sábado, 30 de outubro de 2010

A Morte como conselheira

A morte é a única coisa que modera os nossos espíritos.
Por mais que fujamos do assunto, a morte é um tema central das tradições autênticas do trabalho interior, como a dos videntes toltecas do Antigo México a exemplo das outras tradições antigas genuínas como o budismo, cristianismo, islamismo, hinduismo, o judaísmo, o taoísmo, a egípcia, etc..
Aparentemente diferentes na forma exterior e ritos, para o observador atento, todas essas tradições revelam porém um eixo comum de pressupostos, conceitos e portanto da própria essência de que ele é formado. A idéia da morte sempre está presente no eixo do conceito das tradições de busca interior.
Qual será a razão? Porque uma idéia tão negativa, desconfortante e desafiadora para nós, é acatada por todas as tradições como tão importante? Mesmo a tradição cristã tinha um ritual chamado A Boa Morte, simulando concretamente o bardo da passagem de um estado para outro, como faz a Maçonaria e outras tradições, mas logo se apressaram a excluí-lo das práticas cristãs nas igrejas. É muito mais confortável violão na Missa. Muito mais maneiro, mais políticamente correto. Morte está fora de moda...
Uma perda, meus caros. Uma perda...
A visão tolteca da morte apresentada por Don Juan na obra de Castaneda, porém, dá indícios dessa importância e acrescenta pontos inesperados de compreensão a partir da nossa mente habitual.
Como aprendizes desta tradição, somos desafiados a não só encará-la de frente sem medos nem escapes mas, o que é mais desconcertante, devemos nos aproximar da Morte como uma amiga e conselheira!
Para um ocidental, que desconhece a impermanência das coisas, criado numa paisagem que valoriza o sucesso, a propriedade, o ter ao invés de ser, a idéia é inaceitável. É a antítese da vida. O avesso do avesso como diz o Caetano.  O ocidental, porém, não percebe que esses valores comuns e corriqueiros reforçam a idéia de que eu sou imortal, de que a morte é sempre a dos outros e não a minha. No máximo ela me incomoda mais de perto quando leva um amigo, um parente próximo, mas em seguida estamos refeitos. Basta umas boas férias. E como "imortais que somos", nunca estamos preparados para o espetáculo da nossa morte individual, específica, pessoal como no Bardo Thodol, o livro da morte tibetano. Porque "imortal não tem que se preparar para nada, ora"...  Nem aprendemos o que fazer nessa hora da passagem. Muito menos durante e depois.
Para o aprendiz tolteca, rompida essa barreira pela aproximação voluntária com a morte, somos instigados depois a usá-la consistente e disciplinadamente como instrumento crucial de despojamento rotineiro do ego e de desapego dos valores socialmente aprendidos. Só então poderemos abrir uma brecha na nossa estrutura cristalizada de hábitos, história pessoal e auto-importância de seres comuns. Isso é essencial para o aprendizado da liberdade.
É um desafio monumental.
Os 12 livros que compõem a obra de Castaneda, mais os três outros dos seus seguidores definem os contornos do conceito da morte na visão tolteca e fornecem visões sugestivas, contam fatos e feitos dos guerreiros, e nos jogam no meio de uma fogueira de idéias inesperadas e instigantes.
Castaneda disse uma vez a através de Armando Torres, índio descendente dos toltecas, bruxo e escritor, que a árvore da qual será construído o nosso caixão, provavelmente já foi cortada...já pensou nisso?
Don Juan dizia a Castaneda que não há poder que garanta que você vai viver mais um minuto. E que a sua morte individual está do seu lado esquerdo à distância de um braço. Aprenda a conversar com ela. Peça conselhos nas horas difíceis.
Na melhor das hipóteses, temos pouco tempo...então o que fazemos?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Mestria da Consciência

No esquema de ensino dos toltecas do Antigo México, o qual foi desenvolvido por homens de conhecimento, ou feiticeiros, em tempos antigos, havia duas categorias de instrução. Uma era chamada "ensinamentos para o lado direito", desenvolvida no estado normal de consciência. A outra era chamada "ensinamentos para o lado esquerdo" , posta em prática apenas em estados de consciência intensificada obtidos a partir de instruções disciplinadas e severas..
Essas duas categorias permitiam que os instrutores ensinassem a seus aprendizes em três áreas de habilidades: a mestria da consciência, a arte da espreita e a mestria do intento.
    Essas três áreas de habilidade, são os três enigmas que os feiticeiros encontram em sua busca ao conhecimento.
•    A mestria da consciência é o enigma da mente a perplexidade que os feiticeiros experimentam quando reconhecem o espantoso mistério e propósito da consciência e da percepção.
•    A arte da espreita é o enigma do coração o desconcerto que os feiticeiros sentem ao se tornarem conscientes de duas coisas: primeiro, que o mundo parece para nós inalteravelmente objetivo e factual, por causa das peculiaridades de nossa consciência e percepção, e segundo, que se diferentes peculiaridades de percepção entram em jogo, as próprias coisas do mundo que parecem tão inalteravelmente objetivas e factuais mudam.
•    A mestria do intento é o enigma do espírito, ou o paradoxo do abstrato - os pensamentos e ações dos feiticeiros projetados além de nossa condição humana.

