universal da maior inteligência. Este Egipto está fora de considerações cronológicas, mas é, sim, tanto um “estar presente” quanto uma contínua possibilidade de consciência.
Em sua abordagem do Egito, Schwaller de Lubicz salienta a visão de que, a fim de compreender o significado de uma fase de intensa entre variadas expressões históricas do homem, nós temos necessidade de impor a nós mesmos a disciplina de tentar entrar na mentalidade das pessoas e do espírito do tempo (ou zeitgeist). Fazer isso significaria mais do que apenas aprender a linguagem e os símbolos do período em estudo. É preciso também “despertar em nós uma viva relação interior com o material que está sendo pesquisado e se identificar com ele de uma maneira potencialmente auto-transformadora”. Naturalmente, este ideal nunca pode ser plenamente alcançado, já que a nossa consciência atual está inevitavelmente com a gente (atrapalhando), mas, por outro lado, continuando a peneirar tudo da história através da nossa mentalidade presente, psicológicamente individualizada e racionalizada, nós distorcemos tudo para fora do reconhecimento do conteúdo e significado do passado. Essa distorção ocorre muitas vezes quando tentamos interpretar as grandes culturas mitológicas
, particularmente do Egito ou da Índia védica; tendemos a perder de vista o fato de que essas culturas expressaram uma mentalidade e valores diferente da nossa, e que elas tiveram um entendimento completamente diferente do objetivo e propósito de vida. Como resultado, em tudo de sua arte, ciência e conhecimento, essas culturas usaram modos e métodos diferentes de simbologia. Schwaller de Lubicz achou necessário investigar a natureza desta simbologia em si mesma a fim de chegar a um entendimento de “o que é um hieroglifo”. Isto ele levou a cabo em dois livros pequenos, "Proposta sobre Esoterismo e Símbolo" e "Símbolo e Simbolico", em traduções do francês para o inglês da editora Autumn Press. Isso que esses povos antigos pensavam de maneira diferente do que fazemos - e que devemos entender esta diferença se os estamos estudando devidamente - parece óbvio, mas um exemplo mostra quão difícil é colocar em prática essa idéia. Schwaller de Lubicz explica em "Le Temple de l'Homme (editora Caracteres, 1957) que, na antiga civilização dos templos no Egito, “os números, a nossa mais antiga forma de símbolo, não simplesmente designam quantidades mas em vez disso, foram considerados como serem definições concretas de princípios energéticos que formam a Natureza”.
Os egípcios chamavam esses  princípios energéticos Neters, uma palavra que é convencionalmente traduzida como "deuses" (?).
"Ao considerar o significado esotérico do número, devemos evitar o seguinte erro: Dois não é um mais um. Não é um composto. É um trabalho multiplicador; é a noção do mais em relação ao menos, é uma nova Unidade, é a sexualidade, que é a origem da Natureza (já que o dois exige um gerar). Physis o Neter Dois (gênese, manifestação) é o ponto culminante (o momento separador da lua cheia, por exemplo), é a linha, o cajado, movimento, a forma, Wotan, Odin, o medidor de Thoth, Mercúrio ou Hermes, Espírito. "
Além disso, quando os antigos consideravam o processo matemático de multiplicação, o seu modo de cálculo tinha uma relação direta com os processos naturais da vida, bem como os metafísicos. Schwaller de Lubicz chamava este modo de o "princípio da travessia" (curiosamente, hoje continuam a simbolizar a multiplicação com o sinal de uma cruz: X). Esse “cruzar” não era uma manipulação mental, estéril, numérica mas um símbolo para “o processo pelo qual as coisas entram em existência corpórea” (algo atravessa outro plano). Todo o nascimento na natureza exige um cruzamento de opostos. Pode ser o cruzamento de linhas verticais e horizontais, que dão nascimento ao quadrado, a primeira superfície mensurável, ou o masculino e feminino dando origem a um novo indivíduo, ou urdidura e trama criando um tecido; ou luz e escuridão dando origem a formas tangíveis, ou matéria e espírito, dando à luz a própria Vida. Assim, a conexão viva do mental ligando a abstração do cálculo com a sua contraparte dos fenômenos naturais deu ao matemático antigo a base filosófica para a vida e sua ciência.
Da mesma forma, esses povos antigos não usavam as palavras como nós usamos, ou seja, como símbolos ou sons ligados entre si, que fixaram associações memorizadas as quais nós compusemos em padrões seqüenciais dentro da mente. Para eles, as palavras eram de uma  natureza musical, ou mais precisamente, "falar era um processo de gerar campos sonoros estabelecendo uma imediata identidade vibratória com o princípio fundamental que está atrás de qualquer objeto ou forma". A faraônica inteligência que Schwaller de Lubicz revela para nós não a mentalidade analítica visualizadora que nós conheceemos, mas um modo sonar-intuitivo. No templo egípcio, escreveu Caspar Maspero, a voz humana é o instrumento por excelência do sacerdote e do mago. É a voz que busca longe os Invisíveis convocados e transforma os objetos necessários em realidade. . .  Mas, como cada um dos tons tem a sua força particular, muito cuidado deve ser tomado para não mudar sua ordem ou para substituir um pelo outro.
