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domingo, 4 de março de 2012

O Outro

Eu tinha uma amiga que dizia: “eu gosto do povo, adoro. Só não gosto do cheiro do povo no ônibus”. Pois é, o outro é assim, um desafio, sempre. Mesmo quando “gostamos” dele.
Não é à toa que na divisão das 12 casas astrológicas que perfazem a nossa vida, a Casa 1, que é “o meu eu”, é oposta à Casa 7, “o outro”, do outro lado, a 180º de distância, nos encarando... Não tem escapatória. Esse outro é tanto o inimigo declarado, o parceiro (a) de vida, o sócio, o concorrente. Para o médico é o paciente, para o vendedor é o comprador, e por aí afora... E a nossa vida está entrelaçada com a do outro como essas crianças na imagem aí em cima.

Eu pergunto, aqui entre nós: - “você não acha sintomático que o cônjuge e o inimigo declarado sejam personagens  da mesma casa 7?” Abra o olho cumpadre (e cumadre). Aí tem coisa. E não contaram para nós. Vamos ter que descobrir sozinhos...
 E por falar em sozinho, é curioso: a gente nasce sozinho e vai morrer sozinho, prestando conta para si mesmo e mais ninguém, mas no entremeio vai conviver, bem ou mal, todo o tempo com o outro. E a gente ama e odeia isso. Às vezes ao mesmo tempo. É estranho... Por que é assim? Não sei. Não sabemos. Precisamos ser sinceros quanto à nossa incompetência.
Eu tenho um pressentimento, sei lá se é verdadeiro ou falso, mas vou dizer (se não funcionar, a gente continua na busca). Como já falamos na postagem
Meditar? Orar? Para que? vamos então nos atrever a propor uma “teoria da geração de tudo”, uma Cosmogenia que, entre outras, explica essa coisa da existência do outro: parafraseando Don Juan e o hinduismo, existe no Universo uma força de Criação da Consciência (Brahma) e outra de Destruição (Shiva) atuando a todo instante sem parar. Vishnu, o terceiro fica só na Manutenção, equilibrando os estragos dos dois (rsrs). Então, se a Criação e a Destruição são simultâneas, o Universo precisa de Consciência sendo gerada a todo o instante, on line, em tempo real, como diz a garotada antenada. E portanto precisa de Ex-pe-ri-ên-cia. Precisa de nós, seres vivos, desde o mais simples vírus até os humanos. Todos ganhamos Vida e devolvemos Consciência, como diziam os homens de conhecimento toltecas. Daí a expressão “crescei e multiplicai-vos” dita por outro homem de conhecimento que sabia das coisas, expressão que aliás no nosso planeta está meio em baixa por causa da superpopulação.
Por isso estamos aqui: nos demos a nós mesmos um equipamento físico, emocional, mental e espiritual tingido por umas coisas como apego, raiva, ignorância e no final, a cereja do bolo: o outro. Nós mesmos nos demos o outro, não podia ser diferente. Igual e oposto a nós, ao mesmo tempo. E a paisagem que nos demos em volta qual é?: Recursos inflexíveis, sabiamente dosados, e apetites insaciáveis, É mole?
Esse embate com o outro é o grande gerador de experiências e portanto de Consciência de que o Universo precisa: atrito. É o atrito entre opostos como possibilidade criativa de experiências.
Se você discorda, pode fazer uma experiência decisiva: imagine-se (não vai ser fácil) vivendo num mundo sem o outro, sem o seu semelhante, ou melhor, o seu diferente. Mas imagine mesmo, senão não dá para aceitar ou refutar a teoria. Nesse tal mundo, se não há o outro, não há como haver nenhuma das 7 virtudes (temperança, caridade, simplicidade, paciência, generosidade, diligência, humildade) ou os 7 pecados capitais (orgulho, preguiça, inveja, luxúria, raiva, gula, avareza). Essas coisas só aparecem a dois ou mais: sem o outro, vai ser uma paradeira federal. Bota tristeza nisso. Não há Consciência que brote aí. Sem o outro a aridez é total. Já pensou num mundo sem Luxúria? Vixe! (rsrs)
