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domingo, 21 de agosto de 2011

Desconstrução

Antes que alguém pense que mudei de sexo, informo que inauguramos hoje, com uma mulher, a ‘publicação de textos de colaboradores no blog’. Só tem uma condição: ser coisa boa (o texto), porque o nosso leitor é muito exigente (rsrs). Foi a Patrícia, amiga do peito e de armas, que me falou do indiano e jesuíta Anthony Mello. Antes de falecer em 1987 ele era diretor do Sadhana Institute of Pastoral Counseling em Poona, India. E eu, que tenho pensado muito no resgate do Cristianismo, como um caminho interior esotérico autêntico que é de fato, valioso, rico de verdades, e tão esquecido graças ao efeito desolador da ‘Lei de Sete’ sobre o Cristianismo Primitivo, pensei "É isso aí. É a vez da Patricia dar o recado”. Não se influencie, no texto do jesuita, pela linguagem “não moderna”, e termos às vezes devocionais do Cristianismo. É assim em todas as tradições autênticas: Santidade, Graça,  Iluminação, Consciência ou Despertar, é tudo a mesma coisa; “Filho do Homem” não é Jesus, que vai vir de algum lugar de fora nos resgatar a todos numa boa. Isso não vai acontecer. Pelo menos não ao pé da letra. É uma linguagem simbólica. "Filho do Homem" é o filho de você, Humano (a), um Ser Novo que poderá nascer de dentro de você, se você se aplicar e ficar presente no Agora. Esse é o significado. Cada tradição tem a roupagem e a linguagem diferente da cultura e do seu tempo. O que importa é a essência. É colocar a Consciência no Agora. Agora!
Com a palavra a Patrícia:

Buscadores de plantão....Procuro Achadores.
Quando aterrisei neste planeta já cheguei inquieta e quando me coloquei em marcha, a palavra “buscador (a)” tinha um sabor incrível...Que aventura! Encontrei pares com quem compartilhei as diferentes trilhas, linguagens e inquietações parecidas, tive trocas profundas, encontrei grupos, guias, seres extraordinários,  participei de vivências, praticas espirituais fortíssimas, com companheiros, sozinha, cavernas, danças, com comida, sem comida  sempre  em marcha, em  busca da verdade....igual cão farejador...pratiquei, fui disciplinada, às vezes mais, às vezes menos...
De repente, a vida me obrigou a puxar o freio, de forma brusca, provocando ate uma batida e um galo na cabeça! (rsrs). Tive que parar e me perguntar: E ai? O que achei? Onde estou  indo mesmo? O que realmente procuro? Cadê todos os iluminados após tanta busca e esforços?  Não tenho duvidas que  encontrei indicadores excelentes, verdadeiros naguais, e  que segui as instruções de navegação ...mas uma luz vermelha começou a piscar....e não para! Há um tempo a palavra desconstrução vem acendendo na minha tela frontal. É hora de desaprender, desconstruir, largar, soltar, e “VER” o que achei...Achamos. Muita coisa, sim....mas.. pressinto que  é muito mais simples, e no fundo não queremos pagar o preço de “VER”...melhor continuar buscando! E continuar confortavelmente dormindo.
Há semanas converso com outro “buscador”(o blogueiro de plantão deste pedaço)  com quem encontro ressonância nas minhas mais recentes perguntas...a troca tem sido rica....Obrigada Preto. E sendo assim resolvi passar para meu amigo mais um dos meus achados... Carrego-o há anos na bolsa. Encontrei-o numa dessas crises, de: “cadê algum representante da minha religião de infância?”...”será que não tem ninguém ai que fale minha lingua”? Eis que pulou na minha frente um jesuíta. Sim um jesuíta! Anthony de Mello. Livrinho pequeno, Way to Love (infelizmente não foi traduzido) que carrego para ler e receber as porradas necessárias...é tão simples sua linguagem que dói. Segue aqui uma tradução que fiz e compartilho, pois acredito que ele tem algo a nos dizer...uns vão dizer, ‘Ah, já conheço isso’...mas então, será que em algum momento, de 'verdade verdadeiríssima', teve acesso à Consciência da qual ele fala? Se gostarem...traduzirei outros pedaços....um abraço

