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sábado, 4 de janeiro de 2014

O Ego e A Queda

Todas as tradições ancestrais falam de uma época em que o ser humano estava conectado com o Universo: O Jardim do Éden, A Idade de Ouro, e outros nomes. Tudo era mais fácil e o ser humano estava ligado naturalmente com as energias do Universo. Falam também de um estranho evento ou período a partir qual a existência do ser humano foi sendo tingida por dificuldades de toda ordem desde o parto até a morte, passando por uma existência difícil de dores, sofrimento, doenças guerras, violência, e por aí afora. Ele está até hoje afastado da Fonte. É só olhar a História e constatar.
Como já dissemos em publicações anteriores todas as tradições autênticas se detiveram sobre esse fato, dando uma visão e explicação sobre o que teria acontecido. Castaneda dá a visão tolteca de "uma instalação forânea" colocada no centro da cabeça correspondente ao centro mental, Gurdjieff dá a visão oriental das tradições onde aprendeu, e fala de um órgão implantado no ser humano chamado "kundabuffer" que era temporário e ficou definitivo. O budismo e o hinduismo também tocam no assunto.
Tolle, como sempre, dá uma perspectiva iluminada, coerente e sóbria sobre esses temas e acrescenta  o fato de que essa fase é necessária para a evolução humana, que tudo tenha sido como foi. Esse texto é uma transcrição de uma palestra de Eckhart Tolle onde fica claro que estamos no limiar de um degrau previsto na evolução e que temos que passar por isso.
Vamos lá:

"O Universo cometeu um erro com o Ego?
...Sim...é... embora sobre um certa perspectiva pode parecer bastante insano, sob uma perspectiva mais elevada ele é normal e é parte do processo evolutivo das espécies. É um estágio na evolução.
Como estamos nos aproximando de um novo estágio na evolução, estamos começando a ver que o Ego esta perdendo completamente sua utilidade.
Mas ele tinha sua utilidade. E só agora começamos a ver que ele é insano, porque estamos nos aproximando de um novo estágio na evolução humana.
Antes ninguém podia ver que o ego era insano, exceto os muitos raros grandes mestres.
Buda disse: “Ele é uma ilusão” .Jesus disse: “Negue-se a si mesmo”;  o que significa: “Reconheça a irrealidade do ego”. Mas não muitas pessoas entenderam o que eles disseram.
Eles eram um tipo de precursores do próximo passo. Estavam apontando para isso antes de realmente surgir um verdadeiro despertar no planeta.
Então sob a nossa presente perspectiva, no fim  de um estágio evolucionário, o ego parece ser totalmente absurdo uma vez que vemos o que ele é e quanto estrago tem feito. Mas sob uma perspectiva mais elevada, ele é parte da evolução humana
e não poderia haver, por fim, nenhuma iluminação e nenhum despertar sem ele. Então, esta bem.
Você pode ver isso em sua própria vida, o como que você tem que passar através da ignorância em sua própria vida - eu não estou me referindo aqui à ignorância como falta de educação, mas a ignorância espiritual - sabendo essencialmente quem você é, fazendo tantos erros com base na identidade ilusória do ego. E agora você pode vê-lo e você tem que passar através disso.
Parece ter acontecido que a humanidade uma vez ainda não tinha ego. O que é conhecido na base de diferentes e não conectadas  culturas como o mito da “Idade de Ouro”. Era quando os homens viviam em harmonia um com os outros e com a natureza e que a vida era fácil.
Isso aponta para o fato que há muitos e muitos anos atrás o homem viveu um momento com um senso de unidade com a natureza, quando o ego ainda não tinha se desenvolvido.
A memória disso provavelmente depois sobreviveu como o mito da “Idade de Ouro”. No Velho Testamento aparece como o “Paraíso”, que é um aspecto do mito da “Idade do Ouro”, quando o vida era fácil.
E então algo aconteceu! A “Queda” ou como a queira chamar. E isso sem dúvida foi o início da habilidade humana de pensar. E foi como algo milagroso. 
O pensamento surgiu subitamente. Alguns antropólogos nos dizem - e eu acredito que eles estão certos - que quando o pensamento surgiu nos homens eles ficaram muito surpresos e acharam que Deus estava lhes falando em sua cabeça, o que foi parte do desenvolvimento da linguagem, e a linguagem começou a aparecer na cabeça das pessoas. Quem está falando...!
E quando o pensamento vinha então eles agiam...
Mate esse homem... os inimigos, a outra tribo, eles não eram humanos... E o que a voz esta me dizendo...
Então a voz na cabeça, a linguagem internalizada,
que eles pensavam ser milagrosa, pois tornou muitas coisas possíveis que não poderiam sê-lo  sem ela.
O conhecimento surgindo... você podia transmitir conhecimento. Toda civilização como a conhecemos não poderia acontecer sem isso.
Toda a forma de transmissão de conhecimento:
arquitetura, filosofia, matemática, todas as coisas conceituais surgindo. Coisas milagrosas, coisas estranhas.
No decorrer de um milênio a voz se tornou tão penetrante que tomou conta do senso de identidade das pessoas. 
Provavelmente por muito tempo antes do surgimento do pensamento os homens ainda tinham o senso natural de arraigamento na profundidade de seu ser,
o que foi, gradualmente, pelo milênio, deslocado, mais e mais, para dentro do modo de pensamento na cabeça.
Então todo o senso de identidade não estava mais arraigado no profundo sentido do ser, mas na voz dentro da cabeça. Mas isso tornou muita coisa possível.
Agora, o próximo passo na evolução é um retorno ao estado de pré-ego, mas com a dimensão adicional de se saber, conscientemente, de sua conexão como o UM.
No estado anterior essa conexão não era auto sabida, mas sim um estado natural de conexão.
Mas agora, quando for para além do ego, você intencionalmente retorna, conscientemente, ao UM.
Essa é a próxima etapa. Então não é um regressar.
De certo modo você volta para a “Idade do Ouro”, mas  agora com Conhecimento.
E isso é expresso na antiga parábola bíblica que fala no “Filho Pródigo”. 
O filho deixa a casa do pai, pede-lhe para lhe dar sua parte na herança e vai para um “país distante” onde esbanja todos os seus bens e se torna destituído.
Então recebe a mensagem de seu pai por um mensageiro: “Volte para casa, volte para mim”.
Então o filho começa a se lembrar de quem ele é e começa o caminho de volta para a “Casa do Pai”.
E a parábola diz que então ele é amado mais profundamente do que era.
Primeiro você O perdeu – não completamente, porque isso não é possível pois sem ele você não existiria –
e quando você volta a Ele, Lhe está ainda mais profundamente ligado. E a isso é aonde nós estamos destinados ir.
Então quando você percebe isso, você fica realmente agradecido ao ego porque ele é parte dessa jornada.
Sim, muito obrigado.
Parte do surgimento e da dominação do ego é a ilusão de se ser uma entidade separada, não conectada a outros humanos, ao Todo mesmo, à natureza ou, mais fundamentalmente, não conectada com a Fonte da Vida que algumas vezes chamamos Deus.
Essa é uma ilusão muito disseminada na maioria dos humanos que vivem agora no planeta atraídos na ilusão da separatividade.
Por exemplo, a humanidade pode dizer que ela existe no Universo.
É como você tivesse sido posto no Universo: aqui estou eu e lá está o resto do Universo e as outras pessoas. A verdade é sem dúvida que você não esta NO Universo, mas você É o Universo.
Você é uma parte intrínseca da totalidade. Você não esta nele, porque se você pensa que esta nele você esta separado. Então você é ele. Você não esta nele.
O Universo esta despertando e você é, sem dúvida, uma pequenina parte, mas uma parte essencial, desse despertar do Universo.
Isso significa que a consciência esta vindo a essa dimensão a partir do “sem tempo”, onde não há nenhuma evolução.
Esse “sem tempo” é o Ser e você não pode nem mesmo alcança-lo com palavras ou pensamentos.
O “sem tempo” então começa a brilhar dentro do mundo do tempo – nossa dimensão.
E a isso podemos chamar do despertar através das formas de vida, e as formas de vida se tornam mais ajustadas ao despertar do Universo.
Você é parte disso, e você é, e eu sou e, por fim, sem duvida, todo o Eu. Então o Eu está despertando, você é o Eu, então você esta despertando para fora da ilusão de ser uma entidade separada.
E sem dúvida essa ilusão surgiu porque você esta completamente identificado com o senso de “self” (si mesmo) elaborado pela mente, criando assim a ilusão da separatividade.
O simples fato de olhar outro ser humano sem a interferência do pensamento conceitual - somente um ver sem notar - remove a ilusão da separatividade entre você e o outro. É somente quando surge o julgamento sobre o outro é que o outro se torna “o outro”.
O que o ego mais gosta é de enfatizar e fazer mais forte o senso de separação do outro. E ele faz isso criticando, julgando, se queixando dos outros, dizendo quão maus eles são...
As pessoas fazem isso coletivamente. Quando uma tribo fala de outra tribo fala deles como não sendo humanos mas demônios. E a outra tribo faz o mesmo com essa tribo. As nações fazem isso também.
Talvez um pouco menos agora, mas se você olhar para a primeira metade do sec. XX com as duas guerras mundiais, foi até politicamente aceitável fazer de outras nações demônios: japoneses fizeram dos americanos demônios....
Eu não estou dizendo que a profundidade da inconsciência é maior em certas nações que em outras. O que é sem dúvida verdade. Mas demonizar o outro é sem dúvida ego, ego coletivo. E a propaganda ...
Podemos ter isso no nível pessoal e no nível coletivo.
O ego gosta de enfatizar a separação do outro e isso tudo é parte da ilusão.
Então, voltando a uma coisa muito prática, olhar um outro ser humano sem a interferência do pensamento
é uma coisa bela e uma maravilhosa prática espiritual até que não venha a ser  mais uma prática espiritual,
mas um modo natural de interação com outro ser humano sem a interferência de rotular, julgar , sem o que eu quero de você, sem o que você pode fazer pra mim... Tão somente olhar, dar atenção... Não há mais o senso de separatividade.
Isso é o que o Dalai Lama chama de “gentileza” que é em realidade uma gentileza amorosa que desponta subitamente. Porque para a gentileza amorosa estar lá a ilusão de se ser uma totalmente separada entidade precisa ir. Porque a totalmente separada entidade não pode ter gentileza amorosa.
Ela pode até tentar ter a gentileza amorosa, mas não por muito tempo.
Então essa é a beleza disso.
Então você é uma parte essencial do Universo despertando. Então quando eu desperto o Universo ao meu redor esta também despertando e tudo em que estou envolvida também.
Sim, sim.
Não somente as mudanças em seu redor, mas também porque todos os seres humanos estão em conexão profunda, tal que uma transformação de consciência num ser humano afeta os outros, mesmo que não tenham conexão direta com você.
Porque isso é parte da consciência coletiva da humanidade.
Obrigado!