Claramente, esta abordagem à Egiptologia exige uma mudança de qualidade em nós se quisermos entrar no espírito dos faraós. E essa mudança em nosso pensamento pode nos oferecer a perspectiva não só da inteligência muito diferente do passado, mas sobre as limitações e excessos do nosso intelecto também.
Esta meditação meticulosa sobre as pedras e estátuas de Luxor também levanta questões de grande alcance sobre a função e a natureza da própria história. Em particular, começamos a ver que o Egito pode ter deixado para nós, algumas chaves essenciais para nos ajudar a encontrar o nosso caminho em direção a uma integração de coisas metafísicas (espírito), matemáticas (mental, científica), musicais (vibracional, viva) e fisiológicas (física ou material).
Como uma civilização, o Egito certamente eleva para nós um modelo desta expressão reintegrada dos vários planos e de partes de nossa natureza individual e da vida cósmica do nosso universo, e assim, pode revelar-se de mais valor, na crise espiritual que atualmente nos confronta, do que as religiões transcendentais adaptadas de várias antigas culturas orientais. O Egito não era da linhagem que defende a transcendência junto com a negação da existência material. Ele ensinou, em vez disso a transformação. O nome antigo para o Egito era "Kemi," que significa "Terra Negra", que é o campo fértil de transformação da Vida (minerais em plantas, sob a ação do Sol). Os árabes, Schwaller de Lubicz aponta, chamavam o Egito "Al-Kemi" como salientava Henry George Farmer em "A Música do Antigo Egito."
Assim, encontramos em seu próprio nome essa ancestral e  universal doutrina, muitas vezes disfarçada em símbolos e parábolas. Essa doutrina abarca uma visão do princípio de que "a matéria é um campo de existência que é sensível ao estímulo e é capaz de ser transformada por influências espirituais trazidas através da evolução da consciência encarnada e individualizada".
O Ocidente de hoje poderia se beneficiar dessa filosofia de profundidade espiritual que não suprime, diminue ou nega a nossa natureza intelectual e material, mas cumpre o nosso compromisso com o significado da vida humana e essa expressão material do universo.
Essa alquimia perdida, cuja busca se estende de volta no tempo ao seu florescimento no Egito antigo, podem ser vista como as raízes ocultas esotéricas tanto da civilização quanto dos indivíduos ao longo do tempo registrado. É esta mesma alquimia que se encontra no núcleo da sua visão do cosmos humano -  “do homem como um ser e que contém dentro de si o universo inteiro”. Esta visão, que é introduzido por Schwaller de Lubicz nestas páginas, e expandida e trazida para a vida em sua principal obra, O Templo no Homem, nos deixa com uma única e duradoura mensagem: “a ressurreição inevitável da essência espiritual que encobriu a si mesma com matéria, na forma de energia criativa orgânica”.
Essa “ressurreição” depende da transformação do universo material, ou para expressar a idéia mais como o Egito deixou impressa nas pedras de Luxor: “o nascimento do homem divino (simbolizado pelo faraó) depende da transformação da mãe universal (Materia prima) (*). 

Essa transformação era considerada o único objetivo cósmico! Cada nascimento humano participa dessa alquimia, tanto em uma forma desperta, através do aperfeiçoamento intencional e expressão de sua natureza superior, como da não desperta, através do tumulto e o sofrimento da experiência cármica conduzindo eventualmente à espiritual “consciência de sí”, que é o templo no homem.
A intensificação e elevação da consciência humana foi acreditada como causadora biológica de até mesmo alterações celulares no corpo físico do Iniciado. “Essa divinização do corpo individual, no nível microcósmico, compõe o objetivo e propósito da evolução da consciência humana em geral”.
Dentro do Templo do Egito, o crescimento psico-espiritual foi casado com disciplinas intelectuais e fisiológicas precisas que agiram para “acelerar a influência e os efeitos transformadores do espírito sobre a matéria”. Como alquimia egípcia, estamos considerando, então, uma ciência no sentido mais elevado da palavra, e muito diferente da nossa. Foi a ciência voltada para a incorporação de conhecimento espiritual, para a interiorização e expressão corporal de poderes intelectuais e espirituais, ao invés da utilização mecanicista de “saber e poder” para a exploração e manipulação do ambiente terrestre.
O Templo era o auge da vida coletiva, sempre guiando a energia da "civilização de vida longa do Vale do Nilo" em direção a gestação de uma “humanidade divina”, fora da transitória forma humana”.

(*) Curiosamente, esse é o conceito da Ressurreição no Cristianismo Esotérico, que já citamos na postagem "Corpo de Glória, Corpo de Arco-Íris, Terceira Atenção" , e que
não é buscar o Espírito fora de nós, mas transformar a matéria densa dentro de nós em Espírito É transformar os metais em ouro. Alquimia pura. Esse é o significado do Resgate da Matéria, da Ressurreiçao e Ascenção. É resgatar a matéria e trazê-la para o Divino.  
Êta mundo velho sem porteeeira!...