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domingo, 29 de junho de 2014

O Eneagrama

Conforme prometemos há tempos, vamos falar do Eneagrama. Ele é um mistério onde a Matemática se encontra com o Desconhecido (aliás aqui entre nós, a Matemática já é o Desconhecido): 
trata-se de uma figura de 9 pontos composta de dois circuitos sobrepostos: um com 3 pontos formando um triângulo e outro com 6 pontos formando uma figura como um circuito aparentemente irregular.
Ele parece ter sido apresentado no Ocidente, em sua forma atual, por Gurdjieff. O conhecimento do funcionamento do eneagrama era um dos mais importantes e era constantemente citado no sistema gurdjeffiano. Parece porém haver evidências de que tal símbolo já fazia parte do conjunto de conhecimentos que antigas ordens sufis utilizavam, ordens estas com as quais Gurdjieff entrou em contato durante seu aprendizado .
Gurdjieff dizia que o ensinamento que jaz sob o eneagrama é “completamente autônomo, independente de outros caminhos”, dando a impressão de permear a humanidade em vários lugares e épocas.
O eneagrama é um símbolo cuja representação gráfica é de um círculo dividido em nove partes. Essa figura encerra relações matemáticas simples e surpreendentes. Quando dividimos a unidade por 3, obtemos a sucessão infinita de 3, em uma dízima periódica, assim:
1/3 = 0.3333…
Se a isso somarmos mais uma terça parte obteremos:
1/3 + 1/3 = 0.6666…
Se repetirmos:
1/3 + 1/3 + 1/3 = 1
que também poderia ser expresso por 0.9999…
Esses 3 números – 3, 6 e 9 – dão origem ao triângulo do eneagrama que representaria a “Lei de Três”, uma das Leis básicas que fazem partem do sistema de Gurdjieff.
A Lei de Três relaciona-se diretamente com o fenômeno da Criação, com o Divino, com Deus, ou que nome tenha. Determina que todos os fenômenos podem ser compreendidos em termos de tríades geradoras que se expressaram em muitas tradições como o Pai-Filho-Espírito Santo, Brama-Shiva- Vishnu na Índia, Keter-Chokma-Binah na Cabala, Isis-Osiris-Horus no Egito, etc..
Essa Lei diz que a geração de todos os fenômenos pode ser explicada pela interação de 3 forças: uma de maior intensidade chamada de ativa que atua sobre a força de menor intensidade do conjunto que recebe o nome de passiva através da modulação e controle de uma força neutralizadora. A força passiva não é estática, ao contrário ela é atuante, mas possui uma intensidade menor que as outras duas. Gurdjieff refere-se à essas três forças usando os nomes de Santa Afirmação, Santa Negação e Santa Conciliação. Citando sua própria definição: “Todo novo surgimento provém de surgimentos anteriores através do ‘jarnel-miatznel’, quer dizer, através de uma fusão, cujo processo se realiza assim: o que está acima se une com o que está abaixo, com a finalidade de realizar por esta união, o que é mediano, o qual se converte, por sua vez em superior para o inferior seguinte, e no inferior para o superior precedente”.
Nada pode acontecer a não ser que essas três forças estejam presentes. Sem a neutralizadora, a ativa e a passiva ficam em inútil oposição e nada de novo pode surgir.
Em nosso estado atual de consciência somos praticamente cegos à força neutralizadora, pois estamos sempre presos a dualidades. Para que sejamos capazes de perceber mais do que essa dualidade é necessário um nível de percepção diferente da realidade (Técnicas do Quarto Caminho).
Costuma-se afirmar que as forças representadas pelos pontos 3, 6 e 9 são derivadas diretamente do Mundo de Uma Lei, ou seja, a própria emanação do Criador (o Raio de Criação). Elas contêm a mesma substância que dará origem ao Mundo de Três Leis. Assim, podemos afirmar que o triângulo dentro do eneagrama simboliza a ação do próprio Absoluto na realidade. O ponto 9 conteria a Força Ativa e representaria a ordem “Seja!”, a ordem primeira que dá origem aos seres; o ponto 3 representaria a harmonização do novo padrão estabelecido e atuaria como a Força Neutralizadora, enquanto que o ponto 6 (Força Passiva) “abriria um espaço” na realidade para que o novo evento pudesse vir à existência. Por isso, se diz que a Lei de Três está diretamente relacionada com a criação e é parte da natureza intrínseca do Raio de Criação em si.
Continuando, se agora dividirmos a unidade por 7 e somarmos outros sétimos sucessivamente, obteremos:
1/7 = 142857142857…
2/7 = 285714285714…
3/7 = 428571428571…
4/7 = 571428571428…
5/7 = 714285714285…
6/7 = 857142857142…
Os números 3, 6 e 9 não aparecem nessas dízimas, e a seqüência dos números sempre é a mesma: 142857. Essa seqüência dá origem a figura que acompanha o triângulo e representa a “Lei das Oitavas”.
Poderemos nos perguntar porque usar o número sete? Ao que parece, este número estaria associado à própria capacidade cerebral de discriminar e classificar os fenômenos, mas como já dissemos neste blog nas postagens a Lei de Três e A Lei de Sete, o 7 está ligado às leis da Manifestação que rege todos os fenômenos criados, da mesma forma que o  3 está ligado à Criação . Vemos a escala de sete notas musicais, as sete cores do arco-íris, os sete dias da semana, etc.. enfim, tudo o que está ligado á evolução dos fenômenos depois de criados.
