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domingo, 29 de julho de 2012

O Meu Mestre

Mestre Tenzin e "nóis na fita". Povão bonito!
As pessoas tem me dito “quem é o seu mestre?”, e, antes de responder, eu percebi, olhando a minha vida de busca interior que, sem perder o foco na busca, eu acredito nas orientações intuitivas e sutis que me chegam no sonho  (sempre fui fascinado e respeitoso com isso) e tenho tido, alternada ou concomitantemente, dois tipos de mestre na minha vida: o “orientador  de carne-e-osso (vivo ou não)", com sua tradição, suas idéias e praticas diárias, e o “mestre que não sei quem é”. Só o sinto ao meu pé d'ouvido. Foi assim com Gurdjieff, Mantak Chia, Castaneda, Stefano D’Anna, Lama Samten e atualmente com Tenzin Wangyal Rinpoche, da Tradição Bön Budismo tibetano (além de "os-que-não-sei-quem-são", do Invisível).
Em 4 postagens anteriores a gente falou do mestre Tenzin ou da tradição Bön Budista: O Ser e o Caminho de Volta, mais A Tradição Bön, 24 X 7 e também O Sonho - Visão Budista.
Há algum tempo atrás, após a dissolução de um grupo dissidente do Quarto Caminho gurdjieffiano em que eu participava, senti necessidade de conhecer o Bön Budismo, tradição anterior ao budismo no Tibet e caracterizada por ser um xamanismo nativo e puro, com grande ênfase no sonho, da mesma forma que a tradição tolteca de Castaneda que conheci. A vantagem é que o Bön é uma tradição estruturada, amalgamada com o Budismo,  com mestres espalhados pelo mundo, práticas precisas, diferentemente de Castaneda que escreveu livros “como un brujo” seguindo as orientações de Don Juan e um dia se foi...lembrei de Gurdjieff que no seu leito de morte disse para um discípulo: - Deixo vocês em maus lençóis.
Na época, após consultar a mãe-internet,  liguei e visitei alguns mosteiros budistas para obter orientação para contatar um mestre da tradição. Num deles a moça simpática disse:  “- Você está com sorte, hoje à noite há uma conferência na Livraria da Vila (Madalena) do Mestre Tenzin, que chegou hoje da Virgínia nos EUA, para ministrar um seminário”. Era uma sexta,quase caí de susto e satisfação. Fui lá com minha filha, conversei com ele na sua chegada e me inscrevi no retiro no dia seguinte no fim de semana. Beleza pura. O Universo conspirando a nosso favor.

 Ele é o meu mestre desde então. A gente se reune às terças no Instituto Ligmincha Brasil, com a simpática Blanca e de vez em quando faz práticas no seu sítio maravilhoso em Cotia, SP, com altas comidinhas e muita alegria. De caminho sizudo, eu já preenchi a minha cota na vida. Agora é alegria, compaixão, bom humor, amor (latu sensu), presença... Tem também dedicação, senão vira apoteose de escola de samba...

Geshe Tenzin Wangyal Rinpoche, fundador e diretor espiritual do Instituto Ligmincha, é um autor consagrado, bem como um professor altamente respeitado e amado por estudantes de todo o Estados Unidos, México e Europa. Fluente em Inglês, Tenzin Rinpoche é conhecido por sua profunda sabedoria, o seu claro estilo de ensino envolvente, e sua capacidade de fazer os antigos ensinamentos tibetanos altamente acessíveis e relevantes para a vida dos ocidentais modernos.

