sábado, 26 de outubro de 2013

As Sete influências e a Astrologia

Em Qual é a Sua Missão Astrológica prometemos falar das 7 influências que agem sobre o ser humano. Hoje estamos cumprindo.
A primeira pergunta de um Ser que está a caminho da Consciência na Grande Viagem é Quem sou eu?, e todas as variações como “o que sou eu? de que eu sou feito? de onde vim? para onde vou?”, ou numa versão menos elegante,  “que diabos sou eu?”, e por aí afora, ladeira abaixo...
Como somos seres vivendo o mundo da dualidade, o filósofo de plantão já acrescentaria a pergunta: “O ser humano é o resultado da essência ou da personalidade?” e aí começa uma infindável novela onde os egos tomam a dianteira como sempre, e o pau come ... (intelectualmente, me perdoem) e parece que ninguém tem razão. Se considerarmos como essência "o que nos é pré-existente" e personalidade como "a soma de dados culturais que se agregam e modelam a essência pré-existente desde que vemos a luz ou respiramos pela primeira vez", isso faz todo o sentido com a afirmação tradicional de que a Astrologia está vinculada à essência e não à personalidade, e portanto à química orgânica, energética e sutil do ser que nasce, e não à a algo já adquirido socialmente no “exercício da viagem nesta dimensão”.
O assunto é altamente controverso e intelectualmente sedutor e estimulante, pois entre outras coisas, acena com a ligação entre cada ser e o seu grupo de seres ancestrais geradores, desde os pais até a raça, do presente ao passado, do Um com o Todo, aliás muito de encontro com a visão do “Somos Todos Um”. Essa ligação entre tudo o que existe é um ponto central do assunto "estar no mundo".
 As antigas tradições tinham uma visão sóbria e, curiosamente, ao mesmo tempo abrangente e detalhada sobre o tema, e apesar de variarem suas afirmações nos ensinamentos, falavam ou acreditavam no geral em um conjunto de sete influências. A rigor as sete não contradizem as duas anteriores dos filósofos atuais (essência e personalidade), mas são um desdobramento mais preciso e completo delas, além de ser o pano de fundo referencial. As 7 influências são:

1 - A Hereditariedade em geral 
2 – As condições e o meio no momento da concepção 
3 – A combinação da irradiação de todos os planetas do sistema solar durante sua formação no seio de sua mãe
4 – O nível das manifestações do Ser de seus pais 
5 – A qualidade de Ser dos indivíduos do seu círculo imediato  
6 – A qualidade das ondas de pensamento (desejos e atos) dos seres do mesmo sangue na atmosfera que os rodeia até a sua maturidade 
7 - A qualidade dos seus próprios esforços de Ser para transmutar em si os dados necessários para a sua evolução

