Mostrando postagens com marcador Joseph Campbell. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joseph Campbell. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Xamanismo

Segundo a Antropologia a palavra "xamã“ nasceu entre o povo Tungus da Sibéria e significa "aquele que sabe”. É uma versão da expressão “homem de conhecimento” usada por algumas tradições como a tolteca mexicana para designar tanto os curadores espirituais como aqueles que ajudam a desvendar os mistérios metafísicos do Ser, da Consciência, da Divindade.
Já o próprio Xamanismo, segundo a Antropologia e Arqueologia nasceu na Idade da Pedra cerca de 40 a 50 mil anos atrás em várias regiões do planeta nos 5 continentes. O mistério, para a ciência mas não para os antigos, é que o nascimento deu-se simultaneamente em muitas regiões no planeta. É um mistério que o stablishment acadêmico tenta resolver sem muito sucesso com o quebra-cabeças das teorias migratórias, que em alguns poucos casos até são verdadeiras. Felizmente muitos acadêmicos  que transitavam com familiaridade também no terreno de conhecimentos metafísicos, como Mircea Eliade, Jung, Joseph Campbell e outros do Grupo Eranos que se reunia na Suiça, já estabeleceram desde o século passado uma ponte entre o xamanismo e a ciência, que valoriza os estados xamânicos como veículos desses conhecimento milenar. Eles sabiam a resposta do mistério. Muitos antropólogos atuais, herdeiros desse esforço corajoso de investigação e também agentes do mesmo esforço,  sabem a resposta. Aliás está se tornando um fato comum entre os acadêmicos de antropologia e outras especialidades limítrofes ao mistério, como Castaneda, Michael Harner e outros, o fato de que eles vão formalmente estudar o xamanismo como bons acadêmicos e ficam fascinados. Viram xamãs.
Quem acredita no Invisível, sabe que esse conhecimento antigo, como muitos outros, ocorre num plano onde o verdadeiro conhecimento metafísico é passadas não de forma escrita e acadêmica, mas por canais não convencionais como os estados de “consciência intensificada” ensinados por via oral controlada, na maioria das tradições esotéricas autênticas.
Hoje sabe-se que mesmo com o arraigado preconceito machista presente em toda a humanidade e que influenciou grandes estudiosos que não conseguiram se livrar do peso da cultura ocidental, as mulheres representaram um papel relevante, quando não principal, nessa área, mesclando a cura física e espiritual xamãnica com a atividade de parteiras e advinhas nas sociedades chamadas por nós de primitivas.
Os xamãs sempre foram uma mescla de curadores, psicólogos e adivinhos de suas sociedades. Existem os médicos modernos que curam o corpo, mas o que fazemos quando o espírito adoece? O xamã mobiliza o mundo espiritual para ajudar a cura, e frequentemente atua como psicopompo, função que desconhecemos, que ajuda as almas a atravessarem o bardo (intervalo) pra o outro mundo como faziam não só os budistas tibetanos, hinduístas, taoistas e uma infinidade de outras tradições. Os xamãs executavam essas tarefas sem a devida “remuneração profissional”, que por sua vez era obtida por eles trabalhando da mesma forma que os outros. Eram muito respeitados os xamãs que desempenhavam bem as duas coisas, como um sinal de qualidade pessoal.
Com o renascimento do xamanismo e da cura no mundo ocidental, estamos começando a valorizar a cultura do Invisível, diminuindo o desprezo irracional aos conhecimentos antigos, e resgatando o valor espiritual e psicológico de tudo o que os nossos ancestrais já conheciam, respeitando e compreendendo a sua importância para desvendar os mistérios da nossa saúde e bem-estar.
São encantadores, misteriosos e profundamente eficazes os rituais e as técnicas variadas que as sociedades xamânicas de todo o planeta usam de acordo comas suas facetas culturais individuais. A razão disso é que estão baseadas num conhecimento do lado oculto da essência e funcionamento de leis universais ainda inacessíveis à mente racional ocidental, que por sua vez já apresenta sinais de fadiga de eficácia. Bom sinal.
Mircea Eliade, filósofo e historiador romeno, autor de livros centrais sobre o xamanismo, diz que o xamã é uma pessoa que faz uma jornada em estado alterado de consciência além do tempo e espaço conhecidos. Michael Harner, antropólogo (e xamã) que pesquisou o xamanismo no mundo todo afirma que o xamã é diferente dos outros curandeiros porque utiliza o ritual da Jornada Xamânica, solitária ou em grupo, ritual que usa sons (tambor, chocalhos, apitos) para produzirem freqüências sonoras hoje estudadas e conhecidas que catalisam o processo de passagem para um outro estado de consciência.  Usam também músicas, mantras, danças e eventualmente plantas alucinógenas e jejuns. Essas técnica tiram o xamã e a pessoa a ser curada da realidade comum. Na “outra realidade” o xamã obtém ajuda e informações de seres que o auxiliam, bem como o paciente, familiares e eventualmente a comunidade. Diferentemente da medicina ocidental, a comunidade representa um papel muito importante de acolhimento e participação das práticas de cura. Um reforço apreciado pelo paciente debilitado física e espiritualmente e que não existe mais nas frias e assépticas acomodações dos hospitais e consultórios onde se dá a cura moderna. Um dos rituais em grupo dos índios norte americanos era uma dança numa representação de uma canoa tripulada que entrava em grupo na outra realidade para obter ajuda. 
Uma das jornadas mais intrigantes do mundo xamânico é descrita e estudada por Sandra Ingerman, xamã e escritora famosa do Novo México,  terapeuta familiar e de casais, e fundadora da Aliança Internacional para Professores e Xamãs de Remédios para a Terra. É a jornada xamânica chamada O Resgate da Alma.  Falaremos em breve dessa incrível técnica que está renascendo em várias partes do mundo ocidental graças a esses devotados xamãs modernos, pontífices entre esse conhecimento quase esquecido e a medicina e ciência ocidentais.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Quase morri. Voltei. Entendi... (6, de 10)

