Por Que Existe Vida?
- Osho, eu nunca fui capaz de encontrar resposta para essa pergunta. É uma pergunta estúpida, mas mesmo assim eu queria muito saber a resposta.
Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação? Por que a vida existe? Por que todas as coisas existem? Eu não acredito que seja acidental.
- "Patrick, a pergunta é certamente estúpida... Você está absolutamente certo a respeito disso. E a pergunta não é respondível. Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um mistério.
Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é encontrar respostas para todos os porquês. E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida.
Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas... Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Buda.
E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só... então de repente , num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente!
E agora, como ele está se sentindo hoje? Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário?
Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas.
Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio? Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler e Mussolini e Joseph Stalin e Mao-Tse-Tung, Gengis Khan, Tamurlaine, Nadir Shah... Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrês? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas... Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau.
Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. Patrick, o máximo que eu posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito.
Todos os propósitos estão no meio da vida. Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito... Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio.
A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa idéia de criação. Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna. Ais dhammo sanantano - assim é a lei última.
Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar...Qual o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas?
A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros...
O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum.
Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?"
O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo. Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância.
Você me pergunta: "Por que a vida existe?"
Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você.
Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito?
Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você.
A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui. Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"? Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar.
Os Budas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você.
Quando Gautama Buda costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Buda está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado.
Buda costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas.
Um grande filósofo, Maulingaputta, veio até Buda e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Buda ouviu silenciosamente por meia hora. Maulingaputta começou a se sentir um pouco embaraçado porque Buda não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas.
Finalmente Buda disse: "Você realmente quer saber a resposta?"
Maulingaputta disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo"..."Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?"
Buda disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso".
Maulingaputta disse "Sim!"
Então Buda disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo."
Um discípulo, um grande discípulo de Buda, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. Maulingaputta disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele... Estará ele contando piadas para si mesmo?"
Buda disse: "Vá lá e pergunte a ele".
Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse"Senhor, se você quiser realmente fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas."
Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores.
E Buda disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio... Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo."
"Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco."
"Assim, Maulingaputta, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre Maulingaputta vai se sentar por dois anos silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, Maulingaputta, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!"
Mas, Buda disse: "Minhas condições têm que ser atendidas."
Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta... quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios... e isso não tem fim."
OSHO - The Book of the Books - Tradução: Sw. Bodhi Champak
A vocação deste blog é ajudar os leitores, e o próprio autor, a preparar o terreno para o "estar presente", que acontece somente no momento fugidio do Agora - a porta estreita - de que as tradições falam. A diversidade de temas é proposital e tem dois objetivos: mostrar que não há só uma tradição exclusiva, e, se houver Intento, qualquer situação corriqueira da Vida é adequada para quem busca interiormente, até mesmo a de uma passista no desfile da escola de samba. - Arnaldo Preto
domingo, 8 de junho de 2014
Por Que Existe Vida?
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domingo, 1 de junho de 2014
Como É "O Outro Lado"?
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| Sri Yuktéswar e Yogananda |
Após sua morte, Yuktéswar materializou-se para seu discípulo Yogananda e respondeu-lhe todas as perguntas sobre o destino do homem após a “morte”. Um relato raríssimo sobre o “outro lado” como você nunca ouviu antes. Uma das descrições mais completas e detalhadas sobre as diversas dimensões pelas quais a alma humana viaja rumo ao Infinito. É uma jóia rara esse texto de Yogananda. Vamos lá:
"Sentado em meu leito no hotel de Bombaim, às três horas da tarde de 19 de junho de 1936 - uma semana após a visão de Krishna, fui interrompido em minha meditação por uma luz beatífica. Ante Meus olhos abertos e atônitos, o quarto inteiro transformou-se num mundo estranho; a luz do sol transmutava-se num esplendor sobrenatural. Sentindo-me arrebatado em ondas de êxtase, contemplei a figura dele Sri Yuktéswar, em carne e osso!
- Meu filho! - exclamou o Mestre com ternura e um sorriso de anjo sedutor.
Pela primeira vez em minha vida não me ajoelhei a seus pés para saudá-lo, mas avancei no mesmo instante para apertá-lo em meus braços, avidamente. Momento divino! A angústia dos meses anteriores extinguiu-se, fez-se imponderável se comparada à beatitude torrencial que me inundou então.
- Mestre meu, bem-amado de meu coração, por que me deixou? - atribuo esta incoerência ao meu excesso de alegria. - Por que permitiu que eu fosse a Kumbha Mela? Com que amargura venho me recriminando por me haver afastado de sua presença!
- Eu não quis interferir, você era feliz em sua expectativa de conhecer o local de peregrinação onde encontrei Babaji pela primeira vez. Deixei-o apenas por breve momento; não estou com você de novo?
- Mas é o senhor de verdade, Mestre, o mesmo Leão de Deus? Está usando um corpo igual ao que enterrei sob as cruéis areias de Puri?
- Sim, meu filho, sou eu mesmo. Este é um corpo de carne e osso. Embora eu o veja como etéreo, para a sua vista é físico. Com os átomos cósmicos, criei uma forma inteiramente nova, exatamente igual ao corpo-físico-de-sonho-cósmico que você depositou sob as areias-de-sonho de Puri, em seu mundo-de-sonho. Em verdade, ressuscitei - não na Terra, mas num planeta astral. Seus habitantes estão melhor capacitados que a humanidade terrena para seguir os meus elevados padrões espirituais. Você e seus entes queridos, os que alcançaram o êxtase, para lá irão algum dia; estaremos todos juntos.
- Imortal guru, conte-me ainda mais!
O Mestre teve um riso breve, cheio de jovialidade.
- Por favor, querido - disse ele. - Não quer afrouxar um pouco o seu abraço? - Só um pouquinho!
Eu o estivera abraçando com uma pressão de polvo. Percebi o mesmo débil, aromático e natural odor que fora característico de seu corpo terreno. O emocionante contato de sua carne divina ainda persiste nas faces internas de meus braços e nas palmas das mãos, sempre que relembro aquelas horas gloriosas.
- Como os profetas são enviados à Terra para ajudar os homens a esgotarem seu carma físico, assim Deus me enviou a um planeta astral com a missão de salvador - explicou Sri Yuktéswar. - Esse globo chama-se Hiranyaloka ou “Planeta Astral Iluminado”. Lá estou auxiliando seres adiantados a se desembaraçarem de seu carma astral e a se libertarem, portanto, dos renascimentos astrais. Os residentes em Hiranyaloka têm elevado desenvolvimento espiritual; todos adquiriram, em sua última encarnação terrestre, o poder, conferido pela meditação, de abandonar conscientemente o corpo na hora da morte. Ninguém poderá entrar em Hiranyaloka se não tiver experimentado na Terra, não apenas savikalpa samadhi (dissolução da Consciência em Brahma) mas também o estado superior de êxtase, nirvikalpa samadhi (não dualidade, e unidade com O Todo).
“Os habitantes de Hiranyaloka já ultrapassaram as esferas astrais ordinárias para onde quase todas as pessoas da Terra devem ir ao morrer; nelas destruíram muitas sementes cármicas relativas a suas ações passadas no mundo astral. Apenas devotos adiantados realizam com eficiência esse trabalho redentor nas esferas astrais. Então, o fim de livrarem inteiramente sua alma de todos os traços de carma astral, a lei cósmica impeliu estas criaturas de aspiração mais alta a renascerem em novos corpos astrais em Hiranyaloka, o céu ou sol astral, onde me encontro para ajudá-los. Vivem também em Hiranyaloka seres quase perfeitos vindos do mundo causal superior.”
Minha mente encontrava-se, a essa altura, em tão perfeita sintonização com a de meu guru, que ele me comunicava suas imagens-palavras, em parte através da linguagem e em parte pela transmissão de pensamento. Assim eu recebia, rapidamente, seus tablóides de ideias.
- Você leu nas Escrituras - continuou o Mestre - que Deus encerrou a alma humana em três corpos, sucessivamente: o corpo causal ou de ideias; o sutil corpo astral, sede das naturezas mental e emocional do homem; e o grosseiro corpo material. Na Terra, o homem está equipado com os sentidos físicos. Um ser astral age através de sua consciência e sentimentos, e de um corpo feito de vitatrons. Um ser em corpo causal paira no beatifico reino das ideias. Meu trabalho relaciona-se com aqueles seres astrais que estão se preparando para entrar no mundo causal.
- Mestre adorável, por favor, fale-me ainda mais sobre o cosmos astral.
Embora eu tivesse afrouxado um pouco o meu abraço a pedido de Sri Yuktéswar, meus braços ainda continuavam a rodeá-lo. Tesouro acima de todos os tesouros, meu guru se rira da Morte para chegar até mim!
