domingo, 25 de outubro de 2015

A Filosofia por trás do Veganismo

Dois veganos famosos
Se juntarmos num mesmo grupo pessoas como Einstein, Platão, Buda, Isaac Newton, Tolstoi, Brad Pitt, Drew Barrymore, Richard Gere, Steve Jobs, John Lennon, Kim Bassinger, Terence Stamp, Sting, Brigitte Bardot, Gandhi, Hipócrates, Tesla, Da Vincci, Clinton, Johnny Depp e mais uma lista incontável de gente, a característica comum é que eles são ou foram veganos ou vegetarianos. Substituiram proteina animal por vegetal. Porque?
Porque o boom do veganismo está conquistando rapidamente o mundo inteiro. Se você digitar hoje 25/10/2015 a palavra “vegan” no Google, aparecem 152 milhões de resultados (há 7 dias atrás era 150 milhões). Experimente. Amanhã será mais. Ano que vem? Imprevisível. O que está acontecendo? As pessoas estão acordando para o fato de que um movimento que junte alimentação saudável, compaixão animal e meio ambiente só pode ser coisa boa.
O crescimento do veganismo está atingindo o “modo exponencial” em todo o mundo, turbinado pelos meios de comunicação que promovem pessoas  veganas e vegetarianas famosas em todas as áreas do conhecimento: cinema, ciências, política, religião, mídia, tecnologia, tudo. O que está por trás disso? Muita coisa, mas uma delas é o fato misterioso de que de uns anos para cá há muitas crianças no mundo inteiro que já estão nascendo recusando proteína animal, e inclusive reeducando seus pais. Porque? Defesa da natureza? Uma sabedoria intuitiva orientando a raça humana? Mistéério.
Então você pergunta: e qual a diferença entre ser vegetariano e vegano? Como sempre a resposta é ampla, abrangente e mais rica que a pergunta. Vamos ver os fatos por trás...
Os primeiros veganos registrados pela História foram os essênios, judeus da Palestina do século II a.c.. Dizem que Jesus foi educado por eles. Se foi mesmo, era vegano. O primeiro vegano pop star...
Donald Watson, o carpinteiro inglês fundador formal do movimento nos tempos modernos dizia que “o Veganismo é a junção da alimentação saudável e outros cuidados com a saúde, compaixão pelos animais e respeito pelo meio ambiente”. Curto e grosso. Como já faziam os essênios. Parece fácil, mas a junção e o exercício consciente dessas 3 coisas é para poucos porque solicita uma postura física, emocional e mental.
Já o vegetarianismo consiste num modelo que se aproxima gradualmente do veganismo, tendo vindo do onivorismo (quem come de tudo), ou seja, quem come de tudo vai, por alguma razão, desistindo dos produtos animais, vai ficando gradualmente vegetariano puro, e se já tiver ou desenvolver compaixão e respeito animal, e ambiental, se torna vegano. Pronto.
Watson até dizia: que “- O vegetarianismo é um passo intermediário entre o onivorismo e o Veganismo. Há veganos que fizeram a transição em uma única etapa, mas a maioria das pessoas precisa do estágio intermediário.” É compreensível, pois uma coisa é se preocupar com a própria saúde individual ou da família, mas outro nível qualitativo e evolutivo é ter compaixão pelo animal e respeito pelo planeta e portanto por toda a humanidade. Isso já é coisa de gente grande. Há quem diga que deveríamos mesmo fazer como os índios americanos que ao colher uma planta para alimentação ou remédio, pedem desculpas ao espírito dela porque ela é um ser vivo e senciente (sensível). Na minha infância a gente não fazia isso mas orava na mesa agradecendo pelo alimento.
