domingo, 18 de maio de 2014

Dinheiro e Busca Interior


Estamos vendo o tempo todo na mídia uma orquestração insana que mistura todo o tipo de coisa que desestabiliza o frágil equilíbrio emocional do ser humano. É uma mistura de apreensão  turbinada pelos ódios, apegos e ignorância. Ou é isso, ou o chamado “entretenimento”, que parece existir justamente para que o prato aparentemente ruim da balança não penda para o fundo do poço. O entretenimento parece ser uma salvação pois nos faz esquecer a apreensão. Não é.
 Infelizmente o chamado entretenimento não é o prato contrário. Os dois são da mesma natureza. Os dois pratos da balança são produzidos para tirar a possibilidade da vítima, no caso nós, de intentar fazer descer a Presença. Um ajuda o outro na mesma tarefa inglória que é nos adormecer. Aliás a palavra nós é bem adequada. É o que somos: uns nós... cegos (rsrs). Enquanto escrevia, lembrei de uma frase de quem considero o maior humorista brasileiro, o gaúcho Barão de Itararé, pseudônimo de Apparício Torelly, jornalista e  escritor..., que é bem na linha desse humor esculhambado. A frase dele é “O Brasil é feito por nós. Agora só falta desatar os nós”. Quem quiser ler um humor finíssimo procure-o no Google: Barão de Itararé.
Mas voltando ao assunto, o maior impedimento que existe para o ser humano evoluir é a preocupação constante, acordado ou dormindo, com as coisas do seu dia a dia, como dinheiro, a inflação, o futuro e o passado, a segurança, o trânsito, a polícia, os políticos, a corrupção, as drogas, a saúde, os filhos, os pais, a casa (ou a falta dela), a injustiça da Justiça, a violência... dos quais o mais agudo, e que permeia tudo, é o dinheiro. Para contrabalançar, temos então do outro lado a novela, a telinha, o teatro, o cinema, o desfile, o show, a balada, o facebook, o jogo, a Copa.
Os dois pratos da balança acionam o mesmo mecanismo perverso do pensamento, ou o “falar interno”, e pronto: não conseguimos o contato com a Presença, nem o sentir o corpo, as emoções e as energias circulando. Não conseguimos Lucidez.
Não há muita saída. Ou a gente fica cego de preocupação principalmente com o dinheiro e as posses, ou adormece com o entretenimento. É pau puro. Por isso os budistas chamam este de planeta de sofrimento.
Esse tema é exaustivamente tratado por todos os chamados mestres de todas as tradições sem exceção, porque temos que acordar. Ressalvadas as diferentes abordagens para tratar o assunto, o objetivo é o mesmo: estar presente na ação no mundo (enquanto ainda estamos vivos), independentemente das dificuldades que jogam em sentido contrário. Depois desta vida, não há garantias.
Segundo a visão bíblica, o início da preocupação com a sobrevivência, da qual o dinheiro é a versão moderna, foi dado pelo anjo com a espada expulsando Adão e Eva do paraíso terrestre, o lugar onde se vivia conectado com a Unidade, ou o Universo, ou Deus, como se queira chamar. A frase foi “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar." Gênesis 3:19.
Estava plantada a semente do trabalho duro sobre a terra para se sobreviver, da qual o ganhar dinheiro é uma decorrência da sociedade moderna dada a forma como ela se configurou, e elegeu o dinheiro como fator de segurança.
Mas como a coisa sempre pode piorar, além da necessidade de trabalho para sobreviver, nós seres humanos já saímos de fábrica com uma estrutura de ego que tem uma característica perversa, senão diabólica, que é o sentimento de “primeiro, eu”, graças a uma composição mental/emocional influenciada por quase todos os chamados sete pecados capitais. Esta é a chave para a competição desenfreada, para a exploração do outro.
Piorando mais, temos o resíduo da nossa formação em casa e na escola, e o fato de carregarmos o carma de “quem eu já era antes”. Um tipo de dna, se é que se pode falar assim. 
O resultado fatal é “dane-se o outro”, ou seja a exploração do seu semelhante, sempre que possível, para se obter os resultados do que o ego acha conveniente e seguro para a sua manutenção. O grande problema é que o dito cujo ego nunca se acha seguro, então sempre precisa de mais. No caso específico do brasileiro ele além disso herdou dos nobres portugueses o "dna do fidalgo" (que nos conquistou via índios, e nos escravizou via negros) de “viver com o trabalho e suor do outro”...
