domingo, 25 de agosto de 2013

O Alimento e o Invisível

Porque um esquimó, que vive no círculo ártico e se alimenta basicamente de carne de foca , não precisa tomar vitamina C como recomendam os médicos, e vive melhor do que nós urbanos viciados em vitaminas, aditivos e remédios?
Porque na história da Humanidade há tantas pessoas no mundo que não comeram nenhum alimento comum (homens de conhecimento, santos, respiratorianos e solarianos) e viveram muito bem, obrigado, sem doenças ?
Porque  na literatura médica ocidental e na mídia, a maioria dos representantes da Medicina Ocidental em geral se contradizem tanto quando o assunto é a alimentação? Essa divergência não existe na Medicina Ayurvédica, na Taoista, Budista e outras.
Tem algo mal explicado e mal entendido que “as autoridades da Medicina Ocidental” jogam para baixo do tapete porque são muito incômodas e exigem um esforço e despojamento que elas não possuem para esclarecer o comum dos mortais.  Essas e muitas outras perguntas existem porque há segredos na fisiologia dos organismos vivos na Natureza que ainda não foram compreendidos pelas pessoas e entidades que se arrogam ao direito de cuidar da saúde dos seus semelhantes.
Nós esbarramos em um deles quando falamos das experiências do cientista Kervran na postagem Transmutação Biológica, Alquimia, Louis Kervran. Vale a pena reler. Diferentemente de George Ohsawa, fundador da Macrobiótica, que afirmava a mesma coisa que Kervran mas só intuitivamente, baseado no Yin Yang taoista, Kervran provou no século passado num experimento científico que os animais, e portanto o ser humano, transmutam os elementos químicos dentro de seus organismos num processo chamado de Transmutação em Baixa Energia.
Baseados na experiência irrefutável de Kervran podemos afirmar que a orientação da medicina moderna sobre alimentação está equivocada. Não faz sentido em termos conceituais essa massa de informações despejadas pela mídia médica, do tipo “Você precisa ingerir diariamente X gramas de vitamina C, ou B12, ou ômega 3, ou o que for”, porque a exemplo do esquimó, o seu organismo, se for equilibrado e saudável, vai poder fabricar essas substâncias naturalmente a partir de qualquer outro alimento que você comer e se auto-compensar de qualquer desequilíbrio. Basta que transmute os elementos internamente de acordo com as suas necessidades, coisa que o stablishment científico médico não aceita que seja possível, e nem faz a pesquisa científica necessária mesmo que seja somente para refutar a tese.
É até compreensível a resistência à aceitação de que o organismo animal e humano possa agir alquimicamente e fabricar pelo processo de transmutação em baixa energia os elementos das substâncias necessárias para uma vida saudável, porque esse organismo para fazer isso teria que ser um organismo saudável e não só transmutar um elemento em outro, como reorganizar os novos elementos formando novas substâncias químicas a partir de uma inteligência orgânica da natureza. E o fato é que a maioria das pessoas não possui um organismo saudável e inteligente como o de qualquer ser que vive harmonicamente com o meio ambiente, porque a natureza no planeta está já irremediavelmente doente e sem mais a eficiência dos mecanismos de auto-recuperação que sempre existiram. Infelizmente há muitas razões, a maioria delas causadas por um sistema econômico estranho senão inimigo dos desígnios da Natureza e consistentemente aplicado em atingir seus próprios objetivos de lucratividade a despeito de qualquer coisa. A comprovação disso é o crescimento insustentável e contínuo dos 3 fantasmas que assolam a saúde atual da população do planeta: câncer, doenças cardíacas e doenças mentais entre outras. Somado à ganância propiciada por esse sistema econômico há um claro viés suicida de pessoas, entidades e estados nacionais que não conseguem ver as evidências de um caminho desastroso que está sendo trilhado em termos de meio ambiente. As provas estão nos níveis de mercúrio nos mares e rios, CO2 e metais pesados no ar e no mar, lixo tóxico e radioativo, e por aí afora, basta ler as notícias. Isso sem contar a super população. Não tem mais volta.
Num cenário destes não há saúde nem mecanismo de auto-recuperação que funcione porque os organismos e mentes das pessoas, animais e plantas já estão doentes. Então não é estranho que ocorram fatos como o nível de violência que estamos vendo na TV em todo o mundo, filhos matando pais e vice-versa...
Mas voltando ao tema, não há mais possibilidades de soluções globais ou coletivas, mas apenas individuais ou no máximo familiares se as pessoas colocarem seus focos no assunto e iniciar imediatamente as mudanças em todas as formas de alimentação do ser humano. Isso não significa só formas diferentes de se alimentar, como as que existem sob muitos nomes, vegetarianismo, macrobiótica, veganismo, etc., cada qual com suas razões, mas sim formas diferentes de ingerir com o auxílio da Presença, e portanto saudavelmente os tipos de alimentos que chegam ao ser humano, como ar, água, comida, emoções, prana, luz e impressões (vide as tradições autênticas como hinduísmo, taoísmo, budismo, etc). 
Se o conjunto das circunstâncias da vida de uma pessoa estiver equilibrado não importa muito o que se come, dentro de certos limites óbvios, é claro.
O budismo tibetano dá uma contribuição interessante a esse ponto da alimentação através da prática do tsog (reunião) aplicada ao tema. O pano de fundo é a lucidez e o desapego. Come-se de tudo para poder experimentar todos os sabores e não só os que gostamos. É o desapego do sabor. O organismo, se sadio, então dá a destinação adequada ao alimento conforme as necessidades. Como evita-se qualquer sofrimento aos seres vivos, os budistas em geral são vegetarianos, mas há os que são carnívoros, ou pelo menos os que não recusam caso lhes seja oferecido. O importante não é só a natureza do alimento em si, vegetal ou animal, mas as circunstâncias do estado integral no momento em que  a pessoa se alimenta. Não é só “o que”, mas "quem" e “o como”.
A resposta às 3 perguntas iniciais está no fato de que a nossa concepção do funcionamento humano, saúde, alimentação, doença, etc., está no fato de que vemos esses temas apenas pela aparência externa, pelo valor de face, sem considerar que há algo além da mera aparência concreta das coisas. A Medicina funciona no Invisível e em todas as tradições autênticas sempre esteve ligada ao Espírito. Mercúrio o deus que rege a medicina é o mesmo que rege a Astrologia Esotérica. No Xamanismo o médico é sempre o dirigente espiritual e não um mero profissional prestador de serviços pagos (isso sem falar em centenas ou milhares de pessoas no mundo que viveram e vivem sem comer nada).
Esses são os valores que precisamos senão resgatar, pelo menos conhecer a fundo para entender o funcionamento da Medicina, alimentação e saúde. A realidade da saúde é um pouco mais complexa do que vitaminas, remédios e dogmas.