Isto posto, apesar de o tema ser Astrologia, quem leu atento vai verificar que ela é apenas uma das 7 influências no destino dos seres e está combinada com as outras seis como se fosse o entrelaçamento de um tecido. Isso não diminui a sua importância ou influência, apenas dá uma nova perspectiva ao seu papel no conjunto. 
Vamos lá:
1 - A Hereditariedade em geral
Tomada isoladamente, essa influência refere-se às qualidades físicas, orgânicas dos pais. Hoje, mesmo se ignorarmos a Ciência Ancestral, mas apenas com os conhecimentos científicos acumulados pelo ocidente, veremos que desde que Mendel,  monge agostiniano, botânico e meteorologista austríaco iniciou os seus estudos sobre a hereditariedade estudando com paciência as ervilhas em 1865, a Genética evoluiu exponencialmente sua abrangência em termos qualitativos e quantitativos. 
O DNA é hoje o centro das atenções de muitos cientistas e, mesmo tendo sido decifrado numa pequena parte do conjunto, alimenta a Medicina com informações impensáveis há algumas décadas atrás. Elas confirmam a tese de que a hereditariedade com suas leis  matematicamente complexas não só biológicas mas neurológicas e metafísicas, forma uma teia de influências centrais na vida do ser humano e outras formas de vida. O ser humano que nasce é então uma resultante biológica, mental, psicológica e  mesmo transcendental dos seus antepassados próximos na linha de sucessão. É como se um cone, um funil de influências concretas de outros seres de outras épocas se concentrasse na materialização de um ser que nasce, só pelo fato de haver uma linha genética costurando os seus corpos, mentes e destinos. Cada um carrega um enxoval, uma colcha de retalhos formada pelas influências de toda a ordem dos precedentes.
2 – As condições e o meio no momento da concepção
Essa influência refere-se à geografia,  meio ambiente, vizinhança, e sugere fortemente que há um condicionamento de espaço/tempo preciso que vai influenciar o indivíduo porque “o lugar e o momento são aqueles e não outros”. É algo, usando-se uma expressão intelectual,  como uma “superestrutura mental “ ou mais recentemente usada, um”espírito do tempo” que tinge os seres nascidos naquelas coordenadas de espaço/tempo formando um “universo mental” que os influencia. Podemos imaginar por exemplo a comparação entre dois seres nascidos em duas coordenadas diferentes  de espaço e tempo, e tentar sentir as particularidades de seus universos mentais específicos, condicionantes de suas diferenças e portanto de suas próprias ações e portanto carmas e destinos.
3 – A combinação da irradiação de todos os planetas do sistema solar durante sua formação no seio de sua mãe
Esta é a influência refere-se ao carrossel de astros, suas influências e  inclinações, celestes ligadas à Astrologia, e é uma combinação energética entrelaçada de todos os planetas. Curiosamente, essa idéia de um período de influência tem a sua amplitude mais associada ao ramo da Astrologia Hindu que atribui os efeitos além da hora do nascimento em si, também ao período todo de formação do feto no seio da mãe. Os que estão mais afeitos à astrologia hindu sabem que ela afirma que até um certo número de dias após o contato físico entre o óvulo e o espermatozóide dos pais, o embrião individual não-físico do novo ser, acionado pela influência da Lua, “desce” para o útero da mãe e só aí então começa de fato uma nova vida. Nesse momento da descida , o signo em que estiver situada a lua será o signo ascendente do ser que vai nascer. Essa visão mais abrangente da influência num período de 10 luas de formação do corpo físico do novo ser, parece mais convincente que a visão de outros ramos da Astrologia ocidental que parece condicionar as características do novo ser a um momento no tempo como uma fotografia, um instantâneo dos planetas no círculo zodiacal. 
Mesmo na astrologia ocidental, se imaginarmos cada planeta emitindo uma cor de luz sobre o ser que nasce,  teremos uma visão poética de cada ser como um conjunto único dentro da diversidade de seres, algo como uma “impressão individual colorida” uma digital cósmica. Mas a visão de um período de influência parece mais verdadeira que apenas um flash de influências no momento do “vir à luz”.
4 – O nível das manifestações do Ser de seus pais
Essa influência refere-se às qualidades combinadas das essências do pai e da mãe. Com a interação e pesquisas entre as áreas da ciência como Química, Biologia, Medicina, Psicologia e Parapsicologia e suas variações, e também seu registro e análises estatísticas precisas , é muito ingênuo achar que somente características físicas como cor dos olhos, da pele, cabelos e outras são transmitidas geneticamente. Cada vez mais se percebe que os fenômenos estão ligados no tempo e espaço. Hábitos, características emocionais, traumas e mesmo propensão a doenças são fenômenos que mostram que características menos concretas arquivadas dentro do DNA ou quem sabe outro veículo energético ainda desconhecido (pelo menos da atual ciência) são transmissíveis na cadeia de hereditariedade. Então é só uma questão de gradação de nível de materialidade a conclusão de que o nível de Ser dos pais, como é conhecido e conceituado nas tradições influencia o ser que nasce nessa  nossa dimensão.
5 – A qualidade de Ser dos seres de seu círculo imediato
Essa influência refere-se a atributos e virtudes essenciais do círculo familiar e comunitário. Se entendermos círculo imediato como a família imediata (pais, irmãos e filhos) a afirmação faz sentido uma vez que as influências ficam homogeneamente centradas nos pais que já são considerados uma fonte geradora de características  de per si.  Mas a afirmação acena que a influência pode ser mais ampla que a afirmação apenas do peso da constelação familiar sobre o ser que nasce. Isso faz sentido dentro da influência mais ampla da Hereditariedade.
6 – A qualidade das ondas de pensamento (desejos e atos) dos seres do mesmo sangue na atmosfera que os rodeia até a sua maturidade
Essa influência prece dizer respeito à qualidade dos impulsos e aspirações individuais que colocam a família em movimento gerando atos. O pressuposto aqui é que a qualidade das energias geradas por pensamentos e atos de seres do mesmo ramo exercem uma influência sobre o ser individual, estampando nele características marcantes seja a favor da influência ou uma resposta contra. É importante ressaltar que determinada característica implica sempre em uma “probabilidade de destino” Aliás desejos e atos já são por si só também coisas correlacionados em termos de causa e efeito; os desejos são uma mola propulsora para os atos.
Não é preciso muita explicação racional para referendar esse tópico. Basta se olhar com certa neutralidade a configuração das famílias e os indivíduos que as formam. A moderna técnica da Constelação Familiar é uma tentativa de se estabelecer e sistematizar essa correlação.
7 - A qualidade dos seus próprios esforços de Ser para transmutar em si os dados necessários em sua evolução.
Essa influência fala de um atributo essencial e intransferível do próprio indivíduo: o esforço. Aqui a porca torce o rabo. O indivíduo está sozinho no seu esforço apesar da pequena interferência do quadro das outras  influências  a favor ou contra. Esta é a única influência que parece estar fora do determinismo das outras. Ela parece que dá ao ser que nasce a possibilidade de fazer mudanças em seu destino que dependem de si mesmo e não do seu em torno em termos de espaço e tempo e ligações genéticas. O esforço e a persistência necessários neste caso remetem a afirmações de vários ensinamentos diferentes: no Budismo Zen a afirmação é de que  “você tem que atravessar uma porta onde não existe uma porta”. No Quarto caminho é “a evolução de cada um só interessa a si mesmo e a mais ninguém. É um trabalho contra a natureza, contra Deus”.  O Cristianismo fala de “o Caminho passa por uma porta estreita”.
 Soma-se a essas afirmações os adágios astrológicos de que “os astros inclinam mas não determinam” e também o de que “o mapa astrológico é também mais uma prisão que temos que transcender”. Então não há a desculpa “eu sou assim... não tenho culpa”.
A Ciência não tem respostas para  tudo isso e mesmo as tradições autênticas tem dificuldades para explicar o fenômeno das influências. Parece que através da Meditação, Silêncio do mental e Presença há uma pequena chance de se compreender a coisa (rsrs).