Tenzin Rinpoche nasceu em Amritsar, na Índia, não muito tempo depois que seus pais foram obrigados a escapar de sua pátria tibetana em 1959 durante a Revolução Cultural Chinesa. Aos 10 anos, Tenzin Rinpoche foi ordenado monge no Mosteiro Menri perto Dolanji, na Índia. Lá, ele foi reconhecido pelo instrutor principal Lopon Sangye Tenzin Rinpoche como uma reencarnação do famoso mestre Khyung Tul Rinpoche, um renomado mestre de meditação, professor acadêmico, e curador que morreu em meados do século 20.
A partir da idade de 13 anos Rinpoche praticou dzogchen sob a orientação de mestres de ambas as escolas Bön e budista do Tibete, incluindo (do Bön) Sua Santidade Lungtok Tenpai Nyima, Lopon Sangye Tenzin Rinpoche, Tenzin Lopon Namdak Rinpoche, e Geshe Yungdrung Namgyal. Desde a sua adolescência até a idade adulta jovem, Tenzin Rinpoche foi criado como um filho por seu professor de base Lopon Tenzin Namdak Rinpoche, hoje reverenciado como o professor mais antigo da tradição Bön e como segundo mestre na linhagem, que se mantem pura desde o início da existência da tradição Bön no mundo. Um acadêmico formado nas tradições Bön budistas textuais da exegese, filosofia e debate, em 1986, Tenzin Wangyal Rinpoche completou um curso de 11 anos de estudos tradicionais na Escola Dialética Bön do Mosteiro Menri, onde recebeu seu grau de Geshe, equivalente a um doutorado na filosofia das universidades ocidentais.
Ao se formar Tenzin Rinpoche empregou-se na Biblioteca de Obras e Arquivos Tibetanos em Dharamsala, na Índia. Naquele mesmo ano, Sua Santidade o 14 º Dalai Lama Rinpoche  o designou para ser o representante da tradição Bön na Assembleia dos Deputados do Povo Tibetano do governo tibetano no exílio. Ele declinou deste alto posto em favor de sua missão de vida, que sempre foi a de disseminar o conhecimento Bön pelo mundo.
Tenzin Wangyal Rinpoche foi um dos primeiros a trazer os preciosos ensinamentos Bön para o Ocidente. Em 1988 ele foi convidado pelo mestre dzogchen Chögyal Namkhai Norbu Rinpoche a ensinar na Itália, o que trouxe novas oportunidades para lecionar em outras localidades na Europa Ocidental. Em 1991 Tenzin Rinpoche foi premiado com uma bolsa Rockefeller na Universidade Rice, em Houston, Texas, onde continuou sua pesquisa sobre as primeiras divindades tântricas Bön e sua relação com as tradições budistas no início do Tibete budista. Ele foi premiado com um segundo Rockefeller Fellowship em 1993, quando a Rice University convidou-o de volta para ensinar durante o semestre da primavera.
Escolhido para permanecer no Ocidente para ensinar as antigas tradições Bön para estudantes ocidentais, em Março de 1992 Rinpoche fundou Ligmincha Institute em Charlottesville, Virgínia, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é preservar para as gerações futuras os ensinamentos antigos, artes, ciências, língua e literatura do Tibete e Zhung Zhang.
Em 1994 ele recebeu uma bolsa da National Endowment for the Humanities para prosseguir a investigação sobre os aspectos lógicos e filosóficos da tradição Bön. Os frutos dessa pesquisa surgiram com a publicação de 2006 do texto acadêmico Unbounded Wholeness: Dzogchen, Bon and the Logic of the Nonconceptual
(Oxford University Press), escrito em colaboração com Anne Carolyn Klein, grande autora de livros e detentora da cadeira cadeira de estudos religiosos da Rice university. Também em 1994 Tenzin Rinpoche apareceu no Discovery Channel, onde explicou os princípios envolvidos na prática de “yoga tibetano do sonho” como um segmento de uma série de três partes, intitulado "The Power of Dreams".
Em 1998, Rinpoche estabeleceu o Centro de Serenity Ridge Retreat em meio às montanhas de Nelson County, Va., 30 minutos a sul de Charlottesville.
Na Primavera de 2004 Tenzin Wangyal Rinpoche, casou-se com Tsering Wangmo, irmã do Dalai Khyimsar Rinpoche (detentor da linhagem dos mosteiros Bön Pungmo Gon e Nyiphug Lhari no Tibete e fundador da Yungdrung tibetana Bön Institute, Reino Unido). No outono de 2005 o seu primeiro filho, Senghe, nasceu. A família Wangyal atualmente reside em Charlottesville, Virgínia, não muito longe Ligmincha Instituto.
Hoje Rinpoche continua seus esforços dedicados à preservação da tradição budista Bön através de centros de estabelecimento e grupos em todo o mundo, através da tradução e publicação de textos, através do ensino do Bön como uma tradição autêntica, viva para estudantes ocidentais em todo o mundo. Em 2006, durante o retiro de verão europeu em Buchenau, Alemanha, Rinpoche anunciou a criação de Lishu Institute, uma escola perto de Dehra Dun, Índia, onde os estudantes ocidentais serão capazes de continuar e aprofundar seu conhecimento e experiência dos antigos ensinamentos e práticas de Bön.

 A Linhagem
Você vai ter que se acostumar com o elenco de lugares, nomes e títulos tibetanos muito parecidos e difíceis de memorizar, citados neste texto (rsrs).
Na medida em que as tradições autênticas sempre afirmam que é necessário uma tradição, um discípulo, um mestre, e um ensinamento autênticos, a linhagem passa a ser de grande importância. 

Vejamos a linhagem atual do Bön:
1 - Sua Santidade Lungtok Tenpai Nyima, o 33º  do mosteiro Menri Trizen, é o líder espiritual da tradição Bön. Sua Santidade se tornou um monge com a idade de 8 e aos 24 recebeu o seu grau de Geshe, especializado em medicina tibetana, astronomia e astrologia. Na época da invasão chinesa do Tibete, ele fugiu a pé para o norte da Índia. Em 15 de março de 1968, ele foi selecionado para ser o abade 33 do Mosteiro Menri, o líder espiritual do Bönpo. Muitos lamas vieram do Tibete, Nepal e Índia, para dar-lhe suas iniciações e ensinamentos, e por mais de um ano, ele praticou e treinou intensamente para o seu papel como abade, o líder que veio orientar o Bönpo e mantr todas as linhagens de ensino. Sua Santidade, em seguida, juntou-se Lopon Tenzin Rinpoche Namdak na reconstrução do Mosteiro Menri, e no estabelecimento de uma escola dialética Bön que concede graus Geshe certificada por Sua Santidade o Dalai Lama. Ele então criou o Centro de Crianças Bön Bem-Estar, um orfanato para meninos e meninas Bönpo que perderam suas famílias durante a invasão chinesa.
2 - Lopon Sangye Tenzin Rinpoche nasceu na família Jyab Og, uma linhagem de elevada estima dentro da tradição Bön. Ele se tornou um mestre consumado dos três caminhos: sutra, tantra e dzogchen. Lopon Sangye Tenzin Rinpoche viveu uma vida muito simples, mas ele foi considerado por muitos como o maior estudioso Bön de sua geração. Lopon Sangye Tenzin Rinpoche era um professor de Yongdzin Tenzin Wangyal Rinpoche e Namdak Tenzin Rinpoche, e era conhecido por seu estilo de ensino muito direto, claro e rigoroso. Como mestre-raiz de Tenzin Rinpoche, por três anos Lopon Sangye Tenzin deu a Tenzin Rinpoche os ensinamentos formais Dzogchen do Zhung Zhang Nyen Gyu (Transmissão Oral de Zhang Zhung). Poucos meses depois de completar estes ensinamentos e entrando em um novo ciclo dos mesmos ensinamentos, ele ficou gravemente doente e pediu Yongdzin Rinpoche para assumir seu papel como Lopon no mosteiro. Lopon Sangye Tenzin Rinpoche morreu em Dolanji em 1977 aos 67 anos. Após sua morte, de acordo com seus desejos suas economias foram usadas para fundar a Escola Dialética.

