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domingo, 12 de janeiro de 2014

As 7 Glândulas Endócrinas

Segundo as tradições, as 7 glândulas endócrinas  humanas (de secreção interna) tem uma ligação com o nosso corpo energético através dos 7 chakras, assim como é com Gaia, o ser vivo que é o planeta Terra. Cada glândula está astrologicamente sob a regência de um planeta do qual recebe influência e tem correspondência com as 7 cores do espectro solar e, no nível do corpo, são simbolizadas pelas 7 Igrejas da Ásia citadas no Apocalipse (o livro das revelações) de São João.
A tradição Rosacruz dispensa apresentações. Este texto abaixo é a visão Rosacruz das 7 glândulas:

"A saudação Rosacruz: "Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz", com a qual os Irmãos Maiores saúdam as Almas Aspirantes (vide Conceito Rosacruz do Cosmos — Cap XIX), encerra um enorme e importante significado, digno de ser conhecido por todos os estudantes da Fraternidade Rosacruz.
O sangue é a expressão mais elevada do corpo vital, devido a que este leva o alimento a todo o corpo, e o EU governa o corpo físico por meio desse fluido, o qual é gasoso nas partes mais internas do corpo. Nas pessoas que vivem uma vida pura, os ferimentos podem cicatrizar-se em questão de horas. É de notar-se que o nível evolucionário de uma pessoa está indicado pela eletrificação ou espiritualização de seu sangue.
Assim como nossa Terra tem sete centros espirituais, assim também nosso corpo físico tem em seu interior sete glândulas, chamadas endócrinas. Estas glândulas podem ser chamadas as “Sete Rosas sobre a Cruz do Corpo Vital", são: as supra-renais (em número de duas) o baço, o timo, a tireóide, a pituitária e a pineal.
Essas glândulas estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da humanidade, como podemos concluir da seguinte explicação:
A palavra de Deus se manifesta nos sete grandes tons emitidos pelos Sete Espíritos Planetários. Estes tons são criadores no mais alto grau. Quando a forma que o Ego habita é criada, estes Espíritos Planetários a ajudam no desenvolvimento de suas potencialidade latentes. Essa ajuda é dada a humanidade através das glândulas endócrinas — as Sete Rosas.
Cada uma dessas glândulas é despertada quando o Ego põe em atividade seus poderes latentes, estando cada uma delas em sintonia com a nota-chave de um espírito planetário.
Assim no curso do esquema evolutivo, cada Espírito Planetário, por meio de sua nota-chave, vai despertando gradualmente a nota-chave, que está afinada a essa Hierarquia. Quando esta nota-chave desperta, o Ego desenvolve os poderes latentes expressos pelo Espírito Planetário particular.
Nos próximos "ECOS” veremos como isso se processa com cada uma das sete glândulas e o que podemos fazer para apressar o desabrochar das Sete Rosas.

AS DUAS PRIMEIRAS ROSAS: SUPRA RENAIS ( Região Química)
 É um par de glândulas situado sobre os rins, tomando a forma de um guarda chuva de três bicos. Estão regidas por Júpiter. Quando alguém se põe em contato com as vibrações benéficas deste planeta, sente-se desembaraçado, expansivo, e possuído de um urgente desejo de transformar seus sentimentos em serviço para os desventurados filhos do Grande Pai.
A má utilização dessas forças, no entanto, se expressa como excesso a segurança de si mesmo, exibicionismo, desordem e libertinagem.
Utilizando o poder espiritual gerado pelas supra renais, o Ego possui a força necessária para aperfeiçoar seu corpo denso e conquistar o mundo físico, o qual completa sua evolução sobre esta esfera. O centro espiritual nestas glândulas vibra na cor azul.
A TERCEIRA ROSA: BAÇO(*) (Região Etérica)
O baço pesa de cinco a seis onças, é brando, esponjoso e frágil, Possui uma cor vermelho azulado profundo, e está situado ao lado esquerdo do estômago.