Mas, porque dissemos que o vegetarianismo se aproxima “gradualmente” do veganismo? Porque em termos práticos há uma gradação de tipos de vegetarianos com relação aos tipos de proteína animal, dada a dificuldade de abandonar os antigos hábitos alimentares. São 4 tipos “graduais” de auto-denominados vegetarianos:
  • O que também come algum peixe, como fazem alguns  da“macrobiótica light”. Na falta de nome melhor vamos chamá-lo de ictio-vegetariano já que ictios é peixe em grego. Acabei de batizar essa agora (rsrs)
  • O que come leite e derivados como manteiga, iogurte e queijos (lacto-ovo-vegetariano)
  • O que come ovos (ovo-vegetariano)
  • O que come só vegetal (vegetariano estrito). Este está mais próximo do vegano. Só falta a compaixão e o respeito ambiental (que parece fácil, fácil...)
Isso sem falar nos que comem mel, ou usam lã e seda naturais, produtos obtidos de animais e portanto criticados e recusados pelos veganos. E também dos crudívoros, variação que só come comida vegetal crua (comida viva). E os que comem vegetais levemente cozidos no vapor para não alterar a qualidade energética do alimento.
Vale notar também que o veganismo, sem exclusividade mas por bom senso, contempla outras  preocupações muito atuais que tiram o sono dos aficionados da saúde quanto aos alimentos: é crucial problema do açúcar, sal, química, inseticidas, transgênicos, fiscalização inexistente ou corrupta, todas elas frutos do capitalismo empresarial voraz.  Vamos falar destas preocupações em outra oportunidade. Alimentação que se preze não pode esquecer isso.
Vem daí o crescimento acentuado dos produtos orgânicos na produção vegetal feito por micro-produtores artesanais. Artesanais porque a agricultura orgânica não funciona em grandes volumes, em escala intensiva de monocultura, pois ela nada mais é que a agricultura antes da revolução industrial e do capitalismo moderno e, portanto, requer cuidados específicos de natureza holística no plantio e colheita. Agricultura holística é o canal.
Mas quanto à alimentação, não acredite no que eu falo. Nem em ninguém, independente dos diplomas e da pompa dos títulos. Neste aspecto cabe um conselho que exercitei a vida toda: teste tudo em você mesmo (a) todo o tempo, alimentos, chás, remédios, posturas, tradições e observe, estude e tire suas próprias conclusões. Sempre. Quem fazia isso era Hipócrates (pai da Medicina moderna), Paracelso (alquimista), Hanneman (o da Homeopatia), Bach (o dos sais, não o músico), e Arnaldo Preto... (rsrs). Eu nem conto tudo o que já testei em mim mesmo, para não ser chamado de louco. Sério. Alguns amigos e minha mulher é que sabem. Aquela santa.
Já que estamos falando de “gente fora da curva normal”, no extremo há também os breatharians (respiratorianos) e os sungazers (que, como eu há 6 anos, olham para o sol) adeptos da alimentação prânica, mas esse assunto fica para uma próxima, pois vai dar um nó em algumas cabeças menos avisadas (rsrs). Tudo a seu tempo.
Mas vamos fazer um resumo sobre que tipo de temas compreendem os 3 itens veganos de Watson e quais os problemas que atualmente existem com os quais você vai se deparar no sentido de exercitar uma compreensão do veganismo e defender a sua saúde. Como não podia deixar de ser, vamos jogar um pouco de farofa no ventilador...(Hê... Hê... Hê...)
 Recordando, são eles os temas: alimentação e saúde, compaixão pelos animais, e respeito pelo meio ambiente. Vamos lá:

  • ALIMENTAÇÃO E SAÚDE
Alimento e remédio
O pai da Medicina, Hipócrates, dizia “faz do alimento o seu remédio”. Mas ele só é lembrado pelos médicos no dia do juramento na formatura na faculdade. A frase é esquecida já na festa de formatura. Depois disso, quando é preciso prescrever um remédio ele receita baseado nas informações “insuspeitas” do promotor dos laboratórios farmacêuticos que o visita periodicamente e ganha para isso, e passa a ser o seu consultor, assessor e informante técnico, turbinado pelas promoções que recebe sobre o volume de vendas da indústria farmacêutica e oferecendo uma pá de promoções que incluem viagens, produtos e dinheiro. Muitos médicos alegam que “não tem tempo para estudar” a não ser rapidamente no Google, entre um emprego e outro. Isso é verdade, pelo volume de informações e remédios produzidos hoje. São vítimas eles também, além de réus como todos nós.
Felizmente estamos presenciando um número crescente de médicos percebendo a importância da medicina holística e funcionando como pontes entre essa medicina falsa que se deixou pautar pela indústria do remédio e também a medicina oriental associada às tradições (ayur-védica, hindu, taoista, budista, etc.) e também recomendando a agricultura orgânica na produção de alimentos.

Prevenção e saúde
Nas faculdades no mundo inteiro há pouquíssimos cursos e informações sobre a abordagem preventiva das doenças que poderia ser dada em cursos e cadeiras de Alimentação nas faculdades, seguindo a linha do pai da medicina. A única forma de fugir das doenças e escapar das cirurgias, remédios perigosos e caros, e da velhice sem qualidade de vida é a profilaxia, ou seja, PRE-VEN-ÇÃO!
Pesquisei no curso de Medicina da USP em São Paulo e não há nada, nenhuma matéria preventiva sobre alimentação que seja dada nos cursos obrigatórios de formação de médicos. Só há poucas informações no caso de pacientes pós-operatórios quando o pote já quebrou e o leite já derramou. Hipócrates não vai gostar nada disso. E essa falta de medicina alimentar preventiva deve ser assim nas faculdades no mundo todo. As indústrias alimentar, da proteina animal e farmacêutica aplaudem de pé, é claro, pois vendem mais por conta disso. Fique atento: a alimentação correta é a verdadeira prevenção. E ponto. Além dos exercícios físicos, como não poderia deixar de ser.

Química e saúde
Não se iluda. No que diz respeito aos produtos químicos na sua alimentação você está sozinho e totalmente desamparado. Todo o alimento industrializado é ruim, mesmo o que parece maravilhoso nos comerciais de TV.  Fique atento. Se você tiver paciência e olhar os rótulos dos produtos que consome nos supermercados vai ficar assustado com o que aparece, mas também e talvez principalmente, com o que não aparece. É o caso dos transgênicos, inseticidas e adubos nos vegetais frescos, e aquelas siglas e códigos em letras minúsculas nas embalagens indicando conservantes, homogeneizantes, acidulantes, espessantes, flavorizantes, o diabo... A longo prazo é tudo veneno. E ninguém relaciona isso com o atual aumento exponencial de doenças do coração, sistemas digestivo e circulatório, pressão arterial, ossos, ligamentos, doenças mentais, pele. E tudo “autorizado e controlado” pelas autoridades. Só para constar: quem liberou os transgênicos no Brasil foi aquele ex-sindicalista barbudo que hoje está na mira da Lava Jato em Curitiba.

Saúde, proteção e controle
Você acredita que o governo vai ajudar você?  Não vai. Há no mundo inteiro um complô silencioso e um lobby maligno entre empresas alimentícias, químicas e agropecuárias com suas truculentas e corruptas entidades associativas, médicas, organizações de controle governamental (tipo FDA – Foods and Drugs Administration, nos EUA) ou seus correspondentes no Brasil (SIF – Serviço de Inspeção Federal, DIPOA – Inspeção de Produtos Animais, Anvisa – Ag. Nac. de Vigilância Sanitária), e também fiscais, políticos, legisladores, juízes (todos os que supostamente deveriam proteger você). A pressão combinada do capitalismo, política, mídia paga, e justiça, impede o homem comum de ver qualquer coisa. Para desmoralizar os que reclamam, eles falam que tudo é "a teoria da conspiração". E convencem.
Você que está hoje vendo na mídia os resultados da luta contra a corrupção em entidades governamentais e partidos políticos no Brasil, confia no governo, políticos e nessas entidades que afirmam proteger a sua saúde? Elas realmente fiscalizam as empresas que poluem e adicionam “legalmente” venenos à sua saúde ou são manipuladas e pagas pelos lobbies? Ou os fiscais delas, que deveriam proteger a sua saúde, são subornados por interesses econômicos delas contra você? A resposta todos sabem. Você decide o que fazer. Eu vou ao supermercado, leio o rótulo e não compro. Aliás os rótulos já omitem muita coisa mesmo. E não tomo remédio. Quem toma é porque comeu mal sejam alimentos, emoções ou impressões. Não fez a prevenção com o alimento, que deveria ser o seu remédio.
Muita coisa escapa dos rótulos do supermercado. 
Publiquei há um tempo atrás uma postagem sobre esse incrível povo vegetariano, os Hunza. Um trecho diz: “Lembrei-me agora de um fazendeiro pecuarista, pai de uma amiga de São José do Rio Preto, S.P., que perguntado por mim como fazia para evitar que o seu gado fosse rejeitado no abate logo após ter tomado os perigosos remédios e hormônios de crescimento, respondeu: "- Não há controle nenhum. Se a fazenda tiver uma promissória vencendo no banco e eu tiver que pagar, não tem jeito. O gado vai para o abate. Não há fiscalização suficiente mesmo”.