3 - Yongdzin (Lopon) Tenzin Rinpoche Namdak é o professor mais antigo na tradição Bön. Ele se tornou um monge com a idade de 15 e em 1953 foi eleito para o cargo de Lopon (professor titular), no mesmo ano em que obteve seu grau de Geshe do Mosteiro Menri no Tibete. Depois de fugir para o Nepal em 1960, Yongdzin Rinpoche foi para Londres com uma bolsa Rockefeller e colaborou em "As Nove Maneiras do Bön", o primeiro estudo acadêmico da tradição Bön no Ocidente. Em 1964, ele retornou ao Himachal Pradesh, norte da Índia, e fundou o estabelecimento Dolanji para pessoas Bönpo no exílio, e, em seguida, fundou uma escola dialética tradicional para preservar a tradição filosófica Bönpo. Em 1987, Yongdzin Rinpoche fundou o mosteiro Bön Triten Norbutse, a oeste de Katmandu, Nepal. 

 4 - Geshe Tenzin Wangyal Rinpoche é reconhecido como a reencarnação do famoso mestre Khung Tul Rinpoche, um grande meditador e estudioso. Começando aos 13 anos, Rinpoche praticou dzogchen sob a orientação dos mestres, tanto do Bön e escolas budistas, incluindo Sua Santidade Lungtok Tenpai Nyima, Sangye Lopon Tenzin Rinpoche, Tenzin Lopon Namdak Rinpoche, e Yungdrung Geshe Namgyal. Um acadêmico realizado nas tradições budistas Bön escritas, Tenzin Rinpoche completou um curso de 11 anos de estudos tradicionais na Escola Dialética Bön, onde recebeu seu doutorado, ou grau Geshe. Tenzin Rinpoche veio à Rice University, Houston, em 1991, com uma bolsa Rockefeller e manteve-se no Ocidente para ensinar as antigas tradições Bön para estudantes ocidentais. Em 1992, Rinpoche fundou o Instituto Ligmincha.

5 - Khenpo Tenpa Yungdrung Rinpoche é o abade (khenpo) do Mosteiro Triten Norbutse em Katmandu, Nepal, um dos dois principais mosteiros Bön fora do Tibete. Khenpo Rinpoche nasceu em 1969 em Dhorpatan, uma área remota do oeste do Nepal que abriga um assentamento de refugiados tibetanos pequeno e um mosteiro Bön. Khenpo recebeu seu grau de Geshe do Mosteiro Menri em Dolanji, na Índia. Em 1986, Khenpo Rinpoche começou a ensinar filosofia e ciências gerais tibetanas para os estudantes mais jovens. Depois de formado, Khenpo Rinpoche foi para Kathmandu para aprofundar seus estudos de tantra e dzogchen sob a orientação de Yongdzin Tenzin Namdak Rinpoche. Em 1996, Sua Santidade Menri Trizin Rinpoche e Yongdzin Rinpoche nomeado Khenpo Rinpoche como ponlob (professor principal) do Mosteiro Triten Norbutse. Em 2001, ele foi apontado como khenpo do mosteiro por HH Menri Trizin Rinpoche e HE Yongdzin Tenzin Namdak Rinpoche.

6 - H.E. Menri Lopon Trinley Nyima Rinpoche é o Lopon, ou o instrutor chefe, de Mosteiro Menri em Dolanji, na Índia. Nascido em Dolpo, uma região remota do oeste do Nepal, que tem o nome da família de "Yangton" e uma ancestralidade que remonta a Yangton Sherab Gyaltsen, (um dzogchen famoso e mestre tântrico do século 11), H.E. Menri Lopon Rinpoche começou seu treinamento em 1976 na idade de 10 anos. Ele recebeu seu grau de Geshe em 1989 pela Escola Dialética no Mosteiro Menri e foi ensinar na escola desde aquela época. Ele se tornou Lopon do mosteiro em 1992.

7 - Lhari-la Kalsang Nyima é o professor residente do Ligmincha Institute no cume da Serenidade. O nome tradicional "Lhari-la" é uma forma respeitosa que significa "pintor dos deuses" e reflete um rigoroso treinamento Lhari-la como um pintor thangka. Nascido em 1970 na província de Dolpo, Nepal, Lhari-la vem de uma família de muitos grandes praticantes de Bön. Aos 9 anos ele se tornou um monge no Mosteiro Samling, o mosteiro mais antigo e mais importante em Dolpo. Lá Lama Lhari-la treinou intensivamente durante 12 anos em sutra e tantra e completou muitos e longos retiros pessoais. Aos 21 anos ele começou a quatro anos de estudos no Mosteiro Triten Norbutse sob a orientação final de Tenzin Yongdzin Namdak Rinpoche, onde estudou todos os aspectos dos ensinamentos tradicionais Bön e recebeu um ciclo completo de ensinamentos dzogchen. Lá, ele também aprendeu técnicas de pintura tradicionais thangka, habilidades em que ele se aprofundou durante cinco anos de formação no mosteiro Ugyun Tulku em Bhouda nas proximidades. Professor experiente, em 2009 Lhari-la tornou-se professor residente do Ligmincha Institute. Ele também serve como residente várias vezes por ano no Centro de Retiro Chamma Ling, em Crestone, Colorado.

