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domingo, 14 de outubro de 2012

Busca Interior e Política


O Padre Eterno também vota (rsrs)
O título parece uma contradição: busca interior e política. Qual é a forma de conciliar a ação normal e corriqueira no mundo exterior, e a busca interior? Conciliar o Espirito e a chamada "concretude" do mundo? 
Há um grande leque de formas de se viver no mundo, desde o desapego do secreto Dzogchen, do qual falamos em O Sonho - Visão Budista e Corpo de Glória, Corpo de Arco-Iris, Terceira Atenção, que afirma que “não há que mudar nada no mundo, porque não vemos a verdadeira realidade, e o que chamamos de mundo é ilusório”, e no outro extremo o caminho transformador da ação, do guerreiro que arregaça as mangas e age.
As pessoas tem me perguntado com frequência sobre como, juntamente com a busca interior, encarar o mundo exterior nas miudezas concretas, esse palco do braço horizontal da cruz: como enfrentar os relacionamentos, o dinheìro, a vocação, família, amor, amigos, inimigos, mudanças, enfim as 12 casas terrenas do zodíaco. Viver o interior e o exterior com presença e atenção simultaneamenteé o grande nó do ser humano. Tenho resistido apesar  da vontade de falar sobre isso, mesmo porque gente muito mais  sábia, competente e capaz já falou, desde que o mundo é mundo. Só pra escolher um dentre milhões, quem já leu o livro “O Profeta” do Gibran Kalil Gibran? Simples e no alvo. Fala com propriedade e clareza desses temas exteriores e como se colocar interiormente frente a eles.
Nos últimos dias vários me perguntaram sobre como enfrentar, em termos concretos e práticos, como buscador da evolução do espírito, a política, os políticos, o voto, as escolhas... enfim, o lixão que está aí, como todos neste mundo estão vendo. Participar ou ignorar?  Perguntam, é claro, influenciados pelo fato de a política e políticos brasileiros estarem atualmente na berlinda,  estressados, e na mira da Justiça e da imprensa sérias, graças aos últimos acontecimentos do julgamento do chamado Mensalão, ou “compra de políticos da oposição pra obter apoio na votação dos temas importantes do partido que está no poder”. Como encarar isso interiormente? Então não resisti e vou colocar a boca no trombone, que também não sou de ferro, ora essa (rsrs). Mas tendo sempre como pano de fundo a visão das tradições autênticas do planeta, que formaram no ser humano responsável o que Gurdjieff chamava de consciência moral. Notem que eu não disse religiões, mas tradições. Há uma grande diferença qualitativa e de conteúdo entre as duas coisas . Tradição é o círculo mais esotérico e interior, religião é o mais exotérico e portanto exterior, secular e corriqueiro.
A rigor acho 99% da política, políticos e partidos, não confiáveis, mas antes de pensar em como se colocar frente ao tema político e qual é a melhor posição política num certo referencial, a primeira coisa que me ocorre claramente é considerar e avaliar um problema anterior, camuflado, aparentemente inocente e útil, de difícil solução e que poucos percebem, e que desafiou a humanidade toda desde as assim chamadas sociedades primitivas nas sua experimentação e escolhas: a representatividade. Ela é o X da questão, uma solução e um problema simultaneamente, à medida que a sociedade cresce e se sofistica. 
O rapaz índigo Matias de Stefano diz que a humanidade na Terra vem experimentando e resolvendo os problemas e contradições desde o início pelo método de tentativa e erro, e vai continuar fazendo isso e agregando conhecimento à aventura de viver neste planeta. Às vezes erra e retrocede, às vezes acerta e a gente avança, e vai ser assim sempre. Não há uma linha contínua ascendente, há só o experimentar, dentro das condições de espaço e tempo. Acho isso incrivelmente bem colocado, mas o grande problema nosso é o apego humano atávico e natural ao resultado da ação, ao sucesso. É isso que nos aprisiona, angustia e frequentemente nos faz tomar partido e sermos competitivos, opositores e agressivos . De fato como dizia Don Juan deveríamos, na experiência, agir por agir sem o olho na recompensa. Parecido com o Dzogchen. Não é fácil...
O grande pepino da representatividade é que quando eu, pelas razões que forem, dou a uma outra pessoa uma parcela ou todo o meu direito ou poder para que ela em meu nome o exerça por mim, o problema já começou. Eu junto os meus demônios com os do meu representante, e não as minhas virtudes com as dele. É só olhar para o que está aí à nossa volta. Não importa que o representante seja uma pessoa, uma entidade, o Estado. É sempre a mesma coisa. 