Saúde e corrupção
Qual a ligação entre saúde e corrupção? Você já vai perceber. Corrupção e descontrole no Brasil é o que se vê hoje no INSS, Petrobrás, Eletrobrás, etc., e certamente toda a estrutura do governo nos 3 poderes (executivo, legislativo e judiciário) e nos 3 níveis (federal, estadual e municipal). A verdade é: qualquer pessoa que tem algum poder em mãos só quer transformar o poder que tem em dinheiro.  Todos sabemos que o ser humano é assim. Se você quiser conhecer alguém de fato, dê poder para ele. Estamos vendo esse filme a toda hora.
 Não é preciso ir para Brasília. Todos estamos vendo a corrupção acontecer à nossa volta na vida habitual, e às vezes até com a nossa participação, displicência ou falta de ação. É com o zelador do prédio, o síndico, o guarda de trânsito, o policial, o “servidor” público, o sindicalista (vixe!), o vereador, o deputado, o juiz, o ministro, gerente, diretor, o presidente das empresas e da república. A conseqüência disso é que você está sendo enganado, sozinho e desamparado. E paga a conta. Como? Com os impostos que aumentam para cobrir o rombo, ou com os péssimos serviços de saúde, atendimento, hospitais, saneamento, educação, segurança cujo dinheiro está na Suiça e paraísos fiscais. E, no mais das vezes, paga a conta com o seu dinheiro suado, com a preocupação com o futuro dos filhos, a pressão alta, o colesterol, o mau humor, a raiva, o descontrole, e por aí afora. Não há saúde que agüente, ôsh!

Exercício físico
Nos anos sessenta e setenta eu estudava e praticava exercícios de saúde taoistas com um simpático velhinho japonês no bairro da Liberdade em Sampa, chamado Zenzo Yamamoto. Um mestre. O pai ou avô de vocês deve ter ouvido falar nele. Com 75 anos se dava ao luxo de fumar de vez em quando um cigarrinho de palha (como o Clinton... rsrs).
Um dia eu, que corria 12 km por dia na pista de borracha do estádio do Ibirapuera, perguntei a ele se correr era o melhor esporte para a saúde. Ele disse: “Correr é para cavalo. O homem anda. Anda muito”. Hoje sei que isso é verdade. Curiosamente, a corrida excessiva é o único diagnóstico que tive sobre a causa da minha necrose do fêmur aos sessenta e poucos anos.
Caminhar é tudo o que a gente precisa saber sobre corrida e esportes. Caminhar muito. As Olimpíadas são um mito. Um mau mito da humanidade.

 O tripé da Saúde
Outro assunto que tenho aprendido um dia depois do outro é que a saúde é um composto equilibrado de 3 coisas: saúde física, emocional e mental. A emocional é tão ou mais importante que a saúde física e elas fazem parte de um conjunto integrado com a saúde mental. A meditação, ou contemplação, é a cola que junta as três num conjunto harmônico. Há 3 coisas que precisam ser trabalhadas tanto na meditação como na ação no dia-a-dia: silêncio no mental, calma no emocional, e relaxamento no físico. E a chave está no emocional. É o centro de gravidade do humano. O nó do borogodó. Há uma literatura interminável sobre o assunto. Vamos falar disso em breve.

  • COMPAIXÃO PELOS ANIMAIS
É simples. A melhor forma de ter compaixão pelos animais é não matá-los. E nem comê-los. Isso já seria um bom começo. Depois vem essa "escolha de Sofia" entre quem é o meu pet querido e quem eu vou comer no almoço. Depois, na ordem, vem o cuidado com a alimentação e saúde deles. O carinho. O afago. O cafuné. Felizmente compaixão tem além de uma componente herdada dos pais, uma outra fornecida pela educação, tanto dos pais, da escola, dos bons amigos, do exemplo. Estamos no meio do caminho, mas a coisa está felizmente crescendo no mundo inteiro.
Os temas que mais precisam ser trabalhados são:
Matar animais por alimentação, por diversão, exaustão, indiferença, descuido, testes de produtos e medicamentos, crueldade delegada, especismo, dano colateral, etc.
Você já viu a morte de animais na indústria e a produção de enlatados? Nem veja. A internet mostra o absurdo com detalhes. Isso porque todas as religiões falam que eles são “criação de Deus”. Já pensou se não fossem?  Paul Mc Cartney pegou bem o espírito disso quando falou: "Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”.
O caminho mais eficiente de proteger os animais é influenciar os políticos e legisladores através da pressão popular das redes sociais e da mídia. Após esse pontapé inicial as ações ficam legitimadas e portanto mais fáceis para serem ativadas pela rede de protetores que já é grande no Brasil e no mundo todo. A mídia e redes sociais desempenham um papel crucial no processo.

