domingo, 1 de abril de 2012

24 X 7

O assunto é Presença. 
Presença no modo 24X7. E você pergunta: "Então o que faz esse morango aí ao lado?
Vou explicar:
Acho que resolvi  o mistério de “Porque há certas lembranças aparentemente corriqueiras que a gente nunca mais esquece, mesmo que se passem cem anos? E, por outro lado, há outras com jeito de “muito importantes” que a gente não lembra mais daí a cinco minutos, apesar de todo o esforço.”
Tenho sentido e observado muito na Contemplação, e ficou claro para mim que as lembranças que perduram são aquelas que tocaram, mesmo que de leve, uma inteligência e memória  que estão por trás do nosso Estar Presente no Agora e fazem parte dele. Algo assim: se eu estou com um nível mínimo de presença dentro de mim, e algo de qualidade, uma cena, um ensinamento, uma lembrança surge na tela dos sentidos, uma alquimia secreta faz a ligação entre as duas coisas de qualidade e pronto, a lembrança fica permanente, guardada no HD da memória, para consultas posteriores ou mesmo aparecendo espontaneamente na tela como um pequeno flash dizendo  “olhe eu aqui!”
Estou escrevendo isso por duas razões; primeiro porque não tenho mais nada que fazer nesse dia ensolarado, olhando o verde do mato aqui na minha janela na granja, e já que estou na frente do teclado... 
Segundo porque me veio à memória, mais uma vez, a lembrança persistente de uma cena que ouvi há uns 30 ou 40 anos num grupo de “busca interior”. Ficou gravada em cores (principalmente o morango), como um filme. Era uma história Zen contada pelo instrutor da época. Vamos lá:
“Um homem andava pela floresta quando sentiu que um lobo o seguia. Apressou o passo, e o lobo atrás, só na espreita... Começou a correr e viu que eram vários lobos, muitos lobos. E “pernas para quem te quero”, como dizia a Dona Josefina.
A certa altura, já exausto, viu que a trilha terminava e estava de frente para um barranco, ou melhor, estava mais para precipício que um simples barranco,  e não dava para saltar para baixo de tão alto que era. E os lobos uivando ferozes nos calcanhares.
Então ele, sem pensar, resolveu saltar e agarrar uma raiz mais abaixo para não se estatelar lá no chão. Os lobos ficaram acima uivando, um inferno.
Bem - pensou - agora preciso achar um jeito de ir descendo, e ao olhar para baixo, vejam vocês, viu um tigre esperando. Brincadeira. Apavorado, suando de esforço e pavor, ficou olhando em volta para achar uma saída. Decididamente não era um bom dia.
Nisso, à distância de um braço viu sabe o quê? Um morango, redondinho, pontudo, vermelhinho e perfumado entre as folhas verdes, com aqueles furinhos em volta. Uma cena.
Esticou o braço, pegou o morango e fechando os olhos, levando-o à boca sentiu o azedinho suave, a textura macia, o prazer de estar vivo, dentro de si mesmo, mastigando calmamente, sentindo um gosto inesquecível de morango, segurando uma raiz com a outra mão já doendo, e ouvindo uivos de lobos”.
Acabou. 

É... Acabou o conto. Mas não o assunto.
Volta e meia esse conto Zen me volta à lembrança. E eu acho que sei porque. Tenho percebido que não há outra saída para quem quer evoluir de verdade, a não ser a firme, sutil e dedicada intenção de estar presente dentro de si mesmo todo o tempo, a todo instante, 24 horas por dia, 7 dias da semana, sem desculpas esfarrapadas. Presente como o homem ao saborear o morango, apesar da pessão. Não é preciso mais nada, nem livros, nem seminários, conferências, workshops, nada disso. Aliás tenho sempre dito aos meus amigos de busca que a maioria de nós já leu mais do que precisava para o seu despertar. Buda não deve ter lido nada, ou muito pouco, já que a tradição era oral. O que precisamos sim é de agir no Agora, com um bom mestre, um bom ensinamento, energia e Intento. Eu ainda leio porque um bom livro funciona para mim como uma dose extra de motivação para a busca. Puro tesão.
Quando digo 24 horas por dia, você que é uma pessoa sintonizada pergunta: “24 horas por dia? Mas e à noite no sono?”. Os mestres dizem que à noite temos que aprender a estar despertos no sono como faziam e fazem budistas, toltecas e outros, e trabalhá-lo como um mundo de atuação normal, com seres, situações, decisões, projetos, enfim, atuação. O meu prezado Lama Samten disse um dia que organiza o seu dia seguinte ou a semana seguinte no sonho á noite. E confirmando isso, assisti no passado um workshop empresarial de um conhecido palestrante, antropólogo que na sua tese de doutorado esteve na Austrália e disse que “os aborígenes australianos também”sonham a caçada” num ritual na véspera, e no dia seguinte vão apenas “buscar a presa” que já foi caçada antes, no sonho”. Os índios brasileiros também. Todos em modo 24X7.
Eu fico encantado com isso: programar o futuro enquanto dorme, desperto e descansando! Belezura, cumadre.
 Nas publicações anteriores O Sonho, Portal da Consciência, O sonho – Visáo Budista, O Sonho – Visáo tolteca e O Sonho e o Rupigwara, falamos muito do assunto. O mestre do Bön Budismo Tenzin Wangyal Rinpoche em seu livro “Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono” diz que o Sonho é uma área de atividade exatamente como é a vigília acordado. Imagine como se fosse um país estrangeiro. Basta aprender o jeito de viajar para lá, a língua, os costumes, e boa viagem. E como bônus, viver dois mundos num só.
Tenho me proposto esse intento de trabalhar 24X7, inclusive no Sonho, seguindo instruções do mestre Tenzin Wangyal Rinpoche, e tenho notado sutilezas interessantes tanto no sonho como no dia a dia, como se os dois mundos começassem a se relacionar. Talvez por isso tenho me lembrado com frequência do conto Zen do morango. Quem sabe?...
Em breve vamos falar das descobertas e dificuldades de intentar viver a Presença 24X7. Aguardem

domingo, 25 de março de 2012

A Glândula Pineal, Corpo e Alma, Mediunidade, 4ª dimensão...

Como dissemos nas publicações Xamanismo, e Sun Gazing - a Medicina Gratuita do futuro, há nesses tempos bicudos mas fascinantes em que estamos vivendo, uma ocorrência  cada vez maior da figura do pontífice, ”pessoas que estabelecem a ponte entre tipos diferentes e isolados de conhecimento, cultura, dimensões, mundos”. 
Uma dessas figuras é, sem dúvida o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira. psiquiatra e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, Diretor-clínico do Instituto Pineal Mind e diretor-presidente da AMESP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), É um dos maiores pesquisadores na área de Psicobiofísica da USP, principalmente sobre do papel da glândula pineal  na ligação com o espírito, via mediunidade.
Por uma dessas sincronicidades, tivemos o prazer, após publicar neste blog (veja lá) um vídeo sobre sua bem humorada palestra a respeito da pineal, de conhecer e conversar com a simpática figura, numa reunião sobre a nova educação que está brotando no mundo. Como muitos outros, ele ajuda a estabelecer uma ligação coerente e sólida entre Ciência e Espiritualidade, Corpo e Alma, o Concreto e o Invisível, enfim, uma volta ao lugar de onde não deveríamos ter saído.

Um pequeno órgão despercebido, em forma de pinha, do tamanho de um grão de bico, no meio da cabeça entre os dois lobos cerebrais, a glândula pineal surge como o centro de nosso relacionamento misterioso com outras dimensões, e tem sido assim nas mais variadas correntes religiosas e místicas, há milhares de anos. 
O mistério não é recente. Há mais de dois mil anos, a glândula pineal, ou epífise, é tida como a sede da alma. Para os praticantes da ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o “terceiro olho”, que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês René Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que “existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente”.
Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento dessa glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica da integração entre o corpo e o que se chamaria de alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec?
Para responder a estas e outras perguntas, a revista Espiritismo & Ciência conversou com o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira.
Revista: - Fale um pouco sobre seu trabalho à frente da AMESP e do Instituto Pineal Mind.
Sérgio: - A AMESP é uma associação de utilidade pública que reúne médicos dedicados ao estudo da relação entre a medicina e a espiritualidade. O Pineal Mind é minha clínica, um instituto de saúde mental, onde fazemos pesquisas e atendemos psicoses, síndromes cerebrovasculares, ansiedades, depressão, psicoses infantis, uso de drogas e álcool. Temos um setor de psiconcologia (psicologia aplicada ao câncer) e estudamos também os aspectos psicossomáticos ligados à cardiologia, etc. Agora, particularmente nas pesquisas comportamentais, eu estudo os estados de transe e a mediunidade. Mas não pesquiso só a glândula pineal; ela é o que eu pesquiso no cérebro, interessado em entender a relação entre corpo e espírito.

- O que é psicopbiofísica?
- É a ciência que integra a psicologia, a física e a biologia. Na biologia, estudamos o lobo frontal, responsável pela crítica da razão; mas o cérebro funciona eletricamente – aí entra a física, que serve de substrato para o pensamento crítico, que é o psicológico.
- Quando surgiu seu interesse no aprofundamento do estudo da pineal?
- Foi por volta de 1979/80, quando eu estava estudando a obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier. Em Missionários da Luz, a pineal é claramente citada. Nesta mesma época, eu já pleiteava o curso de Medicina. No colégio, estudando Filosofia, fiquei impressionado com a obra de Descartes, que dizia que a alma se ligava ao corpo pela pineal. Quando entrei na faculdade, corri atrás destas questões, do espiritual, da alma e de como isso se integra ao corpo.
- O que é a glândula pineal, onde está localizada e qual a sua função no organismo?
- A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, um relógio interno. Como ela faz isso? Captando as radiações do Sol e da Lua. A pineal obedece aos chamados Zeitbergers, os elementos externos que regem as noções de tempo. Por exemplo, o Sol é um Zeitberger que influencia a pineal, regendo o ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina. Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o Zeitberger interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa. Agora, o tempo é uma região do espaço. A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que te dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão. Faz sentido perguntarmos: “Será que a partir da quarta dimensão já existe vida espiritual?” Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo. A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além dessa dimensão nossa. A afirmação de Descartes, do ponto em que a alma se liga ao corpo, tem uma lógica até na questão física, que é esta glândula que lida com a outra dimensão, e isso é um fato.
- Outros animais possuem a epífise? Ela está relacionada à consciência?
- Todos os animais têm essa glândula; ela os orienta nos processos migratórios, por exemplo, pois ela sintoniza o campo magnético. Nos animais, a glândula pineal tem fotorreceptores iguais aos presentes na retina dos olhos, porque a origem biológica da pineal é a mesma dos olhos, é um terceiro olho, literalmente.
Esta glândula seria resquício de algum órgão que está se atrofiando, ou estaria ligada a uma capacidade psíquica a ser desenvolvida?
Eu acredito que a pineal evoluiu de um órgão fotorreceptor para um órgão neuroendócrino. A pineal não explica integralmente o fenômeno mediúnico, como simplesmente os olhos não explicam a visão. Você pode ter os olhos perfeitos, mas não ter a área cerebral que interprete aquela imagem. É como um computador: você pode ter todos os programas em ordem, mas se a tela não funciona, você não vê nada. A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético, impregnado de informações, como se fosse um telefone celular. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal. Um papagaio tem a pineal, mas não vai receber um espírito, porque ele não tem uma área no cérebro que lhe permita fazer um julgamento. A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção. Então, a ela não basta a existência da glândula pineal, mas sim, todo o cone que vai até o córtex frontal, que é onde você faz a crítica daquilo que absorve. A mediunidade é uma função de senso (captar)-percepção (faz a crítica do que está acontecendo). Então, a mediunidade é uma função humana.
 