Não há formas de, ao dar a parcela do meu poder para alguém agir em meu nome, cobrar efetivamente que as suas decisões sejam como seriam as minhas. E se fossem, talvez fosse pior, falíveis que somos aos 7 pecados capitais. Mas voltando, as decisões dos representantes nunca serão as mesmas minhas pelo direito que lhe dei ao votar, pelo menos não totalmente. É uma questão de matemática, de estatística, de probabilidade: na melhor das hipóteses não há duas pessoas ou instituições que tenham as mesmas opiniões sobre tudo, como espelhos uma da outra. Mesmo que o representante seja honesto, ele pode concordar com você no item segurança, ou impostos, mas não no item educação ou transportes. Em se tratando de políticos e representados então, não há a menor possibilidade de representatividade. Esqueça. O político não tem ideais, só interesses. 99% deles só querem exercer o poder como resultado do apego natural do ser humano, do pecado capital do orgulho, e nós entramos na deles. Se elegeu, te esqueceu. A mola propulsora deles é o apego à auto imagem misturado ao do poder, do dinheiro... A gente pode encarar o mundo de uma forma zen, mas não é cego. No caso da política, vi há alguns anos a entrevista de um presidente de uma grande agência global de publicidade dizer sabiamente: “Os políticos só pensam em duas coisas: em si mesmos e nas próximas eleições”. Ponto. E não se iludam que as “plataformas ideárias dos partidos” resolvam isso para você, porque "os partidos são um degrau a mais de representatividade além do representante político, entre você e o mundo, como se já não bastasse" 
Os partidos não são necessários. Você nunca pensou nisso?  Pois é. É a força do hábito, cumpadre e cumadre. Sempre foi assim, né? Se pensar melhor, os partidos não deveriam existir. Eles são aglomerados confusos, indistintos, ávidos, mentirosos e perigosos  de “busca do poder a qualquer preço”, e são todos farinha do mesmo saco (veja o partido que nos governa e todos os outros), e como qualquer ser no universo, ao serem criados, os partidos não querem mais morrer, graças aos interesses e a energia dos seus criadores colocada neles, partidos. A carta 15 do Tarot fala exatamente disso. Veja a imagem dela lá no Tarot de Marselha: os dois seres humanos embaixo criaram algo que os acorrentou. Esse é o Diabo, the true, que passa a dirigi-los. A criação passa a dirigir o criador. Leiam sobre essa carta no livro Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarot. É de uma sabedoria cristalina sobre a natureza mágica da criação dos seres, entidades, grupos, filosofias, idéias, anseios, desejos e o escambau. Nada que foi criado quer morrer, por pior que seja...
E tem mais: hoje com o desenvolvimento e a popularização da informática, o barateamento natural do computador, os projetos de acesso fácil a ele pelos pobres, os aplicativos incríveis, nem os políticos são necessários entre você e o que você gostaria para a sociedade. Fazer leis é uma coisa muito importante para ser deixada nas mãos de políticos. Deve ser deixada nas mãos da sociedade civil, assessorada por alguns doutos juristas. Chega de representantes. Basta um computador ou celular, e você pode votar lá da praia, da beira do rio pescando, ou de uma plataforma no espaço. E mais: pode votar uma vez por mês, ou por semana ou por dia, em alguns segundos, sobre uma diversidade incrível de temas importantes. Um plebiscito único a cada vez. O Brasil tem uma experiência única e campeã no mundo sobre o voto eletrônico que supera os países mais ricos inclusive os EUA cujo sistema  de voto, conteúdo e forma, é da idade da pedra. Então só falta o voto informático. Já pensou? Você poder votar toda semana sobre o que você deseja do Estado e Governo, nos níveis municipal, estadual, e federal, sobre a sua rua, cidade, país, em termos de temas como educação, segurança, economia, impostos, prioridades, etc. É isso aí. Queremos o PSIU – Plebiscito Semanal Informático Único!