É interessante observar na figura do Eneagrama que os dois circuitos do 3 e do 7 não se sobrepõem em nenhum ponto, e que os números que pertencem ao circuito da Criação (3, 6 e 9) não aparecem no da Manifestação (142857) e vice-versa. Por que?
Porque após criada, a criatura sai do ventre da Lei de 3, cai no mundo da Lei de 7, da Manifestação, regido pelo 7, ou Lei das Oitavas, e está por conta do acaso, da mecanicidade. Esse deve ser o significado da passagem do Gênesis e de todas as outras tradições "e no sétimo dia descansou", ou seja, O Criador deixou  de atuar diretamente após o sétimo dia em que ficou criando e deixou A Manifestação seguir o seu curso de evolução regido pela Lei do 7. 
A Lei das Oitavas mostra que todo o fenômeno evolui ao longo do tempo numa série de passos seqüenciais e que isso determina uma hierarquização. Essa seqüência no entanto, não é uniforme; existem períodos de aceleração e desaceleração, ou ainda, a energia que impulsiona o surgimento do fenômeno torna-se alternadamente mais forte e mais fraca.
Existe portanto, pontos cruciais nessa seqüência onde energias adicionais devem ser colocadas para que não ocorram desvios que podem acarretar a não concretização do fenômeno. A esses pontos dá-se o nome de “choques”. Quando uma energia adicional não é colocada no ponto de choque (choque adicional) ocorre um desvio na evolução do fenômeno que o distancia da sua concretização.
As Leis que determinam a seqüência dos eventos que compõem um fenômeno qualquer, já eram conhecidas em civilizações antigas e parece ter sido a origem da escala de sete tons da música. Logo, a lei das oitavas pode ser expressa como se segue:

Os choques correspondem aos semitons que representam o momento, no desenrolar do fenômeno, em que uma energia externa deve ser colocada. Se o primeiro choque for dado, a oitava se desenvolve naturalmente sem desvios até o Si. Nesse momento um novo impulso deve ser colocado para que a oitava alcance o próximo Dó. Gurdjieff dizia que qualquer evento dentro da Lei das Oitavas, vai evoluir, desde que a energia para os choques seja introduzida, de Dó para Ré, de Ré para Mi, para Fá, Sol, Lá, Si, Dó, sendo que este último Dó, por sua vez tem as mesmas características do Dó inicial, só que ele vai estar situado em uma dimensão energética ou numa qualidade acima.
A seqüência de dó a dó é chamada de “oitava humana” ou “oitava evolutiva” porque a  partir de um nível de energia inicial, o processo segue através de um conjunto de passos, até atingir um resultado que reflete o ato inicial num outro nível ou qualidade ou energia. Os momentos de choque receberam a energia necessária de tal forma que o processo chega ao Si final. Esse processo ocorre quando temos uma intenção inicial e chegamos ao final obtendo aquilo que havíamos proposto a nós mesmos no início.
Nesse caso, a qualidade do produto final costuma ser apenas suficiente para os padrões cotidianos e encontra-se dentro dos valores normais em termos de eficiência, bom gosto, criatividade, produtividade, etc. dependendo do evento que analisarmos.
Mas, devemos notar que a Lei das Oitavas afirma que o nível de energia que ocorre em um patamar é suficiente para que o Dó evolua para Ré, e para que o Ré evolua para Mi, mas a partir desse ponto, não existe mais energia suficiente intrínseca para que o processo siga em frente na sua exata dimensão. Se a energia adicional não for colocada, o processo tende a parar, o que é muito comum. Se for colocada energia mas esta for insuficiente, o processo pode seguir em frente mas em um nível mais baixo: de Fá passa para Sol, Sol para Lá, Lá para Si e aqui novamente temos uma outra parada. A partir desse ponto o processo decai de novo caso, seja colocada uma energia baixa, e chega a um outro patamar. Esse tipo de evolução de processos costuma ser chamado de “oitava natural”, pois acontece naturalmente onde existe pouca energia para manter o processo. É também chamada de “oitava do homem adormecido”. Aqui o produto será sempre degenerado ou inferior em relação à idéia inicial.
O esquema seria assim:

No entanto, ainda existe uma terceira possibilidade, onde no choque entre Mi e Fá existe um suprimento de energia extra, que é capaz de elevar a oitava para um nível acima em termos de qualidade. Nesse caso, damos o nome à essa oitava de “oitava do Trabalho” ou do “homem consciente”. A qualidade final do processo é notável e situa-se bastante acima do padrão comum. O esquema seria este:

Através dos diagramas fica claro que existem várias possibilidades, onde, por exemplo, o choque entre Mi e Fá pode acontecer e o choque entre Si e Dó não, o que acarreta uma gama muita grande de variações. No entanto, o elemento básico e mais importante que atua como energia nos momentos de choque é a atenção. Muitas vezes será a qualidade da atenção que definirá os processos. É necessário estar atento à evolução do processo e principalmente, estar atento nos momentos chaves, onde o choque se faz presente. E além disso, é necessário ter atenção suficiente para perceber qual a qualidade do choque. Muitas vezes a energia necessária está no próprio ambiente à nossa volta e para percebe-la é necessário desenvolver uma certa sensibilidade à realidade, tentando perceber as nuances e sutilezas. Às vezes é necessário uma energia de ordem física, às vezes, emocional ou intelectual. É necessário treinar essa capacidade de discriminação sutil para que a energia produzida no momento seja realmente útil.