O mau uso destes poderes se expressam como: arrogância, ostentação, pompa domínio sobre os outros, um verdadeiro déspota.
Está regido pelo Sol, que contém em si mesmo todos os outros tons planetários. O desenvolvimento desta Rosa dá ao indivíduo a consciência necessária para entrar em contato com a Região Etérica, donde vê as forças vitais que dão vida às plantas, aos animais e aos homens.
(*)Nota da redação: Há textos tradicionais que consideram a glândula pâncreas e não o baço como integrante das sete.
A QUARTA ROSA: GLÂNDULA TIMO (Mundo do Desejo)
É uma massa pardacenta que ao ser cortada tem a aparência de uma moela, estando situada entre os pulmões, atrás do externo. Alcança seu maior tamanho no começo da puberdade; sendo que ao nascimento pesa ao redor de meia onça e seu comprimento é de duas polegadas.
Vênus controla a glândula timo. Quando a nota-chave deste planeta.põe em atividade a nota correspondente no timo, o indivíduo desenvolve o amor em sua mais elevada expressão, habilidade artística, formosura, harmonia e alegria.
O mau uso destes poderes se expressa como vulgaridade, preguiça, vaidade, sensualismo e inconstância.
Ao fazer sua aparição, a quarta Rosa conecta o indivíduo com os elevados reinos no Mundo do Desejo. Aqui, entra em contato com a onda de vida Arcangélica da que Cristo é o maior Iniciado. O centro espiritual da timo vibra na cor amarela.
A QUINTA ROSA: A GLÂNDULA TIREÓIDE (Mundo do Pensamento)
A Tireóide é formada por duas massas de cor marrom, situadas sobre o extremo superior da traquéia, e pegadas à laringe, logo abaixo do pomo de Adão; pesa ao redor de uma onça.
Essa glândula é regida por Mercúrio. Quando os poderes desta grande Hierarquia se desenvolvem no homem, manifestam-se: razão, intelecto, previsão, boa memória, investigação, juízo rápido, eloqüência, destreza, facilidade de expressão oral e escrita, auto-didática, etc.
O mau uso destes poderes se expressam como: presunção, astúcia, preguiça, descuido, falta de princípios, tagarelice, profanação, desonestidade, afeição pelos jogos, indecisão e nervosismo.
Quando a nota chave da Quinta Rosa desperta, o indivíduo, assistido pela música das esferas, entra em contato consciente com o Mundo do Pensamento onde vê os arquétipos de tudo o que existe no Mundo Físico.
Este indivíduo conseguiu o controle de sua mente e mantém o equilíbrio poder entre o cérebro e os órgãos reprodutores. O Espírito é agora quem governa sua natureza inferior. O centro espiritual da Tireóide, vibra com uma cor violeta.
A SEXTA ROSA: A GLÂNDULA PITUITÁRIA (Mundo do Espírito de Vida)
É uma massa de tecido celular cinza amarelada, mais ou menos do tamanho de uma ervilha, situada quase no centro da cabeça, na base do cérebro, abarcando a parte posterior da base do nariz.
Quando a celestial nota chave de Urano desperta a nota chave do Corpo Pituitário, a Sexta Rosa abre suas douradas pétalas, exaltando a consciência do indivíduo até o Mundo do Espírito de Vida. Essa é região do altruísmo.
Neste elevado reino se acha o registro de tudo quanto existiu desde o princípio da criação, e o indivíduo pode obter a informação que deseje sobre a evolução de nosso mundo e também de outros planetas de nosso Sistema Solar. Maria, a mãe de Jesus, é um exemplo do tipo pituitário feminino.
A cor do Espírito de Vida, a de Urano e a do Éter de Luz, é o amarelo.
A SÉTIMA ROSA: A GLÂNDULA PINEAL (Mundo do Espírito Divino)
Como seu nome indica, é um corpo em forma de cone, como uma pinha. de cor avermelhada e um pouco maior que um grão de trigo, seu peso e cerca duas gramas. Está ligada à abobada do terceiro ventrículo do cérebro, atrás e acima do Corpo Pituitário.
