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domingo, 8 de junho de 2014

Por Que Existe Vida?

Por Que Existe Vida? 
- Osho, eu nunca fui capaz de encontrar resposta para essa pergunta. É uma pergunta estúpida, mas mesmo assim eu queria muito saber a resposta.
Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação? Por que a vida existe? Por que todas as coisas existem? Eu não acredito que seja acidental.

- "Patrick, a pergunta é certamente estúpida...  Você está absolutamente certo a respeito disso. E a pergunta não é respondível. Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um mistério. 
        Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é encontrar respostas para todos os porquês.  E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida.
        Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas... Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Buda.
        E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só... então de repente , num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente!
        E agora, como ele está se sentindo hoje? Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário?
        Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas. 
        Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio? Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler e Mussolini e Joseph Stalin e Mao-Tse-Tung, Gengis Khan, Tamurlaine, Nadir Shah... Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrês? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas... Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau.
        Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. Patrick, o máximo que eu posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito.
        Todos os propósitos estão no meio da vida. Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito... Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio.
      A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa idéia de criação. Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna. Ais dhammo sanantano - assim é a lei última.
        Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar...Qual o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas?
        A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros...
        O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum. 
      Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?"
      O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo. Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância.
        Você me pergunta: "Por que a vida existe?"
        Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você.
        Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito? 
        Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você.
        A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui. Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"?  Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar.
        Os Budas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você.
        Quando Gautama Buda costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Buda está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado. 
        Buda costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas. 
        Um grande filósofo, Maulingaputta, veio até Buda e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Buda ouviu silenciosamente por meia hora. Maulingaputta começou a se sentir um pouco embaraçado porque Buda não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas.
        Finalmente Buda disse: "Você realmente quer saber a resposta?"
        Maulingaputta disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo"..."Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?"
        Buda disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso".
        Maulingaputta disse "Sim!"
        Então Buda disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo."
        Um discípulo, um grande discípulo de Buda, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. Maulingaputta disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele... Estará ele contando piadas para si mesmo?"
        Buda disse: "Vá lá e pergunte a ele".
        Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse"Senhor, se você quiser realmente fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas."
        Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores.
        E Buda disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio... Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo."
        "Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco."
        "Assim, Maulingaputta, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre Maulingaputta vai se sentar por dois anos silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, Maulingaputta, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!"
        Mas, Buda disse: "Minhas condições têm que ser atendidas."
        Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta... quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios... e isso não tem fim."

OSHO - The Book of the Books - Tradução: Sw. Bodhi Champak

domingo, 6 de outubro de 2013

Vipassana

Kiran Bedi
Quem leu a postagem  Ho´oponopono do escritor Joe Vitale, viu a experiência famosa de como um médico havaiano da tradição Kahuna conseguiu curar um presídio inteiro de criminosos perigosos no Havaí através de um processo xamânico de cura ligado ao perdão.
Hoje vamos mostrar um processo com resultados semelhantes aplicado em um presídio da Índia mas proveniente de uma outra tradição oriental, o budismo. É chamado Vipassana e trata-se de uma meditação que orienta os presidiários, em grandes grupos, a ficarem de frente, na meditação, com seus demônios durante 10 dias inicialmente. Depois disso a prática torna-se regular. O resultado foi tão efetivo que é aplicado hoje em dia em muitos presídios e está revolucionando o sistema prisional indiano habitualmente agressivo, cruel e corrupto tanto ou mais que os outros países do mundo.
Vipassana, que significa “ver as coisas como realmente são”, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi redescoberta por Gautama Buda há mais de 2500 anos e ensinada por ele como um remédio universal para males universais, uma “Arte de Viver”.
Essa técnica visa a total erradicação das impurezas mentais e a resultante suprema felicidade da liberação completa. A cura, não a mera cura de doenças, mas a cura essencial do sofrimento humano, é o seu propósito.
Vipassana é um caminho de auto-transformação que utiliza a auto-observação. Foca a profunda interconexão entre mente e corpo, que pode ser experimentada diretamente pela atenção disciplinada às sensações físicas, que, por sua vez, constituem a vida do corpo e continuamente se interconectam e permitem a vida da mente. É essa jornada de autoconhecimento baseada na observação — que objetiva a raiz comum da mente e do corpo — a responsável pela dissolução das impurezas mentais, resultando numa mente em equilíbrio, cheia de amor e compaixão.
As leis científicas que regulam os pensamentos, sentimentos, julgamentos e sensações se tornam claras. Pela experiência direta, compreende-se a natureza de como se progride ou regride, como se produz ou se liberta do sofrimento. A vida começa a se caracterizar por consciência, libertação de ilusões, autocontrole e paz cada vez maiores.
É o mais ambicioso projeto na historia do sistema carcerário indiano. Isso pode modificar todo sistema prisional do planeta. É a primeira oportunidade onde Vipassana é usado no sistema penitenciário e mostrou grande resultado. O curso leva 10 dias. 10 dias é o básico, é a mínima quantidade de tempo necessário para obter a faísca que irá acender a vela, e algumas vezes aquela faísca não acende; necessita mais algumas vezes e aos poucos aparece uma pequena chama que acaba se expandindo. Os detentos se modificaram visivelmente. Há um reconhecimento de porque estão ali na prisão, porque eles mesmos causaram isso a si mesmos. Os sentimentos de raiva, de vingança, diminuem aos poucos até desaparecerem. Toda mudança leva tempo. Podem ser chamados de monges em vez de prisioneiros,  que eram. Não é fácil. As regras do Vipassana são mais rígidas que as regras da prisão. Inicialmente os presos não estão receptivos para esse curso Mas agora o governo central encoraja a prática do Vipassana em todas as penitenciarias na índia. As pessoas que estão sendo libertadas não mais voltam, porque não está havendo retrocesso. A técnica é eficiente, e será eficiente em qualquer lugar do mundo. Nos presídios no ocidente e no oriente, os seres humanos são iguais. As tradições, as culturas são diferentes mas o ser humano não é diferente. Suas atitudes são as mesmas.
O projeto Vipassana continua se expandindo nos presídios de toda índia. Agora são mantidos cursos nas penitenciárias em Taiwan e nos Estados Unidos com resultados impressionantes 
A iniciadora do processo foi uma mulher indiana, Kiran Bedi, ativista social, ex-tenista e ex-policial, e administradora de um presídio. Frente à dificuldade de resolver os problemas, ela não teve medo de aplicar uma mescla de criatividade, bom senso  e tradição a esse dilema mundial que é a aplicação de penas aos criminosos com vistas à recuperação para que não continuem a delinqüir seja na prisão ou quando voltarem à liberdade após o cumprimento das penas. Esse “não delinqüir” está ligado não só à segurança da sociedade que se quer proteger, mas principalmente à recuperação individual de cada um destes seres para interromper o karma inevitável gerado por suas ações no Samsara, esse difícil mundo de sofrimento contínuo e circular em que todos vivemos. Essa é a vantagem de se nascer em um país de tradição milenar como a Índia, apesar dos contrastes.
Optamos por pouco texto e mais imagem na publicação. É a imagem de um filme fascinante, instrutivo e cheio de compaixão como vocês poderão ver. Vamos lá:

Recomendamos  aos interessados a consulta do termo Vipassana no Google ou outro mecanismo de pesquisa.

domingo, 28 de outubro de 2012

O Karma, O Agora, e A Astrologia

Não há dúvida de que um indivíduo experimenta o karma de outras vidas. Ele experimenta também, nesta existência, o karma de suas atitudes do passado e é um criador de Carma em todos os momentos. É então, que se torna muito importante apreender o significado do momento, pois é disso que nasce o conceito do "O Agora". 
Um indivíduo pode passar toda sua existência procurando por aquilo que foi numa encarnação anterior. Ele pode ser suficientemente afortunado para descobrir, ou pode enganar a si mesmo com determinados pensamentos e, então, subconscientemente, criar as circunstâncias que provem para si mesmo que esses pensamentos são verdadeiros. Em ambos os casos, ele não está entrando em contato com o verdadeiro significado da existência, a menos que perceba que sua habilidade para se fixar no aqui e no agora a todo momento é onde se desenvolve sua maior capacidade de atuação. E é através desse desenvolvimento de sua capacidade de atuação que sua evolução se revela. 
É extremamente fácil culpar o karma de vidas passadas por nossos fracassos ou colocar nossa própria incapacidade de lidar com situações do dia-a-dia em inadequações do mapa. Mas isso nunca foi, nem deve se permitir que venha a ser um produto derivado de um raciocínio astrológico ou um dos efeitos da Astrologia como ciência profética. Se isso acontecer, a Astrologia está destinada ao fracasso, pois seu dom para a humanidade é ajudar o homem a ajudar a si mesmo, e não lhe dar desculpas por não conseguir.
O karma existe. É muito real. Mas não está além da habilidade do homem para lidar com ele e superá-lo. É importante perceber que o passado e o futuro têm menos a ver com a habilidade do homem de atuar e com seu prazer da vida do que com o que ele faz com "O Agora". Naturalmente, o passado e o futuro têm uma forte influência sobre como um indivíduo entende o "Agora", mas - e aqui está o detalhe fascinante - eles não precisam ter! Não há dúvida de que é extremamente difícil ignorar o ontem e não refletir a respeito do amanhã. E, indo mais longe, ignorar o minuto passado e não se preocupar com o minuto seguinte. Entretanto, com dedicação e disciplina é possível fazê-lo. 
Quando uma pessoa faz isso, não significa que o passado e o futuro não existam. Eles existem. Isso é uma realidade. Mas ela não se demora naquilo que já fez ou não conseguiu fazer, nem se preocupa com o que tem a fazer. Ela simplesmente faz, age, torna-se! Ela não tem como analisar suas ações porque isso significa voltar novamente ao seu passado; não tem tempo para se sentir insegura, porque isso significa se preocupar com seu futuro. Pelo contrário, ela tem todo o tempo do mundo para viver sua realidade presente. 
Ela estará vivendo seu Carma, mas não gastará anos lamentando seu destino ou tentando viver o Carma de outros em vez do seu. Ela pode aceitar fracassos e sucessos, pois eles são coisas passageiras que mudam sempre. Curiosamente, quando começa a viver dessa maneira, muitas das coisas que pensava serem karma começam a desaparecer porque eram, na realidade, nada mais do que pensamentos que absorveu de outros e que pensava serem seus. Progressivamente, começa a perceber o que é seu Carma na realidade, porque não está procurando descobrir, nem está procurando juntar seu karma com outros a ponto de nunca conhecê-lo. 
Esse modo de viver torna um indivíduo inacreditavelmente produtivo e criativo. 
O alcance desse resultado está além da imaginação; pois, o que acontece, na realidade, é que todas as áreas inúteis e dispersantes onde ele normalmente colocaria suas energias não mais o exaurem ou desviam da realidade do seu momento presente! Ele fica mais ativo, mais concentrado e mais consciente, não apenas de sua própria beleza interior, como de toda a beleza do mundo ao seu redor. 
Sempre que uma ideia se torna muito difundida na consciência do mundo, seu significado original muda. De fato, quanto mais uma ideia ganha aceitação, mais distante pode ficar de seu sentido, contexto e fonte original. Esse foi o caso do karma que não é nem mesmo uma ideia, um conceito ou um pensamento, mas, sim, uma Lei Cósmica. Quanto mais pessoas no mundo aceitam o fato de que essa lei existe, há uma tendência maior para que a própria lei seja deturpada, uma vez que cada pessoa a interpreta através de seu próprio nível de compreensão. 
Caso se perguntasse a mil pessoas o que é karma, a tremenda série de respostas seria surpreendente. Mais surpreendente ainda seriam as complexidades associadas à verdadeira essência dessa Lei Universal. 
A fim de compreender claramente o que é karma, podemos traçar seu significado a partir de três fontes básicas e, então, sintetizá-las numa combinação mais significativa do que é, na realidade, a verdadeira essência da Lei do Karma. 