Nosso mestre Tenzin é o quarto na sucessão da linhagem, ou seja o centro geométrico da linhagem de sete, e extremamente importante para a continuidade da sua pureza e coesão. Como símbolo da continuidade da linhagem, os mantras sempre foram cantados em algum lugar do Tibete, Índia ou outro lugar, sem interrupção e da forma correta por algum mestre, sem falar na transmissão da linhagem sussurrada , que não tem texto, e se mantém do ouvido do mestre para o seu sucessor.

Seus livros em português e inglês são:
•    Os Yogas tibetanos do Sonho e do sono
•    A Cura aravés da forma, da Energia e da Luz
•    Awakening the Luminous Mind
•    Awakening the Sacred Body
•    Dream Yoga Set
•    Healing with Form, Energy and Light
•    The Tibetan Yogas of Dream and Sleep
•    Tibetan Sound Healing
•    Tibetan Yogas of Body, Speech and Mind
•    Unbounded Wholeness
•    Unbounded Wholeness
•    Wonders of the Natural Mind
 
Contato no Brasil:
Espaço Ligmincha Brasil
Rua Apinajés, 1646 – Sumarezinho – CEP 01258-001 -São Paulo – SP
(11) 3679.9747
contato@ligmincha.org

Contato nos EUA:
Ligmincha Institute, Charlotsville, Virginia
434.977.6161 

O local de reunião e práticas semanais é na Rua Apinajés 1646, Vila Madalena, Sampa (à noite).Ligue e apareça!


Vocês viram? Alguém me pergunta "quem é o seu mestre?", e eu em resposta abro um caminhão de melancias em cima dele... (rsrs)

domingo, 1 de abril de 2012

24 X 7

O assunto é Presença. 
Presença no modo 24X7. E você pergunta: "Então o que faz esse morango aí ao lado?
Vou explicar:
Acho que resolvi  o mistério de “Porque há certas lembranças aparentemente corriqueiras que a gente nunca mais esquece, mesmo que se passem cem anos? E, por outro lado, há outras com jeito de “muito importantes” que a gente não lembra mais daí a cinco minutos, apesar de todo o esforço.”
Tenho sentido e observado muito na Contemplação, e ficou claro para mim que as lembranças que perduram são aquelas que tocaram, mesmo que de leve, uma inteligência e memória  que estão por trás do nosso Estar Presente no Agora e fazem parte dele. Algo assim: se eu estou com um nível mínimo de presença dentro de mim, e algo de qualidade, uma cena, um ensinamento, uma lembrança surge na tela dos sentidos, uma alquimia secreta faz a ligação entre as duas coisas de qualidade e pronto, a lembrança fica permanente, guardada no HD da memória, para consultas posteriores ou mesmo aparecendo espontaneamente na tela como um pequeno flash dizendo  “olhe eu aqui!”
Estou escrevendo isso por duas razões; primeiro porque não tenho mais nada que fazer nesse dia ensolarado, olhando o verde do mato aqui na minha janela na granja, e já que estou na frente do teclado... 
Segundo porque me veio à memória, mais uma vez, a lembrança persistente de uma cena que ouvi há uns 30 ou 40 anos num grupo de “busca interior”. Ficou gravada em cores (principalmente o morango), como um filme. Era uma história Zen contada pelo instrutor da época. Vamos lá:
“Um homem andava pela floresta quando sentiu que um lobo o seguia. Apressou o passo, e o lobo atrás, só na espreita... Começou a correr e viu que eram vários lobos, muitos lobos. E “pernas para quem te quero”, como dizia a Dona Josefina.
A certa altura, já exausto, viu que a trilha terminava e estava de frente para um barranco, ou melhor, estava mais para precipício que um simples barranco,  e não dava para saltar para baixo de tão alto que era. E os lobos uivando ferozes nos calcanhares.
Então ele, sem pensar, resolveu saltar e agarrar uma raiz mais abaixo para não se estatelar lá no chão. Os lobos ficaram acima uivando, um inferno.
Bem - pensou - agora preciso achar um jeito de ir descendo, e ao olhar para baixo, vejam vocês, viu um tigre esperando. Brincadeira. Apavorado, suando de esforço e pavor, ficou olhando em volta para achar uma saída. Decididamente não era um bom dia.
Nisso, à distância de um braço viu sabe o quê? Um morango, redondinho, pontudo, vermelhinho e perfumado entre as folhas verdes, com aqueles furinhos em volta. Uma cena.
Esticou o braço, pegou o morango e fechando os olhos, levando-o à boca sentiu o azedinho suave, a textura macia, o prazer de estar vivo, dentro de si mesmo, mastigando calmamente, sentindo um gosto inesquecível de morango, segurando uma raiz com a outra mão já doendo, e ouvindo uivos de lobos”.
Acabou. 

