Mostrando postagens com marcador eu sou. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eu sou. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quem Você É - Eckhart Tolle

Há tempos atrás editamos um vídeo de Eckhart Tolle  sobre O que é a Meditação. Agora vamos falar da prática da  Meditação, mas de "quem você é" abaixo da superfície, escondido atrás da "pessoa". É a transcrição de uma reunião de Eckhart Tolle. Vamos lá:
"- Onde quer que você esteja, este momento é o Agora, o momento presente...
O tempo e as datas, coisas desse tipo, são coisas que nós impomos sobre a realidade. Em si mesmas, elas não têm nenhuma existência real, são um tipo de referência que nós impomos para que possamos funcionar no mundo, e não há problema nisso.
Então em última análise, em um certo nível, é verdadeiro dizer que hoje é tal dia de tal mês, tal hora e tantos minutos, seja qual for a hora, mês e ano. Em um certo nível, isso é verdadeiro. em outro nível, isso não é verdade, porque só existe a presença deste momento.
Da mesma forma que não existe Linha do Equador! Eu me lembro de visitar o país Equador e lá existe uma atração turística que é uma linha que diz:"Aqui é a linha do equador.", e as pessoas vêm e tiram fotos do equador, que é uma linha desenhada.É claro que é uma linha imaginária, por acaso aquele é o ponto equidistante entre  o pólo norte e o pólo sul, mas não existe nenhum equador, nós impomos isso, sobrepomos isso sobre a realidade.
Então em última análise não existe nenhuma Linha do Equador, não existe o tempo do relógio, nós podemos funcionar dentro dele, sem ficar presos nele, e sem acreditar por  completo que ele seja a realidade absoluta.
E nós impomos muitas outras coisas sobre a realidade, sobre nós mesmos, como por exemplo nosso senso de identidade, um nome, uma história, a história pessoal, todos os tipos de medos e desejos, e muitas outras coisas que constroem o nosso senso psicológico de identidade.
Elas possuem alguma realidade, mas não são a realidade absoluta. Então se você observar o tempo, a hora do relógio, se você se aprofundar nele, você acaba no momento presente, onde não existe tempo, existe sempre apenas isto.
E aqui estamos em nossa meditação hoje, estamos aqui para ir mais fundo pra dentro de nós mesmos, para que possamos descobrir esse nível mais profundo de “quem nós somos”, que não é relativo, mas que é absolutamente verdadeiro. Tudo o mais é então reconhecido como relativo.
Essas coisas têm seu lugar: sua história pessoal, seu passado, seu futuro, sua situação de vida, sua situação de saúde, situação financeira, de moradia, seus problemas e preocupações. Sim, está tudo lá, mas a sua vida se reduz a isso somente? Isso é tudo que você conhece? A sua situação de vida, suas circunstâncias pessoais?
Você está consciente de alguma outra dimensão na sua vida? A maioria das pessoas não está. Elas estão consumidas por suas situações de vida, e elas estão completamente identificadas com um senso de personalidade, que é derivado da atividade mental, o fluxo de pensamento, todas as coisas que a voz dentro da sua cabeça, está te dizendo, sobre quem você é.
E tudo isso, é claro, é condicionado pelo passado.
A pergunta mais importante na vida de qualquer pessoa, na sua vida é:"Existe algo mais em quem eu sou, do que o que os olhos podem ver
"Existe mais em quem eu sou do que o que meus sentidos percebem, ou sabem sobre mim mesmo, do que os pensamentos flutuando na minha mente? Existe um nível mais profundo em quem eu sou? Porque se existe, e eu nem sequer investiguei isso, nem sequer tentei chegar num nível mais profundo dentro de mim mesmo, então eu estive perdendo uma oportunidade maravilhosa, o propósito mais profundo da minha vida.
Eu não estou pedindo a você que acredite em nada, eu não estou pedindo que você acredite na dimensão transcendente de quem você é, mas eu estou te convidando a abrir a mente e estar aberto à possibilidade, Este é o ponto inicial: estar aberto à possibilidade de que possa existir um nível mais profundo em quem você é.
