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domingo, 16 de março de 2014

Os Fardos do Passado

Jiddu Krishnamurti, signo de touro e ascendente aquário, foi um filósofo,escritor, e educador indiano que estudou temas como revolução interior, meditação, conhecimento, liberdade, relações humanas, a natureza da mente, a origem do pensamento e mudanças na sociedade global. Enfatizou a necessidade de uma revolução na psique humana que não poderia ser conseguida por nenhuma entidade externa seja religiosa, política ou social mas que só poderia ocorrer através do autoconhecimento, meditação e rejeição de toda e qualquer forma de autoridade psicológica.
Vegetariano desde que nasceu, aos treze anos passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo, e estaria destinado a se tornar o 'Instrutor do Mundo', acontecimento que vinha sendo aguardado pelos teosofistas. Após fundada a Ordem Internacional da Estrela do Oriente, com Krishnamurti como chefe, ele um dia a dissolveu, frente aos discípulos atônitos. Era um iconoclasta, um revolucionário desapegado e descomprometido.
Suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religião específica, nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade:
"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (…)"
Durante o resto da existência, foi rejeitando insistentemente a imagem de guia espiritual que alguns tentaram lhe atribuir. Continuou a atrair grandes audiências por todo o mundo, mas recusando qualquer autoridade, não aceitando discípulos e falando sempre como se fosse de pessoa a pessoa. O cerne do seu ensinamento consiste na afirmação de que a necessária e urgente mudança fundamental da sociedade só pode acontecer através da transformação da consciência individual. A necessidade do autoconhecimento e da compreensão das influências restritivas e separativas das religiões organizadas, dos nacionalismos e de outros condicionamentos, foram por ele constantemente realçadas. Chamou sempre a atenção para a necessidade urgente de um aprofundamento da consciência, para esse "vasto espaço que existe no cérebro onde há inimaginável energia". 
A educação foi sempre uma da preocupações de Krishnamurti. Fundou várias escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos pudessem aprender juntos a viver um quotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior. Faleceu em 1986, com a idade de noventa anos. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de sessenta livros.

Os seus amigos estabeleceram fundações, na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina e na Índia, assim como Centros de Informação, em muitos países do mundo, onde se podem colher informações ele e a sua obra. As fundações têm carácter exclusivamente administrativo e destinam-se não só a difundir a sua obra mas também a ajudar a financiar as escolas experimentais por ele fundadas.
Ele vai falar dos fardos do passado, da mente tranquila, realização, disciplina, silêncio, verdade e realidade. Fácil, não?
Vamos lá:

"Na vida que em geral levamos há muito pouca solidão. Mesmo quando estamos sós, nossa vida está tão repleta de influências, de conhecimentos, de memórias e experiências, de ansiedade, aflição e conflito, que nossa mente se torna cada vez mais embotada e insensível, funcionando numa monótona rotina. Estamos sós, alguma vez? Ou estamos transportando conosco todas as cargas de ontem?

Conta-se uma história interessante de dois monges que, caminhando de uma aldeia para outra, encontraram uma jovem sentada à margem de um rio, a chorar. Um dos monges dirigiu-se a ela, dizendo: "Irmã, por que choras?" E ela respondeu: "Estás vendo aquela casa do outro lado do rio? Eu vim para este lado hoje de manhã cedo e não tive dificuldade em vadear o rio; mas, agora ele engrossou e não posso voltar; não há nenhum barco". "Oh!" diz o monge, "isto não é problema" - e levantou nos braços a jovem e atravessou o rio, deixando-a na outra margem. E os dois monges prosseguem juntos a jornada. Passadas algumas horas, diz o outro monge: "Irmão, nós fizemos o voto de nunca tocar numa mulher. O que fizeste é um horrível pecado. Não sentiste prazer, uma sensação extraordinária, ao tocar uma mulher?" - E o outro monge responde: "Eu a deixei para trás há duas horas. Tu ainda a estás carregando, não é verdade?"

É isso o que fazemos. Carregamos nossos fardos a todas as horas; nunca morremos para eles, nunca os deixamos para trás. É só quando dispensamos a um problema toda a nossa atenção e o resolvemos imediatamente, sem o transportarmos para o dia seguinte, o minuto seguinte - é só então que há solidão. Então, ainda que estejamos numa casa cheia de gente, ou viajando num ônibus, temos solidão. E essa solidão denota uma mente nova, uma mente inocente.

