Mostrando postagens com marcador corpo de sofrimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corpo de sofrimento. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de março de 2013

O Corpo de Dor, ou Corpo de Sofrimento

No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos –“ o pensamento acontece em nós”.
“Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece.
A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma.
O ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz.
A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.
A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo - a ameaça vem da mente.
O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso.
Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja - tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina com, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: INFELICIDADE.
Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.
O “corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia.
Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos - o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso. Isso acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.
Nos relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida.
Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.
Pode ser um verdadeiro choque quando - talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel - vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.
A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa - a que nunca tínhamos visto antes- e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu temporariamente o controle.
Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um “corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse um “corpo de dor” tão denso. O começo da nossa libertação do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que nós o temos.
É nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor” torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente.
No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia.
A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua freqüência vibracional e é convertida em “presença”.
Uma pergunta que as pessoas costumam fazer é:
"De quanto tempo precisamos para nos libertar do corpo de dor?".
Evidentemente, isso depende tanto da densidade do corpo de dor quanto do grau, ou da intensidade, da presença manifestada em cada um de nós.
No entanto, não é o corpo de dor, e sim a identificação com ele que causa o sofrimento que infligimos a nós mesmos e aos outros. É essa identificação que nos leva a reviver o passado vezes sem conta e nos mantém no estado de inconsciência.
Assim, uma pergunta mais importante a se fazer seria esta:
"De quanto tempo necessitamos para nos libertar da identificação com o corpo de dor?"
A resposta a esta pergunta é: não demora tempo nenhum.
Sempre que o corpo de dor estiver em atividade, temos que estar cientes de que o que estamos sentindo é o corpo de dor em nós. Esse conhecimento é tudo de que precisamos para interromper a identificação com ele. E, quando essa identificação cessa, a transmutação tem inicio.
O conhecimento impede que as emoções antigas surjam na nossa cabeça e controlem não só o diálogo interior como também nossas ações e interações com as pessoas. Assim, o corpo de dor não conseguirá mais nos usar e se renovar por nosso intermédio.
As antigas emoções podem ainda viver em nós por algum tempo e aparecer de vez em quando. Talvez também nos enganem ocasionalmente, fazendo com que nos identifiquemos com elas de novo e, desse modo, obscureçam o conhecimento, porém não por muito tempo.
Não projetarmos as antigas emoções nas situações significa que devemos encará-las diretamente dentro de nós. Pode não ser agradável, mas isso não chega a nos matar. Nossa presença (*) é mais do que capaz de conte-las. As emoções NÃO são quem nós SOMOS.
(*) Nota - "estar presente": estar no agora, consciente, centrado, focado, ser o observador.
Portanto, quando sentir o corpo de dor, não comece o equivoco de pensar que existe algo errado com você. O ego adora quando você faz de si mesmo um problema.
O conhecimento precisa ser seguido pela aceitação.
Qualquer outra coisa, irá obscurecê-lo novamente.
Aceitação significa que você se permite sentir qualquer coisa naquele momento. Isso é parte da essência do Agora. Você não pode discutir com “o que é”. Bem, você pode. No entanto, se fizer isso, sofrerá.
Por meio da aceitação, você se torna o que você é: vasto, pleno de espaço. Transforma-se no todo. Não é mais um fragmento, que é como o ego vê a si mesmo. Sua natureza verdadeira emerge, e ela está unificada com a natureza de Deus.
Jesus indica isso nesta passagem: "Portanto, sede um todo. Assim como vosso Pai celeste é um todo". (Mateus 5:48)
No Novo Testamento temos, porem  "sede perfeitos", o que é um erro de tradução da palavra grega original, que significa "todo".
Ou seja, não precisamos nos tornar um todo, mas sermos o que já somos - com ou sem o corpo de dor.