Mas o problema não se restringe só à política. É estendido para outras áreas como a religião, associação de classes, os sindicatos, e a rigor para qualquer área do relacionamento humano desde o casamento até a torcida organizada de futebol. Qualquer tipo de representante,  religioso, político, sindical, é farinha do mesmo saco, apesar de os primeiros exibirem maneiras sacerdotais e seu ar sagrado, e os outros se mostrarem como salvadores imprescindíveis dos votantes. Com raras exceções de um mestre autêntico, eu passo o meu poder como uma bola redondinha ao líder religioso e ele o devolve a mim como uma bola quadrada, me castrando com a sua visão do mundo que sei lá de onde veio, e com os interesses mais obscuros e inconfessáveis por trás. É uma prisão com o meu consentimento. Vocês observaram ano a ano como os lideres religiosos, pastores, padres e outros estão ficando mais seculares, interesseiros e negociantes, perdendo a antiga compostura e dando opiniões nas amplas entrevistas na mídia, tentando conduzir o voto dos  fiéis sonsos, conforme os interesses mundanos das “plataformas religiosas” que seguem, tentando conduzir não só votos como as mentes? Só não perdem para os políticos que são mais agressivos, venais e corruptos  e buscam o poder descaradamente a qualquer preço. A religião quer voltar a se unir ao Estado ou governo, mas para comandá-lo. As duas instituições, quando perdem a eleição, tentam conduzir o rebanho que votou neles para outros políticos, sejam até do partido opositor, conforme os interesses dos partidos. Uma geléia geral. Tudo gado. Já pensou no que significa isso? É o ó do borogodó! 
Mas voltando: o representante religioso, sindical ou classista é também o mesmo Demônio da carta 15 do Tarot. Pau neles também.
Vejam os sindicatos, outra entidade que faz a mesma coisa. Você se sindicaliza e dá parte do seu poder a uma cúpula e um líder que, como os políticos, só quer o poder político a qualquer custo. Sindicalismo e política é a união da fome com a vontade de comer, um casamento explosivo e danoso entre gatos do mesmo saco. Você e os seus interesses profissionais ou de classe são irrelevantes para eles. É só olhar em volta e ver.
O sindicalismo sempre foi uma das maiores matrizes da corrupção no mundo. Nos EUA criaram e desenvolveram a máfia nos já poderosos setores portuário e de construção civil. Até na Polônia nos anos 70 e 80 o aparentemente austero e aplaudido sindicato socialista Solidariedade e seu líder Lech Walessa, que serviram de modelo aos líderes sindicais brasileiros em ascenção na época, foram pegos com a boca na botija. Um escândalo inacreditável naqueles anos mais ingênuos. Alta corrupção. Quem gosta de História que veja. Os sindicalistas brasileiros então, no embalo, juntando-se com a “Igreja Progressista”, líderes estudantis (hoje ex-ministros corruptos) e os “intelectuais de esquerda” (eu não entendo como um intelectual pode ser de esquerda ou direita) fundaram o Partido dos Trabalhadores, cuja bandeira era a honestidade. Uma vestal incorruptível, ao contrário dos outros partidos que, sabemos, eram corruptos também, mas não se fingiam de honestos, daí o desencanto de muitas figuras sérias que deixaram o partido. O resto você já sabe. O ex-ministro mais forte dele, condenado por corrupção, sempre se declarou stalinista, porém (pasmem) "um arauto da Democracia". É possível? Aos que não sabem, Stalin sempre foi historicamente conhecido como um genocida, culpado da morte de 4 a 10milhões de pessoas, em grande parte russos. Te'sconjuro, sô!
Uma pena, para um partido que realmente fez algo bom em termos de resgate econômico da classe pobre e sem cultura no Brasil, se bem que de forma clientelista, do tipo “toma lá, dá cá”: eu dou uma Bolsa-Qualquer em dinheiro e você, pobre, dá o seu voto. Não precisava disso.... Mas fica a perguntinha incômoda: o verdadeiro chefão não sabia de nada? Novamente? O Ministério Público parece que vai dar uma olhadinha nisso... Se fosse um diretor de uma empresa, já estaria demitido ou preso, no mínimo por não saber de nada.
Então você, que é esperto pergunta:  “Como resolver o problema enganador e perigoso da representatividade?” Eu não sei. Dei umas idéias acima, mas acho que temos que começar a experimentar as soluções como a humanidade tem feito até hoje, como disse o Matias de Estefano. Mas mesmo que você se envolva nisso para tentar fazer mudanças, aja como no Dzogchen, sem apego ao resultado, “agindo só por agir”, porque além de tudo ser ilusório, o resultado da ação pode não acontecer do jeito que você gostaria, ou pode demorar mais que a sua vida, já que é uma experiência no tempo. Conselho: apesar do possível empenho ou entusiasmo na ação, não se pode deixar arranhar pelo apego ao resultado. O apego emocional faz mal ao fígado, rins e coração, no mínimo...