Subir na oitava em ambos os choques não é muito comum. Esse aumento de qualidade e a geração de um produto especial, só é possível para as pessoas muito bem treinadas. É muito raro mas é possível. Todas essas alternativas existem. E isso pode ser aplicado para qualquer evento. Podemos analisar a negociação de um contrato usando esse modelo; estabelecer a planta de um escritório ou de um prédio. Podemos definir com antecipação se queremos um resultado aceitável, razoável ou se queremos um resultado excepcional. E então, devemos definir precisamente quais são os pontos em que deveremos colocar energia para atingir as metas que desejamos. Não adianta colocar energia antes ou depois do momento preciso porque isso não modificará substancialmente o resultado.
Sabemos que a energia necessária entre os pontos Mi e Fá é a metade da necessária entre os pontos Si e Dó. Gurdjieff, em seu livro ‘Relatos de Belzebu a seu neto’, chama ao primeiro choque de “mdnel-inn-mecânico-coincidente” e ao segundo de “mdnel-inn-voluntariamente-realizado”. A diferença entre eles parece residir no fato de que a energia para que o primeiro choque aconteça, tem uma maior chance de ser provida pelo próprio ambiente, mas a energia para o segundo choque deve necessariamente vir da pessoa envolvida com o processo.
“A estrutura do Universo é tal que nenhum processo, causal ou intencional, poderá chegar ao seu termo exceto em condições ambientais planejadas”, afirmava Gurdjieff.
Essa proposição pode ser observada em todos os eventos. Isso acontece porque na vida cotidiana as coisas sempre acontecem por si mesmas e carregam os indivíduos na direção que o acaso determina. “Condições ambientais planejadas” significam ou implicam em atenção para com os atos e suas consequências e para com os sinais que a realidade constantemente nos dá, para que sejamos capazes de escapar da lei do acidente.
Por isso, o estudo da Lei das Oitavas e do eneagrama deve ser sempre experiencial.
Implica em uma atitude de maior responsabilidade frente aos eventos que desencadeamos. Esse estudo nos conduz a perceber os momentos em que devemos estar mais atentos para desencadearmos os choques corretamente, de forma a garantir que o desenrolar do fenômeno aconteça a contento. E ainda, ajuda-nos a cumprir os objetivos que muitas vezes iniciam-se com um forte impulso, mas que aos poucos esmorecem, ou se desviam. Por exemplo, começamos empolgados com a idéia de trabalharmos sobre nós mesmos e terminamos perdidos em ilusões intelectuais, arrogância, etc.. Muito pouco acaba por sobrar do objetivo inicial até que, em momentos determinados, percebemos o quanto nos afastamos dele e tentamos começar tudo de novo.
A necessidade pelo estudo destas Leis era sempre bastante enfatizado na Escola Gurdjieffiana. A compreensão e a utilização consciente de suas premissas eram, em si mesmas, princípios que poderiam libertar o ser dos processos mecânicos da máquina.
Segundo Gurdjieff (1991) o estudo das Leis Cósmicas terminaria por gerar em nós a “propriedade divina” da “imparcialidade”. Para compreender melhor esse termo, sugerimos a leitura do tópico “Técnicas do Quarto Caminho: a Auto-observação”.
Se observarmos o desenho do eneagrama com atenção perceberemos que o segundo choque está, aparentemente no local errado, pois ele deveria estar entre Si e Dó e no entanto, ele aparece entre Sol e Lá.
Na verdade, depois que uma oitava se iniciou, se o primeiro choque for corretamente dado, nesse ponto (número 3) começará o desenvolvimento de uma segunda oitava paralela à primeira, onde o ponto 6 da primeira oitava (choque) corresponderia ao ponto 3 da segunda oitava, o ponto de choque (Ouspensky 1993) – veja figura abaixo. Sempre que iniciamos um evento muitas outras oitavas paralelas se desenvolvem, levando-nos, se tudo der certo, a uma espiral em direção a objetivos cada vez mais amplos. Por exemplo, o estudo de um livro muito difícil mas muito importante, pode gerar uma segunda oitava paralela, por exemplo, da formação de um grupo que se dispõe a estudálo.
Desse estudo outras oitavas podem se desenvolver com as propostas de trabalhos práticos que o grupo pode executar com a finalidade de experienciar as idéias do livro.
Uma outra oitava pode surgir se o grupo decidir fazer um trabalho que leve as idéias do livro para fora do contexto do grupo, por exemplo, através de uma peça teatral. Uma outra oitava surgiria então envolvendo as pessoas que entrariam em contato com essa peça, culminando em outra oitava da formação de um novo grupo de estudos, por exemplo, e assim por diante.

Até agora falamos apenas do percurso “externo” do eneagrama que vai do ponto 1 seqüencialmente até o ponto 9 (ou de Dó a Dó). Existe porém um segundo caminho que é o caminho “interno” cuja seqüência é a interna, ou seja a dos números que formam a dízima periódica 142857. Esse caminho indica a direção e o fluxo de influências dentro da própria estrutura.
