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domingo, 30 de outubro de 2011

A Universidade para o Desenvolvimento do Ser Integral

Você pensava que não existia, não é? Mas está nascendo. No Brasil e no mundo. As antigas tradições dizem que a evolução humana só ocorre se for ao mesmo tempo desenvolvida em dois eixos do ser humano: o do Saber e o do Ser. O do Saber já estamos cansados de ver graças aos indevidamente incensados gregos antigos, pois foi esse o conhecimento unilateral que gerou a universidade ocidental que está aí: somente conhecimento intelectual, e muito pouco de Ser, experiência interior, conhecimento de si, do outro, de Gaia (este ser vivo que chamamos de Terra), do Cosmo. Muito pouca meditação, lembrança de si, compaixão, e estar no Agora.
A universidade que está aí não serve nem ao seu pai, o capitalismo: os fundadores e dirigentes das empresas expoentes mundiais do sucesso, da tecnologia e da informação, que são o Joi Ito do Media Lab, Steve Jobs da Apple, Bill Gates da Microsoft, Zuckerberg do Facebook,  Jack Dorsey do Twitter, foram ou são o que normalmente classificamos de "vagabundos" que fugiram da universidade. E tem, ou tinham, um certo orgulho disso.
O eixo do Ser também não freqüenta a universidade que está aí. Freqüenta, sim, mosteiros no oriente, grupos de busca interior nas grandes cidades, ashrams de gente como Aurobindo, Rajneesh e outros,  e sobrevive em algumas poucas tradições autênticas. Somente nos últimos 50 a 60 anos é que os dois eixos juntos começaram a influenciar de fato o “ocidente europeu e americano”. Isso já faz parte do período de 180 anos críticos (1957-2137) onde "a cobra vai fumar" na Terra (rsrs), mas haverá "grandes possibilidades no céu", segundo os astrônomos e cronógrafos autênticos como Nostradamus, Daniel Ruzo e outros.  A partir dessa influência algumas pessoas começaram a se questionar de forma crescente: “por que não integrar e harmonizar esses dois eixos dentro da nossa vida, do nosso interior, da Universidade?”. Sim, uma Universidade comprometida com o desenvolvimento Integral do Ser, ou do Ser Integral, dá no mesmo: Saber e ser, luz e sombra, Ying e Yang. A coisa está no ar...
E eu, o escriba, (dona Josefina e Dotô Manoel iam ficar orgulhosos), com mais vinte e poucas pessoas, tive o orgulho de ser convidado a participar da reunião inicial do projeto no Brasil, que nasceu na Natureza, num canto tranqüilo e bucólico em pleno Parque Ibirapuera em Sampa, em meio ao verde e aos passarinhos cantando. “Um bom augúrio” como diria Don Juan a Castaneda.
Quer lugar mais significativo e equilibrado no meio da correria da grande cidade paulistana?
A data? Doze de outubro. Um feriado. Mais alegria que trabalho no ar. A mesma data da Descoberta da América, da Virgem Aparecida, e do Dia das Crianças. À tardinha ela nasceu, num momento mágico em que todos se abraçaram em círculo como uma roda de crianças indígenas com o intento de trazê-la à luz. Com o sol no início da Casa 7, é “a universidade feita para o outro”, o próximo, o meu semelhante, o objeto potencial da minha compaixão, e ao mesmo tempo o desafio de convivência para o meu Ego mesquinho, cheio de auto importância. O outro é o meu espelho. O outro sou eu mesmo.
Os participantes?  Vinte e dois. Como o Tarot. Vinte duas figurinhas carimbadas. Tem de tudo: psicólogo, filósofo, astrólogo, administrador, xamã, ator, engenheiro, advogado, médico, sociólogo, consultor, e por aí afora...tem até professor (rsrs)
As idéias? Maravilhosas. Vindas lá do fundo do baú de sonhos de cada um. Na verdade, mais perguntas que respostas, porque esse grupo de loucos sonhadores sabe muito bem o que não quer. Daí a fazer o filho, porém, é uma distância cósmica. Tem no mínimo que ter um Grande Sonho, como diria O Dreamer, no livro A Escola dos Deuses. Para essa empreitada temos que imaginar não como vai ser o mundo no futuro, mas sim que mundo nós queremos no futuro, e arregaçar as mangas. Fazer, e não aguardar acontecer. Sem perder tempo, mas sem pressa. Coisa de gente grande...
Rilke, o grande poeta alemão dizia que “para um só sucesso, é preciso uma constelação de eventos”. E foi assim. A idéia já vem pairando há décadas como uma nuvem de energia descendo sobre o planeta, e as pessoas vem recebendo gratuitamente os seus raios aqui e acolá e, sentindo-se inventores da coisa, cada um pensando com seus botões “Eu vou criar isso. Eu sou mesmo uma pessoa criativa...” E deixe o Ego atuar, contanto que saia coisa boa.(rsrs)
A coisa está no ar, sim. Podemos sentir, quase tocar. Uma sincronicidade danada: um participante já tinha tentado trazer a ESE – European School of Economics (do livro a Escola dos Deuses) para o Brasil, outro já está trocando figurinhas com acadêmicos de modelos de universidades parecidos no mundo todo, outra estava na Europa participando do início de um projeto semelhante para formar jovens líderes incorruptíveis para planejar e dirigir o futuro que se avizinha, outro está pensando em trazer um projeto de um monge tibetano radicado nos EUA, outra fazendo contatos com o modelo “Educação Proibida” trazida na onda de Matias de Stefano e as crianças índigo. Um espanto. E então a Chris, que deve ser bruxa, sentiu o momento e juntou esse povo todo...