Primeiro, temos as palavras de Gautama Buda, quando disse há muitos milhares de anos: "Você é aquilo que pensa, tendo se tornado naquilo que pensava." O que ele quis dizer com essa profunda afirmação? 
O homem está sempre questionando o que é. Na verdade, de momento a momento, o que ele é, muda. E são essas numerosas mudanças que o fazem perguntar a si mesmo se realmente existe nele alguma coisa imutável. Se um homem "é o que ele pensa" e seus pensamentos mudam de momento a momento e dia-a-dia, então ele também muda! Se um homem pensa "Estou faminto", então é isso que ele é no momento em que pensou. Quando não mais pensa assim, ele não é mais um produto de tal pensamento. Se um homem pensa "Estou cansado", "Eu sou mau", "Eu sou pobre", então ele é todas essas coisas. 
Isso acontece porque há uma tendência muito forte para que ele acredite que o que pensa é a verdade. Assim, tendo acreditado nos seus pensamentos a respeito de si mesmo, um indivíduo então se identifica com suas crenças e se torna, na realidade, tudo o que pensa. Se o mesmo tipo de pensamento é perpetuado por muitos anos, ele se torna ainda mais aceitável para a pessoa. Assim, tipos de pensamentos que se prolongam por um determinado caminho levarão uma pessoa a acreditar não apenas que está nesse caminho, mas que é o único caminho que pode ver
Vamos usar novamente a analogia do apetite, pois existem muitos tipos de apetite que, literalmente, todos nós já experimentamos de uma ou de outra maneira. Consideremos dois indivíduos que estão prontos para comer um pedaço de bolo. O primeiro olha com fixação para o bolo e instantaneamente tem pensamentos conflitantes: "Eu quero o bolo, mas sei que ele me fará engordar." Quando come o bolo, seu corpo assimilará o alimento com o mesmo nervosismo que provocou seu pensamento. Assim, uma tendência inconsciente a não querer admitir para si mesmo que comeu o bolo, juntamente com decepções psicológicas por tê-lo comido, ambos provenientes do pensamento original de que o bolo é prejudicial, cria uma situação na qual o contato entre o bolo e o corpo torna aquele em governante e este em governado. 
Entretanto, o segundo indivíduo, tencionando comer o bolo, olha para ele como uma fonte de alegria. É o alimento de Deus oferecido ao homem para preencher suas necessidades por sustento, beleza e vitalidade. Cada migalha daquele bolo se harmonizará com cada célula em seu corpo nas mais belas proporções, porque o corpo e o bolo estão em harmonia. Esse segundo tipo de indivíduo nunca parece ter excesso de peso, independente daquilo que come. O primeiro indivíduo pode ganhar diversas gramas com um único sorvete. Aqui podemos ver um exemplo perfeito do que Buda quis dizer com as palavras: "Você é aquilo que pensa, tendo se tornado naquilo que pensava." 
Assim, o primeiro princípio da Lei Cármica é baseado no pensamento. Como seria simples mudar nossa vida apenas mudando nossos pensamentos: Mas a verdade é que nenhum pensamento é uma ilha em si mesmo. Um pensamento sempre leva a outro que leva a outro, que leva a outro que finalmente leva o indivíduo em direção a seus pensamentos. Assim, é inevitável que, enquanto os anos passam, ele realmente se torne "tudo o no que pensava".
É interessante notar que quanto mais o indivíduo atribui a si mesmo uma determinada linha de pensamento, mais introduz em sua vida a espécie de indivíduos cujos próprios pensamentos multiplicam sua ideia original. Assim, ele nunca está sozinho em seu modo de pensar. Pelo contrário, pela tendência a dividir seus pensamentos com os outros, existe sempre um crescente conjunto de idéias na consciência popular que sustenta a ideia do indivíduo sobre quem ele é. Ele vibrará com aqueles que pensam como ele e se afastará assustado daqueles cujas crenças são diferentes. Toda vez que seus pensamentos a respeito de quem ele é são ameaçados, retrocederá para seu passado procurando justamente aqueles indivíduos cujos pensamentos presentes reforçarão tudo o que ele costumava ser. Essa  é uma das maiores fraquezas do homem - sua tendência a evitar superar padrões habituais de pensamento. 
Mesmo quando o homem está no caminho do crescimento espiritual, ele duvida de si mesmo toda vez que vê, nos outros, pensamentos semelhantes aos que ele próprio costumava ter. Isso acontece porque, quando acreditou muito nesses pensamentos, sentiu ser sua obrigação, seu dever e seu caminho. satisfazer seu sentimento de ser necessário e transferi-los para outros. Testando a exatidão de suas próprias idéias, ele tentou convencer os outros de que seus pensamentos eram válidos. 
