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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Limite Zero

Há tempos atrás publiquei aqui um artigo chamado Ho' oponopono uma terapia amorosa assentada nas profundezas do invisível do ser humano, praticada pelo Dr. Len, terapeuta da tradição havaiana e divulgada para o mundo por Joe Vitale, um homem que chegou a viver sem teto,  e  acabou fazendo sucesso como escritor, tornando-se mundialmente conhecido. Tempos depois os dois juntos lançaram um livro pela internet sem fins comerciais, que também decolou, razão pela qual transcrevo (sem preocupação de violar direitos autorais) os princípios do livro só para instigar os mais afoitos. O livro, curto e direto, é uma aventura para o espírito. Vamos lá:

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO LIMITE ZERO
1 - Você não tem a menor idéia do que está acontecendo (rsrs)- “o riso é meu...”.
É impossível ter consciência de tudo que está acontecendo dentro e ao redor de nós, consciente ou inconscientemente. O seu corpo e a sua mente estão se regulando neste exato momento, sem que você tenha consciência disso. E o ar está repleto de sinais invisíveis, desde ondas de rádio a formas pensamento, dos quais você não tem nenhuma sensação consciente. Você está na verdade ajudando a criar a sua realidade neste exato momento, mas isso está acontecendo inconscientemente, sem o seu conhecimento ou controle consciente. É por esse motivo que você pode ter todos os pensamentos positivos que quiser e ainda assim estar completamente sem dinheiro. A sua mente consciente não é a criadora.
2 - Você não tem o controle sobre todas as coisas.
Obviamente, se você não sabe tudo o que está acontecendo, você não pode controlar tudo. Achar que você pode obrigar o mundo a fazer o que você quer é uma viagem do ego. Como o seu ego não consegue ver grande parte do que está acontecendo no mundo neste momento, deixar que ele decida o que é melhor para você não é muito sábio. Você tem escolhas, mas não tem o controle. Você pode usar a mente consciente para começar a escolher a experiência que preferiria ter, mas precisa parar de pensar se ela vai se manifestar ou não, de que maneira, ou quando. O segredo é a entrega.
3. Você pode curar qualquer coisa que surja no seu caminho.
Qualquer coisa que surja na sua vida, independentemente de como apareceu, está disponível para a cura simplesmente porque está agora no seu radar. A suposição neste caso é que, se você pode sentir alguma coisa, você pode curá-la. Se você a vir em outra pessoa, e ela o incomodar, é passível de ser curada.” Você talvez não tenha a menor idéia do motivo pelo qual essa coisa está na sua vida, ou como ela apareceu, mas você não pode abandoná-la porque agora tem consciência dela. Quanto mais você remedeia o que surge, mais livre você está para manifestar o que você prefere, porque você estará libertando uma energia aprisionada para usar em outros assuntos.
4 - Você é completamente responsável por toda a sua experiência.
O que acontece na sua vida não é culpa sua, mas é sua responsabilidade. O conceito da responsabilidade pessoal vai além do que você diz e pensa. Ele abarca as coisas que os outros dizem e pensam, e que aparecem na sua vida. Se você assumir a total responsabilidade por tudo que aparece na sua vida, quando alguém surge com um problema, este também passa a ser seu problema. Isso está associado ao terceiro princípio, que afirma que você pode curar qualquer coisa que surja no seu caminho. Em resumo, você não pode culpar nada ou ninguém pela sua realidade atual. Tudo o que você pode fazer é assumir a responsabilidade por ela, o que significa aceitá-la, admiti-la e amá-la. Quanto mais você remediar o que aparece, mais você ficará em sintonia com a origem.
5 - O seu bilhete para o limite zero tem impresso nele a frase “Eu te amo”.
O passe que lhe consegue paz além de todo o entendimento, da cura à manifestação, é a simples frase “Eu te amo”. Dizê-la para o universo purifica tudo que existe em você, de modo que você pode vivenciar o milagre deste momento: o limite zero. A idéia é amar todas as coisas. Amar a gordura excessiva, o vício, a criança, o vizinho ou o cônjuge problemático; amar tudo, enfim. Dizer “Eu te amo” é o abre-te sésamo para experimentar o Divino.
6 - A inspiração é mais importante do que a intenção.
A intenção é um brinquedo da mente; a inspiração é uma diretiva do Divino. Em algum momento você se entregará e começará a prestar atenção, em vez de implorar e esperar. A intenção está tentando controlar a vida baseada na visão limitada do ego; a inspiração está recebendo uma mensagem do Divino e em seguida agindo em função dela. A intenção atua e produz resultados; a inspiração atua e produz milagres. Qual das duas você prefere?