É... Acabou o conto. Mas não o assunto.
Volta e meia esse conto Zen me volta à lembrança. E eu acho que sei porque. Tenho percebido que não há outra saída para quem quer evoluir de verdade, a não ser a firme, sutil e dedicada intenção de estar presente dentro de si mesmo todo o tempo, a todo instante, 24 horas por dia, 7 dias da semana, sem desculpas esfarrapadas. Presente como o homem ao saborear o morango, apesar da pessão. Não é preciso mais nada, nem livros, nem seminários, conferências, workshops, nada disso. Aliás tenho sempre dito aos meus amigos de busca que a maioria de nós já leu mais do que precisava para o seu despertar. Buda não deve ter lido nada, ou muito pouco, já que a tradição era oral. O que precisamos sim é de agir no Agora, com um bom mestre, um bom ensinamento, energia e Intento. Eu ainda leio porque um bom livro funciona para mim como uma dose extra de motivação para a busca. Puro tesão.
Quando digo 24 horas por dia, você que é uma pessoa sintonizada pergunta: “24 horas por dia? Mas e à noite no sono?”. Os mestres dizem que à noite temos que aprender a estar despertos no sono como faziam e fazem budistas, toltecas e outros, e trabalhá-lo como um mundo de atuação normal, com seres, situações, decisões, projetos, enfim, atuação. O meu prezado Lama Samten disse um dia que organiza o seu dia seguinte ou a semana seguinte no sonho á noite. E confirmando isso, assisti no passado um workshop empresarial de um conhecido palestrante, antropólogo que na sua tese de doutorado esteve na Austrália e disse que “os aborígenes australianos também”sonham a caçada” num ritual na véspera, e no dia seguinte vão apenas “buscar a presa” que já foi caçada antes, no sonho”. Os índios brasileiros também. Todos em modo 24X7.
Eu fico encantado com isso: programar o futuro enquanto dorme, desperto e descansando! Belezura, cumadre.
 Nas publicações anteriores O Sonho, Portal da Consciência, O sonho – Visáo Budista, O Sonho – Visáo tolteca e O Sonho e o Rupigwara, falamos muito do assunto. O mestre do Bön Budismo Tenzin Wangyal Rinpoche em seu livro “Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono” diz que o Sonho é uma área de atividade exatamente como é a vigília acordado. Imagine como se fosse um país estrangeiro. Basta aprender o jeito de viajar para lá, a língua, os costumes, e boa viagem. E como bônus, viver dois mundos num só.
Tenho me proposto esse intento de trabalhar 24X7, inclusive no Sonho, seguindo instruções do mestre Tenzin Wangyal Rinpoche, e tenho notado sutilezas interessantes tanto no sonho como no dia a dia, como se os dois mundos começassem a se relacionar. Talvez por isso tenho me lembrado com frequência do conto Zen do morango. Quem sabe?...
Em breve vamos falar das descobertas e dificuldades de intentar viver a Presença 24X7. Aguardem

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Tradição Bön

"Como um grande número de pessoas no Ocidente não conhece a tradição Bön, vou contar um pouco da sua história:
Como acontece com a história de qualquer tradição, povo ou país, existem muitas versões do passado. A tradição oral afirma que a religião Bön teve início há mais de dezessete mil anos, mas os estudiosos modernos acreditam que ela começou muito depois. Em ambos os casos, a tradição Bön é reconhecida como a tradição nativa do Tibete e a origem de muitas tradições espirituais.
O Yungdrung Bön (Bön Eterno) foi o primeiro caminho completo de libertação espiritual no Tibete. Começou com o Buda Tonpa Shenrab, nascido na família Mushen a noroeste do Tibete. Outros afirmam que era na terra mítica de Shambhala,
A tradição afirma que Bön tinha três "portas" ou origens¨: 

