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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Tempo Físico e o Agora Eterno

O tempo é, e sempre foi, um enigma.  Platão o definiu como “O tempo é o movimento segundo o qual o antes se transforma em depois”.
Newton continuou no mesmo conceito como se o tempo fosse uma sucessão marcada pelos movimentos de algo no espaço, que serviam de referência ao fluxo do passar o tempo.
Einstein então lançou a Teoria da Relatividade e não deixou pedra sobre pedra sobre tudo o que se sabia sobre o assunto: ligou tempo com espaço falando em espaço-tempo como uma coisa só. E o pior, dizendo que o tempo é flexível, e relativo conforme a velocidade do movimento do objeto e não absoluto como pensávamos. E também que o tempo não é um fluxo como pensávamos, mas que passado, presente e futuro convivem em alguma dimensão. Um espanto.
A velocidade da luz que parecia ser um limite no Universo, já foi contestada por novos cientistas e teorias. 
Mas não acabou aí. Hoje na Física Quântica já se fala em outras possibilidades que mais parecem fantasias científicas: horizonte de eventos, teoria das cordas, universos paralelos, viagens no tempo, etc. E nós pobres mortais assistimos isso boquiabertos, com a impressão de que tudo caminha para um grande evento que vai mudar tudo.
O vídeo abaixo dá uma visão dessas mudanças de conceito na história da humanidade recente:

Os mais observadores percebem que esse movimento de novas teorias e descobertas tem um aspecto muito novo e agregador, que une tribos que eram antes diametralmente opostas, inconciliáveis. São os cientistas e os metafísicos, que hoje estão caminhando mais próximos.
Nesse aspecto do tempo, as visões das tradições antigas do planeta que falam no conceito do Agora, (não como um sinônimo do tempo presente entre o passado e o futuro, mas como um corte atemporal do fluxo, um Eterno Agora) estão parecendo próximas e familiares aos cientistas de ponta. O Agora acena com uma nova forma de “estar no mundo” fora dos tentáculos emocionais e mentais do passado e do futuro, em contato com o Ser, o Não Manifestado, “O Que É”.
Mas isso não é o principal, porque as tradições pouco ligam para a ciência. O ponto é que na medida em que elas ensinam a prática de como viver no Agora, o ser humano se concilia consigo mesmo, com o próximo, o planeta e o Universo. Descobre o que é essa coisa que ele chama erroneamente de felicidade, de saúde, de Deus, de compaixão, de Amor. Então o tempo como coisa do domínio da mente parece inadequado.
No seu livro “Praticando o Poder do Agora”, Eckhart Tolle fala da mente pensante, escrava do passado e futuro, e do Tempo sem a mente, o Agora, que curiosamente está fora do tempo como se fosse um corte transversal dele. Um eterno Agora, atemporal... Estranho, não?
Mas vamos lá:
“A mente procura sempre negar e escapar do Agora. Em outras palavras, quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Ou ainda, quanto mais respeitamos e aceitamos o Agora, mais nos libertamos da dor, do sofrimento e da mente.
Se não quer gerar mais sofrimento para você e para os outros, se não quer acrescentar mais nada ao resíduo do sofrimento do passado que ainda vive em você, não crie mais tempo, ou pelo menos, não mais do que o necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo?
Tendo uma profunda consciência de que o momento presente é tudo o que você tem. Faça do Agora o foco principal da sua vida.
Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo visitas rápidas ao passado e ao futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da sua vida. Diga sempre “sim” ao momento atual.
A chave do segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele para, ao menos que você escolha utilizá-lo.
Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a a compulsão para vivermos quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade, e o futuro contém uma promessa de salvação e realização. Ambos são ilusões. 
Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.
Por que o Agora é a coisa mais importante que existe?

  •  Primeiro porque é a única coisa. É tudo o que existe. O eterno presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda a nossa vida, o único fator que permanece constante. A vida é agora. Nunca houve uma época emque a nossa vida não fosse agora, nem haverá.
  • Em segundo lugar, o Agora é o único ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente. É o nosso único acesso para a área atemporal e sem forma do ser.

Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?
Nada jamais aconteceu no passado. Aconteceu no Agora. Nada jamais acontecerá no futuro, acontecerá no Agora.
A essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a Presença. De repente tudo parece vivo, irradia energia, emana do Ser.”

domingo, 17 de março de 2013

O Corpo de Dor, ou Corpo de Sofrimento

No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos –“ o pensamento acontece em nós”.
“Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece.
A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma.
O ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz.
A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.
A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo - a ameaça vem da mente.
O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso.
Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja - tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina com, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: INFELICIDADE.
Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.
O “corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia.
Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos - o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso. Isso acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.
Nos relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida.
Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.
Pode ser um verdadeiro choque quando - talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel - vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.
A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa - a que nunca tínhamos visto antes- e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu temporariamente o controle.
Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um “corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse um “corpo de dor” tão denso. O começo da nossa libertação do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que nós o temos.
É nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor” torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente.
No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia.
A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua freqüência vibracional e é convertida em “presença”.
Uma pergunta que as pessoas costumam fazer é:
"De quanto tempo precisamos para nos libertar do corpo de dor?".
Evidentemente, isso depende tanto da densidade do corpo de dor quanto do grau, ou da intensidade, da presença manifestada em cada um de nós.
No entanto, não é o corpo de dor, e sim a identificação com ele que causa o sofrimento que infligimos a nós mesmos e aos outros. É essa identificação que nos leva a reviver o passado vezes sem conta e nos mantém no estado de inconsciência.
Assim, uma pergunta mais importante a se fazer seria esta:
"De quanto tempo necessitamos para nos libertar da identificação com o corpo de dor?"
A resposta a esta pergunta é: não demora tempo nenhum.
Sempre que o corpo de dor estiver em atividade, temos que estar cientes de que o que estamos sentindo é o corpo de dor em nós. Esse conhecimento é tudo de que precisamos para interromper a identificação com ele. E, quando essa identificação cessa, a transmutação tem inicio.
O conhecimento impede que as emoções antigas surjam na nossa cabeça e controlem não só o diálogo interior como também nossas ações e interações com as pessoas. Assim, o corpo de dor não conseguirá mais nos usar e se renovar por nosso intermédio.
As antigas emoções podem ainda viver em nós por algum tempo e aparecer de vez em quando. Talvez também nos enganem ocasionalmente, fazendo com que nos identifiquemos com elas de novo e, desse modo, obscureçam o conhecimento, porém não por muito tempo.
Não projetarmos as antigas emoções nas situações significa que devemos encará-las diretamente dentro de nós. Pode não ser agradável, mas isso não chega a nos matar. Nossa presença (*) é mais do que capaz de conte-las. As emoções NÃO são quem nós SOMOS.
(*) Nota - "estar presente": estar no agora, consciente, centrado, focado, ser o observador.
Portanto, quando sentir o corpo de dor, não comece o equivoco de pensar que existe algo errado com você. O ego adora quando você faz de si mesmo um problema.
O conhecimento precisa ser seguido pela aceitação.
Qualquer outra coisa, irá obscurecê-lo novamente.
Aceitação significa que você se permite sentir qualquer coisa naquele momento. Isso é parte da essência do Agora. Você não pode discutir com “o que é”. Bem, você pode. No entanto, se fizer isso, sofrerá.
Por meio da aceitação, você se torna o que você é: vasto, pleno de espaço. Transforma-se no todo. Não é mais um fragmento, que é como o ego vê a si mesmo. Sua natureza verdadeira emerge, e ela está unificada com a natureza de Deus.
Jesus indica isso nesta passagem: "Portanto, sede um todo. Assim como vosso Pai celeste é um todo". (Mateus 5:48)
No Novo Testamento temos, porem  "sede perfeitos", o que é um erro de tradução da palavra grega original, que significa "todo".
Ou seja, não precisamos nos tornar um todo, mas sermos o que já somos - com ou sem o corpo de dor.

Do livro  O Despertar de Uma Nova Consciência - Eckhart Tolle