Ter silêncio e espaço interiores é muito importante, porque implica liberdade para existir, mover-se, atuar, voar. Afinal de contas, a bondade só pode florescer onde há espaço, assim como a virtude só pode medrar quando há liberdade. Podemos ter liberdade política, mas, interiormente, não somos livres e, por conseguinte, não há espaço. Nenhuma virtude, nenhuma qualidade valiosa, pode funcionar ou medrar sem esse vasto espaço interior. E o espaço e o silêncio são necessários, pois apenas a mente que está só, livre de influências, de disciplinas, do controle de uma infinita variedade de experiências, é capaz de encontrar-se com algo totalmente novo.

Cada um de nós pode verificar diretamente que só há possibilidade de clareza quando a mente se encontra em silêncio. No Oriente, a finalidade da meditação é produzir um estado mental capaz de controlar o pensamento, o que é a mesma coisa que recitar constantemente uma oração para quietar a mente, esperando-se que, nesse estado, se compreenderão os problemas do indivíduo. Mas, a menos que sejam lançadas as bases, ou seja que se esteja livre do medo, livre do sofrimento, da ansiedade e de todas as armadilhas que armamos para nós mesmos, não vejo possibilidade de a mente ficar realmente quieta. Esta é uma das coisas mais difíceis de transmitir. A comunicação entre nós requer, não só que compreendais as palavras que estou empregando, mas também que ambas as partes, vós e eu, estejam tensas ao mesmo tempo, nem um momento mais cedo ou mais tarde, e sejam capazes de encontrar-se no mesmo nível. Essa comunicação não é possível quando estais interpretando o que estais lendo de acordo com vossos próprios conhecimentos, vosso prazer ou vossas opiniões, ou quando estais fazendo um tremendo esforço para compreender.

Um dos piores tropeços na vida - parece-me - é essa luta constante para alcançar, conseguir, adquirir. Desde a infância somos educados para adquirir e realizar; as próprias células cerebrais criam e exigem esse padrão de realização, a fim de terem segurança física, mas a segurança psicológica não se encontra no campo da realização. Exigimos segurança em todas as nossas relações, atitudes e atividades, mas, como já vimos, não existe realmente essa coisa chamada segurança. Se descobris, por vós mesmo, que não há nenhuma forma de segurança em qualquer espécie de relação - se percebeis que, psicologicamente, nada existe de permanente, esse percebimento vos proporciona uma maneira totalmente diferente de considerar a vida. É essencial, naturalmente, a segurança exterior - teto, roupa, comida - mas essa segurança exterior é destruída pela exigência de segurança psicológica.

O espaço e o silêncio são necessários para ultrapassarmos as limitações da consciência, mas, como pode ficar quieta uma mente que está perenemente ativa em seu próprio interesse? Podemos discipliná-la, controlá-la, moldá-la, mas essa tortura não torna a mente quieta; só a torna embotada. Evidentemente, o mero cultivo do ideal de ter uma mente quieta é sem valor, porque, quanto mais a forçamos, mais estreita e estagnada ela se torna. Qualquer forma de controle, tal como a repressão, só produz mais conflito. Assim, o controle e a disciplina exterior não constituem o caminho certo, e tampouco tem algum valor uma vida não disciplinada.

A vida de quase todos nós é exteriormente disciplinada pelas exigências da sociedade, pela família, por nosso próprio sofrimento, nossa própria experiência, pelo ajustamento a certos padrões ideológicos ou factuais, e essa forma de disciplina é a coisa mais maléfica que existe. A disciplina deve ser sem controle, sem repressão, sem nenhuma forma de medo. Como pode nascer essa disciplina? Não é - primeiro disciplina, depois liberdade; a liberdade está bem no começo, e não no fim. Compreender essa liberdade, que significa estar livre do ajustamento que a disciplina impõe, é disciplina. O próprio ato de aprender é disciplina (aliás, a própria raiz da palavra disciplina significa aprender), o próprio aprendizado transforma-se em clareza. A compreensão de toda a natureza e estrutura do controle, da repressão e da complacência, requer atenção. Não é necessário impor disciplina para estudar, pois já o ato de estudar cria sua própria disciplina, sem repressão de espécie alguma.