- Existe uma infinidade de esferas astrais, fervilhantes de seres, começou o Mestre. - Seus habitantes usam veículos astrais, ou massas de luz, para viajar de um a outro planeta - mais depressa que as energias elétricas ou radioativas.
“O universo astral, composto de diversas vibrações sutis de luz e calor, é centenas de vezes maior que o cosmos material. A criação física inteira, como sólida barquinha, está dependurada do gigantesco aeróstato luminoso que é a esfera astral. Assim como numerosos sóis e estrelas físicas vagam pelo espaço, existem também, no astral, incontáveis sistemas solares e estelares. Seus planetas contam com sóis e luas mais belos que os físicos.
Os luminares astrais se parecem com as auroras boreais - a aurora do sol astral deslumbra mais que os tênues raios do despontar da lua astral. E dias e noites são muito mais longos que os da Terra.
"O universo astral é, pois, infinitamente belo, limpo, puro e ordenado.
Não existem planetas mortos nem terrenos estéreis. Os defeitos, lamentados na Terra, lá estão ausentes: ervas daninhas, bactérias, insetos, serpentes.
Ao contrário das estações e climas variáveis do globo terrestre, os planetas astrais mantêm uma temperatura uniforme de eterna primavera, caindo, às vezes, neve de luminosa alvura e chuvas de luz multicolorida. Lá, sobejam lagos opalinos, mares rebrilhantes, e rios com os matizes do arco-íris.
“O universo astral ordinário - não o céu sutilíssimo de Hiranyaloka - é povoado por milhões de seres astrais, vindos, mais ou menos recentemente, da Terra; e também por miríades de fadas, sereias, peixes, animais, duendes, gnomos, semideuses e espíritos, todos residindo em diferentes planetas astrais de acordo com suas qualificações cármicas. Reservam-se várias moradas planetárias ou regiões vibratórias para espíritos bons e para espíritos maus. Os bons podem viajar livremente, mas as entidades prejudiciais estão confinadas a zonas restritas. Aqui, os seres humanos vivem na superfície da terra, os vermes no interior do solo, os peixes na água e os pássaros no ar; lá, também, os seres astrais se encaminham a regiões vibratórias adequadas a seus diferentes estágios de evolução.
“Entre sombrios anjos caídos, expulsos de outros mundos, surgem atritos e declaram-se guerras com bombas “vitatrônicas” ou raios vibratórios da mente, mântricos. Estes marginais habitam regiões de trevas densas, no cosmo astral inferior, saldando as dívidas de seu mau carma.
“Em vastos reinos acima da lúgubre penitenciária astral, tudo é resplandecente e formoso. O cosmo sutil, por sua natureza, acha-se mais sintonizado com a vontade de Deus e com Seu plano de perfeição que a Terra. Todo objeto astral manifesta-se primordialmente pela vontade declarada dos seres astrais. Estes possuem o poder de modificar ou realçar a graça e a forma de qualquer objeto já criado pelo Senhor. A Seus filhos astrais, Ele deu a liberdade e o privilégio de modificarem ou aperfeiçoarem à vontade o cosmo astral. Na Terra, para transformar um sólido em líquido ou alterar-lhe a forma, é preciso submetê-lo a processos físicos ou químicos, enquanto os sólidos astrais são convertidos em líquidos astrais, gases astrais ou energia atômica astral, apenas e instantaneamente, pela vontade de seus habitantes.
"A Terra mergulha nas sombras das guerras e dos assassínios, rios, continentes, nos mares e no ar - continuou meu guru. - Nos domínios astrais, porém, observa-se uma igualdade e harmonia felizes. Os seres astrais desmaterializam suas formas e voltam a materializá-las, à vontade. Flores, peixes ou outros animais podem se metamorfosear temporariamente em homens astrais. Todos os seres do astral são livres para assumir qualquer forma e podem facilmente conversar entre si. Nenhuma lei natural, fixa, definitiva, os limita: a qualquer árvore astral se pode pedir, por exemplo, que produza mangas astrais, flores ou, separadamente, qualquer outro objeto, com êxito. Existem certas restrições cármicas mas nenhuma distinção se faz, no mundo astral, quanto ao desejo de possuir esta ou aquela forma. Tudo vibra com a luz criadora de Deus.
Ninguém nasce a partir de uma mulher; seres astrais, por meio de sua vontade cósmica, materializam sua prole em formas expressivamente esculpidas, astralmente condensadas. Quem recentemente desencarnou no mundo físico integra-se numa família astral por convite, atraída por tendências mentais e espirituais semelhantes.
“O corpo astral não está sujeito ao frio e ao calor, ou a outras condições da natureza. Sua anatomia inclui um cérebro astral ou o “lótus de mil pétalas de luz”e seis centros despertos no sushumna ou eixo astral-cérebro-espinal. Do cérebro astral, o coração retira energia cósmica e luz, enviando-as aos nervos astrais e às células do corpo astral ou “vitatrons”. Os seres astrais podem alterar suas formas por energia “vitatrônica” ou por santas vibrações mântricas.
“Em muitos casos, o corpo astral é uma cópia exata da última forma física. A face e a figura de uma pessoa astral assemelham-se aos que possuía durante a mocidade em sua última jornada terrena. Às vezes, alguém, como eu, prefere conservar a aparência que tinha em sua velhice”. - O Mestre, a quintessência da juventude, riu jovialmente.
“Ao contrário do mundo físico tridimensional, só conhecido por meio dos cinco sentidos, as esferas astrais são perceptíveis ao sexto sentido, a intuição, que inclui os demais. Os seres astrais veem, escutam, cheiram, saboreiam e apalpam por meio da multisciente sensação intuitiva. Possuem três olhos, dois dos quais parcialmente fechados. O terceiro e principal olho, verticalmente colocado na testa, está aberto. Os seres astrais têm todos os órgãos externos dos sentidos - olhos, ouvidos, nariz, língua e pele - mas empregam o sentido da intuição para experimentar sensações através de qualquer parte do corpo; podem ver por meio do ouvido, do nariz ou da pele, escutar pelos olhos ou pela língua, saborear através dos ouvidos ou da pele, e assim por diante.
"O corpo físico do homem encontra-se exposto a inúmeros perigos e facilmente se machuca ou se mutila; o etéreo corpo astral pode, às vezes, ser cortado ou esmagado, mas cura-se instantaneamente por mera expressão da vontade.
- Gurudeva, todas as pessoas astrais são belas?
- A beleza no mundo astral é uma qualidade do espírito e não se aquilata pela conformação exterior - respondeu Sri Yuktéswar. - Os seres astrais, por isso, atribuem pouca importância às feições. Eles têm o privilégio, entretanto, de se revestirem, à vontade, de corpos astralmente materializados, novos e coloridos. Assim como os homens mundanos envergam novo traje para acontecimentos de gala, também as pessoas etéreas encontram oportunidade de se adornar com formas esculturais.
“Festas de regozijo nos planetas astrais superiores, como Hiranyaloka, ocorrem quando um ser, por seu adiantamento espiritual, liberta-se do mundo astral e acha-se preparado assim para ingressar no céu do mundo causal. Nessas ocasiões, o Pai Celestial Invisível e os santos n'Ele imersos, materializam-se em corpos de Sua própria escolha e participam das celebrações astrais. Para agradar a Seu devoto bem-amado, o Senhor assume a forma sob a qual este mais O adora. A quem O cultuou com devoção, Deus aparece como Divina Mãe. Para Jesus, o aspecto de Pai Infinito sobrepassava todas as demais concepções. A individualidade conferida pelo Criador a cada uma de Suas criaturas faz que todo tipo de demanda, concebível ou inconcebível, ponha à mostra a versatilidade do Senhor! “ - Meu guru e eu rimos felizes.
“Amigos de vidas passadas facilmente se reconhecem uns aos outros no mundo astral - continuou Sri Yuktéswar, em sua encantadora voz de flauta. Rejubilando-se com o caráter imortal da amizade, eles experimentam a indestrutibilidade do amor, de que tantas vezes se duvidou, na hora das tristes e ilusórias separações na Terra.
“A intuição dos seres astrais perfura o véu e observa as atividades humanas na Terra; o homem, ao contrário, não pode ver o mundo astral, a menos que seu sexto sentido esteja desenvolvido. Milhares de habitantes da Terra vislumbraram momentaneamente um ser astral ou um mundo astral. Os residentes adiantados de Hiranyaloka permanecem, em geral, despertos em êxtase durante os longos dias e noites astrais, ajudando a resolver problemas intricados de governo cósmico e de redenção de filhos pródigos, almas apegadas à Terra. Quando os seres de Hiranyaloka dormem têm, às vezes, visões astrais semelhantes ao sonho. Suas mentes, como de hábito, estão absortas no estado consciente da mais elevada beatitude - nirbikalpa.