A instrução de Don Juan, nagual tolteca, quanto à arte da espreita e à mestria do intento dependia de sua instrução sobre a Mestria da Consciência, que era a pedra fundamental de seus ensinamentos, que consistem das seguintes premissas básicas:
1.    O universo é uma aglomeração infinita de campos de energia, semelhantes a filamentos de luz
2.    Esses campos de energia, chamados de "emanações da Águia" , radiam de uma fonte de proporções inconcebíveis, denominada Águia, ou O Mar Escuro da Consciência. É uma metáfora para exprimir o mistério do Ser, da Vida, da Consciência.
3.    Os seres humanos também são compostos de um número incalculável dos mesmos campos de energia filamentosos. Essas emanações da Águia formam uma aglomeração encapsulada que se manifesta como uma bola de luz do tamanho do corpo da pessoa com os braços estendidos lateralmente, como um ovo luminoso gigante
4.    Apenas um grupo muito pequeno de campos de energia no interior dessa bola luminosa são acesos por um ponto de intenso brilho localizado na superfície da bola
5.    A percepção como a conhecemos, ocorre quando os campos de energia desse pequeno grupo imediatamente ao redor do ponto de brilho estendem sua luz para iluminar campos de energia idênticos no exterior da bola. Uma vez que os únicos campos de energia perceptíveis são aqueles iluminados pelo ponto brilhante, esse ponto é chamado "o ponto onde a percepção é aglutinada" , ou simplesmente "o ponto de aglutinação" (em espanhol foi melhor traduzida por punto de encaje - ponto de encaixe)
6.    O ponto de aglutinação pode ser movido de sua posição usual sobre a superfície da bola luminosa para outra posição na superfície ou no interior. Uma vez que o brilho do ponto de aglutinação pode iluminar qualquer campo de energia com o qual entrar em contato, quando se move para uma nova posição ilumina de imediato novos campos de energia, tornando-os perceptíveis. Esta percepção é conhecida como “ver”, que é a visão dos videntes, ou seja, “aqueles que vêem a energia diretamente como ela flui no universo”, sem o aparato da “percepção já interpretada” ensinado pelo consenso social dos adultos, a nós quando crianças.desde o berço.
7. Quando o ponto de aglutinação se desloca, torna possível a percepção de um mundo inteiramente diferente – tão objetivo e factual como aquele que normalmente percebemos. Os homens de conhecimento entram nesse outro mundo para obter energia, poder, soluções para problemas gerais e particulares, ou para encarar o inimaginável
8.    O Intento, outra energia consciente formidável do Universo, (mal traduzido por intenção), é a força que nos faz perceber. Não nos tornamos conscientes porque percebemos, antes, percebemos como resultado da pressão e intrusão do intento
9. O objetivo dos homens de conhecimento é atingir um estado de consciência total de modo a experimentar todas as possibilidades de percepção disponíveis ao homem. Esse estado de consciência implica mesmo uma maneira alternativa de morrer, diferente dessa comum que conhecemos. Isso foi assim não só com os Toltecas, mas com os Egípcios, os Maias e muitas outras tradições.

Adaptado de O Poder do Silêncio, Carlos Castaneda

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fikar - O vai e vem da respiração

A atenção à sensação do corpo, à respiração, e mais o silêncio do mental são os três pilares da evolução interior, mobilizados pelo propósito do buscador. Esses três centros alinhados no Agora, o corpo, a emoção e a mente, são a pílula de que falam as as tradições autênticas para se atingir a liberdade.
 Conta-se, porém, que Buda iluminou-se com uma única e persistente técnica, a atenção na respiração, pois a respiração consciente traz para dentro de nós o Prana, ou Chi, ou a energia vital, enfim a Vida.
Para os que já se cansaram do vôo rasante atrás de tudo o que é fórmula para trabalhar interiormente aí vai:
A respiração é um vai-e-vem. Um balanço. Tudo o que você colocar nele vai embalar junto. Na tradição sufi persa isso chamava-se Fikar.
  •  Fikar não é uma prática de respiração. Não é necessário respirar de uma certa forma, diferente da respiração normal.
  • Fikar é tornar-se consciente do movimento natural da respiração. Isso é tudo.
  • Você pode também, visualizando a respiração como um balanço, colocar neste balanço um determinado pensamento, como um bebê num berço, e balançá-lo.
  • O balançar é uma atividade intencional por parte da pessoa que balança o berço.
  • No Fikar nenhum esforço deve ser feito para alterar ou regular o ritmo da respiração; a respiração deve ser abandonada ao seu ritmo normal, fluindo.
  • A respiração é rítmica por natureza e é a causa de o homem distinguir o ritmo fora dele.
  • O que é importante no Fikar não é o ritmo, mas a concentração sem esforço, sem apego, sem stress.
  • Fikar vai dar vida ao pensamento que é repetido e embalado com a respiração.
  • Do ritmo da respiração dependem a circulação sanguínea e a pulsação do coração e cabeça, o que significa que todo o mecanismo do corpo, inclusive a mente, é dirigido pelo ritmo da respiração. De novo, respiração é vida.
  • Quando um pensamento é anexado à respiração através da concentração, o efeito daquele pensamento alcança cada átomo da sua mente e corpo e corre com a circulação sanguínea através de cada veia e “é expandida para cada faceta da mente”.
  • Por isso o resultado do Fikar é a ressonância do mesmo pensamento expressando-se através do pensar, falar e agir da pessoa.
  • Com o tempo, o pensamento que se mantém no Fikar torna-se a realidade do seu Eu, do seu Si Mesmo, ou Self.
  • No Fikar, aquele que contempla O Ser Divino, com o passar do tempo chegará ao estado em que seu Eu se torna uno com  Ele. O Hinduismo chama esse estado abençoado de Ananda, ou Beatitude...

Esse texto foi traduzido e adaptado de: Hazrat Inayat Khan, The Sufi Message, Pasi Anfas – Gatha II – Fikar

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os selvagens "primitivos"

* Black Elk (Alce Negro), chefe e xamã dos Oglala-Sioux, falando sobre a Paz:

- A primeira paz é a mais importante, é a que vem dentro das almas das pessoas quando percebem seu relacionamento, sua unidade com o universo e todos os seus poderes, e quando percebem que no centro do universo reside Wakan  Tanka, O Grande Espírito, e que este centro está realmente em toda parte, ele está dentro de cada um de nós. Esta é a verdadeira paz, e as outras são apenas reflexos desta.
A segunda paz é aquela que é feita entre dois indivíduos.
A terceira é a que é feita entre duas nações. Mas, acima de tudo, o que você deve compreender é que não pode haver paz entre as nações até que se saiba que a verdadeira paz é a que, como afirmei, muitas vezes, está dentro da alma dos homens.


* Chefe Seattle, falando sobre a mãe Terra
(Trechos da carta-resposta ao Presidente dos EUA , que fez uma oferta para comprar uma grande área de território indígena e prometeu uma reserva para os índios, nunca dada

- Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós.
Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los?
Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês também brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.
É o final da vida e o início da sobrevivência.

    * Kondiaronk, chefe Huron, pacificador, falando ao francês Barão de Lahontan sobre a Liberdade

- Na verdade meu irmão, sinto pena de você do fundo de minha alma. Ouça o meu conselho e torne-se um Huron. Pois vejo uma enorme diferença entre sua condição e a minha. Eu sou senhor do meu próprio corpo, disponho absolutamente de mim mesmo, faço o que eu quero, sou o conjunto da minha nação, não temo nenhum homem e só dependo do Grande Espírito. Enquanto que o seu corpo, como a sua alma, está condenado à dependência dos seus superiores, às ordens do vice-rei. Você não tem a liberdade de fazer o que pensa, tem medo de ladrões, assassinos, falsas testemunhas, etc., e depende de uma infinidade de pessoas que estão acima de você.