Então você, muito gentil, diz: ‘ok, vou aceitar em princípio a sua teoria “sub judice”, ou seja, até prova em contrário. Mas tenho uma pergunta: “como eu faço para me relacionar com o outro de uma forma justa, equânime, tanto exterior como interiormente?”
Essa sim é A pergunta.
A resposta eu na sei, mas estamos trabalhando nisso. Todo o tempo. A pergunta é sempre mais interessante que a resposta, porque deixa o tema sempre no modo aberto. Começo a achar que talvez a resposta não seja a resposta em si, mas sim o trabalhar nisso, sem descanso. Vamos lá:
O “se relacionar com o outro” exige uma pá de coisas:
A primeira coisa, e principal, é você “estar presente” (rsrs). Você deve ter pensado: esse cara é doido. Como posso me relacionar com o outro se não estou presente? Por telepatia? Mas é de outra presença que estamos falando, é claro. É a presença interior, no instante, no Agora,  de que as tradições sem exceção falam. Eckhart Tolle tem textos e vídeos encantadores sobre isso. Presença é “ocupar” todo o seu corpo físico, estar sentindo-o sem pensar nele, atento e aberto para o outro. Na cena só existe a sua Atenção e o outro . A rigor mesmo só existe a sua Atenção. É claro que quando a gente faz a lição de casa direitinho, a gente está presente “de carona” também no emocional e mental e sentindo  no conjunto dos três, cada vibração e impressão que chega, ao mesmo tempo em que está se relacionando com o outro. Parece difícil no início, principalmente nos picos emocionais, absorventes, na hora do racha, mas aos poucos a gente acerta. É um largar atento, um deixar fluir. Se a gente se perder, volta e retoma...
A outra coisa é agir exteriormente com o outro com a maior consideração possível (seja ele quem for, seja na situação que for), exatamente como agimos com uma pessoa querida, que queremos agradar. Difícil? Bota difícil nisso. Não podemos esquecer que estamos lidando com dois egos insuportáveis, o nosso e o dele. Para funcionar, o agente da nossa ação deve estar previamente ciente de que o ponto não é “ganhar a discussão” mas, sem perder o objetivo, estar presente contemplando-se na ação, identificando as energias e observando, tão imparcialmente quanto possível, a resistência ridícula e mesquinha do ego. Aliás dos dois egos. Isso não significa “ser bonzinho” mas um segredo é não “bater de frente”. Gurdjieff chamava esse processo de “consideração exterior”, ou seja, independentemente de o seu ego achar que o outro ego seja um (a) pulha, você o trata exteriormente com consideração. Não confunda isso com essa coisa viscosa chamada de “politicamente correto”. São coisas parecidas só por fora, mas a nossa nos põe diante de uma dificuldade quase insuperável, a de conscientemente tratar alguém  exteriormente com consideração, quando o seu próprio ego está revoltado interiormente, querendo pular no pescoço do outro e esganá-lo. Lembrei-me de um rabino que disse; "É muito melhor interiormente para nós, ser gentil do que ter razão".
Uma terceira coisa é uma constatação absolutamente insuportável para o nosso ego que vive na dualidade “eu e o outro”. O grande filósofo popular, Vicente Mateus, ex-presidente do Corinthians dizia, reafirmando essa dualidade: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. (rsrs).
Pois bem, o que eu vou dizer é uma coisa tão insuportável para o nosso ego, que eu vou falar rapidinho e sair de fininho, como criança que “fez reinação”. A constatação é a seguinte: 