Transcrito por Paulo Azambuja, de palestra de Eckhart Tolle



domingo, 21 de abril de 2013

Dissolver o sofrimento

Enquanto não somos capazes de acessar o poder do Agora, vamos acumulando resíduos de sofrimento emocional. Esses resíduos se misturam ao sofrimento do passado e se alojam em nossa mente e em nosso corpo. Isso inclui o sofrimento vivido em nossa infância, causado pela falta de compreensão do mundo em que nascemos.
Todo esse sofrimento cria um campo de energia negativa que ocupa a mente e o corpo. Se olharmos para ele como uma entidade invisível com características próprias, estaremos chegando bem perto da verdade. É o sofrimento emocional do corpo. 
Apresenta-se sob duas modalidades: inativo e ativo. O sofrimento pode ficar inativo 90% do tempo, ou 100% ativado em alguém profundamente infeliz. Algumas pessoas atravessam a vida quase que inteiramente tomadas pelo sofrimento, enquanto outras passam por ele em algumas situações que envolvem relações familiares e amorosas, lesões 
físicas ou emocionais, perdas do passado, abandono, etc. Qualquer coisa pode ativá-lo, especialmente se encontrar ressonância em um padrão de sofrimento do passado. Quando o sofrimento está pronto para despertar do estágio inativo, até mesmo uma observação inocente feita por um amigo ou um pensamento é capaz de ativá-lo.
Alguns sofrimentos são irritantes, mas inofensivos, como é o caso de uma criança que não pára de chorar. Outros são monstros destrutivos e mórbidos, verdadeiros demônios. 
Alguns são fisicamente violentos; outros, emocionalmente violentos. Eles podem atacar tanto as pessoas à nossa volta quanto a nós mesmos, seus “hospedeiros”. Os pensamentos e sentimentos relativos à nossa vida tornam-se, então, profundamente negativos e autodestrutivos. Doenças e acidentes freqüentemente acontecem desse modo. Alguns sofrimentos podem até levar uma pessoa ao suicídio.
Às vezes levamos um choque ao descobrir uma faceta detestável em alguém que pensávamos conhecer bem. Entretanto, é mais importante observar essa situação em nós mesmos do que nos outros. Preste atenção a qualquer sinal de infelicidade em você, 
qualquer que seja a forma, pois talvez seja o despertar do sofrimento. Ele pode se manifestar como uma irritação, um sinal de impaciência, um ar sombrio, um desejo de ferir, sentimentos de raiva, ira, depressão ou uma necessidade de criar algum tipo de problema em seus relacionamentos. Agarre o sinal no momento em que ele despertar de seu estado 
inativo.
O sofrimento deseja sobreviver, mas, para isso, precisa conseguir que nos identifiquemos inconscientemente com ele. Portanto, quando o sofrimento toma conta de nós, cria uma situação em nossas vidas que reflete a própria freqüência de energia da qual ele se alimenta. Sofrimento só se alimenta de sofrimento. Não se consegue alimentar de 
alegria. Acha-a indigesta.
Quando o sofrimento nos domina, faz com que desejemos ter mais sofrimento. Passamos a ser vítimas ou perpetradores. Queremos infligir sofrimento, ou senti-lo, ou ambos. Na verdade, não há muita diferença entre os dois. É claro que não temos consciência disso e afirmamos que não queremos sofrer. Mas, preste bem atenção e verá 
que o seu pensamento e o seu comportamento estão programados para continuar com o sofrimento, tanto para você quanto para os outros. Se você estivesse consciente disso, o padrão iria se desfazer, porque desejar mais sofrimento é uma insanidade, e ninguém é insano conscientemente.
O sofrimento, a sombra escura projetada pelo ego, tem medo da luz da nossa consciência. Teme ser descoberto. Sobrevive graças à nossa identificação inconsciente com ele, assim como do medo inconsciente de enfrentarmos o sofrimento que vive dentro de nós. Mas se não o enfrentarmos, se não direcionarmos a luz da nossa consciência sobre o 
sofrimento, seremos forçados a revivê-lo. O sofrimento pode nos parecer um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma frágil. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença.
Alguns ensinamentos espirituais dizem que todo sofrimento é, em última análise, uma ilusão, e isso é verdade. A questão é se isso é uma verdade para você. Acreditar simplesmente não transforma nada em verdade. Você quer sofrer para o resto da vida e 
permanecer dizendo que é uma ilusão? Será que essa atitude livra você do sofrimento? O que nos interessa aqui é o que podemos fazer para vivenciar essa verdade, ou seja, torná-la real em nossas vidas.
Portanto, o sofrimento não quer que nós o observemos diretamente e vejamos o que ele realmente é. No momento em que o observamos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo a isso Presença. Passamos a ser testemunhas ou observadores do sofrimento. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior. 
Então, não temos mais como realimentá-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior. Acabamos de acessar o poder do Agora.
O que acontece ao sofrimento quando nos tornamos conscientes o bastante para romper a nossa 
identificação com ele? 
A inconsciência cria o sofrimento. A consciência transforma o sofrimento nela mesma. São Paulo expressa esse princípio universal de uma forma linda ao dizer: “Tudo é revelado ao ser exposto à luz e o que for exposto à própria luz se torna luz”. Assim como não se pode lutar contra a escuridão, não se pode lutar contra o sofrimento. Tentar fazer isso poderia gerar um conflito interior e um sofrimento adicional. Observar o sofrimento já é o bastante. Observá-lo implica aceitá-lo como parte do que existe naquele momento. 
O sofrimento consiste na energia vital aprisionada que se desprendeu do campo energético total e se fez temporariamente autônoma, através de um processo artificial de identificação com a mente. Ela se volta para dentro de si mesma e se torna algo contrário à 
vida, como um animal tentando comer o próprio rabo. Por que você acha que a nossa civilização se tornou tão autodestrutiva? Acontece que as forças destrutivas da vida, ainda são energia vital.
Mesmo quando começamos a deixar de nos identificar e nos tornamos observadores, o sofrimento ainda continua a agir por um tempo e vai tentar fazer com que voltemos a nos identificar com ele. Embora não esteja mais recebendo a energia originada da nossa 
identificação com ele, o sofrimento ainda tem sua força, como uma roda-gigante que continua a girar, mesmo quando deixa de receber o impulso. Nesse estágio, o sofrimento pode até ocasionar dores em diversas partes do corpo, mas elas não vão durar. Esteja presente, fique consciente. Vigie o seu espaço interior. Você vai precisar estar presente e alerta para ser capaz de observar o sofrimento de um modo direto e sentir a energia que emana dele. Agindo assim, o sofrimento não terá força para controlar o seu pensamento. 
No momento em que o seu pensamento se alinha com o campo energético do sofrimento, você está se identificando com ele e, de novo, alimentando-o com os seus pensamentos.
Por exemplo, se a raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento e você alimenta esse sentimento, insistindo em pensar no que alguém fez para prejudicá-lo ou no que você vai fazer em relação a essa pessoa, é porque você já não está mais consciente, e o sofrimento se tornou “você”. Onde existe raiva, existe sempre um sofrimento oculto. 
Quando você começa a entrar em um padrão mental negativo e a pensar como a sua vida é horrorosa, isso quer dizer que o pensamento se alinhou com o sofrimento e que você passou a estar inconsciente e vulnerável a um ataque do sofrimento. Utilizo a palavra “inconsciência” no presente contexto para significar uma identificação com um padrão 
mental ou emocional. Isso implica uma ausência completa do observador.
Manter-se em um estado de alerta consciente destrói a ligação entre o sofrimento e o mecanismo do pensamento, e aciona o processo de transformação. É como se o sofrimento se tornasse o combustível para a chamada da consciência, resultando em um brilho de mais intensidade. Esse é o significado esotérico da antiga arte da alquimia: a transformação do metal não-precioso em ouro, do sofrimento em consciência. A separação interior cicatriza, e você se torna inteiro outra vez. Cabe a você, então, não criar um sofrimento adicional.
Resumindo o processo: concentre a atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é o sofrimento. Aceite que ele esteja ali. Não pense a respeito. Não permita que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise. Não se 
identifique com o sentimento. Esteja presente e observe o que está acontecendo dentro de você. Perceba não só o sofrimento emocional, mas também a presença “de alguém que observa”, o observador silencioso. Esse é o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente. 
Veja, então, o que acontece.