A Paz, O Meio Ambiente, a Liberdade, três valores cruciais do ser humano atualmente, foram ensinados há muitas décadas pelos selvagens "primitivos", aos americanos e europeus povos altamente "civilizados" da época. Essas culturas com seus conceitos vazios e arrogantes ajudaram a transformar o mundo nessa geléia ambígua, cínica, mentirosa e mesquinha que está aí.
Como profetizou o Chefe Seattle, já estamos sendo sufocados pelos nossos dejetos. Não só físicos como culturais e espirituais. Black Elk disse também: - O Touro Sagrado atualmente perdeu as quatro patas e todos os pelos. Referia-se às quatro eras do ciclo do Kali Yuga do qual estamos na última, a Era do Ferro. Os pelos são os anos que se passaram desde o início das eras.
É curioso isso: mesmo sem ter telefone, tv ou internet, eles sabiam a mesma coisa que os hindus e outras tradições já sabiam há milênios do outro lado do globo. Como?
- Mistééério.

sábado, 23 de outubro de 2010

O Diálogo Interno

Os temas O Diálogo Interno e o Silêncio Interior estão estreitamente relacionados: um é a antítese do outro, como qualquer praticante sério e dedicado já deve ter experimentado.
Todas as tradições autênticas admitem os dois temas como centrais no seu ensinamento, pois a supressão deste diálogo automático que se passa na mente humana para se obter o silêncio interior, é a condição sine qua non para o Ser Humano atingir a libertação do seu estado de mecanicidade.

O Quarto Caminho de Gurdjieff  é um dos que trabalha o tema exaustivamente nas práticas na calma, ou também chamada de meditação, ou contemplação. Outro é o caminho dos videntes toltecas. Videntes porque eles aprendiam a “ver” diretamente a energia fluindo no universo, sem a barreira da interpretação.
Obtido o Silêncio Interior, o próximo passo é o Conhecimento Silencioso, estado em que o conhecimento acumulado disponível no mundo desde sempre, pode ser acessado diretamente sem passar pelo mental. Cogita-se que foi assim que conhecimentos complexos e metafísicos como o mapa dos meridianos de Acupuntura, os chakras, sua localização e cores, o mapa do corpo energético, visões do futuro e passado da humanidade foram sendo conhecidos. E é assim que um verdadeiro xamã acessa os conhecimentos de medicina e cura. Não há possibilidade estatística de esse conhecimento ter sido adquirido aleatoriamente, por tentativa e erro como a ciência ocidental insiste em afirmar. É como amarrar um chimpanzé num piano e deixá-lo brincar com as teclas até que aleatoriamente ele consiga tirar a Quinta Sinfonia de Beethoven. Never. A probabilidade é zero, mesmo em milhões de anos!

Castaneda disse no seu incrível livro ‘Porta para o Infinito’ :

“- No princípio de nossa ligação, Don Juan esboçara outra técnica para parar o diálogo interno: caminhar percorrendo longos trechos sem focalizar os olhos em coisa alguma.
Ele recomendara que eu não olhasse para nada diretamente, mas que, envesgando ligeiramente, eu tivesse uma visão periférica de tudo o que se apresentasse à vista. Ele insistira em dizer, embora na ocasião eu não o entendesse, que, se a pessoa conservasse os olhos não focalizados num ponto logo acima do horizonte, seria possível observar, de uma só vez, tudo no campo de visão de quase 180 graus diante de seus olhos.
Ele me assegurara que esse exercício era o único meio de impedir o diálogo interno. Ele costumava indagar a respeito de meu progresso e depois parou de falar nisso.
Eu disse a Don Juan que praticara a técnica durante anos, sem observar qualquer modificação, mas também não esperava modificação alguma. Um dia, porém, verifiquei, aturdido, que acabava de andar durante 10 minutos, sem ter dito uma palavra a mim mesmo.
Contei a Don Juan que naquela ocasião eu também tive a noção de que parar o diálogo interno implicava algo mais do que simplesmente cancelar as palavras que eu me dizia. Todo o meu processo de pensar havia parado e eu me sentira praticamente suspenso, flutuando. Essa noção me provocara uma sensação de pânico e tive de recomeçar meu diálogo interno, como antídoto.
"- Já lhe disse que o diálogo interno é o que nos prende à Terra - disse Don Juan. - O mundo é isso e aquilo somente porque falamos conosco dizendo que ele é isso e aquilo.
Don Juan explicou que a passagem para o mundo dos feiticeiros se abre depois que o guerreiro aprende a parar o diálogo interno.
- Modificar nossa concepção do mundo é o ponto nevrálgico da feitiçaria - disse ele. - E parar o diálogo interno é o único meio de conseguir isso. O resto é só enchimento. Agora você está em condições de saber que nada do que você viu ou fez, com a exceção de ter parado o diálogo interno, poderia só por si ter modificado alguma coisa em você, ou em sua concepção do mundo.”