O dinheiro é mais que apenas dinheiro. Ele representa uma energia que tem que ser entendida, pois representa um papel crucial na vida das pessoas e ao mesmo tempo o seu significado oculto tem que ser trabalhado como um requisito para se harmonizar a vida material concreta com a Presença no Agora, necessária para a evolução. Não é brincadeira. Eu,particularmente, tenho sofrido um aprendizado dramático com isso e sinto que se entendermos o dinheiro o caminho para a evolução fica menos difícil. A concretude inflexível é um caminho eficiente para a evolução.
Na postagem sobre Miyamoto Musashi, o grande mestre samurai, ele dá os 9 pontos da sua mestria, dos quais a gente deve aplicar quatro deles à questão do dinheiro e bens materiais:
5- Aprenda a distinguir ganho de perda nos assuntos materiais. 
6- Desenvolva o julgamento intuitivo e a compreensão de tudo. 
7- Perceba as coisas que não podem ser vistas. 
8- Preste atenção até ao que parece não ter importância.
A gente se detém muito pouco sobre a natureza dele, mas afinal, o que é o dinheiro?
Desde o seu surgimento como um aspecto significador do Valor que se dá às coisas, ele é considerado um instrumento de avaliação para medir e portanto relacionar e comparar as trocas materiais entre pessoas físicas, entidades, estados nacionais, etc. Então está presente em todos os aspectos corriqueiros da nossa vida, o que exige uma grande dose de atenção para nos relacionarmos com ele. Temos que aprender o que é o dinheiro, o que nós somos como “seres humanos”, e o que é esta sociedade que criamos baseada no sistema monetário.
Infelizmente os teóricos da economia, como Adam Smith e outros, faziam parte da elite dominante e nos venderam um peixe e entregaram outro.
Como diz o movimento Zeitgeist, “O Homem ainda é o mesmo de antes. Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo. Ele construiu uma sociedade nestes termos. Não é uma demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.
A sociedade de hoje é formada por várias instituições. De instituições políticas, instituições legais, instituições religiosas a instituições de classe social, valores familiares, e especialização profissional. É óbvia a profunda influência que essas estruturas tradicionais possuem sobre a formação de nossas compreensões e perspectivas. Entretanto, de todas as instituições sociais nas quais nascemos, que nos guiam e condicionam, parece não haver nenhum sistema tão subestimado e mal compreendido como o sistema monetário. Tomando proporções quase religiosas, a instituição monetária estabelecida existe como uma das formas mais incontestadas de fé que existem. Como o dinheiro é criado, as políticas que o governam, e como ele realmente afeta a sociedade, são interesses desconhecidos da grande maioria da população. Em um mundo onde 1% da população possui 40% da riqueza do planeta, onde 34 mil crianças morrem diariamente de pobreza e doenças evitáveis, e onde 50% da população vive com menos de 2 dólares por dia... uma coisa está clara: Algo está muito errado.
Estejamos cientes disso ou não, o sangue nas veias de todas as nossas instituições estabelecidas, e portanto da sociedade em si, é o dinheiro. Logo, entender essa instituição de política monetária é essencial para entender porque nossas vidas são como são. Infelizmente, economia é um assunto freqüentemente visto com confusão e tédio. Sequências infinitas de termos financeiros, aliadas a cálculos intimidadores, fazem as pessoas rapidamente desistir de tentar entendê-la. No entanto, o fato é:
A complexidade associada ao sistema financeiro é somente uma máscara criada para ocultar uma das estruturas mais socialmente estagnadoras que a humanidade já tolerou.

Se quisermos entender essa falsa “complexidade”, temos que reduzi-la aos seus pontos mais simples.
 Qualquer boa dona de casa entende a verdadeira economia, que pode (e deve) ser aplicada por qualquer nação:
Pode-se tentar sempre ganhar mais, mas não se pode gastar mais do que se ganha indefinidamente.
Não se pode criar valor a partir de fatos que vão ocorrer no futuro. O futuro não existe.
Só se cria valor real a partir de recursos
Não se cria valor real a partir de crédito. Crédito vem da palavra acreditar, crer. É uma abstração.
Não se deve usar dois, se é necessário só um.
Só se gera filho se se pode sustentá-lo.
Não se pode destruir recursos, sejam eles quais forem.
Os dirigentes das famílias, empresas, países e das economias deveriam seguir esses pontos. Tudo estaria melhor.
Vamos falar mais disso futuramente, mas quem quiser pode já ir vendo (se não viu ainda) o vídeo Zeitgeist Addendum, no youtube. Uma pérola.Está tudo explicado lá.


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