domingo, 18 de agosto de 2013

Miyamoto Musashi e os Nove Princípios

Pintura de Miyamoto Musashi
Há muitos anos tive a sorte de estar  na hora certa no lugar certo: Cine Niteroi no bairro japonês da Liberdade em Sampa, assistindo em sessões meio privadas as preciosidades dos filmes do diretor japonês Tomu Ushida sobre o samurai japonês Miyamoto Musashi. Se bem me recordo acho que eram 7 filmes, dos quais 2 se perderam. Uma pena. Vários amigos já procuraram no mundo todo, mas algumas cenas só poderão ser vistas novamente por eleitos que tem acesso privilegiado ao registros akáshicos guardados no data bank de  alguma biblioteca planetária (rsrs) .
Uma cena do filme me tocava na época: era quando o samurai era às vezes surpreendido pelo toque longínquo de uma flauta, o chamado da Consciência para tirá-lo do devaneio ou da identificação com o mundo.
Na época surgiu o livro A Book of Five Rings (Um livro de cinco anéis - ou cinco elementos) sobre essa figura ímpar da tradição japonesa e que foi, como é comum nos tempos que correm, usado pelas grandes corporações capitalistas no que o livro tem de menos nobre. Em vez de focar no caminho interior de busca do Vazio através do contato com a Morte propiciado pela luta, focou na estratégia e técnica de competição. Foi exatamente como fizeram com o clássico A Arte da Guerra de Sun Tse. Enfim é o que merecemos.
Após uma vida inteira como guerreiro e buscador o criador do estilo de luta com 2 espadas era imbatível. Ao atingir a perfeição dispensou as espadas de metal e usava as de madeira. No final de sua vida Miyamoto abandonou a luta e dedicou-se à pintura, poesia e escultura.
Recomendamos a leitura do livro, mas o essencial está nos Nove Princípios do seu Caminho:

1- Não pense desonestamente. 
2- O Caminho está no Treinar. 
3- Tome contato com todas as Artes. 
4- Conheça o Caminho de todas as profissões. 
5- Aprenda a distinguir ganho de perda nos assuntos materiais. 
6- Desenvolva o julgamento intuitivo e a compreensão de tudo. 
7- Perceba as coisas que não podem ser vistas. 
8- Preste atenção até ao que parece não ter importância. 
9- Não faça nada que não seja útil

domingo, 11 de agosto de 2013

Atlântida e Clarividência

 No início dos anos 60 tive acesso a 2 livros do Dotô Manoel como era chamado meu velho pai, editados em espanhol por uma sociedade teosófica Inglesa: História de Los Atlantes, e La Perdida Lemuria de W. Scott-Elliot. Um achado fascinante. Apresentavam, cada um, além de todas as informações possíveis sobre a raça Atlante, um anexo com 4 mapas do relevo dos continentes como eram em várias épocas e formatos há até 1 milhão de anos atrás. Eu me perguntei "como é possível isso?". Na época o registro histórico mais antigo aceito pela ciência de plantão era um relato de Platão em Timeu e Crítias, que curiosamente citava em cerca de 10.000 a.c. o cataclisma que afundou a Ilha de Poseidon no Atlântico, na frente do Mediterrâneo, e que teria sido o último vestígio do continente atlante. 
A resposta da pergunta, que intriga muitos leitores do assunto até hoje estava no prefácio da História de Los Atlantes, feita por Alfred Percy Sinnett, escritor e teósofo inglês:

"Leitores não familiarizados com os progressos realizados nos últimos anos por pessoas que pertencem à Sociedade Teosófica, que têm se dedicado intensamente ao estudo do ocultismo talvez não interpretariam corretamente o significado do que é exposto neste livro se não de obter algumas explicações preliminares .
A pesquisa histórica foi baseada até agora em registros escritos para a civilização ocidental. Na ausência de documentos literários, algumas vezes serviram os monumentos de pedra, e também os fósseis deram garantias inequívocas, embora desarticuladas, sobre a idade da raça humana, mas a cultura moderna perdeu de vista, ou ignorou as possibilidades relacionadas com a investigação de eventos passados independentes das evidências falíveis que nos foram transmitidas pelos escritores antigos. O mundo em geral conhece hoje tão imperfeitamente os recursos das faculdades humanas ocultas, que a maioria das pessoas rejeitaram desdenhosamente, que zomba da existência de poderes psíquicos que alguns de nós estão exercitando diariamente na sua vida sem perceber.
 A situação é, infelizmente, ridícula do ponto de vista de quem aprecia as perspectivas de evolução, pelo fato de a humanidade tão teimosamente rejeitar um tipo de conhecimento, tão essencial aos seus progressos futuros.
 O maior grau de cultura  de que é suscetível a inteligência humana ao não aceitar todos os recursos de consciência espiritual mais elevada, não poderá  nunca ir além dos limites de um processo preparatório, em comparação com o que poderia desenvolver-se o suficiente se aumentasse seus poderes para entrar em relações conscientes com planos ou aspectos supra-físicos da natureza.
 Para quem tem paciência para estudar os resultados das pesquisas psicológicas que têm sido publicados nos últimos 50 anos, devem ficar claros os fundamentos inabaláveis da realidade da clarividência como um possível fenômeno da inteligência humana.
 Para aqueles que não são ocultistas, ou seja, pessoas dedicadas ao estudo dos aspectos mais elevados da natureza, e que estão em uma posição só de obter uma educação superior que os livros poderiam fornecer, a negação das possibilidades da clarividência está no mesmo nível da descrença dos africanos sobre  a existência do gelo.
 Mas as experiências de clarividência adquiridas por aqueles que a estudaram em conexão com o magnetismo, prova que existe na natureza humana um poder de conhecer os fenômenos físicos, no que diz respeito ao espaço e com relação ao tempo, de uma forma que não tem nada a ver com os sentidos físicos.
 Aqueles que estudaram os mistérios da clarividência em conexão com os ensinamentos teosóficos, foram persuadidos de que os recursos mais significativos deste poder, superam tanto os mais rudimentares obtidos por pesquisadores sem essas capacidades como os recursos da alta matemática ultrapassam os da aritmética simples.
 A clarividência é de vários tipos, cada um das quais ocupa distintamente seu devido lugar quando chegamos a apreciar a forma diferente  como a consciência humana trabalha nos diferentes planos da natureza.
 A capacidade de ler as páginas de um livro fechado, de distinguir objetos vendados ou a distância do observador, é muito diferente da que é utilizada para o reconhecimento de eventos passados.
 É desta última que devemos dizer alguma coisa, para que se possa compreender o verdadeiro caráter deste tratado sobre os Atlantes, no entanto fiz alusão a outras de modo que a explicação que estou apresentando não seja tomada erroneamente por uma teoria completa da clarividência em todas as suas variedades.
 Para obter uma melhor compreensão dos eventos passados relacionados com clarividência, consideraremos em primeiro lugar os fenômenos da memória.
 A teoria que atribui a esta ajustes imaginários das moléculas físicas da matéria cerebral que estão constantemente se formando em cada momento de nossas vidas, só pode ser aceita por aqueles que não sobem um grau acima do nível pensante e não transcendental do ateísmo e materialismo.
 Para todos os que aceitam apenas como hipótese racional a ideia de que o homem é algo mais do que um quadro animado deve parecer igualmente permissível que a memória esteja relacionada com o verdadeiro princípio do homem que é suprafísico.
 Sua memória, em uma palavra, é uma função que pertence a um plano que não é físico.
 Os registros de memória são impressos, é claro, em algum meio não físico e tornam-se acessíveis ao pensador, nos casos ordinários, pelo esforço feito mas tão inconscientes de sua verdadeira natureza como é impulso do cérebro que atua sobre os músculos do coração.
 Os acontecimentos do passado com os quais a memória se relaciona, estão fotografados pela natureza em uma página de material imperecível suprafísica, e fazendo um esforço apropriado interno chega-se a tê-los presentes quando necessário, dentro da área de alguma percepção interior que reflete sua percepção no corpo físico.
 Não podemos todos fazer esse esforço com êxito e a memória obtida é, por vezes, pouco vívida, mas mesmo em experimentos de pesquisa do magnetismo a sobre-excitação da memória no estado magnético é um fato familiar.
 Os resultados demonstram claramente que os registros da Natureza (N.R. - ou registros akáshicos) são acessíveis se você sabe como recuperá-los, ou até mesmo de alguma forma melhorar a capacidade de fazer o esforço necessário para obtê-los, sem a necessidade de ter maior conhecimento sobre o sistema utilizado, e essa idéia nos leva a conceber sem violência que os registros da natureza não são de coleções separadas de propriedade individual, mas constituem a memória da própria natureza, o que pode atrair pessoas diversas em diferentes proporções de acordo com os suas faculdades.
 Não quero dizer com isso que essa idéia é, necessariamente, uma conseqüência lógica da outra, embora os ocultistas sabem que o que eu descrevi é um fato; o objeto que eu proponho é apenas para mostrar o leitor leigo como é que o ocultista avançado consegue seu propósitos neste ponto, e sem ter a intenção com isso, nesta breve explicação, de resumir todas as fases de sua evolução mental.
 Você deve consultar a literatura teosófica, em geral, se você deseja obter uma compreensão mais ampla das perspectivas inigualáveis e demonstrações práticas dos ensinamentos em muitos ramos que, no curso do desenvolvimento do movimento teosófico, deram o público para o benefício de todos aqueles que estão em condições de aproveitá-la.