- A pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos? Isso é comprovado cientificamente?
- Sim, isso é comprovado. Quem provou isso foram os cientistas Vollrath e Semm, que têm artigos publicados na revista científica Nature, de 1988.
- A parapsicologia diz que estes campos eletromagnéticos podem afetar a mente humana. O dr. Michael Persinger, da Laurentian University, no Canadá, fez experiências com um capacete que emite ondas eletromagnéticas nos lobos temporais. As pessoas submetidas a essas experiências teriam tido “visões” e sentiram presenças espirituais. O dr. Persinger atribui esses fenômenos à influência dessas ondas eletromagnéticas. O que o senhor teria a dizer sobre isso?
- Veja, o espiritual age pelo campo eletromagnético. Então, dizer que este campo interfere no cérebro não contraria a hipótese de uma influência espiritual. Porque, se há uma interferência espiritual, esta se dá justamente pelo campo eletromagnético. Quando se fala do espiritual, em Deus, a interferência acontece na natureza pelas leis da própria natureza. Se o campo magnético interfere no cérebro, a espiritualidade interfere no cérebro PELO campo magnético. Uma coisa não anula a outra. Pelo contrário, complementam-se.
- A mediunidade seria atributo biológico e não um conceito religioso? Existe uma controvérsia no meio científico a esse respeito?
- A mediunidade é um atributo biológico, acredito, que acontece pelo funcionamento da pineal, que capta o campo eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere. Não só no espiritismo, mas em qualquer expressão de religiosidade,  ativa-se a mediunidade, que é uma ligação com o mundo espiritual. Um hindu, um católico, um judeu ou um protestante que estiver fazendo uma prece, está ativando sua capacidade de sintonizar com um plano espiritual.  

Buda com a pinha simbólica na cabeça
 Isso é o que se chama mediunidade, que é intermediar. Então, isso não é uma bandeira religiosa, mas uma função natural, existente em todas as religiões. E isso deve acontecer através do campo magnético, sem dúvida. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos. Não existe controvérsia entre ciência e espiritualidade, porque a ciência não nega a vida após a morte. Não nega a mediunidade. Não nega a existência do espírito. Também não há uma prova final de que tudo isto existe. Não existe oposição entre o espiritual e o científico. Você pode abordar o espiritual com metodologia científica, e o espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem “esta é minha opinião pessoal”, estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência. A American Medical Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal.  O Hospital das Clínicas sempre teve tradição de pesquisas na área da espiritualidade e espiritismo. Isso não é muito divulgado pela imprensa, mas existe um grupo de psiquiatras lá defendendo teses sobre isso.
- Como são feitas as experiências em laboratório?
- Existem dois tipos: um, que é a experiência de pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; e outra, que é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.
- As alterações em exames de tomografia, por exemplo, são exclusivas ou condizentes com outras patologias? O senhor descarta a hipótese de uma crise convulsiva?
- Isso é bem claro: a suspeita de uma interferência espiritual surge quando a alteração nos exames não justifica a dimensão ou a proporção dos sintomas. Por exemplo: o indivíduo tem uma crise convulsiva fortíssima,  é feito o eletroencefalograma e aparece uma lesão pequena. Não há, então, uma coerência entre o que está acontecendo e o que o exame está mostrando. A reação não é proporcional à causa. A mediunidade mexe com o sistema nervoso autônomo – descarga de adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, aumento da pressão arterial.
- Como o senhor diferencia doença mental de mediunidade?
- Na doença mental, o paciente não tem crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Agora, um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte? Aí ele perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo que esteja em psicose não possa estar em transe também. A mediunidade se instala no indivíduo são, ou pode dar uma dimensão muito maior a uma doença. A mediunidade sempre vai dar um efeito superlativo. Se a pessoa alimenta bons sentimentos, ela cresce. Se ela tem uma doença, a doença pode ficar fora de controle.
- É verdade que a pineal se calcifica com a meia-idade? E essa calcificação prejudica a mediunidade?
- Não, a pineal não se calcifica; ela forma cristais de apatita, e isso independe da idade. Estes cristais têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não ter nada. Percebemos, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na pineal, ele tem mais facilidade de seqüestrar o campo eletromagnético. Quando a pessoa tem muito desses cristais e sequestra esse campo magnético, esse campo chega num cristal e ele é repelido e rebatido pelos outros cristais, e este indivíduo então apresenta mais facilidade no fenômeno da incorporação. Ele incorpora o campo com as informações do universo mental de outrem. É possível visualizar estes cristais na tomografia. Observamos que quando o paciente tem muita facilidade de desdobramento, ele não apresenta estes cristais.
- As crianças teriam mais sensibilidade mediúnica?
- A mediunidade na criança é diferente da de um adulto. É uma mediunidade anímica, é de saída. Ela sai do corpo e entra em contato com o mundo espiritual.
- A pineal pode ser estimulada com a entoação de mantras, como pregam os místicos?
- A glândula está localizada em uma área cheia de líquido. Talvez o som desses mantras faça vibrar o líquido, provocando alguma reação na glândula. Os cristais também recebem influências de vibração. Deve vibrar o líquor, a glândula, alterando o metabolismo. Teria lógica.
- Em que se concentrarão seus próximos estudos?
- Estou preparando um estudo sobre Cronogenética da Reencarnação. Mas, sobre isso, falarei mais detalhadamente em 2003, durante o Congresso Médico-Espírita.



A GLÂNDULA PINEAL, NOVOS CONCEITOS E AVANÇOS NAS PESQUISAS  Video-Palestra já publicado em NOSSOS BONS VÍDEOS 
Dr. Sérgio Felipe de Oliveira



domingo, 18 de março de 2012

O Desnate - O mistério da Percepção desvendado

Você já deve ter percebido que todas as tradições autênticas de busca interior, entre elas o budismo, o hinduismo, o cristianismo, falam, com diferentes nuances, que o mundo é uma ilusão, uma criação da nossa mente, e por aí afora. Afirmam que a realidade não é vista diretamente por nós humanos, algo assim como um aquário onde colocaram um corante na água e o peixinho diz: “O mundo é azul”...
O cinema engajado na busca interior já percebeu isso e produziu filmes e séries muito interessantes sobre o tema, como Matrix, O Show de Truman, Cidade das Sombras e outros.
A gente então, para não encrencar logo de saída, pode até aceitar que o que chamamos de realidade, ou de mundo, é um “produto de segunda mão”, uma interpretação da “verdadeira realidade”.  Mas esse aceitar soa mais como uma adesão gratúita, um "aceitar por aceitar", porque a rigor aí tem um problema, um ponto obscuro: como funciona esse processo pelo qual a realidade é escamoteada de nós? Como é exatamente que a gente é enganado? Ninguém explica isso direito.
Vamos então tentar explicar segundo a visão dos videntes toltecas que há muitos milhares de anos atrás esclareceram o mistério melhor que a Psicologia atual, que somente agora começou a arranhar a superfície da coisa.
Antes disso, como já acenamos de passagem em algumas postagens anteriores como O Mar Escuro da Consciência, temos que dar uma breve visão geral de alguns conceitos que formam o universo dessa incrí vel e milenar tradição. Vamos ver o que diziam os toltecas:
•    Há duas forças universais, de criação e destruição, atuando a cada instante eternamente. Uma faz, outra desfaz.
 
•    Então, a função de qualquer ser vivo é gerar Consciência para alimentar essa fonte eterna de energia inteligente chamada de O Mar Escuro da Consciência, senão ela acaba. 
•    Visto pelos xamãs e videntes toltecas, em estados alterados de consciência, O Mar Escuro da Consciência se mostra como uma incomensurável Águia.
•    Essa fonte produz emanações (chamadas “comandos da Águia”) que sustentam a vida de tudo o que há no Universo, mas na hora da morte Ela pede de volta a Consciência que foi produzida pelos seres vivos, na sua passagem pelos mundos. Ela dá Vida e cobra a Consciência obtida. Justo, não? Você pensou que viver era de graça?...
•    As emanações (Gurdjieff as chama de impressões - "sem as quais não vivemos sequer um segundo") que chegam aos seres vivos são caóticas, pois vem de uma dimensão profunda, fora do tempo e espaço do cosmos, fora da mente racional, e quem as vislumbrasse diretamente não entenderia nada ou poderia ficar louquinho. As ervas usadas pelos xamãs em rituais tem o poder, entre outras coisas, de dar ao iniciante uma visão desse intrigante caos, como forma de quebrar a ditadura da mente racional que insiste em que o mundo é só esse mundo visto pelos 5 sentidos. Foi assim que Don Juan fez com Castaneda, que tomou peyote e mescalito, mas somente para "quebrar" seu mental teimoso e cristalizado. Não era para dar nenhum "barato".
•    A Águia nos deu a Razão, uma ferramenta para organizar o caos e torná-lo compreensível nessa dimensão em que estamos, mas a Razão não entende o caos. Ela precisa de um filtro que traduza e interprete as emanações “em estado bruto”, tornando-as familiares a nós.
•    Às emanações filtradas e interpretadas, nós chamamos de mundo, coisas, objetos, pensamentos, sensações, emoções, sentimentos, realidade, universo, ou lá o que seja.
•    O processo de filtrar a realidade era chamado pelos toltecas de “desnate”, pois é exatamente como fazemos com o leite fervido para tirar a nata e deixá-lo bonitinho e estéticamente aceitável e agradável. É assim que nos ensinam a fazer com a impressões que nos chegam, transformando-as no mundo familiar que conhecemos.
•    Uma vez que uma impressão qualquer foi “desnatada” quando chegou, nunca mais vamos percebê-la originalmente como era. Só como ficou de aí por diante.
•    A Percepção acontece fora do nosso corpo físico, mas ainda dentro do invólucro maior que é o nosso corpo energético. Ela ocorre dentro de uma esfera luminosa do tamanho de uma bola de tênis que fica nas costas do ovo luminoso que envolve nosso corpo, na altura da omoplata. Esse ovo é o nosso corpo energético.
 
•    Existem 3 atenções, 3 níveis de talento, cada uma com seu domínio independente, completas por si só. Esse processo do desnate se dá na primeira atenção, que é a habitual do dia a dia, a única que conhecemos. A segunda é a atenção intensificada dos xamãs, homens de conhecimento, e que às vezes pressentimos, mas logo descartamos. A terceira, raríssima, é a atenção unificada pelo fogo interior, que acende todas as emanações da Águia presentes no ovo luminoso do ser, e o transforma em energia sem deixar vestígios. (As tradições registram casos conhecidos do fenômeno)

Muito bem. Definidos os conceitos, vamos à operação. (Está parecendo apresentação de negócios. - rsrs)
Cena: Somos ainda bebes. Chega à nossa percepção uma emanação qualquer vinda das profundezas da Consciência (impressão de qualquer tipo nos cinco sentidos conhecidos - mais outros sentidos que sequer conhecemos). Nós nos maravilhamos. Ato contínuo, chega alguém, o pai, a mãe, professor, padre, rabino, pastor, sei-lá-quem (o mundo está cheio de ajudantes e mestres generosos e dedicados) e prontamente, com a maior das boas intenções, define a complexa emanação de uma maneira rasteira como ele ou ela mesmo aprendeu pelo processo de socialização da chamada "educação": em geral ele ou ela dá um nome à coisa, ou esconde “porque é feio”, ou descarta, ou “enfeita o pavão”. Pronto. Rotulou. Desnatou. Fechou o assunto. Na próxima vez que a emanação se apresentar, a vítima já está vendo a impressão “desnatada”. Não é mais a mesma emanação original, mas um subproduto falsificado da Realidade. A vítima então já é um sócio, já pertence ao clube, que é toda a humanidade socializada, que enxerga tudo padronizado como vimos em Matrix e nos outros 2 filmes. Você é um deles. Tristeza, não? Mas tem que ser assim... O personagem do filme, Neo (novo ser) é cada um de nós, com a vocação de sair dessa.