Agora vem a parte mais interessante. Uma vez que muito do Carma é baseada nos efeitos daquilo que se pensou no passado, então, a fim de superar padrões de pensamentos obsoletos, um indivíduo deve considerar os efeitos que provocou nas vidas de outras pessoas ao tentar incutir-lhes seus próprios pensamentos passados. Em pequena proporção ele se tornou parte delas, pois, enquanto examinam e separam seus próprios problemas individuais, elas se dirigirão a muitas fontes à procura de suas respostas. E uma dessas fontes serão as palavras que ele lhes falou no passado. Por isso é cósmica, matemática e fisicamente impossível para qualquer indivíduo elevar-se completamente acima do seu próprio karma, até que cada um dos indivíduos, cujas vidas ele esteve em contato, tenha ficado acima de seus karmas da mesma maneira que ele os tocou! 
Isso nos leva à segunda interpretação do karma, que vem da Lei da Física de Newton: "Para toda ação deve haver uma reação igual e oposta." O homem às vezes é um ator, um agente, um criador de sua vida, enquanto outras vezes ele é receptivo e suscetível aos efeitos de tudo que criou, Assim, às vezes ele é um ator, enquanto outras é um reator. Entretanto, ele é parte da Lei de Causa e Efeito. 
Uma das maneiras mais interessantes de compreender isso vem de uma interpretação incorreta muito comum a respeito do "talento". Aqueles que não são talentosos freqüentemente consideram os que são como se possuíssem uma espécie de dom místico, um tipo muito especial de aura, uma dádiva. Mas o artista talentoso, exibindo sua pintura, sua escultura, sua música ou sua poesia, sabe que talento não é nenhuma dessas coisas. Ele toca bem uma canção porque durante milhares de horas e talvez centenas de meses treinou a si mesmo para se tornar perito no seu instrumento. 
É nesse ponto que podemos argumentar que, embora sejam necessárias milhares de horas para desenvolver um talento, alguns indivíduos tendem a mostrar logo desde o início uma facilidade maior em determinadas áreas do que outros. Existem estudantes de música que em suas primeiras aulas mostram uma percepção mais elevada a respeito do que é música do que normalmente se espera. Existem estudantes de arte que em sua primeira pintura superam de longe as expectativas de um principiante. Existem estudantes de Astrologia que em seu primeiro curso fazem perguntas que mostram conhecimento avançado, freqüentemente superior ao de seus professores, enquanto outros terão que fazer o curso inicial novamente a fim de desenvolverem uma compreensão básica do assunto. Esses fatos, em vez de negarem a Lei de Causa e Efeito, mostram ainda mais fortemente o conceito de reencarnação. Em poucas semanas torna-se muito fácil para um bom astrólogo saber qual dos seus alunos estudou Astrologia numa vida anterior, bem como quais alunos a estão conhecendo pela primeira vez. Entretanto, mesmo esses estudantes, com bastante empenho e anos de estudo, podem adquirir um dia aquilo que parecerá aos outros um tremendo talento astrológico. O domínio que finalmente terão sobre o assunto não virá como alguma dádiva mística, mas, sim, como o efeito direto de todos os seus esforços. 
Essa Lei de Causa e Efeito está atuando em todo lugar, mas o que parece ser menos óbvio é que o princípio científico correto: "Para cada ação deve haver uma reação igual e oposta", constante- mente se aplica à vida humana. Em nossos relacionamentos do dia-a-dia é fácil ver as reações às nossas ações, mas é muito mais difícil compreender que a soma total de reações que experimentamos é exatamente igual à das ações que executamos. Em outras palavras, durante toda a vida ação e reação devem sempre se equilibrar. Isso pode parecer falso porque é totalmente possível para o indivíduo A dar muito mais amor para o indivíduo B do que B é capaz de devolver para A. Nesse caso a Lei de Causa e Efeito parece duvidosa para o indivíduo A, que parece estar dando mais amor. Além disso, a reação proporcional a cada ação parece ainda mais fora de questão. Mas como o universo age de acordo com leis cósmicas muito específicas, o indivíduo A, cedo ou tarde, recebe mais amor dos indivíduos C, D ou E do que ele mesmo é capaz de dar. Quando a soma total de débitos e créditos dos relacionamentos humanos é feita, o resultado de cada coluna é sempre um saldo de igualdade. 
Percebendo essa espécie de efeito de bumerangue, a sociedade do mundo todo gosta de ensinar às suas crianças a Regra de Ouro: "Faça aos outros o que você gostaria que os outros fizessem a você." De modo mais simples, essa é apenas outra versão do mesmo princípio científico de que para cada ação podemos esperar uma reação igual e oposta. Se um indivíduo tenta elevar sua consciência através da meditação, contemplação ou qualquer outra forma de estudo esotérico, ele automaticamente se confrontará com todas as forças do mundo que tentarão diminuir sua consciência. Assim, quando uma pessoa começa a vibrar na direção de energias mais positivas, ela automaticamente se torna mais sensível e deve enfrentar as energias negativas que representam uma reação igual e oposta às suas ações. 