 O outro é a sua sombra.
O outro é tudo o que é sombrio demais para você aceitar como seu. Aqui entre nós, apesar de o seu ego espernear – chegue um pouco mais que eu vou contar um segredo no pé do seu ouvido (essa vai ser "braba"):
“O outro é você”.
E durma com um barulho desses.
Domingo que vem, tem mais.

domingo, 12 de junho de 2011

A Lei de Três

Nasci numa família cristã, fui coroinha na Missa de domingo (uma gracinha), e desde pequeno ouvi falar na Santíssima Trindade, um só Deus formado de 3 entidades (Pai, Filho, Espírito Santo). Seria a mesma coisa, só trocando os nomes, se eu fosse hindu, na Índia onde a Trimurth é composta de Brahma, Vishnu e Shiva, ou se fosse um asteca, um maia, ou tivesse nascido na Grécia, Roma, Egito Antigo, Mesopotâmia, etc.
Para simplificar: 

 Tradição
Trindades
Cristã
Pai
Filho
Esp. Santo
Judaica
Ain
Ain Soph
Ain Soph Aur
Egípcia
Osiris
Hórus
Isis
Suméria
Nimrod
Tammuz
Semirades
Hinduista
Brahma
Vishnu
Shiva
Zoroastra
Ahura-Mazda
Mithra
Vohu Mano
Grega
Zeus
Athena
Hera
Romana
Júpiter
Minerva
Juno
Nórdica
Odin
Thor
Frigga
Tupi-Guarani
Guaraci
Rudá
Jací
Asteca
Ometeotl
Quetzacoatl
Ehecatl
Maia
Hunab-ku
Kukulkan
Chiknawí

