Todas as tradições ancestrais falam de uma época em que o ser humano estava conectado com o Universo: O Jardim do Éden, A Idade de Ouro, e outros nomes. Tudo era mais fácil e o ser humano estava ligado naturalmente com as energias do Universo. Falam também de um estranho evento ou período a partir qual a existência do ser humano foi sendo tingida por dificuldades de toda ordem desde o parto até a morte, passando por uma existência difícil de dores, sofrimento, doenças guerras, violência, e por aí afora. Ele está até hoje afastado da Fonte. É só olhar a História e constatar.
Como já dissemos em publicações anteriores todas as tradições autênticas se detiveram sobre esse fato, dando uma visão e explicação sobre o que teria acontecido. Castaneda dá a visão tolteca de "uma instalação forânea" colocada no centro da cabeça correspondente ao centro mental, Gurdjieff dá a visão oriental das tradições onde aprendeu, e fala de um órgão implantado no ser humano chamado "kundabuffer" que era temporário e ficou definitivo. O budismo e o hinduismo também tocam no assunto.
Tolle, como sempre, dá uma perspectiva iluminada, coerente e sóbria sobre esses temas e acrescenta o fato de que essa fase é necessária para a evolução humana, que tudo tenha sido como foi. Esse texto é uma transcrição de uma palestra de Eckhart Tolle onde fica claro que estamos no limiar de um degrau previsto na evolução e que temos que passar por isso.
Vamos lá:
"O Universo cometeu um erro com o Ego?
...Sim...é... embora sobre um certa perspectiva pode parecer bastante insano, sob uma perspectiva mais elevada ele é normal e é parte do processo evolutivo das espécies. É um estágio na evolução.
Como estamos nos aproximando de um novo estágio na evolução, estamos começando a ver que o Ego esta perdendo completamente sua utilidade.
Mas ele tinha sua utilidade. E só agora começamos a ver que ele é insano, porque estamos nos aproximando de um novo estágio na evolução humana.
Antes ninguém podia ver que o ego era insano, exceto os muitos raros grandes mestres.
Buda disse: “Ele é uma ilusão” .Jesus disse: “Negue-se a si mesmo”; o que significa: “Reconheça a irrealidade do ego”. Mas não muitas pessoas entenderam o que eles disseram.
Eles eram um tipo de precursores do próximo passo. Estavam apontando para isso antes de realmente surgir um verdadeiro despertar no planeta.
Então sob a nossa presente perspectiva, no fim de um estágio evolucionário, o ego parece ser totalmente absurdo uma vez que vemos o que ele é e quanto estrago tem feito. Mas sob uma perspectiva mais elevada, ele é parte da evolução humana
e não poderia haver, por fim, nenhuma iluminação e nenhum despertar sem ele. Então, esta bem.
Você pode ver isso em sua própria vida, o como que você tem que passar através da ignorância em sua própria vida - eu não estou me referindo aqui à ignorância como falta de educação, mas a ignorância espiritual - sabendo essencialmente quem você é, fazendo tantos erros com base na identidade ilusória do ego. E agora você pode vê-lo e você tem que passar através disso.
Parece ter acontecido que a humanidade uma vez ainda não tinha ego. O que é conhecido na base de diferentes e não conectadas culturas como o mito da “Idade de Ouro”. Era quando os homens viviam em harmonia um com os outros e com a natureza e que a vida era fácil.
Isso aponta para o fato que há muitos e muitos anos atrás o homem viveu um momento com um senso de unidade com a natureza, quando o ego ainda não tinha se desenvolvido.
A memória disso provavelmente depois sobreviveu como o mito da “Idade de Ouro”. No Velho Testamento aparece como o “Paraíso”, que é um aspecto do mito da “Idade do Ouro”, quando o vida era fácil.
E então algo aconteceu! A “Queda” ou como a queira chamar. E isso sem dúvida foi o início da habilidade humana de pensar. E foi como algo milagroso.
O pensamento surgiu subitamente. Alguns antropólogos nos dizem - e eu acredito que eles estão certos - que quando o pensamento surgiu nos homens eles ficaram muito surpresos e acharam que Deus estava lhes falando em sua cabeça, o que foi parte do desenvolvimento da linguagem, e a linguagem começou a aparecer na cabeça das pessoas. Quem está falando...!
E quando o pensamento vinha então eles agiam...
Mate esse homem... os inimigos, a outra tribo, eles não eram humanos... E o que a voz esta me dizendo...
Então a voz na cabeça, a linguagem internalizada,
que eles pensavam ser milagrosa, pois tornou muitas coisas possíveis que não poderiam sê-lo sem ela.
O conhecimento surgindo... você podia transmitir conhecimento. Toda civilização como a conhecemos não poderia acontecer sem isso.
Toda a forma de transmissão de conhecimento:
arquitetura, filosofia, matemática, todas as coisas conceituais surgindo. Coisas milagrosas, coisas estranhas.
No decorrer de um milênio a voz se tornou tão penetrante que tomou conta do senso de identidade das pessoas.