NOTA: Segue comentário recebido 12 horas após a postagem, de uma leitora lá das Gerais: 
"Oi Arnaldo,
Incrível o seu texto e a sincronicidade!
Pela primeira vez tive que fazer um trabalho de assessoria de imprensa para uma campanha municipal e fiquei muito abalada fisica e mentalmente com as pessoas que convivi, com as situações, e muitas vezes fiquei me perguntando: - meu Deus, por que estou passando por isso?
Parece que minha vida é estar no meio de pessoas adormecidas. Foi um trabalho muito cansativo, por todos esses motivos que você citou no texto e por minha descrença no "segmento".
Foi um desafio me manter equânime, sem me deixar levar pelo furacão. Ainda estou me recuperando...
Sempre maravilhoso te ler, amigo Arnaldo!
Abraços

Flor"

Ela está falando da corja que toca a nossa política. Se as pessoas sérias não ocuparem esses lugares, eles continuarão lá!


domingo, 24 de junho de 2012

Diminuir a bagagem

O Louco - Tarot de Marselha
 Hoje o assunto é um bate-papo intimista ao pé do fogo, sobre um tema caro a todas as tradições autênticas: diminuir a bagagem. Aquela que a gente acumula nas nossas experiências de vida, não só dos grandes momentos mas da tralha miúda do dia-a-dia com a labuta, o di-nhei-ro, o outro, a fila do banco e do supermercado, o trânsito infernal, o metrô, as notícias, os políticos, os amigos, inimigos, enfim tudo o que se transforma em hábitos corporais, emocionais, sentimentais, e escondidamente se deposita nos nossos corpos, desde os mais densos até os mais sutis...
Precisamos fazer isso, jogar o excesso de bagagem que acumulamos nessa vida, para passar pelo controlador deste trecho da viagem, que no fundo somos nós mesmos, sorrindo com aquela leveza de quem nada deve. Diferentemente dos vôos de avião, não pagaremos pelo excesso de bagagem, apenas não levaremos nada. Simples assim. Já pensou?  E eles nem avisam na hora do check in. Só quando o avião decola para a viagem é que neguinho nota que a bagagem ficou. Tudinho. Pior que isso, a vítima está nua. Não das suas vestes, mas do próprio corpo mesmo. Só restou uma consciência que está vendo tudo. Cruis credo!
Diminuir a bagagem é só uma força de expressão: precisamos mesmo é zerar tudo. Não vamos precisar de nada no nosso destino do outro lado. Como disse  Armando Torres, o índio descendente dos toltecas, no livro “Encontros com o Nagual”, estamos de passagem, somos viajantes temporários e estamos num mundo-prisão”. Vamos embora sem levar nada". Nem ao menos o corpo e a mente ...Então, uma boa técnica é a gente começar a treinar esse diminuir a bagagem com as coisas pequenas no nosso dia-a-dia.
Algo me diz que a Presença é um meio eficaz de zerar a bagagem antes mesmo de ela se transformar em bagagem, porque percebo que se a gente se dedicar de fato a entender o mecanismo e agir no momento exato em que percebemos que estamos guardando o lixão no sótão, ou seja emoções, mágoas, ódios, más lembranças (para carregar pelo resto da vida) o processo de guardar não acontece.  A gente só acumula quando não está ciente de Si Mesmo, está identificado com as coisas, os bens, as posições, as emoções, as idéias e conceitos. Está distraído, apegado, enfim... está dormindo.
O Apego do ego nos faz guardar as nossas experiências de uma forma tão ciosa e intensa que parece que vamos levá-las para sempre conosco, o que absolutamente não é o caso. A pergunta aqui é “o que vamos de fato levar conosco para a outra encadernação” (rsrs), e que nos obriga a ficar aumentando a bagagem a níveis insuportáveis? Com certeza não levaremos nada que esteja na mente, talvez nem ela própria, mas uma outra mente não individualizada, novinha em folha, zerada. A nossa missão, já dissemos, é gerar Consciência para o grande reservatório do Mar Escuro da Consciência, mas não guardar as experiências vividas para sempre conosco. Como já dissemos em várias postagens, como A Recapitulação, O Mar Escuro da Consciência, O Desnate - O mistério da Percepção desvendado, devemos na hora da morte entregar voluntária e conscientemente as nossas experiências vividas, para poder morrer conservando a Consciência após a morte, na forma conhecida pelos toltecas como “a liberdade total”. Meu grande amigo Constantino, (www.clubedotaro.com.br/) astrólogo e tarólogo, está sempre fazendo essa pergunta incômoda. Um chato... Ele diz: “porque espíritos evoluídos como os grandes lamas tibetanos ao renascerem, mesmo reconhecendo os seus pertences que usaram em outras vidas, tem, como bebês que são, que ser ensinados novamente na vida corriqueira e na tradição budista como um outro ser humano qualquer? O que permaneceu?”. Nem ao menos o corpo, a mente comum, as experiências, o carro importado, o nosso grande amor, o apartamento em Paris, ou Carapicuiba, sei lá...
Eu, particularmente descobri vários aspectos do meu “agarrar e guardar na bagagem”: primeiro sinto que não tenho muita dificuldade com os bens materiais, fato que martiriza muita gente. Posso ter e viver com pouco, e a idéia de perder o que tenho me preocupa,  mas não tira o sono por completo. Mas isso não é vantagem nenhuma, porque a coisa me pega quando se trata de mudar ou aceitar novas idéias, conceitos intelectuais, “princípios”. Na verdade nada de novo, só muda a materialidade da bagagem, porque são as mesmas coisas a que a gente se apega e guarda em alguma fase da vida,  e que passam a formar a estrutura na qual o ego se apóia, dando a falsa noção de identidade, de “eu sou”.  Isso é a bagagem, cumpadre e cumadre. Varia só o tipo da tralha.