O caminho externo, portanto, é fundamentado pela Lei das Oitavas, enquanto que o interno o é, pela Lei de Três. Analisando cada ponto em separado, pelo caminho interno, notamos que ele se liga à outros 2 pontos. Cada um desses pontos irá interagir com o ponto de análise, de forma a complementar o evento, seja mandando ou recebendo energia. O ponto central é o local onde as informações são recebidas, elaboradas e enviadas para o próximo ponto, gerando uma energia adicional que dará condições para a continuação do processo.
Podemos tentar entender isso usando o eneagrama dos dias da semana. Cada dia liga-se, pelo caminho interno, à outros 2 pontos. Assim, na segunda feira eu recebo as influências dos acontecimentos da sexta feira da semana passada e que repercutirão na próxima quarta feira. Portanto, o ponto central é o Neutralizador do processo, uma vez que é aí que se pode interferir e causar modificações, colocando ou retirando energia para que a oitava (caminho externo) se feche.
Se o ponto central é o ponto onde devemos interferir, isso significa que ele representa o momento presente. E neste instante, temos a possibilidade de estarmos interligados com o passado e o futuro ao mesmo tempo. Assim, dizemos que cada evento ocorre simultaneamente no passado-presente-futuro. Devemos compreender que o passado já se foi e que o futuro ainda não existe. Assim sendo, o único momento que realmente conta é o momento presente; ele existe como uma continuação do passado e poderá evidentemente, determinar os acontecimentos futuros. Com a ajuda do eneagrama podemos localizar que lugar do passado e do futuro devemos analisar, interferir ou não, para realizar algo desejado, com eficiência e com o menor dispêndio de energia possível. A energia que sobra, poderá então ser utilizada para os pontos de choque das oitavas paralelas.
O eneagrama também é usado associado à técnica dos “Movimentos” (ver Técnicas do Quarto Caminho). Gurdjieff enfatizava muito essa técnica onde os Movimentos eram feitos em grupo e seguiam o caminho interno, externo ou ambos, dependendo do Movimento. Um exemplo disso é o Eneagrama das Emoções onde a cada ponto se associa um postura física com a geração de uma emoção, sendo que nos pontos de choque as emoções associadas são caracterizadas por uma “estranheza” em termos das emoções do Centro Motor. Geralmente são emoções não-polares e possibilitam a oportunidade do indivíduo desenvolver novas “atitudes emocionais” frente a si mesmo e à realidade. Além da seqüência externa das emoções temos também uma interna, onde observamos como cada emoção influencia e é influenciada pela emoção seguinte.
Além disso, o eneagrama também está associado a cerimônia de “Giros Dervixes” em algumas Ordens Sufis, onde 9 dervixes se situam nos 9 pontos do eneagrama. Os praticantes desse tipo de ritual buscam compreender o eneagrama através da “dança consciente”, pois é durante a prática que surgem a eles os insights básicos que revelam os segredos desse símbolo.
Inicialmente, o eneagrama parece ter sido usado apenas em situações de aprendizado, seja pelos indivíduos envolvidos, por grupos ou para analisar a própria estrutura da Escola ou ensinamento. Atualmente, com a crescente divulgação dos trabalhos de Gurdjieff e de seus discípulos, o eneagrama passou a ser aplicado em outras áreas tais como, a psicologia, com a teoria dos “tipos psicológicos” (com Oscar Ichazo, Claudio Naranjo) ou em atividades empresariais. Porém ele pode ser aplicado em todos os fenômenos observados pois segue leis que permeiam a vida como um todo, apesar de isso ser apenas um subproduto. O principal é o conhecimento de Si Mesmo.
Vários autores se dedicaram intensamente ao estudo desse símbolo e suas aplicações práticas, como por exemplo I.B. Popoff (1978) e J.G.Benett (1983).

domingo, 7 de agosto de 2011

Voce confia na Ciência?

 Faça como você preferir, mas a nossa postura em relação à ciência convencional que está aí, é: ‘usufruir, mas se precaver’.
Dizem que se colocarmos um sapo na água quente, ele tenta escapar, mas se formos esquentando gradualmente, ele fica quieto e morre ao final. Parece estranho, mas o ser humano também tem uma capacidade suicida de acomodação com as situações e fatos mais difíceis, estranhos e anômalos possíveis. Basta acontecerem continuamente, e a gente se acostuma, acha normal. É só observar como nesses tempos de reversão de valores, do Kali Yuga, ele encara displicentemente a corrupção desenfreada, a violência, as guerras, a fome, as doenças, a aviltação dos recursos do planeta. Enfim, se acostumou... Os alertas estão na nossa cara, mas quem se importa?
E como este autor que lhes fala é meio iconoclasta e irresponsável, não resiste a apontar alguns dos vilões. Eles porém não são a causa real dos problemas, já são efeitos. A causa real somos nós. É o nosso afastamento e alienação dos princípios imutáveis ancestrais da Consciência Universal, que deviam ancorar e orientar todo o resto.  Vamos cutucar pelo menos cinco grandes leões com vara curta: a Ciência convencional, o capitalismo, o estado, as religiões e o classismo. Um de cada vez, porque também ninguém é de ferro... (rsrs).
Afinal, como disse o Millôr,  ‘livre pensar, é só pensar’... Não paga imposto.