“Os habitantes de todas as regiões dos mundos astrais ainda estão sujeitos a agonias mentais. As mentes hipersensíveis dos seres mais adiantados, em planetas como Hiranyaloka, sentem dor aguda se algum erro é cometido, de percepção da verdade ou de conduta. Estes seres mais evoluídos esforçam-se para harmonizar cada um de seus pensamentos e atos com a perfeição da lei espiritual.
As comunicações entre os habitantes astrais efetuam-se inteiramente por telepatia e por tele-visão astrais. Lá se desconhecem a confusão e a incompreensão oriundas da palavra oral e escrita, que os moradores da Terra estão obrigados a suportar. Exatamente como os homens numa tela de cinema parecem mover-se e participar de atividades ao longo de uma série de cenas luminosas, sem respirar de verdade, também os habitantes do mundo astral andam e trabalham como imagens de luz inteligentemente guiadas e coordenadas, sem necessidade de retirar forças do oxigênio. O homem depende de sólidos, líquidos, gases e energia para a sua subsistência; os moradores do astral alimentam-se principalmente de luz cósmica.”
- Mestre meu, os seres astrais comem alguma outra substância? Eu sorvia seus maravilhosos esclarecimentos com a receptividade de todas as minhas faculdades - mente, coração e alma. "As percepções superconscientes da verdade são permanentemente reais e imutáveis, enquanto as experiências e impressões fugazes dos sentidos são apenas temporária e relativamente verdadeiras; a memória que delas o homem conserva logo perde a vivacidade". As palavras de meu guru imprimiram-se de modo tão indelével no pergaminho de meu ser que, a qualquer momento, transferindo minha mente para o estado de superconsciência, posso reviver com nitidez a divina experiência.
“Legumes de textura luminosa são abundantes nos solos astrais - respondeu ele. - Os moradores do mundo astral consomem vegetais e bebem o néctar que jorra de gloriosas fontes de luz e que flui nos regatos e rios astrais. Exatamente como na Terra é possível extrair do éter as imagens invisíveis dos homens, torná-las visíveis por meio de um aparelho de tele-visão e, posteriormente, dissolvê-las de novo no espaço, assim também os invisíveis projetos estruturais de plantas e legumes, criados por Deus e flutuantes no éter, condensam-se num planeta astral pela vontade de seus habitantes. Do mesmo modo, nascidos da fantasia insubmissa destes seres, jardins inteiros de perfumada flora materializam-se para retornar mais tarde à invisibilidade etérea. Se os moradores de planetas celestiais, como Hiranyaloka, estão quase livres da necessidade de comer, ainda mais excelsa é a existência incondicionada de almas quase completamente livres no mundo causal, cujo único alimento é o maná da bem-aventurança.
“Um ser astral liberto da Terra encontra-se com uma multidão de parentes, pais, mães, esposas, maridos e amigos, havidos em diferentes encarnações na Terra, à medida que essas criaturas regressam, de tempos em tempos, a várias regiões do cosmo astral. Por isso, sente-se confuso ao tentar saber a quem amar especialmente; aprende assim a dedicar amor divino e igual a todos, como filhos e expressões individualizadas de Deus. Embora a aparência externa dos seres queridos possa haver mudado, menos ou mais, de acordo com o desenvolvimento de novas qualidades na última vida, o ser astral emprega sua infalível intuição para reconhecer todos aqueles que uma vez conheceu em outros planos dá existência, e para recebê-los com alegria ao chegarem a seu novo lar astral.
Em virtude de cada átomo na criação estar dotado de individualidade inextinguível, um amigo astral será reconhecido, seja qual for o traje de que se revista, assim como na Terra se descobre, observando-se atentamente, a identidade de um ator, apesar da caracterização que o disfarça.
“O espaço de tempo em que um ser se demora no mundo astral é mais longo que na Terra. Em média, o período de vida de um ser astral adiantado é de quinhentos a mil anos, medido segundo os padrões de tempo terreno.
Determinadas sequóias sobrevivem à maioria das árvores durante milênios; certos jogues vivem várias centenas de anos embora a maior parte faleça aos sessenta anos; alguns seres astrais ultrapassam o período médio de vida astral. Os visitantes do mundo astral nele residem por períodos mais curtos ou mais prolongados de acordo com o peso de seu carma físico, que os atrai de regresso à Terra dentro de um prazo específico.
“O ser astral não tem de lutar dolorosamente contra a morte, no momento de desprender-se de seu corpo luminoso. Muitos, não obstante, sentem-se um pouco nervosos à ideia de se despojarem do invólucro astral para continuarmos apenas com o mais sutil, o causal. O mundo astral acha-se livre da morte, da doença e da velhice indesejável - três pavores que são a maldição da Terra, onde o homem permitiu à sua consciência identificar-se quase inteiramente com um frágil corpo físico, exigindo o socorro constante do ar, do alimento e do sono a fim de subsistir.
“A morte física caracteriza-se pelo desaparecimento da respiração e pela desintegração das células orgânicas. A morte astral consiste na dispersão dos vitatrons, unidades de energia de que depende a vida dos seres astrais. Na morte física, o homem perde consciência carnal e torna-se cônscio de seu corpo sutil no mundo astral. Experimentando a morte astral, a seu devido tempo, um ser passa, da consciência de nascimento e morte astrais, à de nascimento e morte físicos. Estes ciclos periódicos de alojamentos astrais e físicos constituem o destino inelutável de todos os seres não-fluiníriados. Conceitos de céu e inferno, -nas Escrituras, às, vezes despertam no homem memórias de sua longa série de experiências no agradável reino astral e no decepcionante mundo terrestre, revolvendo arquivos mais profundos que a subconsciência. “
- Bem-amado Mestre - supliquei - pode descrever com maiores detalhes a diferença entre renascimento na Terra e renascimento nas esferas astrais e causais?
"O homem, enquanto alma individualizada, tem um corpo essencialmente causal - explicou Sri Yuktéswar. - Esse corpo é a matriz das 35 ideias concebidas por Deus, forças de pensamento causal, fundamentais para que, delas, Ele pudesse formar posteriormente o sutil corpo astral, de 19 elementos, e o denso corpo físico, de 16.
“Os 19 integrantes do corpo astral são mentais, emocionais e vitatrônicos.
São eles: inteligência; ego; sentimento; mente (consciência dos sentidos); mais cinco instrumentos de conhecimento, réplicas sutis dos sentidos da visão, audição, olfato, paladar e tato; mais cinco instrumentos de ação, correspondentes mentais das capacidades executivas de procriar, excretar, falar, caminhar e executar atividade manual; e mais cinco instrumentos de força vital, com poder de realizar as funções orgânicas de cristalização, assimilação, eliminação, metabolismo e circulação do sangue. Este sutil envoltório astral de 19 elementos sobrevive à morte do corpo físico, composto de 16 elementos metálicos e não-metálicos.
“Deus concebeu diferentes ideias dentro de Si Mesmo, e na tela de Seus sonhos fez a projeção delas. Assim nasceu Ma
“As 35 categorias ideativas do corpo causal encerram, elaboradas por Deus, todas as complexidades de suas 19 réplicas astrais e 16 físicas. Pela condensação de forças vibratórias, a princípio sutis e depois grosseiras, Ele produziu o corpo astral e finalmente a forma física do homem. De acordo com a lei da relatividade, segundo a qual a Simplicidade Prístina veio a ser desconcertante multiplicidade, o cosmo causal e o corpo causal são diferentes do cosmo astral e do corpo astral; o cosmo físico e o corpo físico, igualmente, diferem, em suas características, daquelas outras formas de criação.
“O corpo carnal é feito de sonhos materializados, solidificados, do Criador. Dualidades sempre caracterizam a vida na Terra: saúde e doença, prazer e dor, ganho e perda. Os seres humanos encontram limitação e resistência na matéria tridimensional. Quando a doença ou causas diversas abalam severamente o desejo de viver, intervém a morte; cai ao chão, temporariamente, o pesado sobretudo da carne. A alma, porem, continua aprisionada nos corpos astral e causal. A força de coesão que mantém unidos os três corpos é o desejo. O poder dos desejos irrealizados é a raiz de toda a escravidão do homem.
“Desejos físicos radicam-se no egoísmo e nos prazeres dos sentidos. A compulsão ou a tentação da experiência sensorial é mais poderosa que a força do desejo referente a apegos astrais e percepções causais.
“Desejos astrais concentram-se em prazeres de tipo vibratório. Os seres astrais deliciam-se com a etérea música das esferas e extasiam-se com a visão do universo inteiro criado como expressão inesgotável de luz cambiante. Também cheiram, saboreiam e tocam a luz. Assim, seus desejos relacionam-se com seu poder de condensar todos os objetos e experiências em formas de luz ou em pensamentos condensados ou sonhos.