No famoso trabalho de Lao Tsu, Tao Tse Ching, é feita a pergunta: "O que é um bom homem?" E a resposta é: "O professor de um mau homem", e continua: "O que é um mau homem?" "A responsabilidade de um bom homem." Se o homem tenta intencionalmente ser "bom", será sempre confrontado com homens que estão tentando ser "maus". Se o homem evita a bondade em si mesmo, ele está inconscientemente atraindo para sua vida todos aqueles que lhe ensinarão a "bondade". Essa Lei de Ação e Reação, Causa e Efeito é difícil de se observar devido ao fator tempo. Normalmente esperamos que a reação siga a ação num- espaço de tempo razoável para que uma ligação lógica, visível possa ser feita entre as duas. "Quando o tempo entre ação e reação se prolonga por dias, meses ou anos, muitos indivíduos tentam explicar a Lei de Causa e Efeito com a palavra "coincidência". Essa palavra é o obstáculo que o homem precisa superar se quiser compreender a verdade universal. De qualquer lugar que um indivíduo retire sua compreensão, sejam suas raízes orientadas matemática, científica, filosófica ou religiosamente, ou encontradas em alguma mistura de todas elas, o fato é que a "coincidência" é impossível. Quando uma pessoa olha sua vida de um ponto de vista muito pessoal, torna-se fácil presumir que a coincidência existe em todo lugar, pois todos os seus desejos insatisfeitos a perturbam e ela tem pouca perspectiva de compreender qualquer coisa que não se relacione diretamente com a satisfação de seus desejos. Mas quando o homem sai de si mesmo e vê o mundo como ele verdadeiramente é, começa a perceber que, de fato, existem muitos mundos - e cada indivíduo está vivendo dentro das Leis de Causa e Efeito, Ação e Reação, a partir da perspectiva do que ele pode observar através de seu espaço. Assim, as pessoas falam umas com as outras, mas raramente falam umas para as outras. Contudo, isso é ação e provoca reação. A falta de entendimento que resulta disso faz com que cada indivíduo procure outros, que expliquem as idéias que ele não foi capaz de transmitir ou receber deles, que também estão vacilando em mundos em desarmonia com o seu. 
O homem nunca entende completamente o alcance de seu poder, pois percebe mais freqüentemente o mundo que ele mesmo criou do que a totalidade de palavras que compõem o universo. Se, na América, um homem compra um par de sapatos importados, ele está indiretamente ajudando a alimentar uma família de um país estrangeiro, que talvez nunca conheça. Entretanto, ele ajudou a melhorar a economia do país estrangeiro e, ao mesmo tempo, permitiu que a família que foi diretamente beneficiada com isso fizesse negócios em outro lugar, talvez comprando comida produzida por pessoas que ela, por sua vez, nunca conhecerá. As pessoas que produziram a comida podem, por sua vez, adquirir suas máquinas da América. E a parte fascinante de todo o ciclo fica clara quando se percebe que, provavelmente, algumas partes dessas máquinas tenham sido fabricadas nos Estados Unidos por uma companhia que paga um salário ao americano do começo, o que comprou o par de sapatos! Assim, através de uma série de mundos diferentes, formados por pessoas que talvez nunca se conheçam, cada uma se choca com a vida da outra para que a lei universal de Ação e Reação, Causa e Efeito, a Lei Cósmica do Karma seja cumprida. 
A terceira interpretação do karma vem de Edgar Cayce, o grande "Profeta Adormecido" que, através de suas enormes qualidades visionárias, foi capaz de ajudar milhares de indivíduos a encontrarem uma maneira de viver mais saudável e harmoniosa. Quase toda a obra de Cayce foi baseada na Lei do Karma. Em vez de expressá-la como Buda: "Você é aquilo que pensa, tendo se tornando naquilo que pensava", ou como o matemático Newton: "Para toda ação, existe uma reação igual e oposta", Cayce usou duas palavras para descrever essa fascinante lei cósmica. Ele a chamou "Encontrar o Ser". O que ele quis dizer com isso? Como encontramos a nós mesmos? Estaria Cayce se referindo a um espelho através do qual cada indivíduo usa suas experiências de vida e as pessoas que fazem parte dela a fim de "ver a si mesmo"? O que Cayce descobriu é que a melhor maneira de conhecer o homem é olhar a maneira como ele olha para si mesmo. O espelho não mente, mas mostra o que está lá verdadeiramente. Embora não seja a realidade do homem, é um reflexo suficientemente poderoso de sua realidade para que ele acredite que é tudo o que existe. As pessoas gostam de saber o que os outros pensam a seu respeito. Elas procuram aprovação e evitam a desaprovação das fontes externas. Assim, as condições externas na vida de um indivíduo são simplesmente o reflexo de tudo que brota do seu interior. O homem constantemente procura ver a si mesmo através dos olhos dos outros. Curiosamente, quanto mais o faz, menos ele é verdadeiramente ele mesmo. Mas, através de hábitos de gerações, essa parece ser a maneira mais natural para o homem aprender; ou, mais claramente, para o homem ter a ilusão de que está aprendendo. 