Quando se está alerta no presente, a gente vê o processo se desenrolar à nossa frente e passa a ter uma mão no jogo, ou pelo menos a possibilidade, mesmo que remota, de ver os contornos, o gosto desse agarrar, e então tomar a decisão alternativa de não agarrar, ou pelo menos se observar agarrando, ter ciência de que está agarrando e qual é o preço a pagar. Quando não estamos alertas, viramos nós  mesmos o combustível do processo com toda a dor associada a ele. Caímos na “máquina de moer carne” e saímos salsicha do outro lado.
Nada disso aconteceria sem o Apego, simbolizado na mandala da Roda da Vida pelo galo, essa energia alerta e escondida lá no fundo de nós mesmos e que gera e dá combustível ao agarrar. Falamos do Apego em pelo menos 3 postagens, A Ignorância, o Apego, o Ódio, O Apego, como ele nos fisga, como se soltar... , O Sonho - Visão Budista. Nessa última, o Budismo, uma tradição extremamente pragmática e conhecedora profunda dos nossos veículos de expressão e desse “estar no mundo”, chega ao capricho de mostrar o caminho do Apego dentro de nosso corpo físico e energético: um canal que entra na narina esquerda, sobe  contornando o lado do cérebro e desce ao lado da coluna até um ponto interno a 4 dedos abaixo do umbigo. Aí está o mapa do Apego. Quando respiramos o ar juntamente com a Energia Vital (o prana esverdeado), ele faz esse percurso eliminando a energia ruim que é expulsa no topo do canal central no chakra coronário no alto da cabeça e substituindo-a pela nova energia, verdinha em folha.  Aliás, é curioso o fato de que a cor verde-claro do prana ou Energia Vital,  tão querida da Natureza e da Ecologia, é associada ao planeta Vênus, o mesmo que rege o Amor. Coisas do Invisível.
Quanto mais fizermos esse percurso conscientemente na respiração rotineira, presentes no Agora, mais estaremos em contato saudável com o nosso Ser. Beleza pura.
O Tarot, uma das tradições de profundo conhecimento interior mais caras e autênticas da raça humana, tem uma carta inspiradora que ocorre sobre o tema diminuir a bagagem. É a carta O Louco. Afora interpretações contraditórias sobre se essa carta deveria ser a carta 0 (zero), a 21 ou a 22, a letra 21 do alfabeto hebraico, “Shin”, é dita ser atribuída ao Arcano “O Louco” e se acrescentava que o nome esotérico do Arcano é... Amor.
A figura do Arcano O Louco é um homem vestido com a roupa de bobo da corte caminhando apoiado num bastão na mão direita e levando uma pequena trouxa suspensa por outro bastão apoiado no ombro direito. Caminha atacado por trás por um cão que lhe rasga a roupa, do qual não se defende com o bastão. Um louco do bem, associado a figuras como Dom Quixote, o Judeu errante, Dom Juan (o espanhol, não o tolteca), Orfeu, e Fausto (de Goethe).  
Segundo o livro Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô, de um autor profundo e anônimo como os que construíram as catedrais góticas, e que considero o que de melhor já se escreveu sobre o tema, a carta do Louco ensina a habilidade de passar do conhecimento intelectual para o superior, devido ao amor. Como disse acima, foi feito de encomenda para mim, e tantos outros que julgam erroneamente que a bagagem inconveniente é feita só de coisas concretas como dinheiro e posses materiais, e que as idéias não se aplicam ao caso. Na verdade, o que vemos no mundo é que os defensores de idéias são tão ou mais ferrenhos que os das coisas materiais. As guerras provém de idéias geradas pelos seres humanos adormecidos que comandam os povos, segundo Gurdjieff, após um momento astrológico de fricção entre dois corpos celestes.
O Arcano O Louco pode ser compreendido como um modelo com duas vertentes. Ou o intelecto pode ser sacrificado a serviço da consciência transcendental como fizeram Santa Tereza D’Ávila e São João da Cruz, onde ele era absorvido pela Presença Divina em seus arrebatamentos, ou pode ser abandonado simplesmente como fazem os dervixes giradores e monges Zen que experimentam uma parada do intelecto em suas práticas. Ainda nessa linha de abandonar, estão os monges budistas que praticam o Dzogchen, ou seja não se muda nada no mundo,  apenas deixa-se fluir e observa-se no Agora.
A fusão do intelecto com o espiritual é o matrimônio do Sol e da Lua do qual resulta o terceiro princípio, chamado na Alquimia de “pedra filosofal”, que simbolicamente transformava os metais em ouro.
Não há nada de errado com o intelecto, apenas ele deve ser conscientemente “sacrificado” à espiritualidade através da Meditação. Ele deixa de ser o condutor e orientador da vida e é silenciado no vazio, dando um espaço para que algo realmente transcendental desça. O Cristianismo Esotérico chama isso de A Graça. A Meditação é um meio de se despertar a Consciência como um todo para as revelações do alto e não apenas o Intelecto que é uma ferramenta inadequada para isso.
Sacrificar o Intelecto é uma espécie de morrer, o que deixa o ego muito incomodado, mas quem tenta isso com persistência e fluidez começa a perceber em instantes do dia-a-dia sentimentos sutis e fugidios que vem de algum lugar insondável, mas que dão ao praticante uma inefável e agradável certeza de que ele está no caminho certo.
Comece a sacrificar o intelecto para diminuir a bagagem, tentando ficar 30 segundos sem pensar em nada. Pauleira pura, companheiros de jornada...