  • RESPEITO PELO MEIO AMBIENTE
Bruce Hamilton, diretor executivo do Sierra Club, uma das 3 maiores fundações de proteção do meio ambiente do mundo disse: “- Os climatologistas nos dizem que o nível seguro mais elevado de emissões seria aproximadamente 350 ppm (partes por milhão) de gases de efeito estufa na atmosfera (CO2 – dióxido de carbono) e já estamos em 400. Dizem que a temperatura segura que poderíamos produzir sem consequências perigosas quanto à seca, fome, conflitos humanos e extinção de espécies, seria um aumento de mais 2 °C na temperatura média atual do planeta. Chegaremos lá rapidamente, e com tanto CO2 já existente na atmosfera, vamos ultrapassar facilmente isso. Portanto, estamos assistindo a próxima grande extinção de espécies na Terra, algo que não ocorria desde o desaparecimento dos dinossauros. Quando houver países submersos com a subida do nível do mar, quando houver países sofrendo com a seca ao ponto de não poderem alimentar a população e esta precisar migrar para outro país ou invadir outro país, teremos guerras climáticas.” É um estágio depois de guerras religiosas.
Mas há uma desinformação ou contradição nisso e que é o que mais interessa: um relatório publicado pela ONU diz que o gado produz no mundo mais gases de efeito estufa que todo o setor dos transportes (terrestre, aéreo e marítimo). Ou seja, criar gado gera mais gases de efeito estufa que todos os carros, caminhões, trens, barcos e aviões no mundo (13%, contra os 18% gerados pelo gado). Isto porque as vacas produzem um incrível volume de gás metano a partir do seu processo digestivo. 

O gás metano produzido pelo gado é 25 a 100 vezes mais destrutivo que o dióxido de carbono dos veículos! Repetindo: O GÁS METANO PRODUZIDO PELO GADO É 25 A 100 VEZES MAIS DESTRUTIVO QUE O DIÓXIDO DE CARBONO DOS VEÍCULOS! Você sabia? E nós andamos alegremente de bicicleta para ajudar a reduzir as emissões de CO² dos carros. Brincadeira.
Mas o problema não está apenas nos combustíveis fósseis. A produção de proteína animal não só contribui para o aquecimento global via metano produzido pelo gado, como é a maior causa de consumo de recursos (água e dinheiro) e degradação ambiental. E os websites das maiores organizações ambientais como a 350.org, Greenpeace, Sierra Club, Climate Reality, Rainforest Action Network, Amazon Watch não falam nada sobre a agropecuária. Nem os governos. Porquê?
A chamada “fratura hidráulica” do gás natural (gasto de água para produzir algo) gasta muita água. Gastam-se incríveis 378 bilhões de litros anualmente nos EUA, mas só neste país, a agropecuária consome 128 bilhões de litros de água. E as emissões de metano de ambos os ramos são quase iguais. O californiano gasta em média 5600 litros por pessoa, por dia! Metade disso refere-se ao consumo de carne e laticínios. A carne e os laticínios exigem muita água, em parte porque os animais lá nos EUA comem cereais que requerem muita água para serem produzidos. Cereais é o que eles comem diferentemente dos povos pobres. A água que está no cereal que o animal come é considerada parte do valor de água virtual atribuída à carne. A sua pegada ecológica e hídrica. No Brasil a maioria do gado come capim, mas para isso desmatam tudo, principalmente a Amazônia o que é pior ainda. A continuar produzir carne podemos optar entre a frigideira ou as brasas.
Um hambúrguer de 110 g para chegar à sua mesa no Mac Donald’s requer mais de 2500 litros de água para ser feito! São necessários mais de 10.000 litros de água (10 toneladas) para produzir meio quilo de carne! 
Fala-se muito em reduzir o consumo doméstico de água, mas isso é apenas 5% do que os EUA consomem comparados com os 55% da agropecuária. As campanhas do Governo dão dicas para poupar água, como usar torneiras e aparelhos sanitários mais eficientes, mas nada falam sobre a agropecuária. Porque será?
Você já percebeu né? Ninguém (mídia, governo e organizações ambientais por razões diferentes) fala disso por causa do poder de lobby da indústria de proteína animal, carne, ovos, queijo e leite e todos os seus derivados. A mídia pelos gastos de publicidade, o governo pelos impostos que arrecada e as “.org ambientais” como o Greenpeace e outras, pelas doações recebidas do setor agropecuário- industrial. E ficam protegendo os golfinhos, focas e tubarões como se estes vivessem em outro planeta. A gente que se dane. E nós estamos aqui... tranqüilos como o cara que pulou do 18º andar, ao passar pelo 3º e pensou: “Até aqui, tudo bem.”
O alarmante de tudo isto é que se as emissões de carbono dos veículos pararem hoje, em 10 a 20 anos tudo começa a se recompor (se a Amazônia não acabar em 10 a 15 anos conforme previsto, é claro), mas o metano existente leva mais de 100 anos para ser absorvido. Tá bom ou quer mais?
E nem estamos falando da extinção acelerada de abelhas, insetos e morcegos, todos polinizadores e a sua conseqüência previsível no colapso da agricultura.
Parece que a Humanidade não está bem na fita, hein moçada?
Por isso Einstein e Da Vincci disseram (antes mesmo do veganismo):
  • "Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da Humanidade." Einstein
  • "Haverá um tempo em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente da mesma forma como hoje se julga o assassino de um homem."
    Leonardo da Vinci
Pronto. Falei.