 O que é então esse desnate? É o filtro da Realidade. É o que a transforma numa interpretação falseada dela mesma.
É esse processo que chamamos ingenuamente de Aprendizado, Educação... Para nos reconectarmos mais tarde com a Realidade, temos que desaprender tudo com muito esforço e dedicação. Bota esforço nisso.
Vamos abaixo relatar uma manobra soberba de dois exímios xamãs, Don Juan e Don Genaro, manipulando a percepção do aprendiz Castaneda, para mostrar o que era uma impressão antes do “desnate”, ou seja, como era o mundo das emanações, dos comandos da Águia antes de a filtragem do aprendizado “interpretar” a Realidade: como é que era primordialmente, por exemplo, a complexa emanação original chamada por nós (depois de interpretada) de o sol, a árvore, o chão, etc, e cuja percepção, antes do desnate, demandava todo o nosso ser integralmente, todos os sentidos conhecidos ou não, e não somente um deles como fazemos habitualmente. 

Até aqui, tudo bem? Todos a bordo? Então vamos nessa:

"- Dom Juan aproximou-se mais de mim. Inclinou-se e cochichou em meu ouvido direito.
Dom Genaro também se inclinou para mim e cochichou em meu ouvido esquerdo.

Ficaram sussurrando em meus ouvidos até eu ter a sensação de estar sendo dividido ao meio. Tornei-me uma névoa, como na véspera, um brilho amarelo que sentia tudo diretamente. Isto é, eu podia saber as coisas. Não se tratava de pensamentos; só havia certezas. E quando entrei em contato com uma sensação suave, esponjosa, saltitante, que ficava fora de mim e no entanto era parte de mim, eu sabia que era uma árvore. Senti que era uma árvore pelo cheiro. Não tinha o cheiro de nenhuma árvore específica de que eu me lembrasse, e não obstante alguma coisa dentro de mim sabia que aquele odor especial era a essência da árvore. Não tinha apenas a impressão de saber, nem raciocinei sobre meu conhecimento, nem remexi com indícios. Simplesmente sabia que havia ali alguma coisa em contato comigo, em volta de mim, um cheiro amigo, quente e compulsivo emanando de algo que não era nem sólido nem líquido, e sim algo diferente, indefinido, que eu sabia ser uma árvore. Senti que sabendo dela desse jeito eu estava tocando em sua essência. Não me sentia repelido por ela. Ao contrário, ela me convidava para me fundir com ela. Engolfava-me, ou eu a engolfava. Havia um laço entre nós que não era nem maravilhoso nem desagradável.
A sensação seguinte de que pude me lembrar com clareza foi uma onda de assombro e exultação. Em mim, tudo vibrava. Era como se me atravessassem cargas de eletricidade. Não eram dolorosas. Eram agradáveis, mas de uma forma tão indeterminada que não havia meio de classificá-las. Não obstante, eu sabia que aquilo com que eu estava em contato era o solo. Uma parte de mim reconhecia com uma certeza precisa que era o solo. Mas no momento em que tentei distinguir a infinidade de percepções diretas que eu estava tendo, perdi toda a capacidade de diferenciar minhas percepções.
Aí, de repente, eu era eu mesmo outra vez. Estava pensando. Foi uma transição tão abrupta que pensei que eu tinha acordado. No entanto, havia algo em meu modo de sentir que não era bem eu. Eu sabia que realmente faltava alguma coisa antes mesmo de abrir bem os olhos. Olhei em volta. Ainda estava num sonho, ou tendo alguma visão. Meus processos mentais, porém, não só estavam afetados, como eram extraordinariamente claros. Fiz uma avaliação rápida. Eu não tinha dúvidas de que Dom Juan e Dom Genaro tinham provocado meu estado de sonho com um  propósito específico em mente. Eu parecia estar a ponto de compreender qual era esse propósito quando algo estranho a mim obrigou-me a prestar atenção ao que me cercava. Levei tempo para me orientar. Eu estava deitado de bruços, e num chão espetacular. Examinando-o, não pude deixar de sentir assombro e admiração. Não consegui imaginar de que fosse feito. Placas irregulares de alguma substância desconhecida tinham sido colocadas de um modo muito complexo e ao mesmo tempo simples. Tinham sido postas juntas, mas não estavam pregadas no chão nem umas nas outras. Eram elásticas e cediam quando eu tentava afastá-las com meus dedos, mas quando as soltava, voltavam logo a sua posição original.
Tentei levantar-me e fui preso da mais absurda distorção sensorial. Eu não tinha controle sobre meu corpo; na verdade, meu corpo nem parecia me pertencer. Era inerte; eu não tinha ligação com nenhuma de suas partes e, quando tentei levantar-me, não consegui mexer os braços e fiquei me contorcendo indefeso, de barriga para baixo, rolando de lado. O impulso de minhas contorções quase me fez dar uma volta completa, tornando a ficar de bruços. Meus braços e pernas esticados me impediam de virar-me e fui parar de costas. Nessa posição, vi de relance duas pernas de forma estranha e os pés mais distorcidos que jamais vira. Era o meu corpo!
Eu parecia estar envolto numa túnica. A idéia que me veio à mente foi que eu estava experimentando uma cena de mim mesmo como aleijado ou inválido. Tentei curvar as costas e olhar para minhas pernas, mas só conseguia sacudir o corpo. Estava olhando para um céu amarelo, um céu de um amarelo-limão, forte e profundo. Ele tinha fendas ou canais de um tom amarelo mais profundo e uma porção de protuberâncias penduradas como pingos d’água. O efeito total daquele céu incrível era arrasador. Eu não conseguia saber se as protuberâncias eram nuvens. Havia ainda zonas de sombras e zonas de diferentes tons de amarelo, que fui descobrindo ao mexer a cabeça de um lado para o outro.
Aí alguma outra coisa atraiu a minha atenção: um sol no zênite mesmo do céu amarelo, bem sobre minha cabeça, um sol fraco a julgar pelo fato de eu poder olhar para dentro dele - que lançava uma luz calmante, branca e uniforme.
Antes de ter tempo de ponderar sobre todas essas visões extraterrenas, fui violentamente sacudido; minha cabeça pulava para diante e para trás. Senti que estava sendo erguido. Ouvi uma voz estridente e risadas e defrontei-me com um espetáculo realmente espantoso: uma mulher gigantesca, descalça. A cara dela era redonda e enorme. Seus cabelos negros estavam cortados no estilo pajem. Tinha braços e pernas gigantescos. Pegou-me e levantou-me, pondo-me em seus ombros, como se eu fosse um boneco. Meu corpo estava flácido. Olhei pelas costas dela. Tinha uma penugem fina em volta dos ombros e pela espinha abaixo. Olhando para baixo, dos ombros dela, tornei a ver aquele chão maravilhoso. Eu o ouvia ceder, elástico, sob o peso imenso dela e via as marcas de pressão que seus pés deixavam nele.
Ela me largou de bruços defronte de uma estrutura, uma espécie de prédio. Aí notei que havia algo de errado com a minha percepção de profundidade. Não consegui avaliar o tamanho do prédio, olhando para ele. Em certos momentos, parecia ridiculamente pequeno, mas depois que eu, aparentemente, ajustei minha percepção, fiquei realmente maravilhado com suas proporções monumentais.
A moça gigantesca sentou-se a meu lado e fez o chão ranger. Eu estava encostado a seu joelho imenso. Ela tinha cheiro de bala ou morangos. Falou comigo e eu entendi tudo o que ela disse; apontando para a estrutura, ela me afirmou que eu ia morar ali.
Meus poderes de observação pareceram aumentar, quando venci o choque inicial de me encontrar naquele local. Reparei então que o prédio tinha quatro lindas colunas não funcionais. Nada sustentavam; estavam em cima do prédio. Sua forma era a simplicidade total; eram projeções longas e graciosas, que pareciam se estar estendendo até aquele céu assombroso, incrivelmente amarelo. O efeito daquelas colunas invertidas era de pura beleza para mim. Tive um acesso de êxtase estético.
As colunas pareciam ter sido feitas de um só bloco; eu não podia nem conceber como. As duas colunas da frente estavam ligadas por uma trave fina, uma barra de comprimento monumental, que, pensei, podia ter servido como parapeito ou de varanda.
A moça gigantesca me fez deslizar de costas para dentro da estrutura. O telhado era negro e plano, coberto de furos simétricos, que deixavam passar o brilho amarelado do céu, criando os desenhos mais complicados. Fiquei realmente assombrado com a completa simplicidade e beleza alcançadas por aqueles pingos de céu amarelo aparecendo por aqueles furos precisos no telhado e os desenhos de sombras que eles criavam naquele chão magnífico e complicado. A estrutura era quadrada e, fora de sua beleza tocante, ela me era incompreensível.
Meu estado de exaltação era tão intenso naquele momento que tive vontade de chorar, ou de ficar ali para sempre. Mas alguma força, ou tensão, ou algo de indefinível começou a me puxar. De repente, vi que estava do lado de fora da estrutura, ainda deitado de costas. A moça gigantesca se encontrava lá, mas com ela havia outra criatura, uma mulher tão grande que chegava até o céu e tapava o sol. Comparada com ela, a moça gigantesca não era mais que uma menininha. A mulher grande estava zangada; agarrou a estrutura por uma de suas colunas, levantou-a, virou-a de pernas para o ar e largou-a no chão. Era uma cadeira!
Aquela percepção foi catalisadora; desencadeou percepções arrasadoras. Passei por uma série de imagens desconexas, mas que podiam figurar como uma seqüência. Em lampejos sucessivos, vi ou percebi que o piso magnífico e incompreensível era uma esteira de palha; o céu amarelo era o teto de estuque de um quarto: o sol, uma lâmpada; a estrutura que provocara tal êxtase em mim era uma cadeira que uma criança virara de pernas para o ar para brincar.
Tive mais uma visão coerente e em seqüência de outra estrutura arquitetônica misteriosa de proporções monumentais. Ela estava isolada. Parecia quase a concha de uma lesma pontuda com a cauda levantada. As paredes eram feitas de placas côncavas e convexas de um material estranho e roxo; cada placa apresentava fendas que pareciam mais funcionais que ornamentais.
Examinei a estrutura meticulosamente em seus detalhes e descobri que, como no caso anterior, ela era completamente incompreensível. Esperava de repente ajustar minha percepção para revelar a verdadeira natureza da estrutura. Mas nada aconteceu a esse respeito. Tive então um aglomerado de consciências ou descobertas alheias e emaranhadas quanto ao prédio e sua função, que não faziam sentido, pois eu não tinha um padrão de referência para elas.
Recuperei minha consciência normal de repente. Dom Juan e Dom Genaro estavam a meu lado. Eu me senti cansado. Procurei meu relógio; tinha sumido. Dom Juan e Dom Genaro riram-se em coro. Dom Juan disse que eu não devia estar preocupando-me com a hora e sim concentrar-me em seguir certas recomendações que Dom Genaro me fizera.
Virei-me para Dom Genaro e ele disse uma piada - a recomendação mais importante era que eu aprendesse a escrever com o dedo, para economizar os lápis e para me exibir.
Eles ainda implicaram mais um pouco comigo por causa de minhas anotações e depois eu fui dormir.
Dom Juan e Dom Genaro escutaram o relato detalhado de minha experiência, que lhes dei a pedido de Dom Juan, depois que acordei no dia seguinte.
- Genaro acha que você já fez bastante, por enquanto – disse Dom Juan, quando terminei.
Dom Genaro concordou, com um meneio.
- Qual o significado do que experimentei ontem à noite? Perguntei.
- Você teve uma visão da coisa mais importante da feitiçaria - explicou Dom Juan. - Ontem à noite você espiou a totalidade de você. Mas naturalmente isso é uma coisa sem sentido para você, neste momento. Obviamente, chegar à totalidade de seu ser não depende de seu desejo de concordar, nem da disposição de aprender. Genaro acha que seu corpo precisa de tempo para deixar que os sussurros do nagual penetrem você.
Dom Genaro tornou a balançar a cabeça.
- Muito tempo - disse ele, sacudindo a cabeça para cima e para baixo. - Uns 20 ou 30 anos, talvez.
Não sabia como reagir. Olhei para Dom Juan, buscando indicações. Os dois estavam sérios.
- Preciso mesmo de 20 ou 30 anos? - perguntei.
- Claro que não! - gritou Dom Genaro, e os dois caíram na gargalhada.
Dom Juan disse que eu devia voltar sempre que minha voz interior me mandasse, e que enquanto isso devia procurar concatenar, todas as sugestões que eles tinham feito enquanto eu estava dividido.
- E como vou fazer isso? - perguntei.
- Desligando seu diálogo interno e deixando alguma coisa em você fluir e expandir-se - disse Dom Juan. - Essa coisa é a sua percepção, mas não procure decifrar o que quero dizer. Apenas deixe que os sussurros do nagual o guiem.
Aí ele disse que na noite anterior eu tivera duas séries de visões intrinsecamente diferentes. Uma era inexplicável, a outra, perfeitamente natural, e a ordem em que tinham ocorrido mostrava uma condição que é intrínseca a todos nós.
- Uma foi o nagual, a outra, o tonal - acrescentou Dom Genaro.
Pedi que ele explicasse essa declaração. Ele me olhou e me deu um tapinha nas costas.
Dom Juan interveio e disse que as duas primeiras visões eram o nagual e que Dom Genaro escolhera uma árvore e o solo como os pontos de ênfase. As duas outras eram visões do tonal, que ele próprio escolhera; uma delas era minha percepção do mundo como criança.
- Parecia-lhe ser um mundo estranho porque a sua percepção ainda não fora preparada para caber no molde desejado - disse ele.
- Foi mesmo assim que vi o mundo? - perguntei.
- Por certo - disse ele. - Isso foi a sua memória.
Perguntei a Dom Juan se a sensação de apreciação estética que me extasiara também fazia parte de minha memória.
- Nós temos essas visões como estamos hoje - disse ele.
Você estava vendo aquela cena como a veria agora. No entanto, o exercício era de percepção. Era uma cena de uma época em que o mundo se tornou para você o que é agora. Um tempo em que uma cadeira tornou-se uma cadeira”.