Para rejeitarmos a autoridade (referimo-nos à autoridade psicológica e não à autoridade da lei), rejeitarmos a autoridade de todas as organizações religiosas, de todas as tradições e da experiência, temos de ver por que, normalmente, obedecemos; temos, com efeito, de estudar isso. Esse estado exige que nos achemos livres da condenação, da justificação, da opinião, da aceitação. Ora, não podemos aceitar a autoridade, e estudá-la; isso é impossível. Para se estudar toda a estrutura psicológica da autoridade, cumpre exista liberdade dentro de nós mesmos. E quando a estamos estudando, estamos rejeitando toda a sua estrutura, e quando rejeitamos, essa própria rejeição é a luz da mente livre da autoridade. A negação de tudo o que tem sido considerado valioso - como a disciplina externa, a liderança, o idealismo - é estudá-lo; então, esse próprio ato de estudar não só é disciplina, mas a negação dela, e a própria negação é um ato positivo. Assim, estamos negando todas as coisas consideradas importantes para promover a quietação da mente.

Como vemos, não é o controle que leva à quietação. Tampouco está quieta a mente ao ter um objeto que de tal maneira a absorve que ela se perde nesse objeto. Isso é como dar a uma criança um brinquedo interessante; a criança se torna quieta, mas, tire-se-lhe o brinquedo e ela volta a fazer travessuras. Todos nós temos os nossos brinquedos que nos absorvem, e, por isso, pensamos que estamos muito quietos; mas, se um homem se dedica a uma certa forma de atividade, científica, literária ou qualquer outra, o brinquedo apenas o absorve e ele não está, em absoluto, totalmente quieto.

O único silêncio que conhecemos é o silêncio que vem quando cessa o barulho, o silêncio que vem quando o pensamento cessa; mas isso não é silêncio. O silêncio é coisa toda diferente, como a beleza, como o amor. Esse silêncio não é o, produto de uma mente quieta, não é o produto de células cerebrais que, tendo compreendido toda a estrutura, dizem: "Pelo amor de Deus, fica quieto!"; são, então, as próprias células cerebrais que produzem o silêncio, e isso não é silêncio. Tampouco é o silêncio produto da atenção em que o observador é o objeto observado; não há então atrito, mas isso não é silêncio.

Estais esperando que eu vos descreva o que é esse silêncio, a fim de poderdes compará-lo, interpretá-lo, levá-lo e enterrá-lo. Ele é indescritível. O que pode ser descrito é o conhecido, e o estado livre do conhecido só pode tornar-se existente quando há um morrer todos os dias para o conhecido, para os insultos, as lisonjas, para todas as imagens que tendes formado, para todas as vossas experiências: morrer todos os dias, para que as células cerebrais se tornem novas, juvenis, inocentes. Mas, essa inocência, esse frescor, essa "qualidade" de ternura e delicadeza não produz o amor; não é a "qualidade" da beleza ou do silêncio.

Aquele silêncio, que não é o silêncio do fim do barulho, é só um modesto começo. Ê como passar por um túnel estreito para se chegar a um oceano imenso, vasto, extenso - a um estado imensurável, atemporal. Mas isso não se pode compreender verbalmente, a menos que se tenha compreendido toda a estrutura da consciência e o significado do prazer, do sofrimento e do desespero, e as próprias células cerebrais se tenham tornado quietas. Então, talvez alcanceis aquele mistério que ninguém pode revelar-vos e nada pode destruir. Uma mente viva é uma mente quieta, uma mente viva é uma mente que não tem centro algum e, por conseguinte, não tem espaço nem tempo. Essa mente é ilimitada, e esta é a única verdade, a única realidade."


J.Krishnamurti - Por que você não muda? Qual seria sua Resposta?


domingo, 11 de agosto de 2013

Atlântida e Clarividência

 No início dos anos 60 tive acesso a 2 livros do Dotô Manoel como era chamado meu velho pai, editados em espanhol por uma sociedade teosófica Inglesa: História de Los Atlantes, e La Perdida Lemuria de W. Scott-Elliot. Um achado fascinante. Apresentavam, cada um, além de todas as informações possíveis sobre a raça Atlante, um anexo com 4 mapas do relevo dos continentes como eram em várias épocas e formatos há até 1 milhão de anos atrás. Eu me perguntei "como é possível isso?". Na época o registro histórico mais antigo aceito pela ciência de plantão era um relato de Platão em Timeu e Crítias, que curiosamente citava em cerca de 10.000 a.c. o cataclisma que afundou a Ilha de Poseidon no Atlântico, na frente do Mediterrâneo, e que teria sido o último vestígio do continente atlante. 
A resposta da pergunta, que intriga muitos leitores do assunto até hoje, estava no prefácio da História de Los Atlantes, feita por Alfred Percy Sinnett, escritor e teósofo inglês:

"Leitores não familiarizados com os progressos realizados nos últimos anos por pessoas que pertencem à Sociedade Teosófica, que têm se dedicado intensamente ao estudo do ocultismo, talvez não interpretariam corretamente o significado do que é exposto neste livro, se não de obter algumas explicações preliminares .
A pesquisa histórica foi baseada até agora em registros escritos para a civilização ocidental. Na ausência de documentos literários, algumas vezes serviram os monumentos de pedra, e também os fósseis deram garantias inequívocas, embora desarticuladas, sobre a idade da raça humana, mas a cultura moderna perdeu de vista, ou ignorou as possibilidades relacionadas com a investigação de eventos passados independentes das evidências falíveis que nos foram transmitidas pelos escritores antigos. O mundo em geral conhece hoje tão imperfeitamente os recursos das faculdades humanas ocultas, que a maioria das pessoas rejeitaram desdenhosamente, que zomba da existência de poderes psíquicos que alguns de nós estão exercitando diariamente na sua vida sem perceber.
 A situação é, infelizmente ridícula, do ponto de vista de quem aprecia as perspectivas de evolução, com o fato de a humanidade tão teimosamente rejeitar um tipo de conhecimento, tão essencial aos seus progressos futuros.
 O maior grau de cultura  de que é suscetível a inteligência humana ao não aceitar todos os recursos de consciência espiritual mais elevada, não poderá  nunca ir além dos limites de um processo preparatório, em comparação com o que poderia desenvolver-se o suficiente se aumentasse seus poderes para entrar em relações conscientes com planos ou aspectos supra-físicos da natureza.
 Para quem tem paciência para estudar os resultados das pesquisas psicológicas que têm sido publicados nos últimos 50 anos, devem ficar claros os fundamentos inabaláveis da realidade da clarividência como um possível fenômeno da inteligência humana.
 Para aqueles que não são ocultistas, ou seja, pessoas dedicadas ao estudo dos aspectos mais elevados da natureza, e que estão em uma posição só de obter uma educação superior que os livros poderiam fornecer, a negação das possibilidades da clarividência está no mesmo nível da descrença dos africanos sobre  a existência do gelo.
 Mas as experiências de clarividência adquiridas por aqueles que a estudaram em conexão com o magnetismo, prova que existe na natureza humana um poder de conhecer os fenômenos físicos, no que diz respeito ao espaço e com relação ao tempo, de uma forma que não tem nada a ver com os sentidos físicos.
 Aqueles que estudaram os mistérios da clarividência em conexão com os ensinamentos teosóficos, foram persuadidos de que os recursos mais significativos deste poder, superam tanto os mais rudimentares obtidos por pesquisadores sem essas capacidades como os recursos da alta matemática ultrapassam os da aritmética simples.
 A clarividência é de vários tipos, cada um das quais ocupa distintamente seu devido lugar quando chegamos a apreciar a forma diferente  como a consciência humana trabalha nos diferentes planos da natureza.
 A capacidade de ler as páginas de um livro fechado, de distinguir objetos vendados ou a distância do observador, é muito diferente da que é utilizada para o reconhecimento de eventos passados.
 É desta última que devemos dizer alguma coisa, para que se possa compreender o verdadeiro caráter deste tratado sobre os Atlantes, no entanto fiz alusão a outras de modo que a explicação que estou apresentando não seja tomada erroneamente por uma teoria completa da clarividência em todas as suas variedades.
 Para obter uma melhor compreensão dos eventos passados relacionados com clarividência, consideraremos em primeiro lugar os fenômenos da memória.
 A teoria que atribui a esta ajustes imaginários das moléculas físicas da matéria cerebral que estão constantemente se formando em cada momento de nossas vidas, só pode ser aceita por aqueles que não sobem um grau acima do nível pensante e não transcendental do ateísmo e materialismo.
 Para todos os que aceitam apenas como hipótese racional a ideia de que o homem é algo mais do que um quadro animado deve parecer igualmente permissível que a memória esteja relacionada com o verdadeiro princípio do homem que é suprafísico.
 Sua memória, em uma palavra, é uma função que pertence a um plano que não é físico.
