domingo, 16 de dezembro de 2012

A Morte

Algumas tradições, entre elas o Cristianismo e o Islamismo colocam o Paraíso, o Despertar depois da Morte. Outras insistem, e nós concordamos com essas, que a Iluminação deve vir antes da Morte, porque o chamado bardo, intervalo entre duas vidas, é como uma espera numa estação do caminho, para se fazer um balanço do que se viveu, do estado de Consciência que se atingiu, e se a pessoa não despertou, o que significa que o resultado não foi aprovado, (por ela mesma, vejam vocês...) ela deve aguardar o próximo trem para continuar um novo trecho da viagem. Na melhor hipótese, se o trecho da viagem que findou no planeta foi bom, foi bem aproveitado, não precisa continuar e ela fica por lá mesmo: não tem mais viagem, mas o aprendizado continua nessa outra dimensão não física. Para sempre, é o que dizem. Viver não tem muito recreio como na escola, não. É tempo integral...
Então, na sequência correta, na semana passada falamos de Despertar e agora  vamos falar da Morte. 
Esta é também uma transcrição de um vídeo de Eckhart Tolle publicado há algumas semanas atrás, pois tem muita gente que gosta mais de texto. Vamos lá:

Ouvinte:
- Um amigo meu morreu há dois dias atrás e então surgiu a questão em minha mente: O que acontece no momento da morte?
Eckhart Tolle:
- Obrigado (pela pergunta). Bem eu ainda não passei pela morte física... a um mestre zen foi perguntado sobre a vida depois da morte.  E ele disse: “Eu não sei.”
E eles disseram: “Por que você não sabe? Você é o mestre.”
E ele disse: “Sim, mas eu não sou um mestre morto...(rsrs)”. Mas eu entrei bem profundamente no que se poderia chamar de identificação com a forma. Então de certo modo eu entrei nesse contexto, e posso dizer e saber que, em última análise Morte é a dissolução da forma.
O Interno em nós, que a gente conhece de primeira mão, não pode ser tocado por isso (pela morte).
Eu diria que o que exatamente acontece depende de em qual “estado de consciência” você está, e qual o estado de consciência predominante neste seu tempo de vida.
Se neste tempo de vida você está continuamente identificado com a forma, seu corpo, ou a forma psicológica do “mim”, isso significa que a consciência, esta atual expressão de consciência, ainda está em um certo estado de sonho, que é a identificação com a forma.
Então você pode facilmente extrapolar que se a tendência da consciência em se identificar com a forma ainda está presente e o despertar ainda não aconteceu, então essa tendência continuará e haverá subsequentes identificações com a forma e o processo vai continuar , e a consciência que não está plenamente desperta,vai continuar a se identificar com as formas outra vez. Até que, gradualmente, chegue a um ponto onde o despertar aconteça.
Ou, caso já tiver ocorrido uma desidentificação com a forma nesse tempo de vida então você pode superar isso que é o impulso compulsivo para se identificar com a forma e buscar outra forma ou um outro ciclo de identificação com a forma. Esta compulsão por buscar subsequentes experiências que se identificam com a forma, ou estará mais fraca ou estará completamente ausente e nesse caso a consciência que você é, não mais está sujeita a esse reino e não mais buscará re-experimentar esse reino da forma.
Mas em ambos os casos eu posso lhe dizer que está tudo bem. Não importa realmente se essa pessoa necessita de subsequentes experiências de identificação, e nesse caso isso lhe ocorrerá, ou se ela já está livre dessa sujeição e nesse caso ela irá seguir em frente e viver num reino que não pode nem mesmo ser concebido a partir de onde a gente está aqui, e que está profundamente dentro daquilo que É.
Mas nós não precisamos falar sobre isso aqui. Tudo o que sabemos é aquilo que o livro “Um Curso em Milagres” sumariza em duas linhas:
“Nada que é real pode ser ameaçado”.“Nada irreal existe”. “Nisto está a Paz de Deus”
O que é real dentro dele, está além da forma. Todo mundo quando vê um corpo morto percebe que esse não é mais quem você conhecia, esse não é o ser que você conhecia, é apenas uma casca.
Então: “Nada que é real pode ser ameaçado. Nada irreal fundamentalmente existe”.
Isso é o porque que os sábios de todas as tradições falam que esse reino da forma é essencialmente ilusório. Essencialmente...
Depende de qual nível você está olhando.
O importante é que tudo está bem. Além da aparência no nível da forma que é o único nível onde a morte existe e que é a transição de uma forma para outra ou de uma forma para o sem forma. Isso é o que a morte é. Nada mais que isso. Nada real morre.
Em última análise pode-se dizer que não há tal coisa como a morte. É só algo que parece ser. É uma transmutação da forma. Ou a forma se dissolve ou passa a uma outra forma, a uma outra identificação com a forma.
Para você é importante, frente a morte, voltar-se para a quietude, dentro de si mesmo. Especialmente quando você está ao lado de uma pessoa que está no processo de morte ou quando se confronta com alguém que acaba de morrer. Imediatamente feche os olhos e volte-se para a quietude interior. E você percebe que você É. E quando você percebe quem você é, que é uma consciência sem forma, então você também percebe que nada real morre. O que fundamentalmente quer dizer que não há nenhuma morte. 
Isso não significa que você não pode ficar triste. Você pode permitir-se ficar triste e com lágrimas e ao mesmo tempo perceber que nada real morre.
Isso aconteceu comigo quando meus pais morreram há dois anos atrás em um espaço de seis meses um do outro. Então fui confrontado em um curto período de tempo com a perda de duas pessoas amadas. Sim, ouve lágrimas e eu estava triste,mas ao mesmo tempo havia a percepção que, em última instância, não havia nenhuma morte e quem eles Eram, em essência, não tinham sido destruídos.
Tanto quanto eu sei que eu, em minha essência, não posso ser destruído. Então o que vem da auto percepção, do auto conhecimento, é a percepção que o outro também está além da morte.
É assim que você pode ter a coexistência de que, sim, a este nível há lugar para tristeza, luto e lágrimas, o que acontece o que vem em ondas, e notar que quando geralmente alguém próximo morre a tristeza vem em ondas e você chora e isso o alivia e aí vem outra onda...E mesmo quando uma onda vem pode haver uma corrente subjacente de paz. Então você não está totalmente naquela emoção, não está sendo totalmente consumido por ela e ela está lá no seu espaço próprio. E o espaço que subjaz à emoção é a Paz.
E é somente a partir dessa paz interior que você pode perceber a Verdade. Que está além disso...

Transcrição de Paulo Azambuja, editor do segmento do vídeo original e tradução, gentilmente cedidos.

2 comentários:

  1. Muito Obrigado pelo lindo texto!

    É comum ao ler os artigos alcançar esse estado mais profundo, manter é o problema ainda, mas esse vai e vem traz algo muito vivo.

    Obrigado.

    ResponderExcluir
  2. Bom dia Luiz Arnlado... como vc está...

    O Espírito... o Universo conduziu-me até um verdadeiro Nagual... Ele é um Nagual chinês.

    Compartilhe essa informação... é real...

    Já vivênciei coisas além de qualquer cognição com suas práticas.

    Ele estará ausente por 2 meses, pois retornará à China...

    Em março ele voltará a ministrar práticas no Parque do Ibirapuera... em frete ao Viveiro Manequinho... todos os domingos das 08h as 11h.

    O Poder está no Parque do Ibirapuera

    ResponderExcluir