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domingo, 10 de março de 2013

Que tempo é esse? (1)

As pessoas mais sensíveis estão percebendo  no ar um desconforto emocional diferente da tradicional apreensão pelo futuro, que sempre existiu,  e que sempre sugeriu que o passado era melhor que o presente. Não se trata  de saudosismo dos tempos bons em que “se amarrava cachorro com lingüiça” como diziam os mais velhos, ou do medo alimentado pela indústria do Apocalipse e profecias, turbinada pelo apetite voraz e esperto da mídia em faturar sobre o que o povão quer ouvir. É algo mais perturbador, frio e inexoravelmente real. É algo como "tem algo imprevisível nos bastidores.Que tempo é esse?", e está relacionado concretamente ao aumento exponencial da população, que não comove mais ninguém e suas conseqüências no meio ambiente, água, produção de alimentos, lixos tóxicos que já passaram o ponto de “não volta”. Somado a isso e não menos concreto, a violência, o stress, corrupção desenfreada, o consumismo exacerbado, as guerras, a falta de valores reais de vida, e a desconfiança e descrédito nas pessoas. Afora as previsões e profecias.

Isso sempre existiu, mas temos a impressão desconfortável de que a corda está esticando, esticando...tudo agora é grande, é exponencial, e a gente se pergunta “Qual o desfecho disso? Como conviver com isso mantendo o eixo de busca interior, e de forma saudável?”
A resposta está dentro de cada um de nós, de forma individual e diferente para cada um. Os budistas, como o Dalai Lama, dizem que damos muita importância para o mundo, e que ele é apenas um palco, e não é importante. Dom Juan dizia que o que chamamos de mundo não tem existência transcendental. É uma ilusão. Já os aborígenes australianos diziam que estamos aqui de passagem, para voltar para casa.
Dentro desse panorama exponencial de velocidade e pressa completamente estranho aos ritmos dos seres orgânicos e reafirmando-o, a IBM,  um ícone deste capitalismo que é uma das bases da pressão angustiante sobre os valores que influenciam o ser humano, contribuiu fortemente para esse estado difuso de apreensão que nos atinge a cada dia que passa, através de uma mensagem que enviou aos seus executivos no mundo, amplamente divulgada na Internet. Um tiro pela culatra, pois tentava mudar a visão dos funcionários para se adaptarem a um mundo que muda, mas só conseguiu por lenha na fogueira do desconforto das pessoas.  O conceito está certo, o mundo muda mesmo e os chineses já mostraram isso com a sabedoria do livro I Ching. O que está errado é aceitar dentro de você esse frenesi exponencial como se fosse inevitável, porque os valores por trás dessa coisa externa é que estão errados. Damos muita importância ao mundo atual e seus valores incensados pela humanidade. Deveríamos voltar para a paisagem de simplicidade que cercava a vida de nossos antepassados...
Vejamos os pontos dessa mensagem da IBM:

  • ”Você sabia que os meios de comunicação, a informática e a Internet estão globalizando e mudando nosso mundo? Mas, quanto?
  • Países grandes vêm se tornando cada vez mais importantes no cenário mundial, cuja população é hoje da ordem de 6.6 bilhões de pessoas e 20% delas estão na China enquanto 17% na Índia. Juntos, os dois países têm mais de 1/3 da população mundial.
  • Se considerarmos apenas os 16% mais inteligentes da Índia teremos mais pessoas do que toda a população do Brasil. Da China precisaríamos apenas de 14%, ou seja, há mais pessoas inteligentes na China ou na Índia do que pessoas no Brasil.
  • Enquanto você lê este texto 30 bebês nasceram no Brasil, 244 nasceram na China e 351 nasceram na Índia.
  • Em breve, a China será o país que mais fala inglês no mundo.
  • Você sabia que a Inglaterra, em 1900, era considerada o país mais rico do mundo; com o maior exército; como centro mundial de negócios e finanças; com o melhor sistema de educação; líder em inovação e invenção; o modelo mundial de valor e com o melhor padrão de vida?
  • Você sabia que nos USA mais da metade dos profissionais trabalha há menos de cinco anos na mesma empresa ? Que somente 25% dos profissionais permanecem na mesma empresa por mais de um ano? Que, segundo a ONU, os estudantes de hoje passarão por dez a catorze empregos até os trinta e oito anos de idade?
  • Você sabia que as dez profissões que serão indispensáveis em 2010 sequer existiam em 2004? Ou seja, estamos preparando estudantes para profissões que ainda não existem, que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas para resolver problemas que ainda nem sabemos que existem?
  • As pessoas estão indo cada vez mais para a Internet.
  • Você sabia que no ano passado, nos USA, um em cada oito casais se conheceu pela Internet e que mais de 106 milhões de usuários estavam registrados no My Space e que hoje há mais de 50 milhões de usuários no Orkut?
  • Se o My Space fosse um país ele seria o 11º maior do mundo, entre o Japão e o México. E o Orkut o 24º, entre a Itália e a Coréia do Sul.
  • Você sabia que 2.7 bilhões de perguntas são feitas todo mês ao Google? Para quem perguntávamos essas coisas A.G. — Antes do Google?
  • Você sabia que o número de mensagens de texto transmitidas todos os dias excede a população do planeta? Que, existem hoje cerca de 540 mil palavras na língua inglesa, cerca de 5 mil vezes mais do que havia na época de Shakespeare e que mais de três mil livros novos são publicados diariamente?
  • Estima-se que a quantidade de nova informação gerada no mundo este ano é maior do que a acumulada nos últimos cinco mil anos e que a quantidade de informação técnica nova dobra a cada dois anos.
  • Para os estudantes isso significa que metade do que se aprende no 1º ano de faculdade estará ultrapassado no 3º ano.
  • Estudos preveem que em 2010 o conhecimento dobrará a cada 72 horas, significando que todo profissional precisa se atualizar sempre. E você, tem se atualizado?
  • Você sabia que a informação está cada vez mais nos meios digitais?
  • Fibras óticas de 3ª geração, recentemente testadas pela NEC e ALCATEL, conduzem dez trilhões de bits por segundo num único fio. Isso equivale a 1900 CDs ou 150 milhões de ligações simultâneas a cada segundo e a cada seis meses esse número triplica.
  • Já existem cabos e fibras suficientes. O que se faz hoje é apenas melhorar as conexões e o custo dessas melhorias é praticamente zero.
  • Tudo isso indica que, muito em breve, o papel eletrônico estará mais barato que o papel real.
  • Você sabia que 47 milhões de laptops foram comercializados no mundo, no ano passado? E que o projeto “laptop a US$100″ fornecerá entre 50 e 100 milhões de laptops por ano a crianças de países em desenvolvimento?
  • Há previsões que em 2022 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional do cérebro humano. Isso quer dizer que, em 15 anos, universitários em início de carreira terão como concorrente um computador de somente US$1.000,00 que excederá a capacidade do cérebro humano.
  • Enquanto é difícil fazer previsões tecnológicas, para além dos próximos 15 anos, é fácil prever que em 2050 um computador de US$1.000,00 excederá a capacidade computacional da espécie humana.
  • O que tudo isso significa? Mudanças acontecem. Agora você sabe! “


A gente então se pergunta: Será que é essa a resposta ao fato? Simplesmente aceitar que mudanças acontecem e pronto, tentar escapulir da nossa parcela de responsabilidade nisso? Achamos que não.
Por outro lado, não temos a resposta. Só perguntas:
Devemos aceitar esses fatos como finais, e arcar de forma meio suicida com o cenário angustiante e sem saída apresentado ? Ele só existe de fato na medida do nosso apego...
Ou poderíamos como na tradição havaiana do “Ho’ oponopono” citada por Joe Vitale, assumir 100% da responsabilidade que é nossa e tentar começar a fazer as verdadeiras mudanças? Não sei se podemos, nesta altura do caminho, mas deveríamos tentar, mesmo que fosse por diletantismo.
A grande pergunta é: Qual a melhor postura de vida para facear a situação? Tentar competir para estar na frente dos outros e então ter menos problemas? Ou então rever interiormente de maneira consistente os valores que nos foram inculcados, baixar a bola e começar a sair fora do moedor de carne, mesmo estando dentro dele? Qual a melhor forma de agir? Começar a traçar uma estratégia e tática interior de meditação-na-ação,  e outra exterior aparente, de comportamento e decisões sem parecer diferente do rebanho e ao mesmo tempo minimizando sistematicamente as conseqüências do mau tempo que se avizinha. Que hábitos deveriam ser mudados para se diminuir o desconforto e viver melhor? Vamos falar mais adiante de forma simples sobre a estratégia e táticas para sair desse enrosco...