Provavelmente por muito tempo antes do surgimento do pensamento os homens ainda tinham o senso natural de arraigamento na profundidade de seu ser,
o que foi, gradualmente, pelo milênio, deslocado, mais e mais, para dentro do modo de pensamento na cabeça.
Então todo o senso de identidade não estava mais arraigado no profundo sentido do ser, mas na voz dentro da cabeça. Mas isso tornou muita coisa possível.
Agora, o próximo passo na evolução é um retorno ao estado de pré-ego, mas com a dimensão adicional de se saber, conscientemente, de sua conexão como o UM.
No estado anterior essa conexão não era auto sabida, mas sim um estado natural de conexão.
Mas agora, quando for para além do ego, você intencionalmente retorna, conscientemente, ao UM.
Essa é a próxima etapa. Então não é um regressar.
De certo modo você volta para a “Idade do Ouro”, mas agora com Conhecimento.
E isso é expresso na antiga parábola bíblica que fala no “Filho Pródigo”.
O filho deixa a casa do pai, pede-lhe para lhe dar sua parte na herança e vai para um “país distante” onde esbanja todos os seus bens e se torna destituído.
Então recebe a mensagem de seu pai por um mensageiro: “Volte para casa, volte para mim”.
Então o filho começa a se lembrar de quem ele é e começa o caminho de volta para a “Casa do Pai”.
E a parábola diz que então ele é amado mais profundamente do que era.
Primeiro você O perdeu – não completamente, porque isso não é possível pois sem ele você não existiria –
e quando você volta a Ele, Lhe está ainda mais profundamente ligado. E a isso é aonde nós estamos destinados ir.
Então quando você percebe isso, você fica realmente agradecido ao ego porque ele é parte dessa jornada.
Sim, muito obrigado.
Parte do surgimento e da dominação do ego é a ilusão de se ser uma entidade separada, não conectada a outros humanos, ao Todo mesmo, à natureza ou, mais fundamentalmente, não conectada com a Fonte da Vida que algumas vezes chamamos Deus.
Essa é uma ilusão muito disseminada na maioria dos humanos que vivem agora no planeta atraídos na ilusão da separatividade.
Por exemplo, a humanidade pode dizer que ela existe no Universo.
É como você tivesse sido posto no Universo: aqui estou eu e lá está o resto do Universo e as outras pessoas. A verdade é sem dúvida que você não esta NO Universo, mas você É o Universo.
Você é uma parte intrínseca da totalidade. Você não esta nele, porque se você pensa que esta nele você esta separado. Então você é ele. Você não esta nele.
O Universo esta despertando e você é, sem dúvida, uma pequenina parte, mas uma parte essencial, desse despertar do Universo.
Isso significa que a consciência esta vindo a essa dimensão a partir do “sem tempo”, onde não há nenhuma evolução.
Esse “sem tempo” é o Ser e você não pode nem mesmo alcança-lo com palavras ou pensamentos.
O “sem tempo” então começa a brilhar dentro do mundo do tempo – nossa dimensão.
E a isso podemos chamar do despertar através das formas de vida, e as formas de vida se tornam mais ajustadas ao despertar do Universo.
Você é parte disso, e você é, e eu sou e, por fim, sem duvida, todo o Eu. Então o Eu está despertando, você é o Eu, então você esta despertando para fora da ilusão de ser uma entidade separada.
E sem dúvida essa ilusão surgiu porque você esta completamente identificado com o senso de “self” (si mesmo) elaborado pela mente, criando assim a ilusão da separatividade.
O simples fato de olhar outro ser humano sem a interferência do pensamento conceitual - somente um ver sem notar - remove a ilusão da separatividade entre você e o outro. É somente quando surge o julgamento sobre o outro é que o outro se torna “o outro”.
O que o ego mais gosta é de enfatizar e fazer mais forte o senso de separação do outro. E ele faz isso criticando, julgando, se queixando dos outros, dizendo quão maus eles são...
As pessoas fazem isso coletivamente. Quando uma tribo fala de outra tribo fala deles como não sendo humanos mas demônios. E a outra tribo faz o mesmo com essa tribo. As nações fazem isso também.
Talvez um pouco menos agora, mas se você olhar para a primeira metade do sec. XX com as duas guerras mundiais, foi até politicamente aceitável fazer de outras nações demônios: japoneses fizeram dos americanos demônios....
Eu não estou dizendo que a profundidade da inconsciência é maior em certas nações que em outras. O que é sem dúvida verdade. Mas demonizar o outro é sem dúvida ego, ego coletivo. E a propaganda ...
Podemos ter isso no nível pessoal e no nível coletivo.
O ego gosta de enfatizar a separação do outro e isso tudo é parte da ilusão.
Então, voltando a uma coisa muito prática, olhar um outro ser humano sem a interferência do pensamento
é uma coisa bela e uma maravilhosa prática espiritual até que não venha a ser mais uma prática espiritual,
mas um modo natural de interação com outro ser humano sem a interferência de rotular, julgar , sem o que eu quero de você, sem o que você pode fazer pra mim... Tão somente olhar, dar atenção... Não há mais o senso de separatividade.