Nossos 4 inimigos

- Um homem de conhecimento é aquele que seguiu honestamente as dificuldades da aprendizagem, disse Don Juan a Castaneda.  Sem se precipitar nem hesitar, foi tão longe quanto pôde para desvendar os segredos do Poder e da Sabedoria.
Mas para isso desafiou e venceu seus quatro formidáveis inimigos naturais, com muita luta, e sem prever o resultado.
- No início, ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca virão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem.
Devagar, ele começa a aprender... pouco a pouco, e depois mais. Logo vem a dúvida. O que aprende nunca é o que ele imaginava. E ele começa a ter medo. O aprender é inesperado. Cada passo é uma nova tarefa, e o medo começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu objetivo torna-se um campo de batalha.
É o seu primeiro inimigo natural: o Medo! Terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Se esconde em cada curva do caminho, rondando, na moita. E se o homem, apavorado foge, ele vence.
Se ele fugir com medo, nada lhe acontece, a não ser que nunca se tornará um homem de conhecimento. Talvez se torne um tirano, ou um pobre homem medroso, inofensivo; de qualquer forma, será um homem vencido.
Para vencer o medo ele não deve fugir. Deve desafiar o medo e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte.  Só para frente. Deve ter medo, sim. Ninguém é de ferro. No entanto não deve parar. Essa é a regra! E uma certa hora seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural. Acontece aos poucos e no entanto o medo é vencido de repente e depressa.
Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los.
Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada fica oculto. E assim ele encontra seu segundo inimigo: a Clareza! Essa lucidez, tão difícil, elimina o medo, mas também cega.
Ela induz o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro, e não para diante de nada porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, sucumbiu a seu segundo inimigo e vai vacilar com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. Até ser incapaz de aprender mais qualquer coisa.
Seu inimigo acaba de impedi-lo de se tornar um homem de conhecimento; em vez disso, o homem pode tornar-se um guerreiro valente, ou um palhaço. Mas a clareza nunca mais se transformará de novo em trevas ou medo. Será claro enquanto viver, mas não aprenderá nem desejará nada.
Ele tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim vencerá seu segundo inimigo. Será o verdadeiro poder.
Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, finalmente. Pode fazer o que quiser com ele. Seu desejo é a ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontrou seu terceiro inimigo: o Poder! O mais forte de todos os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor.
Ele quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso.
Ele nunca perderá sua clareza nem seu poder, mas morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar seu poder.
A derrota por algum desses inimigos é uma derrota final. Uma vez que o homem cede, está liquidado.
Se ele porém estiver temporariamente cego pelo poder, e depois o recusar, significa que ele ainda está tentando ser um homem de conhecimento. O indivíduo só é derrotado quando não tenta mais e se abandona.
E para vencer, também tem de desafiá-lo. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, saberá quando e como usar seu poder. E assim vencerá seu terceiro inimigo.
O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a Velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar.
É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito... um momento em que todo seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder a seu desejo perderá o último round, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria.
Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um Homem de Conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eros e Psique



Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.


Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.


A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.


Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.


Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.


E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,


E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa

Que obra de arte sagrada deste Poeta do Espírito, um iniciado, finíssimo mestre.
Don Juan, o velho nagual tolteca, dizia que os poetas são profundamente conscientes de nosso elo de ligação com o Espírito, mas que essa consciência é intuitiva, não do modo deliberado e pragmático dos homens de conhecimento.
- Os poetas não têm conhecimento de primeira mão do Espírito - dizia. - É por isso que seus poemas não podem realmente atingir o centro dos verdadeiros gestos para o Espírito. No entanto, atingem muito perto dele.
Na busca que esse poema apresenta, a alma não se mostra. A nossa ligação com ela existe, está construída,  mas não há o contato, que só começa a acontecer quando o infante, lutando, supera a dualidade Bem-Mal. Então se liberta e começa acertar o caminho da estrada.
A alma dorme no corpo, mas na cabeça, na mente há um lembrete, uma coroa viva, real, a hera.
E os dois personagens, o príncipe - que é cada um de nós - e a sua alma, cumprem o Destino porque o Mais Alto construiu a estrada para que se encontrem. O resto, a luta, fica por conta deles. Como diz um ditado da tradição mágica, quando alguém procura a verdade embaixo, ela em cima também o procura com a mesma vontade e disposição.
Então, apesar de tudo ser falso e difícil no caminho , o Infante chega. A mão da ação se ergue à cabeça e encontra a hera, o lembrete deixado na mente.
E ele finalmente vê que o que procurava fora, no mundo, não só estava dentro dele, mas era ele mesmo. Todo o tempo. E finalmente se juntam.

Como diz o Osvaldo meu mineiro amigo, irmão de sangue: - Êh Pessoa, danadibom!

domingo, 17 de outubro de 2010

A Pressa

  - Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!
- Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
Os poetas tocam o espírito. A letra de Sinal Fechado, do Paulinho da Viola é um aperto no peito. Uma angústia do fundo da alma. Por que eu sou assim? Eu só ando a cem. E cada vez piora mais...
Mas eu não sou assim. Eu estou assim, nessa espiral infernal do Kali Yuga.
O Bob Herbert do New York Times diz: Temos celulares, Blackberrys, Kindles, iPads e mandamos emails, batendo papo e twitando, tudo ao mesmo tempo. Às vezes com o laptop no console do carro para ver vídeo dirigindo. Por que é considerado um talento essa droga de ser multifuncional e hiperativo? Culpa da tecnologia, certo? Errado. Culpa do piloto automático em que estamos aprisionados, e aceitamos. É um estado de vulnerabilidade inato que herdamos.
Para mudar, eu tenho primeiro que ver a coisa. Mas como eu constato a cena?
Eu paro. Olho para dentro. Consulto o meu corpo, a sensação. Não importa o porquê da pressa. Só importa que ela está aí. Não tenho hora marcada, e mesmo que tivesse...tá desproporcional essa coisa. Onde é que o bicho pega?
Onde é?
É no plexo e na garganta...e vou indo, mais fundo. Não vejo nenhum motivo aparente: ora, sou saudável, executivo bem sucedido, apê de cobertura, tô até namorando uma gatinha, e...essa pressa infernal... pô!

O que eu faço?
Tenho que sair dessa vida. Preciso de um mínimo de recolhimento. O problema é meu. 
A receita é meditar. Sento em lótus, ou sentado na posição egípcia, ou seizá, ajoelhado na posição japonesa e vou para dentro de mim. Se não sou, preciso de pelo menos alguns segundo para escanear o mapa da angústia: é mesmo no plexo. Mas não sei de onde vem, nem porque. Nem interessa pesquisar com o mental. Não dá certo. É só sentir... não pensar. Sentir e contemplar. Até baixar o santo. É curioso...Ninguém mais sabe atualmente o que é contemplação...
O segredo? Eu foco a atenção na sensação, constato a dor e formulo a intenção: soltar o apego. E vou soltando...o dia inteiro, a vida inteira. Eu não quero fazer nada. Só olhar a pressa. Só ser.
A pressa é uma mentira. Eu posso fazer as mesmas coisas, até mais rápido, mas com um recuo que sente o corpo, um personagem que vê a situação e como um diretor de cena age um pouquinho atrás da cena que se desenrola. Sem angústia. Tente agora. Depois de uns dias de treino você vê a mentira. Claramente.
A pressa é a forma de o ego mostrar serviço para mim mesmo. Eu me vejo esperto, responsável, ativo...um espanto. E ela conta com a ajuda dessa disfunção do tempo atual do Kali Yuga. Quem já leu sobre a Ressonância Schumann sabe de que se trata...
Na Surya yoga, ou Sun Gazing, você olha para o sol e aprende a agir como ele: não age. Sómente É. Sem pressa.E ilumina tudo no em torno dele. Dá vida a tudo o que toca.
Deus deve ser exatamente assim. - Eu sou aquele que É , disse um dos filhos dele... Lembrou?
Eu sabia que você ia lembrar...

sábado, 16 de outubro de 2010

Ho' oponopono

Dr. Ilehakala Lew Len
Há dois anos, ouvi falar de um terapeuta, no Havaí, que curou um pavilhão inteiro de pacientes criminosos mentalmente doentes sem sequer ver nenhum deles.O psicólogo estudava a ficha do preso e, em seguida, olhava para dentro de si mesmo, a fim de ver como ele havia criado a enfermidade dessa pessoa. À medida que ele, terapeuta, melhorava, o paciente também melhorava.