“Desejos causais são realizações do intelecto. Os seres quase livres, alojados apenas no corpo causal, vêem o cosmo inteiro como projeções das ideias - sonhos de Deus; tudo experimentam em puríssimo pensamento.
Consideram o gozo de sensações físicas e deleites astrais, por isso, grosseiros e sufocantes para a requintada sensibilidade da alma. Os seres causais realizam seus desejos, materializando-os instantaneamente. As almas que se cobrem somente com o delicado véu do corpo causal, podem materializar universos, à semelhança do Criador. Tendo todos os mundos uma só textura, a do sonho cósmico, uma alma, na diáfana veste causal, tem vastos poderes de realização.
“Sendo invisível por natureza, a alma só pode ser percebida pela presença de seu corpo ou corpos. A mera presença de um corpo significa que sua existência se tornou possível devido a desejos irrealizados.
“Enquanto a alma do homem se encontra encerrada em um, dois, ou três frascos corporais, tampados hermeticamente com as rolhas da ignorância e dos desejos, não pode mergulhar no oceano do Espírito.
Destruído o denso receptáculo físico pelo martelo da morte, seus dois outros invólucros - o astral e o causal - ainda persistem e impedem que a alma se una, com absoluta consciência, à Vida Onipresente. Quando se alcança, através da sabedoria, a ausência do desejos, seu poder desintegra os dois vasos remanescentes. A diminuta alma do homem emerge, livre afinal, unificada com a Amplidão Imensurável.”
Pedi a meu divino guru que me desse maiores esclarecimentos sobre a superior e misteriosa esfera causal.
“- O mundo causal é indescritivelmente sutil - respondeu ele. Para entendê-lo, o homem teria de possuir poderes de concentração tão extraordinários que o habilitariam a fechar os olhos e visualizar, como se existissem unicamente em ideias, os cosmos astral e físico em toda a sua vastidão: o aeróstato luminoso com sua sólida barquinha. Se, por meio desta concentração sobre-humana, ele pudesse reconverter em ideias puras esses dois cosmos, com todas as suas complexidades, alcançaria então o mundo causal: a fronteira de fusão entre a mente e a matéria. Ali, percebem-se todas as coisas criadas - sólidos, líquidos, gases, eletricidade, energia, os seres todos: deuses, homens, animais, plantas, bactérias, como formas de consciência; exatamente como um homem, ao fechar os olhos, percebe que ele existe, apesar de seu corpo ser invisível aos seus olhos físicos, uma presença mental, uma ideia apenas.
“Tudo o que um ser humano apenas imagina, um ser causal converte em realidade. Um homem dotado de grande imaginação e inteligência é capaz - em sua mente, apenas - de saltar de planeta em planeta, de deixar-se cair interminavelmente num abismo de eternidade, de subir como um foguete ao pálio de galáxias, e de incidir como um holofote sobre as vias-lácteas e os espaços constelados, Os seres do mundo causal, porém, gozam de liberdade muito maior: projetam seus pensamentos, objetivando-os instantaneamente, em esforço, sem qualquer obstrução material ou astral, e sem limitação cármica.
“Os seres causais sabem, por experiência própria, que o cosmo físico não se compõe primordialmente de elétrons, nem o cosmo astral se constitui basicamente de vitatrons, mas, em realidade, ambos se originam de diminutas partículas do pensamento de Deus, fendidas e fragmentadas por maya, a lei da relatividade que intervém para separar, aparentemente, a criação de seu Criador.
“No mundo causal, as almas se reconhecem umas às outras como fragmentos individualizados do Espírito beatífico; seus objetos pensados são os únicos que as rodeiam. Os seres causais percebem que a diferença entre seus corpos e pensamentos é uma ideia, simplesmente. Assim como o homem, fechando os olhos, pode visualizar uma ofuscante luz branca ou uma névoa azul desbotada, os seres causais também, por intermédio exclusivo de seu pensamento, enxergam, ouvem, cheiram, saboreiam e apalpam; eles criam tudo, ou tudo dissolvem, pelo poder de sua mente cósmica.
“Tanto a morte como o renascimento no mundo causal ocorrem em pensamento. O alimento delicioso dos seres causais é um só, a ambrosia do conhecimento eternamente novo. Bebem dos mananciais de paz, vagam pelo solo sem trilhas das percepções, nadam no oceano sem praias da beatitude. Oh, contemple! Seus brilhantes corpos-pensamentos passam zunindo vertiginosamente por trilhões de planetas criados pelo Espírito, por recentes borbulhas de universos, por moradas estelares de sábios, e por sonhos espectrais de áureas nebulosas, no seio azul-celeste do Infinito! “Muitos seres permanecem durante milhares de anos no cosmo causal.
Então, depois de êxtases progressivamente mais profundos, a alma se libera do pequeno corpo causal e incorpora-se à imensidão do cosmo causal.
Todos os estanques remoinhos de ideias, as ondas particularizadas de poder, amor, vontade, alegria, paz, intuição, calma, autodomínio e concentração, fundem-se no inesgotável Oceano de Beatitude. Não mais a alma fruirá sua ventura como onda individualizada de consciência; agora mergulha no Oceano Cósmico único, na totalidade das ondas - e é riso eterno, comoção, pulsação perene.
“Quando uma alma rompe o casulo dos três corpos, escapa para sempre à lei da relatividade, e converte-se no inefável Sempre-Existente.
Eis, a borboleta da Onipresença, com estrelas e luas e sóis rebrilhando em suas asas! A alma expandida no Espírito paira sozinha na região da luz sem luz, da treva sem treva, do pensamento sem pensamento; inebriada com seu êxtase beatífico, imersa no mesmo sonho de Deus, o da criação cósmica.”
Uma alma livre! - exclamei com reverência.
Quando uma alma se livra, finalmente, das três ânforas de ilusões corpóreas - prosseguiu o Mestre - unifica-se com o Infinito sem qualquer perda de individualidade. Cristo conquistara sua liberdade derradeira, antes mesmo de nascer como Jesus. Em três etapas de seu passado, simbolizadas aqui na Terra pelos três dias de morte e ressurreição, ele alcançara o poder absoluto de subir aos céus em Espírito.
“O homem não desenvolvido submete-se a incontáveis encarnações terrestres, astrais e causais, a fim de desprender-se de seus três corpos. Um mestre que conquista a liberdade final pode escolher, se há de voltar à Terra como profeta, para ajudar outros seres humanos a regressarem a Deus, ou se, como eu, há de residir no cosmo astral. Lá, um redentor carrega, em parte, o peso do carma dos habitantes e assim os ajuda a abreviar seu ciclo de reencarnações no cosmo astral, a fim de partirem definitivamente para as esferas causais Ou, então, uma alma liberada pode entrar no mundo causal para ajudar seus habitantes a encurtarem seu prazo no corpo causal e assim conquistarem a Liberdade Absoluta.”
- Mestre ressurrecto, quero saber mais a respeito do carma que obriga as almas a regressarem aos três mundos. - Eu poderia ouvir meu Mestre onisciente, pensei, por toda a eternidade. Nunca em sua vida terrena eu fora capaz, em tão pouco tempo, de assimilar tanto de sua sabedoria. Agora, pela primeira vez, eu obtinha percepção clara e definitiva das casas enigmáticas no tabuleiro de xadrez da vida e da morte.
“- O carma físico, ou seja, os desejos do homem, devem ser completamente esgotados antes que se torne possível sua residência permanente nos mundos astrais - esclareceu meu guru com sua voz emocionante. - Dois tipos de moradores vivem nas esferas astrais. Os que ainda possuem carma físico insatisfeito e devem, por isso, reabitar um corpo denso a fim de saldar suas dívidas cármicas, classificam-se, após a morte física, mais como visitantes temporários do mundo astral que seus moradores permanentes.
“Após a morte astral, seres que não expiaram seu carma físico, não têm permissão de entrar na excelsa esfera causal das ideias cósmicas, mas estão obrigados a viagens de ida e volta entre os mundos astrais e físicos, alternativamente conscientes de seu corpo físico de 16 elementos grosseiros e de seu corpo astral de 19 elementos sutis. Contudo, uma criatura não-desenvolvida, depois de cada perda de seu corpo terreno, permanece a maior parte do tempo no profundo estupor do sono da morte e dificilmente tem consciência do formoso reino astral. Terminado o descanso astral, regressa ao plano físico para novas lições, acostumando-se gradualmente, através de repetidas viagens, aos mundos de sutil textura astral.
“Ao contrário, residentes normais, isto é, há longo tempo no universo astral, livres para sempre de todos os anseios materiais, já não precisam regressar às vibrações grosseiras da Terra. Eles só têm carma astral ou causal para esgotar. Na morte astral, transferem-se para o mundo causal infinitamente mais sutil e delicado. No fim de certo prazo, determinado pela lei cósmica, estes seres evoluídos voltam, então, a Hiranyaloka ou a um planeta astral de idêntica elevação onde renascem em novo corpo etéreo para redimir os remanescentes de seu carma astral.