Isso é o que o Dalai Lama chama de “gentileza” que é em realidade uma gentileza amorosa que desponta subitamente. Porque para a gentileza amorosa estar lá a ilusão de se ser uma totalmente separada entidade precisa ir. Porque a totalmente separada entidade não pode ter gentileza amorosa.
Ela pode até tentar ter a gentileza amorosa, mas não por muito tempo.
Então essa é a beleza disso.
Então você é uma parte essencial do Universo despertando. Então quando eu desperto o Universo ao meu redor esta também despertando e tudo em que estou envolvida também.
Sim, sim.
Não somente as mudanças em seu redor, mas também porque todos os seres humanos estão em conexão profunda, tal que uma transformação de consciência num ser humano afeta os outros, mesmo que não tenham conexão direta com você.
Porque isso é parte da consciência coletiva da humanidade.
Obrigado!
Transcrito por Paulo Azambuja, de palestra de Eckhart Tolle
A vocação deste blog é ajudar os leitores, e o próprio autor, a preparar o terreno para o "estar presente", que acontece somente no momento fugidio do Agora - a porta estreita - de que as tradições falam. A diversidade de temas é proposital e tem dois objetivos: mostrar que não há só uma tradição exclusiva, e, se houver Intento, qualquer situação corriqueira da Vida é adequada para quem busca interiormente, até mesmo a de uma passista no desfile da escola de samba. - Arnaldo Preto
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sábado, 4 de janeiro de 2014
O Ego e A Queda
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
O Tempo Físico e o Agora Eterno
O tempo é, e sempre foi, um enigma. Platão o definiu como “O tempo é o movimento segundo o qual o antes se transforma em depois”.
Newton continuou no mesmo conceito como se o tempo fosse uma sucessão marcada pelos movimentos de algo no espaço, que serviam de referência ao fluxo do passar o tempo.
Einstein então lançou a Teoria da Relatividade e não deixou pedra sobre pedra sobre tudo o que se sabia sobre o assunto: ligou tempo com espaço falando em espaço-tempo como uma coisa só. E o pior, dizendo que o tempo é flexível, e relativo conforme a velocidade do movimento do objeto e não absoluto como pensávamos. E também que o tempo não é um fluxo como pensávamos, mas que passado, presente e futuro convivem em alguma dimensão. Um espanto.
A velocidade da luz que parecia ser um limite no Universo, já foi contestada por novos cientistas e teorias.
Mas não acabou aí. Hoje na Física Quântica já se fala em outras possibilidades que mais parecem fantasias científicas: horizonte de eventos, teoria das cordas, universos paralelos, viagens no tempo, etc. E nós pobres mortais assistimos isso boquiabertos, com a impressão de que tudo caminha para um grande evento que vai mudar tudo.
O vídeo abaixo dá uma visão dessas mudanças de conceito na história da humanidade recente:
Os mais observadores percebem que esse movimento de novas teorias e descobertas tem um aspecto muito novo e agregador, que une tribos que eram antes diametralmente opostas, inconciliáveis. São os cientistas e os metafísicos, que hoje estão caminhando mais próximos.
Nesse aspecto do tempo, as visões das tradições antigas do planeta que falam no conceito do Agora, (não como um sinônimo do tempo presente entre o passado e o futuro, mas como um corte atemporal do fluxo, um Eterno Agora) estão parecendo próximas e familiares aos cientistas de ponta. O Agora acena com uma nova forma de “estar no mundo” fora dos tentáculos emocionais e mentais do passado e do futuro, em contato com o Ser, o Não Manifestado, “O Que É”.
Mas isso não é o principal, porque as tradições pouco ligam para a ciência. O ponto é que na medida em que elas ensinam a prática de como viver no Agora, o ser humano se concilia consigo mesmo, com o próximo, o planeta e o Universo. Descobre o que é essa coisa que ele chama erroneamente de felicidade, de saúde, de Deus, de compaixão, de Amor. Então o tempo como coisa do domínio da mente parece inadequado.
No seu livro “Praticando o Poder do Agora”, Eckhart Tolle fala da mente pensante, escrava do passado e futuro, e do Tempo sem a mente, o Agora, que curiosamente está fora do tempo como se fosse um corte transversal dele. Um eterno Agora, atemporal... Estranho, não?
Mas vamos lá:
“A mente procura sempre negar e escapar do Agora. Em outras palavras, quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Ou ainda, quanto mais respeitamos e aceitamos o Agora, mais nos libertamos da dor, do sofrimento e da mente.
Se não quer gerar mais sofrimento para você e para os outros, se não quer acrescentar mais nada ao resíduo do sofrimento do passado que ainda vive em você, não crie mais tempo, ou pelo menos, não mais do que o necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo?
Tendo uma profunda consciência de que o momento presente é tudo o que você tem. Faça do Agora o foco principal da sua vida.
Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo visitas rápidas ao passado e ao futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da sua vida. Diga sempre “sim” ao momento atual.
A chave do segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele para, ao menos que você escolha utilizá-lo.
Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a a compulsão para vivermos quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade, e o futuro contém uma promessa de salvação e realização. Ambos são ilusões.
Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.
Por que o Agora é a coisa mais importante que existe?
Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?
Nada jamais aconteceu no passado. Aconteceu no Agora. Nada jamais acontecerá no futuro, acontecerá no Agora.
A essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a Presença. De repente tudo parece vivo, irradia energia, emana do Ser.”
Newton continuou no mesmo conceito como se o tempo fosse uma sucessão marcada pelos movimentos de algo no espaço, que serviam de referência ao fluxo do passar o tempo.
Einstein então lançou a Teoria da Relatividade e não deixou pedra sobre pedra sobre tudo o que se sabia sobre o assunto: ligou tempo com espaço falando em espaço-tempo como uma coisa só. E o pior, dizendo que o tempo é flexível, e relativo conforme a velocidade do movimento do objeto e não absoluto como pensávamos. E também que o tempo não é um fluxo como pensávamos, mas que passado, presente e futuro convivem em alguma dimensão. Um espanto.
A velocidade da luz que parecia ser um limite no Universo, já foi contestada por novos cientistas e teorias.
Mas não acabou aí. Hoje na Física Quântica já se fala em outras possibilidades que mais parecem fantasias científicas: horizonte de eventos, teoria das cordas, universos paralelos, viagens no tempo, etc. E nós pobres mortais assistimos isso boquiabertos, com a impressão de que tudo caminha para um grande evento que vai mudar tudo.
O vídeo abaixo dá uma visão dessas mudanças de conceito na história da humanidade recente:
Os mais observadores percebem que esse movimento de novas teorias e descobertas tem um aspecto muito novo e agregador, que une tribos que eram antes diametralmente opostas, inconciliáveis. São os cientistas e os metafísicos, que hoje estão caminhando mais próximos.
Nesse aspecto do tempo, as visões das tradições antigas do planeta que falam no conceito do Agora, (não como um sinônimo do tempo presente entre o passado e o futuro, mas como um corte atemporal do fluxo, um Eterno Agora) estão parecendo próximas e familiares aos cientistas de ponta. O Agora acena com uma nova forma de “estar no mundo” fora dos tentáculos emocionais e mentais do passado e do futuro, em contato com o Ser, o Não Manifestado, “O Que É”.
Mas isso não é o principal, porque as tradições pouco ligam para a ciência. O ponto é que na medida em que elas ensinam a prática de como viver no Agora, o ser humano se concilia consigo mesmo, com o próximo, o planeta e o Universo. Descobre o que é essa coisa que ele chama erroneamente de felicidade, de saúde, de Deus, de compaixão, de Amor. Então o tempo como coisa do domínio da mente parece inadequado.
No seu livro “Praticando o Poder do Agora”, Eckhart Tolle fala da mente pensante, escrava do passado e futuro, e do Tempo sem a mente, o Agora, que curiosamente está fora do tempo como se fosse um corte transversal dele. Um eterno Agora, atemporal... Estranho, não?
Mas vamos lá:
“A mente procura sempre negar e escapar do Agora. Em outras palavras, quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Ou ainda, quanto mais respeitamos e aceitamos o Agora, mais nos libertamos da dor, do sofrimento e da mente.
Se não quer gerar mais sofrimento para você e para os outros, se não quer acrescentar mais nada ao resíduo do sofrimento do passado que ainda vive em você, não crie mais tempo, ou pelo menos, não mais do que o necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo?
Tendo uma profunda consciência de que o momento presente é tudo o que você tem. Faça do Agora o foco principal da sua vida.
Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo visitas rápidas ao passado e ao futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da sua vida. Diga sempre “sim” ao momento atual.
A chave do segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele para, ao menos que você escolha utilizá-lo.
Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a a compulsão para vivermos quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade, e o futuro contém uma promessa de salvação e realização. Ambos são ilusões.
Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.
Por que o Agora é a coisa mais importante que existe?
- Primeiro porque é a única coisa. É tudo o que existe. O eterno presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda a nossa vida, o único fator que permanece constante. A vida é agora. Nunca houve uma época emque a nossa vida não fosse agora, nem haverá.
- Em segundo lugar, o Agora é o único ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente. É o nosso único acesso para a área atemporal e sem forma do ser.
Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?
Nada jamais aconteceu no passado. Aconteceu no Agora. Nada jamais acontecerá no futuro, acontecerá no Agora.
A essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a Presença. De repente tudo parece vivo, irradia energia, emana do Ser.”
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domingo, 1 de julho de 2012
O Maior obstáculo para a Iluminação
Eu gostaria de dizer que o texto abaixo é de minha autoria, porque seria um sinal de que eu já estaria pra lá de Marrakesh na minha busca interior, mas não é. Como sempre, não vou dizer o nome do autor, um mestre raro, para que a mente do leitor faça o esforço que deveria fazer sempre ao ler algo: ter a mente aberta e julgar por si mesmo, sem rótulos prévios deste ou daquele mestre.
O texto tem perguntas freqüentes que todo nós fazemos sobre os assuntos a Mente, o Ser, a Iluminação.
Quem quiser tentar acertar o autor, escreva nos comentários e a gente confirma ou não.