Primeiro ponto: ‘A Ciência convencional não é confiável porque muda de opinião todo o tempo”.
Assustou-se? Acho que exagerei. Então vamos lá: não é a Ciência, mas os Homens de Ciência é que não são confiáveis. Pelo simples fato de serem humanos. Está melhor? Você vê que somos iconoclastas mas conciliadores (rsrs).
Como diz o grande instituto Noetic Sciences, a ciência não é confiável porque ela funciona com uma “ordem do dia”, ou seja, ela se baseia na última descoberta feita hoje, para eventualmente mudar todo o seu edifício de conhecimento e afirmações. E não tem o menor constrangimento de fazer isso. O que era verdade ontem, já não vale mais. E como as descobertas ditas científicas estão correndo em progressão geométrica, você já conhece a trepidação. O que é, já era. Uma obsolescência infernal. Ás vezes não dá tempo de um conceito ou “descoberta” esfriar ao sair do forno, e já está obsoleto. E não se esqueça de que a Medicina convencional faz parte disso. Desgraçadamente. Uma medicina arrogante que com 200 anos de idade se arroga ao direito de torcer o nariz e rejeitar medicinas comprovadas, preventivas, simples e baratas de 3 mil anos, como a Taoista, Hindu, Budista e outras orientais, que não estão sujeitas a essas mudanças frenéticas porque são ancoradas em princípios imutáveis sobre a verdadeira natureza do homem e do Universo. Arrogância demais da conta, como diz o mineiro.
Você então pensa...’mas está certo, tem que ser assim mesmo, pior se não mudasse a partir das novas descobertas, não é mesmo?”.
Faz sentido em parte, mas ai temos um impasse conceitual: se a Ciência, como nos tempos antigos,  estivesse conectada às verdades universais imutáveis, como os conceitos da real natureza do Ser Humano e do Universo, a Unidade dos Cosmos, a Trindade de Forças, a Geometria Sagrada, a Lei de Três e a Lei de Sete, enfim ao Invisível que permeia e influencia tudo, a coisa seria diferente e sem reviravoltas. Aliás como faziam as civilizações Egípcia, Indiana, Maia, Mesopotâmica, e as pré-diluvianas das quais temos conceitos inabaláveis com o passar dos tempos. Até mesmo os seus monumentos, que nem hoje se poderiam construir, são uma prova disso, tão sólidos, consistentes e precisos eram os seus métodos e conhecimentos.
Assim fosse, o Pensamento das várias “ciências” ocidentais vigentes não seria atrelado ao ritmo frenético e natureza das descobertas como uma biruta de aeroporto, pois seria um pensamento estável,
condicionado à Consciência Universal que por sua vez estaria atrelada a si mesma e mais nada.
Os poucos conceitos consistentes que a chamada ciência ocidental tem, foram trazidos pelos gregos a partir do Egito, Mesopotâmia, Índia e outras culturas orientais.
Se a ciência estivesse ligada ao Mais Alto, nós teríamos naves não poluentes como os ‘vimanas’ da Índia Antiga, citadas na obra prima ‘Mahabharata’ e ‘Ramayana’, que segundo a tradição eram movidos pela “expansão do elemento mercúrio” mais uma “energia sutil” do ser humano (sic). Teríamos uma “luz fria” estável, local, sem centrais e linhas de transmissão e sem fontes de energia aparentes, e não poluentes, como a que usaram no interior das pirâmides em todo o planeta, já que a ciência oficial nunca descobriu resíduos de combustão no teto e dentro de nenhuma pirâmide até hoje. Se eles, que nós consideramos ‘inferiores’ ao homem moderno fizeram isso, porque nós não poderíamos? É claro que somos nós os ‘inferiores’ apesar da empáfia toda ... E ficaríamos horas desfiando exemplos.
Segundo ponto: ‘A ciência é submissa ao Estado em vez de seus próprios princípios. Então vejamos:
Um dos muitos exemplos corriqueiros, mas importante, é a legislação absurda do Estado brasileiro e de outros países, deturpando quimicamente o sal de cozinha pelo acréscimo de iodo. Isso porque, no caso do Brasil, no século passado, houve na população uma incidência de bócio, um inchaço da tireóide por falta de iodo. Então um médico de plantão com poder no Estado convenceu um presidente louco (o mesmo que proibiu biquíni nas praias) a aprovar uma lei para, de forma simplista, acrescentar por lei, obrigatoriamente, iodo ao sal de cozinha. Ninguém se preocupou em saber se no processo seriam eliminados centenas de sais raros existentes no sal marinho natural, e imprescindíveis ao metabolismo do ser humano, principalmente ao metabolismo do elemento cálcio, como foi desde o alvorecer da Humanidade. Hoje quem quiser, como eu, comprar sal de verdade para preservar a saúde, compra no câmbio negro, como se compra dólar e drogas. E não se enganem: todo o sal vendido no varejo é “iodado”, mesmo com as palavras “ sal marinho” ou “sal natural” ou “integral” ou “natural” estampadas cinicamente na embalagem. Nenhum presidente ou ministro da Saúde posterior à lei, contestou a burrice. Alguns poucos médicos contestaram e nunca foram ouvidos. E ninguém relacionou nessas décadas o incrível salto de deficiências de cálcio, osteoporose, problemas ósseos e hipertensão, com a malfadada decisão. E nós alegremente ingerimos o nosso sal de cada dia em volumes de 30 a 40% superiores à média mundial, sem questionar nada.