Esteja Pronto
“Portanto você deve também estar pronto; pois O Filho do Homem virá na hora que você menos espera”. Mateus 24:44.   
Mais cedo ou mais tarde surge no coração de cada ser humano o desejo pelo sagrado, pela espiritualidade, Deus, chame como quiser.  Ouvimos místicos falarem sobre a Divindade ao nosso redor e que está ao nosso alcance, que faria nossas vidas terem significados, serem belas e ricas, se apenas pudéssemos descobri-la. As pessoas têm uma vaga idéia do que é isto. Lêem livros, consultam gurus, em uma tentativa de encontrar o que devem fazer para alcançar esta coisa chamada de Sagrado ou Espiritualidade.
Arranjam todo tipo de métodos, técnicas, exercícios espirituais, formulas; e depois de anos de esforços sem frutos, ficam desencorajados e confusos e se perguntam o que deu errado. A maioria se culpa e pensa: ‘Ah se eu tivesse praticado essas técnicas de forma mais disciplinada, se eu tivesse sido mais generoso, talvez tivesse conseguido’. Mas conseguido o que?  Eles não têm uma idéia clara do que exatamente é esse Sagrado que tanto buscam, mas certamente sabem que suas vidas continuam confusas, ainda estão ansiosos e inseguros, cheios de medo, amargurados, sem perdoar, ambiciosos, pessoas manipulativas e controladoras...
Então mais uma vez se lançam com vigor renovado, no esforço e no trabalho que eles acreditam ser necessário para alcançar sua meta. Nunca pararam para considerar este  simples fato:  seus esforços não os levarão a lugar nenhum. Seus esforços só piorarão as coisas, tal como as coisas pioram quando você usa o fogo para apagar fogo. O esforço não leva ao crescimento; O esforço seja lá qual forma ele tenha, seja força de vontade ou habito, ou uma técnica, ou um exercício espiritual, não leva a mudança. Na melhor das hipóteses leva à repressão e a encobrir a raiz da doença.
O esforço pode mudar o comportamento, mas não muda a pessoa. Veja só que tipo de mentalidade você demonstra quando pergunta, “o que preciso fazer para alcançar o Sagrado?”. Isto não é o mesmo que perguntar,’ quanto dinheiro devo gastar para comprar algo?’ Que tipo de sacrifício devo fazer? Que disciplina devo ter? Que meditação devo praticar para alcançar isso? Pense em um homem que quer conquistar o amor de uma mulher e tenta melhorar sua aparência física modelando o corpo ou mudando seu comportamento e praticando técnicas para encantá-la.
Você só ganha o amor dos outros por ser um certo tipo de pessoa, não pela prática de técnicas. E isso nunca se alcança através do esforço. É a mesma coisa com a espiritualidade e o sagrado. Não é o que você faz que traz isso a você. Isso não é uma commodity que podemos comprar, ou um premio que podemos ganhar. O que importa é o que você é, o que você se torna.
A Santidade não é uma realização , é uma Graça.  Uma graça chamada Consciência, uma graça chamada “Ver”, Observar, Compreender. Se você ao menos acendesse essa luz da Consciência, observasse a si mesmo e tudo ao seu redor durante o dia, se você se visse refletido no espelho da Consciência, da mesma forma que você vê seu rosto refletido num espelho, isto é, com precisão e clareza, exatamente como é, sem a mais mínima distorção ou acréscimo, e se você observasse esse reflexo sem nenhum julgamento ou condenação, você experimentaria todo tipo de mudanças maravilhosas acontecendo em você. Só que você não estaria no controle dessas mudanças ou seria capaz de planejá-las com antecedência, ou decidiria como e quando elas devem ocorrer. É esta Consciência sem julgamento, sozinha, que cura e faz mudanças e nos faz crescer. Mas no seu jeito e no seu tempo.
Do que você deveria ter especificamente consciência? De suas reações e de  seus relacionamentos. Cada vez que você está na presença de uma pessoa, qualquer pessoa, ou na natureza ou em uma situação particular, você tem todo tipo de reações positivas e negativas. Contemple todas essas reações, observe o que elas realmente são e de onde elas vem, sem fazer sermões ou culpar-se ou mesmo ter qualquer desejo, e muito menos esforço para mudá-las. É somente isso que precisamos para que o Sagrado possa emergir.
Mas a Consciência em si não é um esforço? Não, se você já tiver experimentado A Consciência  pelo menos uma vez. Porque assim você compreenderá que a Consciência é um deleite, é o  deleite de uma criança se movendo maravilhada para descobrir o mundo.  Porque mesmo quando a Consciência desvela coisas desagradáveis sobre você, sempre traz liberação e alegria. Então você saberá que uma vida sem Consciência não vale a pena ser vivida porque é cheia de escuridão e dor.
Se no começo há uma preguiça em praticar Consciência, não se force. Isto seria mais uma vez um esforço. Conscientize-se apenas da sua preguiça ou auto condenação. Você então compreenderá que a consciência envolve tanto esforço quanto o esforço que um amante faz para ir de encontro a sua amada, ou um homem faminto faz quando come sua comida, ou o alpinista faz para chegar ao topo de sua montanha amada, tanta energia empregada, até mesmo tantos obstáculos, ou dificuldades, mas não é esforço, é divertido!  Em outras palavras, Consciência é uma atividade sem esforço.
Consciência lhe trará a Santidade que você tanto deseja? Sim e não. O fato é que você nunca saberá. Pois a verdadeira Santidade, do tipo que não se alcança através de técnicas e esforços e repressões, a Santidade verdadeira é completamente sem consciência de si mesma. Você não teria a menor consciência da existência dela em você. Além do que, você não se importará, pois até mesmo a ambição de ser santo terá desaparecido na medida em que você vive de momento a momento uma vida feita de plenitude, alegria e transparência através da Consciência. Basta você ser atento e desperto. Pois nesse estado seus olhos verão o Salvador. Nada mais, absolutamente nada mais, nem segurança, nem amor, nem pertencer a, nem beleza, nem poder, nem  santidade. Nada mais importará!