RESUMINDO: Apesar de a Astrologia ter sido por milênios apenas uma das sete influências, a sua validade como edifício de compreensão do mundo interior e exterior do Ser  Humano está, a exemplo do que faziam os reis no passado, cada vez mais sendo procurada pelas pessoas e referendada pelos ramos da “ciência não comprometida” pelo classismo, preconceito, interesses individuais e grupais. 
Porque? Por que ela é uma bússola que orienta as pessoas ajudando a responder a questão inicial formulada “quem sou eu? de que eu sou feito? de onde vim? para onde vou?”. Isso sem citar a sua vertente de previsão do futuro, muito mais popular, mas que na nossa opinião é apenas um subproduto do principal: o conhece-te a ti mesmo grafado nas antigas esfinges.
Afora as pessoas já acostumados com os astros, cada vez mais médicos, psicólogos, sociólogos e intelectuais em geral consultam os astros. Primeiro para saber qual é a natureza do outro, e depois antes de afirmarem, decidirem e aconselharem seus semelhantes e tomarem decisões mais afinadas com o a sua essência e as circunstâncias. Aliás poucos médicos sabem que Hipócrates, o pai da Medicina Ocidental, a quem fazem o juramento antes de exercer a profissão, disse que "Um médico sem o conhecimento da Astrologia não tem o direito de chamar a si mesmo de médico."

Na relação entre a Astrologia e as 7 influências, quem já leu os livros de Astrologia Kármica de Martin Schulman percebe claramente um fio que costura essas 7 influências num conjunto sólido e harmônico. Como dissemos na postagem DNA, Karma e Justiça,  um presente poder ver o Karma na sua forma física de DNA: tudo o que fizemos, juntamente com nossos pais e o eixo de nossos ancestrais está lá gravado e nos influenciando em cada existência, quer a gente se lembre ou não."

domingo, 20 de outubro de 2013

O Ensonhar

Falamos do sonho em pelo menos 5 postagens :
O Sonhar, O Sonho, Portal da Consciência, O Sonho - Visão ToltecaO Sonho - Visão Budista, e finalmente O Sonho e o Rupigwara. Hoje vamos falar do "ensonho", na visão de Dom Juan no livro Passes Mágicos, de Carlos Castaneda:

"Dom Juan Matus definia sonhar como o ato de usar sonhos normais como uma autêntica entrada para a consciência nos outros domínios de percepção. Para ele, essa definição implicava que os sonhos comuns podiam ser usados como uma portinhola que conduzia a percepção para outras regiões de energia diferente da energia do mundo da vida cotidiana e, no entanto, absolutamente semelhante a ela em um núcleo básico. Para os feiticeiros, o resultado de uma tal entrada era a percepção de mundos verdadeiros nos quais eles podiam viver ou morrer, mundos que eram estarrecedoramente diferentes dos nossos e, no entanto, absolutamente semelhantes.
Pressionado por uma explicação linear sobre essa contradição, Dom Juan Matus reiterava a posição padrão dos feiticeiros: de que as respostas para todas essas perguntas estavam na prática e não na inquisição intelectual. Ele dizia que, para conversarmos sobre tais possibilidades, precisaríamos usar a sintaxe da linguagem, qualquer que fosse a linguagem que falássemos, e que aquela sintaxe, pela força da utilização, limita as possibilidades de expressão. A sintaxe de qualquer linguagem só se refere a possibilidades perceptivas encontradas no mundo em que vivemos.
Dom Juan fazia uma importante diferenciação entre dois verbos em espanhol: um era sonhar ( soñar) e o outro era ensonhar (ensoñar), que é “sonhar da maneira que os feiticeiros sonham”, ou seja, o sonho lúcido, consciente, uma abertura para outros mundos e uma área de atuação e evolução como é este.
De acordo com o que Dom Juan ensinava, a arte de sonhar se originou de uma observação muito casual que os feiticeiros do antigo México fizeram quando viam pessoas que estavam adormecidas. Eles notaram que durante o sono o "ponto de aglutinação" era deslocado, de uma maneira muito natural e simples, da sua posição habitual e que se movia para qualquer lugar ao longo da periferia da esfera luminosa ou para qualquer lugar no interior dela. 
(NR – o ponto de aglutinação é o ponto luminoso onde a percepção e interpretação dos dados sensoriais é agrupada no corpo energético dos seres) 
Correlacionando a sua visão com os relatos das pessoas que tinham observado dormindo, eles perceberam que, quanto maior o deslocamento observado do ponto de aglutinação, mais estarrecedores eram os relatos dos acontecimentos e cenas vivenciados em sonhos.
Após essa observação se apoderar deles, os feiticeiros começaram a procurar avidamente oportunidades para deslocarem os seus próprios pontos de aglutinação. Acabaram usando plantas psicotrópicas para conseguir isso. Muito rapidamente perceberam que o deslocamento ocasionado pelo uso dessas plantas era errático, forçado e fora de controle. Contudo, no meio desse fracasso, descobriram uma coisa de grande valor. Chamaram-na de atenção ao sonhar.
Dom Juan explicava esse fenômeno referindo-se primeiro à consciência diária dos seres humanos como a atenção colocada nos elementos do mundo da vida cotidiana. Ele salientava que os seres humanos só lançavam um olhar superficial e, contudo, sustentado para todas as coisas que os cercavam. Mais do que examinar as coisas, os seres humanos simplesmente estabeleciam a presença daqueles elementos através de um tipo especial de atenção, um aspecto específico da sua consciência geral. A sua 
legação era que o mesmo tipo de "olhar", por assim dizer, superficial mas sustentado podia ser aplicado aos elementos de um sonho comum. Ele chamava esse outro aspecto específico da consciência geral de atenção ao sonhar ou da capacidade que os praticantes adquirem de manter a consciência inflexivelmente fixada nos itens dos seus sonhos.
O cultivo da atenção ao sonhar deu aos feiticeiros da linhagem de Dom Juan uma classificação básica dos sonhos. Descobriram que a maior parte dos seus sonhos era imaginação, produtos da cognição do seu mundo diário. Entretanto havia alguns que escapavam a essa classificação. Tais sonhos eram estados verdadeiros de consciência intensificada nos quais os elementos do sonho não eram simples imaginação, mas ocorrências geradoras de energia. Para os xamãs, os sonhos que tinham elementos geradores de energia eram sonhos em que eles eram capazes de ver a energia como ela fluía no universo.
Esses xamãs eram capazes de focalizar sua atenção ao sonhar em qualquer elemento dos seus sonhos e, dessa forma, descobriram que existem dois tipos de sonhos. Um são os sonhos com os quais todos nós estamos familiarizados, nos quais elementos fantasmagóricos entram em ação, algo que poderíamos categorizar como produto da nossa mentalidade, da nossa psique; talvez algo que tenha a ver com a nossa constituição neurológica. O outro tipo de sonhos eles chamavam de sonhos geradores de energia. Dom Juan dizia que aqueles xamãs dos tempos antigos se descobriram em sonhos que não eram sonhos e sim verdadeiras visitas feitas, em um estado parecido com o sonho, a lugares autênticos que não eram deste mundo - lugares reais, exatamente como o mundo no qual vivemos; lugares onde os objetos do sonho geravam energia assim como, para um feiticeiro vidente, as árvores, os animais ou até mesmo as rochas geram energia no nosso mundo diário.
Entretanto, para os xamãs, suas visões de tais lugares eram efêmeras demais, temporárias demais para lhes serem de algum valor. Eles atribuíam essa falha ao fato de que os seus pontos de aglutinação não podiam ser mantidos fixos por qualquer tempo considerável na posição para a qual tinham sido deslocados. As suas tentativas de remediar a situação resultaram na outra arte magna da feitiçaria: a arte de hastear.
Um dia Dom Juan definiu as duas artes com muita clareza quando me disse que a arte de sonhar, consistia em deslocar propositadamente o ponto de aglutinação da sua posição habitual. A arte de hastear consistia em voluntariamente fazê-lo permanecer fixado na nova posição para a qual tinha sido deslocado.
Essa fixação permitia aos feiticeiros do antigo México a oportunidade de testemunharem outros mundos em toda a sua extensão. Dom Juan dizia que alguns desses feiticeiros nunca voltaram de suas viagens. Em outras palavras, optaram por permanecer lá, onde quer que "lá" possa ter sido.
- Quando os antigos feiticeiros acabaram de mapear os seres humanos como esferas luminosas - disse-me Dom Juan certa vez -, eles tinham descoberto nada menos que seiscentos locais na esfera luminosa total que eram locais de mundos genuínos. Isso queria dizer que, se o ponto de aglutinação se fixasse em qualquer um daqueles lugares, o resultado era a entrada do praticante em um mundo totalmente novo.
- Mas existem esses outros seiscentos mundos, Dom Juan? perguntei.
- A única resposta para essa pergunta é incompreensível - disse ele rindo. - Ela é a essência da feitiçaria, contudo não significa nada para a mente comum. Esses seiscentos mundos estão na posição do ponto de aglutinação. Para que tal resposta faça sentido, são necessárias incalculáveis quantidades de energia. Nós temos a energia. O que nos falta é a facilidade ou a disposição de usá-la.
Eu acrescentaria que nada poderia ser mais verdadeiro do que todas essas declarações e, no entanto, nada poderia fazer menos sentido.
Dom Juan explicava a percepção comum nos termos em que os feiticeiros da sua linhagem a entendiam: em sua localização habitual, o ponto de aglutinação recebe um influxo de campos de energia do universo como um todo na forma de filamentos luminosos, chegando ao número dos trilhões. Uma vez que sua posição é consistentemente a mesma, o raciocínio lógico dos feiticeiros era que os mesmos campos de energia, na forma de filamentos luminosos, convergem para o ponto de aglutinação e o atravessam proporcionando, como um resultado consistente, a percepção do mundo que conhecemos. Esses feiticeiros chegaram à inevitável conclusão de que, se o ponto de aglutinação fosse deslocado para uma outra posição, um outro conjunto de filamentos energéticos o atravessaria resultando na percepção de um mundo que, por definição, não era o mesmo do mundo da vida cotidiana.
Na opinião de Dom Juan, o que os seres humanos consideram normalmente como sendo perceber é mais o ato de interpretar dados sensoriais. Ele mantinha que, desde o momento do nascimento, todas as coisas ao nosso redor nos supriam com uma possibilidade de interpretação e que, com o tempo, essa possibilidade se transforma em um sistema completo através do qual conduzimos todas as nossas transações perceptivas no mundo.
Ele salientava que o ponto de aglutinação não era apenas o centro onde a percepção é agrupada, mas também o centro onde a interpretação de dados sensoriais é realizada. Sendo assim, se mudasse a localização, interpretaria o novo influxo de campos de energia nos mesmíssimos termos que interpreta o mundo da vida cotidiana. O resultado dessa nova interpretação é a percepção de um mundo estranhamente semelhante ao nosso e, no entanto, intrinsecamente diferente. Dom Juan dizia que, energeticamente, aqueles outros mundos são tão diferentes do nosso quanto poderiam ser. Só a interpretação do ponto de aglutinação é que é responsável pelas aparentes semelhanças:
Dom Juan sentia necessidade de uma nova sintaxe que pudesse ser usada para expressar essa assombrosa qualidade do ponto de aglutinação e as possibilidades de percepção ocasionadas pelo sonhar. No entanto ele admitia que, se essa experiência se tornasse disponível a qualquer um de nós e não simplesmente aos xamãs iniciados, a sintaxe atual da nossa linguagem talvez pudesse ser forçada a abrangê-la.
Uma coisa relacionada ao sonhar que era de tremendo interesse para mim, mas que me deixou completamente confuso até o final, era a afirmação de Dom Juan de que realmente não havia nenhum procedimento que ensinasse alguém como sonhar. Dizia que, mais do que qualquer outra coisa, sonhar era um esforço árduo por parte dos praticantes para se porem em contato com a indescritível força que a tudo permeia, que os feiticeiros do antigo México chamavam de intento. Uma vez que essa ligação estivesse estabelecida, sonhar também se estabeleceria misteriosamente. Dom Juan afirmava que essa ligação poderia ser realizada seguindo qualquer padrão que implicasse disciplina.
Quando lhe pedi que me desse uma explicação sucinta dos procedimentos envolvidos, ele riu de mim.
- Aventurar-se no mundo dos feiticeiros - disse ele - não é como aprender a dirigir um carro. Para dirigir um carro, você precisa de manuais e de instruções. Para sonhar, você precisa intentá-la.
- Mas como posso intentá-la? - insisti.
- A única maneira como você poderia intentá-la é intentando-o
- declarou ele. - Uma das coisas mais difíceis para um homem dos nossos dias aceitar é a falta de procedimentos. O homem moderno está nos paroxismos dos manuais, das praxes, dos métodos, dos passos que conduzem a alguma coisa. Está incessantemente tomando notas, fazendo diagramas, profundamente envolvido em saber como fazer. Porém, no mundo dos feiticeiros, os procedimentos e os rituais são meros esquemas para atrair e focalizar a atenção. São estratagemas usados para forçar uma concentração de interesse e determinação. Não têm nenhum outro valor.
Para sonhar, o que Dom Juan considerava ser de suprema importância é a execução rigorosa dos passes mágicos: o único estratagema que os feiticeiros da sua linhagem usavam para auxiliar o deslocamento do ponto de aglutinação. A execução dos passes mágicos dava àqueles feiticeiros a estabilidade e a energia necessárias para suscitar a sua atenção ao sonhar, sem o que, para eles, não havia nenhuma possibilidade de sonhar. Sem a emergência da atenção ao sonhar, o máximo que os praticantes poderiam aspirar era ter sonhos lúcidos sobre mundos fantasmagóricos. Talvez pudessem ter visões de mundos que geram energia, mas, para eles, elas não fariam nenhum sentido na ausência de um fundamento lógico abrangente que as categorizasse adequadamente.
Uma vez que os feiticeiros da linhagem de Dom Juan tinham desenvolvido a sua atenção ao sonhar, eles perceberam que tinham tocado nas portas do infinito. Tinham sido bem-sucedidos na ampliação dos parâmetros da sua percepção normal. Descobriram que o seu estado normal de consciência era infinitamente mais variado do que tinha sido antes do advento da sua atenção ao sonhar. Daquele ponto em diante, os feiticeiros poderiam verdadeiramente se aventurar no desconhecido.
- O aforismo "o céu é o limite" - disse Dom Juan - era mais aplicável aos feiticeiros dos tempos antigos. Certamente, eles se superaram.
- Para eles, era realmente verdade que o céu era o limite, Dom Juan? - perguntei.
- Essa pergunta só poderia ser respondida por cada um de nós individualmente - disse ele sorrindo efusivamente. - Eles nos deram as ferramentas. Depende de nós, individualmente, usá-las ou rejeitá-las. Em essência, estamos sozinhos diante do infinito e a questão de sermos ou não capazes de alcançarmos os nossos limites precisa ser respondida pessoalmente."