Então vamos lá:
“Por mais de trinta anos um mendigo ficou sentado no mesmo lugar, debaixo de uma marquise. Até que um dia, uma conversa com um estranho mudou sua vida:
- Tem um trocadinho aí pra mim, moço?- murmurou, estendendo mecanicamente seu velho boné.
- Não, não tenho disse o estranho. - O que tem nesse baú debaixo de você?
Nada, isso aqui é só uma caixa velha. Já nem sei há quanto tempo sento em cima dela.
Nunca olhou o que tem dentro?- perguntou o estranho.
Não, respondeu.- Para quê? Não tem nada aqui, não!
Dê uma olhada dentro -insistiu o estranho, antes de ir embora.
O mendigo resolveu abrir a caixa. Teve que fazer força para levantar a tampa e mal conseguiu acreditar ao ver que o velho caixote estava cheio de ouro.
Eu sou o estranho sem nada para dar, que está lhe dizendo para olhar para dentro. Não de uma caixa, mas sim de você mesmo. Imagino que você esteja pensando indignado: "Mas eu não sou um mendigo!"
Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza - a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam, do lado de fora, migalhas de prazer, aprovação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.
A expressão iluminação transmite a idéia de uma conquista sobre-humana, e isso agrada ao ego, mas é simplesmente o estado natural de sentir-se em unidade com o Ser. É um estado de conexão com algo imensurável e indestrutível. Pode parecer um paradoxo, mas esse "algo" é essencialmente você e, ao mesmo tempo, é muito maior do que você. A iluminação consiste em encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma. A incapacidade de sentir essa conexão dá origem a uma ilusão de separação, tanto de você mesmo quanto do mundo ao redor. Quando você se percebe, consciente ou inconscientemente, como um fragmento isolado, o medo e os conflitos internos e externos tomam conta da sua vida.
Adoro a definição simples de Buda para a iluminação: "É o fim do sofrimento." Não há nada de sobre-humano nisso, não é mesmo? Claro que não é uma definição completa. Ela apenas nos diz o que a iluminação não é: não é sofrimento. Mas o que resta quando não há mais sofrimento? Buda silencia a respeito, e esse silêncio implica que teremos de encontrar a resposta por nós mesmos. Como ele emprega uma definição negativa, a mente não consegue entendê-la como uma crença, ou como uma conquista sobre-humana, um objetivo difícil de alcançar. Apesar disso, a maioria no budismo ainda acredita que a iluminação é algo apenas para Buda e não para eles próprios, pelo menos, não nesta vida.
- Você usou a palavra Ser. Pode explicar o que quer dizer com isso?
- Ser é a eterna e sempre presente Vida Única, que existe além das inúmeras formas de vida sujeitas ao nascimento e à morte. Entretanto, o Ser não está apenas além, mas também dentro de todas as formas, como a mais profunda, invisível e indestrutível essência interior. Isso significa que ele está ao seu alcance agora, sob a forma de um eu interior mais profundo, que é a verdadeira natureza dentro de você. Mas não procure apreender isso com a mente. Não tente entendê-lo. Só é possível conhecê-lo quando a mente está serena. Se estiver alerta, com toda a sua atenção voltada para o Agora, você até poderá sentir o Ser, mas jamais conseguirá compreendê-lo mentalmente. Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de "percepção dos sentidos" é o que se chama iluminação.
- Quando você diz Ser, está falando sobre Deus? Se estiver, por que não diz expressamente?
- A palavra Deus tornou-se vazia de significado ao longo de milhares de anos de utilização imprópria. Emprego-a ocasionalmente, mas com moderação. Considero imprópria a sua utilização por pessoas que jamais tiveram a menor idéia do reino do sagrado, da infinita imensidão contida nessa palavra, mas que a usam com grande convicção, como se soubessem do que estão falando. Existem ainda aqueles que questionam o termo, como se soubessem o que estão discutindo. Esse uso indevido dá origem a crenças, afirmações e delírios absurdos, tais como "o meu ou o nosso Deus é o único Deus verdadeiro, o seu Deus é falso", ou a famosa frase de Nietzsche, "Deus está morto".
A palavra Deus se tornou um conceito fechado. Quando a pronunciamos, criamos uma imagem mental, talvez não mais a de um velhinho de barba branca, mas ainda uma representação mental de alguém ou de algo externo a nós e, quase inevitávelmente, alguém ou alguma coisa do sexo masculino.
Tanto Deus quanto Ser são palavras que não conseguem definir nem explicar a realidade por trás delas. Ser, entretanto, tem a vantagem de sugerir um conceito aberto. Não reduz o invisível infinito a uma entidade finita. É impossível formar uma imagem mental a esse respeito. Ninguém pode reivindicar a posse exclusiva do Ser. É a sua essência, tão acessível como sentir a sua própria presença, a realização do Eu sou que antecede o "eu sou isso" ou "eu sou aquilo". Portanto, a distância é muito curta entre a palavra Ser a vivência do Ser.
- Qual o maior obstáculo para vivenciar essa realidade?