“Meu filho, agora você pode compreender melhor que ressuscitei, por decreto divino - continuou Sri Yuktéswar - como um redentor de almas reencarnadas no astral, especialmente das que baixam da esfera causal e não das que sobem da Terra. Estas últimas, se ainda conservam vestígios de carma físico, não sobem aos mais altos planetas astrais como Hiranyaloka.
“Muitos habitantes terrestres não aprenderam, através do olho desenvolvido pela meditação, a apreciar as alegrias e vantagens superiores da existência astral e, por isso, após a morte, desejam regressar aos prazeres limitados e imperfeitos da Terra; assim também muitos seres astrais, durante a normal desintegração de seus corpos sutis, não chegam a vislumbrar o excelso estado de alegria espiritual no mundo das ideias; demorando-se em recordar a felicidade astral mais grosseira e de vistosos adornos, eles anseiam revisitar o paraíso astral. Esses seres devem redimir-se do pesado carma astral que possam obter, após a morte astral, residência permanente no mundo causal, o das ideias, este, aliás, tão superficialmente secionado de sua origem, o Criador.
“Só quando um ser não deseja mais experiências no cosmo astral, tão agradável à vista, e já não sente a tentação de voltar a ele, é que permanece no mundo causal. Completando ali a obra de redimir-se do carma causal ou sementes dos desejos passados, a alma aprisionada faz saltar a última das três rolhas da ignorância e, emergindo da derradeira ânfora do corpo causal, mistura-se ao Eterno.”
Do livro: Autobiografia de um Yogue Contemporâneo- Paramahansa Yogananda
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domingo, 25 de maio de 2014
Rebelião Mesmo É A Compreensão
Osho dizia que não há maior êxtase do que se conhecer a si mesmo, e é nessa linha que ele conduz o seu ensinamento através dessas perguntas e respostas...Pergunta: Osho, freqüentemente eu ouço você falar sobre rebelião. Os padres e as freiras e os pais que definiram minha educação, agora estão velhos. A maioria já morreu. Parece que não vale a pena rebelar-me contra aquelas pessoas velhas e desamparadas.
Agora, eu mesmo sou o padre e as doutrinas. Eu sinto que me rebelar contra qualquer coisa do lado de fora de mim é um desperdício de tempo e esse não é exatamente o ponto. Isso torna a situação muito mais frustrante e embaraçosa. Parece que algo dentro de mim tem que se rebelar contra algo dentro de mim. Eu aceito que não é o meu ser essencial - a face original - que tem que se rebelar. É o self treinado - o subterfúgio. Mas, para me rebelar, eu tenho que usar esse "self" pois ele é o único que eu conheço. Como pode o subterfúgio se rebelar contra o subterfúgio?
Resposta: "Rebelião, mesmo, não é luta, é pura compreensão. A rebelião da qual eu tenho falado não tem que ser feita contra ninguém. Ela não é na verdade uma rebelião, mas somente uma compreensão. Não, você não tem que lutar contra os padres, as freiras e os pais externos. E você não tem também que lutar contra os padres, freiras e pais internos. Porque, internos ou externos, eles estão separados de você. O externo está separado, e o interno também está separado. O interno é apenas o reflexo do externo.
Você está perfeitamente certo ao dizer: 'parece que não vale a pena rebelar-me contra aquelas pessoas velhas e desamparadas'. Eu não estou dizendo a você para se rebelar contra aquelas pessoas velhas e desamparadas. E eu também não estou dizendo a você para se rebelar contra tudo o que eles incutiram em você. Se você se rebelar contra sua própria mente, isso será uma reação, não uma rebelião. Note a diferença. A reação surge a partir da raiva; a reação é violenta. Numa reação você se torna cego de raiva. Numa reação você passa para o outro extremo.
Por exemplo, se os seus pais ensinaram você a ficar limpo e tomar um banho todo dia, e mais isso e mais aquilo, e se foi ensinado a você desde pequenino que a limpeza está próxima de Deus; o que você fará, se um dia você começar a se rebelar? Você vai parar de tomar banho. Você vai começar a viver imundo.
Isso é o que os Hippies seguiram fazendo ao redor do mundo. Eles pensavam que isso era rebelião. Eles passaram para o outro extremo. A eles foi ensinado que a limpeza era divina; agora eles estão pensando que a imundície é divina, que a sujeira é divina. De um extremo, eles passaram para o outro. Isso não é rebelião. Isso é raiva, isso é ira, isso é desforra.
Enquanto você estiver reagindo aos seus pais e às suas idéias de limpeza, você ainda está apegado àquelas mesmas idéias. Elas ainda estão dentro de você, elas ainda têm um poder sobre você, elas ainda são dominante, elas ainda são decisivas. Elas ainda decidem a sua vida, embora você tenha se tornado o oposto delas; mas elas decidem. Você não pode tomar um banho tranqüilo, pois você se lembrará de seus pais que o forçavam a tomar banho todos os dias. Agora você não quer tomar mais banho, de jeito algum.
Quem está dominando você? Ainda os seus pais. O que eles fizeram com você, você ainda não foi capaz de desfazer. Isso é uma reação, isso não é rebelião.
Então o que é rebelião? Rebelião é pura compreensão. Você simplesmente compreende qual é o caso. Então você não fica mais obcecado por limpeza, e isso é tudo. Isso não quer dizer que você vá se tornar sujo. A limpeza tem sua própria beleza. Mas a pessoa não deve ficar obcecada por ela, porque obsessão é doença.
Por exemplo, uma pessoa lavando suas mãos continuamente por todo o dia - isso é neurose. Lavar as mãos não é uma coisa ruim, mas lavar suas mãos por todo o dia é loucura. Mas se, de lavar as mãos por todo o dia, você passar a não lavá-las; se você parar de lavá-las para sempre, então de novo você terá caído na armadilha, num outro tipo de loucura, o tipo oposto.
Um homem de compreensão lava suas mãos quando é necessário, ele não está obcecado com isso. Ele é simplesmente espontâneo e natural a respeito disso. Ele vive inteligentemente e isso é tudo.
Mas, se você não prestar muita atenção nos pequenos detalhes, não verá muita diferença entre obsessão e inteligência . Por exemplo, se você cruzar com uma cobra no caminho e você der um salto, naturalmente você deu um salto devido ao medo. Mas esse medo é inteligência. Se você não for inteligente, for estúpido, você não vai pular para fora do caminho e, desnecessariamente, estará colocando a sua vida em perigo. A pessoa inteligente irá pular imediatamente - a cobra está ali. Isso é devido ao medo, mas esse medo é inteligente, positivo, está a serviço da vida.
Mas esse medo pode se tornar obsessivo. Por exemplo, você pode não querer sentar dentro de uma casa. Quem sabe? Ela pode desmoronar. E sabe-se que casas se desmoronam, isso é verdade. Algumas vezes, elas têm desmoronado; você não está absolutamente errado. Você pode argumentar: 'se outras casas desmoronaram, por que não esta?' Agora você está com medo de viver sob qualquer teto - ele pode desabar. Isso é uma obsessão. Isso agora se tornou não-inteligente.
É bom estar alerta de que você está comendo um alimento limpo. Mas eu conheço um homem, um grande poeta... Certa vez ele viajava comigo. Sua esposa me contou, 'Agora você saberá o quanto é difícil viver com esse homem.' Eu perguntei: 'Qual é o problema?'. Ela disse: 'Você vai saber por si próprio.' Ele não bebia nenhum chá, nem água, em nenhum lugar. Era muito difícil, porque ele dizia, 'quem sabe se não existem germes no chá ou na água?' Ele não comia em nenhum hotel. Isso se tornou um tal problema... E nós tínhamos que viajar trinta e seis horas de trem e ele estava morrendo de fome e com sede e ele não bebia água.
Eu tentei de toda maneira persuadi-lo. Ele dizia, 'Não. Quem sabe? E se houver germes? É melhor,' dizia ele, 'passar fome por trinta e seis horas e não comer. Eu não vou morrer, não se preocupe,' Mas eu podia ver que o homem estava torturando a si mesmo. Era um verão muito quente e ele estava com sede. E eu tentava em toda estação - eu trazia soda, trazia coca-cola, eu trazia tudo que podia. Mas ele dizia, 'Esqueça isso - eu não posso tomar nada a não ser que eu esteja absolutamente seguro. Qual é a segurança? Qual é a garantia?'
E ele não estava absolutamente errado, isso é verdade. Você conhece a Índia, e você conhece as estações indianas e os hotéis indianos. Você sabe. Ele está certo, mas agora ele está levando essa lógica longe demais.