Referências:
·        Vídeo “Cowspiracy” legendado:  HTTP://serluminoso.blogspot.com
·        Revista Vegan News


sábado, 17 de outubro de 2015

Tributo ao criador do Veganismo

Donald Watson, fundador do
 Veganismo
“No mundo atual, conturbado, as pessoas têm manifestado uma preocupação clara com a sua própria saúde física e emocional e a dos seus próximos. Já se percebe também iniciativas tímidas e atrasadas de governos com relação à saúde, sobrevivência e ao bem estar dos cidadãos e portanto de toda a humanidade. Já não era sem tempo. A alimentação ocupa um lugar de destaque nessa arena.
Ao lado disso nota-se no mundo que, apesar do desrespeito dos humanos com os seus próprios semelhantes, está a pleno vapor ainda que incipiente, uma preocupação com os animais e com o meio ambiente. Curiosamente o budismo, a única “religião sem Deus” ensina esse respeito aos animais e ao meio ambiente através da Compaixão, do reconhecimento da ”existência do outro”, mesmo que sejam animais e portanto “inferiores”, como pensam alguns. 
E pensei: qual deveria ser o tema do primeiro artigo sobre o tema? Tanta coisa para falar... Então me lembrei de uma frase de um livro de Carlos Castaneda em que seu mestre Don Juan o sábio índio e xamã diz a ele: “ A totalidade de um caminho está no primeiro passo”. E cuidadosamente escolhi como tema do artigo a visão simples e profunda do próprio criador do Veganismo que conseguiu em 1944 juntar alimentação saudável, saúde, compaixão, respeito aos animais e ao meio ambiente. Um mestre raro.” A visão dele foi o primeiro passo do Veganismo.
Esta é então a entrevista com Donald Watson, fundador da britânica Sociedade Vegana  (Vegan Society), para celebrar o Dia Mundial do Veganismo.
Donald Watson era um Virginiano, portanto ligado ao tema da saúde, e nascido em 02 de setembro de 1910, em South Yorkshire, Reino Unido e falecido em 16 de novembro de 2005, em Cumbria, Reino Unido. É dele a invenção da palavra "Vegano" com sua esposa Dorothy. Fundou a Sociedade Vegana em 1944, fim da guerra, época de renascimento e construção. Profissão: carpinteiro e professor de carpintaria. Vegetariano por mais de 80 anos, vegano por 60 anos. Esta entrevista foi publicada pela primeira vez em "O Vegano" na edição de verão de 2003. Vamos lá:

George D. Rodger: - Quando e onde você nasceu?
Donald Watson: - Nasci no dia 02 de setembro de 1910 em Mexborough em South Yorkshire, em uma família onívora (comiam de tudo).
G: Conte-me sobre sua infância.
Uma das minhas primeiras lembranças é de férias na fazenda do meu tio George, onde ele estava sempre rodeado de animais interessantes. Segundo ele, todos os animais "deram" alguma coisa: o cavalo da fazenda puxava o arado, o cavalo mais ligeiro levava as pessoas, a vaca "deu" leite,  a galinha "deu" ovos e o galo foi um despertador útil. Então, eu não sabia que eles também tinham outra função. A ovelha "deu" lã. Eu nunca entendi o que "deu" o porco, mas eles pareciam criaturas tão amigáveis que eu sempre simpatizei com eles. Então chegou o dia quando um dos porcos foi morto: até hoje eu tenho memórias vívidas de todo o processo - incluindo gritos - claro. Uma das coisas que mais me surpreendeu foi que o meu tio George, que eu via em alta conta, fazia parte do grupo. Eu decidi que a fazenda - e tios - tinham que ser reavaliados: o cenário idílico era nada além de um corredor da morte, onde cada dia das criaturas foi listado até que eles não eram mais úteis para fins humanos. Eu vivia em casa por 21 anos e em todo esse tempo eu nunca ouvi uma palavra de meus pais, avós, meus 22 tios e tias ou 16 primos, ou os meus professores, ou o pastor, de qualquer coisa remotamente associada a qualquer direito que os animais tivessem, já que são “criação de Deus". Ao sair da casa, aos 21 anos, fui morar como artesão-aprendiz de carpinteiro com outro tio, mas houve a depressão econômica de 1930 e achei que eu poderia tornar-me um artesão qualificando-me na cidade. Com alguma dificuldade, consegui e eu gostei do trabalho tanto que eu nunca tentei substituí-lo por outro.
G: - Você tem 92 anos e 104 dias nesta data. A que você atribui sua vida longa?
D: - Eu me casei com uma garota de Gales, que me ensinou a língua e dizia "Quando todo mundo corre, fique parado", e tenho feito isso desde então. Isso deve ser parte da resposta porque muitas pessoas em corridas suicidas fazem todos os tipos de atos perigosos. Eu sempre disse que o maior erro é que o homem está tentando se tornar um animal carnívoro, porque vai contra a lei natural. Inevitavelmente, eu suponho que, dentro dos próximos dez anos, não vou acordar uma manhã. E daí? Haverá um funeral, haverá um punhado de pessoas e, de acordo com previsões de  Bernard Shaw para seu próprio funeral, vão estar presentes os espíritos de todos os animais que eu não comi. Nesse caso, vai ser um grande funeral!
G: - Quando você começou a ser vegetariano?
D: - Era um propósito e uma nova resolução do ano de 1924, então eu não comi carne ou peixe por 78 anos.
G: -  Conte-me sobre os primeiros dias da Vegan Society.
D: - Tudo começou literalmente a partir do zero dois anos antes de formarmos uma sociedade democrática. Com as respostas que tivemos - milhares de cartas – senti que se não formasse a Sociedade alguém o faria, então eu pensei em dar-lhe um nome diferente. A palavra "vegan" foi imediatamente aceita e se tornou parte da nossa língua, e agora é conhecida em muitas partes do mundo, eu acho. Eu não posso deixar de comparar a nossa revista trimestral atual com o humilde "Vegan News" que produzimos com grande dificuldade. Eu costumava passar toda a noite montando as páginas, grampeando, fazendo. Eu era limitado a um número de 500 assinantes, porque eu não poderia lidar com um número maior. Comparado com a democracia, a ditadura tem uma vantagem óbvia: nos primeiros dias de "Vegan News" eu poderia fazer isso do meu jeito. Eu não acho que eu poderia ter sobrevivido se eu tivesse que escrever para as pessoas e pedir sua opinião. Eu não tinha telefone ou carro, e achava que todos concordassem comigo, até que eu tive que trabalhar com um comitê.
G: - Como o seu Veganismo trata das crenças religiosas que você pode ter?
D: - Eu nunca fui de ter crenças profundas. Eu não era inteligente o suficiente para ser um ateu, mas agnóstico sim. Alguns teólogos acreditam que Cristo era um essênio. Se fosse, seria vegano. Se ele estivesse vivo hoje, ele seria um propagandista vegano itinerante em vez de um pregador ambulante daqueles dias, para espalhar a mensagem da Compaixão. Eu acho que há agora mais veganos domingo no almoço que anglicanos frequentando o culto da manhã de domingo. Eu acredito que os anglicanos devem se regozijar com a boa notícia de que alguém, pelo menos, está praticando o elemento essencial da religião cristã, a Compaixão.
G: - O que você acha mais difícil em ser vegano?
D: - Bem, acho que é o aspecto social, ou seja excluir as pessoas veganas que se encontram e se reúnem para comer. A única maneira que este problema pode ser aliviado é que o Veganismo seja aceito em locais públicos, como hotéis, restaurantes, onde quer que vá. Espero que algum dia isso se torne a norma.
G: E o outro lado da moeda: O que parece mais fácil em ser vegano?
D: - A grande vantagem é ter uma Consciência clara e acreditando que os cientistas devem aceitar a Consciência como parte da equação científica.