domingo, 13 de outubro de 2013

Sugar Blues


A escravidão colonial do açucar

Em A Era Das Trevas da Medicina falamos que “nas tradições antigas a boa saúde física é condição essencial para a evolução do espírito, pois a verdade é que, num corpo doente, um ser humano tem muito mais dificuldade de dar o salto necessário para a evolução, que é a sua lição de casa neste mundo. Então precisamos ficar atentos e presentes em tudo o que alimenta o nosso corpo, emoção e mente, enfim, o nosso Ser.”
Sabemos que quando a gente renasce numa nova vida, nasce nu somente na aparência, pois já vem acompanhado com um "enxoval das outras vidas ", um carma compactado e transcrito no nosso DNA ao qual se somam as experiências dessa vida corrente, mas com a possibilidade de o amenizarmos através do cuidado sobre o que deixamos entrar no nosso Ser através do alimento físico, emocional e impressões. 
Já que há uma relação estreita entre o alimento físico e a saúde é bom trocarmos idéias sobre o beabá da alimentação nesses tempos bicudos de hoje onde inimigos diferentes se unem no time contrário ao da nossa saúde, como os interesses pessoais e grupais de terceiros, mais a cegueira da ignorância, apego, medo e ódio, capitaneados pelos valores passageiros ostensivos e suicidas do capitalismo. Basta ver o que acontece com o meio ambiente, os governos, a medicina, e por aí afora.
Mesmo que não tivéssemos interesses metafísicos, como dissemos por exemplo em Flúor o Veneno da Pineal (para nos precaver dos danos à glândula que é uma das portas para a espiritualidade), já bastaria por si só o interesse em viver com saúde a vida normal corriqueira, ao contrário do que se vê por aí. 
Não podemos nos iludir: não há Medicina nem estrutura de plano de saúde particular ou estatal nem orçamento familiar de despesas médicas, nem remédios que vão nos defender e garantir dos efeitos do que vem por aí, se deixarmos os fabricantes de alimentos decidirem o que comemos e bebemos, e as empresas, governos e pessoas poluidoras decidirem o que respiramos. Os inimigos que introduzem a doença nos nossos corpos são muitos e estamos carecas de saber mas, afora o carma registrado em nosso DNA, há 6 deles que são os principais: 

