domingo, 17 de julho de 2011

A Lei de Sete

As 7 cores da vibração da Luz
Um dos documentos mais antigos e obscuros que a Humanidade conhece, a Tábua de Esmeralda, é atribuída pela tradição ocultista ocidental a Hermes Trismegistos, um outro mito que poderia ser o deus Hermes, Thot,  um grande mago, ou um sacerdote egípcio.
Ela começa dizendo que “O que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é igual o que está embaixo, para realizar os milagres da Coisa Única”. É a solene afirmação, que o ser humano esqueceu, de que “tudo está ligado”, e pertence á Unidade. No Cristianismo primitivo, a "queda do Paraíso" é o símbolo desse esquecimento, ao "comer o fruto da Árvore do Bem e do Mal", da dualidade.
A aplicação prática disso para a busca interior da nossa evolução é que o estudo do homem deve se desenvolver paralelamente ao estudo do mundo, do Universo que nos rodeia. As leis são as mesmas, atuam igualmente no homem e no mundo, e são poucas. Às vezes é mais fácil observar no homem, às vezes no mundo, dependendo do caso, e extrapolar de um para o outro. Como já dissemos na publicação da primeira lei do Universo, a Lei de Três, diferentes combinações numéricas de poucas forças criam uma variedade aparentemente grande e confusa de fenômenos, e é preciso decompô-los nessas forças elementares: Positiva, Negativa e Harmonizante, ou o nome que se queira dar a elas.
A segunda lei fundamental do Universo é a Lei de Sete, ou Lei de Oitava, conhecida em todas as tradições autênticas. Para entender o significado dessa lei é preciso compreender que “Tudo no Universo consiste de vibrações” que se processam em todo o tipo de matéria e energia a partir de várias fontes, se desenvolvendo e indo em várias direções, influenciando umas às outras. Esse "tudo" significa: objetos, fatos, eventos, seres, processos, períodos, fenômenos...esquecemos algo?
A lei ancestral, passada de mestre a aluno entre as escolas genuínas, foi reapresentada no século passado por Ouspensky- Gurdjieff de uma forma nova, associada às vibrações das 7 notas musicais, porque por serem vibrações, se prestam didaticamente muito bem  à compreensão dessa lei cósmica, que se aplica a tudo. A lei antiga também afirma o “princípio da descontinuidade da vibrações”. Elas são “não uniformes”, com aceleração e retardamento tanto na escala ascendente como descendente de qualquer fenômeno, ao contrário do conceito ocidental, que ignora o fenômeno. 
Vamos imaginar uma linha de vibrações cuja   freqüência (nº de vibrações) aumenta  de 1000 para o dobro. Há dois lugares onde ocorre um retardamento. Um perto do início e outro perto do fim. Assim:

             1000 vezes                              2000
  |__________ * ___________________* _______|

Essa linha é dividida em 7 partes desiguais e é chamada de oitava. Em tempos muito antigos essa fórmula foi aplicada à música, obtendo-se a escala de 7 tons, depois esquecida e redescoberta. A mesma lei aplica-se às vibrações de todas as espécies alem da música: ao espectro da luz, calor, vibrações magnéticas, químicas, etc. A tabela periódica dos elementos químicos, do russo Mendeleiev, está ligada à oitava embora essa relação ainda não foi completamente aclarada pela ciência ocidental.
Vamos chamar agora, para simplificar, os extremos dessa linha (1 e 2), de duas notas “dó”. Entre elas temos a oitava. A freqüência de elevação das vibrações entre as notas desses dois extremos quando se dobra a frequência das vibrações, comporta-se de forma desigual até atingir o dobro. Assim:
         ré       mi       fá      sol          lá        si                                                                                        
   |_____|_____|_____|_____|_____|_____|_____|
   1       9/8      5/4     4/3     3/2      5/3     15/8      2

Para ficar mais claro ainda o que acontece, vamos dividir a freqüência de uma nota pela da nota anterior para ver o quanto "acelera" a progressão das frequências entre uma nota e outra:

Intervalos
Frequência
Aceleração (frac. ord.)
Aceleração (frac. dec.)