Eu acrescentaria: "cena de uma época em que para você, as coisas ainda não tinham nome, só essência. Apenas eram. E você via a essência delas na sua totalidade. Sem desnate".

domingo, 11 de março de 2012

O Mar Escuro da Consciência, Mundos Gêmeos, Seres Inorgânicos, a Morte, "y otras cositas más"


Se me perguntassem “qual o melhor livro que você leu na sua vida?” eu diria sem dúvida “16 livros da obra de Castaneda e discípulos” (rsrs).
Exagero? O editor do New York Times, um "jornalzinho lá da matriz", sério, e parcimonioso em distribuir elogios, disse em 2001, quando foi editado o 12º livro do autor, O Lado Ativo do Infinito: “Somos incrivelmente afortunados em ter os livros de Carlos Castaneda.Tomados em conjunto formam uma obra que está entre o melhor que a ciência da Antropologia já produziu.
Por essa você não esperava, né?...Eu acrescentaria: "e o melhor que a tradição do Xamanismo produziu, também".
Infelizmente há um porém: grande parte da compreensão da obra foi comprometida pelo trabalho de “tradutores-traidores” que juntaram o seu desconhecimento do tema à “marquetagem” oportunista das editoras. Quer um exemplo?: O 1º livro da obra, que em inglês chama-se “The Teachings of Don Juan” ou Os Ensinamentos de Don Juan, foi traduzido e publicado no Brasil como “A Erva do Diabo”, para linkar a obra às drogas e a cultura hippie dos anos 60, que dava mais dinheiro que chuchu na serra. Isso deu resultado comercial  imediato, mas comprometeu a divulgação da valiosa tradição dos videntes toltecas de conhecimento interior. Muita gente torce o nariz até hoje, achando que a obra é uma apologia das drogas e ervas alucinógenas, apesar das explicações claras de Don Juan. Mas isso é outra história...
Vamos ver então Don Juan falando a Castaneda dessa energia descomunal, incompreensível e eterna que os homens de conhecimento toltecas chamava o Mar Escuro da Consciência (outros chamam de Deus), e falando também de mundos gêmeos, seres inorgânicos, morte “y otras cositas”: 

Os xamãs videntes toltecas "viam" essa energia como A Águia, uma incomensurável fonte de energia eterna, que estava ligada a cada esfera individual de Consciência humana ou de qualquer ser senciente no Universo , pois ela empresta Vida a todos os seres e no final da vida pede a consciência adquirida de volta. Muito aqui entre nós, os videntes, através de um processo chamado Recapitulação, faziam uma cópia da Consciência que adquiriram na vida, entregavam-na à Águia na hora da morte e mantinham a sua consciência individual depois da morte. E diziam que qualquer um poderia fazer isso (com muito trabalho, claro. Quer moleza?). Ops, contei o final do filme...
Vamos lá:
“- Enquanto estavam no auge de seus poderes de percepção, os videntes toltecas viam algo que os fazia tremer nas calças, se estivessem vestindo uma. Viam que o Mar Escuro da Consciência é responsável não só pela consciência dos organismos, mas também pela consciência das entidades que não têm um organismo.
- O que é isso, Dom Juan, seres sem um organismo, e que têm consciência? - perguntei, surpreso, pois ele nunca mencionara essa idéia antes.
- Os xamãs antigos descobriram que todo o universo é composto de forças gêmeas - ele começou -, forças que são ao mesmo tempo opostas e complementares entre si. É inevitável que o nosso mundo seja um mundo gêmeo. Seu mundo oposto e complementar é habitado por seres que têm consciência, mas não um organismo. Por essa razão, os xamãs antigos os chamam de seres inorgânicos.
- E onde está esse mundo, Dom Juan?
- Aqui, onde você e eu estamos sentados - respondeu com naturalidade, mas rindo abertamente de meu nervosismo. - Eu disse a você que esse era o nosso mundo gêmeo, portanto está intimamente relacionado a nós. Os feiticeiros do México antigo não pensavam como você pensa em termos de espaço e tempo. Pensavam exclusivamente em termos de consciência. Dois tipos de consciência coexistem sem nunca colidir uma com a outra, pois cada tipo é completamente diferente do outro. Os xamãs antigos enfrentavam esse problema de coexistência sem se preocuparem com tempo e espaço. Raciocinavam que o grau de consciência dos seres orgânicos e o grau de consciência dos seres inorgânicos eram tão diferentes que ambos poderiam coexistir com o mínimo possível de interferência.
- Nós podemos perceber esses seres inorgânicos, Dom Juan? - perguntei.
- Com certeza - respondeu ele. - Os feiticeiros os percebem quando querem. As pessoas comuns fazem isso, mas não se dão conta que o fazem porque não são conscientes da existência do mundo gêmeo. Quando pensam em um mundo gêmeo, entram em todo tipo de masturbação mental, mas nunca lhes ocorre que as suas fantasias têm sua origem num conhecimento subliminar que todos nós temos: que não estamos sós.
Fiquei preso às palavras de Dom Juan.
- A dificuldade de se perceber as coisas em termos de tempo e espaço - continuou ele - é que você só nota se alguma coisa desembarcou no tempo e no espaço que está à sua disposição, e isso é muito limitado. Os feiticeiros, por outro lado, possuem um vasto campo onde podem notar se algo estranho desembarcou. Muitas entidades do universo como um todo, entidades que possuem consciência mas não um organismo, desembarcam no campo de consciência de nosso mundo, ou no campo de consciência de seu mundo gêmeo, sem que um ser humano comum jamais os perceba. As entidades que desembarcam em nosso campo de consciência, ou no campo de consciência de nosso mundo gêmeo, pertencem a outros mundos que existem além do nosso mundo e de seu gêmeo. O universo como um todo está abarrotado até a borda de mundos de consciência, orgânicos e inorgânicos.”
Curiosamente, aqui entre nós (mais a Dona Dolores e os meninos da escola) a “ciência de plantão” fala hoje nos Discovery, NatGeo e outros, de mundos gêmeos não mais como “coisa pseudo-científica inventada” mas como “coisa da vanguarda do conhecimento”. Os índios toltecas falavam do assunto já há milhares de anos em volta da fogueira. É mole?  A história do verdadeiro conhecimento da humanidade precisa ser reescrita.
“Dom Juan continuou falando e disse que aqueles feiticeiros sabiam quando a consciência inorgânica dos outros mundos além de nosso mundo gêmeo tinha desembarcado nos seus campos de consciência. Disse que, como todos os seres humanos nessa terra fariam, aqueles xamãs faziam intermináveis classificações dos diferentes tipos dessa energia que possui consciência. Elas eram conhecidas pelo termo genérico de seres inorgânicos.
- Esses seres inorgânicos têm vida como a nossa vida? perguntei.
- Se você pensa que Vida é ter Consciência, então eles têm vida - disse ele. - Suponho que seria correto dizer que se a vida pode ser medida pela intensidade, pela agudeza, pela duração daquela consciência, posso sinceramente dizer que eles são mais vivos do que você e eu.
- Esses seres inorgânicos morrem, Dom Juan? - perguntei. Dom Juan deu um risinho antes de responder.
- Se você chama morte o término da consciência, sim, eles morrem. Sua consciência acaba. Sua morte é como a morte de um ser humano e, ao mesmo tempo, não é, porque a morte dos seres humanos tem uma opção oculta. É algo como uma cláusula num documento legal, uma cláusula que é escrita em letras muito pequenas que mal se consegue enxergar. Você precisa usar uma lente de aumento para ler, porém é a cláusula mais importante do documento.
- Qual é a opção oculta, Dom Juan?
- A opção oculta para a morte é exclusiva dos feiticeiros. Eles são os únicos, que eu saiba, que leram as letrinhas. Para eles, a opção é pertinente e funcional. Para os seres humanos comuns, morte significa o fim de sua consciência, o fim de seu organismo. Para os seres inorgânicos, morte significa o mesmo: o fim de sua consciência. Em ambos os casos, o impacto da morte é o ato de ser sugado para o Mar Escuro da Consciência. As suas consciências individuais, carregadas com as suas experiências de vida, quebram as suas fronteiras, e a consciência enquanto energia se perde no Mar Escuro da Consciência.
- Mas o que é a opção oculta da morte que somente os feiticeiros captam, Dom Juan? - perguntei.
- Para um feiticeiro, a morte é um fator unificador. Em vez de desintegrar o organismo, como comumente acontece, a morte o unifica.
- Como pode a morte unificar alguma coisa? - protestei.
- A morte para um feiticeiro - disse ele - termina o reino dos temperamentos individuais no corpo. Os feiticeiros antigos acreditavam que era o domínio de diferentes partes do corpo que regia os temperamentos e as ações do corpo total; partes que se tornaram disfuncionais arrastavam o resto do corpo para o caos, como, por exemplo, quando você fica doente por comer porcaria. Nesse caso, o estado do seu estômago afeta todo o resto. A morte erradica o domínio dessas partes individuais. Ela unifica a sua consciência em uma única unidade.
- Você quer dizer que depois que os feiticeiros morrem ainda são conscientes? - perguntei.
- Para os feiticeiros, a morte é um ato de unificação que emprega cada parte da energia deles. Você está pensando na morte como um cadáver à sua frente, um corpo que começa a se decompor. Para os feiticeiros, quando o ato de unificação ocorre, não há cadáver. Não há decomposição. Seus corpos, na sua totalidade, se transformaram em energia, e a energia que possui consciência não é fragmentada. Os limites que são causados pelo organismo são interrompidos pela morte e ainda estão funcionando no caso dos feiticeiros, apesar de não serem mais visíveis a olho nu.
"Sei que você está morrendo de vontade de me perguntar - continuou ele com um amplo sorriso - se o que eu estou descrevendo é a alma que vai para o céu ou para o inferno. Não, não é a alma. O que acontece com os feiticeiros, quando eles escolhem essa opção oculta da morte, é que eles se tornam seres inorgânicos, muito especializados, seres inorgânicos de alta velocidade, seres capazes de manobras estupendas de percepção. Os feiticeiros entram então no que os xamãs do México antigo chamavam de sua viagem definitiva. O infinito se torna o seu reino de ação."
- Você quer dizer com isso, Dom Juan, que eles se tornam eternos?
- Minha sobriedade como um feiticeiro me diz - disse ele - que a consciência deles terminará da maneira como a consciência dos seres inorgânicos termina, mas eu não vi isso acontecer. Não tenho um conhecimento de primeira mão sobre isso. Os feiticeiros antigos acreditavam que a consciência desse tipo de ser inorgânico duraria o tempo que a Terra estiver viva. A Terra é a matriz deles. Enquanto ela prevalecer, sua consciência continua. Para mim, essa é uma afirmação bem razoável.
A continuidade e a ordem da explicação de Dom Juan tinham sido, para mim, magníficas. Eu não tinha mais nada a contribuir. Ele me deixou com uma sensação de mistério e expectativas não expressas a serem preenchidas.”