- Identificar-se com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. Ser incapaz de parar de pensar é uma aflição terrível, mas ninguém percebe porque quase todos nós sofremos disso e, então, consideramos uma coisa normal. O ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior, que é inseparável do Ser. Isso faz com que a mente crie um falso eu interior que projeta uma sombra de medo e sofrimento sobre nós. Examinaremos esses pontos detalhadamente, mais adiante.
O filósofo Descartes acreditava ter alcançado a verdade mais fundamental quando proferiu sua conhecida máxima: "Penso, logo existo." Cometeu, no entanto, um erro básico ao equiparar o pensar ao Ser, e a identidade ao pensamento. O pensador compulsivo, ou seja, quase todas as pessoas, vive em um estado de aparente isolamento, em um mundo povoado de conflitos e problemas. Um mundo que reflete a fragmentação da mente em uma escala cada vez maior. A iluminação é um estado de plenitude, de estar "em unidade" e, portanto, em paz. Em unidade tanto com o universo quanto com o eu interior mais profundo, ou seja, o Ser. A iluminação é o fim não só do sofrimento e dos conflitos internos e externos permanentes, mas também da aterrorizante escravidão do pensamento. Que maravilhosa libertação!
Se nos identificamos com a mente, criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras. Essa tela se situa entre você e o seu eu interior, entre você e o próximo, entre você e a natureza, entre você e Deus. É essa tela de pensamentos que cria uma ilusão de separação, uma ilusão de que existe você e um "outro" totalmente à parte. Esquecemos o fato essencial de que, debaixo do nível das aparências físicas, formamos uma unidade com tudo aquilo que é. Por "esquecermos" quero dizer que não sentimos mais essa unidade como uma realidade evidente por si só. Podemos até acreditar que isso seja uma verdade, mas não mais a reconhecemos como verdade. Acreditar pode até trazer conforto. No entanto, a libertação só pode vir através da vivência pessoal.
Pensar se tornou uma doença. A doença acontece quando as coisas se desequilibram. Por exemplo, não há nada de errado com a divisão e a multiplicação das células no corpo humano. Mas, quando esse processo acontece sem levar em conta o organismo como um todo, as células se proliferam e temos a doença.
Se for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Entretanto, quando a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser ainda mais preciso, não é você que usa a sua mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não usa a mente. É ela que usa você. Essa é a doença. Você acredita que é a sua mente. Eis aí o delírio. O instrumento se apossou de você.
- Não concordo muito com isso. É verdade que penso muito sem um objetivo definido, como a maioria das pessoas, mas ainda posso escolher como usar a minha mente para ter e conseguir coisas, e faço isso o tempo todo.
- Só porque podemos resolver palavras cruzadas ou construir uma bomba atômica não significa que estejamos usando a mente. Assim como os cães adoram mastigar ossos, a mente adora transformar dificuldades em problemas. É por isso que ela resolve palavras cruzadas e constrói bombas atômicas. Mas essas coisas não interessam a você. Pergunto então: você consegue se livrar da sua mente quando quer? Já encontrou o botão que a "desliga"?
- A idéia é parar de pensar completamente? Não, não consigo, a não ser por um ou dois segundos.
- Então, é porque a mente está usando você. Estamos tão identificados com ela que nem percebemos que somos seus escravos. É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora. A liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto de consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência. Percebemos também que todas as coisas realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar...”
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domingo, 29 de maio de 2011
O Ser e o Caminho de Volta
O Ser
Tenho pensado muito sobre esse mistério de “ser”. Ele está aparente quando a gente lê as tradições autênticas, como por exemplo, o livro "A Tábua de Esmeralda” de Hermes Trismegistos e outros, mas ele também me ocorre em momentos os mais corriqueiros do dia, como no trânsito, no banco...naquela hora em que surge uma quase-pergunta, tão sutil que se desfaz ao menor estímulo em torno da gente, como na hora em que chega a nossa vez no caixa. É uma questão do tipo “quem sou eu?”, ou “o que eu estou fazendo nessa fila, neste país, neste planeta?”, "qual é a minha missão?" O Chico Anísio fez uma música meio surrealista em que, cantando,no meio dela perguntava num dado momento, meio entre parênteses: “o que que eu estou fazendo nesse disco?”. Lembra?
O que faz algo ou alguém “ser”? Seja um ser humano, um vírus, uma pedra... Está aí o mistério. Eu só pressinto a resposta, mas nada me impede de ter idéias a respeito, já que aprendi tanta coisa na vida. O Millôr dizia; “Livre pensar, é só pensar...” Ué.
Então me ocorre:
Não sabemos a razão pela qual o Universo existe. Só supomos. As tradições antigas dizem porém que na sua manifestação ele é regido por duas leis. A primeira “A lei de 3”, que criou o Universo, é a trindade, nascida do Absoluto que é o nível 1. Ele é o presidente de tudo, mas é discretíssimo, não aparece para ninguém. A trindade logo abaixo dele faz o papel executivo (produção do universo, delivery e controle de qualidade). Após a criação entra em cena a segunda lei, chamada “A lei de 7” que passa então a reger o seu desenvolvimento, a sua fenomenologia, como dizem os filósofos e intelectuais de plantão do ramo. Falaremos dessas duas leis primordiais em breve neste blog. O Universo mostra a “lei de 7” todo o tempo para nós, mas poucos a vêem. Ela está na luz, na música, na física, na química...