Algo mais profundo do que "a pessoa", que existe no tempo, e é condicionada pelo tempo, pelos eventos que aconteceram, que se tornam lembranças acumuladas, memórias conscientes e inconscientes.
E esse acúmulo de memórias, para a maioria das pessoas, é a base do seu senso de existência, e elas estão presas nisso. Então a questão é”Existe uma dimensão mais profunda em mim?” Ou existe apenas a história sobre mim mesmo, na minha mente? Existe algo além das minhas preocupações pessoais? Existe algo que talvez seja mais importante do que todas as coisas que eu penso serem extremamente importantes na minha vida? Meu problemas, minhas circunstâncias, todas essas coisas.Existirá algo talvez que seja mais importante que isso?. Não estou dizendo pra você negligenciar esse nível da realidade, mas existe algo mais profundo? E tudo o que você precisa dizer, é  claro, é: “Estou aberto a essa possibilidade”,'Pode ser que exista, pode ser que não.' Isso é tudo.
Mas se você já começar dizendo: “Eu não acredito em nada mais profundo.', então você já está fechado.É claro que, nesse caso, você nem estaria aqui, escutando isso.
Então, nesta meditação, ou em qualquer meditação verdadeira, e, aliás, esta não é uma meditação convencional, não iremos usar nenhuma técnica, senão a experiência direta. Em qualquer meditação sua intenção é de.contatar esse espaço mais profundo dentro de você.
Qual é nosso ponto inicial? Nosso ponto inicial tem que ser sempre a realidade deste momento.Se você quiser se aprofundar, você tem que começar sempre a partir da realidade deste momento, a simples realidade deste momento.
Qual é a realidade deste momento para você? agora? A percepção sensorial está acontecendo, você vê essa imagem minha, você ouve a voz, você está percebendo isso, na periferia disso, você está consciente do seu arredor, apesar de você estar mais concentrado em mim e em ouvir minha voz, porque esta é a direção para a qual você  está escolhendo levar sua atenção neste momento, mas você também tem consciência periférica do seu ambiente,é claro, isso tudo ainda está aí.
Você talvez esteja consciente do seu corpo, sentado  na cadeira, ou onde quer que esteja, a percepção sensorial. E talvez você esteja consciente de certos sentimentos que você pode estar tendo, e pensamentos passando pela sua cabeça, ocasionalmente, ainda.
Eles vêm e vão. Alguns pensamentos podem querer tomar a sua atenção por completo, e então você perde o foco das minhas palavras, isso pode estar acontecendo com alguns de vocês, alguns pensamentos vêm e levam sua atenção embora daqui. E tudo o que você precisa fazer é trazer  a sua atenção de volta, quando você perceber isso, traga sua atenção de volta para este momento. Nós chamamos isso de "se tornar presente", neste momento.
Você está consciente de o que quer que esteja surgindo no espaço deste momento,e você o aceita como ele é, porque ele já é. Este é um bom ponto de entrada para qualquer meditação que você queira fazer. O portal para o estado meditativo, para a consciência de presença é “permitir que a realidade deste momento seja como ela é”.
Por que? Porque ela já é. Este momento já é como ele é.
Internamente, você não exige que este momento seja diferente, por exemplo:você não precisa dizer 'Porque você não pára de falar, nós deveríamos estar meditando!'ou então "Eu não estou experienciando o meu eu  mais profundo, do que você está falando. Tudo o que precisamos fazer para nos tornarmos presentes, que é onde a meditação nos leva,é nos tornarmos presentes com o simples fato do “ser deste momento”. Isto é o que é.
Desde tempos remotos os filósofos e sábios, alguns escritores, têm discutido a possibilidade de que o que nós experienciamos como nossas vidas possa ser um tipo de sonho. Então, seja lá o que for que você esteja experienciando agora, neste momento, você não pode saber, em termos absolutos, que isto não é um sonho. E, de algumas formas, a vida possui uma qualidade onírica, seja lá o que for que você estiver experienciando, porque tudo passa muito rapidamente, se evapora como um sonho.