  • a proteina animal (carne, ovos, queijo e leite), afora o carma não físico de causar sofrimento aos nossos irmãos sencientes.
  • o açúcar industrializado e "refinado", 
  • o sal iodado, "refinado", reduzido somente a cloreto de sódio + mais iodo. Muito iodo. 
  • os aditivos alimentares (conservantes, corantes, espessantes, homogeneizantes, estabilizantes, aromatizantes, flavorizantes, acidulantes, etc,... enfim, "envenenantes autorizados pela autoridade pública" no rótulo, sem pesquisa séria ou disfarçados com nomes mais simpáticos. 
  • os motores a explosão e seus resíduos, 
  • o lixo desorganizado das empresas e famílias (incluindo metais pesados e o lixo nuclear). 

Tudo isso é potencializado pelo aumento global desordenado da população (ninguém fala do assunto), o capitalismo suicida para o qual trabalhamos, e os governos com suas estruturas  de leis e fiscalização corruptas e ineficientes que ganham propinas para encher os bolsos e não controlar nada. A Petrobrás é um bom exemplo. Tá bom, ou quer mais?
Mas, em vez de se assustar com o tamanho da empreitada, vamos fazer como os guerrilheiros fazem, e pacientemente atacar além da proteina animal, outro dos inimigos que pode ser individualmente vencido por cada um de nós com coragem e persistência: o açúcar refinado, cujos danos poucos conhecem a amplitude, graças à habilidade dos fabricantes em dourar a pílula.
Quando ingerimos o açúcar refinado (sacarose), ele escapa dos processos químicos de nosso corpo e passa diretamente para os intestinos, que o interpreta como glicose já "pré-digerida ". Esta, por sua vez, é absorvida diretamente pelo sangue onde o nível de glicose já havia sido estabelecido, num preciso equilíbrio com o nível do oxigênio. Desta forma, o nível de glicose no sangue sobe dramaticamente. O equilíbrio é rompido. O corpo entra em crise a cada vez que isso acontece, uma vez, dez, centenas, milhares durante a vida... É aí que mora o perigo.
Você já leu Sugar Blues? Um livro corajoso e agradavelmente humorado e  irônico que revela o doce veneno não só da droga em nossos corpos, mas a história econômica impiedosa de um negócio altamente lucrativo e genocida associado ao tráfico de escravos africanos massacrados nos canaviais desde o século 16. Todas as potencias econômicas atuais  tiveram e tem a sua parcela de culpa mesmo hoje, quando fecham os olhos para os danos provocados à saúde, disfarçados por lindos anúncios e a frase “açúcar é  energia”. Bota karma nisso.
Eu o li nos anos 70, levei um choque, e apesar de sempre procurar me defender individualmente, fui esquecendo, esquecendo como é costume entre os seres humanos...só agora acordei para falar disso.
O autor do livro foi casado com a famosa atriz Gloria Swanson, incentivadora da causa de alertar os americanos e o mundo contra o açucar. Segue abaixo a apresentação do livro pelos editores na época:


"A idéia de lançarmos este livro surgiu com a visita que o autor, William Dufty, fez ao Brasil em 1975, acompanhado de sua esposa Glória Swanson ― a sempre jovem diva hollywoodiana da década de 20 ―, atendendo a um convite de uma rede de televisão brasileira. A visita, entretanto, tomou-se extremamente embaraçosa para os mal-informados antifitriões, que certamente não contavam com a ferrenha disposição da famosa dupla em aproveitar a oportunidade para ampliar sua campanha de esclarecimento sobre as conseqüências desastrosas do consumo do açúcar industrializado ― campanha que vêm desenvolvendo através de conferências em universidades, simpósios, programas de tevê e em todas as suas recentes aparições públicas nos EUA. 
Percebido o engano, o boicote foi imediato: Dufty e Swanson foram sumariamente confinados em uma elegante suíte do Hotel Nacional, concedendo longas reportagens que nunca foram ao ar, com exceção das raras tomadas em que falam de temas mais amenos. Sintomático, uma vez que as indústrias de refino de açúcar são notoriamente patrocinadoras habituais dos grandes programas da televisão brasileira. Impossibilitado de dar o seu recado através das câmeras, o autor, cujas afinidades com a Editora datam de há muito tempo, ofereceu-nos a oportunidade de lançar esta edição brasileira do Sugar Blues ― o contundente depoimento sobre o açúcar que abalou a opinião pública e motivou o questionamento, a nível oficial, dos hábitos alimentares dos norte-americanos. 
Uma rara oportunidade, se considerarmos as dificuldades habitualmente encontradas para a elaboração de um documento que questiona de maneira irrefutável, o valor de produtos controlados pelas grandes empresas manipuladoras do consumo. E Dufty põe o dedo na ferida: Sugar Blues ― originariamente nome de um lamento dos negros americanos do inicio do século e utilizado aqui, com rara propriedade, para definir toda a gama de distúrbios físicos e mentais causados pelo consumo da sacarose refinada, comumente chamada açúcar ― é um relato detalhado das circunstâncias escusas que permitiram a ascensão do açúcar da categoria de droga rara e de alto custo, como o ópio, a morfina e a heroína, a sustentáculo da dieta do homem moderno. 
A história do açúcar envolve, desde o seu início, a experiência amarga de muitos em garantia da doce vida de poucos. Cultivado por mãos escravas, seu consumo limitou-se inicialmente às elites. O desenvolvimento da industrialização da cana, entretanto, prometia as perspectivas de um mercado altamente promissor: o uso do açúcar, a exemplo de outras drogas formadoras de hábito, garantia um número crescente de ansiosos consumidores. 
Posteriores constatações dos inúmeros distúrbios orgânicos causados pelo consumo indiscriminado do açúcar, em especial do açúcar refinado ― o aparecimento do escoburto e do beribéri entre povos até então imunes a essas doenças e o aumento assustador de diabéticos, hipoglicêmicos e portadores de distúrbios funcionais generalizados nos grandes centros populacionais, onde a sacarose da cana já era adicionada ao preparo de praticamente todos os alimentos ―, em nada afetaram esse lucrativo comércio. Instituições com nomes enganadores como The Nutrition Foundation, Inc. ― uma organização testa-de-ferro dos interesses de cerca de 45 companhias que exploram o comércio alimentício, entre elas a American Sugar Refining Co., a Coca-Cola, a Pepsi-Cola e a Curtis Candy Co. ― foram criadas e devidamente subvencionadas pelas grandes indústrias açucareiras com o objetivo de ― tarefa ingrata! ― descobrir e alardear improváveis benefícios que o açúcar causaria ao organismo humano. Bilhões de dólares foram ― e são ― gastos sistematicamente apenas para assalariar a consciência de médicos e nutricionistas e produzir conceitos enganadores do tipo "açúcar é energia". 
As evidências chegaram a ponto tal que o Senado americano permitiu a instalação de uma comissão de inquérito, presidida pelo Senador MacGovern, para apurar as mistificações utilizadas na publicidade e nas embalagens do produto. A acusação de que se utilizava indevidamente o termo "nutritivo" em relação ao açúcar, quando, na realidade, tratava-se de substância antinutriente ― o açúcar refinado, constituído de 99% de sacarose, necessita, para ser metabolizado, dos seus componentes originais, tais como cálcio, ferro e vitaminas do complexo B; eliminadas no processo de refinamento, essas substâncias serão literalmente roubadas dos ossos, dos dentes e das reservas orgânicas ―, provocou, por parte da junta médica encarregada de defender os interesses do monopólio açucareiro, uma avalancha de meias verdades e afirmativas dúbias que terminaram por conduzir ao arquivamento do processo. O que levou um deputado norte-americano a declarar que o truste do açúcar controla não apenas os preços... controla os governos. 
E é precisamente aí que o livro começa: com a constatação de que é fundamental a conscientização individual dos condicionamentos que regem nossos hábitos cotidianos. Em especial no que diz respeito aos critérios alimentares, essa preocupação deverá ser forte bastante de forma a transcender a desinformação e os interesses puramente comerciais que sustentam a indústria de consumo. O maior sistema de comunicações que o mundo já conheceu é utilizado para mascatear venenos dissimulados em atrativas embalagens. Conhecer esses engodos publicitários pode significar a diferença entre a saúde e a doença. 
Mas Sugar Blues é mais que uma denúncia: irônico, ao mesmo tempo assustador e divertido, é, principalmente, um trabalho jornalístico inteligente e atual que aponta os meios para a libertação do vício institucionalizado da sacarose industrializada e acrescenta receitas de pratos deliciosos ― todos sem açúcar. Certamente o leitor encontrará situações que retratam a realidade dos EUA e informações dirigidas basicamente ao leitor norte-americano. Entretanto, por analogia, percebemos que o problema é basicamente o mesmo em nossa terra, com a agravante de contarmos, no Brasil, com a habitual desinformação que estimula a má fé dos expropriadores da nutrição e da saúde. O que torna bastante oportuno o lançamento de Sugar Blues entre nós. 
Numa época em que as evidências da contaminação generalizada dos alimentos começa lentamente a sensibilizar a grande imprensa e já provocar uma sucessão de sobressaltos para o desorientado consumidor, as alternativas e opções oferecidas neste livro têm boas chances de merecer a oportunidade de serem testadas com o respeito devido. Este livro poderá mudar a sua vida. Ou a sua morte. 
OS EDITORES"

Além da dissimulação das "propriedades" do açucar na mídia, da dissimulação que confunde o intestino na digestão, das entidades médicas de fachada que o defendem, há um outro engano que pode ser verificado nas prateleiras dos supermercados: veja nos rótulos, além dos "venenos normais" citados que embelezam e conservam os produtos, quais são os outros ingredientes adicionais que entram na sua mistura: tem açucar disfarçado em quase todos. Até em cigarro e remédio. O engano é, e sempre foi, a base da industria dos alimentos!
E ficamos todos iguais a um "artista" moderno famoso (tem gosto para tudo), que disse: "Vou comprar um enorme pedaço de carne, cozinhá-lo para o jantar e, então, um pouco antes que esteja pronta, vou dar uma parada e comer aquilo que queria em primeiro lugar ― pão e geléia... tudo aquilo que sempre quero é, na verdade, açúcar. 
Andy Warhol, New York Times Magazine, 31 de março de 1975. 