A Glândula Pineal é regida por Netuno, a luz portadora do Sol Espiritual, que é o Pai. A natureza desse planeta é oculta, profética e espiritual; manifesta-se no plano físico como: sabedoria, espiritualidade, inspiração, clarividência, profecia, devoção, habilidade de conexão com a música das esferas. Em suma: “O Iniciador”.
Quando a nota chave da Sétima Rosa é despertada pela vibração do Espírito de Netuno a consciência do indivíduo se eleva até o Mundo do Espírito Divino. Relaciona-se com outros sistemas solares e chega a saber sobre outros deuses e os mundos e seres que foram criados por Eles.
O Raio de Netuno leva o que o ocultista conhece como o Fogo do Pai, a Luz e a Vida do Espírito Divino, que se expressa como Vontade.
Quando a Glândula Pineal sai de sua letargia começa a vibrar com uma formosa cor azul.
Abaixo um quadro-resumo que pode facilitar a assimilação deste tema."


Glândula EndócrinaBem AdministradaMal AdministradaMundo CorrespondentePlaneta Regente
Supra Renais (2)
  • Benevolência
  • Expansão
  • Filantropia
  • Exibicionismo
  • Libertinagem
  • Extravagância
Mundo FísicoJúpiter
Baço
  • Vitalidade
  • Fidelidade
  • Dignidade
  • Despotismo
  • Arrogância
  • Domínio
Região EtéricaSol
Timo
  • Amor elevado
  • Artes
  • Cooperação
  • Sensualidade
  • Preguiça
  • Vulgaridade
Mundo dos DesejosVênus
Tireóide
  • Raciocínio
  • Meditação
  • Estudos
  • Astúcia
  • Indecisão
  • Desonestidade
Mundo do PensamentoMercúrio
Pituitária
  • Clarividência
  • Misticismo
  • Altruísmo
  • Perversão
  • Licenciosidade
  • Anarquia
Mundo do Espírito de VidaUrano
Pineal
  • Devoção
  • Inspiração
  • Espiritualidade
  • Ilusão
  • Magia Negra
  • Intriga
Mundo do Espírito DivinoNetuno

Veja ainda as obras: A Astrologia e as Glândulas Endócrinas e O Mistério das Glândulas Endócrinas de Max Heindel e Augusta Foss Heindel.

sábado, 6 de outubro de 2012

Pandora e Prometeu, Adão e Eva, Lúcifer e outros "causos"

 A mitologia grega é pura astrologia ocidental, pelo menos no que se refere aos personagens maiores, os deuses do Olimpo, e nos traz uma versão similar à bíblica no que se refere à origem do sofrimento, através do mito de Pandora. Mas antes de entender esse mito, vale a pena começar a narrativa com a história de Prometeu e seu irmão Epimeteu, relacionados a Pandora.
Na mitologia grega, Prometeu e Epimeteu são dois titãs, que pertencem ao grupo dos antigos deuses, ou seja, os que governavam antes dos deuses olímpicos, mais conhecidos graças à Astrologia. Conta a lenda que as criaturas foram feitas da terra, do limo e do fogo e depois de prontas, foi dada a tarefa a estes dois irmãos de distribuir os atributos às espécies. Epimeteu atribuiu então a cada animal uma série de habilidades: a uns dava força, a outros agilidade, a outros asas, chifres, veneno, etc. Quando chegou na última criatura, o homem, já havia distribuído todos os dons entre os outros animais. Recorreu então a seu irmão, Prometeu, que decide roubar o fogo dos deuses e doá-lo à humanidade. Em represália, Zeus manda acorrentar Prometeu em uma rocha e uma águia (ou abutre) vem todos os dias para devorar o seu fígado. À noite, como Prometeu é imortal, o fígado se regenera e no dia seguinte novamente o seu fígado é devorado. Prometeu permanece nesse sofrimento até o dia em Héracles (ou Hércules) o liberta.