É interessante o paralelo entre e a visão tolteca e a visão de Gurdjieff sobre a imortalidade, colhida em suas andanças misteriosas pela Europa oriental e Ásia. Ele dizia naquele seu estilo obscuro, que  "o ser humano poderia atingir a  imortalidade, mas dentro dos
limites do sistema solar".

domingo, 4 de março de 2012

O Outro

Eu tinha uma amiga que dizia: “eu gosto do povo, adoro. Só não gosto do cheiro do povo no ônibus”. Pois é, o outro é assim, um desafio, sempre. Mesmo quando “gostamos” dele.
Não é à toa que na divisão das 12 casas astrológicas que perfazem a nossa vida, a Casa 1, que é “o meu eu”, é oposta à Casa 7, “o outro”, do outro lado, a 180º de distância, nos encarando... Não tem escapatória. Esse outro é tanto o inimigo declarado, o parceiro (a) de vida, o sócio, o concorrente. Para o médico é o paciente, para o vendedor é o comprador, e por aí afora... E a nossa vida está entrelaçada com a do outro como essas crianças na imagem aí em cima.

Eu pergunto, aqui entre nós: - “você não acha sintomático que o cônjuge e o inimigo declarado sejam personagens  da mesma casa 7?” Abra o olho cumpadre (e cumadre). Aí tem coisa. E não contaram para nós. Vamos ter que descobrir sozinhos...
 E por falar em sozinho, é curioso: a gente nasce sozinho e vai morrer sozinho, prestando conta para si mesmo e mais ninguém, mas no entremeio vai conviver, bem ou mal, todo o tempo com o outro. E a gente ama e odeia isso. Às vezes ao mesmo tempo. É estranho... Por que é assim? Não sei. Não sabemos. Precisamos ser sinceros quanto à nossa incompetência.
Eu tenho um pressentimento, sei lá se é verdadeiro ou falso, mas vou dizer (se não funcionar, a gente continua na busca). Como já falamos na postagem
Meditar? Orar? Para que? vamos então nos atrever a propor uma “teoria da geração de tudo”, uma Cosmogenia que, entre outras, explica essa coisa da existência do outro: parafraseando Don Juan e o hinduismo, existe no Universo uma força de Criação da Consciência (Brahma) e outra de Destruição (Shiva) atuando a todo instante sem parar. Vishnu, o terceiro fica só na Manutenção, equilibrando os estragos dos dois (rsrs). Então, se a Criação e a Destruição são simultâneas, o Universo precisa de Consciência sendo gerada a todo o instante, on line, em tempo real, como diz a garotada antenada. E portanto precisa de Ex-pe-ri-ên-cia. Precisa de nós, seres vivos, desde o mais simples vírus até os humanos. Todos ganhamos Vida e devolvemos Consciência, como diziam os homens de conhecimento toltecas. Daí a expressão “crescei e multiplicai-vos” dita por outro homem de conhecimento que sabia das coisas, expressão que aliás no nosso planeta está meio em baixa por causa da superpopulação.
Por isso estamos aqui: nos demos a nós mesmos um equipamento físico, emocional, mental e espiritual tingido por umas coisas como apego, raiva, ignorância e no final, a cereja do bolo: o outro. Nós mesmos nos demos o outro, não podia ser diferente. Igual e oposto a nós, ao mesmo tempo. E a paisagem que nos demos em volta qual é?: Recursos inflexíveis, sabiamente dosados, e apetites insaciáveis, É mole?
Esse embate com o outro é o grande gerador de experiências e portanto de Consciência de que o Universo precisa: atrito. É o atrito entre opostos como possibilidade criativa de experiências.
Se você discorda, pode fazer uma experiência decisiva: imagine-se (não vai ser fácil) vivendo num mundo sem o outro, sem o seu semelhante, ou melhor, o seu diferente. Mas imagine mesmo, senão não dá para aceitar ou refutar a teoria. Nesse tal mundo, se não há o outro, não há como haver nenhuma das 7 virtudes (temperança, caridade, simplicidade, paciência, generosidade, diligência, humildade) ou os 7 pecados capitais (orgulho, preguiça, inveja, luxúria, raiva, gula, avareza). Essas coisas só aparecem a dois ou mais: sem o outro, vai ser uma paradeira federal. Bota tristeza nisso. Não há Consciência que brote aí. Sem o outro a aridez é total. Já pensou num mundo sem Luxúria? Vixe! (rsrs)
Então você, muito gentil, diz: ‘ok, vou aceitar em princípio a sua teoria “sub judice”, ou seja, até prova em contrário. Mas tenho uma pergunta: “como eu faço para me relacionar com o outro de uma forma justa, equânime, tanto exterior como interiormente?”
Essa sim é A pergunta.
A resposta eu na sei, mas estamos trabalhando nisso. Todo o tempo. A pergunta é sempre mais interessante que a resposta, porque deixa o tema sempre no modo aberto. Começo a achar que talvez a resposta não seja a resposta em si, mas sim o trabalhar nisso, sem descanso. Vamos lá:
O “se relacionar com o outro” exige uma pá de coisas:
A primeira coisa, e principal, é você “estar presente” (rsrs). Você deve ter pensado: esse cara é doido. Como posso me relacionar com o outro se não estou presente? Por telepatia? Mas é de outra presença que estamos falando, é claro. É a presença interior, no instante, no Agora,  de que as tradições sem exceção falam. Eckhart Tolle tem textos e vídeos encantadores sobre isso. Presença é “ocupar” todo o seu corpo físico, estar sentindo-o sem pensar nele, atento e aberto para o outro. Na cena só existe a sua Atenção e o outro . A rigor mesmo só existe a sua Atenção. É claro que quando a gente faz a lição de casa direitinho, a gente está presente “de carona” também no emocional e mental e sentindo  no conjunto dos três, cada vibração e impressão que chega, ao mesmo tempo em que está se relacionando com o outro. Parece difícil no início, principalmente nos picos emocionais, absorventes, na hora do racha, mas aos poucos a gente acerta. É um largar atento, um deixar fluir. Se a gente se perder, volta e retoma...
A outra coisa é agir exteriormente com o outro com a maior consideração possível (seja ele quem for, seja na situação que for), exatamente como agimos com uma pessoa querida, que queremos agradar. Difícil? Bota difícil nisso. Não podemos esquecer que estamos lidando com dois egos insuportáveis, o nosso e o dele. Para funcionar, o agente da nossa ação deve estar previamente ciente de que o ponto não é “ganhar a discussão” mas, sem perder o objetivo, estar presente contemplando-se na ação, identificando as energias e observando, tão imparcialmente quanto possível, a resistência ridícula e mesquinha do ego. Aliás dos dois egos. Isso não significa “ser bonzinho” mas um segredo é não “bater de frente”. Gurdjieff chamava esse processo de “consideração exterior”, ou seja, independentemente de o seu ego achar que o outro ego seja um (a) pulha, você o trata exteriormente com consideração. Não confunda isso com essa coisa viscosa chamada de “politicamente correto”. São coisas parecidas só por fora, mas a nossa nos põe diante de uma dificuldade quase insuperável, a de conscientemente tratar alguém  exteriormente com consideração, quando o seu próprio ego está revoltado interiormente, querendo pular no pescoço do outro e esganá-lo. Lembrei-me de um rabino que disse; "É muito melhor interiormente para nós, ser gentil do que ter razão".
Uma terceira coisa é uma constatação absolutamente insuportável para o nosso ego que vive na dualidade “eu e o outro”. O grande filósofo popular, Vicente Mateus, ex-presidente do Corinthians dizia, reafirmando essa dualidade: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. (rsrs).
Pois bem, o que eu vou dizer é uma coisa tão insuportável para o nosso ego, que eu vou falar rapidinho e sair de fininho, como criança que “fez reinação”. A constatação é a seguinte: 

 O outro é a sua sombra.
O outro é tudo o que é sombrio demais para você aceitar como seu. Aqui entre nós, apesar de o seu ego espernear – chegue um pouco mais que eu vou contar um segredo no pé do seu ouvido (essa vai ser "braba"):
“O outro é você”.
E durma com um barulho desses.
Domingo que vem, tem mais.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Transmutação biológica, Alquimia, Louis Kervran, e o escambau