 A memória da Natureza é realmente uma incrível unidade, do mesmo modo que em outro sentido vemos que toda a humanidade é uma unidade espiritual, considerando o alto plano da Natureza, onde há uma convergência maravilhosa, em que a unidade acontece sem perda da individualidade.
 Na massa comum humana, compreendendo a maioria das pessoas que ainda estão nos primeiros degraus da escada da evolução, as faculdades internas espirituais, superiores ao que o cérebro como instrumento expressa acham-se ainda pouco desenvolvidas e portanto, não é permitido qualquer contacto com o registro dos vastos arquivos da memória da natureza, exceto aqueles que estão associados individualmente desde a sua criação. O esforço interno cego que são capazes de fazer, não pode por regra geral atrair outros, mas mesmo em um modo vacilante, temos exemplos na vida cotidiana de esforços mais eficazes, sendo a "transmissão de pensamento" um de seus humildes resultados.
 Neste caso, as "impressões na mente" de uma pessoa, ou seja os registros de memória da natureza, com as quais está em relação normal, são capturados por um outro que na época é capaz, ainda que inconscientemente do sistema que emprega, de colocar a memória da natureza em condições favoráveis, um pouco além da área que geralmente está relacionado ao seu estado normal.
 Essa pessoa começou, então, ainda que ligeiramente, a exercer a faculdade da clarividência astral, um termo que pode ser convenientemente utilizado para designar o tipo de clarividência que eu agora tento explicar, que é o que tem sido utilizado em seu desenvolvimento superior para realizar investigações que têm sido a base para a compilação do presente relato dos atlantes.
 Recursos de clarividência realmente não tem limite nas investigações sobre a história passada da terra, e se relacionam com os eventos da raça humana em tempos pré-históricos, ou para o desenvolvimento do próprio planeta através de períodos geológicos anteriores ao aparecimento do homem, ou com os eventos mais recentes, cujos relatos foram distorcidos por historiadores descuidados ou mal-intencionados.
 A memória da Natureza é infalivelmente precisa e de uma profundidade infinita.
 O tempo virá, tão certo como a precessão dos equinócios, quando o método literário será descartado como antiquado em todos os casos de obras originais.
 Muito poucas são as   pessoas entre nós ainda capazes de exercitar a clarividência astral com perfeição, que ainda não foram chamados para ocupar funções superiores em relação ao progresso humano. Muitos são aqueles que sabem o que podem fazer esses poucos, e por qual processo de educação permanente e disciplina passaram, perseguindo os ideais internos, entre os quais a clarividência é apenas uma circunstância individual, mas, no entanto, formam uma pequena minoria em relação com o mundo culto.
 Mas alguns de nós têm motivos para estar confiantes de que, com o tempo, e em um futuro não muito distante, o número de videntes de verdadeira competência aumentará o suficiente para estender o círculo de pessoas que conhecem os seus poderes, e até  chegarão a abarcar toda a inteligência e cultura da humanidade civilizada dentro de algumas gerações.
 Enquanto isso, este livro é o primeiro estudo exploratório que se apresenta como o novo método de pesquisa histórica, e aqueles que estão interessados, nele que não pode deixar de sorrir ao pensar em como, inevitavelmente será considerado como um trabalho de imaginação, por algum tempo ainda, pelo leitores materialistas, incapazes de admitir a explicação franca dada aqui sobre como ele foi produzido.
 É apropriado dizer algumas palavras para não assumir que a investigação por meio de clarividência astral, tentando períodos longe de nós por centenas de milhares de anos, é um processo que não envolve muito trabalho: todos os fatos relacionados neste volume foram coletados peça por peça com extremo cuidado no curso de uma investigação, que envolveu mais de uma pessoa competente, em intervalos obtidos em suas outras ocupações, e por alguns anos.
 E para contribuir para o sucesso da sua empreitada, eles foram autorizados a examinar alguns mapas e outros registros preservados fisicamente em períodos remotos em questão, que se acham mais bem guardados do que estariam por raças turbulentas na Europa, ocupadas no desenvolvimento da civilização por breves intervalos de descanso que as guerras permitem, e oprimidas por um fanatismo que têm considerado a ciência como um sacrilégio.
 No entanto, por mais trabalhosa que tem sido a tarefa, será amplamente compensada pelos que assumam o como é absolutamente necessária para a devida compreensão do mundo como o vemos hoje, o entender a fase anterior Atlante.
 Sem esse conhecimento, qualquer especulação sobre etnologia é fútil e errônea.
 O curso de desenvolvimento das raças é um caos e confusão sem a chave da civilização atlante e a configuração da terra naqueles dias.
 Os geólogos sabem que a superfície da terra e dos mares mudou várias vezes durante o período em que as terras eram habitadas, como mostra a situação de restos humanos em várias camadas geológicas.
 E, no entanto, por falta de conhecimento preciso sobre os momentos em que essas mudanças ocorreram, descartam toda a teoria de suas opiniões práticas e, excetuando-se certas suposições feitas por alguns naturalistas ao tratar o hemisfério sul, têm procurado, por regra geral,  harmonizar a migração das raças com a configuração da terra, tal como existe hoje.
 Assim, se estabelece uma confusão em todo o passado, e o esquema etnológico permanece tão vago e obscuro, que não consegue dissipar o conceito rudimentar do princípio da humanidade onde ainda prevalece no pensamento religioso, detendo o progresso espiritual do período .
 O declínio e eventual desaparecimento da civilização atlante, é tão instrutivo como sua elevação e glória, mas eu já realizei o objeto principal de uma breve explicação a que me propus, como uma introdução do livro que agora é apresentado ao mundo, e se o que apresentei não é suficiente para fazer compreender a sua importância para qualquer um dos leitores a quem me dirijo, nenhum outro tipo de recomendação seria capaz de obter tal resultado.
 A. P. Sinnett"