Onde está o jantar de ontem à noite? Evaporou como um sonho! Mas mesmo se for um sonho, deve haver algo que possibilita este sonho.
Se é um sonho, ou esta coisa parecida com um sonho, que são todos os conteúdos que existem no momento presente, deve haver algo que possibilite a existência deste sonho! Deve haver algo que possibilite que a realidade deste momento exista! E seja conhecida. E é claro, “você” é esse algo.
Neste momento, eu estou pedindo que você sinta, por assim dizer, dentro de você mesmo, o simples fato de que “você é a fundação, por assim dizer, da realidade deste momento”, seja qual for a forma deste momento à sua volta.
Em outras palavras, você pode sentir o simples fato de que você existe? 'Existir' pode não ser a palavra certa. Você pode sentir o simples fato de que você É?. Sua “seidade”, sua presença, através da qual, todas essas coisas estão sendo percebidas! Aqui, neste momento, até mesmo a minha voz...
Você pode sentir? Isso é algo muito imediato, eu estou pedindo que você direcione a sua atenção, o foco de sua atenção, para longe das percepções sensoriais, apesar delas permanecerem onde estão, mas não colocar a sua atenção nelas, nem sequer  colocar a sua atenção na minha voz, ou na imagem na tela. Sim, ela ainda está aqui, você ainda está percebendo a imagem, mas o que eu estou te pedindo é que coloque sua atenção no próprio fato de que você está consciente. Pode-se dizer, colocar a atenção na própria atenção.
A consciência que antes estava nos pensamentos e na percepção sensorial, agora se volta para si.E a consciência que antes estava em todo tipo de coisa, incluindo pensamentos, que também são coisas, a consciência se volta para dentro, para si mesma, e percebe aquela presença, aquela presença atemporal inata, que subjaz a tudo que você estiver experienciando.
Você já sabe, eu mencionei isso no livro 'Um Novo Mundo', que em Delphi, na Grécia antiga, o templo de Apolo, havia a inscrição, acredito que ainda esteja lá, 'Conhece-te a ti mesmo'.
O que é menos conhecido do que essa inscrição,é que nesse mesmo templo, há também outra inscrição, e isso remonta a anos atrás, há também a inscrição: 'VOCÊ É'' Você é o que?' VOCÊ É! É isso que está inscrito lá.Quando você lê isso, ou ouve isso, ou isso faz sentido pra você, ou não. Se faz sentido, você por um momento faz: 'Ah!
'Porque nesse momento, essas duas palavras, Você É,  direcionam a sua atenção para a própria atenção. Ou pode-se dizer: direcionam sua consciência para o fato de que você está consciente, ou seja: você se reconhece como consciência, sem forma, atemporal. você é! Não isso ou aquilo, mas simplesmente você se conscientiza de que “você é”.
E é para isso que os antigos sábios já apontavam, há anos. Não é incrível essa inscrição no templo dizendo: 'Você é'? Você não pode entender a verdade disso através da mente pensante, como você não pode entender a verdade do que  eu estou falando através da mente pensante. Porque a mente pensante, a mente conceitual lê isso da seguinte forma: 'Você é'. 'O que isso deveria significar? Não consigo descobrir. 'você é?' deve haver algo faltando aqui.
'Mas apenas através da verdade do 'você é',  ou seja, a verdade do 'eu sou', (porque quando você percebe a verdade do 'você é', ela se torna a verdade do 'eu sou'), a verdade do 'eu sou' não é conceitual, em absoluto, não tem nada a ver com o pensamento e só pode ser percebida fora do pensar.
Então eu estou apontando com a nossa meditação aqui para a possibilidade de se tornar consciente desse nível mais profundo de “quem você é”, que não tem nada a ver com a sua história, ou seus pensamentos.
E quando você percebe que, essencialmente, você é essa consciência não-condicionada, que não tem forma, quando você percebe que, em essência, você é a luz da consciência, a que Jesus chamava 'a luz do mundo', quando você percebe que você é isso, não apenas uma vez, e depois você passa o resto da sua vida:'Eu tive essa experiência incrível há dez anos, eu percebi quem eu sou! Mas agora eu esqueci!'. Não.
