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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quase morri. Voltei. Entendi. ..(3, de 10)


Viagem pelo Cosmo
“No Rio da Vida, de repente me pareceu estar sendo lançado para fora do planeta. Vi a Terra ficar para longe e o sistema solar, com todo seu esplendor, passou por mim a toda velocidade e desapareceu. Mais rápido que a velocidade da luz, eu voei através do centro da galáxia, absorvendo cada vez mais conhecimento. Aprendi que a galáxia e o Universo todo estão abarrotados das mais variadas espécies de vida. E vi muitos mundos. A boa notícia é que não estamos sós neste Universo!
À medida que viajava através do centro da galáxia, por esse fluxo de consciência, o fluxo se expandia em magnificentes ondas fractais de energia. Conglomerados de galáxias, com toda sua sabedoria ancestral, passaram por mim; foi inimaginável maravilha! Eu estava como uma criança maravilhada; um bebê no mundo da fantasia! Parecia-me que todas as criações do Universo passavam voando por mim e desapareciam num ponto de Luz. Quase imediatamente surgiu uma segunda Luz; vinha de todos os lados e era bem diferente; uma Luz composta de mais do que todas as freqüências no Universo. Novamente senti e ouvi um monte de suaves estrondos sonoros. Meu ser e minha consciência estavam se expandindo para todo o Universo holográfico, e até para além dele.
Enquanto passava pela segunda Luz, dei-me conta de que eu havia transcendido a Verdade; são as melhores palavras que posso encontrar, mas vou tentar explicar melhor. Enquanto passava pela segunda Luz eu me expandi além da primeira Luz. E me encontrei num profundo estado de quietude, além de todo e qualquer silêncio. Pude perceber o Eterno, além do infinito. Eu era o vazio; e estava na pré-criação, antes do ‘Big Bang’. Ultrapassei o começo do tempo – a primeira palavra, primeira vibração. Eu estava no centro da Criação.
Senti como se estivesse tocando a face de Deus. Não como sentimento religioso, mas simplesmente sentia estar em harmonia com a vida absoluta e com a consciência. Quando disse que pude ver ou perceber o Eterno, quis dizer que pude vivenciar a criação se gerando, sem começo nem fim. Este pensamento desafia a mente, não? Os cientistas vêem o ‘Big Bang’ como sendo o único episódio que criou o Universo. Mas vi que o ‘Big Bang’ é só um entre infinitos ‘Big Bangs’ que criam universos, simultaneamente. Em termos humanos, a imagem mais próxima disso seriam àquelas criadas pelos supercomputadores que usam equações geométricas fractais.
Os povos ancestrais sabiam disso; diziam que a Mente de Deus cria novos universos periodicamente através de Sua expiração e descriava outros através da inspiração. Esses grandes períodos ou épocas são denominados “yugas” no sânscrito; a ciência moderna os chama de ‘Big Bang’. Eu estava na consciência pura e absoluta; podia ver ou perceber todos os ‘Big Bangs’ ou ‘Yugas’, criando e descriando a si próprios… E entrei simultaneamente em todos eles. Vi que toda e qualquer criação tem o poder de criar. É difícil tentar explicar isso; eu ainda não tenho palavras”.


ATENÇÃO!: Você leu o capítulo 3 do ciclo de 10 postagens (diárias) sobre a experiência de "Quase Morri. Voltei. Entendi..."! Recomendamos ler desde o início - Introdução -  para fazer sentido. Boa leitura! 
AMANHÃ: Capítulo 4 - "Toda a criação tem o poder de criar"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Big Bang e a Sintaxe



SINTAXE
Olhando fixamente as suas equações,
um homem disse que o universo teve um começo.
Houve uma explosão, ele disse.
Uma cadeia de estrondos, e o universo nasceu.
E está se expandindo, ele disse.
Até calculou a extensão de sua vida:
dez bilhões de voltas da Terra em torno do Sol.
E todo o planeta aplaudiu;
Concluíram que os seus cálculos eram ciência.
Ninguém se deu conta de que ao colocar um começo no universo, o homem apenas refletiu a sintaxe de sua língua materna; uma sintaxe que para validar qualquer fato
exige começo, como o nascimento,
continuação, como a maturidade,
e fim, como a morte.
O universo começou,
e está envelhecendo, garantiu o homem,
e morrerá, como tudo morre.
Como ele mesmo morreu, depois de confirmar matematicamente a sintaxe de sua língua materna.

A OUTRA SINTAXE

Terá o universo um começo?
Será o big-bang uma explicação?
Essas não são perguntas, embora pareçam ser.
Começo, meio e fim como condição para validar qualquer fato é a única sintaxe possível?
Eis a verdadeira pergunta.
Outras sintaxes existem.
Há uma, entre outras, que permite tomar como fatos as variações de intensidade.
Nessa sintaxe, nada começa e nada tem fim;
assim, nascimento não é um fato claro e bem definido,
mas um tipo específico de intensidade,
assim como a maturidade e assim como a morte.
O homem dessa sintaxe, ao olhar suas equações,
percebe ter calculado variações de intensidade suficientes para afirmar com autoridade
que o universo nunca começou
e nunca terá um fim,
mas que passou, passa e passará
por intermináveis flutuações de intensidade.
Este homem pode bem concluir
que o próprio universo é o veículo de intensidade,
no qual se pode embarcar
numa viagem de mudanças sem fim.
Concluirá tudo isso e muito mais,
Quem sabe sem nunca perceber
Que estará simplesmente confirmando
A sintaxe da sua língua materna

Introdução do livro O Lado Ativo do Infinito – Carlos Castaneda (sic)