domingo, 17 de julho de 2011

A Lei de Sete

As 7 cores da vibração da Luz
Um dos documentos mais antigos e obscuros que a Humanidade conhece, a Tábua de Esmeralda, é atribuída pela tradição ocultista ocidental a Hermes Trismegistos, um outro mito que poderia ser o deus Hermes, Thot,  um grande mago, ou um sacerdote egípcio.
Ela começa dizendo que “O que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é igual o que está embaixo, para realizar os milagres da Coisa Única”. É a solene afirmação, que o ser humano esqueceu, de que “tudo está ligado”, e pertence á Unidade. No Cristianismo primitivo, a "queda do Paraíso" é o símbolo desse esquecimento, ao "comer o fruto da Árvore do Bem e do Mal", da dualidade.
A aplicação prática disso para a busca interior da nossa evolução é que o estudo do homem deve se desenvolver paralelamente ao estudo do mundo, do Universo que nos rodeia. As leis são as mesmas, atuam igualmente no homem e no mundo, e são poucas. Às vezes é mais fácil observar no homem, às vezes no mundo, dependendo do caso, e extrapolar de um para o outro. Como já dissemos na publicação da primeira lei do Universo, a Lei de Três, diferentes combinações numéricas de poucas forças criam uma variedade aparentemente grande e confusa de fenômenos, e é preciso decompô-los nessas forças elementares: Positiva, Negativa e Harmonizante, ou o nome que se queira dar a elas.
A segunda lei fundamental do Universo é a Lei de Sete, ou Lei de Oitava, conhecida em todas as tradições autênticas. Para entender o significado dessa lei é preciso compreender que “Tudo no Universo consiste de vibrações” que se processam em todo o tipo de matéria e energia a partir de várias fontes, se desenvolvendo e indo em várias direções, influenciando umas às outras. Esse "tudo" significa: objetos, fatos, eventos, seres, processos, períodos, fenômenos...esquecemos algo?
A lei ancestral, passada de mestre a aluno entre as escolas genuínas, foi reapresentada no século passado por Ouspensky- Gurdjieff de uma forma nova, associada às vibrações das 7 notas musicais, porque por serem vibrações, se prestam didaticamente muito bem  à compreensão dessa lei cósmica, que se aplica a tudo. A lei antiga também afirma o “princípio da descontinuidade da vibrações”. Elas são “não uniformes”, com aceleração e retardamento tanto na escala ascendente como descendente de qualquer fenômeno, ao contrário do conceito ocidental, que ignora o fenômeno. 
Vamos imaginar uma linha de vibrações cuja   freqüência (nº de vibrações) aumenta  de 1000 para o dobro. Há dois lugares onde ocorre um retardamento. Um perto do início e outro perto do fim. Assim:

             1000 vezes                              2000
  |__________ * ___________________* _______|