Nas conversas mais normais, mundanas, do dia-a-dia que as pessoas têm umas com as outras, é muito fácil ver que os indivíduos estão quase sempre falando consigo mesmos enquanto dão a impressão de falarem com os outros. Existe sempre a conversa exterior acompanhada da conversa interior que o indivíduo está tendo com ele próprio ao mesmo tempo, perguntando constantemente o que o outro indivíduo está dando ou tirando dele, o que ele mesmo está dando ou tirando, e quanta aprovação está recebendo por seus esforços. Se um indivíduo vive sua vida dessa maneira, é muito difícil conhecer seu karma? Se os amigos que escolhe são verdadeiros, então ele está sinceramente preocupado em encontrar a si mesmo. Se, por outro lado, ele tem amigos por conveniência, que são mais diplomáticos do que verdadeiros, então ele não está encontrando a si mesmo. Isso se baseia no fato de que os indivíduos tendem a procurar fora um apoio para a integridade de suas crenças e de seu comportamento. Em vez de olhar, em particular, em seu próprio espelho, ele tende a procurar os espelhos que refletirão as facetas de si mesmo, que está pronto para ver. Assim, quando uma mulher casada se associa a muitas amigas que são, em grande parte, ou divorciadas ou solteiras, mais do que com as casadas, torna-se muito fácil ver em que direção ela está se inclinando. Se a maioria dos amigos de um homem são indivíduos bem-sucedidos nos negócios, em vez daqueles que evitam responsabilidades, então torna-se fácil ver o grau de sucesso para o qual está sé dirigindo. Se uma criança tem muitos amigos com metas definidas, isso também diz muito a respeito da criança. Assim, no processo de encontrar a si mesmo, de acordo com a definição de Carma dada por Edgar Cayce, há uma grande tendência de que a antiga história sobre esposas, de que: "Pássaros da mesma espécie se reúnem", tenha um forte elemento de verdade. 
A definição de encontrar a si mesmo, entretanto, não acaba aqui. Ela se baseia no fato de que dentro de cada indivíduo existem também ações e reações. Somente quando as duas se equilibram é que a pessoa é capaz de se reunir ao centro do seu ser. Só então ela verdadeiramente encontra a si mesma. 
De acordo com Ouspensky, existem diferentes "eus" dentro de um indivíduo, cada um tentando ter um domínio momentâneo sobre os outros. Ele os compara a uma roda-gigante, onde, num dado momento, um "eu" está no alto e no controle, e, no momento seguinte, outro "eu" está no alto tentando ter igual controle. O exemplo perfeito está na compra de um automóvel, quando o "eu" em controle no momento, impulsivamente, decide comprar o objeto desejado através de um plano de pagamento que todos os outros "eus" terão que pagar. Mas o verdadeiro "eu" não é nenhum desses. Pelo contrário, é o centro da roda, a parte de um indivíduo que é capaz de ver e finalmente compreender todas as outras personalidades divergentes que puxam em direções diferentes em épocas diferentes. Assim, de acordo com Cayce, para encontrarmos a nós mesmos precisamos aprender como ficar no centro de nossa roda para que, em vez de olharmos para a vida através de uma serie de espelhos experimentais, sejamos capazes de emitir a pura essência que vem da melhor unidade que podemos alcançar com nosso ser singular, divino e onisciente. 
Vemos, então, três diferentes facetas do triângulo kármico. Primeiro, nas palavras de Buda: -"Você é aquilo que pensa, tendo se tornado naquilo que pensava." Segundo, das leis matemáticas de Isaac Newton: "Para toda ação( em sua vida) existirá (uma época em que você experimentará) uma reação igual e oposta." E terceiro, dos estudos de Edgar Cayce, o processo através do qual encontramos a nós mesmos. Em todos os três casos, o karma se apresenta como as sutis influências do conflito do Yin e Yang. O pensamento é o que impulsiona a ação. A ação provoca reação. Através do processo de ação e reação o homem finalmente é capaz de desenvolver um terceiro "eu superior", que é capaz de ver as constantes batalhas entre seus comportamentos Yin e Yang de um ponto de observação muito mais claro. E, desse ponto de observação, o centro da roda-gigante de Ouspensky, a verdadeira essência do ser, através do qual o homem pode ver a verdade a respeito de si mesmo. Somente este tipo de percepção permite que vagarosamente nos desobriguemos das leis da interação Cármica. 
A analogia da pirâmide ou do triângulo é uma das mais antigas e místicas conhecidas pelo homem. O triângulo possui dois pontos na base e um no topo. O homem tem duas pernas mas apenas uma mente que, se ele quiser unificar, deve orientar a coordenação de ambas. Em todos os ensinamentos da Ioga sempre há uma referência a respeito de como o homem em seu ser inferior, dividido pelo Yin e Yang, ou pelas influências positivas e negativas que vê no mundo ao seu redor, luta consigo mesmo. Primeiro ele é um, depois ele é o outro. Mas somente aprendendo e treinando é que ele desenvolve a terceira parte de si mesmo, o topo do triângulo que olha para as duas outras identidades que ele criou, através de um ponto de vista cósmico. A Ioga chama este ponto mais alto do triângulo de o Eu Impessoal. Apenas através do desenvolvimento desse Eu Impessoal, em sua unidade de mente, é que o homem é capaz de finalmente  conhecer a si mesmo. E, desse conhecimento, finalmente, vem uma plenitude que é o resultado de realmente ter "encontrado a si mesmo" e, ainda mais importante, aceitado a si mesmo! Esse ponto no alto do triângulo não pode existir sozinho. É o transbordamento de anos de luta entre os dois pontos opostos na base do triângulo. 