  • A primeira era em Tazig Olmo Lung Ring. 
  • A segunda ficava na Ásia Central, possivelmente concentrada na região onde estava situada a antiga Pérsia. Os historiadores acreditam que a religião Bön estava espalhada pela Ásia Central antes de o Islã chegar e dominar as culturas locais, e que muitas antigüidades encontradas na Ásia Central, consideradas budistas, são na verdade Bön. 
  • A terceira era o reino de Zhang Zhung, que englobava uma grande parte do que é hoje o Tibete ocidental.
Os ensinamentos começaram na primeira porta, espalharam-se através da segunda e finalmente foram ensinados em Zhang Zhung e no Tibete.
Conta a lenda que Tonpa Shenrab chegou à terra que é hoje o Tibete meridional em busca de cavalos roubados por um demônio. Ele visitou a montanha sagrada Kong-po, que os peregrinos ainda circundam no sentido anti-horário, à maneira Bön. Quando Tonpa Shenrab chegou, encontrou um povo primitivo cuja prática espiritual se baseava no apaziguamento de espíritos por meio do sacrifício de animais. Ele pôs um fim ao sacrifício, ensinando o uso de formas animais feitas com farinha de cevada nas oferendas, prática até hoje comum entre os tibetanos de todas as tradições.
Como no caso de todos os budas, Tonpa Shenrab ensinava de acordo com a capacidade dos alunos. Ao perceber que o povo de Zhang Zhung não estava preparado para os ensinamentos superiores da libertação, ele só ensinou os veículos inferiores, xamanistas, e rezou para que, por meio da perseverança, da devoção e da aplicação, eles se preparassem para os veículos superiores do Sutra, do Tantra e do Dzogchen. E com o tempo, todos os ensinamentos de Tonpa Shenrab chegaram a Zhang Zhung.
Séculos mais tarde, durante o período do segundo rei tibetano, Mu Khri Tsenpo, muitos ciclos de ensinamentos Bön, tântricos e Dzogchen, foram traduzidos do Zhang Zhung para o tibetano. Embora os ensinamentos já existissem no Tibete há séculos, por transmissão oral, esta era a primeira vez que eram registrados na linguagem escrita tibetana. Durante muito tempo, Zhang Zhung e a linguagem Zhang Zhung foram considerados apenas míticos pelos estudiosos ocidentais, mas essa visão está sendo reavaliada à medida que mais fragmentos da linguagem Zhang Zhung são descobertos.
Segundo a tradição, os sete primeiros reis tibetanos teriam morrido sem deixar um corpo físico, o que é um sinal de grande realização espiritual. Alguns estudiosos acreditam que eles alcançaram o "corpo de luz", um sinal de iluminação específico do Dzogchen, o que sugere que os ensinamentos Dzogchen já existiam no Tibete naquela época. Os eruditos budistas acreditam que a tradição Dzogchen veio da Índia, e o Bön de fato reconhece que uma das tradições Dzogchen chegou ao Tibete através desse país, embora os principais ciclos de ensinamento Dzogchen tenham se originado em Zhang Zhung.
Os principais ensinamentos Bön estão incluídos em Os Nove Caminhos, ou os Nove Veículos. Trata-se de nove categorias de ensinamentos, cada uma com uma visão característica, bem como práticas e resultados próprios. Por exemplo, os veículos inferiores estão relacionados à medicina, à astrologia, à adivinhação e assim por diante. Acima deles estão os ensinamentos do Sutra e do Tantra. Finalmente, o veículo superior é o ensinamento Dzogchen, a Grande Perfeição. Existem tradicionalmente três versões dos Nove Caminhos, conhecidas como Tesouros do Sul, do Centro e do Norte. Neste livro, as informações sobre xamanismo derivam fundamentalmente do Tesouro do Sul. O Tesouro do Centro é muito próximo dos ensinamentos do Budismo Nyingma. O Tesouro do Norte foi perdido. Cada Tesouro abrange alguns aspectos dos ensinamentos do sutra, do tantra e do Dzogchen. Além disso, há quinze volumes que contêm as principais biografias do Buda Tonpa Shenrab.
Segundo estatísticas chinesas, Bön é o segundo grupo mais populoso do Tibete e os Bön-po são encontrados em todas as regiões do país. Os antigos ensinamentos ainda são seguidos por praticantes de yoga monásticos e leigos e, já no século XX, houve mestres Bön que alcançaram o "corpo de arco-íris". Este é o sinal supremo da completa realização na tradição Dzogchen: na hora da morte, o praticante de grande aperfeiçoamento liberta os cinco elementos que constituem o corpo. Ele os dissolve na sua essência, que é a pura luz elementar. Durante o processo, a substancialidade do corpo se dissipa numa exibição de luzes multicores, o que explica o nome de corpo de arco-íris. Às vezes o cadáver desaparece, ficando apenas o cabelo e as unhas. Seja como for, a aparição do corpo de arco-íris é o sinal de que o praticante alcançou o mais elevado nível de realização e não está mais limitado pelos dualismos matéria e mente ou vida e morte.
Depois que os chineses dominaram o Tibete, um rigoroso programa de treinamento para monges Bön teve início no mosteiro Menri, em Dolanji, H. P., na Índia, e no mosteiro Tristsen Norbutse, em Kathmandu, no Nepal. Esse treinamento foi realizado graças ao árduo trabalho de S. S. Lungtok Tenpa’i Nyima Rinpoche, Lopon Tenzin Namdak Rinpoche e dos monges mais antigos. O programa educacional conduz ao grau Geshe. A primeira turma formada fora do Tibete (Nota:da qual fez parte Tenzin Wangyal Rinpoche, autor deste texto), graduou-se em 1986.
Muitas das tradições Bön, ao lado de várias tradições budistas tibetanas, foram perdidas durante a dominação chinesa. Muitas outras tradições estão ameaçadas. No entanto, a religião Bön e o Budismo do Tibete estão lançando raízes no Nepal e começando a se espalhar pelo mundo.
Como alguns leitores talvez saibam, há muitas interpretações incorretas da religião Bön, mesmo entre budistas tibetanos. O Bön teve o destino de muitas religiões nativas, destino esse semelhante ao das religiões da Europa e das Américas quando o Cristianismo foi introduzido. Uma nova religião que se espalha numa cultura, muitas vezes garante seu crescimento referindo-se à religião nativa em termos negativos, como algo a ser superado e rejeitado.
Notei que muitos tibetanos, até mesmo altos lamas que não estão familiarizados com a tradição ou a literatura Bön, costumam passar adiante opiniões negativas mal informadas sobre essa tradição. Eu não entendo essa atitude. É claro que esse preconceito não é dirigido apenas à tradição Bön o preconceito existe entre as escolas do Budismo Tibetano também. Acrescento essa observação para todos os alunos de Bön, para que saibam desse triste preconceito antes de depararem com ele. Agora que as formas de espiritualidade tibetanas estão saindo do Tibete para o resto do mundo, espero que a tacanhice do preconceito seja deixada para trás.
Por sorte, há muitos budistas tibetanos, leigos e monges, chefes de família comuns e altos lamas, que são herdeiros do movimento não-sectário que floresceu no Tibete no século XIX. A mais eminente voz tibetana que defende hoje em dia a tolerância e a compreensão é a de Sua Santidade, o Décimo Quarto Dalai Lama, que reconheceu formalmente a tradição Bön como uma das cinco principais tradições do Tibete. Em várias ocasiões, ele ofereceu apoio a S. S. Lungtok Tenpa'i Nyima Rinpoche e a Lopon Tenzin Namdak Rinpoche, pedindo que trabalhem para preservar a antiga herança Bön como um tesouro para todos os tibetanos.
No Ocidente, as pessoas adotam uma atitude mais aberta diante da tradição Bön na medida em que aprendem mais a seu respeito. Em seus textos e tradições elas encontram um equilíbrio entre estudo e prática, entre fé e questionamento crítico. Elas também descobrem que a tradição Bön, enraizada em tempos anteriores à história registrada, desenvolveu tradições de xamanismo, filosofia e debate, monasticismo, transmissões tântricas e yogas, bem como os mais elevados ensinamentos da Grande Perfeição. Embora este livro ( A Cura Através da Forma da Energia e da Luz) seja basicamente para praticantes, espero que os estudiosos tenham uma idéia da profundidade e da variedade das tradições espirituais Bön.
As práticas do caminho espiritual, quando feitas com o entendimento e a aplicação corretas, trazem resultados. Os resultados desenvolvem a fé. Quando é forte e baseada na certeza, a fé favorece a prática. A fé e a prática juntas conduzem à sabedoria e à felicidade. É meu sincero desejo que este livro contribua para o bem estar e o progresso espiritual de todos os que o lerem."
•    Este texto é do grande e jovem mestre
vivo da tradição xamânica Bön-Budista, Tenzin Wangyal Rinpoche, incansável viajante, que veio duas vezes ao Brazil e fundou o Instituto Ligmincha, já presente em todo o mundo, incluindo São Paulo. O livro, uma pérola do Ensinamento, chama-se "A Cura através da Forma, da Energia, e da Luz". Imperdível.