Nos primórdios deste blog  tocamos de leve nesse assunto: agora vamos aprofundar um pouco, mas sempre com simplicidade pois a gente desconfia de tudo o que é complicado, pois além de ser chato de ler, é sempre duvidoso na essência: a Verdade é sempre simples. Vamos então tocar na magia do Invisível, tagarelar, e praticar o nosso esporte favorito: sentar o pau nos cientistas arrogantes, ao mesmo tempo vítimas e réus do pecado capital do orgulho. Aliás, tempo atrás, lemos que o papa Gregório Magno que organizou o elenco dos 7 pecados capitais a partir da experiência prática do monge Evágrio Pôntico no deserto, teria dito que o orgulho era um pecado que valia por dois. Estava certo, um pecado solar vale mais mesmo (rsrs).
Antes de mais nada, porém, vamos falar de o que é transmutação e depois, transmutação biológica. Como dizia aquele mascate falante do passado, promovendo o seu produto na calçada da rua: “transmutação biológica é uma coisa que qualquer criança por mais analfabeta e ignorante, conhece. Veja aqui o cavalheiro... “ (rsrs). Aliás Fulcanelli, que entre outros livros, escreveu "O Mistério das Catedrais", disse, simbolicamente, como outros alquimistas, que "a transmutação é simples como coisa de mulher e brincadeira de criança".
Transmutação: é a transformação de qualquer coisa em outra diferente. O termo é mais aplicado cientificamente para os elementos químicos, como oxigênio, ouro, ferro, chumbo, etc., mas era aplicado também na Alquimia, quando afirma transformar metais comuns em ouro.
Então quando por exemplo o potássio é transformado em sódio, há uma transmutação. George Ohsawa, o fundador da Macrobiótica afirmou, nos anos 40, que isso acontecia dentro do ser humano no processo Yin-Yang, mas como não era um cientista, e não usou um Espectrógrafo de Massa num experimento “científico”, ninguém deu bola para ele. Foi a mesma coisa com Einstein, Louis Kervran e outros. Aliás Ohsawa e Kervran trocaram cartas sobre o tema (na época não havia email)
A transmutação é possível? Sim, é. Se considerarmos que toda a matéria conhecida (menos a anti-matéria que é  outra história) é composta de átomos que tem prótons e nêutrons no núcleo e elétrons nas órbitas (como um sistema solar em miniatura), basta mudar o núcleo do átomo e pronto: surge outro elemento. Potássio vira sódio, ferro vira magnésio, chumbo vira ouro. Mas note bem: isso é diferente de combinar um átomo com outros, como por exemplo para formar substâncias como a água, a partir de oxigênio e hidrogênio. Este caso é uma combinação química comum e não transmutação (mas não menos fascinante) . Essa combinação de duas coisas formando uma terceira, ocorre nos átomos que se juntam (ligações atômicas), e não no núcleo de um átomo, entre prótons e nêutrons.
Mas você pergunta: Isso é magia? Sim e não: é aparentemente sim se considerarmos que essa sabichona chamada ciência ocidental não sabe de fato o que é a essência de coisas como por exemplo a luz, eletromagnetismo, gravidade, mas se aproveita e trabalha com seus efeitos conhecidos, sem fazer muita pergunta, porque não adianta fazer mesmo, se se usar o intelecto (e não a Presença integral) como ferramenta de busca da resposta. É a ferramenta que é inadequada, então tudo parece mágico... Por outro lado a resposta é não, se considerarmos que atrás de tudo está o Princípio da Vida que é mesmo um mistério insondável, só passível de ser conhecido pelos escolhidos entre os eleitos, depois de muita aplicação e de um vestibular brabo (rsrs), que dura muitas vidas.
Há duas formas de acontecer a transmutação de um elemento em outro: com muita energia, e com baixa energia. A primeira delas ocorre no núcleo do nosso Sol e estrelas do Universo, onde uma gigantesca pressão da gravidade do astro “esmaga” o núcleo dos átomos e os recombina formando novos elementos mais pesados a partir do hidrogênio, enquanto dure. Chama-se fusão nuclear ou fusão em alta energia e libera uma quantidade de energia emorme, que sustenta a vida como a conhecemos no sistema solar. Deve fazer um barulho dos diabos (rsrs). A segunda (que só agora os chamados cientistas estão começando a aceitar) nem tem nome científico. Frequenta mais os textos alternativos e esotéricos, e entre os cientistas “não convencionais” chama-se Transmutação em Baixa Energia. Ocorre silenciosamente em piloto automático dentro de nós humanos, animais e vegetais. O agente parece ser o mesmo Sol, o fornecedor gratuito da Vida, mas agindo indiretamente, como catalisador do processo.
Em nossa postagem anterior “O Sol, Poder e Quietude” nós dissemos:
“a segunda forma de gerar energia e vida, desta vez é a de baixa energia, que finalmente está sendo aceita pelo stablishment científico mundial. A ciência já constatou que a luz solar magicamente cria nos reino animal, vegetal e humano, sem fusão nuclear, transmutações biológicas insuspeitadas além da fotossíntese, que já é conhecida e aceita, mas que apesar de não ser uma transmutação, não é entendida de fato. É interessante observar que a molécula da clorofila que atua na fotossíntese é igual à da hemoglobina do sangue humano com a única diferença que a primeira tem um átomo de magnésio e a segunda tem um átomo de ferro. A ciência sempre achou que um era “substituído” por outro no metabolismo da digestão dos vegetais. Substituido ou transmutado? . É isso que é a Alquimia: elementos químicos transformando-se em outros elementos diferentes dentro de nós humanos, animais e plantas. Quem estiver interessado, leia o livro Transmutações Biológicas em Baixa Energia de Louis Kervran. Um livro corajoso que quase lhe custou a carreira no século passado, graças ao preconceito poderoso da arrogante comunidade  científica da época. Graças a Deus a coisa está melhorando, vemos antropólogos, astrofísicos, cientistas, médicos, terapeutas, cada vez menos arrogantes e mais preocupados em conciliar os conhecimentos entre o Ocidente e Oriente, em entender e acreditar no Invisível.”
Luis Kervran foi considerado até hoje um “enfant terrible” pela chamada Ciência convencional, que não só quase destruiu sua carreira, mas até hoje não  explorou esse filão misterioso, rico e generoso da verdadeira Alquimia Humana, animal e vegetal apresentada por ele e outros abnegados como Hipócrates, Hahnemann, Bach, Paracelso, G.W.Carver, e outros.
Mas como Kervran provou que a sua teoria era correta? Como bom cientista testou, no século passado, a teoria dentro dos princípios aceitos pela ciência, ou seja, com um experimento que repete controladamente o fenômeno  dentro de parâmetros aceitos oficialmente. Ele usou galinhas, vejam vocês: pegou vários ovos, cuja constituição química é conhecida, e os chocou isolados em ambiente controlado até nascerem os pintinhos (desculpem, pintainhos- rsrs). Alimentou-os só com água e aveia, também de composição conhecida.  Então teoricamente sabia o resultado tanto dos diferentes elementos quanto das quantidades que deveriam haver no peso de cada frango. Não havia: sacrificados e icinerados, tanto os elementos quanto as quantidades eram outras.
Não há outra possibilidade: os elementos transmutaram-se em outros, mas de alguma forma inexplicável.
Segundo Salvatore de Salvo, estudioso do assunto, finalmente, em 1977 o Professor Kervran, junto com o Professor Komaki da Universidade de Tóquio, foram propostos para Prêmio Nobel, o que demonstra a importância da descoberta que, hoje, é finalmente ensinada em algumas Universidades com o nome de "Efeito Kervran".

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Findhorn, Devas, Videntes, Natureza e outros bichos...

Este texto é para você que é meio fora de esquadro como eu. A idéia de postar foi inspirada pela minha mudança para fora da cidade grande, num lugar de frente para a Mata Atlântica preservada. Como você vai ver, o texto é de uma energia “para cima”, não só uma bússola mágica para nos orientar com simplicidade nas dúvidas ecológicas de “estar no mundo”, como é um antídoto ideal para a amplificação desconfortável desses tempos bicudos que estamos vivendo.
Fala dos Devas, espíritos elementais da natureza, de poderes esquecidos pelo ser humano, fala de amor e ligação com a Natureza, mas sem esse modismo pegajoso da mídia que está ai trombeteando “salvar o planeta” sem saber o verdadeiro caminho e o significado interior profundo disso.