Os 4 mapas do livro Historia de Los Atlantes 

Mapa 1 - entre 1 milhão até o cataclismo de 800 mil anos atrás. Em azul estão os relevos remanescentes da Lemúria. Em vermelho da Atlântida. Em contornos sem cor, os relevos atuais para efeito comparativo.



Mapa 2 - Relevo terrestre entre o cataclismo de 800 mil anos atrás até o de 200 mil anos atrás.



Mapa 3 - Relevo terrestre entre o cataclismo de 200 mil anos atrás até o de 80 mil anos atrás. A Atlântida ficou dividida entre duas grandes extensões: Ruta e Daitya


Mapa 2 - Relevo terrestre entre o cataclismo de 80 mil anos atrás até a submersão da Ilha de Poseidon em 9564 anos A.C.


domingo, 4 de agosto de 2013

O Impulso da Terra

A obra de Castaneda tem uma passagem cativante e ao mesmo tempo desconcertante. É a estranha afirmação de que "A chave mágica que abre as portas da Terra é feita de silêncio interno e mais qualquer coisa que brilhe." É xamanismo puro, juntando silêncio interior e luz. Uma das índias aprendizes de Dom Juan, no livro O Segundo Círculo do Poder, afirma: O Nagual disse que o melhor meio de se conseguir energia naturalmente, é deixar o Sol entrar pelos seus olhos, especialmente o olho esquerdo.
Na passagem descrita abaixo os dois mestres Dom Juan e Dom Genaro mostram a Castaneda na prática, sem teoria,  como funciona e o que é o fenômeno da Percepção, pelo qual A Consciência percebe o mundo que conhecemos a partir de como somos feitos, ou seja, casulos luminosos assim como esse ser vivo, a Terra, também é. E mais, o que precisamos fazer para perceber outros mundos com a ajuda do "Impulso da Terra", ou seja, alinhar e iluminar as emanações internas do nosso casulo com as emanações externas do universo presentes na Terra. 
Vamos lá:

"- Vamos caminhar pela estrada de Oaxaca - disse-me Dom Juan. - Genaro está esperando por nós em algum ponto do caminho.
Seu convite tomou-me de surpresa. Eu passara todo o dia esperando que continuasse sua explicação. Deixamos sua casa e atravessamos em silêncio a cidade até a estrada de terra. Caminhamos tranqüilamente por um longo tempo. Subitamente, Dom Juan começou a falar.
- Tenho falado sobre as grandes descobertas que os antigos videntes fizeram. Assim como descobriram que a vida orgânica não é a única vida presente na Terra, também descobriram que a própria Terra é um ser vivo.
Esperou um pouco antes de continuar. Sorriu-me como se me convidasse a fazer um comentário. Não me ocorreu nada para dizer.
- Os antigos videntes viram que a Terra tem um casulo continuou. - Viram que existe uma bola circundando a Terra, um casulo luminoso que contém as emanações do Mar escuro da Consciência, a Águia. A Terra é um gigantesco ser consciente, sujeito às mesmas forças que nós.
Explicou que os antigos videntes, ao descobrirem isso, ficaram imediatamente interessados no uso prático que poderiam fazer desses conhecimentos. O resultado do seu interesse foi que as categorias mais elaboradas de suas feitiçarias tinham a ver com a Terra. Consideravam a Terra como fonte última de tudo que somos.
Dom Juan reafirmou que os antigos videntes não estavam enganados a esse respeito, porque a Terra é com efeito nossa fonte última.
Não disse nada mais até que encontramos Genaro, cerca de um quilômetro e meio estrada acima. Estava esperando por nós, sentado numa pedra ao lado da estrada.
Cumprimentou-me com grande efusão. Disse-me que devíamos subir ao topo de umas pequenas montanhas agrestes cobertas por vegetação rústica.
- Nós três vamos nos sentar apoiados em uma pedra disse Dom Juan - e olhar para a luz do sol refletida nas montanhas do leste. Quando o sol se puser atrás dos picos do oeste, a Terra poderá deixá-lo ver o alinhamento.
Quando atingimos o alto de uma montanha, sentamo-nos como Dom Juan havia dito, com as costas contra uma pedra. Dom Juan fez-me sentar entre os dois.
Perguntei-lhe o que estava planejando fazer. Suas declarações veladas e seus longos silêncios eram ameaçadores. Sentia-me terrivelmente apreensivo.
Ele não me respondeu. Continuou falando como se eu não tivesse dito nada.
- Foram os antigos videntes que, ao descobrirem que a percepção é alinhamento, tropeçaram em algo monumental. A parte triste é que suas aberrações impediram novamente que soubessem o que haviam realizado.
Apontou a cadeia de montanhas a leste do pequeno vale onde a cidade está localizada.
- Há cintilação suficiente naquelas montanhas para abalar seu ponto de aglutinação. Exatamente antes de o sol se pôr atrás dos picos do oeste, você terá alguns momentos para todas as cintilações de que precisa. A chave mágica que abre as portas da Terra é feita de silêncio interno e mais qualquer coisa que brilhe.
- O que devo fazer exatamente, Dom Juan?
Ambos examinaram-me. Pensei ver em seus olhos uma mistura de curiosidade e desagrado.
- Simplesmente corte o diálogo interno - disse-me Dom Juan. Senti um choque intenso de ansiedade e dúvida; não tinha confiança de que pudesse fazê-lo à vontade. Após um momento inicial de desagradável frustração, resignei-me a simplesmente relaxar.
Olhei ao redor. Percebi que estávamos suficientemente alto para enxergar o vale longo e estreito. Mais de metade dele estava coberto com as sombras do crepúsculo. O sol ainda iluminava o sopé da cadeia de montanhas do leste, no outro lado do vale; a luz do sol dava uma coloração ocre às montanhas erodidas, enquanto os picos azulados mais distantes adquiriram um tom púrpura.
- Percebe que já fez isto antes, não? - perguntou Dom Juan num sussurro.
Disse-lhe que não havia percebido coisa alguma.
- Sentamo-nos aqui antes, em outras ocasiões - insistiu - mas isso não importa, porque esta ocasião é a que vai contar.
- Hoje, com a ajuda de Genaro, você irá encontrar a chave que abre tudo. Não será capaz de usá-la ainda, mas saberá o que é e onde está. Os videntes pagam os preços mais caros para saber disso. Você mesmo vem pagando seu tributo todos esses anos.
Explicou que o que chamava de chave de tudo era o conhecimento em primeira mão de que a Terra é um ser consciente e, como tal, pode dar aos guerreiros um grande impulso, um empurrão que vem da consciência da própria Terra no instante em que as emanações do interior dos casulos dos guerreiros alinham-se com as emanações apropriadas do interior do casulo da Terra. Uma vez que tanto ela quanto o homem são seres conscientes, suas emanações coincidem, ou melhor, a Terra possui todas as emanações presentes no homem e, além disso, todas as emanações presentes em todos os seres conscientes, orgânicos e inorgânicos. Quando ocorre o alinhamento, os seres conscientes usam este alinhamento de um modo limitado e percebem seu mundo. Os guerreiros podem usar esse alinhamento para perceber, como todos os demais, ou usá-lo como um impulso que lhes permita entrar em mundos inimagináveis.
- Venho esperando que você me faça a única pergunta com sentido que poderia fazer, mas você nunca pergunta - continuou. - Você teima em perguntar se o mistério de tudo está dentro de nós. De qualquer modo, chegou bem perto.
"O desconhecido não está realmente dentro do casulo do homem nas emanações intocadas pela consciência e, no entanto, de certo modo, está lá. Esse é o ponto que você não compreendeu. Quando lhe disse que podemos aglutinar sete mundos além do que conhecemos, você entendeu que isto é algo interno, porque tende a acreditar que está apenas imaginando tudo que faz conosco. Por isso nunca me perguntou onde o desconhecido está realmente. Há anos venho traçando círculos com minha mão para indicar tudo ao redor de nós, dizendo que é lá que está o desconhecido. Mas você nunca ligou as coisas."
Genaro começou a rir, e depois tossiu e levantou-se.
- Ele ainda não ligou as coisas - disse a Dom Juan. Admiti para eles que, se havia uma ligação a ser feita, eu não estava percebendo.
Dom Juan reafirmou várias vezes que as emanações presentes dentro do casulo do homem só estão ali para a consciência, e que a consciência combina aquelas emanações com uma quantidade igual de emanações livres. Estas se chamam emanações livres porque são imensas; e dizer que fora do casulo do homem está o incognoscível é dizer que dentro do casulo da Terra está o incognoscível. Entretanto, no interior do casulo da Terra também está o desconhecido, e dentro do casulo do homem o desconhecido são as emanações intocadas pela consciência. Quando o brilho da consciência as toca, tomam-se ativas e podem ser alinhadas com as emanações livres correspondentes. Quando isto acontece, o desconhecido é percebido e toma-se conhecido.
- Sou muito estúpido, Dom Juan. Precisa trocar as coisas em miúdos para mim.
- Genaro vai fazer isso para você - retorquiu Dom Juan.
Genaro levantou-se e começou a executar a mesma marcha de poder que havia executado antes, quando circulou uma imensa rocha achatada em um campo de milho perto de sua casa com Dom Juan assistindo fascinado. Dessa vez, Dom Juan sussurrou em meu ouvido que eu deveria tentar ouvir os movimentos de Genaro, especialmente os movimentos de suas coxas quando se erguiam contra seu peito a cada passo que dava.