Do a Ré
9/8 : 1  =
9/8
1,125

Ré a Mi
5/4 :9/8
10/9
1,111

Mi a Fá
4/3 :5/4
16/15
1,067
retardamento
Fá a Sol
3/2 :4/3
9/8
1,125

Sol a Lá
5/3 : 3/2
10/9
1,111

Lá a Sí
15/8 :5/3
9/8
1,125

Si a Dó
2 : 15/8
16/15
1,067
retardamento

Na escala da música, a diferença de altura das notas é chamado “intervalo” e existem três tipos de intervalos na oitava: 9/8. 10/9, e 16/15, este último que é o menor, encontra-se entre Mi-Fá e Si-Dó. É aqui que a oitava se retarda. 
Se você olhar o teclado do piano, vai ver que são os dois lugares onde falta um semitom, não tem a tecla preta entre as brancas. Em vez de 14 notas, a oitava só tem 12. Alguém deveria ter percebido isto (rsrs) e dito: “Há algo errado no Universo”. Ou “Há algo errado com as vibrações”, sei lá... Mas os antigos no Oriente já sabiam de tudo,  nós no Ocidente é que não aprendemos.
Já na escala cósmica, só esses dois casos (Mi-Fá e Si-Dó) são chamados “intervalos”.
No retardamento das vibrações, a oitava que começou numa linha reta do-ré-mi, em direção ao seu objetivo, desviou-se no intervalo mi-fá e mudou de direção, e depois em si-dó mudou de novo. E vai indo, vai indo e mudando de direção em cada intervalo... Se o fenômeno era uma idéia, um projeto, um namoro, um empreendimento, depois de um tempo a direção já é contrária à do começo. No final, frequentemente o fenômeno em vez de atingir o objetivo desejado, voltou ao ponto inicial. Mas o ser humano, em sono profundo, não se aperta: " - São apenas circunstâncias e está tudo sob controle". Brincadeira...
A Lei de Sete dá uma nova visão da vida, da manifestação dos fenômenos, do progresso, desenvolvimento: o porquê não há linhas retas na Natureza e na vida da gente; porque tudo “sucede”; porque o entusiasmo inicial por algo ou alguém é sempre mecânicamente substituído por cansaço, aborrecimento, preguiça, dogmatismo, mudanças imprevistas, e o resultado é geralmente diferente do que esperávamos. Em todas as atividades humanas, literatura, filosofia, artes, ciência, religião, depois de um tempo as coisas se degeneram e se transformam até no seu contrário, e às vezes mantendo o mesmo nome inicial. Como se explica que o amor descrito nos Evangelhos no início do Cristianismo, transformou-se, na fase da Igreja, na terrível Inquisição na Europa? Como povos europeus “cristãos” dizimaram culturas indígenas americanas? Como a mensagem inicial amorosa de Maomé se transformou no radicalismo islâmico?
A Lei de Sete explica basicamente três coisas: o desvio de forças, o fato de que nada fica sempre no mesmo lugar, e o fato de que tudo flutua, sobe ou desce, no desenvolvimento das oitavas. Nada pode permanecer no mesmo nível: ou evolui ou degenera, é só esperar. Então é preciso um esforço para se compreender o papel dos "intervalos" na manifestação das oitavas.
A Ciência Antiga conhecia tudo isso: o mito da criação em seis períodos com um sétimo para descanso; e a divisão do tempo em semanas de seis dias de trabalho intercalados com um domingo, relacionando e harmonizando a atividade corriqueira da vida com a lei geral do Universo.
Só nas oitavas de ordem cósmica ascendentes ou descendentes, as vibrações ocorrem de maneira ordenada e conseqüente, mantendo a direção tomada na partida, pois uma inteligência de nível superior conhece as forma de aplicar nos intervalos um “choque adicional” que mantém a direção original. Mas há diferenças entre as oitavas ascendentes e descendentes quanto aos intervalos. Talvez falemos disso.
No jogo da roleta a gente sabe quando perdeu ou ganhou, mas na vida, os choques adicionais acidentais frequentemente dão a falsa ilusão de que as coisas correm em linha reta, e de que o homem está no comando, mas esse “homem-máquina” está de fato controlado pelo acaso, fora e dentro dele mesmo. "O verdadeiro controle das coisas exteriores começa de fato pela compreensão interior de cada um de nós mesmos. Um ser humano que não compreende o que se passa dentro de si, não pode controlar nada".



6 comentários:

  1. A lei dos três, o raio da criação e agora a lei dos 7. Arrasou. Gostei muito desse último. Que incrível olhar essa informação do retardamento das vibrações. Os intervalos e os choques adicionais. Vou me ligar nisso agora Ah, Preto diga aí sobre as “ diferenças entre as oitavas ascendentes e descendentes quanto aos intervalos” já que provocou.
    Um abraço
    Luara

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  2. Excelente explicação. Muito didática, parabéns!

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  3. Ah... a Tábua de Esmeralda, se não me engano, traz os 7 Princípios da Criação, de Hermes Trismegisto, certo?
    Mas, se permite uma observação, a partir da leitura do livro "Caibalion", o primeiro princípio é o do Mentalismo: "O Todo é Mente; o Universo é Mental". O segundo princípio seria o da Correspondência: "O que está em cima é como o que está embaixo; o que está embaixo é como o que está em cima".
    De resto, todos os outros 5 princípios vêm a partir deste. Esses 7 Princípios são apresentados nessa ordem:
    I. Mentalismo;
    II. Correspondência;
    III. Vibração;
    IV. Polaridade;
    V. Ritmo;
    VI. Causa e Eleito; e
    VII. Gênero.
    Bem, era isso. Abraços,
    NELSON
    nierica@terra.com.br

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    1. Oi Nelson
      Eu não li o Caibalion, então não vou dar palpite, pois posso errar.
      Abraço

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  4. Por favor, gostaria de saber se você tem alguma informação, artigo... sobre a "Lei dos Hidrogênios", do Gurdjieff.
    Grato!
    graalland@hotmail.com

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    1. Oi Nelson
      Não tenho nenhum artigo sobre isso, porque o tema, apesar de revolucionário e inovador (em relação à ciência de plantão), é complicado, exige muita dedicação e o povo vai perder o interesse nas primeiras dificuldades de compreensão.
      Sugiro ler o assunto nos "Fragmentos de um ensinamento desconhecido" do P. D. Ouspensky, que é a melhor fonte, pois o texto na verdade foi orientado, escrito e autorizado pelo próprio Gurdjieff como autor oculto. Esse e o "Relatos de Belzebú a seu neto" é o coração do ensinamento dele.
      Abraço

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