Durante séculos a Astrologia se concentrou na qualidade Yin e Yang na natureza do homem, os efeitos positivos e negativos de energias planetárias e a relação entre os dois. É fácil ver o mundo como uma profusão de forças positivas e negativas porque existem diferenças entre noite e dia, amor e ódio, conceitos de certo e errado, idéias de bem e mal, e uma profusão de outras dualidades que vêm se mostrando constantemente. Mas existe também uma visão mais ampla e multifacetada das coisas, que não vê a dualidade como uma abundância de forças opostas. Essa visão não se baseia em termos de positivo e negativo, bem e mal, certo e errado, aqui e lá, ontem e amanhã, e todas as outras divisões nas quais nossa percepção das coisas pode se desviar da verdade. Pelo contrário, existe uma percepção que, embora veja as dualidades positivas e negativas, também vê tanto valor no negativo quanto no positivo. Ela não valoriza o futuro mais ou menos do que o passado; não vê o dia acima da noite, nem a noite acima do dia. O mais polêmico e surpreendente a respeito desse ponto de vista da percepção é que ele não, favorece o bem acima do mal, nem o mal acima do bem. Pelo contrário, a realidade é vista como os dois lados de uma mesma moeda, ambos necessários para que a moeda seja completa. 
Existe uma razão muito simples para que a maioria das pessoas nunca alcance esse ponto de vista. Desde que um indivíduo absorva sua mente com problemas de dualidade, ele vive uma consciência oprimida. O mundo não está lhe permitindo ser tudo o que ele sente que poderia ser. De momento a momento, enquanto continua trocando identificações do positivo para o negativo e outra vez voltando, ele procura culpar tudo o que se opõe ao que acredita ser o caminho para a satisfação de seus desejos. Ele culpará sua infância, sua religião, seu sexo, seus professores, seu trabalho, seus amigos e a sociedade em que vive por mantê-lo dentro de todas as restrições que ele acredita serem as causas dos conflitos que sente dentro de si mesmo. O que ele não percebe é que, ao ver as coisas dessa maneira, está fazendo tudo que pode para violar os três princípios básicos que formam a Lei do Karma. Ele está criando pensamentos desarmoniosos que o impedem de ser a espécie de criador que deseja ser. Ele reclama dos efeitos de seus pensamentos que o colocam fora de harmonia com o segundo princípio do Carma ou da Lei de Causa e Efeito. E, finalmente, por tentar constantemente ver a si mesmo através dos olhos dos outros, está fazendo tudo o que pode para realmente evitar encontrar a si mesmo na verdadeira luz de sua compreensão divina. Por que, então, o homem continuamente faz tudo que, no fim, o impede de ser uma só coisa consigo mesmo? A resposta não é de todo mística, mas, na verdade, é tão obviamente simples que, na procura da humanidade pela verdade, ela freqüentemente passa desapercebida. Se o homem não tivesse nada do que reclamar, se não tivesse problemas no mundo exterior para culpar por impedir seu progresso, se tivesse todas as suas necessidades financeiras e de sobrevivência satisfeitas, o que ele faria consigo mesmo? É muito mais fácil ser uma rolha boiando na água, esperando que a correnteza nos mova para lá e para cá e culpar essa correnteza por tudo o que nos impede de progredir, do que realmente assumir a responsabilidade de nos tornarmos tudo o que poderíamos ser. 
Quando Shakespeare disse: "Ser ou não ser, eis a questão", o mundo mal compreendeu o que ele quis dizer com isso. Essa falta de compreensão não acaba simplesmente porque se é um estudante de Astrologia, o que é a primeira porta para a compreensão. Dificilmente existe um estudante de Astrologia que uma vez ou outra não procure colocar a culpa pelas circunstâncias em sua vida em um ou outro aspecto que está se iniciando em seu horóscopo. Assim, a natureza do homem é sempre tentar conseguir algum bode expiatório fora de si mesmo para aquilo que ele não está querendo encarar como sua própria verdade. Esse olhar para fora do "eu", por razões, efeitos e causas, ocasiona o que Shakespeare teria chamado de um estado de "não ser". Mas, no momento em que um indivíduo decide que, quer "ser", então ele começa verdadeiramente "a encontrar a si mesmo" como a causa e o efeito, o líder e o discípulo, a fonte e o reflexo. Em essência, ele começa a se tornar seu próprio guardião. E, nesse ponto, ele pode começar a compreender o verdadeiro significado do karma, pois, na verdade, a única coisa comum a todos os eventos, circunstâncias e pessoas em sua vida é Ele mesmo! 