Os deuses decidem castigar também a humanidade por ter se apropriado do fogo sagrado. Para tanto, criam Pandora, a primeira mulher e cada deus deposita um de seus atributos nela e a enviam a Epimeteu, que a toma como esposa, apesar das advertências do irmão para não aceitar presentes dos deuses. Junto com Pandora, enviam uma caixa fechada, que dizem a ela que não deve abrir. Mas uma bela noite, tomada pela curiosidade, Pandora decide abrir a caixa e de dentro dela saem todos os males do mundo, como a fome, a doença, a guerra e o sofrimento. E depois de sair todos os males, sai de dentro da caixa uma pequena estrela que representa a esperança.
O nome “Prometeu” significa “aquele que prevê” ou “que pensa antes de fazer” e Epimeteu “aquele que pensa depois”, ou seja, Prometeu é o símbolo daquele que é precavido, prudente e ponderado, enquanto que Epimeteu é o seu oposto, ou seja, é a espontaneidade, a imprudência e a impetuosidade. Ambos representam a natureza humana, em seu antagonismo intelecto x instinto, razão x impulso.
Tal como o Criador faz a criação à sua imagem, Epimeteu dá os atributos aos animais, que são justamente a expressão instintiva da natureza, enquanto que Prometeu dota os homens com a capacidade do raciocínio, da abstração e da metodologia. Mas ele ainda dá algo mais aos homens, que é algo que ele, por si só, não possui: o fogo sagrado. O fogo sagrado é o que diferencia o ser animal do ser espiritual e ao receber esse presente, o homem passa a desfrutar da possibilidade de ser como os deuses.
No Gênesis bíblico, o fogo sagrado corresponde à árvore do conhecimento do bem e do mal, de onde provém a sabedoria e que tem suas raízes compartilhadas com a árvore da vida. No Gênesis, o homem é expulso por ter comido da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois “se tornou como um de nós” (Deus, ou melhor, os Elohim) e caso comesse da árvore da vida, se tornaria ainda imortal. No mito grego, o fogo sagrado é o que separa os deuses dos homens e ao recebê-lo, podem realizar prodígios que antes só poderiam ser feitos pelos deuses.
No mito judaico, ao comer do fruto proibido o casal é expulso do paraíso e lançado ao mundo. No mito grego, ao receber o fogo sagrado são castigados com o recebimento dos males do mundo, o que em síntese é a mesma coisa.
Na mitologia grega, Pandora (que significa bem dotada) foi a primeira mulher que existiu na Terra. Criada por Zeus (Júpiter) para castigar os homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo, ela surgiu para o mundo como resultado da participação de vários deuses em sua formação: o primeiro a colaborar nesse sentido foi Hefesto (Vulcano), que moldou sua forma a partir de argila; depois dele, Afrodite (Vênus) deu-lhe beleza; em seguida, Febo (Apolo) incutiu-lhe talento musical; Ceres (Deméter) ensinou-lhe a arte da colheita; Atena (Minerva) concedeu-lhe a habilidade manual; Mercúrio (Hermes), dotou-a do dom da persuasão; Poseidon (Netuno) forneceu-lhe um colar de pérolas e a certeza de não se afogar, além de outros mais. São as qualidades olímpicas dadas ao ser humano. Ao final, Zeus (Júpiter), após arrematar a obra dando-lhe uma série de características pessoais, enviou-a para a Terra, onde ela foi dada como presente a Epimeteu, irmão de Prometeu.
Sobre esse episódio, diz a lenda que antes de ele acontecer o titã Prometeu e seu irmão, pertencentes a uma raça gigantesca que antecedeu o homem sobre a Terra, foram encarregados pelos deuses de fazer tanto a criatura humana como os animais, dando a cada um deles as necessárias condições de preservação no ambiente onde viveriam. Epimeteu encarregou-se imediatamente da tarefa atribuindo a cada bicho os dons e atributos de que ele precisaria para sobreviver (como velocidade, rapidez, valentia, asas, garras, dentes, guelras, etc.), mas quando chegou o momento de produzir o homem, que deveria ser superior aos demais seres que com ele compartilhariam a vida terrena, já não dispunha mais dos recursos de que precisava para fazer isso. Desorientado e sem saber como proceder, ele então recorreu ao irmão, que para socorrê-lo subiu ao céu com a ajuda de Atena (Minerva) e lá acendeu sua tocha no carro de Hélios, o deus-sol, trazendo o fogo para o homem e dando-lhe, assim, o recurso com que poderia subjugar as outras espécies vivas.