Um presente para você: se você se interessar, aí segue o link do livro em PDF. É só clicar: Você não faz idéia do tamanho da porrada que vai levar: Sugar Blues 
Pode pular a introdução, porque você já leu aqui (rsrs)



domingo, 6 de outubro de 2013

Vipassana

Kiran Bedi
Quem leu a postagem  Ho´oponopono do escritor Joe Vitale, viu a experiência famosa de como um médico havaiano da tradição Kahuna conseguiu curar um presídio inteiro de criminosos perigosos no Havaí através de um processo xamânico de cura ligado ao perdão.
Hoje vamos mostrar um processo com resultados semelhantes aplicado em um presídio da Índia mas proveniente de uma outra tradição oriental, o budismo. É chamado Vipassana e trata-se de uma meditação que orienta os presidiários, em grandes grupos, a ficarem de frente, na meditação, com seus demônios durante 10 dias inicialmente. Depois disso a prática torna-se regular. O resultado foi tão efetivo que é aplicado hoje em dia em muitos presídios e está revolucionando o sistema prisional indiano habitualmente agressivo, cruel e corrupto tanto ou mais que os outros países do mundo.
Vipassana, que significa “ver as coisas como realmente são”, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi redescoberta por Gautama Buda há mais de 2500 anos e ensinada por ele como um remédio universal para males universais, uma “Arte de Viver”.
Essa técnica visa a total erradicação das impurezas mentais e a resultante suprema felicidade da liberação completa. A cura, não a mera cura de doenças, mas a cura essencial do sofrimento humano, é o seu propósito.
Vipassana é um caminho de auto-transformação que utiliza a auto-observação. Foca a profunda interconexão entre mente e corpo, que pode ser experimentada diretamente pela atenção disciplinada às sensações físicas, que, por sua vez, constituem a vida do corpo e continuamente se interconectam e permitem a vida da mente. É essa jornada de autoconhecimento baseada na observação — que objetiva a raiz comum da mente e do corpo — a responsável pela dissolução das impurezas mentais, resultando numa mente em equilíbrio, cheia de amor e compaixão.
As leis científicas que regulam os pensamentos, sentimentos, julgamentos e sensações se tornam claras. Pela experiência direta, compreende-se a natureza de como se progride ou regride, como se produz ou se liberta do sofrimento. A vida começa a se caracterizar por consciência, libertação de ilusões, autocontrole e paz cada vez maiores.
É o mais ambicioso projeto na historia do sistema carcerário indiano. Isso pode modificar todo sistema prisional do planeta. É a primeira oportunidade onde Vipassana é usado no sistema penitenciário e mostrou grande resultado. O curso leva 10 dias. 10 dias é o básico, é a mínima quantidade de tempo necessário para obter a faísca que irá acender a vela, e algumas vezes aquela faísca não acende; necessita mais algumas vezes e aos poucos aparece uma pequena chama que acaba se expandindo. Os detentos se modificaram visivelmente. Há um reconhecimento de porque estão ali na prisão, porque eles mesmos causaram isso a si mesmos. Os sentimentos de raiva, de vingança, diminuem aos poucos até desaparecerem. Toda mudança leva tempo. Podem ser chamados de monges em vez de prisioneiros,  que eram. Não é fácil. As regras do Vipassana são mais rígidas que as regras da prisão. Inicialmente os presos não estão receptivos para esse curso Mas agora o governo central encoraja a prática do Vipassana em todas as penitenciarias na índia. As pessoas que estão sendo libertadas não mais voltam, porque não está havendo retrocesso. A técnica é eficiente, e será eficiente em qualquer lugar do mundo. Nos presídios no ocidente e no oriente, os seres humanos são iguais. As tradições, as culturas são diferentes mas o ser humano não é diferente. Suas atitudes são as mesmas.
O projeto Vipassana continua se expandindo nos presídios de toda índia. Agora são mantidos cursos nas penitenciárias em Taiwan e nos Estados Unidos com resultados impressionantes 
A iniciadora do processo foi uma mulher indiana, Kiran Bedi, ativista social, ex-tenista e ex-policial, e administradora de um presídio. Frente à dificuldade de resolver os problemas, ela não teve medo de aplicar uma mescla de criatividade, bom senso  e tradição a esse dilema mundial que é a aplicação de penas aos criminosos com vistas à recuperação para que não continuem a delinqüir seja na prisão ou quando voltarem à liberdade após o cumprimento das penas. Esse “não delinqüir” está ligado não só à segurança da sociedade que se quer proteger, mas principalmente à recuperação individual de cada um destes seres para interromper o karma inevitável gerado por suas ações no Samsara, esse difícil mundo de sofrimento contínuo e circular em que todos vivemos. Essa é a vantagem de se nascer em um país de tradição milenar como a Índia, apesar dos contrastes.
Optamos por pouco texto e mais imagem na publicação. É a imagem de um filme fascinante, instrutivo e cheio de compaixão como vocês poderão ver. Vamos lá:

Recomendamos  aos interessados a consulta do termo Vipassana no Google ou outro mecanismo de pesquisa.