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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Energia Sexual e os videntes toltecas

A energia sexual é um tema de natureza oculta e portanto sempre resistiu a ser submetida aos processos de análise e entendimento das diversas culturas. Ela sempre provoca uma discordância, senão um conflito entre os aprendizes e mesmo “mestres” das “escolas” de trabalho interior.
É considerada pelas tradições genuínas como a própria energia da criação do Universo, e portanto tingida pelo mesmo mistério primordial do nascimento, existência e finalidade do cosmos.
Os círculos mais esotéricos das tradições, que apropriadamente a compreendem  como uma energia neutra e portanto sem conotações de bem ou mal, obviamente não tem meios de passar esse conceito de entendimento para os níveis exotéricos (exteriores) do grupo social . Isso fica então, infelizmente, a cargo das religiões, culturas, escolas, famílias e demais grupos de “socialização”, que passam a mensagem sempre acompanhada das noções de moral, controle social, culpa, julgamento e penas pelo que consideram o seu “mau uso”. Sem falar no poder disfarçado desejado e exercido por esses grupos através do “ensinamento”.
Os toltecas, ou os Videntes do Antigo México, uma tradição comparável às mais antigas do planeta, e da qual Castaneda é o expoente mais conhecido atualmente, tem uma visão muito particular e precisa sobre a energia sexual. Ela é exposta nos 12 livros que compõem a obra, e mais 3 dos aprendizes diretos (Florinda Donner-Grau, Taisha Abelar e o índio Armando Torres).
De acordo com essa visão, há dois conceitos importantes que irão definir o que fazer para usar de forma adequada a energia sexual, com vistas ao desenvolvimento interior:
  • Primeiro: não há uma “questão sexual” genérica, mas casos particulares individuais conforme se a pessoa foi ou não gerada por uma relação sexual energética (amorosa) ou aborrecida (habitual) de seus pais. Nesta última hipótese a pessoa terá pouca energia para usar no seu desenvolvimento interior e deverá então economizar a pouca energia que tem, de preferência praticando o celibato. Na outra hipótese, não.
  • Segundo: há também uma diferença de tipo, se você for, por natureza, ou um sonhador (ou contemplativo) ou um espreitador (ou ativo). No primeiro caso o aprendiz deve economizar a energia, no segundo não é necessário. Aqui se compreende a inutilidade das teorias modernas dos "sexólogos" divorciada da tradição de trabalho interior.
Don Genaro dizia jocosamente a Castaneda (O Fogo Interior, pag. 65) que ele era um caso de celibato:
"- O nagual Julian costumava afirmar que fazer sexo é uma questão de energia - começou Genaro. - Por exemplo, ele nunca tinha quaisquer problemas em fazer sexo, porque possuía enormes quantidades de energia. Mas olhou para mim e determinou imediatamente que "o meu pinto era apenas para mijar". Disse-me que meus pais estavam muito aborrecidos e muito cansados quando me fizeram; disse que eu era o resultado de uma relação muito aborrecida, uma "cojida aburrida".
O que compete a cada um parece ser "como estrategicamente descobrir qual é o seu tipo individual", e agir da forma mais impecável conforme o caso, economizando (ou não) a energia, e canalizando-a para o seu desenvolvimento interior.