Então eu disse a ele, 'Pare de respirar também!' Ele disse: 'Por que?' Eu disse: 'Quem sabe, qual é a garantia? Pare de respirar! Ou beba esta água ou pare de respirar!' Então ele olhou para mim assustado, porque eu estava realmente raivoso. 'Por que você segue respirando? Quem sabe, podem existir germes, existem germes em toda parte.'
Ele tomou uma xícara de chá, mas a maneira como ele tomou...! Sua face... Eu não consigo esquecer. Já se passaram dez anos, mas eu não consigo esquecer a sua face - era como se eu estivesse matando aquele homem! Eu era um assassino! E ele estava obrigando-me a isso.
Na estação seguinte, ele desceu e disse, 'Eu não posso viajar com você; eu vou voltar para casa. 'Eu disse, 'Qual é o problema? 'Ele disse, 'Você estava com tanta raiva, e parecia que você ia começar a me bater ou alguma coisa assim. E você disse: Não respire mais. Como eu posso parar de respirar?' Eu disse, 'Eu só estava dando a você um argumento, que se você pode respirar, por que não beber a água? É a mesma água indiana e o mesmo ar indiano. Não há com que se preocupar.'
Ele se recusou a viajar comigo. Eu tive que viajar sozinho. Ele retornou e desde então eu nunca mais o vi.
A pessoa pode se tornar obsessiva a respeito de qualquer coisa. Qualquer coisa que pode ser inteligente dentro de certos limites, pode se tornar uma neurose se você ampliar esses limites. Reagir é passar para o outro extremo. Rebelião é uma compreensão muito profunda, compreensão profunda de um certo fenômeno. A rebelião sempre mantém você no meio, ela dá a você um equilíbrio.
Você não tem que brigar com ninguém, as freiras e os padres e os pais, externos e internos. Você não tem que brigar com ninguém, porque numa briga você nunca sabe onde vai parar. Numa briga a pessoa perde a consciência; numa briga a pessoa passa logo para os extremos. Você pode observar isso.
Por exemplo, você está sentado com seus amigos e, no meio da conversa, você diz, 'Aquele filme que eu vi ontem não vale a pena ser visto.' Isso pode ter sido um comentário à-toa, mas então alguém diz, 'Você está errado. Eu também vi o filme. Ele é um dos mais belos filmes que já foram feitos.' Você foi provocado, desafiado; e agora você se enche de argumentos. Você diz, 'ele não tem valor, é a coisa mais sem valor que existe!' E você começa a criticar. E se o outro também insistir, você vai se tornar mais e mais raivoso e vai começar a dizer coisas que você nem mesmo tinha pensado a respeito. E mais tarde, se você olhar para trás e ver todo o fenômeno que aconteceu, você ficará surpreso pois quando você mencionou que o filme não valia a pena ser visto era uma afirmação muito moderada, mas com o passar do tempo você adotou argumentos e você já estava numa posição extremada. Você usou tudo que era possível, todas as palavras mais desagradáveis que você conhecia. Você condenou de toda maneira, você usou toda a sua habilidade para condenar. E você não estava com disposição para fazer isso no começo. Se ninguém tivesse contestado você, você poderia ter esquecido aquele assunto, você não iria nunca fazer aquelas afirmações pesadas.
Isso acontece - quando você começa a brigar, a tendência é você passar para os extremos.
Eu não estou ensinando você a brigar com seus condicionamentos. Compreenda-os. Torne-se mais inteligente a respeito deles. Simplesmente veja como eles dominam você, como eles influenciam o seu comportamento, como eles modelam a sua personalidade, como eles seguem atingindo você pela porta dos fundos. Simplesmente observe! Seja meditativo. E um dia, quando você tiver visto o funcionamento dos seus condicionamentos, de repente um equilíbrio será alcançado. Em sua real compreensão você estará livre.
Compreensão é liberdade, e essa liberdade eu chamo rebelião.
O verdadeiro rebelde não é um lutador; ele é um homem de compreensão. Ele simplesmente cresce em inteligência, não em raiva, não em ira. Você não consegue transformar a si mesmo tendo raiva de seu passado. Dessa maneira, o passado irá continuar dominando você, o passado continuará sendo o centro de seu ser, o passado permanecerá o seu foco. Você permanecerá focado, preso ao passado. Você poderá passar para o outro extremo, mas você ainda continuará preso ao passado.
Fique alerta quanto a isso! Esse não é o caminho de um meditador, esse não é o caminho de um sannyasin. Sannyas é rebelião - rebelião através da compreensão. Simplesmente compreenda.
Você passa ao lado de uma igreja e um profundo desejo surge em você de ir ao interior e orar. Ou você passa ao lado de um templo e inconscientemente você se curva diante de uma divindade do templo. Simplesmente observe. Por que você está fazendo essas coisas? Eu não estou dizendo para brigar. Eu estou dizendo para observar. Por que você se curva diante do templo? Porque foi ensinado a você que esse é o templo certo, que a divindade desse templo é a imagem verdadeira de Deus. Você sabe? Ou isso foi simplesmente dito a você e você continua seguindo isso? Observe!
Vendo isso, que você está simplesmente repetindo um programa que foi dado a você, que você está simplesmente repetindo um mesmo disco em sua cabeça, que você está sendo um autômato, um robô, você irá parar de se curvar. Não que você tenha que fazer qualquer esforço, você simplesmente irá se esquecer de tudo a respeito disso. Isso irá desaparecer, isso abandonará você sem deixar qualquer traço.
Quando você reage, o traço permanece lá. Mas, na rebelião não fica nenhum traço; é liberdade completa.
Você tem simplesmente que ser um observador. E o observar é a sua face original; aquele que observa é a sua consciência verdadeira. Aquilo que é observado é o condicionamento. Aquele que observa é a fonte divina de seu ser.
OSHO - The Secret
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domingo, 18 de maio de 2014
Dinheiro e Busca Interior

Estamos vendo o tempo todo na mídia uma orquestração insana que mistura todo o tipo de coisa que desestabiliza o frágil equilíbrio emocional do ser humano. É uma mistura de apreensão turbinada pelos ódios, apegos e ignorância. Ou é isso, ou o chamado “entretenimento”, que parece existir justamente para que o prato aparentemente ruim da balança não penda para o fundo do poço. O entretenimento parece ser uma salvação pois nos faz esquecer a apreensão. Não é.
Infelizmente o chamado entretenimento não é o prato contrário. Os dois são da mesma natureza. Os dois pratos da balança são produzidos para tirar a possibilidade da vítima, no caso nós, de intentar fazer descer a Presença. Um ajuda o outro na mesma tarefa inglória que é nos adormecer. Aliás a palavra nós é bem adequada. É o que somos: uns nós... cegos (rsrs). Enquanto escrevia, lembrei de uma frase de quem considero o maior humorista brasileiro, o gaúcho Barão de Itararé, pseudônimo de Apparício Torelly, jornalista e escritor..., que é bem na linha desse humor esculhambado. A frase dele é “O Brasil é feito por nós. Agora só falta desatar os nós”. Quem quiser ler um humor finíssimo procure-o no Google: Barão de Itararé.
Mas voltando ao assunto, o maior impedimento que existe para o ser humano evoluir é a preocupação constante, acordado ou dormindo, com as coisas do seu dia a dia, como dinheiro, a inflação, o futuro e o passado, a segurança, o trânsito, a polícia, os políticos, a corrupção, as drogas, a saúde, os filhos, os pais, a casa (ou a falta dela), a injustiça da Justiça, a violência... dos quais o mais agudo, e que permeia tudo, é o dinheiro. Para contrabalançar, temos então do outro lado a novela, a telinha, o teatro, o cinema, o desfile, o show, a balada, o facebook, o jogo, a Copa.
Os dois pratos da balança acionam o mesmo mecanismo perverso do pensamento, ou o “falar interno”, e pronto: não conseguimos o contato com a Presença, nem o sentir o corpo, as emoções e as energias circulando. Não conseguimos Lucidez.
Não há muita saída. Ou a gente fica cego de preocupação principalmente com o dinheiro e as posses, ou adormece com o entretenimento. É pau puro. Por isso os budistas chamam este de planeta de sofrimento.
Esse tema é exaustivamente tratado por todos os chamados mestres de todas as tradições sem exceção, porque temos que acordar. Ressalvadas as diferentes abordagens para tratar o assunto, o objetivo é o mesmo: estar presente na ação no mundo (enquanto ainda estamos vivos), independentemente das dificuldades que jogam em sentido contrário. Depois desta vida, não há garantias.
Segundo a visão bíblica, o início da preocupação com a sobrevivência, da qual o dinheiro é a versão moderna, foi dado pelo anjo com a espada expulsando Adão e Eva do paraíso terrestre, o lugar onde se vivia conectado com a Unidade, ou o Universo, ou Deus, como se queira chamar. A frase foi “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar." Gênesis 3:19.