Extraído de O Poder do Agora - Eckhart Tolle

domingo, 17 de março de 2013

O Corpo de Dor, ou Corpo de Sofrimento

No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos –“ o pensamento acontece em nós”.
“Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece.
A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma.
O ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz.
A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.
A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo - a ameaça vem da mente.
O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso.
Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja - tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina com, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: INFELICIDADE.
Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.
O “corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia.
Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos - o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso. Isso acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.
Nos relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida.
Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.
Pode ser um verdadeiro choque quando - talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel - vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.
A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa - a que nunca tínhamos visto antes- e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu temporariamente o controle.
Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um “corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse um “corpo de dor” tão denso. O começo da nossa libertação do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que nós o temos.
É nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor” torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente.
No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia.
A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua freqüência vibracional e é convertida em “presença”.
Uma pergunta que as pessoas costumam fazer é:
"De quanto tempo precisamos para nos libertar do corpo de dor?".
Evidentemente, isso depende tanto da densidade do corpo de dor quanto do grau, ou da intensidade, da presença manifestada em cada um de nós.
No entanto, não é o corpo de dor, e sim a identificação com ele que causa o sofrimento que infligimos a nós mesmos e aos outros. É essa identificação que nos leva a reviver o passado vezes sem conta e nos mantém no estado de inconsciência.
Assim, uma pergunta mais importante a se fazer seria esta:
"De quanto tempo necessitamos para nos libertar da identificação com o corpo de dor?"
A resposta a esta pergunta é: não demora tempo nenhum.
Sempre que o corpo de dor estiver em atividade, temos que estar cientes de que o que estamos sentindo é o corpo de dor em nós. Esse conhecimento é tudo de que precisamos para interromper a identificação com ele. E, quando essa identificação cessa, a transmutação tem inicio.
O conhecimento impede que as emoções antigas surjam na nossa cabeça e controlem não só o diálogo interior como também nossas ações e interações com as pessoas. Assim, o corpo de dor não conseguirá mais nos usar e se renovar por nosso intermédio.
As antigas emoções podem ainda viver em nós por algum tempo e aparecer de vez em quando. Talvez também nos enganem ocasionalmente, fazendo com que nos identifiquemos com elas de novo e, desse modo, obscureçam o conhecimento, porém não por muito tempo.
Não projetarmos as antigas emoções nas situações significa que devemos encará-las diretamente dentro de nós. Pode não ser agradável, mas isso não chega a nos matar. Nossa presença (*) é mais do que capaz de conte-las. As emoções NÃO são quem nós SOMOS.
(*) Nota - "estar presente": estar no agora, consciente, centrado, focado, ser o observador.
Portanto, quando sentir o corpo de dor, não comece o equivoco de pensar que existe algo errado com você. O ego adora quando você faz de si mesmo um problema.
O conhecimento precisa ser seguido pela aceitação.
Qualquer outra coisa, irá obscurecê-lo novamente.
Aceitação significa que você se permite sentir qualquer coisa naquele momento. Isso é parte da essência do Agora. Você não pode discutir com “o que é”. Bem, você pode. No entanto, se fizer isso, sofrerá.
Por meio da aceitação, você se torna o que você é: vasto, pleno de espaço. Transforma-se no todo. Não é mais um fragmento, que é como o ego vê a si mesmo. Sua natureza verdadeira emerge, e ela está unificada com a natureza de Deus.
Jesus indica isso nesta passagem: "Portanto, sede um todo. Assim como vosso Pai celeste é um todo". (Mateus 5:48)
No Novo Testamento temos, porem  "sede perfeitos", o que é um erro de tradução da palavra grega original, que significa "todo".
Ou seja, não precisamos nos tornar um todo, mas sermos o que já somos - com ou sem o corpo de dor.