Terceiro ponto: ‘A ciência é submissa às religiões de plantão.
Essa é simples. É só estudar a Inquisição européia, que queimava na fogueira o cientista que dissesse que a terra era redonda e girava em torno do sol. Porque? Por poder e arrogância de uma Igreja desligada do Conhecimento, da Verdade. A gente até entende o medo do cientista da época. O próprio Nostradamus, médico, escritor, astrólogo e vidente, um ser humano raro que, mesmo perdendo a mulher na peste européia, se dedicou a salvar vidas com risco da sua própria vida, fez assim: foi um corajoso que deliberada, desapegada e espertamente vendeu uma imagem exterior de charlatão para poder fazer uma obra que pudesse burlar os insanos controles mortais da época e, ao mesmo tempo, se perpetuar para ser arduamente garimpada, redescoberta e finalmente desvendada por criptólogos sérios no futuro. Entre eles estão Daniel Ruzo, o maior conhecedor da vida do vidente e da sua família (não esses ‘Dan Brown’ da vida e outros escritores controversos e charlatães). Quantos cientistas modernos ignorariam voluntariamente os seus enormes egos e fariam a mesma coisa em nome do verdadeiro conhecimento? Os chineses, indianos, persas, árabes e egípcios da época tinham razão de achar os europeus atrasados. Eram mesmo. Nós ocidentais pagamos esse preço até hoje. Ainda bem que, aos poucos, estamos corrigindo o erro e nos voltando ao conhecimento oriental.
Ao separar a Igreja do Estado a nossa civilização deixou a Ciência nas mãos de um novo patrão, o Capitalismo.
Quarto ponto: A ciência é submissa ao sistema econômico vigente, o Capitalismo. Ou melhor, desculpem novamente, os homens de ciência são submissos. Duvida?
É só olhar a nossa publicação neste blog, ‘A doença é seu aliado, não inimigo’ e ver como a Medicina se deixou infiltrar pela entidade ‘empresa capitalista’ e permitiu que a produção de medicamentos, hospitais, planos de saúde, e equipamentos médicos no mundo fosse feita por empresas capitalistas, que precisam crescer voluptuosamente, multiplicar lucros, emitir ações, dar dividendos crescentes aos acionistas etc.,... e muito mais, sob a conivência de associações classistas de médicos, os mesmos que fizeram o solene Juramento a Hipócrates, que falava só em salvar vidas. Como eu disse, qual o interesse dessa estrutura em acabar com as doenças (e os seus próprios lucros)? O mesmo das empresas de antivírus de acabar com os hackers, ou dos partidos políticos de acabar com os corruptos. (sei não, acho que hoje estou meio crítico e agressivo...)
Mas tem mais sobre a submissão da Ciência aos princípios do sistema econômico: da mesma forma que o sistema capitalista estimula as empresas a uma competição desenfreada que estimula práticas não amistosas, desleais e até mesmo inconfessáveis como espionagem industrial e outras, a Ciência adotou esses princípios e há décadas a Medicina convencional ataca as Medicinas Alternativas em vez de estimulá-las, já que a saúde é o benefício desejado. Tem sido assim a guerra contra a Acupuntura, a Homeopatia e outras, que hoje são pressionadas pela mídia irresponsável e mercenária, que força o Estado e o govêrno através de um lobby fortíssimo a limitar, ou mesmo tentar destruir o escopo dessas atividades de cura. E será sempre assim contra as medicinas autênticas que ameaçarem esses “mercados”, que é o nome correto da Medicina convencional, "mercados", em vez de “atividade médica de cura”.
Quinto ponto: A Ciência é submissa ao classismo arrogante , uma erva daninha mundial que se deu muito bem no clima brasileiro. A mídia citada no ponto anterior está alinhada com as entidades de classe, um tipo de “ego de classe”, dualista, primo dos sindicatos que, como a mente dual, divide os profissionais entre “nós” e os “outros” com todo o peso do separatismo e dos interesses grupais. Na Medicina convencional é a entidade que combate “os outros” curadores, sejam eficazes ou não, independentemente da sua comprovada eficiência: os homeopatas, acupunturistas, xamãs, os terapeutas de Reiki, Do-In, Shiatsu, Ayurvédica, Cura Prânica, Fitoterapia, Sun Gazing, Macrobiótica e outras técnicas eficientes de cura por aí afora, milenarmente comprovadas...
É o mesmo classismo separatista que combateu no passado Louis Kervran um corajoso cientista francês ‘não convencional’, um tipo de alquimista moderno que provou em seu livro ‘Las Transmutaciones Biologicas y La Fisica Moderna
', que os fótons da luz solar induzem transmutações biológicas (mutação de um elemento químico em outro, sem fusão nuclear) em ambientes de baixa energia dentro de plantas, animais e no homem. A chamada Ciência convencional não só quase destruiu sua carreira, mas até hoje não  explorou esse filão misterioso, rico e generoso da verdadeira Alquimia Humana, animal e vegetal apresentada por ele, conforme dissemos em O Sol, Poder e Quietude. Uma pena. Eu ando experimentando e trabalhando nisso. Devagar, paciente e aplicado como abelha.