A Dança Cósmica da Vida (*)
 “Enquanto eu retornava para o ciclo da vida, não passou pela minha mente, e ninguém me disse que eu retornaria para o mesmo corpo; também não importava; aprendera a ter confiança na Luz e no processo da vida. E quando o Rio se fundiu com a grande Luz, pedi para jamais esquecer as revelações e as sensações de tudo aquilo que eu havia aprendido no outro lado. Ouvi um ‘Sim’. Foi como beijo na minha alma”.
 
(*) NB: A dança de Shiva Nataraja, contém impressionte simbologia: “Em seus cabelos há um crânio e a lua nova, morte e renascimento… o momento do vir a ser. Na mão esquerda tem um pequeno tambor; o tambor do tempo que exclui o conhecimento da eternidade. Estamos fechados no tempo. Mas, na outra mão, uma chama queima o véu do tempo e abre nossas mentes para a eternidade”. (‘O Poder do Mito’ - Joseph Campbell). O gesto da mão direita erguida e espalmada, afirma: ‘NÃO TEMAS’ – aconteça o que acontecer”; a mão esquerda aponta a perna erguida, indicando que o auxílio divino está sempre presente na ‘longuíssima via’, para os que caminham na senda espiritual. Tem o mesmo significado da sentença cristã: ‘O Amor de Deus, jamais nos abandona’.

Retornando à Realidade Física
“Fui então conduzido de volta pela Luz a esta realidade vibratória. O processo todo se reverteu, com mais informação sendo passada para mim. Voltei para casa, e estava tendo lições sobre os mecanismos da reencarnação, obtendo mais respostas para todas as pequenas perguntas que ainda tinha: “Como isto funciona? Como aquilo funciona?” – Sabia que reencarnaria; a Terra é um grande processador de energia e a consciência individual aqui se desenvolve a partir do interior de cada um.
Pensei em mim como ser humano pela primeira vez, e feliz por sê-lo. Depois de tudo o que eu vira, ficaria feliz em ser apenas um átomo no Universo; um átomo! Imagine ser a parte humana de Deus… Essa é a bênção mais fantástica, muito além da expectativa de qualquer outra bênção. Ser a parte humana dessa experiência é algo grandioso, magnífico. Cada um de nós, independente de onde e como estivermos, com ou sem problemas, cada um é uma benção para o planeta, onde quer que estejamos.
Passei então pelo processo de reencarnação, esperando ser um bebê em algum lugar. Mas continuava recebendo ensinos sobre a identidade individual e como a consciência se desenvolve. Reencarnei de volta ao mesmo corpo; e quando abri os olhos fiquei muito surpreso, não sei por que, pois já entendera isso. Surpreendi-me, por estar de volta ao meu quarto,no mesmo corpo, e com alguém se debulhando em lágrimas acima de mim. Era minha enfermeira; ela havia desistido hora e meia após me encontrar morto. Teve certeza disto porque todos os sinais da morte lá estavam – o corpo até já estava ficando enrijecido…
Não sabemos há quanto tempo já estava morto; mas sabemos que se passou hora e meia desde que ela me encontrara morto; e respeitara meu desejo de deixar o corpo recém falecido a sós por algumas horas, o máximo que pudesse. Tínhamos um estetoscópio amplificado e outras maneiras de checar as funções vitais e acompanhar o que acontecia, e verificou que estava mesmo morto. Mas não foi uma experiência comum de quase morte, pois experienciei a morte no mínimo por hora e meia.
Mais tarde, acordei e vi luz do lado de fora. Tentei levantar para ir até lá, mas caí da cama; a enfermeira ouviu barulho no quarto, correu e me viu no chão. Quando me recuperei, fiquei muito surpreso e atônito sobre o que havia acontecido comigo. No começo a lembrança da viagem que fizera não estava lá; eu continuava escorregando para fora deste mundo, e ficava me perguntando: “Será que estou vivo?” Este mundo me parecia mais um sonho do que o de lá.
Em três dias comecei a me sentir normal, com mais clareza e como jamais me sentira antes. A lembrança da viagem voltou pouco depois. Mas não conseguia ver mais nada de errado com os seres humanos, como eu via anteriormente. Antes disso tudo, costumava julgar muito; achava as pessoas muito problemáticas; na verdade, todos eram problemáticos, menos eu. Mas me curei também de tudo isso.
Passado cerca de três meses, um amigo me falou que deveria fazer exames, e assim o fiz. Estava me sentindo muito bem, mas receava ter más notícias. Na Clínica, lembro do médico olhando os exames de antes e de depois, dizendo: “Bem, você não tem nada”. Eu disse: “Verdade? Isso é um milagre?” E ele: “Não, estas coisas acontecem; são chamadas de remissões espontâneas”. Ele não se impressionara. Mas para mim foi um milagre, e eu me impressionei, mesmo que ninguém mais o fizesse”.

ATENÇÃO!: Você leu o capítulo 6 do ciclo de 10 postagens (diárias) sobre a experiência de "Quase Morri. Voltei. Entendi..."! Recomendamos ler desde o início da série - Introdução -  para fazer sentido. Boa leitura! 
AMANHÃ: Capítulo 7 - "O Mistério da Vida" e 'Almas Gêmeas"