 Os registros de memória são impressos, é claro, em algum meio não físico e tornam-se acessíveis ao pensador, nos casos ordinários, pelo esforço feito mas tão inconscientes de sua verdadeira natureza como é impulso do cérebro que atua sobre os músculos do coração.
 Os acontecimentos do passado com os quais a memória se relaciona, estão fotografados pela natureza em uma página de material imperecível suprafísica, e fazendo um esforço apropriado interno chega-se a tê-los presentes quando necessário, dentro da área de alguma percepção interior que reflete sua percepção no corpo físico.
 Não podemos todos fazer esse esforço com êxito e a memória obtida é, por vezes, pouco vívida, mas mesmo em experimentos de pesquisa do magnetismo a sobre-excitação da memória no estado magnético é um fato familiar.
 Os resultados demonstram claramente que os registros da Natureza (N.R. - ou registros akáshicos) são acessíveis se você sabe como recuperá-los, ou até mesmo de alguma forma melhorar a capacidade de fazer o esforço necessário para obtê-los, sem a necessidade de ter maior conhecimento sobre o sistema utilizado, e essa idéia nos leva a conceber sem violência que os registros da natureza não são de coleções separadas de propriedade individual, mas constituem a memória da própria natureza, o que pode atrair pessoas diversas em diferentes proporções de acordo com os suas faculdades.
 Não quero dizer com isso que essa idéia é, necessariamente, uma conseqüência lógica da outra, embora os ocultistas sabem que o que eu descrevi é um fato; o objeto que eu proponho é apenas para mostrar o leitor leigo como é que o ocultista avançado consegue seu propósitos neste ponto, e sem ter a intenção com isso, nesta breve explicação, de resumir todas as fases de sua evolução mental.
 Você deve consultar a literatura teosófica, em geral, se você deseja obter uma compreensão mais ampla das perspectivas inigualáveis e demonstrações práticas dos ensinamentos em muitos ramos que, no curso do desenvolvimento do movimento teosófico, deram o público para o benefício de todos aqueles que estão em condições de aproveitá-la.
 A memória da Natureza é realmente uma incrível unidade, do mesmo modo que em outro sentido vemos que toda a humanidade é uma unidade espiritual, considerando o alto plano da Natureza, onde há uma convergência maravilhosa, em que a unidade acontece sem perda da individualidade.
 Na massa comum humana, compreendendo a maioria das pessoas que ainda estão nos primeiros degraus da escada da evolução, as faculdades internas espirituais, superiores ao que o cérebro como instrumento expressa acham-se ainda pouco desenvolvidas e portanto, não é permitido qualquer contacto com o registro dos vastos arquivos da memória da natureza, exceto aqueles que estão associados individualmente desde a sua criação. O esforço interno cego que são capazes de fazer, não pode por regra geral atrair outros, mas mesmo em um modo vacilante, temos exemplos na vida cotidiana de esforços mais eficazes, sendo a "transmissão de pensamento" um de seus humildes resultados.
 Neste caso, as "impressões na mente" de uma pessoa, ou seja os registros de memória da natureza, com as quais está em relação normal, são capturados por um outro que na época é capaz, ainda que inconscientemente do sistema que emprega, de colocar a memória da natureza em condições favoráveis, um pouco além da área que geralmente está relacionado ao seu estado normal.
 Essa pessoa começou, então, ainda que ligeiramente, a exercer a faculdade da clarividência astral, um termo que pode ser convenientemente utilizado para designar o tipo de clarividência que eu agora tento explicar, que é o que tem sido utilizado em seu desenvolvimento superior para realizar investigações que têm sido a base para a compilação do presente relato dos atlantes.
 Recursos de clarividência realmente não tem limite nas investigações sobre a história passada da terra, e se relacionam com os eventos da raça humana em tempos pré-históricos, ou para o desenvolvimento do próprio planeta através de períodos geológicos anteriores ao aparecimento do homem, ou com os eventos mais recentes, cujos relatos foram distorcidos por historiadores descuidados ou mal-intencionados.
 A memória da Natureza é infalivelmente precisa e de uma profundidade infinita.
 O tempo virá, tão certo como a precessão dos equinócios, quando o método literário será descartado como antiquado em todos os casos de obras originais.