A primeira vez em que ouvi essa história, pensei tratar-se de uma lenda urbana. Como podia alguém curar  outra pessoa, somente através de curar-se a si mesmo? Como podia, ainda que fosse o mestre de maior poder de auto-cura, curar alguém criminalmente insano? Não tinha sentido algum, não era lógico, de modo que descartei essa história.
Entretanto, escutei-a novamente, um ano depois. Soube que o terapeuta havia usado um processo de cura havaiano chamado Ho’oponopono. Nunca ouvira falar dele, no entanto, não conseguia tirá-lo de minha mente. Se a história era realmente verdadeira, eu tinha que saber mais...
Sempre soubera que total responsabilidade significava que eu sou responsável pelo que penso e faço! O que estiver além está fora de minhas mãos!
Acho que a maior parte das pessoas pensa o mesmo sobre a responsabilidade. Somos responsáveis pelo que fazemos e não pelo que os outros fazem. Mas isso é um conceito ultrapassado...
O terapeuta havaiano que curou essas pessoas mentalmente enfermas, me ensinaria uma nova perspectiva avançada sobre o que é a total responsabilidade. Seu nome é Doutor Ihaleakala Hew Len. Passamos, provavelmente, uma hora conversando em nossa primeira conversa telefônica.
Pedi-lhe que me contasse toda a história de seu trabalho como terapeuta.
Ele explicou-me que havia trabalhado no Hospital estatal do Havaí durante quatro anos. O pavilhão onde encerravam os loucos criminais era perigoso.
Em  geral, os psicólogos se demitiam após um mês de trabalho ali. A maior parte do pessoal do hospital ficava doente ou se demitia. As pessoas que passavam por aquele pavilhão simplesmente caminhavam com as costas coladas à parede, com medo de serem atacadas pelos pacientes. Não era um lugar bom para viver, nem para trabalhar, nem para se visitar...
Dr. Len me disse que nunca viu os pacientes. Assinou um acordo para ter uma sala no hospital e revisar os prontuários médicos. Enquanto lia os prontuários, ele trabalhava sobre si mesmo. Enquanto trabalhava sobre si mesmo, os pacientes começaram a se curar!
- Depois de poucos meses, os pacientes que estavam lá receberam a permissão para caminharem livremente, me disse. Outros que tinham que ficar fortemente medicados começaram a ter sua medicação reduzida. E aqueles que não tinham jamais qualquer possibilidade de serem liberados, receberam alta.
Eu estava assombrado.
- E não foi somente isso, continuou, até os funcionários começaram a gostar de ir trabalhar. As faltas e as mudanças de pessoal desapareceram. Terminamos com mais pessoal do que necessitávamos, porque os pacientes eram liberados e todos os funcionários vinham trabalhar. Hoje, aquele pavilhão está fechado.
Foi nesse momento que eu tive de fazer a ‘pergunta de um milhão de dólares’:
-O que foi que o senhor fez a si mesmo para ocasionar tal mudança nessas pessoas?
“- Eu simplesmente estava curando aquela parte de mim que os havia criado, disse ele.
Não entendi. O Dr. Len explicou-me, então, que entendia que a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser, por esta razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é nossa criação!
Isto significa que a atividade terrorista, o presidente, a economia ou qualquer coisa que você experimenta e de que não gosta, ali está para que você a cure.
O problema não está neles, está em você! Para mudá-lo, você é quem tem de mudar
.
Colocar a culpa em outra pessoa é muito mais fácil que assumir a total responsabilidade. Hooponopono significa: amar-se a si mesmo!
Se você deseja melhorar a sua vida, você deve curar a sua vida. Se você deseja curar alguém, mesmo um criminoso mentalmente doente, você o faz curando a si mesmo.
Perguntei ao Dr. Len como ele curava a si mesmo. Ou seja, o que era, exatamente, que ele fazia, quando olhava os prontuários dos pacientes.
- Eu simplesmente permanecia dizendo sinto muito e eu amo você!, uma vez após outra, explicou-me.
-Só isso?
- Só! Acontece que amar-se a si mesmo á a melhor forma de melhorar a si mesmo e, à medida que você melhora a si mesmo, melhora o seu mundo.

Traduzido e adaptado de artigo de JOE VITALE

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O segredo da vida equilibrada