Faz parte de um livro excepcional e esquecido de Peter Tompkins, “A vida secreta das Plantas” (1967) uma pérola do Invisível, nos convidando a uma aventura do espírito.
Após 1962 a experiência amorosa de união com a Natureza em Findhorn, extremo norte da Escócia,  teve sucesso, e a coisa evoluiu: A BBC fez um longo documentário
de 2,5 horas com o mesmo nome (sobre o assunto, não sobre Findhorn) mostrando a insuperável inteligência das plantas, e o tema inspirou Stevie Wonder a compor o disco “Journey Through the Secret Life of Plants” ("Viagem através da Vida Secreta das Plantas"). Eckhart Tolle fez um vídeo e palestras, e hoje, 50 anos depois, há uma Findhorn Foundation com ecovilas espalhadas pelo mundo ensinando saúde, amor e boa relação com a Natureza. Vamos lá:
 “A experiência mais avançada relacionada à comunicação com as plantas foi feita há tempos numa remota região ao norte da Escócia, com resultados mais espetaculares que os já obtidos por quaisquer outros meios. Numa nesga de areia varrida pelo vento, onde cresce o espinhoso tojo e que domina, erma, o esteiro de Moray, deitou raiz uma comunidade agrícola que talvez floresça numa das maravilhas da Era de Aquário.
A uns 4 quilômetros do castelo de Duncan, em Forres, em cujas ameias grasna o corvo, e bem ao sul da charneca onde as três feiticeiras predisseram a Macbeth que ele seria senhor de Glamis e Cawder, um ex-piloto da RAF convertido em hoteleiro decidiu fixar residência, com mulher e três filhos, num canto abandonado de uma área de camping, na baía de Findhorn — um montão de latas velhas, cacos de garrafas, espinhos e moitas de tojo.
Grandalhão mas delicado, polido como um diretor de escola inglês e vestido como um homem do campo, Peter Caddy, que uma vez já andou mais de 300 quilômetros pelo Himalaia, cruzando a Caxemira e penetrando no Tibete, se inclui desde a juventude entre os adeptos de uma filosofia cujo alvo é devolver ao planeta a beleza e a capacidade de se maravilhar com as coisas. Iluminado pelos ditames de sua consciência — ou, como prefere dizer, pela força de uma vontade criadora que lhe foi revelada por sua clarividente mulher Eileen, Caddy cortou todas as amarras e se mudou para Findhorn num dia nevoento de novembro de 1962. Em companhia do casal ia outra sensitiva, Dorothy Maclean, que abandonara a diplomacia canadense para estudar o sufismo.
Por algum tempo eles se dedicaram a mudar  radicalmente de vida, desviando-se das preocupações mundanas e materialistas para entrarem no que Caddy chama de "um longo período de preparo". Durante esse período, planejavam abrir mão de tudo, inclusive de toda vontade pessoal, confiando-se a uma entidade que chamam de Força e Amor Ilimitados, cujos desígnios lhes são manifestos através de um mestre rosa-cruz falecido que reconhecem em carne e osso como o Dr. G. A. Sullivan e em espírito como Aureolus, ou Saint Germain, ou o Mestre do Sétimo Raio.
Na verdade, a área de camping de Findhorn, inóspita e sempre superlotada, era o último lugar do mundo em que o grupo pensaria se fixar. Durante alguns anos tinham passado por ali, sempre às carreiras, indo ou voltando para Forres. Mas uma força misteriosa, de repente, pareceu sobrepujar a sua aversão. Como que guiados por essa força, estacionaram seu velho trailer no local de sua nova residência — menos de 0,5 acre numa parte mais baixa do terreno, não muito longe do ponto onde se aglomeravam os trailers dos excursionistas de passagem. O canto escolhido por eles era constituído principalmente de areia, marcado por uma vegetação rasteira e escassa, exposto incessantemente ao vento e só sombreado por um cinturão de abetos.
Com a aproximação do inverno, a perspectiva era negra. Mas, mirando-se no exemplo dos monges, que costumavam construir eles mesmos seus mosteiros, pondo luz e amor em cada pedra assentada, o grupo de Caddy fez uma faxina em regra no velho e desengonçado trailer, varrendo, raspando, pintando tudo de novo, enchendo-o de vibrações de amor para anular as vibrações negativas que, a seu ver, eram inevitáveis em estruturas construídas por pessoas exclusivamente interessadas em dinheiro. Esse foi o primeiro passo para a criação de seu próprio centro de luz.
Como nenhum dos pioneiros de Findhorn tinha emprego, e o pouco dinheiro de que dispunham só daria para passar o sombrio e ingrato inverno escocês, eles sonhavam com a primavera, pensando em plantar então uma horta, tanto para terem uma fonte de alimentação saudável quanto para aumentarem à sua volta a camada protetora de luz.
Caddy se debruçou dias e noites sobre livros de horticultura, mas todos lhe pareceram contraditórios em suas recomendações. Escritos principalmente por especialistas radicados na costa sul da Inglaterra, onde o clima é mais ameno, eles nunca se aplicavam a seu caso. Quando a Páscoa se fez próxima, anunciando um renascimento da terra, o solo árido c quase sem vida que os rodeava nenhuma indicação deu de que era bom para uma horta. Caddy, que nunca tivera plantado nada na vida, sentiu-se como Noé, cuja missão fora fazer uma arca antes de chegar a água. Só havia então um jeito: ou eles se entregavam de vez a seu guia ou voltavam, frustrados, para o mundo dos negócios. Uma regra básica de vida lhes fora ensinada pelos mestres rosa-cruzes: "Amar o onde estou, amar quem comigo está, amar o que estou fazendo".
Para ouvir o arcanjo que ensinava tudo a eles, Eileen se levantava à meia-noite e meditava regularmente por várias horas, embrulhada num capotão contra o rigoroso frio escocês e se refugiando no único lugar que lhe garantia uma tranqüilidade absoluta — o banheirinho gélido do trailer. Uma vez ela leu num livro que a gente recebe seu nome espiritual num momento da vida e só então pode começar um trabalho espiritual sério. Em 1953 sentiu uma coisa incrível: a palavra "elixir" pareceu agarrar de repente na testa dela. Eileen adotou esse nome e desde então nunca o guia a deixa desprotegida.
No seu ataque de clarividência, Elixir viu sete bangalôs de cedro amontoados no meio de um jardim maravilhoso, bem tratado que era uma beleza. Como a visão foi se materializar naquele lugar horroroso que era o parque de campina, ninguém sabe. No entanto todos punham fé na clarividência da mulher.
Fazer uma horta parecia impossível, além da força deles. A terra era pura areia, não prestava para nada, só dava uma grama que espetava. O guia espiritual tinha dito a Elixir que quando a gente enfia uma pá no chão passa as vibrações da gente para ele. Foi aí que Peter Caddy saiu explorando o local, achou turfa, cavou, fez um montão. Do lado fez outro monte, pura areia e cascalho. Com a pá, virou e revirou o monte de turfa: era preciso que ela ficasse bem impregnado mesmo, para agir como nutriente. Depois misturou a turfa e a areia, e fez os canteiros.
Obteve uma horta de 3 por 4 metros. O problema agora era arranjar um meio de regá-la, porque o solo arenoso retinha a água. Mas eles deram um jeito, usando um vaporizador muito fino e regando seguidamente por um longo tempo, com uma paciência enorme, para que a umidade não se fosse. Depois de muito trabalho os canteiros ficaram prontos para semear. Segundo os entendidos do local e os livros disponíveis, na terra de Findhorn não crescia nada, senão talvez rabanete e alface. Isso era uma perspectiva meio sem graça para uma família que antes passava bem, quando eles tinham o hotel, comendo carne ou pato com vinho tinto do bom.
Felizmente Elixir fora avisada pelo guia de que o homem estava comendo a comida errada, bebendo a água errada, pensando errado, engordando seu corpo físico e se esquecendo do de luz. Eles tinham de passar a comer coisas saudáveis, tinham de se concentrar na horta: as verduras e frutas, com o mel e o germe de trigo, seriam a base da alimentação de uma nova era de corpos refinados.
Usando dessa vez o cabo da pá, Caddy fez as covinhas para suas sementes de alface, plantando-as a uns 30 centímetros uma da outra. Para se sentarem ao solo e apreciarem a horta crescendo, os findhornianos precisavam de uma cerca, que os protegesse do vento que não parava de soprar do esteiro, e de um patiozinho acimentado. Areia eles tinham à vontade. Só faltava o cimento — e o dinheiro.
A madeira para a cerca improvisada apareceu por milagre: foi dada por um morador das vizinhanças que estava reformando a garagem. Mal a cerca ficou pronta, apareceu outro vizinho e disse que uns sacos de cimento tinham caído de um caminhão na estrada. Em pouco tempo tiveram um pátio cercado de onde olhar — não mudas de alface crescendo, mas sim uma montoeira de pragas se fartando.
Que fazer? O guia de Elixir era contra os inseticidas químicos. Mas um vizinho passou por acaso e deu a Caddy uma informação preciosa: ali perto havia um monte de cinza e cinza era ótimo para espantar insetos.
Caddy espalhou-a com cuidado no chão e nem se lembrou do vento, que de noite distribuiu cinza para todos os lados — inclusive dentro do trailer: ficaram sujos os cabelos, os livros e a roupa. Felizmente choveu e a água acamou a cinza. No fim de maio eles já estavam comendo rabanetes e alfaces deliciosos.
Como o guia de Elixir também avisara que os fertilizantes químicos são tóxicos, a solução era obter um composto orgânico, se quisessem variar mais a horta. Não foi difícil. Um vizinho doou palha podre, outro doou esterco. Um amigo que tinha cavalos até permitiu que eles fossem andando atrás dos animais, de balde e pá na mão. Alga era o que não faltava: o mar estava cheio. Como que caído do céu, um fardo de um caminhão de feno, tombando quase na entrada do parque, serviu para cobrir o composto.
Estimulados por essa "assistência supramundana", os findhornianos se encheram de gratidão. Um deles escreveu: "Podíamos ter sido negativistas e dizer que a terra não prestava, como era o caso. Em vez disso, pegamos no pesado e concentramos o pensamento no trabalho". Caddy trabalhava o dia todo, botando suor e radiações na terra, disposto a obter verduras que garantissem boa parte da alimentação do grupo nos próximos meses. Isso, junto com o ar puro, sol e banhos de mar, o clima saudável e a água pura, permitiria que eles purificassem o corpo e o enchessem de energia, tornando-se mais capazes de absorver energias cósmicas.
Os findhornianos plantaram tomate, pepino, espinafre, salsa, aspargo, abóbora e mostarda. Como defesa contra um dálmata que costumava incomodá-los, ergueram uma muralha viva com várias espécies de amora cercando a horta. As plantas cresceram depressa e a horta, ultrapassando a área perto do trailer, acabou cobrindo 2 acres. Cada pedaço de terra recebeu sua parte de turfa e composto; cada pedacinho foi revolvido com pá várias vezes.
Os resultados, já tão surpreendentes no segundo mês, espantaram os vizinhos. Não sabendo do espírito que animava os Caddy, não podiam entender o que se passava, sobretudo quando seu repolho e sua couve-de-bruxelas foram os únicos a resistir na região a uma onda de praga que infestou as raízes das plantas. Também em termos de quantidade, sua plantação, comparada à média da região, deu um rendimento notável.
Os findhornianos já podiam se dar ao luxo de comer mais de vinte espécies vegetais numa salada; o que produziam dava para presentear os vizinhos com salsa, espinafre, alface, rabanete. No jantar, costumavam comer dois ou três legumes colhidos na hora, na sua horta sem fertilizantes, e preparados logo em seguida. Faziam cozidos deliciosos com cenoura, cebola, alho, alcachofra, abóbora, batata, alho-porro, pastinaga, couve-nabo, couve, rábano, aipo, temperados com uma enorme variedade de ervas.

