terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Resgate da Alma

 Como a gente já disse antes, uma das técnicas de cura física, anímica e espiritual mais intrigantes e misteriosas do universo xamânico é conhecida por O Resgate da Alma.
O fenômeno, curiosa e infelizmente passa despercebido dos estudiosos modernos da psique humana e está sendo aos poucos resgatado atualmente por terapeutas corajosos que estudam e a praticam em várias partes do mundo graças à abertura proporcionada por alguns acadêmicos de visão holística e sem preconceitos, principalmente antropólogos. Entre eles se perfilam Castaneda, Michael Harner e um grande número de outros. Muitos desses profissionais sérios e insuspeitos, por afinidade pessoal ou ao escolherem suas teses de mestrado, doutorado ou extensão universitária, tomaram contato com o mundo dos xamãs e “se converteram” ao constatarem a sua eficácia mágica.
Mircea Eliade, famoso historiador de religião romeno diz em seu livro Xamanismo, Técnicas Antigas do Êxtase”:
“A principal função do xamã na Ásia Central e do Norte é a cura mágica. Nessas regiões pode se encontrar diversas concepções da causa da doença, mas aquela da “violação da alma” é de longe a mais comum. A doença é atribuída ao afastamento ou ao roubo da alma, e o tratamento em princípio resume-se em encontrá-la, capturá-la e obrigá-la a retomar seu lugar no corpo do paciente. Apenas o xamã vê os espíritos e sabe como exorcizá-los; apenas ele reconhece que a alma se afastou e é capaz de alcançá-la em êxtase e trazê-la de volta ao corpo”.
 O conceito do Resgate da Alma parte do princípio de que a alma humana em várias circunstâncias extremas não suporta a pressão de certos eventos da vida e se retira em pedaços conscientes para uma vida paralela em mundos incomuns, uma outra dimensão onde passa a viver em segurança precária, sem evolução mas sem sobressaltos.  Os fatos específicos, as circunstâncias e o nível de pressão variam de caso a caso, mas a experiência mostra que essa perda de “pedaços da alma” é causada normalmente por acidentes, traumas físicos e emocionais, abusos de infância, abandono, crueldades, violência, falta de amor, e por aí afora. Os sintomas aparentes desse desequilíbrio são depressão, vazio interior, lacunas de memória, solidão, falta de interesse, motivação e propósitos na vida ou mesmo uma “maré de azar”.. .
É muito difícil ter passado pela vida sem esses perrengues, então grande parte das pessoas sofre desse mal e não sabe, ou atribuem a outras causas diagnosticadas pela nossa medicina focada só no corpo. Alguma semelhança com o que vemos por aí?...
O xamã então faz uma jornada de resgate, o paciente deitado ao seu lado, e com ajuda de seres a ele ligados nas dimensões incomuns (Mundo Inferior, Intermediário ou Superior), encontra os pedaços da alma e os convence de vários modos a voltar ao paciente. Ao voltar à realidade comum o xamã “sopra” o pedaço, ou pedaços, de volta no paciente e ele começa, curado, a se recuperar e conviver com a sua alma plena.

Há 10 perguntas práticas para se determinar se ocorreu ou não uma perda da alma em alguém:
1 – Você já teve dificuldade de ficar “presente” no seu corpo? Sente-se “fora do corpo” observando-se?
2 – Já se sentiu entorpecido, apático, enfraquecido?
3 – Sofre de depressão crônica?
4 – Tem problemas imunológicos e facilidade de ficar doente?
5 – Estava sempre doente quando era criança?
6 - Tem lacunas de lembranças da sua vida, como traumas foram apagadas, após os 5 anos?
7 – Luta contra vícios como álcool, drogas, comida, sexo ou jogos?
8 – Procura coisas externas para preencher um “vazio interior”?
9 - Teve dificuldades de levar a sua vida após uma separação ou morte de pessoa querida?
10 – Sofre de síndrome de muitas personalidades?
Segue um dos vários relatos de uma jornada feita por Sandra Ingerman, terapeuta, escritora e xamã famosa, para resgatar a alma de John, que se queixava de “dificuldades de se relacionar, questões de confiança e intimidade”:
“Eu inicio a minha jornada e encontro o meu animal de poder. Minha intenção é ver se consigo encontrar as partes perdidas de John que possam ajudá-lo a lidar com seus problemas. Meu animal de poder me leva para uma casa no Mundo intermediário. Na sala de estar colorida olho ao redor. Há um sofá de gobelin e duas cadeiras em estilo vitoriano. Minha atração é atraída por gritos que vem do extremo oposto da sala. Na base da escada está o pai de John, gritando com a mãe, dizendo que vai embora de casa. No chão da sala está John,com quatro anos, parecendo em pânico. Seu pai bate a porta da frente; sua mãe bate a porta do andar superior; a alma de John foge aterrorizada com a experiência. Com a partida do pai, a vida familiar normal de John se despedaça.O abandono que ele sente é demais para suportar.
Eu falo com “a parte da alma de John” garantindo que John está à sua espera na realidade comum e que vai cuidar dele. O menino de quatro anos percebe que “ele é a parte de John que sabe como confiar”, e concorda em "voltar para casa.”

7 comentários:

  1. então a sensação de estar "mal encaixado" no corpo tb deve vir disso ne?
    sozinho a gente não consegue fazer o resgate?

    bjos
    Ale

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  2. Oi Ale
    Tudo indica que sim. "Mal encaixado" é uma outra forma de dizer "não presente no corpo", né não? Esse livro me tocou muito. Estou revendo a minha vida com filhos, mulher, amigos...
    Abraço

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  3. Arnaldo, salve!
    Esta técnica do xamã ir buscar as partes perdidas acho que seria equivalente a pescar pelo paciente e não ensiná-lo a pescar. Prefiro o que a Olga Karitidis indica. Você induz o paciente a um estado de segunda atenção e ele vai resgatar a energia que ficou aprisionada no trauma. Gostei muito dos livros da Sandra, tanto que indiquei para várias pessoas desde o ano passado, mas acho o método da Olga mais eficaz. Ensine o paciente e ele nunca mais ficará dependente do curador.
    Abraço,
    Rodrigo

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  4. Faz sentido, mas a Olga é uma bruxa da pesada e isso pode deixar o paciente em perigo, pois no geral ele não é um estudioso dedicado e cuidadoso. Conheço uns que vão querer fumar um e botar pra quebrar. Não tem muita moleza nesses mundos, não cumpadre.
    Abraço

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  5. Acredito que se pode fazer o resgate sozinhos. Mas com o curador também serve.
    Melhor se for nos moldes de aprender a pescar. Viver em `estado de paciente´ é se atrasar. Bom, cada qual tem seu ritmo e grau de memória. Admiro os corajosos que buscam seu próprio jeito de resgatar sua alma.
    Luara

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  6. O sábio Dr. Len diz:"criamos os pacientes em nosso mundo, cuidamos deles e eles nos pagam". É assim de que vivem os médicos, astrólogos e psicanalistas e outros. Sei que nem todos pacientes conseguem conduzir o processo sozinho, mas ficar cevando o divã é de lascar...
    Rodrigo

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  7. É um sábio, mesmo...

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