sábado, 2 de abril de 2011

Muitos eus, só um mestre - História Cherokee

O filósofo, escritor e buscador russo do Quarto Caminho, P. D. Ouspensky, só escreveu coisa séria e boa. ( Em Busca do Milagroso, Tertium Organum, Conversas com o Diabo, e por aí afora...). No pequeno livro Psicologia da Possível Evolução do Homem, (79 págs.) que dá para ler em menos de 2 horas, ele fala das 5 conferências que escreveu em 1934. Um tesouro para quem está na busca interior. Numa delas ele diz “O homem é uma máquina”  afirmando que o ser humano é um marionete (ele usa a palavra títere). Diz que o homem tem uma “ilusão de que é uma unidade, de que tem um Eu permanente", porque tem um corpo físico único, um nome pelo qual atende quando o chamam, e os hábitos mecânicos adquiridos pela “educação” e socialização. Mas na verdade “não há um centro de comando, nem um Eu permanente, pois cada sentimento, sensação, desejo, gosto ou aversão é um “eu” que nos comanda por um tempo (um instante ou uma vida). Eles não estão coordenados e dependem das circunstâncias exteriores e da mudança de impressões” sobre cujo mecanismo, como diz Joe Vitale na publicação Limite Zero, “você não tem a menor idéia do que está acontecendo”. (rsrs)
Gurdjieff, seu guru durante um período, fala da estória do ser humano como sendo um conjunto feito de carruagem, cavalo, cocheiro e o dono (citada na publicação O Medo) onde o dono que deveria comandá-la com os arreios, está ausente e deixa tudo a cargo do cocheiro, um subalterno ( a mente racional) sujeita exatamente a “essa multidão caleidoscópica de eus” que a confundem.
Então você, que está lendo,  pergunta: “Eu vim aqui para ler sobre os índios Cherokee. O que eles tem a ver com isso?”
Tem razão... Vamos falar dos Cherokee:

“Existe uma antiga história dos índios Cherokee sobre o cacique de uma grande aldeia. Um dia, o cacique decidiu que era hora de orientar o seu neto favorito sobre a vida. Ele o levou para o meio da floresta, fez com que se sentasse sob uma velha árvore e explicou:
"Filho, existe uma batalha sendo travada dentro da mente e do coração de todo ser humano que vive hoje. Embora eu seja um velho e sábio cacique, o líder da nossa tribo, essa mesma batalha é travada dentro de mim. Se você não souber dessa batalha, ela o fará perder o juízo. Você nunca saberá que direção tomar. Às vezes vencerá na vida e, depois, sem entender o porquê, perceberá que está perdido, confuso, com medo, arriscado a perder tudo o que trabalhou tanto para ganhar. Você muitas vezes achará que está fazendo a coisa certa e depois descobrirá que fez as escolhas erradas. Se você não entender as forças do bem e do mal, a vida individual e a vida coletiva, o verdadeiro eu e o falso eu, você viverá a vida todo num grande tumulto”.
"É como se existissem dois grandes lobos vivendo dentro de mim; um é branco e o outro é preto. O lobo branco é bom, gentil e não faz mal a ninguém. Ele vive em harmonia com tudo à sua volta e não se ofende se a intenção não era ofender. O lobo bom, sensato e certo de quem ele é e do que é capaz, briga apenas quando essa é a coisa certa a fazer e quando precisa se proteger ou à sua família, e mesmo então ele faz isso da maneira certa. Ele toma conta de todos os outros lobos da matilha e nunca se desvia da sua natureza”
."Mas existe o lobo preto também, que vive dentro de mim, e esse lobo é bem diferente. Ele é ruidoso, zangado, descontente, ciumento e medroso. Basta uma coisinha para que ele se encha de fúria. Ele briga com todo mundo, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar com clareza, porque a sua ganância para ter sempre mais e a sua raiva e a sua ira são grandes demais. Mas trata-se de uma raiva infrutífera, filho, porque ela não muda nada. Esse lobo só procura confusão aonde quer que vá, e por isso sempre acaba achando. Ele não confia em ninguém, por isso não tem amigos de verdade”.
O velho cacique ficou sentado em silêncio durante alguns minutos, deixando que a história dos dois lobos penetrasse na mente do jovem neto. Então ele lentamente se curvou, olhou fixamente nos olhos do menino e confessou, "Às vezes, é difícil viver com esses dois lobos dentro de mim, pois eles brigam muito para dominar o meu espírito".
Cativado pela história do ancião sobre essa grande batalha interior, o menino puxou a tanga do avô e perguntou, ansioso, "Qual dos dois lobos vence, vovô?" E com um sorriso cheio de sabedoria e uma voz firme e forte, o cacique diz, "Os dois, filho. Veja, se eu escolho alimentar só o lobo branco, o preto ficará à espreita, esperando o momento em que eu sair do equilíbrio ou ficar ocupado demais para prestar atenção às minhas responsabilidades, e então atacará o lobo branco e causará muitos problemas para mim e nossa tribo. Ele viverá sempre com raiva e brigará para atrair a atenção pela qual tanto anseia. Mas, se eu prestar um pouquinho de atenção no lobo preto, compreendendo a sua natureza, se reconhecê-lo como a força poderosa que ele é e deixá-lo saber que eu o respeito pelo seu caráter e o usarei para me ajudar se um dia eu ou a tribo estivermos em apuros, ele ficará feliz, e o lobo branco ficará feliz também, e ambos vencerão. Todos venceremos".
Sem entender direito, o menino perguntou, "Não entendi, vovô. Como os dois lobos podem ganhar?"
O cacique continuou a explicação: "Veja, filho, o lobo preto tem muitas qualidades importantes de que eu posso precisar, dependendo das circunstâncias. Ele é feroz, determinado, e não se deixará subjugar nem por um segundo. Ele é inteligente, astuto e capaz dos pensamentos e estratégias mais tortuosos, o que é importante em tempos de guerra. Ele tem os sentidos aguçados e superiores que só aqueles que olham através da escuridão podem apreciar. Em meio a um ataque, ele poderia ser o nosso maior aliado".
O cacique então tirou da sua bolsa alguns pedaços de carne defumada e colocou-os no chão, um à direita e o outro à esquerda. Ele apontou para a carne e disse, "À minha esquerda está a comida para o lobo branco e à minha direita está a comida para o lobo preto. Se eu optar por alimentar os dois, eles não brigarão mais pela minha atenção, e eu poderei utilizar cada um deles como precisar. E como não haverá guerra entre eles, poderei ouvir a voz da minha sabedoria profunda e escolher qual dos dois pode me ajudar melhor em cada circunstância. Se a sua avó quer uma carne para fazer uma refeição especial e eu não cuidei disso como deve-ria, posso pedir para o lobo branco me emprestar a sua magia e consolar o lobo preto da sua avó, que estará zangada e faminta. O lobo branco sempre sabe o que dizer e me ajudará a ser mais sensível às necessidades dela”.
“Veja, filho, se você compreender que existem duas grandes forças dentro de você e respeitar a ambas igualmente, as duas sairão ganhando e haverá paz. A paz, meu filho, é a missão dos Cherokee — o propósito supremo da vida. Um homem que tem paz dentro de si tem tudo. Um homem dividido pela guerra em seu íntimo não tem nada. Você é um jovem que precisa escolher como vai lidar com as forças opostas que vivem no seu interior. A sua decisão determinará a qualidade do resto da sua vida. E quando um dos lobos precisar de atenção especial, o que acontecerá às vezes, você não terá do que se envergonhar; poderá simplesmente admitir isso para os anciãos e conseguirá a ajuda de que precisa. Quando isso for de conhecimento público, aqueles que já travaram essa mesma batalha podem oferecer-lhe a sua sabedoria".
 