Do livro  O Despertar de Uma Nova Consciência - Eckhart Tolle

domingo, 31 de julho de 2011

Você, Seus Pais, e o Nó

No desenho da carta astrológica de cada um, na sua cruz pessoal (casas 1, 4, 7, e 10) tem 3 pontos tensos que se opõem ao seu ascendente (o seu eu social): são as 3 casas que correspondem ao seu pai, mãe, e seu parceiro (a) no casamento.
Quem conhece astrologia sabe que essas "casas cruciais" são as casas 4 e 10 para a mãe e o pai, e a casa 7 para o parceiro (a) do casamento. Não tem exceção, seja você um buscador ou não. Se você nasceu, as 3 casas estão lá...os três nós para serem desatados. Uns mais fáceis, outros mais difíceis. Aliás, como já dissemos em O Ser e o Caminho de Volta,  foi você mesmo que escolheu.
Você pergunta: “e se eles já morreram?”. 

O nó continua, só não aumenta o aperto. Mas não se preocupe, você pode mesmo assim desatá-lo. É só fazer uma prática de dirigir sua atenção à figura de cada um deles, na sua meditação, na busca interior, e colocar um intento de dissolver a situação, a tristeza, amargura, mágoas, culpas, o que for...isso será bom para você e para eles, onde eles estiverem.
Às vezes o seu problema com os pais é puramente seu, como por exemplo, você não fica à vontade na relação com eles porque o seu orgulho formatou desde cedo uma auto importância sua, só para agradá-los, mostrando que “você é um bom menino, ou menina”,  e pronto, agora você está na prisão do ego, de ter que representar sempre. A máscara da persona ficou grudada ao rosto, como dizia Fernando Pessoa...
Mas vamos ver o que o iluminado Eckhart Tolle nos diz sobre a relação com os pais (que aliás funciona também com os nossos filhos):


PERGUNTA: minha questão é relacionada aos pais... praticando a presença eu senti amor por eles, depois de muitos anos não sentindo amor, e me sentindo culpada por isso, mas eu ainda tenho grandes problemas em encontrá-los, quero dizer, estar no mesmo lugar e espaço (risos). Mesmo que eu tente estar consciente da minha respiração e do meu interior, depois de um tempo eu sinto fortíssimos ataques de dores no corpo, e isso é disparado por algo que eles dizem, ou... eu não consigo nem explicar isso... as vezes eu me saio bem no encontro, mas minha mãe sai da sala e eu fico destruída, eu não sei o que é isso...

 
ECKHART: Sim.. o drama dos pais pode ser difícil eu sei... (risos) meus pais também... (risos), então.. no vínculo, já há uma aceitação no nível mental... aceitação de quem eles são, aceitação de suas limitações, da maneira como se comportam... é que o “corpo de sofrimento” ainda está aí dentro de você, claro, e o ‘corpo de sofrimento’ reage também, pode ser que no nível mental a aceitação ainda não esteja completa. 