“Você é o responsável por qualquer fato que ocorre na sua vida. Porque você é o criador do seu mundo”.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Amor e mistério no metrô

A maioria quase absoluta dos seres humanos sobre o planeta não se dá conta do Mistério. Diz o povo por aí que cada um de nós é uma ilha. Mas, então, o que é o mar que nos cerca, hein?
- É mistééério, o mundo que nos cerca é só mistééério.
Hoje pela manhã, no metrô cheio, eu discretamente olhava as pessoas enquanto fazia uma das práticas que O Invisível me ensinou, e de que aprendi a gostar. É da milenar tradição havaiana chamada Ho’ oponopono, que na língua havaiana significa consertar o que está torto. Discretamente eu tentava amar as pessoas... é isso mesmo que você ouviu: amar as pessoas. Pedreira pura. Principalmente as que me “travavam” interiormente, mesmo sem explicação aparente, a moça sisuda, o executivo de nariz empinado, o menino colocando um papelzinho no meu colo pedindo esmola...  demora um bocado, mas é uma coisa indescritível. O poeta Rilke traduziu muito bem, “Só o que é difícil nos interessa..”.
Então baixou uma compreensão da armadilha, da pressão dos afazeres da vida, combinada com o ego automatizado controlador de tudo, que impede cada um, e portanto a humanidade toda, de ver e amar o outro, de trabalhar sobre si, evoluir. E eu, praticando, quase chegava no ponto crucial: o outro sou eu!
Eu via. As pessoas estavam sem exceção falando consigo mesmas, mesmo sem os head-phones no ouvido, reagindo mecanicamente e padronizadas a qualquer estímulo, desde um esbarrão ou um choro de criança. Não há possibilidade de um recuo interior, abrir um espaço que permita à vítima, que somos cada um de nós, uma perspectiva aberta e ampla de sentir, sentir qualquer coisa que passe pela tela dos sentidos do corpo. É assim, não há espaço para o mistério. Atenção na respiração? Nem pensar. Acalmar o mental? Vixe...
Se a gente não produzir um destacamento da realidade que nos cerca para poder contemplá-la, sem fugir dela, nem querer interpretá-la,  não há escapatória para nós.
A saída real não é pensar sobre o assunto, é só contemplar no mesmo instante em que a gente sentiu o fato no agora. É fazer um gesto interior concreto e manso de amar o próximo, independente dele mesmo, como a gente ouviu dizer no primeiro mandamento. No início a gente não aceita nem a idéia, quanto mais iniciar a prática. Insista. O mistério aparece. Nem vou dizer qual é, não adianta.
Em algum lugar do mistério de Ser está plantada esta semente compassiva de amar o próximo. Temos de cavoucar isso dentro de nós e começar a usar, por mais bobo, carola e difícil que possa parecer à primeira vista. O metrô é um bom lugar para começar, a gente não conhece ninguém, mesmo...
Mas depois, aumentando o nível da dificuldade, a gente pode tentar no trabalho, com o colega, o concorrente, o chato, o chefe, o subordinado. Depois na família, com a sogra, cunhado, filhos adolescentes... mas na surdina. Eles não devem saber de nada, never.
Um amigo disse outro dia, desanimado com o desafio, “Amar o próximo? Eu não faço a menor idéia de o que é isso. Não sei amar nem a mim mesmo.”
Pois é... Boa hora para começar a aprender.