Essa história simples e pungente explica como é a experiência humana. Cada um de nós está em meio a uma batalha contínua, em que as forças da luz e da escuridão competem pela nossa atenção e pela nossa submissão. Tanto a luz quanto a escuridão habitam dentro de nós ao mesmo tempo.
Verdade seja dita: existe uma matilha inteira de lobos dentro de nós - o lobo amoroso, o lobo bondoso, o lobo esperto, o lobo sensível, o lobo forte, o lobo altruísta, o lobo generoso e o lobo criativo. Junto com esses aspectos positivos existem o lobo insatisfeito, o lobo ingrato, o lobo autoritário, o lobo desagradável, o lobo egoísta, o lobo indecente, o lobo mentiroso e o lobo destrutivo. Todo dia temos a oportunidade de reconhecer todos esses lobos, todas essas partes de nós mesmos, e escolher como iremos nos relacionar com cada um deles. Será que continuaremos condenando alguns e fingindo que eles não existem ou vamos tomar posse de toda a matilha?
Por que sentimos a necessidade de negar a matilha de lobos que vive em nós? A resposta é fácil. Ou achamos que ela não existe ou que não deveria existir. Tememos que, se admitirmos todos os diferentes “eus” que ocupam espaço na .nossa psique, de algum modo seremos rotulados de esquisitos, diferentes, prejudiciais ou psicologicamente fragmentados. Achamos que devemos ser pessoas boas e "normais", dentro das quais só mora um único eu. Mas existem muitos eus e a recusa em entrar em acordo com eles é um grave erro - que nos levará a cometer atos estúpidos e temerários de auto sabotagem. Eis o grande segredo: existem muitos eus contidos dentro do nosso "eu", pois dentro de cada um de nós existem todas as qualidades possíveis. Não há nada que possamos ver e nada que possamos julgar que não exista dentro de nós. Todos somos luz e escuridão, santos e pecadores, pessoas adoráveis e abomináveis. Somos todos gentis e calorosos, mas também frios e cruéis.
Dentro de você e dentro de mim existem todas as qualidades e defeitos conhecidos pela espécie humana. Embora possamos não estar conscientes de todas as qualidades que possuímos, elas estão adormecidas dentro e nós e podem despertar a qualquer momento, em qualquer lugar. A compreensão disso nos permite entender por que todos nós, que somos "bons", somos também capazes de fazer coisas ruins e, mais importante, por que às vezes nos tornamos os nossos piores inimigos.
Agora sou eu quem pergunta: Será que o russo Ouspensky aprendeu sobre os “eus” com algum cacique Cherokee?

Baseado no livro “Como entender o efeito sombra em sua vida” de Debbie Ford.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Limite Zero

Há tempos atrás publiquei aqui um artigo chamado Ho' oponopono uma terapia amorosa assentada nas profundezas do invisível do ser humano, praticada pelo Dr. Len, terapeuta da tradição havaiana e divulgada para o mundo por Joe Vitale, um homem que chegou a viver sem teto,  e  acabou fazendo sucesso como escritor, tornando-se mundialmente conhecido. Tempos depois os dois juntos lançaram um livro pela internet sem fins comerciais, que também decolou, razão pela qual transcrevo (sem preocupação de violar direitos autorais) os princípios do livro só para instigar os mais afoitos. O livro, curto e direto, é uma aventura para o espírito. Vamos lá:

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO LIMITE ZERO
1 - Você não tem a menor idéia do que está acontecendo (rsrs)- “o riso é meu...”.
É impossível ter consciência de tudo que está acontecendo dentro e ao redor de nós, consciente ou inconscientemente. O seu corpo e a sua mente estão se regulando neste exato momento, sem que você tenha consciência disso. E o ar está repleto de sinais invisíveis, desde ondas de rádio a formas pensamento, dos quais você não tem nenhuma sensação consciente. Você está na verdade ajudando a criar a sua realidade neste exato momento, mas isso está acontecendo inconscientemente, sem o seu conhecimento ou controle consciente. É por esse motivo que você pode ter todos os pensamentos positivos que quiser e ainda assim estar completamente sem dinheiro. A sua mente consciente não é a criadora.
2 - Você não tem o controle sobre todas as coisas.
Obviamente, se você não sabe tudo o que está acontecendo, você não pode controlar tudo. Achar que você pode obrigar o mundo a fazer o que você quer é uma viagem do ego. Como o seu ego não consegue ver grande parte do que está acontecendo no mundo neste momento, deixar que ele decida o que é melhor para você não é muito sábio. Você tem escolhas, mas não tem o controle. Você pode usar a mente consciente para começar a escolher a experiência que preferiria ter, mas precisa parar de pensar se ela vai se manifestar ou não, de que maneira, ou quando. O segredo é a entrega.
3. Você pode curar qualquer coisa que surja no seu caminho.
Qualquer coisa que surja na sua vida, independentemente de como apareceu, está disponível para a cura simplesmente porque está agora no seu radar. A suposição neste caso é que, se você pode sentir alguma coisa, você pode curá-la. Se você a vir em outra pessoa, e ela o incomodar, é passível de ser curada.” Você talvez não tenha a menor idéia do motivo pelo qual essa coisa está na sua vida, ou como ela apareceu, mas você não pode abandoná-la porque agora tem consciência dela. Quanto mais você remedeia o que surge, mais livre você está para manifestar o que você prefere, porque você estará libertando uma energia aprisionada para usar em outros assuntos.
4 - Você é completamente responsável por toda a sua experiência.
O que acontece na sua vida não é culpa sua, mas é sua responsabilidade. O conceito da responsabilidade pessoal vai além do que você diz e pensa. Ele abarca as coisas que os outros dizem e pensam, e que aparecem na sua vida. Se você assumir a total responsabilidade por tudo que aparece na sua vida, quando alguém surge com um problema, este também passa a ser seu problema. Isso está associado ao terceiro princípio, que afirma que você pode curar qualquer coisa que surja no seu caminho. Em resumo, você não pode culpar nada ou ninguém pela sua realidade atual. Tudo o que você pode fazer é assumir a responsabilidade por ela, o que significa aceitá-la, admiti-la e amá-la. Quanto mais você remediar o que aparece, mais você ficará em sintonia com a origem.
5 - O seu bilhete para o limite zero tem impresso nele a frase “Eu te amo”.
O passe que lhe consegue paz além de todo o entendimento, da cura à manifestação, é a simples frase “Eu te amo”. Dizê-la para o universo purifica tudo que existe em você, de modo que você pode vivenciar o milagre deste momento: o limite zero. A idéia é amar todas as coisas. Amar a gordura excessiva, o vício, a criança, o vizinho ou o cônjuge problemático; amar tudo, enfim. Dizer “Eu te amo” é o abre-te sésamo para experimentar o Divino.
6 - A inspiração é mais importante do que a intenção.
A intenção é um brinquedo da mente; a inspiração é uma diretiva do Divino. Em algum momento você se entregará e começará a prestar atenção, em vez de implorar e esperar. A intenção está tentando controlar a vida baseada na visão limitada do ego; a inspiração está recebendo uma mensagem do Divino e em seguida agindo em função dela. A intenção atua e produz resultados; a inspiração atua e produz milagres. Qual das duas você prefere?

“Você é o responsável por qualquer fato que ocorre na sua vida. Porque você é o criador do seu mundo”.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ho' oponopono

Dr. Ilehakala Lew Len
Há dois anos, ouvi falar de um terapeuta, no Havaí, que curou um pavilhão inteiro de pacientes criminosos mentalmente doentes sem sequer ver nenhum deles.O psicólogo estudava a ficha do preso e, em seguida, olhava para dentro de si mesmo, a fim de ver como ele havia criado a enfermidade dessa pessoa. À medida que ele, terapeuta, melhorava, o paciente também melhorava.