Estava plantada a semente do trabalho duro sobre a terra para se sobreviver, da qual o ganhar dinheiro é uma decorrência da sociedade moderna dada a forma como ela se configurou, e elegeu o dinheiro como fator de segurança.
Mas como a coisa sempre pode piorar, além da necessidade de trabalho para sobreviver, nós seres humanos já saímos de fábrica com uma estrutura de ego que tem uma característica perversa, senão diabólica, que é o sentimento de “primeiro, eu”, graças a uma composição mental/emocional influenciada por quase todos os chamados sete pecados capitais. Esta é a chave para a competição desenfreada, para a exploração do outro.
Piorando mais, temos o resíduo da nossa formação em casa e na escola, e o fato de carregarmos o carma de “quem eu já era antes”. Um tipo de dna, se é que se pode falar assim.
O resultado fatal é “dane-se o outro”, ou seja a exploração do seu semelhante, sempre que possível, para se obter os resultados do que o ego acha conveniente e seguro para a sua manutenção. O grande problema é que o dito cujo ego nunca se acha seguro, então sempre precisa de mais. No caso específico do brasileiro ele além disso herdou dos nobres portugueses o "dna do fidalgo" (que nos conquistou via índios, e nos escravizou via negros) de “viver com o trabalho e suor do outro”...
O dinheiro é mais que apenas dinheiro. Ele representa uma energia que tem que ser entendida, pois representa um papel crucial na vida das pessoas e ao mesmo tempo o seu significado oculto tem que ser trabalhado como um requisito para se harmonizar a vida material concreta com a Presença no Agora, necessária para a evolução. Não é brincadeira. Eu,particularmente, tenho sofrido um aprendizado dramático com isso e sinto que se entendermos o dinheiro o caminho para a evolução fica menos difícil. A concretude inflexível é um caminho eficiente para a evolução.
Na postagem sobre Miyamoto Musashi, o grande mestre samurai, ele dá os 9 pontos da sua mestria, dos quais a gente deve aplicar quatro deles à questão do dinheiro e bens materiais:
5- Aprenda a distinguir ganho de perda nos assuntos materiais.
6- Desenvolva o julgamento intuitivo e a compreensão de tudo.
7- Perceba as coisas que não podem ser vistas.
8- Preste atenção até ao que parece não ter importância.
A gente se detém muito pouco sobre a natureza dele, mas afinal, o que é o dinheiro?
Desde o seu surgimento como um aspecto significador do Valor que se dá às coisas, ele é considerado um instrumento de avaliação para medir e portanto relacionar e comparar as trocas materiais entre pessoas físicas, entidades, estados nacionais, etc. Então está presente em todos os aspectos corriqueiros da nossa vida, o que exige uma grande dose de atenção para nos relacionarmos com ele. Temos que aprender o que é o dinheiro, o que nós somos como “seres humanos”, e o que é esta sociedade que criamos baseada no sistema monetário.
Infelizmente os teóricos da economia, como Adam Smith e outros, faziam parte da elite dominante e nos venderam um peixe e entregaram outro.
Como diz o movimento Zeitgeist, “O Homem ainda é o mesmo de antes. Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. Ele construiu uma sociedade nestes termos. Não é uma demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.
A sociedade de hoje é formada por várias instituições. De instituições políticas, instituições legais, instituições religiosas a instituições de classe social, valores familiares, e especialização profissional. É óbvia a profunda influência que essas estruturas tradicionais possuem sobre a formação de nossas compreensões e perspectivas. Entretanto, de todas as instituições sociais nas quais nascemos, que nos guiam e condicionam, parece não haver nenhum sistema tão subestimado e mal compreendido como o sistema monetário. Tomando proporções quase religiosas, a instituição monetária estabelecida existe como uma das formas mais incontestadas de fé que existem. Como o dinheiro é criado, as políticas que o governam, e como ele realmente afeta a sociedade, são interesses desconhecidos da grande maioria da população. Em um mundo onde 1% da população possui 40% da riqueza do planeta, onde 34 mil crianças morrem diariamente de pobreza e doenças evitáveis, e onde 50% da população vive com menos de 2 dólares por dia... uma coisa está clara: Algo está muito errado.
Estejamos cientes disso ou não, o sangue nas veias de todas as nossas instituições estabelecidas, e portanto da sociedade em si, é o dinheiro. Logo, entender essa instituição de política monetária é essencial para entender porque nossas vidas são como são. Infelizmente, economia é um assunto freqüentemente visto com confusão e tédio. Sequências infinitas de termos financeiros, aliadas a cálculos intimidadores, fazem as pessoas rapidamente desistir de tentar entendê-la. No entanto, o fato é:
A complexidade associada ao sistema financeiro é somente uma máscara criada para ocultar uma das estruturas mais socialmente estagnadoras que a humanidade já tolerou.”
Se quisermos entender essa falsa “complexidade”, temos que reduzi-la aos seus pontos mais simples.
Qualquer boa dona de casa entende a verdadeira economia, que pode (e deve) ser aplicada por qualquer nação:
• Pode-se tentar sempre ganhar mais, mas não se pode gastar mais do que se ganha indefinidamente.
• Não se pode criar valor a partir de fatos que vão ocorrer no futuro. O futuro não existe.
• Só se cria valor real a partir de recursos
• Não se cria valor real a partir de crédito. Crédito vem da palavra acreditar, crer. É uma abstração.
• Não se deve usar dois, se é necessário só um.
• Só se gera filho se se pode sustentá-lo.
• Não se pode destruir recursos, sejam eles quais forem.
Os dirigentes das famílias, empresas, países e das economias deveriam seguir esses pontos. Tudo estaria melhor.
Vamos falar mais disso futuramente, mas quem quiser pode já ir vendo (se não viu ainda) o vídeo Zeitgeist Addendum, no youtube. Uma pérola.Está tudo explicado lá.
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domingo, 11 de maio de 2014
A Impecabilidade e o Poder Pessoal
A impecabilidade é um mistério. Em pelo menos 14 postagens falamos dessa prática que é o cerne do trabalho do Homem de Conhecimento, como eram chamados os antigos toltecas que trabalhavam sobre si mesmos para atingirem a Terceira Atenção. Um dos subprodutos nobre deste trabalho, a caminho da evolução, era a obtenção do Poder Pessoal, mas isso não é a finalidade da impecabilidade. Don Juan ensinou isso a Carlos Castaneda.
Para se compreender o cerne da questão as tradições explicam que há uma evidência clara de que o poder pessoal depende do exercício constante e disciplinado da impecabilidade, que por sua vez não tem exatamente a mesma conotação do termo usado na linguagem do homem comum, culturalmente baseada no conceito de pecado.
Impecabilidade é o uso correto e otimizado da energia.
Eu uso mal a energia quando me identifico com a ação, quando ajo com pressa, quando não relaxo, quando julgo, quando falo mal, quando tenho inveja, me exibo, em resumo quando me deixo levar por um dos chamados 7 pecados capitais, usando-se um linguajar cristão. Então a Impecabilidade é o caminho para estar fora disso.
O tema é extenso e denso. Então, como um recurso mais adequado à falta de tempo das pessoas, fizemos um conjunto de frases da obra de Castaneda, que dão uma visão do tema, mas é apenas um indicativo, um verniz e não a prática em si. O ideal é ler a obra de Castaneda. Vamos lá:
• A confiança em si significa saber algo com certeza; a humildade significa ser impecável em suas ações e sentimentos.
• Isso é ser impecável?
- Não. Tem de fazer mais que isso. Você tem de se esforçar ao máximo, o tempo todo.
• "A impecabilidade é fazer o máximo em tudo que você empreender."
• A chave para todos esses assuntos de impecabilidade é o sentido de você não ter tempo.
• O que o guerreiro precisa mesmo a fim de ser um espreitador impecável é ter um propósito.
• A impecabilidade era não somente a liberdade, como ainda era o único meio de se espantar a forma humana.
• Uma vida impecável, que era, conforme ele lhe assegurara, o único meio dela perder a forma humana
• A impecabilidade do guerreiro é deixar os outros como são e apoiá-los no que forem
• A outra face é a mais difícil de ser alcançada quando os sonhadores focalizam sua segunda atenção nos itens que não são deste mundo, tais como a viagem ao desconhecido. Os guerreiros precisam de impecabilidade total para alcançar este lado.
• A impecabilidade não é nada mais do que o uso apropriado da energia
• Economizei energia, e isso me torna impecável.
• Os guerreiros elaboram listas estratégicas. Anotam tudo o que fazem. Depois decidem quais dessas coisas podem ser mudadas de modo a permitir que poupem parte da energia que despendem.