Certo estava Carlos Castaneda quando afirmava que o conhecimento mágico tolteca tinha que se encontrar com a Universidade. Foi o que ele começou a fazer como antropólogo e escritor na Universidade da Califórnia. E é nossa tarefa continuar. Participar disso é um presente. Um luxo.
Como insinuamos nas postagens “Sun Gazing, a medicina gratuita do futuro” e “O sol, poder e quietude”, o conhecimento entre o Ocidente e o Oriente tem que se fundir, o xamanismo tem que chegar à universidade, a Ciência tem que se casar com a Espiritualidade. A Medicina Oriental com a Ocidental. A luz com a sombra. O lado esquerdo do cérebro com o direito. Razão e sensibilidade. A convergência já é sensível no mundo: como dissemos ao apresentar o vídeo “Universo ou Multiverso”, a dupla Don Juan e Castaneda disse nos anos 70 exatamente o que a ciência de vanguarda está dizendo agora na Teoria das Cordas: “o Universo é composto de uma infinidade de mundos como o nosso, convivendo simultaneamente. Podemos acessá-los a partir do Sonhar, do sonho lúcido”.
Esse sonho de uma nova universidade está na minha cabeça desde quando vi nos anos 70 o presidente Nixon ir à China numa viagem de quebra de protocolos e início do fim da guerra fria e, pasmem, assistir a uma cirurgia de cérebro de um operário chinês, acordado e sedado por Acupuntura, conversando com o médico, sem remédios nem anestesia, e chupando uma laranja. Parecia brincadeira. Era o Invisível tomando conta da cena. Os médicos ocidentais quase tiveram um infarto.
A reunião inicial do grupo foi um “toró de idéias” de quatro horas. Mais questões que idéias. A universidade que está aí hoje é um reflexo da paisagem que se quer evitar, esse Kali Yuga em que estamos vivendo: o capitalismo imoral desenfreado, a corrupção endêmica que já atingiu tudo, até a Justiça e a Religião, a política arrogante, classista, cínica e sarcástica, a valorização do ter e do consumismo que ameaçam a sustentabilidade, da aparência ao invés do conteúdo, a indiferença suicida com relação ao aumento da população (7 bi, amanhã), o uso dos combustíveis fósseis, o meio ambiente aviltado, enfim o endeusamento do Ego ao invés do culto da Essência, do Humano, do individual antes do social, da compaixão em lugar da competição.
Não é uma crítica, não. Se está aí, é porque É. Porque nos correspondeu até hoje. Mas se agora nos escandaliza, é porque não corresponde mais. Então vamos mudar, ora essa...
E o grupo iniciante tem que fazer a lição de casa para que o Sonho passe para a universidade: as reuniões, atividades e decisões iniciais deveriam ser gestadas dentro de um ambiente interior de presença dentro de cada um, de Vazio, de ausência de Ego, de lembrança de si mesmo, de Sonho, e então intentar que esse espírito perpasse luminoso para o grupo e para a universidade que está para nascer. Aliás já nasceu, segundo o Rodrigo..
Só assim a universidade vai fazer jus ao nome forte, quase sagrado: UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO SER INTEGRAL. Uma universidade que integre os 2 lados do cérebro e os dois sistemas econômicos , como preconiza Matias de Stefano, o jovem índigo. Vixe! Só assim o Sonho vai se infiltrar e seduzir o espírito dos alunos de uma Nova Era.
Os desafios, dúvidas e perguntas iniciais são muitos. Vamos agora trazê-los do sonho para o papel e trabalhá-los. Muito. Um bom exercício é responder às perguntas: O que é? Como? Porque? Quando? Para quem? De quem? Com quem? Com que?
Então vamos lá, companheiros de jornada:
·        Qual é na sua visão, o Sonho dessa escola, que descendo dos níveis mais sutis vai plasmar concretamente a realidade, a individualidade dela como universidade?
·        Qual o seu nome, marca, logo, identidade visual ligada à sua essência mais íntima?
·        Qual a Missão dela? Objetivos, Postura, Desafios, Ameaças, Oportunidades, Plano de ação, Receitas, Cronogramas
·        Qual a base conceitual, filosófica e concreta desse empreendimento?
·        Como ela se relaciona com as verdades das tradições autênticas do planeta, desenvolvidas nesses milhares de anos pela humanidade?
·        Como integrar essas tradições diversas num todo harmônico baseado nos princípios imutáveis do universo e do homem, sem os atritos, divergências e preconceitos de praxe do mundo moderno?
·        Quem são as pessoas, entidades e comissões que vão alimentar, definir e prover os conceitos de uma empreitada dessa envergadura?  
·        Quais serão suas ligações, paradigmas e modelos com entidades semelhantes no exterior? Como ela vai se relacionar com elas, suas irmãs estrangeiras?
·        Quem vai avaliar e aprovar parcerias? Como?
·        Qual é o modelo dinâmico de aluno, de professor, de estrutura, de gestor?
·        Quem vai definir os currículos gerais e específicos?
·        Quem, como (e se) serão mobilizados terceiros para serem obtidos os fundos necessários à sua existência, sem interferências nos objetivos da entidade? Como?
·        Ela estará fora do MEC (Ministério da Educação e Cultura) no Brasil? Em princípio sim, a menos que o ministério mude. Quais as implicações de uma coisa ou outra?
·        Ela terá formato de Fundação? ONG?
·        Quais são as outras perguntas pertinentes que não fizemos?
Se você leu, gostou e deseja participar com idéias, muito trabalho e seus sonhos, fale com a gente nos comentários do blog
Axé! (energia, poder, força – na língua iorubá)