Independente do jeito que o Universo nasceu, seja um Big Bang, ou um caminho mais light, silencioso, contínuo e comportado, parece que existe um processo, sim. Tudo nasce, cresce, definha e morre, mas há um conjunto do qual fazemos parte, a Humanidade, o Universo, que continua por muito mais tempo. É... às vezes eu pressinto que eu vim de há muito tempo evoluindo. Já fui uma pedra, um vírus, lagartixa, texugo, e talvez muitas versões de ser humano, nesses 14 bilhões de anos deste Universo, e outros tantos atrás dele. O Budismo tibetano diz que Buda levou 3 “aéons” para se iluminar desde o início. Note que um “aéon” é o tempo de vida de um universo inteiro desde o nascimento até a morte. É tempo que não acaba mais, cumpadre...
Os ciclos de todos os fenômenos do Universo são sempre 7. Se pensarmos nos 7 níveis do Raio de Criação desde os mais rarefeitos energeticamente aos mais densos ( Absoluto, Todos os Universos, Todas as estrelas, O Sol, Todos os planetas, A Terra, A Lua) fica razoavelmente claro que estamos numa viagem de evolução desde as energias mais finas até as mais densas, para conhecer o leque da coisa toda. Eu, ou o meu espírito, saí da “casa do pai” e sem esforço nenhum da minha parte, estou fazendo automaticamente um caminho até o mundo mais denso. E cheguei aqui em Sampa. Foi uma Grande Descida. O espírito por trás de cada Ser, porém, não aprecia a falta de liberdade dos mundos de materialidade densa, sujeitos a cada vez mais leis limitadoras. Ele quer escapulir. Mas por uma lei incompreensível a nós, tem que ser assim. Temos que “passar por”. Dizem que fomos nós mesmos que escolhemos. E sempre esquecemos disso a cada vez que nascemos, seja em que mundo for...
Tenho pensado muito sobre esse mistério de “ser”. Ele está aparente quando a gente lê as tradições autênticas, como por exemplo, o livro "A Tábua de Esmeralda” de Hermes Trismegistos e outros, mas ele também me ocorre em momentos os mais corriqueiros do dia, como no trânsito, no banco...naquela hora em que surge uma quase-pergunta, tão sutil que se desfaz ao menor estímulo em torno da gente, como na hora em que chega a nossa vez no caixa. É uma questão do tipo “quem sou eu?”, ou “o que eu estou fazendo nessa fila, neste país, neste planeta?”, "qual é a minha missão?" O Chico Anísio fez uma música meio surrealista em que, cantando,no meio dela perguntava num dado momento, meio entre parênteses: “o que que eu estou fazendo nesse disco?”. Lembra?
O que faz algo ou alguém “ser”? Seja um ser humano, um vírus, uma pedra... Está aí o mistério. Eu só pressinto a resposta, mas nada me impede de ter idéias a respeito, já que aprendi tanta coisa na vida. O Millôr dizia; “Livre pensar, é só pensar...” Ué.
Então me ocorre:
Não sabemos a razão pela qual o Universo existe. Só supomos. As tradições antigas dizem porém que na sua manifestação ele é regido por duas leis. A primeira “A lei de 3”, que criou o Universo, é a trindade, nascida do Absoluto que é o nível 1. Ele é o presidente de tudo, mas é discretíssimo, não aparece para ninguém. A trindade logo abaixo dele faz o papel executivo (produção do universo, delivery e controle de qualidade). Após a criação entra em cena a segunda lei, chamada “A lei de 7” que passa então a reger o seu desenvolvimento, a sua fenomenologia, como dizem os filósofos e intelectuais de plantão do ramo. Falaremos dessas duas leis primordiais em breve neste blog. O Universo mostra a “lei de 7” todo o tempo para nós, mas poucos a vêem. Ela está na luz, na música, na física, na química...
Independente do jeito que o Universo nasceu, seja um Big Bang, ou um caminho mais light, silencioso, contínuo e comportado, parece que existe um processo, sim. Tudo nasce, cresce, definha e morre, mas há um conjunto do qual fazemos parte, a Humanidade, o Universo, que continua por muito mais tempo. É... às vezes eu pressinto que eu vim de há muito tempo evoluindo. Já fui uma pedra, um vírus, lagartixa, texugo, e talvez muitas versões de ser humano, nesses 14 bilhões de anos deste Universo, e outros tantos atrás dele. O Budismo tibetano diz que Buda levou 3 “aéons” para se iluminar desde o início. Note que um “aéon” é o tempo de vida de um universo inteiro desde o nascimento até a morte. É tempo que não acaba mais, cumpadre...