A primeira vez em que ouvi essa história, pensei tratar-se de uma lenda urbana. Como podia alguém curar  outra pessoa, somente através de curar-se a si mesmo? Como podia, ainda que fosse o mestre de maior poder de auto-cura, curar alguém criminalmente insano? Não tinha sentido algum, não era lógico, de modo que descartei essa história.
Entretanto, escutei-a novamente, um ano depois. Soube que o terapeuta havia usado um processo de cura havaiano chamado Ho’oponopono. Nunca ouvira falar dele, no entanto, não conseguia tirá-lo de minha mente. Se a história era realmente verdadeira, eu tinha que saber mais...
Sempre soubera que total responsabilidade significava que eu sou responsável pelo que penso e faço! O que estiver além está fora de minhas mãos!
Acho que a maior parte das pessoas pensa o mesmo sobre a responsabilidade. Somos responsáveis pelo que fazemos e não pelo que os outros fazem. Mas isso é um conceito ultrapassado...
O terapeuta havaiano que curou essas pessoas mentalmente enfermas, me ensinaria uma nova perspectiva avançada sobre o que é a total responsabilidade. Seu nome é Doutor Ihaleakala Hew Len. Passamos, provavelmente, uma hora conversando em nossa primeira conversa telefônica.
Pedi-lhe que me contasse toda a história de seu trabalho como terapeuta.
Ele explicou-me que havia trabalhado no Hospital estatal do Havaí durante quatro anos. O pavilhão onde encerravam os loucos criminais era perigoso.
Em  geral, os psicólogos se demitiam após um mês de trabalho ali. A maior parte do pessoal do hospital ficava doente ou se demitia. As pessoas que passavam por aquele pavilhão simplesmente caminhavam com as costas coladas à parede, com medo de serem atacadas pelos pacientes. Não era um lugar bom para viver, nem para trabalhar, nem para se visitar...
Dr. Len me disse que nunca viu os pacientes. Assinou um acordo para ter uma sala no hospital e revisar os prontuários médicos. Enquanto lia os prontuários, ele trabalhava sobre si mesmo. Enquanto trabalhava sobre si mesmo, os pacientes começaram a se curar!
- Depois de poucos meses, os pacientes que estavam lá receberam a permissão para caminharem livremente, me disse. Outros que tinham que ficar fortemente medicados começaram a ter sua medicação reduzida. E aqueles que não tinham jamais qualquer possibilidade de serem liberados, receberam alta.
Eu estava assombrado.
- E não foi somente isso, continuou, até os funcionários começaram a gostar de ir trabalhar. As faltas e as mudanças de pessoal desapareceram. Terminamos com mais pessoal do que necessitávamos, porque os pacientes eram liberados e todos os funcionários vinham trabalhar. Hoje, aquele pavilhão está fechado.
Foi nesse momento que eu tive de fazer a ‘pergunta de um milhão de dólares’:
-O que foi que o senhor fez a si mesmo para ocasionar tal mudança nessas pessoas?
“- Eu simplesmente estava curando aquela parte de mim que os havia criado, disse ele.
Não entendi. O Dr. Len explicou-me, então, que entendia que a total responsabilidade por nossa vida implica em tudo o que está na nossa vida, pelo simples fato de estar em nossa vida e ser, por esta razão, de nossa responsabilidade. Num sentido literal, o mundo todo é nossa criação!
Isto significa que a atividade terrorista, o presidente, a economia ou qualquer coisa que você experimenta e de que não gosta, ali está para que você a cure.
O problema não está neles, está em você! Para mudá-lo, você é quem tem de mudar
.
Colocar a culpa em outra pessoa é muito mais fácil que assumir a total responsabilidade. Hooponopono significa: amar-se a si mesmo!
Se você deseja melhorar a sua vida, você deve curar a sua vida. Se você deseja curar alguém, mesmo um criminoso mentalmente doente, você o faz curando a si mesmo.
Perguntei ao Dr. Len como ele curava a si mesmo. Ou seja, o que era, exatamente, que ele fazia, quando olhava os prontuários dos pacientes.
- Eu simplesmente permanecia dizendo sinto muito e eu amo você!, uma vez após outra, explicou-me.
-Só isso?
- Só! Acontece que amar-se a si mesmo á a melhor forma de melhorar a si mesmo e, à medida que você melhora a si mesmo, melhora o seu mundo.

Traduzido e adaptado de artigo de JOE VITALE