• Uma das primeiras preocupações dos guerreiros é libertar aquela energia para poder encarar o desconhecido com ela continuou Dom Juan. - A ação de recanal
izar aquela energia é a impecabilidade.
• Impecabilidade é a única coisa que conta no caminho do conhecimento. Os guerreiros impecáveis podem ver mundos aterrorizantes e, entretanto, no momento seguinte contar uma piada, rindo com amigos ou estranhos.
• Uma vida de impecabilidade leva inevitavelmente ao sentido de sobriedade, e este por sua vez leva ao deslocamento do ponto de aglutinação.
• Tudo o que é necessário é a impecabilidade, energia, e isto se inicia com um ato singular, que deve ser deliberado, preciso e constante. Se esse ato é repetido por tempo suficiente, a pessoa adquire um sentido de intenção inflexível, que pode ser aplicado a qualquer outra coisa. Se isso é realizado, o caminho está aberto. Uma coisa levará a outra até que o guerreiro descubra seu potencial completo.
• "Assim, em tudo e por tudo, o procedimento para se chegar ao corpo sonhador é a impecabilidade em nossa vida diária."
• Você não pode lembrar-se porque ainda não domina a vontade. Você necessita de uma vida de impecabilidade e de um grande excedente de energia, então a vontade poderá liberar essas memórias.
• Encontrar-se em um estado impecável de ser é estar livre de suposições racionais e medos racionais
• Impecabilidade, como afirmei tantas vezes, não é moralidade. Apenas se parece à moralidade. A impecabilidade é simplesmente o melhor uso de nosso nível de energia. Claro que exige frugalidade, simplicidade, inocência; e, acima de tudo, exige falta de auto-reflexão. Tudo isso a faz soar como um manual de vida monástica, mas não é.
• "Segundo os feiticeiros, para comandar o espírito, ou seja, comandar o movimento do ponto de aglutinação, o indivíduo necessita de energia. A única coisa que armazena energia para nós é nossa impecabilidade.
• Seja impecável e terá a energia para atingir o lugar do conhecimento silencioso.
• Ser impecável significa acertar sua vida, objetivando reforçar suas decisões, e em seguida dar muito mais do que o máximo de si para realizar essas decisões.
• A única liberdade que os guerreiros têm é a de se comportar impecavelmente.
• A impecabilidade não é apenas liberdade; é a única maneira de endireitar a forma humana.
• A impecabilidade começa com um único ato, que tem de ser deliberado, preciso e fundamentado. Se esse ato é repetido pelo tempo suficiente, adquire-se o senso de um intento inflexível, que pode ser aplicado a qualquer outra coisa. Se isso é realizado, o caminho é claro. Uma coisa leva à outra até que o guerreiro perceba todo o seu potencial
• A impecabilidade não tem nada a ver com uma posição mental, uma crença ou algo pelo estilo. É conseqüência da economia da energia.
• "A impecabilidade nasce de um equilíbrio delicado entre nosso ser interno e as forças do mundo exterior. E uma realização que requer esforço, tempo, dedicação, e estar permanentemente atento ao objetivo, de forma que o propósito final não se dissipe. Mas, sobretudo, requer persistência. A persistência derrota a apatia, é tão simples quanto isso
• Fazer as coisas com impecabilidade é fazer tudo o que for humanamente possível e um pouco mais.
Para se compreender o cerne da questão as tradições explicam que há uma evidência clara de que o poder pessoal depende do exercício constante e disciplinado da impecabilidade, que por sua vez não tem exatamente a mesma conotação do termo usado na linguagem do homem comum, culturalmente baseada no conceito de pecado.
Impecabilidade é o uso correto e otimizado da energia.
Eu uso mal a energia quando me identifico com a ação, quando ajo com pressa, quando não relaxo, quando julgo, quando falo mal, quando tenho inveja, me exibo, em resumo quando me deixo levar por um dos chamados 7 pecados capitais, usando-se um linguajar cristão. Então a Impecabilidade é o caminho para estar fora disso.
O tema é extenso e denso. Então, como um recurso mais adequado à falta de tempo das pessoas, fizemos um conjunto de frases da obra de Castaneda, que dão uma visão do tema, mas é apenas um indicativo, um verniz e não a prática em si. O ideal é ler a obra de Castaneda. Vamos lá:
• A confiança em si significa saber algo com certeza; a humildade significa ser impecável em suas ações e sentimentos.
• Isso é ser impecável?
- Não. Tem de fazer mais que isso. Você tem de se esforçar ao máximo, o tempo todo.
• "A impecabilidade é fazer o máximo em tudo que você empreender."
• A chave para todos esses assuntos de impecabilidade é o sentido de você não ter tempo.
• O que o guerreiro precisa mesmo a fim de ser um espreitador impecável é ter um propósito.
• A impecabilidade era não somente a liberdade, como ainda era o único meio de se espantar a forma humana.
• Uma vida impecável, que era, conforme ele lhe assegurara, o único meio dela perder a forma humana
• A impecabilidade do guerreiro é deixar os outros como são e apoiá-los no que forem
• A outra face é a mais difícil de ser alcançada quando os sonhadores focalizam sua segunda atenção nos itens que não são deste mundo, tais como a viagem ao desconhecido. Os guerreiros precisam de impecabilidade total para alcançar este lado.
• A impecabilidade não é nada mais do que o uso apropriado da energia
• Economizei energia, e isso me torna impecável.
• Os guerreiros elaboram listas estratégicas. Anotam tudo o que fazem. Depois decidem quais dessas coisas podem ser mudadas de modo a permitir que poupem parte da energia que despendem.
• Uma das primeiras preocupações dos guerreiros é libertar aquela energia para poder encarar o desconhecido com ela continuou Dom Juan. - A ação de recanal
• Impecabilidade é a única coisa que conta no caminho do conhecimento. Os guerreiros impecáveis podem ver mundos aterrorizantes e, entretanto, no momento seguinte contar uma piada, rindo com amigos ou estranhos.
• Uma vida de impecabilidade leva inevitavelmente ao sentido de sobriedade, e este por sua vez leva ao deslocamento do ponto de aglutinação.
• Tudo o que é necessário é a impecabilidade, energia, e isto se inicia com um ato singular, que deve ser deliberado, preciso e constante. Se esse ato é repetido por tempo suficiente, a pessoa adquire um sentido de intenção inflexível, que pode ser aplicado a qualquer outra coisa. Se isso é realizado, o caminho está aberto. Uma coisa levará a outra até que o guerreiro descubra seu potencial completo.
• "Assim, em tudo e por tudo, o procedimento para se chegar ao corpo sonhador é a impecabilidade em nossa vida diária."
• Você não pode lembrar-se porque ainda não domina a vontade. Você necessita de uma vida de impecabilidade e de um grande excedente de energia, então a vontade poderá liberar essas memórias.
• Encontrar-se em um estado impecável de ser é estar livre de suposições racionais e medos racionais
• Impecabilidade, como afirmei tantas vezes, não é moralidade. Apenas se parece à moralidade. A impecabilidade é simplesmente o melhor uso de nosso nível de energia. Claro que exige frugalidade, simplicidade, inocência; e, acima de tudo, exige falta de auto-reflexão. Tudo isso a faz soar como um manual de vida monástica, mas não é.
• "Segundo os feiticeiros, para comandar o espírito, ou seja, comandar o movimento do ponto de aglutinação, o indivíduo necessita de energia. A única coisa que armazena energia para nós é nossa impecabilidade.
• Seja impecável e terá a energia para atingir o lugar do conhecimento silencioso.
• Ser impecável significa acertar sua vida, objetivando reforçar suas decisões, e em seguida dar muito mais do que o máximo de si para realizar essas decisões.
• A única liberdade que os guerreiros têm é a de se comportar impecavelmente.
• A impecabilidade não é apenas liberdade; é a única maneira de endireitar a forma humana.
• A impecabilidade começa com um único ato, que tem de ser deliberado, preciso e fundamentado. Se esse ato é repetido pelo tempo suficiente, adquire-se o senso de um intento inflexível, que pode ser aplicado a qualquer outra coisa. Se isso é realizado, o caminho é claro. Uma coisa leva à outra até que o guerreiro perceba todo o seu potencial
• A impecabilidade não tem nada a ver com uma posição mental, uma crença ou algo pelo estilo. É conseqüência da economia da energia.
• "A impecabilidade nasce de um equilíbrio delicado entre nosso ser interno e as forças do mundo exterior. E uma realização que requer esforço, tempo, dedicação, e estar permanentemente atento ao objetivo, de forma que o propósito final não se dissipe. Mas, sobretudo, requer persistência. A persistência derrota a apatia, é tão simples quanto isso
• Fazer as coisas com impecabilidade é fazer tudo o que for humanamente possível e um pouco mais.
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