E por que as religiões autênticas são assim parecidas? Coincidência?
Na verdade, primeiro as tradições e depois as religiões, falam de uma Lei Fundamental que cria tudo, todos os fenômenos desde o nível das menores partículas até os Universos: um pensamento, um som, uma religião, um ser vivo, um vírus, um gesto. É a "Lei de Três", a lei dos três Princípios, Três Forças, Três Inteligências.
As tradições dizem que o Um, o Absoluto, no seu interior é também Três. O Absoluto é o criador da Trindade a cada vez que cria. E a Trindade vai criando as outras trindades, outros mundos ladeira abaixo. Mesmo o Taoismo quando fala só de Ying e Yang, parte do princípio de que a harmonização das duas forças é a terceira força, formando aquele conhecido símbolo que é mostrado em Dois Hemisférios Duas Mentes.
A doutrina das três forças é a raiz de todos os sistemas antigos de conhecimento. A primeira é a ativa, a segunda a passiva e a terceira a neutralizante (eu prefiro harmonizante). Mas isso são só nomes. As três são ativas e só quando entram em contato entre si, se diferenciam.
As duas primeiras são fáceis de entender, mas a terceira é difícil, não aparece, é de outro plano, não compreendido pela nossa limitação de espaço-tempo. Para compreender, precisamos de uma outra dimensão na nossa atividade psicológica ordinária.
O pensamento científico contemporâneo até reconhece a existência das duas forças, e a necessidade delas para poder produzir um fenômeno qualquer: força e resistência, magnetismo positivo e negativo, eletricidade positiva e negativa, células masculinas e femininas, e assim por diante, mas não reconhece sempre e em toda parte. E não consegue nunca reconhecer a terceira, que harmonizando e juntando as duas, é a verdadeira criadora imediata do fenômeno.  Qualquer fenômeno. Não há criação sem 3 forças. O átomo com próton e elétron, mas sem o neutron, não existiria.
O conhecimento dito científico afirma que “qualquer ação provoca uma reação igual e contrária”, mas isso só conduz ao empate, e não explica a coisa. O que desempata, harmoniza, e cria o fenômeno é a terceira força.
 O princípio geral é: todos os fenômenos, independentemente de sua magnitude, são necessariamente uma manifestação das três forças. Uma ou duas forças não podem produzir um fenômeno, e se observarmos uma parada que seja, ou uma vacilação interminável no mesmo lugar, podemos dizer que este lugar não tem a terceira força. Nenhum fenômeno é criado. Uma paradeira...
No mundo dos fenômenos observado subjetivamente, não vemos os fenômenos em si, mas a manifestação de uma ou duas das forças. Se víssemos a manifestação das três forças em cada ação de criação, então veríamos o mundo como ele é.  A terceira força é uma propriedade do mundo real, que não está disponível ao comum dos mortais. Castaneda diria que se víssemos o mundo real,  então “veríamos como flui a energia no Universo”. Seríamos “videntes”.
Um exemplo:
Para se gerar um ser humano é preciso um espermatozóide, um óvulo,  e...o “Princípio da Vida” por trás, vindo de não-sei-onde. Deu pra sentir a dificuldade de entender a terceira força? Tente visualizar o que é o Princípio da Vida...é difícil. Ele é de outro plano. Só pode ser intuido, pelo buscador. Aliás é simpático o fato de que qualquer coisa criada numa dimensão tem algo de uma dimensão mais fina e invisível àquele dado plano das duas forças. Dá uma idéia de corrente, de conexão, de busca interior, nos ligando ao Mais Alto...
No estudo de Si Mesmo, o estudo das manifestações do seu pensamento, da consciência, suas atividades, hábitos, desejos, etc, pode-se aprender a observar e ver em si mesmo a ação das três forças. O que acontece com o Universo, acontece dentro de nós. As leis são as mesmas agindo.Vejamos:
Uma pessoa  quer  fazer um regime, uma criação para melhorar a sua saúde ou por vaidade, o que for. Seu desejo, sua iniciativa, é a força ativa, ou positiva. Os maus hábitos alimentares, ou a gula, ou a inércia da vida psicológica habitual, que se opõe a esta iniciativa será a força passiva ou negativa. As duas forças ou se compensarão ou superarão completamente uma à outra, mas ao mesmo tempo ficarão com pouca energia para qualquer ação futura. Sem a terceira, elas vão ficar girando uma em volta da outra, vão se anular,  e não vão produzir nenhum resultado. Isso pode durar uma vida toda. A terceira força poderá ser a força de vontade, mesmo que motivada pela necessidade de caber no vestido que vai usar na festa, ou mais conscientemente pela compreensão dos danos à saúde causados pela má alimentação.