domingo, 19 de junho de 2011

O Raio de Criação

Você conhece um brinquedo da antiga tradição esotérica russa chamado “matryoshka” ou “babushka”? Ele é formado de uma bonequinha que fica dentro de outra, dentro de outra... até formar 7 bonecas. Não conhece? Que pena. Então você não vai compreender o Raio de Criação... (rsrs)
Na publicação anterior,  A Lei de Três, dissemos que O Absoluto, composto de 3 forças unidas, cria um “mundo de segunda ordem” onde as três forças já divididas, ao se encontrarem criam novos “mundos de terceira ordem”. Nesses mundos, além das 3 primeiras forças do mundo  anterior, há mais 3 desse próprio mundo. E vai assim até formar  7 níveis de mundos, um dentro do outro, cada um com 3 forças  a mais que o anterior. Alguma semelhança com a babushka?
Você vê? O brinquedinho inocente é uma forma de perpetuar uma tradição de conhecimento interior, como é também o Tarot e demais baralhos, o jogo de amarelinha, as danças e músicas sagradas, as lendas, o ritual do chá, o tiro de arco... É o tradicional uso de qualquer arte, jogo, brinquedo, dansa, ou coisa corriqueira da vida como apoio do buscador para a busca interior. Quer coisa mais simples que fazer um chá? Pois foi transformada em um apoio e uma arte na busca de Si Mesmo, da evolução. Coisa de gente séria...A vida não é considerada pelos orientais como um fim em si, mas apenas um meio, um palco de ação. O fim é a evolução. Esse conceito é muito difícil para nós ocidentais educados para o sucesso material, o ter em lugar do ser, a forma em vez da essência.
Vamos então simplificar essa coisa de 7 níveis de mundos com um quadro:
“Mundos”
Nível
Leis atuando
Cosmos
Plano
Analogia
Absoluto
1
1
Protocosmos
Atmico
?
Todos os mundos
2
3
Ayocosmos
Budhico
Todas as Galáxias
Todos os sóis
3
6
Macrocosmos
Causal
Via láctea
Sol
4
12
Deuterocosmos
Mental
Cada sol
Todos os planetas
5
24
Mesocosmos
Astral
Cada planeta
Terra
6
48
Microcosmos
Físico
A terra
Lua
7
96
Tritocosmos
?
A lua

Observem que no nosso “mundo”, a Terra, há 48 leis atuando sobre nós, no nível em que estamos da Criação.
Esse é o tal “Raio de Criação”, composto de 7 degraus, do qual você está no sexto, longe do Absoluto, bem em baixo (rsrs). Cada raio individual da Criação sai do Absoluto, (mundo de nível 1), não imaginável pelos nossos parâmetros habituais, e termina num satélite de um planeta (nível 7), extremamente denso em termos de energia, de materialidade. É como se a Criação fosse uma grande esfera composta de raios que saem do centro para a superfície exterior mais densa em termos de energia, ou materialidade. Um desses raios termina na nossa Lua. É o nosso.
Nessa esfera, em cada nível, as infindáveis trindades criadas dentro dele, criam outras infindáveis trindades indefinidamente. O raio que chegou até a Terra e Lua é só um único deles, dentro da esfera multidimensional que é o Absoluto.
Você vai dizer: “Muito bem, e o que significa para mim isso de 48 leis?”
Bem, significa, segundo o que dissemos  em O Ser e o Caminho de Volta, que você é um viajante, um Ser que está muito longe de casa, num país que tem lei que não acaba mais. Aliás até já esqueceu de onde veio e para onde deveria ir. Uma tristeza... Mas não desanime não, viajante (rsrs). Apesar de tudo a viagem é interessante. Aliás, muito aqui entre nós, nem dá para desistir dela. Alguns até tentam...
O problema é que para voltar dessa viagem de ida, tem muito chão para percorrer. Você vive atualmente  em um mundo sujeito a 48 ordens de leis, ou seja, longe da vontade do Absoluto, num canto muito remoto do universo e muito triste. Você está longe do centro de decisões, da Luz, na beiradinha de uma galáxia, quase caindo (rsrs), perto de um sol pequeno, num planetinha de... de nada, maltratado por você e seus semelhantes.