domingo, 24 de julho de 2011

O Ego - 1

Na tragédia grega, aquela mascara que ri e chora é a Persona, palavra derivada da lingua etrusca (pershu) que significa o personagem da peça teatral. É o Ego, uma máscara, um personagem que encobre a essência do Eu Real que você é, durante a representação dessa peça teatral (bota teatral nisso) que é a sua rápida passagem aqui pelo pequeno planeta Terra.
Em várias tradições, como na visão tolteca de Don Juan e Castaneda, esse ego existe porque ele é um anteparo necessário para filtrar as emanações incompreensíveis que chegam do Mar Escuro da Consciência (nagual) transformando-o neste mundo conhecido em que vivemos (tonal), pois não seria possível encarar as emanações diretamente sem esse filtro. Ficaríamos loucos se de repente víssemos esse mundo, “a energia como flui no universo”, sem um anteparo. É assim. Temos, que gradualmente montar um ego ao nascer (o personagem) para conseguir viver, e depois desmontá-lo, se quisermos despertar um dia (e ser o Eu Real). Por que? Mistééério...
Para despertar do seu sono. o ser humano deve matar o ego? Alguns acham que sim, mas é só uma forma de falar. Devemos, sim, conscientemente dissolvê-lo. De mansinho, sem briga. Tirando o ar dele. Ou seja... matá-lo! (rsrs)
É disso que, mansamente, fala Eckhart Tolle:

PERGUNTA: O ego é a fonte dos nossos pensamentos, ou os pensamentos são gerados em outro lugar e atravessam o ego?