Essa linha é dividida em 7 partes desiguais e é chamada de oitava. Em tempos muito antigos essa fórmula foi aplicada à música, obtendo-se a escala de 7 tons, depois esquecida e redescoberta. A mesma lei aplica-se às vibrações de todas as espécies alem da música: ao espectro da luz, calor, vibrações magnéticas, químicas, etc. A tabela periódica dos elementos químicos, do russo Mendeleiev, está ligada à oitava embora essa relação ainda não foi completamente aclarada pela ciência ocidental.
Vamos chamar agora, para simplificar, os extremos dessa linha (1 e 2), de duas notas “dó”. Entre elas temos a oitava. A freqüência de elevação das vibrações entre as notas desses dois extremos quando se dobra a frequência das vibrações, comporta-se de forma desigual até atingir o dobro. Assim:
         ré       mi       fá      sol          lá        si                                                                                        
   |_____|_____|_____|_____|_____|_____|_____|
   1       9/8      5/4     4/3     3/2      5/3     15/8      2

Para ficar mais claro ainda o que acontece, vamos dividir a freqüência de uma nota pela da nota anterior para ver o quanto "acelera" a progressão das frequências entre uma nota e outra:

Intervalos
Frequência
Aceleração (frac. ord.)
Aceleração (frac. dec.)

Do a Ré
9/8 : 1  =
9/8
1,125

Ré a Mi
5/4 :9/8
10/9
1,111

Mi a Fá
4/3 :5/4
16/15
1,067
retardamento
Fá a Sol
3/2 :4/3
9/8
1,125

Sol a Lá
5/3 : 3/2
10/9
1,111

Lá a Sí
15/8 :5/3
9/8
1,125

Si a Dó
2 : 15/8
16/15
1,067
retardamento

Na escala da música, a diferença de altura das notas é chamado “intervalo” e existem três tipos de intervalos na oitava: 9/8. 10/9, e 16/15, este último que é o menor, encontra-se entre Mi-Fá e Si-Dó. É aqui que a oitava se retarda. 
Se você olhar o teclado do piano, vai ver que são os dois lugares onde falta um semitom, não tem a tecla preta entre as brancas. Em vez de 14 notas, a oitava só tem 12. Alguém deveria ter percebido isto (rsrs) e dito: “Há algo errado no Universo”. Ou “Há algo errado com as vibrações”, sei lá... Mas os antigos no Oriente já sabiam de tudo,  nós no Ocidente é que não aprendemos.
Já na escala cósmica, só esses dois casos (Mi-Fá e Si-Dó) são chamados “intervalos”.
No retardamento das vibrações, a oitava que começou numa linha reta do-ré-mi, em direção ao seu objetivo, desviou-se no intervalo mi-fá e mudou de direção, e depois em si-dó mudou de novo. E vai indo, vai indo e mudando de direção em cada intervalo... Se o fenômeno era uma idéia, um projeto, um namoro, um empreendimento, depois de um tempo a direção já é contrária à do começo. No final, frequentemente o fenômeno em vez de atingir o objetivo desejado, voltou ao ponto inicial. Mas o ser humano, em sono profundo, não se aperta: " - São apenas circunstâncias e está tudo sob controle". Brincadeira...
A Lei de Sete dá uma nova visão da vida, da manifestação dos fenômenos, do progresso, desenvolvimento: o porquê não há linhas retas na Natureza e na vida da gente; porque tudo “sucede”; porque o entusiasmo inicial por algo ou alguém é sempre mecânicamente substituído por cansaço, aborrecimento, preguiça, dogmatismo, mudanças imprevistas, e o resultado é geralmente diferente do que esperávamos. Em todas as atividades humanas, literatura, filosofia, artes, ciência, religião, depois de um tempo as coisas se degeneram e se transformam até no seu contrário, e às vezes mantendo o mesmo nome inicial. Como se explica que o amor descrito nos Evangelhos no início do Cristianismo, transformou-se, na fase da Igreja, na terrível Inquisição na Europa? Como povos europeus “cristãos” dizimaram culturas indígenas americanas? Como a mensagem inicial amorosa de Maomé se transformou no radicalismo islâmico?
A Lei de Sete explica basicamente três coisas: o desvio de forças, o fato de que nada fica sempre no mesmo lugar, e o fato de que tudo flutua, sobe ou desce, no desenvolvimento das oitavas. Nada pode permanecer no mesmo nível: ou evolui ou degenera, é só esperar. Então é preciso um esforço para se compreender o papel dos "intervalos" na manifestação das oitavas.
A Ciência Antiga conhecia tudo isso: o mito da criação em seis períodos com um sétimo para descanso; e a divisão do tempo em semanas de seis dias de trabalho intercalados com um domingo, relacionando e harmonizando a atividade corriqueira da vida com a lei geral do Universo.
Só nas oitavas de ordem cósmica ascendentes ou descendentes, as vibrações ocorrem de maneira ordenada e conseqüente, mantendo a direção tomada na partida, pois uma inteligência de nível superior conhece as forma de aplicar nos intervalos um “choque adicional” que mantém a direção original. Mas há diferenças entre as oitavas ascendentes e descendentes quanto aos intervalos. Talvez falemos disso.
No jogo da roleta a gente sabe quando perdeu ou ganhou, mas na vida, os choques adicionais acidentais frequentemente dão a falsa ilusão de que as coisas correm em linha reta, e de que o homem está no comando, mas esse “homem-máquina” está de fato controlado pelo acaso, fora e dentro dele mesmo. "O verdadeiro controle das coisas exteriores começa de fato pela compreensão interior de cada um de nós mesmos. Um ser humano que não compreende o que se passa dentro de si, não pode controlar nada".