 Muito poucas são as   pessoas entre nós ainda capazes de exercitar a clarividência astral com perfeição, que ainda não foram chamados para ocupar funções superiores em relação ao progresso humano. Muitos são aqueles que sabem o que podem fazer esses poucos, e por qual processo de educação permanente e disciplina passaram, perseguindo os ideais internos, entre os quais a clarividência é apenas uma circunstância individual, mas, no entanto, formam uma pequena minoria em relação com o mundo culto.
 Mas alguns de nós têm motivos para estar confiantes de que, com o tempo, e em um futuro não muito distante, o número de videntes de verdadeira competência aumentará o suficiente para estender o círculo de pessoas que conhecem os seus poderes, e até  chegarão a abarcar toda a inteligência e cultura da humanidade civilizada dentro de algumas gerações.
 Enquanto isso, este livro é o primeiro estudo exploratório que se apresenta como o novo método de pesquisa histórica, e aqueles que estão interessados, nele que não pode deixar de sorrir ao pensar em como, inevitavelmente será considerado como um trabalho de imaginação, por algum tempo ainda, pelo leitores materialistas, incapazes de admitir a explicação franca dada aqui sobre como ele foi produzido.
 É apropriado dizer algumas palavras para não assumir que a investigação por meio de clarividência astral, tentando períodos longe de nós por centenas de milhares de anos, é um processo que não envolve muito trabalho: todos os fatos relacionados neste volume foram coletados peça por peça com extremo cuidado no curso de uma investigação, que envolveu mais de uma pessoa competente, em intervalos obtidos em suas outras ocupações, e por alguns anos.
 E para contribuir para o sucesso da sua empreitada, eles foram autorizados a examinar alguns mapas e outros registros preservados fisicamente em períodos remotos em questão, que se acham mais bem guardados do que estariam por raças turbulentas na Europa, ocupadas no desenvolvimento da civilização por breves intervalos de descanso que as guerras permitem, e oprimidas por um fanatismo que têm considerado a ciência como um sacrilégio.
 No entanto, por mais trabalhosa que tem sido a tarefa, será amplamente compensada pelos que assumam o como é absolutamente necessária para a devida compreensão do mundo como o vemos hoje, o entender a fase anterior Atlante.
 Sem esse conhecimento, qualquer especulação sobre etnologia é fútil e errônea.
 O curso de desenvolvimento das raças é um caos e confusão sem a chave da civilização atlante e a configuração da terra naqueles dias.
 Os geólogos sabem que a superfície da terra e dos mares mudou várias vezes durante o período em que as terras eram habitadas, como mostra a situação de restos humanos em várias camadas geológicas.
 E, no entanto, por falta de conhecimento preciso sobre os momentos em que essas mudanças ocorreram, descartam toda a teoria de suas opiniões práticas e, excetuando-se certas suposições feitas por alguns naturalistas ao tratar o hemisfério sul, têm procurado, por regra geral,  harmonizar a migração das raças com a configuração da terra, tal como existe hoje.
 Assim, se estabelece uma confusão em todo o passado, e o esquema etnológico permanece tão vago e obscuro, que não consegue dissipar o conceito rudimentar do princípio da humanidade onde ainda prevalece no pensamento religioso, detendo o progresso espiritual do período .
 O declínio e eventual desaparecimento da civilização atlante, é tão instrutivo como sua elevação e glória, mas eu já realizei o objeto principal de uma breve explicação a que me propus, como uma introdução do livro que agora é apresentado ao mundo, e se o que apresentei não é suficiente para fazer compreender a sua importância para qualquer um dos leitores a quem me dirijo, nenhum outro tipo de recomendação seria capaz de obter tal resultado.
 A. P. Sinnett"

Os 4 mapas do livro Historia de Los Atlantes 

Mapa 1 - entre 1 milhão até o cataclismo de 800 mil anos atrás. Em azul estão os relevos remanescentes da Lemúria. Em vermelho da Atlântida. Em contornos sem cor, os relevos atuais para efeito comparativo.



Mapa 2 - Relevo terrestre entre o cataclismo de 800 mil anos atrás até o de 200 mil anos atrás.



Mapa 3 - Relevo terrestre entre o cataclismo de 200 mil anos atrás até o de 80 mil anos atrás. A Atlântida ficou dividida entre duas grandes extensões: Ruta e Daitya


Mapa 2 - Relevo terrestre entre o cataclismo de 80 mil anos atrás até a submersão da Ilha de Poseidon em 9564 anos A.C.