Do livro  O Despertar de Uma Nova Consciência - Eckhart Tolle

domingo, 9 de setembro de 2012

O Roubo da Couve Flor


Yogananda
Sri Yuktéswar
Nas primeiras publicações deste blog, apresentamos o texto O Segredo da Vida Equilibrada, uma das melhores coisas que já foram escritas por um mestre. O texto é de Yogananda no seu livro Autobiografia de um Yogui Contemporâneo. Uma pérola.
Nesta passagem abaixo, no mesmo livro,  Yogananda conta como Srí Yuktéswar, seu mestre, o surpreendia com sua mestria mansa e bem humorada, e com seus poderes aparentemente incríveis, que vinham de uma mente poderosamente assentada no Silêncio que tudo percebe. Hoje chamamos isso de poderes, mas são, inversamente, o resultado despretensioso  de um fluir solto da mente do mestre, que por isso acessava de forma simples, paragens akáshicas impensáveis do espectro possível ao humano. O que chamamos ingenuamente de poder vinha, contraditoriamente, do Silêncio, Presença, Desapego e abandono do ego. Curiosamente o trabalho interior nos ensina que devemos estar presentes e atentos ao Si Mesmo, e desapegados de Si Mesmo. Ao mesmo tempo, moçada. Ao mesmo tempo. Aí está o nó, e a chave do mistério...ficar nessa corda bamba, no fio da navalha.
O Invisível se apresenta no Silêncio, na simplicidade e no Desapego Atento. Vamos lá:
“-Mestre, um presente para o senhor! Estas seis enormes couves-flores foram plantadas por minhas mãos; cuidei de seu crescimento com ternura de mãe que aleita e cria seu filho. - Apresentei a cesta de vegetais com um gesto floreado e cerimonioso.
- Obrigado! - O sorriso de Srí Yuktéswar era de calorosa apreciação. - Por favor, guarde-as em seu quarto; precisarei delas amanhã para um jantar especial.
-Eu acabava de chegar a Puri para gozar minhas férias de verão em companhia de meu guru, em seu eremitério à beira-mar. Construído pelo Mestre e seus discípulos, o alegre e pequenino retiro, com um andar superior, dá frente para a baía de Bengala. (Puri, cerca de quinhentos quilômetros ao sul de Calcutá, é uma famosa cidade de peregrinação para os devotos de Krishna; seu culto celebra-se ali, todos os anos, com dois enormes festivais, Snanavátra e Rathayátra.)
Acordei cedo na manhã seguinte, reanimado pela salgada brisa marinha e o encanto quieto do áshram. A voz melodiosa de meu guru estava chamando; dei uma vista de olhos às minhas estimadas couves-flores e acondicionei-as com esmero sob meu leito.
- Venham, vamos à praia. - O Mestre seguia em frente, mostrando o caminho; diversos discípulos jovens e eu o seguíamos, em grupo esparso. Nosso guru nos examinava com brando espírito crítico.
- Quando nossos irmãos ocidentais caminham, timbram comumente em “acertar o passo”. Agora, por favor, marchem em duas fileiras; conservem todos o mesmo passo, ritmicamente. - Srí Yuktéswar observava se obedecíamos; começou a cantar: “Meninos marcham, ida e volta, em garbosa fileira”. Era-me impossível não admirar a facilidade com que o Mestre acompanhava o passo rápido de seus jovens estudantes.
- Alto! - Os olhos de meu guru procuravam os meus. - Você se lembrou de fechar a porta traseira do eremitério? - Penso que sim, senhor.
Sri Yuktéswar permaneceu silencioso durante alguns minutos, com um sorriso meio reprimido em seus lábios. - Não, você se esqueceu - disse ele, afinal. - A contemplação divina não se deve tornar uma desculpa para o descuido material. Você descurou seu dever de salvaguardar o áshram; deve ser punido.
Julguei que ele estivesse obscuramente gracejando quando acrescentou: - Suas seis couves-flores, em breve, serão apenas cinco.
Demos meia volta, obedientes às ordens do Mestre, e nos apressamos até as proximidades do eremitério. - Descansem um pouco, todos. Mukunda, olhe à esquerda, por entre o casario; observe a estrada além. Ali, certo homem aparecerá logo, e será o instrumento de seu castigo.
Escondi meu vexame ao receber estas indicações incompreensíveis. Um camponês logo apareceu na estrada; dançava grotescamente e movia os braços em torno, gesticulando sem sentido. Quase paralisado de curiosidade, não despreguei os olhos do hilariante espetáculo. Quando o homem atingiu um ponto da estrada, de onde desaparecia de nossa vista, Sri Yuktéswar disse: - Agora, ele dará mais volta.
O camponês imediatamente mudou de direção e dirigiu-se para o lado traseiro do eremitério. Atravessando um trecho arenoso, penetrou na moradia pela porta dos fundos. Eu não a fechara à chave, conforme dissera meu guru. O homem saiu pouco depois, segurando uma das minhas preciosas couves-flores. Agora ele caminhava em atitude respeitosa, investido da dignidade de possuir.
A farsa que se desenvolvia, na qual meu papel parecia ser o de vítima assombrada, não era desconcertante a ponto de me impedir a perseguição indignada ao ladrão. Eu tinha corrido metade do caminho quando meu Mestre me chamou de volta; sacudia-se de riso, da cabeça aos pés.
- Aquele pobre louco ansiava por uma couve-flor - explicou-me entre acessos de hilariedade. - julguei que seria boa idéia se ele obtivesse uma das suas, tão mal guardadas!
Corri para meu quarto onde descobri que o ladrão, evidentemente padecendo de uma fixação em vegetais, deixara intocados meus anéis de ouro, o relógio e o dinheiro, tudo exposto sobre o cobertor. Ele preferira engatinhar sob a cama, onde o cesto de couves-flores, completamente oculto ao olhar casual, fora o alvo dócil de seu sincero apetite.
Pedi a Sri Yuktéswar, naquela noite, que me explicasse o incidente (por apresentar, a meu ver, certos aspectos perturbadores).
Meu guru assentiu com a cabeça, lentamente. - Você compreenderá, algum dia. A ciência em breve descobrirá algumas destas leis ocultas.
Quando, alguns anos mais tarde, noticiou-se a maravilhosa descoberta do rádio ao mundo atônito, recordei-me da predição do Mestre. Antiquíssimos conceitos de espaço e tempo foram aniquilados; nenhuma casa era tão humilde e estreita que Londres ou Calcutá, nela, não pudessem entrar! A mais obtusa inteligência se ampliava ante a prova indiscutível de um aspecto da onipresença do homem.