Você que gosta de estatísticas e dados quantitativos, então olha as estatísticas mundiais de crescimento da longevidade e pergunta: ‘Mas a Medicina convencional está aumentando o tempo de vida do ser humano, não é?” Eu respondo com outras perguntas: ‘Mas com que qualidade essa sobrevida? Com que dependência? A partir de remédios químicos, vitaminas, radioterapia, quimioterapia, transplantes? Com que ônus para a sociedade? Ou será que essa sobrevida é de fato o resultado de mais técnicas alternativas de saúde, anti stress, alimentação equilibrada, caminhadas, sol, yoga, relaxamento, etc feitas pelos de meia idade?’
Tenho lido frequentemente em livros ou vejo em documentários na mídia eletrônica em canais como Discovery e National Geographics, certas teorias da “ciência de ponta” com um misto de satisfação e espanto. Eles mostram a Ciência atual orgulhosamente arranhar e finalmente aceitar teorias e conceitos como Universos Paralelos, Realidades Multidimensionais, Viagens no Tempo, Teletransporte e outras, milenarmente conhecidos e utilizados por culturas xamânicas e civilizações até pré-diluvianas, e não sei se rio ou choro. Fica claro o caminho cíclico  dos altos e baixos da história do conhecimento humano, em vez da aceita e propalada teoria corrente do progresso linear, crescente e contínuo. E começo a compreender que para a Consciência Universal só existe o Agora, não o progresso. Não interessa que o Ser Humano evolua no tempo de forma crescente até virar um deus. Interessa que nesse viver encarnado, trabalhando feito um mouro na matéria densa, ele gere experiências para agregar a essa Consciência, que ao final é ele mesmo. E se ele fizer isso individualmente, consciente de Si Mesmo, ele já é Deus...
(Vocês viram que eu não sou só crítico e agressivo. Às vezes sou crédulo e entusiasmado)


Nota: Após a redação desta postagem, chegou às minhas mãos a informação de um site de um conhecido e respeitado médico nos EUA. É o http://www.totalhealthbreakthroughs.com/2009/02/heart-surgeon-admits-huge-mistake/
Corajoso e humilde, ele Dr. Lundell Dwight, MD, admite erros da Medicinana Cardíaca, sua especialidade, e faz um "mea culpa" pelas informações incorretas que o mundo todo divulga. Coisa raríssima. Quem não lê em inglês, por favor, me peça a tradução.





domingo, 29 de maio de 2011

O Ser e o Caminho de Volta

O Ser
Tenho pensado muito sobre esse mistério de “ser”. Ele está aparente quando a gente lê as tradições autênticas, como por exemplo,  o livro "A Tábua de Esmeralda” de Hermes Trismegistos e outros, mas ele também me ocorre em momentos os mais corriqueiros do dia, como no trânsito, no banco...naquela hora em que surge uma quase-pergunta, tão sutil que se desfaz ao menor estímulo em torno da gente, como na hora em que chega a nossa vez no caixa. É uma questão do tipo “quem sou eu?”, ou “o que eu estou fazendo nessa fila, neste país, neste planeta?”, "qual é a minha missão?" O Chico Anísio fez uma música meio surrealista em que, cantando,no meio dela perguntava num dado momento, meio entre parênteses: “o que que eu estou fazendo nesse disco?”. Lembra?
O que faz algo ou alguém “ser”? Seja um ser humano, um vírus, uma pedra... Está aí o mistério. Eu só pressinto a resposta, mas nada me impede de ter idéias a respeito, já que aprendi tanta coisa na vida. O Millôr dizia; “Livre pensar, é só pensar...” Ué.
Então me ocorre:
Não sabemos  a razão pela qual o Universo existe. Só supomos. As tradições antigas dizem porém que na sua manifestação ele é regido por duas leis. A primeira “A lei de 3”, que criou o Universo, é a trindade, nascida do Absoluto que é o nível 1. Ele é o presidente de tudo, mas é discretíssimo, não aparece para ninguém. A trindade logo abaixo dele faz o papel executivo (produção do universo, delivery e controle de qualidade).  Após a criação entra em cena a segunda lei, chamada “A lei de 7” que passa então a reger o seu desenvolvimento, a sua fenomenologia, como dizem os filósofos e intelectuais de plantão do ramo. Falaremos dessas duas leis primordiais em breve neste blog. O Universo mostra a “lei de 7” todo o tempo para nós, mas poucos a vêem. Ela está na luz, na música, na física, na química...
Independente do jeito que o Universo nasceu, seja um Big Bang, ou um caminho mais light,  silencioso, contínuo e comportado, parece que existe um processo, sim. Tudo nasce, cresce, definha e morre, mas há um conjunto do qual fazemos parte, a Humanidade, o Universo, que continua por muito mais tempo. É... às vezes eu pressinto que eu vim de há muito tempo evoluindo. Já fui uma pedra, um vírus,  lagartixa, texugo, e talvez muitas versões de ser humano, nesses 14 bilhões de anos deste Universo, e outros tantos atrás dele. O Budismo tibetano diz que Buda levou 3 “aéons” para se iluminar desde o início. Note que um “aéon” é o tempo de vida de um universo inteiro desde o nascimento até a morte. É tempo que não acaba mais, cumpadre...