domingo, 11 de setembro de 2011

O Sonho - Visão Budista

O Budismo é uma das tradições mais amistosas e agregadoras do planeta. Ao chegar da Índia e Nepal ao Tibete, trazido por Padmasambhawa encontrou e fundiu-se com a tradição animista e xamânica local, o Bön-po, cuja coloração gerou o lamaismo dando-lhe uma individualidade diferenciada entre as várias correntes budistas atuais.
O ensinamento tibetano mais elevado destas duas vertentes é o Dzogchen, que não é mais um ensinamento ou prática mas é um estado de ser, desperto, o cume da evolução de um indivíduo. Seu princípio fundamental é que “a realidade e o indivíduo já são perfeitos. Só precisam ser reconhecidos e não mudados”. Não há o que fazer. Só “não fazer”.
Dentro do Dzogchen a prática essencial é a “auto liberação” que se resume em “permitir que tudo o que existe na experiência, exista como é, sem as elaborações da mente dual, apego ou aversão”. É como é. Ponto final. Desapego é isso.
A novidade para nós ocidentais é a seguinte: para se chegar a esse estado de auto liberação é preciso trabalhar a yoga do sonho, e transformar o sonho comum no sonho lúcido que é o meio de se atingir conscientemente o sono profundo onde está a “clara luz”. Você que leu a postagem “O Sonho – Visão Tolteca” deve estar pensando “Como é que esses budistas tibetanos combinaram tudo com os toltecas americanos? É muita coincidência”. Então aguarde logo sobre como os índios brasileiros também trabalham o sonho. É um complô global. (rsrs)
Então você pergunta: "como se trabalha interiormente no sonho e o sono?". 
Trabalha-se com práticas dormindo e acordado, fazendo uma ponte que elimina barreiras entre os dois estados. Ao se afirmar interiormente que a vida "acordada" também é ilusória como um sonho, quebra-se gradualmente a importância e o poder que ela exerce sobre nós. Aos poucos começa a brotar um relaxante desapego em relação à ditadura do tenso e escravizador "mundo real". Nessa prática as coisas ficam mais fáceis na visão bön-budista, porque o budismo é mais didático que a tradição tolteca e outras mais rígidas. Ele é multicultural, adaptou-se melhor à mente ocidental, e tem um exército de monges e lamas espalhados pelo mundo, falando uma linguagem conceitual menos misteriosa, mais simples e homogênea apesar das pequenas diferenças de forma entre as várias correntes budistas.
Vamos então dar um roteiro, uma visão resumida das práticas, conceitos e palavras chaves como foi exposto no livro “Os Yogas Tibetanos do Sonhos e do Sono” pelo respeitado e jovem mestre Tenzin Wangyal Rinpoche, lama da tradição Bön do Tibete, que vive na Virgínia – EUA, e fundou o Ligmincha Institute que tem ramificação no Brasil, onde já tem vindo. Vamos lá:

AS QUATRO PRÁTICAS PRELIMINARES

1 - Modificar os Traços Kármicos
•    Durante o dia todo, dê-se conta continuamente de que toda experiência é um sonho.
•    Perceba todas as coisas como objetos num sonho, todos os eventos como eventos num sonho, todas as pessoas como pessoas num sonho.
•    Veja seu próprio corpo como transparente e ilusório.
•    Imagine que você está num sonho lúcido durante o dia inteiro.
•    Não permita que estes lembretes sejam meramente uma repetição mecânica.
•    Toda vez que disser a si mesmo: "Isto é um sonho" torne-se realmente mais lúcido.
•    Use seu corpo e seus sentidos para se tornar mais presente.

2 - Eliminar o Apego e a Aversão
•    Experimente todas as coisas que geram desejo e apego como fenômenos ilusórios, vazios, luminosos de um sonho.
•    Reconheça suas reações aos fenômenos como um sonho, todas as emoções, julgamentos e preferências como tendo sido inventadas.
•    Você pode se certificar de que está fazendo isto corretamente se, imediatamente depois de se lembrar que sua reação é um sonho, seu desejo e apego diminuírem.

3 - Fortalecer a Intenção
•    Antes de ir dormir, reveja o seu dia como num vídeo, e reflita como foi a prática.
•    Deixe que as lembranças do dia surjam e as reconheça como lembranças oníricas.
•    Desenvolva uma firme intenção de se manter consciente nos sonhos daquela noite.
•    Ponha todo o seu coração nesta intenção e peça intensamente pelo seu sucesso.
 