É bom ver a possibilidade de viver, ou existir, simultaneamente em dois níveis:
•    o nível do mundo,(em que as coisas precisam ser feitas, e você lida com elas dentro do tempo, sua situação de vida, você tem que lidar com isso e aquilo, sem ser consumido por isso) e é um destino horrendo ser consumido pelas circunstâncias da sua vida, terrível, mas o impulso é muito forte!.
•    a consciência contínua desse nível sem forma de pura consciência, ou “seidade”, o puro 'eu sou', enquanto você está lidando com as coisas deste mundo,  para que você não se perca nelas.
Eu vejo, quando observo as pessoas, o quão facilmente elas se perdem, continuamente, em tudo que surge:  'Tenho que pensar nisso!' E primariamente elas estão se perdendo nas suas mentes, em seus pensamentos,'Tenho que pensar nisso, tenho que lidar com aquilo, tenho que fazer aquele telefonema.' É claro que você tem que fazer os seus telefonemas! Mas, você está se perdendo no mundo? O que é o mesmo que dizer: se perdendo dentro da sua mente! Porque você experiencia o mundo dentro da sua mente e com a sua mente, e esse é o estado do qual, para usar a terminologia cristã, você precisa ser salvo.
Temos esse termo cristão 'salvação'. 'Salvo do quê?' Salvo de estar se perdendo no mundo, estar se perdendo na sua mente! É disso que se trata a salvação.
Infelizmente a maioria das igrejas não entendem mais isso ou não entendem faz muito tempo, entenderam errado o que é salvação.
A salvação é a verdade que vos libertará, outra coisa que Jesus disse: 'A verdade vos libertará. 'Mas antes de dizer isso, ele disse mais uma coisa. Ele disse:'Conheça a verdade, e a verdade vos libertará'. A verdade já é a verdade. Você precisa conhecê-la, e qual é a verdade? A verdade é quem você é, ou “o quê você é por baixo da forma”. É a verdade do 'eu sou'.
Então você existe em duas dimensões simultaneamente, você ainda está no mundo, lidando com as coisas, até mesmo pensando sobre as coisas, se relacionando com outros seres humanos, mas, no plano de fundo da sua vida, por assim dizer, você possui aquele nível do que poderíamos chamar de espaço da consciência, de presença consciente. Ou, poderíamos dizer, você sente a sua “seidade essencial”, a presença essencial, sob todas as coisas que estão continuamente acontecendo.E você pode levar uma vida harmoniosa, e a sua vida é.completamente satisfatória.
Ela só pode ser satisfatória se você não mais procurar satisfação nas coisas deste mundo, o emprego, o relacionamento, as finanças, o sucesso, tudo que as pessoas procuram, posses, todas as coisas nas quais as pessoas procuram satisfação, nenhuma dessas coisas é definitivamente satisfatória como muitos de vocês sabem, já experienciaram isso.
A vida te satisfaz quando você está enraizado na seidade essencial do 'eu sou', e ela não tem nada a ver com o pensamento.Ela é só um espaço de consciência, e isso forma o pano de fundo da sua vida, e você lida com as coisas, sem se perder nelas.
Você traz esse estado de consciência, que se pode chamar de “estado de consciência expandido”, você o traz para dentro das suas interações com as outras pessoas. Isso é de grande importância, e é somente então que você vai parar de tratar as outras pessoas como possíveis fontes de satisfação, ou como uma ameaça, o que é muito normal neste mundo.
Se você não estiver conectado a essa dimensão mais profunda dentro de si mesmo, você olha para as outras pessoas como uma fonte de realização, em outras palavras, você quer que elas façam algo pra você, em algum nível, ou você olha para as outras pessoas como uma  possível ameaça ao seu senso de identidade. Você se aproxima das pessoas com algum medo ou algum desejo, sempre. Ou há algum desejo, ou há algum medo.Terrível!.
E é claro que os relacionamentos não conseguem  funcionar muito bem nesse estado de consciência! Existe conflito contínuo, porque a outra pessoa também está esperando algo de você, seja por algum desejo ou alguma ameaça que você representa.