Quanto mais longe do Absoluto, o aumento do número de leis torna tudo mais difícil, porque tudo é mais denso. E a sua missão é tomar a matéria densa desse escafandro onde você escolheu se meter, e tentar refiná-la, torná-la mais sutil para acessar mundos de qualidade também mais sutis. Não é o nosso espírito que tem que retornar, mas a matéria densa do nosso Ser, inclusive do nosso corpo, que deve ser refinada por nós como se fôssemos uma usina de purificação, e levada de volta ao Absoluto. Esse é o caminho de evolução dos Universos e de nós mesmos. As tradições  simbólicas falam dessa descida e subida como foi citado em O Ser e o Caminho de Volta: o Cristianismo Esotérico fala isso na forma de símbolos quando trata da Encarnação do Verbo na Virgem Maria sob a forma do Filho (a descida do Espírito no Raio de Criação) e depois a Ascenção do Filho (a subida por sua própria vontade e esforço). Da mesma forma a Alquimia fala simbolicamente em transmutar metais densos em ouro. É a mesma coisa.
Na volta tudo parece difícil, e você não tem uma mão nesse jogo. Vai dar muito trabalho voltar para poder  “sentar à direita do Pai” segundo diz também metaforicamente a tradição cristã.
Aliás, aqui entre nós,  a Terra, como Ser, é que é regida por 48 leis. Nós humanos estamos entre 48 e 96 leis. Só entrando em harmonia com ela temos a possibilidade de estar sob 48 leis. Quando estamos mergulhados na escuridão da ira, inveja, e demais "pecados capitais", estamos no 96. No mundo da Lua.
Mas nós pelo menos temos uma escolha: podemos começar agora a tentativa de subir para 48 ou níveis mais finos, ou deixar para depois, correndo o risco de descermos para 96. (rsrs... ou... sniff, não sei bem qual...). Há um ditado nas tradições que afirma : “Quem não evolui, regride”.
Agora fica claro para os seguidores do caminho tolteca quando Don Juan responde para Castaneda
“- Quarenta e oito é o nosso número - disse ele. - É isso que nos torna homens. Não sei por quê. Não desperdice seu poder fazendo perguntas tolas.” ( A Porta para o Infinito, pág. 38)
Ou então:
“- Para os videntes, significa que há 48 tipos de organizações (leis) na terra, 48 tipos de feixes ou estruturas. A vida orgânica é um deles.” (O Fogo Interior, pág. 54)
Os toltecas sabiam das coisas...
Resumindo: para a gente entender o fenômeno da criação, qualquer que seja o produto dela, primeiro devemos nos aprofundar no conhecimento da Lei de Três. Quem quiser se aprofundar pode ler o livro "Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido" sobre o Quarto caminho, de P. D. Ouspensky. Depois de entender com a cabeça, compreender o funcionamento dela dentro de nós.
Após a Lei de Três que rege a Criação e forma o Raio de Criação, para entender a evolução posterior de qualquer coisa ou fenômeno após ter sido criado, devemos conhecer uma outra lei fundamental, a Lei de Sete ou Lei da Oitava.  É fascinante.
Quem for muito corajoso mesmo, vai então tentar combinar a Lei de Três com a Lei de Sete e descobrir o Eneagrama, esse símbolo de difícil compreensão, cujos fragmentos praticamente se perderam na história das tradições, e foram transformados por dois sul-americanos no século passado em uma caricatura bem enfeitada, sedutora e falseada, do conhecimento original. Logo mais devemos falar disso. Aguardem.
NR – A teoria dessas leis (a autêntica) é misteriosa e atraente, mas nada vale se não a praticarmos e a descobrirmos em nós mesmos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O 13º signo do Zodíaco: Ofiuco