O “enredo” da comédia da couve-flor pode ser entendido melhor por analogia com o rádio. Meu guru era um perfeito rádio humano.
Os pensamentos nada mais são que vibrações sutilíssimas movendo-se no éter. Exatamente como um rádio sintonizado capta o número musical que se deseja, em meio a milhares de outros programas, irradiados em todas as direções, Sri Yuktéswar fora um receptor sensível a determinado pensamento (o daquele homem simplório, ansiando ardentemente por uma couve-flor), em meio aos inúmeros pensamentos das mentes humanas emissoras em todo o mundo. Durante a marcha rumo à praia, tão logo captou o singelo ensejo do camponês, o Mestre desejou satisfazê-lo. O olho divino de Sri Yuktérwar descobrira o homem, dançando ao longo da estrada, antes de tornar-se visível aos discípulos. Meu esquecimento de trancar a porta do áshram dera ao Mestre uma desculpa conveniente para me privar de um de meus valiosos legumes. Depois de assim funcionar como instrumento receptor, Sri Yuktéswar então operou, através de sua poderosa mente, como estação emissora ou radiodifusora. Neste desempenho, ele pudera dirigir com êxito a inversão de rumo do camponês e seu encaminhamento para meu quarto, até uma única das couve-flores comestíveis.
A intuição, que é o guia da alma, surge com naturalidade no homem, nos instantes em que a mente se acha calma. Quase todos já tiveram a experiência de um pressentimento inexplicavelmente correto, ou transferiram seus pensamentos com exatidão a outra pessoa.
A mente humana, quando liberta das perturbações ou da “estática” da inquietude, tem o poder de realizar todas as funções dos complicados aparelhos de rádio - enviando e recebendo pensamentos ou deixando de sintonizar os indesejáveis. Assim como a potência de uma estação radiodifusora é regulada pela quantidade de energia elétrica que pode utilizar, a eficiência de um rádio humano depende do grau de força de vontade de cada pessoa.
Todos os pensamentos vibram eternamente no cosmos. Por meio da concentração profunda, um mestre pode descobrir os pensamentos de qualquer pessoa, viva ou morta. Os pensamentos têm raízes de universalidade e não de individualidade; uma verdade não pode ser criada, mas apenas percebida. Todo pensamento errôneo de um homem resulta de uma imperfeição, pequena ou grande, em seu discernimento. O objetivo da ciência da ioga é acalmar a mente, de modo que, sem distorções, esta possa ouvir o conselho infalível da Voz Interior.
Um rádio-microscópio, inventado em 1929, revelou um novo mundo de raios até então desconhecidos. “O próprio homem e todas as espécies de matéria supostamente inerte, emitem sem cessar os raios que este instrumento “vê” - informou a Associated Press. - “Aqueles que acreditam em telepatia e clarividência encontram nesta notícia a primeira prova científica da existência de raios invisíveis que realmente viajam de uma pessoa para outra. Este rádio-invento é, na realidade, um espectroscópio de rádio-freqüência. Sua função relativa à matéria fria e opaca é a mesma do espectroscópio, ao revelar as espécies de átomos que compõem as estrelas ... A existência de tais raios provindos do homem e de todas as coisas vivas havia sido suspeitada pelos cientistas há muitos anos. Hoje temos a primeira prova experimental de sua existência. Tal descoberta mostra que todo átomo e toda molécula na natureza é uma contínua estação rádioemissora... Assim, até mesmo após a morte, a substância que constitui um homem prossegue emitindo esses raios delicados. O comprimento de onda destes raios varia, desde o de ondas mais curtas do que as já usadas pelo rádio, até as mais longas. O exame destas ondas é quase inconcebível. Existem milhões delas. Uma só molécula grande pode emitir um milhão de diferentes comprimentos de onda ao mesmo tempo. As ondas mais longas desta espécie viajam com a facilidade e a rapidez das ondas de rádio. Existe uma assombrosa diferença entre estes novos raios de rádio e os raios familiares como os da luz: é o tempo prolongado, ascendendo a milhares de anos, em que estas ondas de rádio continuarão sendo emitidas da matéria imperturbada.”
O rádio e a televisão trouxeram a voz e a visão instantâneas de pessoas remotas, ao convívio de milhares de ouvintes e de espectadores: as primeiras débeis insinuações científicas de que o homem é espírito omni-penetrante. Embora o ego, nas mais bárbaras formas, conspire para escravizá-lo, o homem não é um corpo confinado a um ponto no espaço, mas é, em essência, alma onipresente.
“Fenômenos muito estranhos, prodigiosos e aparentemente improváveis, ainda poderão ocorrer, e uma vez constatados, não nos surpreenderão mais do que nos surpreende hoje tudo o que a ciência nos ensinou no último século - declarou Charles Robert Richet, Prêmio Nobel de fisiologia. Supõe-se que fenômenos, agora aceitos por nós sem surpresa, não provocam nosso espanto porque são compreendidos. Mas a verdade é outra. Se eles deixaram de nos surpreender, não é porque sejam compreendidos, mas porque nos são familiares; pois se aquilo que não compreendemos devesse nos surpreender, então deveríamos nos surpreender com tudo: - a queda de uma pedra arrojada ao ar, a semente que se converte em carvalho, o mercúrio que se dilata ao ser aquecido, o ferro atraído pelo ímã.
“A ciência de hoje é conhecimento insignificante... As verdades assombrosas que serão descobertas por nossos descendentes encontram-se agora mesmo a nosso redor, de olhos arregalados postos em nós, digamos assim; e apesar disso, nós não as vemos, Mas não basta dizer que não as vemos; nós não as queremos ver - pois logo que se apresenta um fato imprevisto, com o qual não estamos familiarizados, tratamos de situá-lo no esquema de lugares-comuns...”