Quando você não está mais procurando por satisfação nas outras pessoas, ou procurando satisfação nas coisas do mundo, então as coisas do mundo e as pessoas se tornam bem agradáveis! Mas você só encontra isso quando você adquire a sua satisfação continuamente da sua seidade essencial! Em vez de obtê-la das coisas, ou das pessoas.
A realização é sentir. As palavras não captam exatamente o que quero dizer, vamos dizer assim: é sentir a vivacidade da sua essência.
Neste momento, não importa se você está num palácio ou numa cela de prisão, para você experienciar a realidade da sua essência, o lugar onde você está é irrelevante. Também é irrelevante se você falhou totalmente em todos os seus esforços, ou se você é um grande sucesso, aos olhos do mundo. Isso é irrelevante para a realização disso que eu estou falando.
Isso não é um alívio? Bem, é um alívio maior se você falhou em tudo, mas se você tivesse sido bem-sucedido em tudo,  você não estaria nem vendo este vídeo. Você teria que esperar durante mais alguns anos, até que  as coisas entrassem em colapso à sua volta, porque nada neste mundo é tão estável assim.
Então, a vida te realiza porque o momento presente, e aqui nós voltamos àquele portal essencial, o que nós chamamos de momento presente é, em essência, aquele senso do 'eu sou'. O senso do 'eu sou' é o significado mais profundo do agora.É o espaço da própria consciência, no qual tudo acontece. Vem e vai embora.
A realização vem de conhecer quem você é. De se conhecer enquanto a própria presença que fundamenta as coisas que você experiência como sendo o mundo, tanto externamente como na sua mente.
Na Índia, os sábios antigos chamavam isso de 'a felicidade de ser consciente', a felicidade de SER consciente, ou de ser a consciência. a palavra 'ser' é 'sat' em sânscrito,'Sat – Chit - Ananda', quer dizer: “Conhecer a felicidade de estar consciente”, a profunda realização de se conhecer enquanto consciência. E você é isso, em primeiro lugar, em segundo lugar você é a pessoa como a qual você está atuando na sua existência presente neste planeta. E sabe lá qual papel você tem vivido na sua existência presente. Você pode estar vivendo um papel muito trágico, ou você pode estar vivendo uma comédia, ou, em muitos casos, é uma mistura dos dois. Esse é o papel que você vive, seu nome, suas circunstâncias, sua situação de vida. Mas quem é você por trás disso, além disso?.
Você se conhece enquanto o 'eu sou' subjacente?. Isso é tudo. Essa foi nossa meditação, por hoje. Eu  aconselho a, ao sair daqui, não se deixar ser imediatamente arrastado de volta às coisas sobre as quais você tem que pensar e lidar, mas sim, enquanto você estiver fazendo as coisas, a permanecer consciente de si mesmo, no plano de fundo. Consciente de estar consciente. Você sente a consciência.
Quando eu pego alguma coisa, existe espaço no plano de fundo,e não apenas a ação que está acontecendo.
Outra palavra que posso usar é paz. Existe uma  paz no plano de fundo da sua vida. E com isso a sua forma de lidar com as coisas é pacífica! Se você não está conectado consigo mesmo, a sua forma de lidar com as coisas não pode ser pacífica, porque você fica aborrecido e reativo, muito rapidamente.
E você contribui para os problemas do mundo, mesmo se você estiver falando sobre alguma coisa espiritual maravilhosa. Você estará contribuindo negativamente, se você não lidar com as coisas e com  as pessoas de forma pacífica, você estará contribuindo para os problemas do mundo, você não é parte da solução, mas sim parte do problema.
Que coisa maravilhosa que é ver que a forma mais natural de viver é estar conectado com quem você é. A forma anti-natural é estar desconectado. O mundo está essa bagunça tão grande porque  muitos milhões estão vivendo dessa forma anti-natural, em desconexão. Esse é o porquê de estarmos aqui.
Antes de eu me despedir, vamos fazer um breve momento de simples quietude.
Fique bem.
Fique presente.
E não se esqueça de que VOCÊ É."