Segui os movimentos de Genaro com os olhos. Em poucos segundos, senti que alguma parte de mim fora aprisionada pelas pernas de Genaro. O movimento de suas coxas não me soltava. Era como se estivesse caminhando com ele. Sentia-me mesmo sem fôlego. Percebi, então, que estava realmente seguindo Genaro. De fato caminhava com ele, afastando-me do lugar onde estivéramos sentados.
Não vi Dom Juan, apenas Genaro caminhando diante de mim da mesma maneira estranha. Caminhamos por horas e horas.
Minha fadiga era tão intensa que fiquei com uma terrível dor de cabeça e me senti mal subitamente. Genaro parou de caminhar e veio para o meu lado. Havia um intenso brilho ao redor de nós, e a luz se refletiu nas feições de Genaro. Seus olhos brilhavam.
- Não olhe para Genaro! - Uma voz ordenou-me ao ouvido. - Olhe ao redor!
Obedeci. Pensei que estava no inferno! O choque de ver a paisagem foi tão grande que gritei de terror, mas não havia som em minha voz. Ao redor de mim estava a imagem mais vívida de todas as descrições do inferno de minha criação católica. Via um mundo avermelhado, quente e opressivo, escuro e cavernoso, sem céu, sem qualquer luz além das reflexões malignas das luzes avermelhadas que se mantinham em movimento ao redor de nós, em grande velocidade. Genaro começou a caminhar novamente, e algo puxou-me com ele. A força que me fazia segui-lo também evitou que eu olhasse ao redor. Minha consciência estava colada aos movimentos de Genaro.
Vi-o desabar como se estivesse profundamente exausto. No instante em que tocou o solo e estendeu-se para descansar, algo foi liberado em mim e fui novamente capaz de olhar ao redor. Dom Juan me fitava com ar de interrogação. Eu estava de pé diante dele. Encontrávamo-nos no mesmo lugar onde havíamos sentado, numa espaçosa saliência rochosa no topo de uma pequena montanha. Genaro ofegava e bufava, e eu também. Estava coberto de transpiração. Meu cabelo ensopara. Minhas roupas pingavam como se eu tivesse afundado num rio.
- Meu Deus, o que está acontecendo? - perguntei, com profunda seriedade e preocupação.
A exclamação soou tão imbecil que Dom Juan e Genaro começaram a rir.
- Estamos tentando fazer você compreender o que é o alinhamento - disse Genaro.
Cuidadosamente, Dom Juan ajudou-me a sentar. Sentou-se a meu lado.
- Lembra-se do que aconteceu?
Disse-lhe que sim, e ele insistiu em que lhe contasse exatamente o que tinha visto. Sua solicitação era incongruente com o que me dissera, que o único valor de minhas experiências era o deslocamento de meu ponto de aglutinação, e não o conteúdo de minhas visões. Explicou que Genaro tentara ajudar-me antes de maneira bastante parecida à que havia usado agora, mas que nunca pude lembrar-me de nada. Disse que Genaro guiara meu ponto de aglutinação desta vez, como havia feito antes, para aglomerar um mundo com outro dos grandes feixes de emanações.
Houve um longo silêncio. Eu estava tonto, chocado, embora minha consciência estivesse mais aguçada do que nunca. Pensei que havia finalmente compreendido o que era alinhamento. Algo dentro de mim, que eu vinha ativando sem saber como, deu-me a certeza de que eu compreendera uma grande verdade.
- Acho que você está começando a acumular seu próprio ímpeto - disse-me Dom Juan. - Vamos para casa. Foi bastante para um dia.
- Ora, vamos - disse Genaro. - Ele é mais forte do que um touro. Deveria ser empurrado um pouco além.
- Não! - disse Dom Juan enfaticamente. - Temos que economizar sua força. Ele já gastou muito.
Genaro insistiu para que ficássemos. Olhou para mim e piscou.
- Olhe - disse-me, apontando para a cadeia de montanhas do leste. - O sol mal se moveu alguns centímetros sobre aquelas montanhas e ainda assim você já caminhou no inferno por horas e horas. Não acha isso desconcertante?
- Não o assuste desnecessariamente! - protestou Dom Juan, quase com veemência.
Foi então que vi suas manobras. Naquele momento, a voz da visão disse-me que Dom Juan e Genaro eram uma dupla de soberbos espreitadores brincando comigo. Era Dom Juan que sempre me empurrava além de meus limites, mas sempre deixava Genaro ser o vilão. Naquele dia na casa de Genaro, assim que atingi um estado perigoso de medo histérico quando Genaro perguntou a Dom Juan se eu deveria ser empurrado e Dom Juan assegurou-me que ele estava divertindo-se à minha custa, Genaro estava na verdade preocupando-se comigo.
Fiquei tão chocado com a minha visão que comecei a rir. Tanto Dom Juan quanto Genaro olharam-me com surpresa. Então Dom Juan pareceu perceber imediatamente o que estava se passando em minha mente. Contou a Genaro, e ambos riram como crianças.
- Você está ficando adulto - disse-me Dom Juan. - Bem na hora. Você não é nem estúpido demais nem inteligente demais, exatamente como eu. Mas não é como eu em suas aberrações. Nisso, parece-se mais com o nagual Julian, só que ele era brilhante.
Levantou-se e distendeu as costas. Olhou para mim com os olhos mais penetrantes e ferozes que eu jamais havia visto. Levantei-me.
- Um nagual nunca deixa ninguém saber que ele está no comando - disse. - Um nagual vai e vem sem deixar rastros. Essa liberdade é o que faz dele um nagual.
Seus olhos lampejaram por um instante, e depois cobriram-se com uma nuvem de brandura, amabilidade e compaixão, e eram novamente os olhos de Dom Juan.
Eu mal podia manter o equilíbrio. Estava oscilando sem controle. Genaro saltou para o meu lado e ajudou-me a sentar. Ambos sentaram-se flanqueando-me.
- Você vai captar um impulso da Terra - disse-me Dom Juan em um ouvido.
- Pense nos olhos do nagual - disse-me Genaro no outro.
- O impulso virá no momento em que você enxergar a cintilação no alto daquela montanha - disse Dom Juan, e apontou para o pico mais alto da cadeia do leste.
- Nunca verá outra vez os olhos do nagual - sussurrou
Genaro.
- Vá com o impulso para onde ele o levar - disse Dom Juan.
- Se pensar nos olhos do nagual, irá perceber que há dois lados numa moeda - sussurrou Genaro.
Eu queria pensar no que ambos estavam dizendo, porém meus pensamentos não me obedeciam. Algo fazia pressão sobre mim. Senti que estava encolhendo. Tive uma sensação de náusea.
Vi as sombras do entardecer avançando rapidamente encosta acima naquelas montanhas do leste. Tive a sensação de que estava correndo atrás delas.
- É agora - disse Genaro em meu ouvido.
- Olhe o pico grande, olhe a cintilação - falou Dom Juan em meu outro ouvido.
Via-se realmente um ponto de brilho intenso onde Dom Juan havia apontado, no pico mais alto da cadeia. Observei o último raio de sol refletindo-se nele. Senti um frio na boca do estômago, como se estivesse em uma montanha-russa.
Senti, mais do que ouvi, o ruído distante de um terremoto que abruptamente me engolfou. As ondas sísmicas era tão altas e enormes que perderam todo o sentido para mim. Eu era um micróbio insignificante sendo torcido e virado.
O movimento diminuiu aos poucos. Houve mais uma sacudidela antes que tudo se detivesse. Tentei olhar ao redor. Não tinha qualquer ponto de referência. Parecia estar plantado, como uma árvore. Acima de mim havia uma cúpula branca, inconcebivelmente grande. Sua presença fez-me sentir exaltado. Voei em sua direção, ou melhor, fui lançado como um projétil. Tinha a sensação de estar confortável, cuidado, seguro; quanto mais perto chegava da cúpula, mais intensos se tornavam esses sentimentos. Finalmente venceram-me e perdi toda a consciência de mim mesmo.
A coisa seguinte que percebi foi estar ondulando suavemente no ar como uma folha que cai. Sentia-me exausto. Uma força de sucção começou a puxar-me. Atravessei um buraco escuro e então estava com Dom Juan e Genaro.