O grande mestre Yogananda, tem uma passagem deliciosamente tocante em sua juventude, quando era discípulo de Sri Yuktéswar, e entrou para meditar na sala de meditação. O mestre o chamou. Três vezes.
- Ele não deveria me perturbar quando sabe o motivo de minha vinda a esta sala. Pensou.
 - Senhor, estou meditando - gritou, em protesto.
- Sei como está meditando - disse o guru, em voz alta, - Com sua mente dispersa como folhas numa tempestade! Venha cá.
Contrariado e desmascarado, ele foi.
 O mestre tocou seu peito levemente, acima do coração e ele foi para uma outra dimensão.
Seu corpo tornou-se imóvel como se tivesse raízes; o alento saiu dos pulmões como se um imã enorme o extraísse. Instantaneamente o espírito e a mente romperam com sua escravidão ao físico e jorraram de cada um de seus poros como luz perfurante e fluida. A carne parecia morta e, contudo, em sua intensa lucidez, ele percebia que nunca antes estivera tão plenamente vivo. Seu senso de identidade já não se achava confinado à estreiteza de um corpo, mas abarcava os átomos circundantes. Pessoas em ruas distantes pareciam mover-se suavemente em sua periferia. Raízes de plantas e árvores eram percebidas através de uma tênue transparência do solo; e ele distinguia a interna circulação da seiva.
A vizinhança inteira surgia desnuda. A visão frontal comum havia se transformado em vasto olhar esférico, que percebia tudo simultaneamente. Através da nuca viu homens caminhando além da distante viela de Rai Ghat e também notou uma vaca branca aproximando-se preguiçosamente. Quando ela chegou à porta aberta do áshram, observou-a como se o fizesse com os dois olhos físicos. Depois que passou para trás do muro de tijolos do pátio, continuou a vê-la, claramente.
Todos os objetos dentro de seu olhar panorâmico tremiam e vibravam como rápidos filmes cinematográficos. Seu corpo, o corpo de seu Mestre, o pátio com suas colunas, a mobília, o assoalho, as árvores e a luz do sol, tornavam-se, de vez em quanto, violentamente agitados até que tudo se fundia num mar luminescente, assim como os cristais de açúcar, mergulhados num copo de água, diluem-se depois de serem sacudidos. A luz unificadora alternava-se com materializações de forma e as metamorfoses revelavam a lei de causa e efeito na criação.
Uma alegria oceânica rebentava nas praias serenamente intermináveis de sua alma. Atingiu a realização de que o Espírito de Deus é Beatitude inesgotável; Seu corpo compreende incontáveis tecidos de luz. Um sentimento de glória crescente dentro dele começou a envolver cidades, continentes, o planeta, os sistemas solares e as constelações, as tênues nebulosas e os universos flutuantes. O cosmo inteiro, suavemente luminoso, semelhante a uma cidade vista de alguma distância à noite, cintilava dentro da infinidade de seu ser, Para além de seus contornos definidos, a luz ofuscante empalidecia ligeiramente nos confins mais longínquos; ali ele via uma radiação branda, nunca diminuía. Era indescritivelmente sutil; as figuras dos planetas constituíam-se de uma luz mais densa.
Os raios luminosos dispersavam-se oriundos de uma Fonte Perpétua, resplandecendo em galáxias, transfiguradas com auras inefáveis, Viu, repetidas vezes, os fachos criadores condensarem-se em constelações e depois dissolverem-se em lençóis de transparente chama. Por reversão rítmica, sextilhões de mundos transformavam-se em brilho diáfano e, em seguida, o fogo se convertia em firmamento. Conheceu o centro do empíreo como um ponto de percepção intuitiva em seu coração. Esplendor irradiante partia de seu núcleo para cada parte da estrutura universal. O beatífico amrita, néctar da imortalidade, corria através dele, com fluidez de mercúrio. Ouviu ressoar a voz criadora de Deus, AUM (OM), a vibração do Motor Cósmico.
De súbito, a respiração voltou aos seus pulmões. Com desapontamento quase insuportável, constatou que havia perdido a infinita vastidão. Mais uma vez limitava-se à jaula humilhante do corpo, tão desconfortável para o Espírito. Como filho pródigo, fugira de seu lar macro-cósmico e se encarcerara em um estreito microcosmo.
O guru continuava de pé, imóvel diante dele; Yogananda inclinou-se, no intento de se prostrar a seus santos pés em gratidão por lhe haver concedido a experiência da Consciência Cósmica que tão apaixonadamente ele buscara. Mas ele o impediu e, retendo-o de pé, disse com tranqüilidade:
 - Você não deve se embriagar com o êxtase. Muito trabalho ainda resta para você fazer no mundo. Venha, vamos varrer o chão da sacada, e depois caminharemos ao longo do Ganges.
Ele foi buscar a vassoura; o Mestre, ele sabia, estava lhe ensinando o segredo da vida equilibrada: a alma deve alargar-se sobre os abismos cosmogônicos, enquanto o corpo executa seus deveres diários.

Extraído traduzido e adaptado de YOGANANDA, Autobiografia de um Yogui Contemporâneo

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu e Deus

♫ Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós,
Tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz,
Tenho que encontrar a paz, tenho que folgar os nós,
Dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios,
Tenho que esquecer a data, tenho que perder a conta,
Tenho que ter mãos vazias, ter a alma e o corpo nus.

 Dizem que não se encontra Deus com a razão. Só com a alma e o corpo nus. Sem apego. Sem fazer.  Sem pensar. Só contemplar...
Se você não acreditar em Deus, não importa o nome, pode ser a Força, o Mais Alto, o Espírito, o Conhecimento, o Que For. Ele nem liga...
Tem muitas formas de encontrá-Lo, mas em todas, como diz o Gil na música, nada, nada, do que eu pensava encontrar. O Budismo Zen conta a história da xícara de chá que, como a mente, tem que ficar vazia senão não entra nada, não desce a Graça como diriam os cristãos. O Cristianismo esotérico monástico, não esse da missa das 10, fala na Nuvem do Não Saber, uma jóia rara escondida atrás da linguagem devocional da época. Os toltecas, via Don Juan e Castaneda, falam do Não Fazer, uma cambalhota inesperada no nosso mental. As escrituras falam de renascer da água e do espírito. Ou de atravessar o deserto para poder receber o Maná. E vai por aí afora em todas as tradições. Não tem nenhuma que mande você estudar, ler livros, se concentrar, doutorado, MBA, essas coisas...
Como você vê, além do Gil, que é poeta e por isso toca o Invisível, o Espírito, todos os caminhos de busca do Ser falam disso. Então aí tem coisa. Pode crer.
Mas como eu faço isso? De fato, no meu dia a dia?
Como parece que você está com pressa, o Tao diz: não há necessidade de  pressa porque a eternidade está disponível para você. Plante no tempo certo e quando a primavera vier, e ela sempre vem, as flores aparecerão. Se você aceita esperar, a Iluminação pode acontecer instantaneamente Se pedir pode ser que nunca aconteça.
Posto isso, eu devo firmar um propósito de esvaziar o mental e fazer tudo, até dormir, junto com isso. Acordo, almoço e janto com isso. Até namoro com isso. Esvazio a xícara! A toda hora. Sistematicamente.
Depois desestruturo tudo o que é velho. Desestruturar, sim. Você está contente do jeito que é? Quebre as rotinas. É um grande barato. O corpo adora.
Nesse ponto a ciência neurobiológica redescobriu o que a tradição esotérica sempre soube e recomendou: experimente o novo, e obtenha a cumplicidade de todos os sentidos. Varie. Experimente coisas novas:
Coma comidas diferentes. Ou faça um jejum. Tome banho de olhos fechados. Aprenda um novo idioma. Use a outra mão para escovar os dentes, comer, pentear-se, escrever. Vá aos lugares costumeiros por um caminho diferente. Tente aprender símbolos em Braille. Ou fazer contas com um ábaco chinês. Procure conversar com pessoas completamente diferentes de seu meio. 
Uma das técnicas preferidas da tradição indígena mexicana era fazer algo sem buscar recompensa. Só por fazer. É um bom começo.
Os toltecas, homens de conhecimento do Antigo México, via Carlos Castaneda, ensinavam o jeito certo de andar, para entrar num outro estado de atenção: desfocando os olhos, e com a atenção abarcando 180 graus, sentindo o corpo e o mundo, os dedos das mãos trançados, e a mente imaginando e fixando um ponto em algum lugar num arco imaginário que sai da frente dos seus pés e cai na linha do horizonte...