G: - Qual é a importância de ter feito jardinagem em sua vida?
D: - Quando eu morava em Leicester, um amigo me deixou usar um lote de terreno. Quando a safra estava madura, ele tinha que trazê-la de volta por quatro milhas através da cidade. Quando eu tive a sorte de conseguir um emprego em Keswick, eu tinha uma casa com um acre de jardim, um verdadeiro sonho tornado realidade. Minhas caixas de compostagem cheias de mato, grama cortada, resíduos vegetais da horta, folhas mortas (mas não de esterco animal). A propósito, toda a minha escavação era feita com um garfo, para manter vivas as minhocas.
G: - Quais são os seus pontos de vista sobre os esportes cruéis?
D: - Eu acho que eles são os mais baixos. Não importa pensarmos que são necessários,  pois agindo assim nós fazemos mal, porque mais do que matar criaturas para seu próprio bem, matar criaturas para se divertir é perverso.
G: - E sobre a experiência com os animais?
D: - Dizem que os esportes cruéis são o ponto mais baixo, mas eu acho que nós temos que mover a alavanca um pouco mais para baixo para colocar lá a vivissecção (cortar animais vivos). Ela é algo que sempre perguntam quando a gente pensa na “crueldade delegada” executada por essas pessoas, mas é uma questão simples: se não houvesse vivissectores poderíamos fazer o que eles fazem? Se não podemos, não temos o direito de esperar que eles façam isso para nosso benefício. Os medicamentos mais ortodoxos são testados em animais e talvez seja, uma das maiores inconsistências os vegetarianos e veganos tomarem esses medicamentos,  ainda mais inconsistente do que usar couro ou lã, porque estes são produtos de uma indústria que fornece carne.
G: - O que você pensa da Ação Direta?
D - Eu nunca me vi envolvido nela. Tenho grande respeito por aqueles que acreditam que é a forma mais direta e rápida para perseguir seus objetivos. Se eu fosse um animal em uma gaiola em um laboratório, agradeceria a pessoa que quebrou tudo para me livrar, mas, mesmo dizendo isso, devemos sempre lembrar: pode acontecer que nossas ações se revelem contraproducentes? Eu não sei se responder "sim" ou "não", porque eu não sei a resposta para isso.
G: - O que você considera a maior conquista de sua vida?
É o que me propus a fazer: sentir-me uma ferramenta para iniciar um grande movimento que não só poderia mudar o curso da história da humanidade e o resto da criação, mas também aumentar as expectativas de sobrevivência humana no planeta.
G: Você tem alguma mensagem para os milhares de pessoas que são atualmente veganas?
D: - Tomar para si a visão ampla do que significa o Veganismo, algo além de encontrar a alternativa para fazer ovos mexidos ou uma nova receita para um bolo de Natal. Perceba que você está em algo realmente grande, algo que não havia sido avaliado até 60 anos atrás, que concentra muitas críticas razoáveis, mas que não podem contra ele. E não levar semanas ou meses para estudar especialistas em dieta ou ler livros. Significa tomar alguns fatos simples e aplicar.
G: Você tem alguma mensagem para os vegetarianos?
D: - Aceitar que o vegetarianismo é um passo intermediário entre o onivorismo e o Veganismo. Pode haver veganos que fizeram a transição em uma única etapa, mas tenho certeza que a maioria das pessoas precisa do estágio intermediário. Eu sou um membro da Sociedade Vegetariana para manter contato com esse movimento. Fiquei encantado ao saber que na Conferência Mundial de Vegetarianismo realizada em Edimburgo, a dieta era vegana e não havia escolhas. A pequena semente plantada há 60 anos está fazendo presença e dando frutos.
G: Como você acha que tem sido o desenvolvimento da Sociedade Vegana, desde que a deixou?
Certamente melhor do que eu esperava. O gênio saiu da garrafa e ninguém pode devolvê-lo às tempos ignorantes antes de 1944, quando a semente vegana plantou esperança nas pessoas. O homem pode agora viver com uma dieta vegana. O primeiro trabalho foi feito por voluntários. De certa forma, todas as empresas começam com um trabalho feito por voluntários. Até o nosso diretor executivo tem um salário menor que um salário comercial, porque não podemos permitir qualquer outra coisa. Assim, desde a sua criação, a Sociedade Vegana tem se beneficiado de trabalho voluntário. Nós somos gratos a essas pessoas. Quem sabe o que aconteceria se eles não estivessem aqui.
G: - Em que sentido você entende que a Sociedade Vegana deve funcionar no futuro?
D - Não me atrevo a sugerir algo a um movimento que parece ir bem, espalhando a obra por todo o mundo. O edifício que sobreviveu a todos os ataques antes de iniciarmos o nosso trabalho está se desintegrando devido à sua estrutura fraca. Não sabemos quais os avanços espirituais que o Veganismo traz a longo prazo - com as gerações - para a humanidade. Seria certamente uma civilização diferente, a primeira que merece ter o título de civilização.

Tradução livre, feita por Arnaldo Preto, da entrevista de Donald Watson a George D. Rodge da Sociedade Vegana em agosto de 2003.