domingo, 13 de maio de 2012

A Ignorância, o Apego, o Ódio

Na publicação A Roda da Vida falamos do símbolo tibetano mais expressivo do sofrimento, que é, aliás, a condição humana, lembram-se?
“No centro do símbolo há 3 animais, uma cobra, um galo, um porco, ou seja, o ódio/medo (uma unidade), a avidez e a ignorância entrelaçados, um correndo atrás do outro e mordendo avidamente um ao outro como não podia deixar de ser (pois são ligados intrinsecamente). E essa trindade é tingida, pela shenpa, (fisgar, ficar colado) como eles dizem.
É como um átomo do sofrimento, a partícula indivisível que é a fonte da dor, atrelada ao apego, o seu núcleo. Essa é uma redução ao denominador comum, de toda variedade do sofrimento que encontramos desde sempre no planeta. O budismo tibetano fez uma obra prima de sintetização de um dos temas metafísicos de maior complexidade que conhecemos, o sofrimento.  E a partir dessa gênese, em círculos concêntricos a roda se esparrama na diversidade estabelecendo o quadro todo da Vida.”
Essa tríade está conectada com fortes ligações, como um átomo com suas ligações químicas, e uma puxa a outra, num círculo vicioso, ou melhor, num triângulo vicioso.  

Vamos falar disso um pouco mais fundo?
Observemos com atenção todo e qualquer aspecto da nossa vida que tenha algum resquício, por menor que seja, de sofrimento. Ele tem sempre uma dosagem dos três bichos combinados em doses diferentes. Não se preocupem, nem percam muito tempo em procurar exemplos de situações. Peguem o primeiro que aparecer pois são aproximadamente 99,9% dos casos da nossa vida (rsrs). Somos um planeta de expiação, e para isso, um planeta em que a vida é sofrimento, conforme diz o budismo. Sem pessimismo, nós temos é que aceitar o processo, e isso realmente muda tudo. Mas continuando:
Vamos tomar com simplicidade o tema e transportá-lo para dentro de nós através da Presença. Vamos sentir a natureza e o efeito das três coisas (ódio, apego e ignorância), mas de uma forma real e prática, sentindo-as dentro de nós mesmo, do nosso corpo: onde tocam? Em que lugares? O que produzem? Que gosto tem? Como e onde a gente se contrai, como disfarça, como se engana e foge para a TV, cinema, sexo, baladas, fantasias?...
Vejamos o apego, o galo, essa coisa que produz, ou mesmo é, a própria avidez: como ele se combina com os outros dois? Se eu me flagro numa situação de apego, de colamento a algo, seja uma pessoa, uma emoção, um fato, ou o que for, se eu olhar de soslaio (gosto dessa palavra) eu vou identificar o ódio, ou pelo menos o seu germe, o potencial ódio, colado ao apego, pois basta alguém ou algo contrariar o meu apego, e o demônio do ódio desperta, incontrolável. Quando eu consigo ver isso, vejo por tabela que o que me impedia de ver antes era a ignorância. Faz sentido? Aí estão os três, mais unidos que político e corrupção.
Se fizermos a mesma coisa com a raiva, ou ódio, que é simbolizado pela cobra, o processo é muito parecido. Vamos lá: eu me flagro com raiva de alguém ou algo, um fato, uma situação, um imprevisto. Se eu olhar para a gênese da raiva em questão, verei que ela existe pelo fato de que eu estou apegado ao resultado frustrado em relação ao que eu queria, ou não quería, que acontecesse. A pessoa me agrediu, ou me enganou, ou o fato era imprevisto em relação ao que eu apegadamente queria. E do canto do olho eu vejo a ignorância rindo de mim. É a ignorância do fato de que esse evento ruim que aconteceu estava no quadro das possibilidades e eu deveria então desapegadamente prevê-lo como possível de acontecer e não desenhar um futuro já previsto e fixo, ao gosto
do meu ego. O contrário disso chama-se fluir, soltar-se. Como dizia Gurdjieff, "temos direito ao esforço, não ao resultado". Então, é fazer todo o esforço, colocar toda a vontade em conseguir algo, mas sem se apegar ao resultado. Se ele vier, beleza. Se não, vamos em frente. É difícil? É. Mas se fosse fácil você não seria chamado, ora essa. Qualquer um faria (rsrs)
Intervalo para recreio: desci agora para tomar um cafezinho entre uma frase e outra, e fui olhar uma das três misteriosas larvas prateadas que apareceram na parede do quintal. Estava vazia e havia uma esguia borboleta secando as asas. Amarela, rosa e preta. Daí a pouco alçou vôo, pousou uns segundos na samambaia ao sol, e caiu na mata e no mundo...êta mundo velho...
E para fechar o triângulo, a ignorância, o porco. Vamos observá-la dentro de nós. Ela é mais difícil, porque o nosso ego não aceita que ela exista, ele já acha que sabe tudo e portanto não há ignorância para o bonitão do porco. Temos que fazer um esforço para assumir e sentir a ignorância dentro de nós.
Eu olho para qualquer situação, pessoa ou fato e não percebo “o que eu não sei” sobre aquilo. Isso é a ignorância, e eu não sei ficar diante dela impassível e calmo. Eu assumo que só existe o que eu vejo e pronto. Já procuro, com o pouco que percebo da situação, fazer, controlar, decidir, etc., ignorando que só vejo uma pequena parte do iceberg. Então, a partir da falsa premissa de que eu compreendo e comando a situação, a porta está aberta para sentir raiva de quem não concorda comigo, ou sentir apego às minhas idéias, valores, concepções, planos, visão do mundo, etc..
É isso. Estamos numa prisão de 3 paredes, uma colada à outra. Indivisível. Mas transponível. Isso é o sofrimento.