4 - Cultivar a Memória e o Esforço Alegre
•    Comece o dia com a firme intenção de se manter na prática.
•    Reveja a noite e sinta alegria se você se recordou dos seus sonhos ou se esteve lúcido neles.
•    Retome o compromisso com a prática, com a intenção de se tornar lúcido no sonho - se você não esteve - e de desenvolver ainda mais a lucidez - caso já a tenha experimentado.
•    A qualquer hora do dia ou da noite, é bom pedir pelo sucesso da prática.
•    Gere uma intenção tão forte quanto possível. Esta é a chave para o sucesso da prática.

PRÁTICAS PREPARATÓRIAS ANTES DE DORMIR

1 - As Nove Respirações Purificadoras
•    Na postura preferida de meditação (sentado, lótus, seizá) antes de se deitar para dormir, faça as nove respirações de purificação, em 3 grupos de 3, repetidas:
1ªs 3 respirações - Homens - polegar direito pressionando a base do anular direito, fechando a narina direita, inspirando luz verde pela narina esquerda. Depois, com a mesma mão, fecha a narina esquerda e expira pela direita. Repete 3 vezes. Mulheres tudo ao contrário, trocando direito (a) por esquerdo (a).
2ªs 3 respirações - Homens e mulheres, invertam as mãos e as narinas e façam 3 vezes.

Os 3 canais

3ªs 3 respirações - Homens e mulheres, com as mãos no colo, palmas para cima, a esquerda sobre a direita, inspirem luz verde que desce pelos 2 canais laterais até 4 dedos abaixo do umbigo. Depois sobe pelo canal central, saindo no alto da cabeça expelindo fumaça negra e doenças em potencial (Vixe!). Façam 3 vezes.

2 - Guru Yoga
Pratique o guru yoga:
• Visualize um mestre à sua escolha
• Imagine fluindo dele para você, uma a uma, três feixes de luz, branca (do chakra entre as sombrancelhas), vermelha (do da garganta) e azul (do do coração).
• Gere uma forte devoção, depois funda sua mente com a consciência pura do mestre, representante do mestre último que é a Consciência Primordial, sua verdadeira natureza.

3 - Proteção
•    Deite-se na postura correta do leão, de lado e com uma mão entre o rosto e o travesseiro, apoiando o rosto, e a outra estendida sobre o corpo. Os homens deitados sobre o lado direito, mulheres sobre o lado esquerdo.
•    Visualize seres protetores ou divindades  em volta de você (
no budismo há as dakinis) protegendo-o (a) no seu quarto a noite toda. Use a imaginação para transformar o quarto num ambiente protegido e sagrado.
•    Suavize a sua respiração e acalme a sua mente, observando-a até que você esteja relaxado e presente, contemplando sem se envolver com histórias e fantasias.
•    Crie uma firme intenção de ter sonhos claros, vívidos, recordar-se dos sonho e reconhecê-los como sonhos enquanto sonha.

AS PRÁTICAS PRINCIPAIS

1 - Trazer a Consciência ao canal central

Letra A tibetana
•    É a prática do primeiro período da noite.
•    Focalize o centro da garganta: um “A”  (tibetano ou ocidental) puro, translúcido e cristalino que se tinge de vermelho pela cor das quatro pétalas vermelhas sobre as quais ele repousa.
 •    Funda-se com a luz vermelha. 


2 - Aumentar a claridade

•    Acorde aproximadamente duas horas depois (com
Tiglé branco
ou sem despertador, melhor sem). Na mesma posição do leão, e pratique a respiração abdominal sete vezes. 
•    Focalize o tiglé branco (esfera luminosa) no chakra entre as sobrancelhas, enquanto adormece.
•    Permita que a luz branca dissolva tudo, até que você e a luz sejam uma só coisa. 
3 - Fortalecer a Presença
•    Depois de aproximadamente mais duas horas, acorde novamente.

    Deite-se de costas sobre um travesseiro alto, quase sentado, com as pernas levemente cruzadas.  
Sílaba Hung
•    Focalize a sílaba tibetana HUNG negra no chakra cardíaco. 
•    Respire profunda, plena e suavemente vinte e uma vezes.
•    Funda-se com o HUNG negro e adormeça.

4 - Desenvolver a Intrepidez (coragem)
•    Acorde novamente outras duas horas depois.
•    Não é necessário nenhuma postura ou respiração específica.

Tiglé negro
•    Focalize o tiglé negro e luminoso no chakra secreto, atrás dos genitais.
•    Adormeça fundindo-se à luz negra.
•    A cada despertar tente estar presente e na prática. Pela manhã, no seu último despertar, esteja imediatamente presente.
•    Reveja a noite, gere intenções e continue com a prática durante o dia.
•    Além disso, ajuda muito conseguir tempo para fazer a prática na calma (residir na calma, ou zhiné) durante o dia. Ela vai ajudar a deixar a mente tranqüila e focada e beneficiará todas as outras práticas.

O ponto mais importante tanto das práticas preliminares quanto da prática principal é manter a presença (lembrança de si) de forma tão consistente quanto possível durante todo o dia e toda a noite. Esta é a essência dos yogas do sonho e do sono. 
Sugestão: Imprima este resumo e leve no bolso.

Nota: Quem quiser mais informações sobre o Bön Budismo, consulte:

  • Instituto Ligmincha
https://www.ligmincha.org
email: ligmincha@aol.com
  
  • Ligmincha do Brasil
Rua Apinagés 1646, Vila Madalena, São Paulo, SP
(11) 8902-4045
  • Associação Brasileira de Cultura Tibetana
Rua Engenheiro Rebouças, 1040 - Vila Gerty, São Caetano do Sul
(11) 4232-5630 (11) 4232-5630
E-mail: abct.contato@gmail.com