No dia seguinte, Dom Juan, Genaro e eu fomos a Oaxaca. Enquanto Dom Juan e eu perambulávamos pela praça, ao entardecer, ele repentinamente começou a falar sobre o que fizéramos no dia anterior. Perguntou-me se havia entendido ao que se referia quando dissera que os antigos videntes tropeçaram em algo monumental.
Disse-lhe que sim, mas que não podia explicar em palavras. - E o que acha que era a coisa principal que desejávamos que encontrasse no topo daquela montanha?
- Alinhamento - disse uma voz em meu ouvido, ao mesmo tempo em que eu dizia o mesmo.
Virei-me numa ação reflexa e dei com Genaro, que estava exatamente atrás de mim, caminhando em minhas pegadas. A rapidez de meu movimento surpreendeu-o. Abriu-se num sorriso e então abraçou-me.
Sentamo-nos. Dom Juan disse que havia pouquíssimas coisas que ele poderia dizer sobre o impulso que eu recebera da Terra, que os guerreiros estão sempre sós em tais casos e que as verdadeiras percepções vêm muito mais tarde, depois de anos de luta.
Disse a Dom Juan que o meu problema em compreender era aumentado porque ele e Genaro estavam fazendo todo o trabalho. Eu era simplesmente um personagem passivo, que só podia reagir às suas manobras. Não podia de maneira alguma iniciar qualquer ação, pois não sabia qual seria a ação apropriada, nem como iniciá-la.
- É precisamente esta a questão - disse Dom Juan.
Você ainda não deve saber. Você será deixado para trás, sozinho para reorganizar por sua própria conta tudo o que estamos fazendo com você agora. Essa é a tarefa que todo nagual tem de enfrentar.
"O nagual Julian fez a mesma coisa comigo, de um modo muito mais rude do que o usado com você. Ele sabia o que estava fazendo; era um nagual brilhante, que foi capaz de reorganizar em poucos anos tudo o que o nagual Elias lhe havia ensinado. Fez em tempo reduzidíssimo algo que tomaria a vida toda para você ou para mim. A diferença foi que o nagual Julian só necessitava de uma leve insinuação; a partir dali sua consciência assumia o comando, abrindo a única porta que existe."
- O que quer dizer, Dom Juan, a única porta que existe? - Quer dizer que, quando o ponto de aglutinação do homem se desloca além de um limite crucial, os resultados são sempre os mesmos para qualquer homem. As técnicas para fazê-lo deslocar-se podem ser muito diferentes, mas os resultados são sempre os mesmos, ou seja: o ponto de aglutinação aglomera outros mundos, auxiliado pelo impulso da Terra..
- O impulso da Terra é o mesmo para todos os homens,
Dom Juan?
- É claro. A dificuldade para o homem médio é o diálogo interno. A pessoa só pode usar o impulso quando atinge um estado de silêncio total. Você vai comprovar esta verdade no dia em que tentar usar o impulso sozinho.
- Eu não acho que devia tentar - disse Genaro sinceramente. - São necessários anos para tornar-se um guerreiro impecável. Para suportar o impacto do impulso da Terra, você precisa ser melhor do que agora.
- A rapidez do impulso irá dissolver tudo em você - disse
Dom Juan. - Sob seu impacto, tornamo-nos nada. Velocidade e sentido de existência individual não combinam. Ontem na montanha, Genaro e eu amparamos você e servimos de âncora; de outro modo você não teria regressado. Seria como alguns homens que, propositalmente, usaram esse impulso e entraram no desconheci do, onde continuam vagando em alguma imensidão incompreensível.
Queria que ele explicasse melhor, mas recusou-se. Mudou de assunto abruptamente.
- Há uma coisa que você ainda não compreendeu sobre a Terra ser um ser consciente. E Genaro, esse pavoroso Genaro, quer empurrá-lo até que compreenda.
Ambos riram. Brincando, Genaro deu-me um empurrão e piscou para mim enquanto pronunciava: "Eu sou pavoroso."
- Genaro é um capataz terrível, vil e rude - continuou Dom Juan.- Ele não se importa com seus medos e empurra-o sem dó nem piedade. Se não fosse por mim...
Era a imagem perfeita de um velho senhor bondoso e amável. Baixou os olhos e suspirou. Os dois caíram numa gargalhada ruidosa.
Quando se aquietaram, Dom Juan disse que Genaro desejava mostrar-me o que eu ainda não havia compreendido, que a suprema consciência da Terra é o que torna possível para nós passarmos para outras grandes faixas de emanações.
- Nós, seres vivos, somos percebedores - disse ele. – E percebemos por que algumas emanações do interior do casulo do homem se alinham com algumas emanações de fora. O alinhamento, portanto, é a passagem secreta, e o impulso da Terra é a chave. Genaro quer que você observe o momento de alinhamento. Olhe, para ele!
Genaro levantou-se como um ator e fez uma mesura, depois mostrou-nos que não trazia nada em suas mangas ou nas pernas de suas calças. Tirou os sapatos e sacudiu-os para mostrar que não havia nada escondido ali também.
Dom Juan estava rindo com total abandono. Genaro moveu suas mãos para cima e para baixo. O movimento criou uma imediata fixação em mim. Senti que nós três subitamente nos levantávamos e afastávamo-nos andando da praça, comigo entre os dois.
Enquanto continuamos andando, perdi minha visão periférica. Não distinguia mais as casas ou as ruas. Não percebi as montanhas ou a vegetação, também. Em dado momento, notei que havia perdido Dom Juan e Genaro de vista; em vez disso, via dois volumes luminosos movendo-se para cima e para baixo ao meu lado.
Senti um pânico instantâneo, que controlei imediatamente.
Tive a incomum porém bem conhecida sensação de que eu era eu mesmo mas, ainda assim, não o era. Estava consciente, entretanto, de tudo ao meu redor por meio de uma capacidade ao mesmo tempo estranha e extremamente familiar. A visão do mundo veio a mim de uma só vez. Tudo em mim via; a totalidade do que eu, em minha consciência normal, chamo de meu corpo era capaz de sentir como se fosse um enorme olho que detectava tudo. A primeira coisa que detectei após ver as duas bolhas de luz, foi um mundo violeta arroxeado feito de algo que parecia painéis e dosséis coloridos. Painéis chatos, semelhantes a telas de círculos concêntricos e irregulares, estavam por toda parte.
Senti uma grande pressão sobre mim e então ouvi uma voz em meu ouvido. Estava "vendo". A voz disse que a pressão se devia a meu movimento. Eu me movia junto com Dom Juan e Genaro.
Senti uma leve sacudida, como se tivesse rompido uma barreira de papel, e encontrei-me diante de um mundo luminescente. A luz se irradiava de toda a parte, mas sem ofuscar. Era como se o sol estivesse por irromper por detrás de nuvens brancas e diáfanas.
Estava olhando para baixo, para a fonte de luz. Era uma visão maravilhosa. Não havia massas de terras, apenas nuvens brancas e fofas e luz. E estávamos caminhando sobre as nuvens.
Então algo aprisionou-me novamente. Eu me movia com a mesma velocidade das duas bolhas de luz aos meus lados. Gradualmente, começaram a perder seu brilho, tornaram-se opacas e finalmente eram Dom Juan e Genaro. Estávamos caminhando por uma rua deserta, afastada da praça principal. Então voltamos.
- Genaro ajudou-o a alinhar suas emanações com as emanações livres ligadas a outra faixa - disse-me Dom Juan. - O alinhamento deve ser um ato muito pacífico, imperceptível. Nada de sair voando, nada de espetacular.
Disse que a sobriedade necessária para deixar que o ponto de aglutinação aglomere outros mundos é algo que não deve ser improvisado. A sobriedade deve estar madura e tornar-se uma força por si mesma para que os guerreiros possam romper impunemente a barreira da percepção.
Estávamos chegando mais perto da praça principal. Genaro não havia dito palavra. Caminhava em silêncio, como que absorto em seus pensamentos. Pouco antes de chegarmos à praça, Dom Juan disse que Genaro queria mostrar-me mais uma coisa: que a posição do ponto de aglutinação é tudo, e que o mundo que ele nos faz perceber é tão real que não deixa espaço para nada além da realidade.
- Genaro fará o ponto de aglutinação dele aglomerar outro mundo só para você ver - disse-me Dom Juan. - Então, você verá que, enquanto ele o perceber, a força de sua percepção não deixará espaço para mais nada.
Genaro caminhou à nossa frente e Dom Juan ordenou-me que girasse os olhos na direção contrária do relógio enquanto olhava para Genaro, para evitar ser arrastado com ele. Obedeci. Genaro estava a cinco ou seis passos de mim. Subitamente, sua forma ficou difusa e num instante ele se desvaneceu no ar.
Pensei sobre os filmes de ficção científica que havia visto, e perguntei-me se temos consciência subliminar de nossas possibilidades.
- Genaro está separado de nós nesse momento pela força da percepção - disse Dom Juan calmamente. - Quando o ponto de aglutinação aglomera um mundo, este mundo é total. Esta é a maravilha em que os antigos videntes tropeçaram sem nunca perceber o que fosse: a consciência da Terra pode dar-nos um impulso para alinhar outras grandes faixas de emanações, e a força desse novo alinhamento faz o mundo desaparecer.
"Todas as vezes que os antigos videntes realizavam um novo alinhamento, acreditavam ter descido às profundezas abaixo ou subido céus acima. Nunca souberam que o mundo desaparece no ar quando um novo alinhamento total nos faz perceber outro mundo total.""

Extraído do livro "O Fogo Interior" de Carlos Castaneda