ECKHART TOLLE: Não existe um ego separado dos pensamentos. A identificação com os pensamentos, é o ego. Mas os pensamentos que passam pela sua cabeça estão, é claro, ligados à mente coletiva da cultura em que você vive, da humanidade como um todo, então eles não são pensamentos seus, propriamente, mas você os capta do coletivo, a maior parte deles. Então, você se identifica com o pensamento, e a identificação com o pensamento torna-se o ego. O que significa simplesmente que você acredita em cada pensamento que surge, e você deriva o seu senso de “quem você é” do que a sua mente está dizendo, opiniões, pontos de vista, 'isto sou eu'...
Algumas pessoas falam consigo mesmas: 'Ah, você é tão bom!' 'Por que o mundo não te reconhece?' ou então a mente diz: 'Você é mau...' É a mesma coisa. 'Você é  ruim, você fracassa em tudo, não é?' E então você acredita nisso! E você passa a ter uma idéia ruim de si mesmo.
Porque você se subestima? Porque você acreditou nos seus pensamentos. E por que você está pensando esses pensamentos? Provavelmente  você os coletou, talvez durante a infância...Talvez a sua mãe estivesse tão estressada que ela dizia: 'Você é mau!'
Então você coleta certos pensamentos e eles ficam presos na sua cabeça! Pensamentos que você ouve na infância, eles são pequenas formas de energia, como entidades, e eles ficam presos na sua cabeça e se recusam a ir embora! E quanto mais você acredita neles, mais profundamente  eles vão se alojando na sua mente.
E então algumas pessoas estão presas com entidades muito hostis. Eu estou dizendo 'entidades' não como uma assombração, mas que cada pensamento é uma forma de energia, e como tal, você poderia chamá-lo de entidade. Existem muitas pessoas neste mundo que estão presas com entidades hostis que elas carregam na cabeça, negadoras da vida, criticando e atacando continuamente. E elas acreditam que isso é quem elas são.E elas estão continuamente atacando a si mesmas, e se elas não estão atacando a si mesmas, estão atacando as pessoas em volta delas: 'Vou te dizer quem você é!' É claro que o que elas estão dizendo, na  verdade, é: 'Vou ter dizer quem eu sou'
Elas projetam... Vocês conhecem o famoso ditado: 'Nós não vemos as coisas como elas são,  nós vemos as coisas como NÓS somos'. O que significa: Você olha para a realidade através do crivo do seu pensamento! E dos seus julgamentos, que são condicionados pelo passado. ‘O presente horrendo em que vivemos’... É um presente horrendo para se viver! É como uma persiana, pior que uma persiana! Você  olha pra realidade através de véus muito pesados. 'Uh, está tão escuro aqui!' 'Aquilo é um ser humano, ou...?'
Então essa identificação com o pensamento, acreditar nos seus pensamentos, não ter nenhum espaço fora do movimento do pensamento... mais uma vez chegamos ao ponto vital: falta de espaço interno. Essa é a condição inconsciente, espiritualmente, completamente inconsciente.
Então você é sobrecarregado com um ego pesado, você 'é' o ego, que não é uma entidade separada do pensamento. Ele é formado de pensamentos com os quais você se identificou. E o primeiro momento de liberdade vem quando você percebe que certos pensamentos têm estado na sua cabeça há anos, talvez,e eles são apenas pensamentos. E você não é o pensamento. Você é a Consciência.
No meu caso, eu me conscientizei de que eu tinha  um pensamento, por exemplo, que tinha começado na infância, um de muitos pensamentos negativos que eu tinha: 'Coisas ruins sempre acontecem comigo.' Quando eu via as pessoas à minha volta, eu pensava 'Eles têm todas essas coisas boas', e haviam sempre coisas ruins acontecendo comigo... É claro que a sua percepção se torna seletiva. Quando você tem um pensamento como esse, você percebe muito mais as coisas ruins... Porque na vida diária de qualquer pessoa certas coisas dão errado: você perde o ônibus, você fica preso no trânsito, ou você perde algum dinheiro, e isso é normal, mas se você tem o pensamento: 'as coisas ruins sempre acontecem comigo', você está extremamente atento a esse tipo de coisa, e elas confirmam pra você que o pensamento está correto. E essa é a percepção seletiva da realidade através do crivo da mente. Então a realidade irá confirmar pra você, e não somente isso! Esse pensamento ou qualquer pensamento desse tipo na verdade atrai 'coisas ruins'. Coisas negativas.
Ou se você acredita que as pessoas são basicamente más, e essa é uma crença profundamente estabelecida e você não percebe que é apenas um pensamento na sua cabeça, uma crença, não apenas você irá destacar os comportamentos anti-éticos ou negativos quando você os encontrar nos outros, do tipo: 'Ah, lá está!' não apenas isso, mas também é muito mais provável que você encontre pessoas que manifestem esse tipo de comportamento, porque você será atraído por elas. Então, é incrível como as pessoas criam seus mundos através disso.
A liberdade vem de sair disso, encontrar antes de tudo um pouco de espaço dentro de você, presença! E a partir daí você percebe que certos pensamentos são repetitivos, e que são só pensamentos... 'Coisas ruins sempre acontecem comigo... Veja só, de novo, eu pensei isso antes!'
Então tornar-se livre do ego significa tornar-se livre do pensamento. Da identificação com o pensamento.
Esse é o fim do ego. Ele pode ocasionalmente se reafirmar, de tempos em tempos, mas pelo menos este é o despertar.
E os seus pensamentos? Os pensamentos habituais? Provavelmente ‘de que eu tenho que fazer tudo certo’. ‘Tenho que saber tudo e fazer certo’. Isso me domina. E se não estiver certo?... Eu fujo... Eu deixo de fazer. Eu meio que prevejo, então eu nem tento, muitas vezes.
Algumas pessoas têm medo de não obter sucesso nas coisas que fazem porque suas auto-imagens, que são derivadas do pensamento, iriam sofrer! 'Se eu falhar em alguma coisa, minha auto-imagem será ferida.' portanto eu não vou nem tentar...' E, novamente, isso tem a ver com derivar a sua identidade do pensamento. E mesmo o pensamento 'Eu falhei' é uma mentira. 'Eu sou uma falha' é uma mentira maior ainda. Você não falhou, você pode simplesmente re-interpretar: 'Eu aprendi algo aqui.
‘Isso não é pra mim' por exemplo.
Então por que acreditar nas mentiras que a sua mente produz?... Então, como você sabe, muitas pessoas vivem com uma mente muito hostil. Porém a motivação dessas pessoas pra sair de suas mentes é muito grande, eu imagino.
Mas primeiro elas precisam perceber que seus problemas são auto-gerados. Gerados pela mente. E não gerados pelo mundo.
Obrigado.