Texto extraído do livro "O Carma do Agora", do grande astrólogo cármico Martin Schulman

domingo, 6 de maio de 2012

Wesak - a Lua Cheia de Touro

Exatamente agora, no lançamento desta postagem  às 00:35 hs de 6/5/2012, horário de Brasília, é a lua cheia do signo de Touro, e está ocorrendo o Festival de Wesak num vale dos Himalaias, na India, em homenagem a Gautama Buda, comemorando o seu aniversário de nascimento. 
Wesak significa Touro em sânscrito.
Quem me lembrou do evento foi o Hector Othon, grande amigo, buscador, ator, teatrólogo e astrólogo, encontrável no Facebook, ou no http://www.astrothon.com 
Essa é a celebração máxima do Budismo,  É um dia indicado para a meditação, e grupos no mundo inteiro fazem isso no sentido de congregar forças em benefício da humanidade.
Mas qual o significado de meditar na lua cheia, já que o recolhimento da meditação é bom a qualquer hora?
Porque há ciclos no fluxo e refluxo das energias espirituais, com os quais os grupos, tanto quanto os indivíduos, podem conscientemente cooperar, e a misteriosa lua é o astro que confere essa marca grupal ao evento. Um dos principais ciclos de energia coincide com as fases da Lua, alcançando seu pico na Lua Cheia. Este é o tempo, portanto, em que a canalização da energia, através da meditação grupal, pode ser eficaz de maneira ímpar. Hoje, centenas de grupos de serviços se reúnem mensalmente para meditar, de maneira regular, no mundo todo, por ocasião da Lua Cheia. A sua esfera, plenamente iluminada, é indicativa de um alinhamento livre e desimpedido entre nosso planeta e o Sol, o Centro Solar, a fonte de energia para toda a vida na Terra. Em tais ocasiões, estando a Lua "fora do caminho" e o contato entre o Centro Solar e o Planeta Terra alcançando seu ponto máximo, o homem pode fazer uma aproximação bem definida a Deus, o criador, o Centro da Vida e da Inteligência.
O ritmo da lua cheia é usado para determinar as datas das meditações já que determina o tempo mensal em que o impacto das energias de Luz, Amor e Poder é mais forte e pode ser registrado pelos grupos e irradiado dentro da consciência humana.

O FESTIVAL DE WESAK
O que deveria ser realizado em cada lua cheia de Touro?
 
  • A liberação de certas energias que podem afetar poderosamente a humanidade e que, se liberadas, estimularão o espírito de amor, de fraternidade e de boa vontade na Terra. Essas energias são tão definidas e reais como são as de que se ocupa a própria ciência que as chama de raios cósmicos. 
  • A fusão da energia e Consciência de todos os homens de boa vontade no mundo em um todo integrado e com capacidade de resposta. 
  • A invocação e a resposta de certos Seres ligados à harmonia do Universo.  
Liberação, Fusão e Invocação: meditem nesta síntese dos três objetivos. Qualquer que seja o nome pelo qual chamemos esses Seres, eles estão prontos para ajudar, se o apelo for feito com força e energia suficientes por parte dos aspirantes e discípulos no momento da lua cheia de Touro.
A evocação é a resposta, uma atividade interior enérgica e concentrada de seres iluminados aos quais foi confiado o trabalho de direção do mundo. Deseja-se uma resposta e pode ser obtida pelo trabalho conjunto de três grupos:
  •  Uma Hierarquia  de Seres ligadas ao evocação, desenvolvimento da humanidade.
  •  Um  grupo de Servidores do Mundo, cujo objetivo é a paz do mundo, seres que tem o propósito de estabelecer a boa vontade na Terra, como a base para a futura vida e expansão mundiais. 
  •  As massas de homens e mulheres que responderam às idéias que foram lançadas, e que reagiram favoravelmente aos objetivos de compreensão internacional, interdependência econômica e unidade de busca interior.
À medida em que estes três grupos de servidores se tenham contatado, quando os três grupos possam estar alinhados, ainda que momentaneamente, muito pode ser realizado; as portas da nova vida podem ser abertas para dar passagem ao influxo de novas forças espirituais. Tal é o objetivo e a idéia do Grupo.

ANTIGOS ENSINAMENTOS
Ensinamentos da Antiga Sabedoria consideram Wesak o momento mais significativo do ano, quando um real evento ocorre no céu e se manifesta sobre a Terra na forma de uma benção. A força dessa benção nos estimula espiritualmente e nos deixa mais preparados para servir ao Plano.
             
Na Índia, próximo ao Nepal e rodeado pelas montanhas dos Himalaias, fica uma área de terra protegida. Um caminho, entre passagens estreitas, eventualmente se abre para um vale coberto de grama. Vários dias antes da Lua Cheia, buscadores espirituais entram no vale e aí montam tendas coloridas. Na parte norte do vale há uma grande rocha plana onde é colocada uma grande vasilha de cristal cheia de água. Logo antes da Lua Cheia, acredita-se que seres que guiam o planeta Terra se reúnem ao redor dessa rocha para orar.
 O Festival de Wesak é um momento poderoso de intenso serviço espiritual, feito da Humanidade para Deus e de Deus para a Humanidade. Durante os 8 minutos dessa celebração, a terra inteira faz uma ligação unindo a humanidade com a Fonte da nossa criação, a que chamamos Deus. Os efeitos espirituais permanecem até o próximo Festival de Wesak.

Fontes:
 “Psicologia Esotérica” – Vol II – Tomo II – Alice A. Bailey – Fundação Cultural Avatar
“Fundação Cultural Avatar - Objetivos e Propósitos” - Dr. J. Treiger 
http://web.nightlightnews.com/EsotericAstrology/index.html#Wesak Festival of Illumination
http://www.esotericpublishing.com/wesak/wesak.html