 Demora um pouco, mas o santo baixa...

sábado, 9 de outubro de 2010

Surya Yoga, Sun gazing, Olhar Para o Sol...

É tudo a mesma coisa, ou seja: como fazer para receber e metabolizar a energia solar diretamente no nosso corpo. Sem problemas de pele, raios ultra violeta, e outros fantasmas. Como fizeram até hoje os seguidores na Índia e outras tradições.
Já que a prática dessa yoga é milenar e ocorreu em várias tradições no planeta, como na Índia, China, Américas, Egito há uma diversidade de nomes e roupagens diferentes para a mesma prática mas o conceito é um só: absorver a energia da luz do sol olhando para ele diretamente, nas horas seguras, além de de fazer a mesma coisa indiretamente comendo vegetais, que metabolizaram a energia do sol pela fotossíntese.
As horas seguras para fazer isso são até uma hora depois do nascer do sol, e também a partir de uma hora antes do por do sol.  Só nessas duas horas durante o dia, quando não há praticamente radiação ultra violeta. (índice menor que 2). Este escriba e mais milhares de pessoas hoje no planeta fazem regularmente e não tem problemas, fora um número desconhecido de pessoas que já fizeram desde milhares de anos atrás.
E como se faz para aprender isso? Tem várias formas: você pode ir para a Índia e aprender lá. Na Índia é fácil. Tem guru para qualquer lado que você olhar.De quebra conhece tradições incríveis em meio ao burburinho caótico daquele povo iluminado, simples e pobre. Ou, mais fácil e rápido, entra na mãe-internet digitando surya yoga, ou sun gazing, e conhece o indiano HRM (Hira Ratan Manek), e se enche de informação. A favor e contra. Leva algum tempo, porque tem muita coisa escrita. A outra forma, é falar diretamente com este que vos escreve, acompanhando este blog, tipo consulta gratuita. Se você tem algum problema ocular grave, consulte o mestre. Ele provavelmente vai recomendar o que disse para mim: fazer de início 60 vezes diárias de olhos fechados durante 10 minutos. Depois inicia o protocolo normal da prática.
Mas para aprender de fato tem duas condições sine qua non: só aprender de quem conhece profundamente a prática (e já fez de fato o ciclo todo), e ter persistência. Senão é complicado. Na busca interior e da saúde física o que existe de "não fiz mas ensino", ou "não fiz e não gostei", ou "não fiz e recomendo", é brincadeira...todo mundo é guru. Após festas religiosas do sol e eclipses, os oftalmologistas atendem dezenas de casos de problemas nos olhos, por ignorância ou entusiasmo.

E por que fazer Surya Yoga?
Porque você não terá mais doenças como Adão e Eva no Paraíso. Duvida?. Eu fiz, e sei de que estou falando... mais de 400 dias olhando para o sol, e agora fazendo só manutenção. Aliás as tradições espirituais dizem que na antiga Lemúria, antes da Atlântida (já aceita pela ciência oficial), os seres humanos recebiam a luz do sol como alimento diretamente por uma entrada não óssea, translúcida, na moleira. A tradição cristã diz então que após o pecado original, a mordida da maçã, ou o conhecimento da Árvore do Bem e do Mal, um anjo com uma espada de fogo deu como castigo a sentença obrigando o ser humano a trabalhar para sobreviver. Ai começaram as preocupações diárias com a subsistência, que nos afastaram  do foco da busca interior. Ficou muito mais difícil a volta à casa do Pai. Um complô da divindade que nos obriga a fazer esforços conscientes se quisermos evoluir. Acabou a moleza do piloto automático, como foi até aqui.

Com a prática de olhar para o sol, a energia então entra pelos olhos já que a moleira fechou e ficou dura e opaca. A luz e energia passam então pela retina, glândula pineal, cujas células são muito parecidas segundo a ciência oficial, e ambas são distribuídas para todos os corpos que temos. A tradição fala em 7 corpos. Quem quiser entender porque a pineal está na roda, pode ver o vídeo do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, um psiquiatra brasileiro, mestre em Ciências pela USP e destacado pesquisador na área da Psicobiofísica no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Como muitos cientistas atuais é um caso raro de profissional que tem o pé em duas canoas, a Ciência e O Espírito. Em seu estudo sobre pineal , ele diz: A pineal é um sensor capaz de “ver” o mundo espiritual e de coligá-lo com a estrutura biológica. É uma glândula, portanto, que vive o dualismo espírito-matéria. O cérebro capta o magnetismo externo através da glândula pineal.