Zeus irritou-se com a atitude de Prometeu, e desejando puni-lo pela audácia cometida, enviou-lhe a recém-acabada Pandora, mas o titã a recusou polidamente. Em seguida ela foi oferecida a Epimeteu, que apesar da recomendação do irmão no sentido de que desconfiasse sempre dos presentes dados pelo deus maior, a aceitou de bom grado e casou-se com ela. Para alguns autores, a primeira mulher levava consigo uma caixa que continha todos os males do mundo, tais como doenças do corpo (cólicas, reumatismo, gota, etc.) e do espírito (inveja, despeito, vingança, etc.); para outros, no entanto, era Epimeteu que possuía uma caixa onde guardava certos sentimentos malignos que preferira não dar ao homem quando o estava preparando. Uma terceira versão sustenta que por ordem de Zeus, Prometeu foi preso e condenado a ficar acorrentado no alto de uma montanha, aonde, todos os dias, uma águia ou abutre gigante vem comer-lhe as vísceras, que são regeneradas à noite, ficando fadado, portanto, a sentir dores por toda eternidade. Antes, porém, ele deixou com seu irmão uma caixa contendo todos os males que poderiam atormentar o homem, pedindo-lhe que a olhasse com cuidado e não deixasse ninguém se aproximar dela. Atendendo a essa recomendação, Epimeteu havia colocado duas gaiolas com gralhas no fundo da caverna onde morava, escondendo a caixa entre elas. Desse modo, caso alguém se aproximasse sem que ele o percebesse, as gralhas fariam um barulho insuportável, alertando-o sobre o intruso..
Mas, Pandora, seduzindo-o, conseguiu convencê-lo a tirar as gralhas da caverna alegando que não se sentia bem com as aves por perto porque tinha medo delas. Epimeteu atendeu à esposa, e mais tarde, após tê-la amado, caiu em sono profundo. Valendo-se da oportunidade Pandora foi até a caixa e a abriu, permitindo que males como mentira, doenças, inveja, velhice, guerra e morte e outros mais, de lá saíssem em turbilhão, de forma tão assustadora que ela entrou em pânico e fechou o estojo antes que o último deles conseguisse escapar: o que acaba com a esperança
Uma outra versão diz que a intenção de Zeus quando mandou Pandora para a Terra, era a de agradar aos homens, e que seu presente de casamento à moça foi uma caixa onde cada um dos deuses havia colocado um bem. Infelizmente, porém, Pandora abriu a caixa sem querer, e todos os bens escaparam e desapareceram, com exceção da esperança, jóia preciosa que fortifica o homem e lhe dá condição de enfrentar todos os males com que a vida o maltrata.
Também existe uma grande semelhança entre Pandora e Eva. Ambas são a primeira mulher e ambas são vítimas de uma armadilha. A primeira armadilha é a história de que “de tudo você pode comer, menos daquilo lá”. Dizer isso para uma criança (inocente), por exemplo, já é o suficiente para aguçar a sua curiosidade. Mas colocar ainda alguém lá, instigando, dizendo “você não tem curiosidade de saber por que será que não pode comer…?”, convenhamos, é uma situação impossível de se vencer. O mesmo acontece com Pandora. Os deuses dizem pra ela: “Leve a caixa, mas não abra!” Isso nos faz inferir que a queda era parte do drama da existência, condição sem a qual não se poderia chegar algum dia à verdadeira sabedoria. Para subir, é necessário primeiro baixar, diz o postulado hermético.