Os ciclos de todos os fenômenos do Universo são sempre 7. Se pensarmos nos 7 níveis do Raio de Criação desde os mais rarefeitos energeticamente aos mais densos ( Absoluto, Todos os Universos, Todas as estrelas, O Sol, Todos os planetas, A Terra, A Lua) fica razoavelmente claro que estamos numa viagem de evolução desde as energias mais finas até as mais densas, para conhecer o leque da coisa toda. Eu, ou o meu espírito, saí da “casa do pai” e sem esforço nenhum da minha parte, estou fazendo automaticamente um caminho até o mundo mais denso. E cheguei aqui em Sampa. Foi uma Grande Descida. O espírito por trás de cada Ser, porém, não aprecia a falta de liberdade dos mundos de materialidade densa, sujeitos a cada vez mais leis limitadoras. Ele quer escapulir. Mas por uma lei incompreensível a nós, tem que ser assim. Temos que “passar por”. Dizem que fomos nós mesmos que escolhemos. E sempre esquecemos disso a cada vez que nascemos, seja em que mundo for...
O Caminho de Volta
E o que fazer para voltar “à casa do pai” de onde saímos? Para voltar aos mundos de materialidade fina que o Espírito tanto aprecia, e que são a sua casa? Agora a história é outra: só é possível essa volta com grandes esforços individuais. É a Grande Subida. Não tem mais a moleza do piloto automático. Ninguém vai ajudar nessa tarefa, muito pelo contrário. A Natureza, que aliás somos nós mesmos, foi formatada com barreiras e filtros que só permitem a evolução para aqueles que agora fizerem grandes esforços conscientes. Por que? Porque a Grande Consciência precisa disso, de gente evoluindo. Ela cria obstáculos quase intransponíveis para os buscadores porque conhece a nossa preguiça desde outros carnavais, mas premia os dedicados e teimosos. Nós somos Ela. Quem não fizer esforço, parece que volta ao pó. Parece. Gurdjieff dizia que a evolução é um trabalho contra a Natureza, contra Deus. Estamos bem, em termos de adversário, hein? Fora o fato de estarmos na borda de uma galáxia pequena e longe da Luz do centro, num sistema orbitando um Sol pequeno, num planeta minúsculo e, para complicar, jogando contra a equipe do Chefe! Uma tremenda zebra...
E agora, o que fazer para sair da mecanicidade e conscientemente fazer esse super esforço para evoluir?
É trabalhar duro. Mas não é por falta de tradição genuína que morreremos pagãos neste planeta. Em cada continente tem pelo menos umas quatro ou cinco tradições ainda vivas (mais ou menos vivas, né?), e a partir da nossa cultura específica não teremos dificuldades em abraçar uma tradição que nos seja familiar, com uma linguagem e formato compatível com o nosso DNA espiritual de busca interior. Mas não podemos nos iludir. Vai ser dureza desde o início. Depois melhora porque começamos a gostar. Mas nunca será fácil. A cada degrau o desafio do buscador aumenta, mas nada que não possamos enfrentar. A gente é que é auto-condescendente...
Precisamos de 3 coisas; lucidez, desapego e vontade. Elas correspondem aos nossos 3 centros de funcionamento: mental, emocional e físico. Em outras palavras, silêncio no mental, calma no emocional, e relaxamento no físico, mas é ao-mesmo-tempo!. Isso é o que as tradições chamam de “lembrança de si” e você só consegue se estiver firmemente ancorado na sensação do seu corpo, atento e recebendo conscientemente as impressões mentais (pensamentos), emocionais (emoções, sentimentos) e físicas (sensações). Essa geometria interior corresponde ao que as tradições do Quarto Caminho (ou caminho do Homem Esperto) chamam de “a pílula”, que abrevia o percurso. Há três grandes caminhos para se trabalhar na busca interior: o da disciplina do Físico, chamado de o caminho do faquir, o do Emocional, chamado de o caminho do monge, e o do Mental, chamado de o caminho do yogui. Mas nossa vida é muito curta para fazê-los um após o outro. O Quarto Caminho junta os três simultaneamente. O pano de fundo, que é a condição por trás de todo o “esforço”, é essa “lembrança de Si Mesmo” (Self). Só quando estamos atentos, ocupando os nossos 3 corpos, começando pelo físico, estamos de fato evoluindo. Esse é “O” segredo, escondido onde menos se espera. Na simplicidade.
Quem administra essa tríade desconectada e rebelde deve ser você, a partir da orientação do mestre, guru, ou orientador. Isso tudo tem um nome simples que está na moda até mesmo entre as socialites: Contemplação, ou Meditação. Você começa fazendo a prática aos poucos, na calma em casa, mas o objetivo final é passar a fazer na vida, no trânsito, na fila do supermercado, discutindo com o outro, ouvindo música, lendo, namorando, dormindo, sonhando. É isso mesmo, dormindo, sonhando. Mas sonhos lúcidos, porque não viemos aqui para “apagar” 8 horas por dia. Tem trabalho à noite também. Há uma “yoga do sonho e do sono ”. O livro, do mestre Tenzin Wangyal Rinpoche, anda por aí...
O budismo tibetano ensina que para se chegar à compreensão final, ou iluminação, é preciso além de um discípulo aplicado, um mestre genuíno, dentro de uma corrente de tradição genuína. Em resumo, essa é A Volta. Você vê? É simples. Mais fácil do que você pensava... (rsrs)
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