Os ciclos de todos os fenômenos do Universo são sempre 7. Se pensarmos nos 7 níveis do Raio de Criação desde os mais rarefeitos energeticamente aos mais densos ( Absoluto, Todos os Universos, Todas as estrelas, O Sol, Todos os planetas, A Terra, A Lua) fica razoavelmente claro que estamos numa viagem de evolução desde as energias mais finas até as mais densas, para conhecer o leque da coisa toda. Eu, ou o meu espírito, saí da “casa do pai” e sem esforço nenhum da minha parte, estou fazendo automaticamente um caminho até o mundo mais denso. E cheguei aqui em Sampa. Foi uma Grande Descida. O espírito por trás de cada Ser, porém, não aprecia a falta de liberdade dos mundos de materialidade densa, sujeitos a cada vez mais leis limitadoras. Ele quer escapulir. Mas por uma lei incompreensível a nós, tem que ser assim. Temos que “passar por”. Dizem que fomos nós mesmos que escolhemos. E sempre esquecemos disso a cada vez que nascemos, seja em que mundo for...

O Caminho de Volta
E o que fazer para voltar “à casa do pai” de onde saímos? Para voltar aos mundos de materialidade fina que o Espírito tanto aprecia, e que são a sua casa? Agora a história é outra: só é possível essa volta com grandes esforços individuais. É a Grande Subida. Não tem mais a moleza do piloto automático. Ninguém vai ajudar nessa tarefa, muito pelo contrário. A Natureza, que aliás somos nós mesmos, foi formatada com barreiras e filtros que só permitem a evolução para aqueles que agora fizerem grandes esforços conscientes. Por que? Porque a Grande Consciência precisa disso, de gente evoluindo. Ela cria obstáculos quase intransponíveis para os buscadores porque conhece a nossa preguiça desde outros carnavais, mas premia os dedicados e teimosos. Nós somos Ela. Quem não fizer esforço, parece que volta ao pó. Parece. Gurdjieff dizia que a evolução é um trabalho contra a Natureza, contra Deus. Estamos bem, em termos de adversário, hein? Fora o fato de estarmos na borda de uma galáxia pequena e longe da Luz do centro, num sistema orbitando um Sol pequeno, num planeta minúsculo e, para complicar, jogando contra a equipe do Chefe! Uma tremenda zebra...
E agora, o que fazer para sair da mecanicidade e conscientemente fazer esse super esforço para evoluir?
É trabalhar duro. Mas não é por falta de tradição genuína que morreremos pagãos neste planeta. Em cada continente tem pelo menos umas quatro ou cinco tradições ainda vivas (mais ou menos vivas, né?), e a partir da nossa cultura específica não teremos dificuldades em abraçar uma tradição que nos seja familiar, com uma linguagem e formato compatível com o nosso DNA espiritual de busca interior. Mas não podemos nos iludir. Vai ser dureza desde o início. Depois melhora porque começamos a gostar. Mas nunca será fácil. A cada degrau o desafio do buscador aumenta, mas nada que não possamos enfrentar. A gente é que é auto-condescendente...
Precisamos de 3 coisas; lucidez, desapego e vontade. Elas correspondem aos nossos 3 centros de funcionamento: mental, emocional e físico. Em outras palavras, silêncio no mental, calma no emocional, e relaxamento no físico, mas é ao-mesmo-tempo!. Isso é o que as tradições chamam de “lembrança de si” e você só consegue se estiver firmemente ancorado na sensação do seu corpo, atento e recebendo conscientemente as impressões mentais (pensamentos), emocionais (emoções, sentimentos) e físicas (sensações). Essa geometria interior corresponde ao que as tradições do Quarto Caminho (ou caminho do Homem Esperto) chamam de “a pílula”, que abrevia o percurso.  Há três grandes caminhos para se trabalhar na busca interior: o da disciplina do Físico, chamado de o caminho do faquir, o do Emocional, chamado de o caminho do monge, e o do Mental, chamado de o caminho do yogui. Mas nossa vida é muito curta para fazê-los um após o outro. O Quarto Caminho junta os três simultaneamente. O pano de fundo, que é a condição por trás de todo o “esforço”, é essa “lembrança de Si Mesmo” (Self). Só quando estamos atentos, ocupando os nossos 3 corpos, começando pelo físico, estamos de fato evoluindo. Esse é “O” segredo, escondido onde menos se espera. Na simplicidade.
Quem administra essa tríade desconectada e rebelde deve ser você, a partir da orientação do mestre, guru, ou orientador. Isso tudo tem um nome simples que está na moda até mesmo entre as socialites: Contemplação, ou Meditação. Você começa fazendo a prática aos poucos, na calma em casa, mas o objetivo final é passar a fazer na vida, no trânsito, na fila do supermercado, discutindo com o outro, ouvindo música, lendo, namorando, dormindo, sonhando. É isso mesmo, dormindo, sonhando. Mas sonhos lúcidos, porque não viemos aqui para “apagar” 8 horas por dia. Tem trabalho à noite também. Há uma “yoga do
sonho e do sono ”. O livro, do mestre Tenzin Wangyal Rinpoche, anda por aí...
O budismo tibetano ensina que para se chegar à compreensão final, ou iluminação, é preciso além de um discípulo aplicado, um mestre genuíno, dentro de uma corrente de tradição genuína. Em resumo, essa é A Volta.  Você vê? É simples. Mais fácil do que você pensava... (rsrs)