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Ser Permanece além da Mente - Nisargadatta Maharaj

Sri Nisargadatta Maharaj, nasceu na Índia em 1897 e faleceu em 1981. De família humilde, transformou-se em líder espiritual, filósofo, e um dos expoentes da escola Advaita Vedanta (Não-dualismo) do século 20, desde o grande Ramana Maharishi.
Em 1973 publicou o seu famoso livro I Am That (Eu Sou Isso), que trouxe reconhecimento mundial e uma legião de seguidores. Simples, minimalista e claro, responde a um discípulo as perguntas centrais da nossa existência nesta entrevista:

Pergunta: Quando era criança, com muita frequência eu experimentava estados de felicidade completa, próximos ao êxtase. Mais tarde, esses estados acabaram mas, desde que vim para a Índia, eles reapareceram, particularmente desde que encontrei você. Ainda assim, apesar de serem maravilhosos, esses estados não duram. Chegam e se vão, e não se sabe quando voltarão.
Maharaj: Como pode haver algo estável em uma mente que em si mesma não é estável?


P: Como podemos estabilizar a mente?
M: Como poderia uma mente inconstante fazer-se estável? Certamente não é possível. A natureza da mente é vagar. Tudo o que você pode fazer é colocar o foco da consciência além da mente.

P: Como isso é feito?
M: Evite todos os pensamentos exceto um: o pensamento “Eu Sou”. A mente irá
se rebelar a princípio, mas, com paciência e perseverança, ela cederá e permanecerá quieta. Uma vez que você esteja quieto, as coisas começarão a acontecer espontaneamente e de forma muito natural, sem nenhuma interferência de sua parte.

P: Posso evitar essa longa batalha com minha mente?
M: Sim, você pode. Simplesmente viva sua vida como vier, mas sempre alerta, vigilante, permitindo que tudo ocorra da maneira que ocorrer, fazendo as coisas naturais de um modo também natural, sofrendo, gozando, como a vida se apresentar. Essa também é uma maneira de viver.

P: Bom, então posso casar-me, ter filhos, levar um negócio, ser feliz ...
M: Claro que sim. Você pode ser feliz ou não; aceite-a calmamente.

P: Mas eu quero felicidade.
M: Não se pode encontrar a verdadeira felicidade nas coisas que mudam e morrem. O prazer e a dor se alternam inexoravelmente. A felicidade procede do Ser e só pode ser encontrada no Ser. Encontre seu Ser Real (swarupa) e tudo chegará com ele.

P: Se meu Ser real é cheio de paz e de amor por que sou tão inquieto?
M: O seu Ser Real não é inquieto, mas o reflexo dele na mente parece assim, já que a própria mente é inquieta. É como o reflexo da lua na água agitada pelo vento. O vento do desejo move a mente, e o “eu”, que não é senão um reflexo do Ser na mente, parece mutável. Mas essas idéias de movimento, de inquietude, de prazer e dor, estão todas na mente. O Ser está além da mente, consciente, mas desapegado.

P: Como alcançá-lo?
M: Você é o Ser, aqui e agora. Deixe a mente em paz, seja consciente e despreocupado e você compreenderá que permanecer alerta, mas desapegado, observando como os fatos vão e vêm, é um aspecto de sua verdadeira natureza.

P: Quais são os outros aspectos?
M: Os aspectos são infinitos em número. Compreenda um e você compreenderá todos.

P: Diga-me algo que possa ajudar-me.
M: Você sabe melhor o que precisa!

P: Estou inquieto. Como posso obter paz?
M: Para que você necessita de paz?

P: Para ser feliz.
M: Você não é feliz agora?

P: Não, não sou.
M: O que o torna infeliz?

P: Tenho o que não quero e quero o que não tenho.
M: Por que não inverter? Queira o que você tem e não se preocupe com o que não tem.

P: Eu quero o que é agradável e não quero o que é doloroso.
M: Como é que você sabe o que é agradável e o que não é?

P: Através de experiências passadas, certamente.
M: Guiado pela memória, você tem perseguido o agradável e tentado escapar do desagradável. Você tem tido êxito?

P: Não, não tenho tido. O agradável não dura. A dor sempre volta.
M: Que dor?

P: O desejo de prazer, o medo da dor, ambos são estados de sofrimento. Existe um estado de puro prazer?
M: Cada prazer, físico ou mental, necessita um instrumento. Os instrumentos físicos e mentais são materiais, portanto, se desgastam e se esgotam. O prazer que proporcionam é, necessariamente, limitado em intensidade e duração. A dor é o pano de fundo de todos os prazeres. Você os deseja porque sofre. Por outro lado, a própria busca do prazer é a causa da dor. É um circulo vicioso.