Há muitos exemplos da ação das três forças e dos momentos em que entra a terceira força no jogo,  em cada aspecto de nossa vida. Isso ocorre todo o tempo na vida humana. Se você tentou criar algo, uma família, um empreendimento, um projeto, uma agenda, um fato, já conhece esse filme...
E, para complicar, um fenômeno que parece simples pode realmente ser complicado, ou seja, ser uma combinação complexa de várias trindades de forças, e não uma só.
A gente então pergunta: “Como é o processo pelo qual essas trindades de forças criam os mundos e particularmente o nosso mundo?”
As três forças do Absoluto, constituindo um todo, separadas e unidas por sua própria vontade e por sua própria escolha, criam em seus locais de ligação, fenômenos,"mundos", Universos. Esses mundos criados pela vontade do Absoluto, dependem inteiramente  dessa vontade em tudo o que diz respeito à sua própria existência. Em cada um deles atuam as três forças.
No entanto, já que agora o primeiro desses mundos criados não é mais um todo, mas apenas uma de suas peças, as três forças deixam de formar um conjunto único. Existem então nesse mundo três vontades, três consciências, três unidades. São três leis que submetem cada “ser” que viva nesse primeiro mundo, logo após o Absoluto.
As três forças juntas formam uma trindade que produz novos fenômenos, novos mundos. Mas essa trindade é diferente, não é exatamente aquela que estava no Absoluto, onde todas as três forças, ao constituir um todo indivisível, possuíam uma única vontade e uma só consciência. Nos mundos de “segunda ordem” criados pelo Absoluto, as três forças estão agora divididas e seus locais de união são de natureza diferente.
No Absoluto, o momento e o ponto de sua união são determinadas pela vontade única dele. Nos mundos de segunda ordem, onde não há uma única vontade, mas três consciências e portanto três vontades, os pontos de manifestação são determinados por uma vontade individual, independente das outras e, portanto, o ponto de encontro das forças  já se torna algo acidental, com um componente mecânico, circunstancial.
A vontade do Absoluto cria “mundos de segunda ordem" , mas neles não governa seu trabalho criador, onde já aparece então agindo um elemento de mecanicidade. O Absoluto age como um presidente de uma grande empresa (bota grande nisso...), que dá a diretriz geral da corporação, mas deixa a  diretoria com uma certa  autonomia de tocar criativamente a sua área. Aí começa a diversidade, a mecanicidade, a possibilidade do conflito...
As escrituras cristãs dizem que no sétimo dia Ele descansou, mas não foi só no sétimo, não. Ele está descansando desde então, só observando a coisa toda. As leis controlam o empreendimento todo. É o chamado descanso ativo. E criativo.
Em cada um desses mundos de segunda ordem, as três forças divididas criam, ao encontrar-se, novos mundos de uma terceira ordem. Nesses, além das 3 primeiras forças anteriores, há mais 3 desse próprio mundo. E vai assim até formar  7 níveis de mundos, cada um com 3 forças  a mais que o anterior, ou seja,  mais “leis” regendo a sua manifestação. Quanto mais longe do Absoluto nos novos níveis de mundos criados, mais mecanicidade nas próximas criações, mais leis, mais “piloto automático”, menos “consciência”, mais caminho e esforço para cada viajante fazer o caminho de volta.
Lembrei-me agora de Nietzsche, que laconicamente, disse “Nas profundezas, tudo é lei”. Estava certo o bigodudo.
A gente pergunta: “E como fazer para conseguir criar algo com sucesso neste mundo, identificando o funcionamento da Lei de Três à sua volta?”
Não tem receita fixa, mas tem algo que ajuda:
•    identificar as duas forças ligadas ao que vai ser criado.
•    tomar consciência do impasse, do empate das duas forças no tempo
•    identificar a terceira força, de um nível mais sutil, que pode harmonizar as duas
•    buscar energia interior (intento) para aplicá-la
•    buscar persistência disciplinada na ação para conseguir o objetivo.
Isso é observação pura, disciplinada e constante do Si Mesmo no mundo em torno. É um exercício para se tornar um Criador. Nós não fomos feitos à semelhança d'Ele? Vamos aproveitar, ora essa...
Um caderninho para registro de anotações ajuda, mas comece logo, porque em breve vamos falar dos 7 níveis da Criação que decorrem da Lei de Três: o chamado Raio da Criação. Se você bobear vai embolar a lição de casa. (rsrs)