No Budismo Bön, e em todo o Budismo há uma representação da alquimia interna do ser humano que traz esse dilema para dentro do nosso corpo e ensina o caminho para sair da prisão através da respiração, do prana, a energia vital. Já falamos disso na publicação O Sonho – Visão Budista. , mas é sempre bom recordar.
Há 3 canais energéticos interligados que unem as narinas e um ponto abaixo do umbigo, no interior do corpo. Dois ficam nas laterais da coluna, um vermelho e outro branco. Um é ligado à raiva, outro ao apego e começam nas narinas, sobem para o topo da cabeça e descem latralmente até o ponto no baixo ventre onde se unem no centro e sobem num canal azul até o chacra da coroa no topo da cabeça. Nas 9 respirações purificadoras, o prana ou energia vital, é conduzido a partir do nariz para dentro de nós e limpa os 3 canais saindo pelo topo da cabeça com o nosso lixão interior, e nos tornando conscientes do trabalho sobre os 3 animais, e portanto sobre o sofrimento. Como dizem os anúncios na tv: Experimente!...

domingo, 14 de agosto de 2011

Impasse?

Conforme a gente disse na postagem A Impermanência, "a vida não é outra coisa senão administrar mudanças, escolhas, alternativas. No Universo há apenas uma lei que não muda: É a lei que diz tudo muda, nada é permanente. Daí a nossa preocupação com o futuro, com o que está por vir."
Então, todo o tempo temos que tomar decisões, quer a gente goste ou não, quer sejamos librianos ou arianos...
Temos ajudado algumas pessoas nesta tarefa, principalmente quando são buscadores e se deparam com dilemas e decisões ligadas ao choque aparente entre a Vida e o Caminho. Digo ‘aparente’ porque é só aparente mesmo. A vida comum, como ela se apresenta para nós, é o Caminho que escolhemos. Deve ser o Caminho. Tem que ser o Caminho...

Esses dias fui procurado por um simpático casal de jovens leitores do blog, de uma pequena cidade em algum lugar do Brasil, que estão enfrentando um impasse: jovens,  empresários, buscadores sérios e dedicados, negócio em ascensão e absorvente, bebê novo, pressão da vida, gostam do negócio e da busca interior, mas as duas atividades estão aparentemente ficando incompatíveis... o que fazer? Pé no freio ou no acelerador? Em qual das duas?  
Ganhar dinheiro ou evoluir? Parece um impasse...
A dificuldade é clássica. Muita gente se defronta com ela, e tem dificuldade em resolver o problema, mas isso deve ser encarado como um presente, uma graça. Aliás Gurdjieff dizia que “quando tudo vai bem, é porque tudo vai mal”. Quando tudo está sem desafios  na vida, a gente não faz nada no Caminho Interior.
Vejo pessoas (só no cinema e TV, viu?) que sempre sonharam como seria bom se aposentar com um bom rendimento para se dedicarem com calma ao Espírito. Conseguiram. Mas só a primeira parte, não a segunda. Sabe como é, né? “Tem muita coisa que atrapalha: família, preocupações, o futuro, o custo de vida, o trânsito, a violência, a saúde, os compromissos familiares, a novela, o encanador, os netinhos, ah os netinhos, uma gracinha, mas tãão absorventes...
Então, voltando ao dilema do jovem casal: antes de pensar em parar a busca ou o negócio, ou diminuir o ritmo, ou terceirizar, ou vender o empreendimento e ir para Pasárgada, ou Katmandu, ou Paris, a gente tem que acertar a coisas dentro da gente. A nossa atitude é que não está correta. Se você mudar de atividade ou de lugar, não adianta nada porque o seu ego vai junto carregando a tralha toda. O Invisível, que administra o seu destino e o conhece muito bem, vai esperá-lo na curva, lá em Paris, mesmo.
Tenho assistido na TV um programa chamado ‘O Encantador de Cães’. É muito bom. Todos os donos de cães procuram o profissional porque acham que ‘o cão tem um problema’. E o guru canino, um mestre mesmo, começa corrigindo o dono do cão, que é invariavelmente o culpado. Ele é o problema (rsrs).
A nossa relação com o mundo é a mesma. O mundo não tem problemas, apesar de parecer caótico, incompreensível e frequentemente injusto. A “inteligência’ do mundo é um software esperto que se resume somente em ter respostas programados sob medida para as ações do ego de cada um, para nos estimular a resolver, e então quando isso acontece, subimos mais um degrau no aprendizado da nossa evolução individual. E nós achamos que é uma rixa pessoal do mundo contra nós... O mundo não dá a mínima para você individualmente. Só faz o trabalho dele.
O cão, como o mundo, não quer brigar conosco, pelo contrário ele quer que a gente assuma o controle. De nós e dele. E fica enviando sinais todo o tempo para nós.
Então vamos lá:

 
•    Primeiro ponto:
 Assumir 100% da responsabilidade. Eu tenho que mudar a minha atitude com o mundo e as pessoas. Se algum fato ou pessoa entrou no círculo da minha percepção, fui eu quem criou a coisa, ou permitiu, seja ela o que for. Então nem o mundo nem ninguém tem culpa nenhuma, não tenho o que, nem de quem, reclamar, não há injustiça, tenho que encarar numa boa e administrar. A coisa é comigo mesmo, e é dirigida para mim, sob medida.
    Na postagem Ho’ oponopono o Dr. Lew Len diz que ‘a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser, por esta razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é nossa criação!’.  O problema, se apareceu, tem a ver comigo e foi só por isso que apareceu “justo para mim”, e está aí, parado, olhando para mim, para ser resolvido. Não é um acidente ou uma fatalidade, ou injustiça, ou o que for que eu pense, para me justificar ou tentar escapar... tenho que arregaçar as mangas e assumir.
•    Segundo Ponto:
Não existe ”eu” e o “problema”, ou “eu” e “o outro”, ou então “dentro de mim” e “fora de mim”. Isso é um produto da mente dual que separa as coisas. Essa coisa de ‘eu não tenho nada a ver com isso aí’ não existe. Se a coisa apareceu no meu raio de percepção, tem a ver comigo mesmo. Então não devo recusar nada. Só encarar e tentar resolver. Com aplicação e o melhor dos espíritos. O problema sou eu, não está fora de mim a ponto de poder ser recusado, e aquilo que se apresenta foi feito sob medida por uma inteligência que sabe de que eu preciso, e isso é um presente para mim neste momento. Tem muito pouca coisa puramente acidental nessa vida.
•    Terceiro Ponto:
Definir uma estratégia e tática inteligentes, possíveis e compatíveis dentro do quadro que se apresenta. É preciso isso para administrar o aparente conflito de tempo e energia disponíveis para fazer o trabalho corriqueiro e o Trabalho Interior. Isso significa aplicar o mental na questão, no que o mental tem de melhor, que é o raciocínio lógico, e conjugar isso com o conhecimento intuitivo adquirido no Trabalho Interior. Significa conhecer o negócio, a operação, o mercado, os clientes, fornecedores, recursos, pontos fortes e fracos, concorrência, ameaças e oportunidades, planejar o futuro detalhadamente, revisar uma, duas, cem vezes, ou seja, fazer a sua parte com dedicação e atenção nos detalhes, e depois...relaxar. Esfrie a cabeça e mude de canal, vá ao cinema, viajar, namorar... você já fez a sua parte. Agora aguarde, enquanto toca a operação dentro dos parâmetros mais adequados que descobriu. Sem se deixar arranhar pelo apego ao que é imprevisível e imponderável. Não há garantias de que vai dar certo, mas você foi impecável. É isso que importa.
Nada de pré-ocupação, só se ocupe, como disse uma vez o Dalai Lama no Brasil. E fique atento à sua intuição.
•    Quarto ponto:
Não separar o tempo da prática da calma ou meditação, e o tempo do trabalho comum na vida. Que tal a idéia de procurar fazer as duas atividades ao mesmo tempo? Ou seja, fazer uma prática de recolhimento enquanto executa a ação, estar presente na ação, no instante em que está no computador, telefone, ou discutindo com o fornecedor, cliente, subordinado, ou com o fiscal corrupto. É difícil? Talvez. Mas se não começarmos nunca iremos saber se é ou não. E aliás, parafraseando Rilke, só o que é difícil realmente interessa...o resto deixe para os outros.
•    Quinto ponto:
Colocar-se no Agora. Esse é crucial. É o requisito indispensável para se tentar fazer as duas práticas ao mesmo tempo, como dissemos no ponto anterior; O que significa isso?  Significa colocar você, seu corpo, a Consciência, na ação, no instante em que as coisas estão acontecendo. É buscar ficar em um lugar dentro de você em que ao mesmo tempo que sente o corpo, as sensações, pensamentos, emoções, ou seja, a ‘Lembrança de Si’ ancorada por um mental silencioso, ao mesmo tempo, ver e atuar na situação corriqueira que pede pela decisão, pela ação, objetivamente. Essa é a chamada Meditação na Ação. Você “faz enquanto medita”. Esse é o objetivo dessa prática milenar chamada Meditação ou Contemplação. É levar a Consciência com lucidez para a Vida no instante em que ela está acontecendo, o Agora: para a vida comum em todos os seus aspectos, trabalho, dinheiro, amigos, carreira, família, pais e filhos, sogro, sogra, doença, mudanças, enfim às 12 casas astrológicas que são o nosso mundo pessoal. Não é meditar na caverna ou na montanha, sozinho, e se transformar num doutor em meditação. A nossa vocação é a ação, sem a identificação, o apego com o ‘fazer’, ou com ‘o produto da ação’. O sonho também é nossa outra vocação (mas isso fica para outra vez...).
E tem um lembrete importante: o Agora não é a mesma coisa que o presente, que é a junção do passado com o futuro. O Agora não está no tempo. Você vai perceber isso na primeira vez que "cair" nele. Ele não tem Passado nem Futuro. Ele é eterno e você só pode tentar vivê-lo a cada instante em que abdicar do passado e do futuro. O Agora é a “porta estreita” que a gente tem que entrar, como dizem as escrituras sagradas de várias tradições. E o Budismo Zen, mais radical, diz que “você tem que atravessar uma porta onde não existe uma porta”. Vixe...
•    Sexto ponto: 

A todo instante em que você perceber que "dormiu” no processo de meditação na ação e só conseguiu ficar em um dos lados dele, você volta e recomeça. Como diz a música, você  “levanta, sacode a poeira e dá volta por cima”. Começa tudo de novo. Calmamente, sem culpa, sem pressa.
O que a gente poderia chamar de “sucesso” nessa Meditação na Ação, não é “quanto tempo, ou quantas vezes, eu consigo ficar na ação sem me identificar com ela, perdendo o fio da Consciência”, mas é “quantas vezes eu percebo que “dormi” e levanto de novo para continuar”. É um outro tipo de avaliação, que leva em conta a natureza falível do ser humano.
•    Sétimo ponto:
Abra mão. Acha difícil relaxar conforme o negócio está crescendo, porque não confia no trabalho dos outros? Verifique se a razão é que você tem ‘apego pelo fazer’ ou um orgulho perfeccionista velado, uma auto importância de achar que “ninguém faz certinho como você”. Seus colaboradores podem estar ansiosos para contribuir... Abra mão. Treine. Forme mão de obra. E delegue a autoridade conforme perceba que o pessoal está treinado. É mais fácil, cômodo e barato controlar do que fazer sozinho. Só exige outras habilidades. Mas a gente aprende fácil.
Mas não é só isso. Quando você age assim, contribui para fazer as pessoas à sua volta enfrentarem novos desafios e evoluírem. Os budistas chamam isso de um 'bom karma'. Somado a isso, a mania de fazer sozinho cria um 'gargalo' que não deixa o negócio crescer e dar novas oportunidades tanto para si como para os outros. Talvez o gargalo seja você (rsrs)
 
Ganhar dinheiro ou evoluir? Parece um impasse... Que tal Ganhar dinheiro e evoluir?
Pensando bem, acabei de descobrir que a “receita dos sete pontos” se aplica não só para esse caso, mas para outras decisões, relacionamentos (de qualquer tipo), problemas emocionais, julgamentos, projetos, qualquer coisa...Isso é que é um 'Agora produtivo', hein? Quem souber como ganhar royalties de direitos autorais com isso, me avise por favor, porque eu não faço a menor idéia de como fazer isso (rsrs)