Veja que eles agem da maneira como agem, falam da maneira como falam não pelo que eles são, mas devido a seus condicionamentos, ou seja são seus condicionamentos mentais e emocionais falando através deles, eles não conseguem se salvar disso... quando não há presença suficiente qualquer um  é controlado por sua condição mental e emocional, eles não conseguem... estão na aflição dessa doença que é a identificação com condicionamentos inconscientes.
Eu não sou o único a chamar isso de doença, até os antigos ensinamentos Zen as vezes chamavam isso de "doença da mente" e alguns mestres Zen dizem que estão aí para curar esses estados doentios da mente, então isso diz respeito à cura da doença da mente.
Você precisa saber constantemente no nível mental, que o que você observa não é o que eles são, mas você está observando uma forma de condicionamento mental,  por trás disso há o Ser. Talvez às vezes você tenha pequenos insights
Minha mãe também era muito identificada com a mente. Ocasionalmente eu a olhava nos olhos e de repente havia uma luz brilhando ali, e ela parava de falar por um breve período (risos), ou em outras palavras, a mente dava uma respirada depois de falar sem parar por dez minutos e então por um momento havia esse Ser brilhando através dela. Há uma ou duas fotos com o Ser brilhando através dela  então após isso fica tudo obscuro  e novamente aparecem as desconfianças as reclamações, as acusações e todas as coisas associadas ao pensamento inconsciente.
Então no nível mental você precisa saber “ser presente o suficiente” para não esquecer que o que você está observando não é o que eles são,  mas está observando o passado neles, os condicionamentos, então aparecem as emoções que você sente, porque esse é o seu passado, o passado vivo em você, a sua infância, tudo o que eles fizeram ou deixaram de fazer, eles não podiam fazer nada,  não havia presença suficiente para mudar isso. 
Então há algo para você aceitar... e quando você os aceita, você aceita o que você sente naquele momento, talvez você não possa nomear, nós não sabemos, é tristeza, raiva, é pesado... ou um mix de tudo isso... um sentimento de querer sair correndo, uma contração, está tudo aí. Você não precisa nem mesmo analisar, você só precisa sentir todo o campo de energia disso, e não é prazeroso... é o passado em você. Você observa o passado atuando neles, e experimenta o passado em você. Então o que você faz com os dois passados? o passado deles e o seu passado?
Somente a Presença pode dissolver o passado, então você precisa acessar o poder da Presença em você, e como você faz isso? Uma maneira rápida em uma situação como essa é a aceitação do que quer que apareça externa ou internamente nesse momento. Você aceita. o que você sente, o que eles fazem ou dizem, é a aceitação interna e externa porque já está acontecendo, você tem que aceitar ou então você sofre. Se você não aceita, você sofre mais. Se você não quiser sentir isso haverá mais sofrimento porque você estará resistindo. 
Aceitação faz algo que eu poderia descrever assim: aqui está seu campo emocional, que não se sente bem... e a aceitação não necessita nem de palavras, você somente observa o que acontece, esteja com isso... E nesse momento um pequeno espaço se abre ao redor de seu campo emocional, um pequeno espaço que vem da sua aceitação. A aceitação lhe dá espaço, e isso já é um pedacinho de liberdade. Você está criando um pequeno espaço dentro de você quando diz: “sim, é isso que acontece”, e a beleza disso é que você dá espaço a eles para externamente serem. Você se dá espaço internamente, e então você nota que realmente se sente um pouco melhor do que antes porque há espaço ao redor da emoção e conforme você aumenta o grau de aceitação, o espaço cresce um pouco mais em torno disso. 
Então você se depara com um fenômeno estranho, uma emoção não prazerosa existindo nesse campo espaçoso ao seu redor, e você descobre que você é esse campo, e você pode permitir as emoções permanecerem nesse campo, pode permitir seus pais estarem ali e falar ou fazer o que quiserem
Eles estão repetindo o passado. O espaço vem..então a aceitação abre espaço, e espaço é a transcendência do condicionamento, é a transcendência do passado, a transcendência da personalidade, da persona,  é liberdade... essa é a prática, e a melhor maneira de praticar isso é com seus pais
Há muitos outras situações onde você pode praticar, mas o grau máximo de mestria você atingirá quando conseguir praticar com seus pais. É a graduação, é o Phd em Presença (risos)
Não vá muito fundo nisso a ponto de, de repente, dizer
“ok, vou passar uma semana com meus pais...”, não isso é demais (risos). Comece com doses homeopáticas, como aparecer para um café, isso é o que eles gostam de fazer, pelo menos minha mãe gostava. Vá para um café, e se coloque em frente a eles, não sei como na pratica isso poderia ser, e se dê uma hora de prática. Uma hora. Esteja presente por uma hora (risos), e essa é sua prática espiritual, como você deve ter lido no livro. Se você acha que isso vai  iluminar você, passe duas semanas com seus pais, duas semanas, o teste final...
Então, boa prática (risos)
Namastê
Obrigado