domingo, 19 de junho de 2011

O Raio de Criação

Você conhece um brinquedo da antiga tradição esotérica russa chamado “matryoshka” ou “babushka”? Ele é formado de uma bonequinha que fica dentro de outra, dentro de outra... até formar 7 bonecas. Não conhece? Que pena. Então você não vai compreender o Raio de Criação... (rsrs)
Na publicação anterior,  A Lei de Três, dissemos que O Absoluto, composto de 3 forças unidas, cria um “mundo de segunda ordem” onde as três forças já divididas, ao se encontrarem criam novos “mundos de terceira ordem”. Nesses mundos, além das 3 primeiras forças do mundo  anterior, há mais 3 desse próprio mundo. E vai assim até formar  7 níveis de mundos, um dentro do outro, cada um com 3 forças  a mais que o anterior. Alguma semelhança com a babushka?
Você vê? O brinquedinho inocente é uma forma de perpetuar uma tradição de conhecimento interior, como é também o Tarot e demais baralhos, o jogo de amarelinha, as danças e músicas sagradas, as lendas, o ritual do chá, o tiro de arco... É o tradicional uso de qualquer arte, jogo, brinquedo, dansa, ou coisa corriqueira da vida como apoio do buscador para a busca interior. Quer coisa mais simples que fazer um chá? Pois foi transformada em um apoio e uma arte na busca de Si Mesmo, da evolução. Coisa de gente séria...A vida não é considerada pelos orientais como um fim em si, mas apenas um meio, um palco de ação. O fim é a evolução. Esse conceito é muito difícil para nós ocidentais educados para o sucesso material, o ter em lugar do ser, a forma em vez da essência.
Vamos então simplificar essa coisa de 7 níveis de mundos com um quadro:
“Mundos”
Nível
Leis atuando
Cosmos
Plano
Analogia
Absoluto
1
1
Protocosmos
Atmico
?
Todos os mundos
2
3
Ayocosmos
Budhico
Todas as Galáxias
Todos os sóis
3
6
Macrocosmos
Causal
Via láctea
Sol
4
12
Deuterocosmos
Mental
Cada sol
Todos os planetas
5
24
Mesocosmos
Astral
Cada planeta
Terra
6
48
Microcosmos
Físico
A terra
Lua
7
96
Tritocosmos
?
A lua