 VIDEO: O Ego (visto por Deepak Chopra e uns Phds):



domingo, 19 de junho de 2011

O Raio de Criação

Você conhece um brinquedo da antiga tradição esotérica russa chamado “matryoshka” ou “babushka”? Ele é formado de uma bonequinha que fica dentro de outra, dentro de outra... até formar 7 bonecas. Não conhece? Que pena. Então você não vai compreender o Raio de Criação... (rsrs)
Na publicação anterior,  A Lei de Três, dissemos que O Absoluto, composto de 3 forças unidas, cria um “mundo de segunda ordem” onde as três forças já divididas, ao se encontrarem criam novos “mundos de terceira ordem”. Nesses mundos, além das 3 primeiras forças do mundo  anterior, há mais 3 desse próprio mundo. E vai assim até formar  7 níveis de mundos, um dentro do outro, cada um com 3 forças  a mais que o anterior. Alguma semelhança com a babushka?
Você vê? O brinquedinho inocente é uma forma de perpetuar uma tradição de conhecimento interior, como é também o Tarot e demais baralhos, o jogo de amarelinha, as danças e músicas sagradas, as lendas, o ritual do chá, o tiro de arco... É o tradicional uso de qualquer arte, jogo, brinquedo, dansa, ou coisa corriqueira da vida como apoio do buscador para a busca interior. Quer coisa mais simples que fazer um chá? Pois foi transformada em um apoio e uma arte na busca de Si Mesmo, da evolução. Coisa de gente séria...A vida não é considerada pelos orientais como um fim em si, mas apenas um meio, um palco de ação. O fim é a evolução. Esse conceito é muito difícil para nós ocidentais educados para o sucesso material, o ter em lugar do ser, a forma em vez da essência.
Vamos então simplificar essa coisa de 7 níveis de mundos com um quadro:
“Mundos”
Nível
Leis atuando
Cosmos
Plano
Analogia
Absoluto
1
1
Protocosmos
Atmico
?
Todos os mundos
2
3
Ayocosmos
Budhico
Todas as Galáxias
Todos os sóis
3
6
Macrocosmos
Causal
Via láctea
Sol
4
12
Deuterocosmos
Mental
Cada sol
Todos os planetas
5
24
Mesocosmos
Astral
Cada planeta
Terra
6
48
Microcosmos
Físico
A terra
Lua
7
96
Tritocosmos
?
A lua