Como diz a mídia eletrônica...
“ - Atenção, atenção: Interrompemos nossa programação para uma edição extraordinária sobre a última abobrinha que está intrigando as pessoas no mundo inteiro...”
Há um frisson “pseudo esotérico” no ar já há algum tempo. Astrônomos e astrólogos batendo boca. Socialites e celebridades tupiniquins desolados porque “vão mudar de signo”...uma coisa ho-rro-ro-sa!...
 Vários amigos também tem falado comigo intrigados sobre uma matéria de uma revista nacional, vocês-sabem-qual , da semana  de 26/01/2011, que malandramente tomou carona numa notícia veiculada para o mundo, a partir do, vejam vocês, estado americano de Minnesota, o novo centro da cultura astrológica do planeta!.
Lá, em entrevista à rede NBC, um professor de astronomia que deve ser "altamente qualificado" chamado Parke Kunkle, que ensina astronomia a alunos numa faculdade técnica de Minneapolis, o Community and Technical College,  explicou que, “por causa da atração gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, o alinhamento das estrelas foi empurrado por cerca de um mês (?). Então surgiu um novo signo que seria o de Serpentário - ou "Ophiuccus".
Esse bando de astrônomos fica anos naquela paradeira olhando o céu dia e noite, e não sabe como arranjar seus “quinze minutos de fama”...desta vez eles quase conseguiram. São todos candidatos a Karl Sagan, ou mesmo Isaac Newton, que poucos sabem, era  astrônomo e astrólogo sério, e não falaria uma asneira dessa (me perdoem, eu quis dizer "uma incorreção dessas"...).
Segundo Kunkle, “conforme a Terra e o Sol se movimentam, os signos mudam”. O astrônomo disse que "essa mudança não aconteceu do dia para a noite"...ufa, que bom! O que ele deveria ter dito, e não sabe, é “conforme a Terra e o Sol se movimentam, a visão aparente das constelações muda”. Isso sim é Astronomia, área da qual ele não deveria ter saido.
Vocês percebem que se trata de um astrônomo, se é de fato, falando de Astrologia.  Lembra um personagem do desenho americano South Park que dizia “-... Irã, Iraque, é tudo a mesma coisa...”
A notícia é velha, requentada e oportunista. Volta e meia aparece novamente. Nenhum astrólogo que se preze tem mais paciência para ficar explicando isso. Só serve para vender mais revista aos desavisados e fazer esse “auê” boboca do tipo, como o Chacrinha dizia, “Eu não vim pra explicar, mas pra confundir”. Mas vamos falar mais uma vez a respeito dessas abobrinhas jornalísticas, plantadas por falta de assunto:
Em primeiro lugar a única coisa pior que astrólogo que não conhece astronomia, é astrônomo que não conhece astrologia. E pior que as duas é jornalismo de segunda linha que não se aprofunda na veracidade e conteúdo da informação. É o caso desse pessoal de Minnesota, cujas afirmações errôneas encontram eco num pseudo-jornalismo “fake” como o dessa revista em questão. Mas em todo o mundo é assim.  Na Inglaterra então, nem se fala...
Precisamos esclarecer que a Astronomia nasceu junto com a Astrologia e apesar de sua função nobre no conhecimento humano,  sua única contribuição para a Astrologia é fornecer a posição dos astros no céu para se fazer as Efemérides, ou seja a sua posição instantânea nos graus de cada signo. Qualquer coisa além disso é invadir território. Por que?
Porque, como diz o Alexey, diretor da CNA – Central Nacional de Astrologia (e qualquer aprendiz de Astrologia sabe), signo não é constelação. Isso já bastaria para encerrar o assunto. A astrologia ocidental tropical não considera como signos as constelações. Deste modo, nenhum signo mudou e o simpático Ofiuco não é um novo signo, continua sendo uma constelação, como aliás sempre foi. Os signos vão ser sempre 12, não porque os astrólogos são conservadores, mas porque conhecem a essência de “o que é a Astrologia”, um conhecimento simbólico, e por isso, de nível qualitativamente superior ao conhecimento comum.
A astrologia védica indiana sim considera as constelações mas somente para demarcar o início do zodiaco sideral (ou zodiaco das constelações). No restante ela ainda considera os doze signos. Então esses astrônomos americanos deveriam tirar satisfações na Índia, com os astrólogos védicos, ora essa. (rsrs).
Vamos lá explicar isso, pela penúltima vez: (rsrs)
A Astrologia lida com signos que são coisas simbólicas, arquétipos, conteúdos metafísicos. São símbolos...vamos repetir, “signos são símbolos “, e não coisas factuais como lápis, maçã, computador, crocodilo...É por isso que receberam o nome de signos, e não outro nome. Já a Astronomia lida com a realidade factual do universo conhecido, ou seja, corpos celestes, suas composições químicas e físicas, distâncias, campos magnéticos, órbitas, atrações, gravidade (que aliás nem os cientistas sabem de fato o que é), etc, etc. Então os signos serão sempre 12, tanto na astrologia ocidental como na oriental, porque 12 (ou 3x4) como também o 7, são números ligados à vida no Universo, às estações do ano, à divisão do ano em meses,  à divisão do círculo, às cores das “ondas de forma” na Radiestesia, etc... Já pensou, dividir as estações do ano com essa nova lógica? Ou o calendário?
Pitágoras, matemático grego, profundo conhecedor das relações entre os números e os símbolos e mitos humanos cujo significado é metafísico, deve estar se revirando na tumba cada vez que ouve falar nesse assunto fervilhante de abobrinhas.
Nesse raciocínio inconsequente, teríamos que mudar a simbologia dos 12 Trabalhos de Hércules, arquétipo estreitamente ligada à Astrologia, só para agradar esses astrônomos metidos a astrólogos. E se a moda pega, alguém vai sugerir mudar os 8 trigramas do I Ching, ou os 22 Arcanos Maiores do Tarot, ou os 3 elementos das Trindades de todas as tradições antigas. Já pensou? “-Atencão pessoal, a trindade hindu agora são 4: Brahma, Vishnu, Shiva e Sei-lá-o-que”...É só um numero a mais ou a menos, não é?...
A armadilha que existe, e que confunde esses incautos e incultos pseudo-astrólogos e pseudo-jornalistas, é que na cinta dos signos que envolve o sistema solar, os signos tem o mesmo nome e a mesma ordem sequencial que tem as constelações na cinta das constelações, bem mais além. Para um astrônomo ou jornalista despreparado, só isso já basta para a construção de uma novíssima teoria astrológica. Alem da semelhança enganadora, a única diferença é que os 12 signos tem o mesmo tamanho entre si (30 graus) e as constelações não, (há pequenas e grandes) mas quem liga para isso?
Quem quiser explicações adicionais mais educadas e politicamente corretas sobre o assunto, pode consultar abaixo o site do astrólogo Hector Othon, ou da astróloga Elisabeth Nakata, o da CNA - Central Nacional de Astrologia, e outros.
E tenho dito...

http://elizabethnakata.webs.com/.
Sobre Astrologia séria, consulte  www.constelar.com.br e www.astrothon.com
Sobre Tarot e I Ching sérios, consulte www.clubedotaro.com.br

PS - Não sou astrônomo nem astrólogo, mas a Dona Josefina me ensinou a só dar palpite sobre coisas que eu conheço...