 Elixir foi alertada para concentrar a mente em cada ingrediente, quando fazia uma salada ou uma ratatouille, pois seus pensamentos e sentimentos eram importantes para a continuação do ciclo da vida. Ela tinha de gostar de tudo o que fazia, fosse descascar uma cenoura ou limpar ervilha, e considerar como uma coisa viva cada vegetal em sua mão. Nada se perdia na cozinha. As cascas e o lixo iam parar no composto e no solo, aumentando assim as vibrações da vida. O maior problema do grupo era, em suas idas eventuais à cidade, ter de comer a comida normal. Elixir se tornou tão sensitiva que o contato com as vibrações danosas da chamada civilização lhe era insuportável.
Em pleno verão, desde que passaram a colher framboesa, amora e morango, podiam fazer geleia e guardar sempre uma boa quantidade. Também faziam picles em casa, com repolho-roxo e pepino. Numa garagem recém-construída, armazenaram batatas, cenouras, beterrabas, chalotinhas, alho e cebolas. Durante o inverno, preparavam a terra para a estação seguinte e plantavam mais frutas; chegaram a ter ao todo mais de vinte espécies, inclusive maçã, pera, ameixa, cereja, abricó, framboesa, amora. Em maio de 1964, já floriam as primeiras fruteiras.
Caddy calculou que oito repolhos-roxos, com um peso médio de 1,50 a 2 quilos, dariam para as necessidades do grupo na estação seguinte. Mas, para surpresa de todos, um só repolho veio a pesar 18 quilos, enquanto outro chegou aos 22. Um pé de brócolos, plantado por engano como couve-flor, atingiu uma altura tão incrível que continuou a dar por se-manas; e era tão pesado que não foi fácil segurá-lo, quando finalmente foi arrancado.
Fortaleceu-se pouco a pouco em Caddy a crença de que, por trás do que acontecia em Findhorn, devia existir algum objetivo superior; de que talvez eles estivessem envolvidos numa misteriosa aventura pioneira, uma experiência mais ampla de vida em comunidade; de que a horta talvez fosse o núcleo para a realização de um modo novo de ser na Nova Era, uma espécie de curso preparatório para a compreensão de que a vida é um Todo.
Em junho de 1964, quando o consultor agrícola do condado apareceu para pegar umas amostras do solo para análise, seu primeiro comentário, logo que deu uma olhada na terra, foi de que ela precisaria de pelo menos 60 gramas de sulfato de potássio por metro quadrado. Caddy disse que não acreditava em fertilizantes artificiais, que estava feliz usando composto e cinza. O consultor não se deixou convencer.
Seis semanas depois, quando ele voltou com os resultados da análise feita em Aberdeen, confessou, não sem espanto, que a análise não demonstrara deficiências na amostra. Todos os elementos necessários, inclusive alguns elementos vestigiais, estavam presentes. O espanto do consultor foi tal que pediu a Caddy para tomar parte num programa de rádio sobre a horta; um agricultor experiente, mas que usasse apenas o sistema convencional dos fertilizantes químicos, debateria com Caddy, enquanto o próprio consultor atuaria como mediador. Mas Caddy diz que, na época, lhe parecia ainda prematuro expor publicamente o assunto, do ponto de vista espiritual, e de novo atribuiu o sucesso ao estéreo e ao composto orgânico.
Nessa época eles já cultivavam 65 espécies de verduras e legumes, 21 de frutas e mais de quarenta ervas, quer culinárias, quer medicinais. Dorothy Maclean, após um período em que também recebera orientação espiritual extraordinária, tinha adotado o nome de Divina. Veio a saber que as ervas aromáticas, por seus comprimentos de onda únicos, podiam ser de grande valia para o homem, afetando nossas funções em diferentes partes da anatomia e da psique; umas eram boas para feridas, outras para a vista, outras ainda para as emoções. Dorothy compreendeu que, elevando a qualidade de suas próprias vibrações, poderia eventualmente abrir as portas para um novo reino do espírito na vida vegetal. Tornou-se claro para ela que o pensamento, a paixão, a cólera humana, como a afeição e a doçura, tinham efeitos de longo alcance sobre as plantas; que estas, de fato, eram supersensíveis à massa do que nos passa pela mente e afeta sua própria energia. Os estados de espírito negativos e venenosos têm um efeito depressor sobre as plantas, tal como as freqüencias felizes e transmissoras de ânimo têm um efeito benéfico. Ocorreu-lhe ainda que os efeitos negativos podiam regressar às pessoas através do que comiam, por elas mesmas infestado de vibrações más. Assim, o ciclo se perpetuava, ora em declínio vicioso, levando a mais miséria, mais doença e dor, ora numa ascensão que era toda esperança, levando a mais luz e alegria.
Divina diz ter entendido que a contribuição mais importante dada por um homem a uma horta — mais importante mesmo que o composto e a água — é a radiação que põe no solo enquanto o cultiva e se mostra, por exemplo, em forma de amor; e que cada membro de um grupo tem algo a dar em termos de radiação, seja alegria, seja força. Tudo o que ocorre a um ser humano através dessa ou daquela inspiração de novo sai modificado em comprimento de onda, em matiz ou timbre, pela vontade da pessoa envolvida; qualquer um pode aperfeiçoar a qualidade do que emite e aumentar a radiância de seu comprimento de onda.
Ao mesmo tempo, Divina compreendeu que o solo e as plantas são constantemente afetados por radiações vindas da própria terra e do cosmo, cada qual contribuindo para sua fertilidade e sem cuja intervenção tudo seria estéril; tais radiações eram mais importantes que os elementos químicos ou os organismos microbióticos, sujeitando-se fundamentalmente à mente humana. O papel do homem parecia ser o de um semideus: cooperando com a natureza, seu poder de realizações no planeta tinha tudo para vir a ser ilimitado.
Na primavera de 1967, Elixir — que ainda recebia a orientação geral para a aventura — foi advertida de que a horta tinha de ser ampliada ainda mais e, pelo plantio das flores mais variadas, transformada num lugar de beleza. O centro devia aumentar com a construção de novos bangalôs. A visão que tinha tido logo na chegada a Findhorn já começava a materializar-se. Como que por milagre, o dinheiro necessário surgiu e com ele os bangalôs de cedro, em madeira bruta, logo cercados por impecáveis jardins.
Em 1968, quando Findhorn recebeu a visita de um grupo de especialistas em jardinagem e agricultura, todos se surpreenderam, observando que nunca tinham visto uma horta tão uniforme no rendimento por setor. Nas novas bordaduras de plantas anuais, a cor e o tamanho das flores foram um enigma para os visitantes, considerando-se a pobreza do solo e o rigor do clima nórdico. Numa visita efetuada na Páscoa, Sir George Trevelyan, que durante 24 anos dirigiu a famosa Fundação de Educação de Adultos, em Attingham, pôde admirar a qualidade dos narcisos e jacintos, plantados em canteiros revestidos por flores de porte menor, mas grandes e belas como nunca vira. Achou que as raízes comestíveis eram melhores que quaisquer outras que já comera. Espantou-se também vendo as mais variadas fruteiras em flor, bem como um castanheiro novo já com mais de 2 metros e folhas graúdas e cheias de viço. Aqui e ali espaçavam-se arbustos, vegetando entre as dunas varridas pelo vento.
Na qualidade de membro da Associação do Solo, Sir George já entendia bastante dos métodos orgânicos para saber que aquilo tudo não podia ser atribuído só ao revigoramento de um solo pobre pelo composto. Havia uma incógnita, pensou ele, e se Findhorn mudara tanto, em tão pouco tempo, até o Saara poderia virar um jardim.
Em junho de 1968, Armine Woodehouse, da Associação Radiônica, que fora dona de um caminhão de vender verduras, por vinte anos, no País de Gales, visitou Findhorn e ficou encantada com o que viu, sobretudo ao notar a areia cuidadosamente forrada pelo composto e o vento que não parava de fustigar a horta. Os morangos, a seu ver, fariam inveja a qualquer plantador profissional. Uma coisa a intrigou em especial: o áster e a prímula, que gostam de umidade, se dando tão bem em solo seco.
A visita de Elizabeth Murray, uma jardineira orgânica e também membro da Associação do Solo, deu-se em julho de 1968. A radiância das árvores, das flores, das frutas, dos legumes e verduras, tudo lhe pareceu extraordinário. A seu ver, o composto perdia muito de seu valor misturado à areia, e não era possível que só isso explicasse o rendimento tão notável, superior a tudo o que conhecia em termos de tamanho, gosto e qualidade. Ela também não se convencia de que só o composto e o carinho tivessem feito o milagre.
A irmã de Lady Eve, Lady Mary Balfour, que se descreve como "uma modesta jardineira da escola orgânica", passou um dia em Findhorn, em setembro de 1968, e escreveu: "O tempo estava sempre cinza e úmido, mas a impressão que me ficou é que o lugar era banhado de luz, o que talvez se deva ao brilho extraordinário das flores que eu vi, massas compactas de cor nos canteiros".
Lady Cynthia Chance, seguidora da escola biodinâmíca, estranhou quando Peter Caddy lhe disse que não precisava recorrer aos métodos de Rudolf Steiner, pois tinha um modo espiritual mais direto de obter os mesmos resultados. Um especialista agrícola das Nações Unidas e professor de várias universidades, R. Lindsay Robb, ao visitar Findhorn pouco antes do Natal, declarou que "o vigor, a saúde e a floração, em pleno inverno, num lugar tão árido, não podem ser explicados apenas pelo uso correto do composto, nem mesmo pela aplicação dos métodos mais aperfeiçoados de cultivo; deve haver outros fatores, de natureza mais vital".
A essa altura Peter Caddy ergueu uma ponta do véu e revelou a Sir George Trevelyan o segredo de seu sucesso em Findhorn.

 Disse que Dorothy Maclean, ou Divina, tinha entrado em contato direto com os Devas ou criaturas angelicais que controlam os espíritos da natureza, vistos pelos videntes em seu contínuo trabalho de nutrir as plantas. Sir George, um iniciado no estudo da astrologia, do ocultismo e das ciências herméticas, respondeu já saber que um grupo de sensitivos se encontrava em ligação com o mundo dos devas e que Rudolf Steiner, na verdade, tinha baseado nisso a descoberta de seus métodos biodínâmicos. Longe de zombar da explicação de Caddy, dispôs-se a ser uma testemunha e afirmou que a investigação consciente de tais mundos é da maior importância para nossa compreensão da vida, sobretudo no que tange às plantas.
Sem perda de tempo, Peter Caddy enfeixou numa série de folhetos a verdadeira origem da experiência de Findhorn. Divina deu descrições detalhadas das mensagens por ela recebidas diretamente dos devas, que esquematizou em sua hierarquia, onde cada qual corresponde a uma fruta ou verdura, a uma flor ou uma erva silvestre. Aqui estava uma caixa de Pandora mais fenomenal que a aberta em Nova York por Backster.
Findhorn logo se desenvolveu numa comunidade com mais de cem adeptos. Jovens líderes espirituais dedicaram-se a pregar o evangelho de uma Nova Era, cujos princípios passaram a ser ensinados numa escola fundada na comunidade. O que tinha começado como uma hortinha milagrosa transforma-se agora num centro de luz para a Era de Aquário, visitado anualmente por pessoas de todos os continentes.
Penetrar em outros mundos e outras vibrações além do espectro eletromagnético pode ser um longo passo à frente para explicar os mistérios incompreensíveis aos físicos, que se limitam ao estudo do que vêem com os olhos físicos e seus instrumentos. No mundo etéreo do vidente, que pretende ter dominado a arte da visão astral, abrem-se novas perspectivas quanto às plantas e seu relacionamento com o homem, a Terra, o cosmo. O crescimento vegetal, como já o asseverara Paracelso, pode de fato ser afetado fortemente pela posição da Lua e dos planetas, pela relação desses com o Sol e outras estrelas do firmamento.
Tornam-se menos estranhos conceitos como "a planta-protótipo de Goethe" ou a visão animista de Fechner, que a cada vegetal concedeu uma alma. A convicção de Burbank de que. o homem, com a ajuda da natureza, consegue tudo o que quer, ou a de Carver, para quem os espíritos naturais enchem as matas e participam de seu crescimento, talvez tenham de ser revistas à luz das descobertas dos teosofistas e de videntes tão extraordinários como Geoffrey Hodson. A sabedoria tradicional, tal como pormenorizada por videntes como Helena P. Blavatsky e Alice A. Bailey, lança uma luz nova sobre a energia dos corpos, humanos ou vegetais, bem como sobre a relação das células individuais com todo o cosmo.
O segredo por trás do composto biodinâmico de Pfeiffer, cuja eficácia foi cientificamente comprovada, revela-se uma maravilha homeopática baseada na criação fantástica das misturas orgânicas de Rudolf Steiner, feitas em chifres que ele enterrava cheios de excremento de boi e bexigas de veado contendo folhas de urtiga e camomila. A abordagem da vida vegetal feita pela antroposofia, ou ciência espiritual, de Steiner é de deixar perplexos os cientistas.
Esteticamente, o mundo dos devas e dos espíritos naturais é ainda mais cheio de sons, cor e perfume do que as criações de Scriabin e Wagner; seus gnomos, ninfas e ondinas, seus espíritos do fogo, da terra, da água e do ar são mais reais que o Santo Graal e a busca eterna que engendrou. O Dr. Âubrey Westlake, autor de "Padrão de Saúde," ao considerar nosso estado, descreve-nos presos num "vale de conceitos materialistas, recusando-nos a acreditar que haja algo mais além do mundo físico que nossos sentidos apreendem. Pois, como habitantes de uma terra de cegos, rejeitamos os que viram, com sua visão espiritual, o mundo supra-sensível no qual estamos mergulhados, desmentindo tais fatos como fantasias e sempre propondo explicações científicas mais sérias".
A atração do mundo supra-sensível do vidente, ou dos mundos que esse mundo encerra, é grande demais para passar em branco, além de ter implicações profundas para a sobrevivência do planeta. Enquanto o cientista moderno tropeça no segredo das plantas, o vidente vai longe e propõe soluções incríveis, mas que fazem mais sentido que o palavreado empoeirado dos acadêmicos. Mais que isso, ele dá um sentido filosófico à totalidade da vida. O mundo supra-sensível dos homens e das plantas, de que este livro só deu uma ideia, será explorado em outro, A vida cósmica das plantas.”