Os gnósticos do século II, considerados como grandes hereges por parte da igreja, faziam uma interpretação muito distinta da que hoje fazemos do Gênesis. Eles diziam que a serpente, na verdade, é o próprio Demiurgo, o Deus do Velho Testamento (assim como a árvore, a maçã e ainda o querubim que ficou na porta, com a espada de fogo). O mais curioso é que em nenhum momento a serpente mentiu para Eva, pois Deus supostamente não queria que se comesse da maçã porque quando eles comessem, enxergariam como Deus (fato que depois é confirmado no mesmo texto).
Ambos os textos ainda deixam uma ponta de esperança à humanidade. O querubim bíblico não barra a porta eternamente, mas apenas protege a árvore da vida para que a impureza humana não a alcance. Igualmente, ao libertar os males do mundo, Pandora fez surgir na natureza humana a esperança, que é a fonte do ânimo para lutar e triunfar sobre todos os males. Isso nos faz entender que no momento em que somos lançados ao sofrimento é que inicia o trabalho de purificação e ascensão.
Prometeu e Epimeteu simbolizam a natureza humana, de origem divina, porém confinada à experiência mundana, uma vez que não vivem no Olimpo. Essa natureza é dual: ela pode ser racional e sensata (Prometeu), porém também pode ser inconsequente (Epimeteu). Pela natureza sensata nos foi dado o direito de desfrutar do fogo sagrado. O fogo é símbolo do instinto procriador, sexual. Mas o fogo sagrado é mais do que isso. Ele é roubado dos Céus para ser entregue aos homens, seres que podem fazer um uso racional dele. Ainda assim, é fogo, mas é divino. Representa esse mesmo impulso sexual voltado para a sublimação da natureza humana em algo superior, divino. Novamente comparando ao Gênesis, o homem foi feito à imagem e semelhança do Criador, o que significa que a ele foi dado o poder de criar e esse poder reside nas gônadas sexuais. Mas a criação não se restringe a criar uma nova vida apenas, pois foi dito “crescei e multiplicai-vos”. “Crescer” refere-se a aprender a manejar sabiamente o fogo sagrado, em prol do auto-aperfeiçoamento.
Prometeu, ao tomar o fogo sagrado para a espécie humana (que na verdade é ele próprio a essência dessa natureza, junto com Epimeteu), é castigado pelos deuses, assim como Adão, que é expulso do Éden e a partir de então deve lavrar a terra com o suor de seu trabalho. Prometeu é acorrentado à dura rocha e a ave de rapina vem devorar seu fígado todos os dias e à noite, o fígado se regenera. Prometeu, simbolizando o aspecto mais racional e sensato da essência humana, é acorrentado à rocha (a matéria, o corpo carnal, com seus desejos e paixões) e o abutre dos desejos vem devorar o seu fígado (que os gregos – assim como os chineses – acreditavam ser a morada dos desejos). Em outras palavras, o sacrifício de Prometeu é submeter-se, como ser racional, às paixões humanas, consequência natural da tomada do fogo sagrado, pois mesmo sendo sagrado, ele arde e queima. À noite, ou seja, no momento em que há o repouso da atividade humana, o fígado se recompõe dos ataques passionais, para novamente ser atacado no dia seguinte. Ele só será liberto no dia em que encontrar-se com o messias grego (Hércules) e novamente encontramos um paralelo bíblico, pois o Cristo veio para redimir os pecados de Adão.
Epimeteu, em contrapartida, não sofre com o “crime” de Prometeu, pelo contrário, ele desfruta das núpcias com sua amada, dada pelos deuses. Epimeteu bem poderia ser comparado ao louco do Tarô, ou ao Dionísio grego. Prometeu sofre porque sua sensatez é limitada pela condição humana. Epimeteu se deleita com essa natureza. Um último paralelo, também profundamente significativo, poderia ser traçado entre Prometeu e Lúcifer, o anjo caído, pois foi condenado pela ousadia de querer tornar-se “como deus”… mas não seria exatamente essa a proposta da jornada humana?