domingo, 30 de janeiro de 2011

O 13º signo do Zodíaco: Ofiuco

Como diz a mídia eletrônica...
“ - Atenção, atenção: Interrompemos nossa programação para uma edição extraordinária sobre a última abobrinha que está intrigando as pessoas no mundo inteiro...”
Há um frisson “pseudo esotérico” no ar já há algum tempo. Astrônomos e astrólogos batendo boca. Socialites e celebridades tupiniquins desolados porque “vão mudar de signo”...uma coisa ho-rro-ro-sa!...
 Vários amigos também tem falado comigo intrigados sobre uma matéria de uma revista nacional, vocês-sabem-qual , da semana  de 26/01/2011, que malandramente tomou carona numa notícia veiculada para o mundo, a partir do, vejam vocês, estado americano de Minnesota, o novo centro da cultura astrológica do planeta!.
Lá, em entrevista à rede NBC, um professor de astronomia que deve ser "altamente qualificado" chamado Parke Kunkle, que ensina astronomia a alunos numa faculdade técnica de Minneapolis, o Community and Technical College,  explicou que, “por causa da atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, o alinhamento das estrelas foi empurrado por cerca de um mês (?). Então surgiu um novo signo que seria o de Serpentário - ou "Ophiuccus".
Esse bando de astrônomos fica anos naquela paradeira olhando o céu dia e noite, e não sabe como arranjar seus “quinze minutos de fama”...desta vez eles quase conseguiram. São todos candidatos a Karl Sagan, ou mesmo Isaac Newton, que poucos sabem, era  astrônomo e astrólogo sério, e não falaria uma asneira dessa (me perdoem, eu quis dizer "uma incorreção dessas"...).
Segundo Kunkle, “conforme a Terra e o Sol se movimentam, os signos mudam”. O astrônomo disse que "essa mudança não aconteceu do dia para a noite"...ufa, que bom! O que ele deveria ter dito, e não sabe, é “conforme a Terra e o Sol se movimentam, a visão aparente das constelações muda”. Isso sim é Astronomia, área da qual ele não deveria ter saido.
Vocês percebem que se trata de um astrônomo, se é de fato, falando de Astrologia.  Lembra um personagem do desenho americano South Park que dizia “-... Irã, Iraque, é tudo a mesma coisa...”
A notícia é velha, requentada e oportunista. Volta e meia aparece novamente. Nenhum astrólogo que se preze tem mais paciência para ficar explicando isso. Só serve para vender mais revista aos desavisados e fazer esse “auê” boboca do tipo, como o Chacrinha dizia, “Eu não vim pra explicar, mas pra confundir”. Mas vamos falar mais uma vez a respeito dessas abobrinhas jornalísticas, plantadas por falta de assunto:
Em primeiro lugar a única coisa pior que astrólogo que não conhece astronomia, é astrônomo que não conhece astrologia. E pior que as duas é jornalismo de segunda linha que não se aprofunda na veracidade e conteúdo da informação. É o caso desse pessoal de Minnesota, cujas afirmações errôneas encontram eco num pseudo-jornalismo “fake” como o dessa revista em questão. Mas em todo o mundo é assim.  Na Inglaterra então, nem se fala...
Precisamos esclarecer que a Astronomia nasceu junto com a Astrologia e apesar de sua função nobre no conhecimento humano,  sua única contribuição para a Astrologia é fornecer a posição dos astros no céu para se fazer as Efemérides, ou seja a sua posição instantânea nos graus de cada signo. Qualquer coisa além disso é invadir território. Por que?
Porque, como diz o Alexey, diretor da CNA – Central Nacional de Astrologia (e qualquer aprendiz de Astrologia sabe), signo não é constelação. Isso já bastaria para encerrar o assunto. A astrologia ocidental tropical não considera como signos as constelações. Deste modo, nenhum signo mudou e o simpático Ofiuco não é um novo signo, continua sendo uma constelação, como aliás sempre foi. Os signos vão ser sempre 12, não porque os astrólogos são conservadores, mas porque conhecem a essência de “o que é a Astrologia”, um conhecimento simbólico, e por isso, de nível qualitativamente superior ao conhecimento comum.
A astrologia védica indiana sim considera as constelações mas somente para demarcar o início do zodiaco sideral (ou zodiaco das constelações). No restante ela ainda considera os doze signos. Então esses astrônomos americanos deveriam tirar satisfações na Índia, com os astrólogos védicos, ora essa. (rsrs).
Vamos lá explicar isso, pela penúltima vez: (rsrs)
A Astrologia lida com signos que são coisas simbólicas, arquétipos, conteúdos metafísicos. São símbolos...vamos repetir, “signos são símbolos “, e não coisas factuais como lápis, maçã, computador, crocodilo...É por isso que receberam o nome de signos, e não outro nome. Já a Astronomia lida com a realidade factual do universo conhecido, ou seja, corpos celestes, suas composições químicas e físicas, distâncias, campos magnéticos, órbitas, atrações, gravidade (que aliás nem os cientistas sabem de fato o que é), etc, etc. Então os signos serão sempre 12, tanto na astrologia ocidental como na oriental, porque 12 (ou 3x4) como também o 7, são números ligados à vida no Universo, às estações do ano, à divisão do ano em meses,  à divisão do círculo, às cores das “ondas de forma” na Radiestesia, etc... Já pensou, dividir as estações do ano com essa nova lógica? Ou o calendário?
Pitágoras, matemático grego, profundo conhecedor das relações entre os números e os símbolos e mitos humanos cujo significado é metafísico, deve estar se revirando na tumba cada vez que ouve falar nesse assunto fervilhante de abobrinhas.
Nesse raciocínio inconsequente, teríamos que mudar a simbologia dos 12 Trabalhos de Hércules, arquétipo estreitamente ligada à Astrologia, só para agradar esses astrônomos metidos a astrólogos. E se a moda pega, alguém vai sugerir mudar os 8 trigramas do I Ching, ou os 22 Arcanos Maiores do Tarot, ou os 3 elementos das Trindades de todas as tradições antigas. Já pensou? “-Atencão pessoal, a trindade hindu agora são 4: Brahma, Vishnu, Shiva e Sei-lá-o-que”...É só um numero a mais ou a menos, não é?...
A armadilha que existe, e que confunde esses incautos e incultos pseudo-astrólogos e pseudo-jornalistas, é que na cinta dos signos que envolve o sistema solar, os signos tem o mesmo nome e a mesma ordem sequencial que tem as constelações na cinta das constelações, bem mais além. Para um astrônomo ou jornalista despreparado, só isso já basta para a construção de uma novíssima teoria astrológica. Alem da semelhança enganadora, a única diferença é que os 12 signos tem o mesmo tamanho entre si (30 graus) e as constelações não, (há pequenas e grandes) mas quem liga para isso?
Quem quiser explicações adicionais mais educadas e politicamente corretas sobre o assunto, pode consultar abaixo o site do astrólogo Hector Othon, ou da astróloga Elisabeth Nakata, o da CNA - Central Nacional de Astrologia, e outros.
E tenho dito...

http://elizabethnakata.webs.com/.
Sobre Astrologia séria, consulte  www.constelar.com.br e www.astrothon.com
Sobre Tarot e I Ching sérios, consulte www.clubedotaro.com.br

PS - Não sou astrônomo nem astrólogo, mas a Dona Josefina me ensinou a só dar palpite sobre coisas que eu conheço...