E não tem risco de raios ultra-violeta, problemas de pele e visão, muito pelo contrário. É só seguir o protocolo da prática direitinho como milhares de pessoas estão fazendo no mundo todo. O sol é o nosso pai e criador, não pode nos fazer mal. É só não abusar dele.
Por hoje chega. Logo logo tem mais sobre o tema. Não desliguem.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Preocupação


Eu me lembro da primeira vez em que o Dalai Lama veio ao Brasil, uma moça perguntou a ele o que fazer com as preocupações da vida: “- Vocês ocidentais se preocupam muito com as coisas. Primeiro tem que se ocupar com as coisas. Vocês levam a vida muito a sério. A vida é só um palco. Não é para ser levada tão a sério.”
É isso mesmo, uma pré-ocupação. Antes mesmo de se ocupar, você se pré-ocupa, antes da coisa acontecer. Tudo no mental. Quando a ação acontece, você já a esmiuçou pelo avesso, gastando uma energia descomunal. Don Juan, um índio tolteca, definia impecabilidade para Castaneda como gastar o mínimo de energia para fazer e conseguir algo. Às vezes a coisa nem acontece como você planejou, ora essa, acontece até melhor do que você previu, mas a energia já foi gasta com a preocupação...
Você se flagra discutindo com o outro sobre algo que ainda nem aconteceu, porque no seu diabólico diálogo mental já sabe que ele vai encrencar justo ali, naquele ponto importante. Você não abre mão, é óbvio, porque além de ele ser um incapaz, um idiota, é uma questão de princípio, e você que é muito mais competente...  e por aí vai. Um inferno. O inferno chama-se ego e tem endereço conhecido, mora dentro do nosso mental.
Lembrei-me de um dia, numa reunião de um grupo de busca interior em que se falava de auto importância, e um companheiro argentino saiu com uma tirada hilária, desapegada e autocrítica, quando alguém perguntou “O que é o ego?”, ele respondeu no ato, “O ego é aquele argentino que mora dentro de nós”, finíssimo... um buscador que sabia rir de si mesmo, uma raridade.
Mas temos que distinguir as coisas: não há nada contra planejar antecipadamente uma ação na empresa, no seu projeto de vida, casamento, viagem, profissão. Isto deve ser feito sempre. É uma forma válida de organizar o futuro, isto é planejar, visualizar cenários, prever soluções caso isso ou aquilo aconteça ou não. Ótimo, você vai estar um passo à frente, mas sem angústia, sem apego, sem pré-ocupação, sem ego, sem ponte de safena....
Agora, nesse instante, na ação seja ela qual for, a gente deveria estar atento mas relaxado, solto, fluindo, ocupando o seu corpo, sentindo a tensão se houver, sentindo a respiração e de olho no mental, esse macaco louco que puseram dentro da gente. Mesmo numa reunião difícil dá pra fazer isso, é só treino. É fácil? Não. Mas se você praticar vai ser fácil um dia.
O chefe índio Seattle, em sua carta maravilhosa aos invasores americanos, dava uma aula disso, dizia que o índio se esgueirava “pisando no solo da floresta, atento, espreitando, sentindo a Mãe Terra com os pés e, ao mesmo tempo, orando para ela, com respeito e amor.” É disso que estamos falando, de ocupar o corpo com a atenção. Encarnar. Esta sim é a nossa lição de casa. O remédio contra a preocupação é  a meditação, é fazer a mente voltar para casa, o corpo. Curiosamente é a mesma receita para a meditação.

sábado, 2 de outubro de 2010

A cruz

A gente vê a cruz e mecanicamente já a associa ao Cristianismo, à figura de Cristo torturado, e perde a amplitude e profundidade do seu significado oculto, esotérico, que transcende o tempo (essa palavra esotérico está tão avacalhada, não? Uma pena.). Contudo, a cruz estava presente em todas as tradições genuínas de busca interior do planeta, todas. Uma delas é a tradição dos índios Oglala-Sioux americanos, bem como todas as outras tribos que conheciam, respeitavam e utilizavam a cruz em seus rituais tradicionais e mágicos.O símbolo da cruz é anterior a Cristo e se perde nos tempos imemoriais da Humanidade.
Havia uma cerimônia xamânica índia sioux chamada Implorar por uma Visão (cry for a vision). Nela o guerreiro deveria fazer um jejum de três dias para fazer contato com Wakan-Tanka, o grande espírito simbolizado pelo touro, outro símbolo presente na maioria das tradições. O guerreiro ficava nu no alto de uma montanha, ao lado de um mastro, seu eixo vertical, sua coluna, andando de sol a chuva em cima do desenho oculto de uma cruz cardeal no solo, atento à respiração e orando mantras para limpar o diálogo interno do mental, e ... bingo! Tinha uma visão. Então ele via o arco da velha, o impensável, com os olhos de vidente que se abriam para ele. Era a iniciação do xamã.
Os livros Os sete Ritos dos Oglala-Sioux, e Black Elk Speaks (Alce Negro Fala - acho que não existe versão em português) são duas pérolas esquecidas de busca interior, um escrito por Joseph Epes Brown, pesquisador do Smithsonian Institute,  que entrevistou o chefe índio-xamã e homem santo nos seus últimos dias nos anos 40, outro por J. G. Neihardt, escritor. Neles há a cerimônia de iniciação feminina na primeira menstruação, ciclo considerado sagrado, mágico e poderoso, e não impuro e detestado como a TPM hoje.
Os aborígenes americanos cultuavam o símbolo da cruz muitos séculos antes de Cristo e foram massacrados pelos protestantes cristãos em sua própria terra em nome d’Ele porque não eram cristãos, seriam ignorantes, atrasados e não tinham títulos legais das terras.
Os quakers ingleses, acompanhados dos degredados das prisões, que juntos colonizaram os EUA, sequer perceberam que estavam massacrando uma cultura e tradição superior e “mais cristã” que eles...
A cruz é um dos símbolos mais fortes da magia interior porque mostra a encruzilhada presente no fato de a gente ser humano. A vítima, ou seja, aquele que tem de passar por, deve viver o braço horizontal da cruz, o dia a dia da luta pela sobrevivência, da relação com o outro, a sogra, o filho, o chefe, subordinado, credor, devedor, os pequenos tiranos. Ao mesmo tempo, deve viver o braço vertical, o chamado do Espírito, a Escada de Jacó. Este é o significado oculto de ser crucificado, viver os dois chamados ao mesmo tempo, senão não vale, senão uma hora eu medito tranqüilo em posição de lótus e na outra encho de palavrão ou porrada o cara que me fechou no trânsito. Ser crucificado é outra coisa. É administrar mansamente o conflito.
O desenho clássico de Da Vinci de um ser humano com os braços abertos deixa claro que o centro da cruz é o plexo solar, nosso centro emocional e cardíaco. É onde dói.
Se preferir e gostar de Astrologia, a cruz de plantão hoje é o atual Cardinal Climax (veja no Google, mas sem catastrofismo). É a cruz dos signos cardeais que significa o começo tenso de um processo de mudança que vem por aí. Vai doer na humanidade, segundo alguns astrólogos, até o final de 2010. A partir daí começa a produzir os frutos por um longo tempo. Fique atento, “Sempre alerta!”, como dizem os escoteiros, ou “Vigiai e orai” como nas Escrituras...