Observem que no nosso “mundo”, a Terra, há 48 leis atuando sobre nós, no nível em que estamos da Criação.
Esse é o tal “Raio de Criação”, composto de 7 degraus, do qual você está no sexto, longe do Absoluto, bem em baixo (rsrs). Cada raio individual da Criação sai do Absoluto, (mundo de nível 1), não imaginável pelos nossos parâmetros habituais, e termina num satélite de um planeta (nível 7), extremamente denso em termos de energia, de materialidade. É como se a Criação fosse uma grande esfera composta de raios que saem do centro para a superfície exterior mais densa em termos de energia, ou materialidade. Um desses raios termina na nossa Lua. É o nosso.
Nessa esfera, em cada nível, as infindáveis trindades criadas dentro dele, criam outras infindáveis trindades indefinidamente. O raio que chegou até a Terra e Lua é só um único deles, dentro da esfera multidimensional que é o Absoluto.
Você vai dizer: “Muito bem, e o que significa para mim isso de 48 leis?”
Bem, significa, segundo o que dissemos  em O Ser e o Caminho de Volta, que você é um viajante, um Ser que está muito longe de casa, num país que tem lei que não acaba mais. Aliás até já esqueceu de onde veio e para onde deveria ir. Uma tristeza... Mas não desanime não, viajante (rsrs). Apesar de tudo a viagem é interessante. Aliás, muito aqui entre nós, nem dá para desistir dela. Alguns até tentam...
O problema é que para voltar dessa viagem de ida, tem muito chão para percorrer. Você vive atualmente  em um mundo sujeito a 48 ordens de leis, ou seja, longe da vontade do Absoluto, num canto muito remoto do universo e muito triste. Você está longe do centro de decisões, da Luz, na beiradinha de uma galáxia, quase caindo (rsrs), perto de um sol pequeno, num planetinha de... de nada, maltratado por você e seus semelhantes.
Quanto mais longe do Absoluto, o aumento do número de leis torna tudo mais difícil, porque tudo é mais denso. E a sua missão é tomar a matéria densa desse escafandro onde você escolheu se meter, e tentar refiná-la, torná-la mais sutil para acessar mundos de qualidade também mais sutis. Não é o nosso espírito que tem que retornar, mas a matéria densa do nosso Ser, inclusive do nosso corpo, que deve ser refinada por nós como se fôssemos uma usina de purificação, e levada de volta ao Absoluto. Esse é o caminho de evolução dos Universos e de nós mesmos. As tradições  simbólicas falam dessa descida e subida como foi citado em O Ser e o Caminho de Volta: o Cristianismo Esotérico fala isso na forma de símbolos quando trata da Encarnação do Verbo na Virgem Maria sob a forma do Filho (a descida do Espírito no Raio de Criação) e depois a Ascenção do Filho (a subida por sua própria vontade e esforço). Da mesma forma a Alquimia fala simbolicamente em transmutar metais densos em ouro. É a mesma coisa.
Na volta tudo parece difícil, e você não tem uma mão nesse jogo. Vai dar muito trabalho voltar para poder  “sentar à direita do Pai” segundo diz também metaforicamente a tradição cristã.
Aliás, aqui entre nós,  a Terra, como Ser, é que é regida por 48 leis. Nós humanos estamos entre 48 e 96 leis. Só entrando em harmonia com ela temos a possibilidade de estar sob 48 leis. Quando estamos mergulhados na escuridão da ira, inveja, e demais "pecados capitais", estamos no 96. No mundo da Lua.
Mas nós pelo menos temos uma escolha: podemos começar agora a tentativa de subir para 48 ou níveis mais finos, ou deixar para depois, correndo o risco de descermos para 96. (rsrs... ou... sniff, não sei bem qual...). Há um ditado nas tradições que afirma : “Quem não evolui, regride”.
Agora fica claro para os seguidores do caminho tolteca quando Don Juan responde para Castaneda
“- Quarenta e oito é o nosso número - disse ele. - É isso que nos torna homens. Não sei por quê. Não desperdice seu poder fazendo perguntas tolas.” ( A Porta para o Infinito, pág. 38)
Ou então:
“- Para os videntes, significa que há 48 tipos de organizações (leis) na terra, 48 tipos de feixes ou estruturas. A vida orgânica é um deles.” (O Fogo Interior, pág. 54)
Os toltecas sabiam das coisas...
Resumindo: para a gente entender o fenômeno da criação, qualquer que seja o produto dela, primeiro devemos nos aprofundar no conhecimento da Lei de Três. Quem quiser se aprofundar pode ler o livro "Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido" sobre o Quarto caminho, de P. D. Ouspensky. Depois de entender com a cabeça, compreender o funcionamento dela dentro de nós.
Após a Lei de Três que rege a Criação e forma o Raio de Criação, para entender a evolução posterior de qualquer coisa ou fenômeno após ter sido criado, devemos conhecer uma outra lei fundamental, a Lei de Sete ou Lei da Oitava.  É fascinante.
Quem for muito corajoso mesmo, vai então tentar combinar a Lei de Três com a Lei de Sete e descobrir o Eneagrama, esse símbolo de difícil compreensão, cujos fragmentos praticamente se perderam na história das tradições, e foram transformados por dois sul-americanos no século passado em uma caricatura bem enfeitada, sedutora e falseada, do conhecimento original. Logo mais devemos falar disso. Aguardem.
NR – A teoria dessas leis (a autêntica) é misteriosa e atraente, mas nada vale se não a praticarmos e a descobrirmos em nós mesmos.