Observem que no nosso “mundo”, a Terra, há 48 leis atuando sobre nós, no nível em que estamos da Criação.
Esse é o tal “Raio de Criação”, composto de 7 degraus, do qual você está no sexto, longe do Absoluto, bem em baixo (rsrs). Cada raio individual da Criação sai do Absoluto, (mundo de nível 1), não imaginável pelos nossos parâmetros habituais, e termina num satélite de um planeta (nível 7), extremamente denso em termos de energia, de materialidade. É como se a Criação fosse uma grande esfera composta de raios que saem do centro para a superfície exterior mais densa em termos de energia, ou materialidade. Um desses raios termina na nossa Lua. É o nosso.
Nessa esfera, em cada nível, as infindáveis trindades criadas dentro dele, criam outras infindáveis trindades indefinidamente. O raio que chegou até a Terra e Lua é só um único deles, dentro da esfera multidimensional que é o Absoluto.
Você vai dizer: “Muito bem, e o que significa para mim isso de 48 leis?”
Bem, significa, segundo o que dissemos  em O Ser e o Caminho de Volta, que você é um viajante, um Ser que está muito longe de casa, num país que tem lei que não acaba mais. Aliás até já esqueceu de onde veio e para onde deveria ir. Uma tristeza... Mas não desanime não, viajante (rsrs). Apesar de tudo a viagem é interessante. Aliás, muito aqui entre nós, nem dá para desistir dela. Alguns até tentam...
O problema é que para voltar dessa viagem de ida, tem muito chão para percorrer. Você vive atualmente  em um mundo sujeito a 48 ordens de leis, ou seja, longe da vontade do Absoluto, num canto muito remoto do universo e muito triste. Você está longe do centro de decisões, da Luz, na beiradinha de uma galáxia, quase caindo (rsrs), perto de um sol pequeno, num planetinha de... de nada, maltratado por você e seus semelhantes.
Quanto mais longe do Absoluto, o aumento do número de leis torna tudo mais difícil, porque tudo é mais denso. E a sua missão é tomar a matéria densa desse escafandro onde você escolheu se meter, e tentar refiná-la, torná-la mais sutil para acessar mundos de qualidade também mais sutis. Não é o nosso espírito que tem que retornar, mas a matéria densa do nosso Ser, inclusive do nosso corpo, que deve ser refinada por nós como se fôssemos uma usina de purificação, e levada de volta ao Absoluto. Esse é o caminho de evolução dos Universos e de nós mesmos. As tradições  simbólicas falam dessa descida e subida como foi citado em O Ser e o Caminho de Volta: o Cristianismo Esotérico fala isso na forma de símbolos quando trata da Encarnação do Verbo na Virgem Maria sob a forma do Filho (a descida do Espírito no Raio de Criação) e depois a Ascenção do Filho (a subida por sua própria vontade e esforço). Da mesma forma a Alquimia fala simbolicamente em transmutar metais densos em ouro. É a mesma coisa.
Na volta tudo parece difícil, e você não tem uma mão nesse jogo. Vai dar muito trabalho voltar para poder  “sentar à direita do Pai” segundo diz também metaforicamente a tradição cristã.
Aliás, aqui entre nós,  a Terra, como Ser, é que é regida por 48 leis. Nós humanos estamos entre 48 e 96 leis. Só entrando em harmonia com ela temos a possibilidade de estar sob 48 leis. Quando estamos mergulhados na escuridão da ira, inveja, e demais "pecados capitais", estamos no 96. No mundo da Lua.
Mas nós pelo menos temos uma escolha: podemos começar agora a tentativa de subir para 48 ou níveis mais finos, ou deixar para depois, correndo o risco de descermos para 96. (rsrs... ou... sniff, não sei bem qual...). Há um ditado nas tradições que afirma : “Quem não evolui, regride”.
Agora fica claro para os seguidores do caminho tolteca quando Don Juan responde para Castaneda
“- Quarenta e oito é o nosso número - disse ele. - É isso que nos torna homens. Não sei por quê. Não desperdice seu poder fazendo perguntas tolas.” ( A Porta para o Infinito, pág. 38)
Ou então:
“- Para os videntes, significa que há 48 tipos de organizações (leis) na terra, 48 tipos de feixes ou estruturas. A vida orgânica é um deles.” (O Fogo Interior, pág. 54)
Os toltecas sabiam das coisas...
Resumindo: para a gente entender o fenômeno da criação, qualquer que seja o produto dela, primeiro devemos nos aprofundar no conhecimento da Lei de Três. Quem quiser se aprofundar pode ler o livro "Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido" sobre o Quarto caminho, de P. D. Ouspensky. Depois de entender com a cabeça, compreender o funcionamento dela dentro de nós.
Após a Lei de Três que rege a Criação e forma o Raio de Criação, para entender a evolução posterior de qualquer coisa ou fenômeno após ter sido criado, devemos conhecer uma outra lei fundamental, a Lei de Sete ou Lei da Oitava.  É fascinante.
Quem for muito corajoso mesmo, vai então tentar combinar a Lei de Três com a Lei de Sete e descobrir o Eneagrama, esse símbolo de difícil compreensão, cujos fragmentos praticamente se perderam na história das tradições, e foram transformados por dois sul-americanos no século passado em uma caricatura bem enfeitada, sedutora e falseada, do conhecimento original. Logo mais devemos falar disso. Aguardem.
NR – A teoria dessas leis (a autêntica) é misteriosa e atraente, mas nada vale se não a praticarmos e a descobrirmos em nós mesmos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Preocupação