P: Posso ver o mecanismo de minha confusão, mas não vejo a saída.
M: O próprio exame do mecanismo mostra a saída. Afinal de contas, a confusão está só na mente, a qual nunca se rebelou totalmente contra a confusão nem chegou a combatê-la. Ela só se rebelou contra a dor.

P: Então, tudo o que posso fazer é permanecer confuso?
M: Esteja alerta. Investigue, observe, pergunte, aprenda tudo quanto possa sobre a confusão, como funciona, qual é o seu efeito em você e nos demais. Ao ver claramente a confusão, você se libertará dela.

P: Quando olho para mim mesmo, vejo que meu desejo mais forte é criar um monumento, construir algo que dure mais que eu. Inclusive quando penso em um lar – esposa e filhos – é porque ele é sólido, duradouro, uma prova para mim mesmo.
M: Certo, construa um monumento para si. Como quer fazer isso?

P: Não importa o que eu construa, desde que seja permanente.
M: Certamente, você pode ver por si mesmo que nada dura. Tudo fica gasto, quebra e se dissolve. O próprio alicerce sobre o qual você constrói irá ceder um dia. O que você pode construir que sobreviva a tudo?

P: Intelectualmente, verbalmente, estou ciente de que tudo é transitório. Ainda assim, meu coração quer permanência. Quero criar algo duradouro.
M: Então você deve construir sobre algo duradouro. O que você tem que seja duradouro? Nem seu corpo nem sua mente durarão. Você tem que buscar em outra parte.

P: Desejo permanência, mas não a encontro em nenhum lugar.
M: Não é você mesmo permanente?

P: Eu nasci e morrerei.
M: Você pode dizer verdadeiramente que você não existia antes de nascer, e poderá dizer depois da morte: 'agora já não existo?' Você não pode dizer, pela sua própria experiência, que você não existe. Só pode dizer: “eu sou” (eu existo). Os outros também não podem dizer-lhe que “você não é”.

P: Não há “eu sou” no sono.
M: Antes de fazer afirmações tão incisivas, examine cuidadosamente seu estado desperto. Cedo você descobrirá que ele está cheio de intervalos onde a mente fica em branco. Perceba o quão pouco você se lembra, mesmo quando está totalmente desperto. Você não pode dizer que não estava consciente durante o sono. Você apenas não se lembra. Uma lacuna na memória não é necessariamente uma lacuna na consciência.

P: Posso chegar a recordar meu estado no sono profundo?
M: Certamente! Ao eliminar os intervalos de inadvertência durante as horas de vigília, gradualmente você eliminará o grande intervalo de inadvertência mental que você chama sono. Você estará ciente de estar dormindo.

P: Mas o problema da permanência, da continuidade do ser, não é resolvido.
M: A permanência é uma mera idéia, nascida da ação do tempo. Por sua vez, o tempo depende da memória. Você chama de permanência uma memória contínua através do tempo ilimitado. Você quer eternizar a mente, o que não é possível.

P: Então, que é o eterno?
M: Aquilo que não muda com o tempo. Você não pode eternizar algo transitório, apenas o imutável é eterno.

P: Estou familiarizado com o sentido geral do que você diz. Não anseio mais conhecimento, tudo o que quero é paz.
M: Você pode ter toda a paz que quiser, basta pedir.

P: Estou pedindo.
M: Você deve pedir com um coração não dividido e deve viver uma vida íntegra.

P: Como?
M: Desapegue-se de tudo aquilo que deixa sua mente inquieta. Renuncie tudo que perturbe a paz dela. Se você quer paz, mereça-a.

P: Certamente, todo mundo merece paz.
M: Só a merecem aqueles que não a perturbam.

P: De que modo eu perturbo a paz?
M: Sendo escravo de seus desejos e temores.

 
P: Inclusive quando são justificados?
M: As reações emocionais nascidas da ignorância ou da inadvertência nunca são justificadas. Busque uma mente clara e um coração limpo. Tudo o que você necessita é permanecer tranqüilamente alerta, investigando a natureza real de si mesmo. Esse é o único caminho para a paz.