Eu me lembro da primeira vez em que o Dalai Lama veio ao Brasil, uma moça perguntou a ele o que fazer com as preocupações da vida: “- Vocês ocidentais se preocupam muito com as coisas. Primeiro tem que se ocupar com as coisas. Vocês levam a vida muito a sério. A vida é só um palco. Não é para ser levada tão a sério.”
É isso mesmo, uma pré-ocupação. Antes mesmo de se ocupar, você se pré-ocupa, antes da coisa acontecer. Tudo no mental. Quando a ação acontece, você já a esmiuçou pelo avesso, gastando uma energia descomunal. Don Juan, um índio tolteca, definia impecabilidade para Castaneda como gastar o mínimo de energia para fazer e conseguir algo. Às vezes a coisa nem acontece como você planejou, ora essa, acontece até melhor do que você previu, mas a energia já foi gasta com a preocupação...
Você se flagra discutindo com o outro sobre algo que ainda nem aconteceu, porque no seu diabólico diálogo mental já sabe que ele vai encrencar justo ali, naquele ponto importante. Você não abre mão, é óbvio, porque além de ele ser um incapaz, um idiota, é uma questão de princípio, e você que é muito mais competente...  e por aí vai. Um inferno. O inferno chama-se ego e tem endereço conhecido, mora dentro do nosso mental.
Lembrei-me de um dia, numa reunião de um grupo de busca interior em que se falava de auto importância, e um companheiro argentino saiu com uma tirada hilária, desapegada e autocrítica, quando alguém perguntou “O que é o ego?”, ele respondeu no ato, “O ego é aquele argentino que mora dentro de nós”, finíssimo... um buscador que sabia rir de si mesmo, uma raridade.
Mas temos que distinguir as coisas: não há nada contra planejar antecipadamente uma ação na empresa, no seu projeto de vida, casamento, viagem, profissão. Isto deve ser feito sempre. É uma forma válida de organizar o futuro, isto é planejar, visualizar cenários, prever soluções caso isso ou aquilo aconteça ou não. Ótimo, você vai estar um passo à frente, mas sem angústia, sem apego, sem pré-ocupação, sem ego, sem ponte de safena....
Agora, nesse instante, na ação seja ela qual for, a gente deveria estar atento mas relaxado, solto, fluindo, ocupando o seu corpo, sentindo a tensão se houver, sentindo a respiração e de olho no mental, esse macaco louco que puseram dentro da gente. Mesmo numa reunião difícil dá pra fazer isso, é só treino. É fácil? Não. Mas se você praticar vai ser fácil um dia.
O chefe índio Seattle, em sua carta maravilhosa aos invasores americanos, dava uma aula disso, dizia que o índio se esgueirava “pisando no solo da floresta, atento, espreitando, sentindo a Mãe Terra com os pés e, ao mesmo tempo, orando para ela, com respeito e amor.” É disso que estamos falando, de ocupar o corpo com a atenção. Encarnar. Esta sim é a nossa lição de casa. O remédio contra a preocupação é  a meditação, é fazer a mente voltar para casa, o corpo. Curiosamente é a mesma receita para a meditação.